O povo da Antártica que se cuide

Na confusa forma de falar e pensar, especialmente quando é exigido dele o improviso —- e como improvisa?!? —-, o presidente Jair Bolsonaro fez uma convocação em favor do turismo no Brasil  que incluiu entre os nossos dotes a Antártica:

“Conheça o Brasil por dentro e por fora. A verdade acima de tudo. Amazônia, Antártica …” —- disse enquanto divulgava um canal de viagens. 

Essa extensão territorial que só cabe nas afirmações do presidente motivou uma série de brincadeiras na internet, que costuma não perdoar. Porém, contaminado por este cenário conspiratório que inclui de tentativa de invasão das nossas florestas por forças estrangeiras a vírus produzido em laboratórios chineses, fiquei preocupado com o improviso de Bolsonaro. 

Teria sido um ato falho? Destes em que o nosso inconsciente fala mais alto e revela desejos íntimos?

Diante de outros atos (também falhos) do presidente, não me surpreenderia em saber que sua Casa Civil —- aquela que faz coisas escondidas do presidente —- estaria, em parceria com seu Ministério das Relações Exteriores e Ministério da Defesa, planejando ocupação da Antártica pelo Brasil. Não seria o primeiro. 

Em 1978, o General Jorge Rafael Videla, ditador, enviou para a Antártica algumas famílias, incluindo uma jovem grávida, de quem nasceu naquele continente um menino, batizado Emílio —- que teria sido a primeira pessoa a nascer na região. A intenção da ditadura argentina era povoar a Antártica e ficar com ao menos um naco do continente, quiçá dominar o todo.

A medida sem sucesso, tresloucada e típica dessa turma, contrariava de forma explícita o Tratado da Antártica, de 1959, assinado pela Argentina e mais 28 países que, no passado, reivindicavam um pedaço de terra (ou de gelo) e depois entraram em acordo, abriram mão de suas pretensões e aceitaram a ideia de que a região deveria ser área livre em nome da exploração científica e em favor da humanidade. 

A propósito: como mostra a história, o ditador argentino em seu sonho conquistador entrou numa fria.

Claro que pode ser apenas ignorância geográfica do presidente ou uma trapalhada provocada por um cérebro preocupado com fantasmas inexistentes (vide os comunistas de plantão) e riscos iminentes (eis aí  a CPI da Covid), mas —- diante de tantos absurdos que já assistimos nos debates internos deste governo —  é sempre bom ficar em alerta. Vai saber o que passa na cabeça de Bolsonaro.

Mundo Corporativo: empresas e funcionários devem investir em negociação cooperativa, diz juiz do trabalho

 

 

As empresas e os funcionários poderiam se beneficiar muito se em lugar de partirem para discussões na Justiça, muitas vezes em uma situação de confronto, investissem na negociação. De acordo com o juiz do trabalho Rogério Neiva as empresas brasileiras têm hoje depositados e parados em contas judiciais cerca de R$ 71 bilhões, dinheiro que poderia estar rendendo mais em outras aplicações ou sendo investindo em projetos e serviços. Um desperdício, segundo ele, que seria evitado se houvesse mais empenho na negociação de conflitos.

 

Em entrevista ao jornalista Mílton Jung, no programa Mundo Corporativo, da rádio CBN, Neiva diz como as empresas e funcionários podem se organizar para chegarem a acordos que atendam o interesse das duas partes — o que chama de “negociação cooperativa”. Também sugere que os profissionais aproveitem a oportunidade que existe no mercado de se transformarem em negociadores.

 

Neiva, que é autor do livro ‘Técnicas e Estratégias de Negociação Trabalhista (LTr), diz que saber ouvir é uma das características mais importantes para quem pretende se aprofundar na função de negociador:

 

“A primeira característica de um bom negociador é saber ouvir; e saber ouvir exige uma técnica de negociação que nós chamamos de escuta ativa: a pessoa tem de saber ouvir e sinalizar que está ouvindo. E quando o faz, ela está oferecendo ao seu interlocutor algo que é muito valioso que é a atenção; e com isso ele pode contribuir com o diálogo e ao mesmo tempo obter informações relevantes para a condução do processo de negociação”.

 

O Mundo Corporativo pode ser assistido ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas, no site ou na página da CBN no Facebook. O programa vai ao aos sábados no Jornal da CBN ou domingo, às 11 da noite, em horário alternativo. Colaboram com o Mundo Corporativo Juliana Causin, Rafael Furugen e Débora Gonçalves.

Varejo brasileiro precisa seguir Darwin, Drucker e os americanos

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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Se a qualificação de adaptação à mudança é essencial para a preservação de espécies, segundo Darwin, e negócios segundo Drucker, é hora de agir. As vendas do varejo nacional, que representa 22% do PIB e 20% dos trabalhadores, estão em queda, e os custos em alta.

 

Enquanto a indústria através da MP com o PPE – Programa de Proteção ao Emprego começa a equacionar a questão da mão de obra, o varejo precisa de legislação específica para o setor.

 

A jornada de 44hs semanais ou mesmo a de 6hs conveniadas em acordos coletivos não atendem às necessidades atuais do varejo. As equipes foram reduzidas e não correspondem às necessidades nas horas de pico. É preciso flexibilizar os períodos de acordo com o fluxo das lojas e oferecer oportunidade de trabalho aos jovens e idosos.

 

O varejo norte-americano, por sinal o maior do mundo, com 30% de participação no seu PIB, tem a prerrogativa de contratação flexível. A convergência entre o horário de oferta e demanda trará redução de despesa e aumento de venda. É por isso que um grupo de 15 entidades representativas do varejo, entre elas FACESP- Federação das Associações Comerciais de São Paulo, Fecomercio SP, SBVC – Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo, desde maio, estão pleiteando mudanças na legislação trabalhista. E,em reportagem de Claudia Rolli na Folha de segunda-feira citam que a Victoria`s Secret de New York tem 200 funcionárias flexíveis, bem como a Wal-Mart que contrata maiores de 55 anos como repositores de prateleiras.

 

Nelson Kheirallah da FACESP aposta no contingenciamento que habilitará os sindicatos trabalhistas e patronais na configuração das necessidades de cada momento. É por isso que as idas à Brasília têm sido frequentes. Kheirallah juntamente com o grupo dos 15 já visitaram o vice Michel Temer, o ministro Afif Domingos da Micro e Pequena Empresa, o ministro Manoel Dias do Trabalho, e esperam em breve estar com outras tantas autoridades quanto necessário para aprovar as melhores condições de trabalho específicas para o varejo.

 

Fazemos votos que as autoridades absorvam a sapiência de Darwin e Drucker e executem a eficiência norte-americana do varejo.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras.