Mundo Corporativo: empresas e funcionários devem investir em negociação cooperativa, diz juiz do trabalho

 

 

As empresas e os funcionários poderiam se beneficiar muito se em lugar de partirem para discussões na Justiça, muitas vezes em uma situação de confronto, investissem na negociação. De acordo com o juiz do trabalho Rogério Neiva as empresas brasileiras têm hoje depositados e parados em contas judiciais cerca de R$ 71 bilhões, dinheiro que poderia estar rendendo mais em outras aplicações ou sendo investindo em projetos e serviços. Um desperdício, segundo ele, que seria evitado se houvesse mais empenho na negociação de conflitos.

 

Em entrevista ao jornalista Mílton Jung, no programa Mundo Corporativo, da rádio CBN, Neiva diz como as empresas e funcionários podem se organizar para chegarem a acordos que atendam o interesse das duas partes — o que chama de “negociação cooperativa”. Também sugere que os profissionais aproveitem a oportunidade que existe no mercado de se transformarem em negociadores.

 

Neiva, que é autor do livro ‘Técnicas e Estratégias de Negociação Trabalhista (LTr), diz que saber ouvir é uma das características mais importantes para quem pretende se aprofundar na função de negociador:

 

“A primeira característica de um bom negociador é saber ouvir; e saber ouvir exige uma técnica de negociação que nós chamamos de escuta ativa: a pessoa tem de saber ouvir e sinalizar que está ouvindo. E quando o faz, ela está oferecendo ao seu interlocutor algo que é muito valioso que é a atenção; e com isso ele pode contribuir com o diálogo e ao mesmo tempo obter informações relevantes para a condução do processo de negociação”.

 

O Mundo Corporativo pode ser assistido ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas, no site ou na página da CBN no Facebook. O programa vai ao aos sábados no Jornal da CBN ou domingo, às 11 da noite, em horário alternativo. Colaboram com o Mundo Corporativo Juliana Causin, Rafael Furugen e Débora Gonçalves.

Varejo brasileiro precisa seguir Darwin, Drucker e os americanos

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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Se a qualificação de adaptação à mudança é essencial para a preservação de espécies, segundo Darwin, e negócios segundo Drucker, é hora de agir. As vendas do varejo nacional, que representa 22% do PIB e 20% dos trabalhadores, estão em queda, e os custos em alta.

 

Enquanto a indústria através da MP com o PPE – Programa de Proteção ao Emprego começa a equacionar a questão da mão de obra, o varejo precisa de legislação específica para o setor.

 

A jornada de 44hs semanais ou mesmo a de 6hs conveniadas em acordos coletivos não atendem às necessidades atuais do varejo. As equipes foram reduzidas e não correspondem às necessidades nas horas de pico. É preciso flexibilizar os períodos de acordo com o fluxo das lojas e oferecer oportunidade de trabalho aos jovens e idosos.

 

O varejo norte-americano, por sinal o maior do mundo, com 30% de participação no seu PIB, tem a prerrogativa de contratação flexível. A convergência entre o horário de oferta e demanda trará redução de despesa e aumento de venda. É por isso que um grupo de 15 entidades representativas do varejo, entre elas FACESP- Federação das Associações Comerciais de São Paulo, Fecomercio SP, SBVC – Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo, desde maio, estão pleiteando mudanças na legislação trabalhista. E,em reportagem de Claudia Rolli na Folha de segunda-feira citam que a Victoria`s Secret de New York tem 200 funcionárias flexíveis, bem como a Wal-Mart que contrata maiores de 55 anos como repositores de prateleiras.

 

Nelson Kheirallah da FACESP aposta no contingenciamento que habilitará os sindicatos trabalhistas e patronais na configuração das necessidades de cada momento. É por isso que as idas à Brasília têm sido frequentes. Kheirallah juntamente com o grupo dos 15 já visitaram o vice Michel Temer, o ministro Afif Domingos da Micro e Pequena Empresa, o ministro Manoel Dias do Trabalho, e esperam em breve estar com outras tantas autoridades quanto necessário para aprovar as melhores condições de trabalho específicas para o varejo.

 

Fazemos votos que as autoridades absorvam a sapiência de Darwin e Drucker e executem a eficiência norte-americana do varejo.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras.