Conte Sua História de São Paulo: o verde e a lagoa do campo de golfe dos Matarazzo

Por João Nunes

Ouvinte da CBN

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“Daqui a pouco são cinco horas, hora do guardinha ir embora….”

E lá ía eu e meus amigos em corrida pelo verde do São Francisco Golf Club nadar nas lagoas do clube fundado pelo conde Luiz Eduardo Matarazzo, em 1937. Ficava em Osasco que não época era um bairro de São Paulo — que viria a se emancipar em 1962.

Aquelas tardes de verão eram lindas. O gramado quase que nivelava com as águas que refletiam o brilho do sol que já se punha —  o suficiente para alguns mergulhos e várias travessias.

Às vezes até dava tempo de ir ao “Green 7” onde logo acima havia as amoreiras. Era subir e se encher de amoras; uma delícia.

Até que uma vez, o guardinha que ia embora às cinco não foi embora e nos surpreendeu ameaçando atirar. Ele tinha fama de disparar com espingarda de chumbinho. Eu sempre morri de medo do guardinha. Naquele dia, nunca corri tanto.

Minha surpresa foi, tempos depois, vê-lo passando em frente de casa e cumprimentando o meu pai. Eles eram amigos.

Bons tempos aqueles de infância, começo dos anos 1960, em que aprendi a nadar nas lagoas do São Francisco Golf Club. Tempos  de doces lembranças.

João Nunes é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Venha participar você também desta série especial em homenagem aos 469 anos da nossa cidade com textos sobre locais em que o verde e o meio ambiente foram preservados na capital paulista. Escreva agora e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. E vamos juntos comemorar mais um aniversário de São Paulo

Conte Sua História de São Paulo: os parques que visitei com meu filho

Por Profª Maria Emília dos S. Gonçalves

Ouvinte CBN

Parque da Juventude Foto Dibulgação Gov. do Estado de São Paulo

Como guarulhense e, agora, vivendo no extremo sul da Bahia, em uma região agraciada pela natureza, não resisti em escrever sobre a minha eterna relação com os parques da cidade São Paulo, nossa querida Sampa. 

Ainda com o meu filho pequeno, o San, iniciei o ritual de amar a cidade que é um organismo vivo e que injustamente ganhou o título de selva de pedra, como foi cantado por Caetano Veloso. Aproveitávamos as férias para desbravar os parques e por instantes nos jogar nos braços da natureza gentil. 

Cada parque com sua característica e com algo a nos ensinar. 

Do parque do Ibirapuera, as árvores centenárias que se tornaram testemunhas e cúmplices de amantes em seus primeiros beijos, de pedidos de noivado, do fim de um namoro.

Árvores caladas e donas de segredos, sombra para um remanso, para  esquecer o mundo lá fora, ouvindo o cantar dos pássaros e suas algazarras e nos lembrando que nunca poderemos ser como eles e, por isso, sinto uma boa inveja.

Do parque do Zoológico, amamos a presença dos animais em um espaço rodeado de matizes de cores das árvores, e de nós seres humanos. A gente se sente parte de um todo e nesse momento não consigo saber onde começo e termino; me afundo e sinto que posso rugir, que posso ser uma árvore bonita que balança e balança nos dando a sua seiva. 

Do Jardim Botânico, descobrimos que tem árvores centenárias com milhares de espécies nativas que contam a nossa história e guardam esperanças e sonhos.

Para cada parque uma história. 

E assim chego ao Parque da Juventude, cujo espaço democrático não discrimina pessoas idosas, etnias e orientação sexual. Sua história precisa ser contada para que as próximas gerações se contraponham ao massacre de pessoas presas. Assim como uma fênix, o espaço ressurgiu. A grande área verde é palco para shows, encontros e despedidas, a contemplação da natureza e a possibilidade de recarregar as baterias e respirar. 

O que seria de São Paulo sem os nossos parques?

Maria Emília dos S. Gonçalves  é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Venha participar você também desta série especial em homenagem aos 469 anos da nossa cidade com textos sobre locais em que o verde e o meio ambiente foram preservados na capital paulista. Escreva agora e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. E vamos juntos comemorar mais um aniversário de São Paulo

Conte Sua História de São Paulo: os sabiás do Pacaembu resistem ao tempo

Por Claudete Brochmann

Ouvinte da CBN

Photo by sergio souza on Pexels.com

Faz exatamente 72 anos que moramos na mesma casa no Pacaembu. Minha avó recomendou, quando mudamos do Parque Dom Pedro, para  tomarmos cuidado com os indígenas e cobras, nas ruas recém-abertas do condomínio da Companhia City, no entorno do estádio do Pacaembu, também recém-inaugurado.

Plantamos pinheiros e árvores frutíferas em nosso jardim que dá a volta em toda casa, três frondosas jabuticabeiras, pitangas, goiabeiras e diversas outras espécies com frutos em seus galhos.

Desde então, convivemos com pássaros, principalmente os sabiás que nos alegram com seus cantos contínuos, as maritacas barulhentas que comem todas nossas jabuticabas, os pombos, os gaviões, as corujas, os gatose os ratos — até duas araras fugidas do Parque da  Água Branca, que não fica muito distante.

Hoje, os sabiás se deleitam com uma grande bacia de água, onde passam o dia tomando banho sob o comando do sabiá pai — depois dele surge a família toda, mamãe sabia e os filhotes. O Bem-Te-Vi tem que esperar sua vez. Temos também beija-flores. Todos os dias, eles distraem minha mãe de 99 anos que fica controlando esse desfile de pássaros no seu terraço envidraçado no meio do verde.

O Pacaembu ainda preserva nossa fauna natural no meio de tantas árvores que resistiram em um bairro bem próximo do centro da cidade. É São Paulo com ares de interior em plena capital.

Claudete Brochmann é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Venha participar você também desta série especial em homenagem aos 469 anos da nossa cidade com textos sobre locais em que o verde e o meio ambiente foram preservados na capital paulista. Escreva agora e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. E vamos juntos comemorar mais um aniversário de São Paulo