Fama de vereadores ilustra história de prostitutas de luxo, na TV

 

karin_Fotor

 

Assisti com prazer à volta do seriado brasileiro O Negócio que, em sua segunda temporada, na HBO, retoma a história de três garotas de programa que aplicam regras consagradas de marketing para construírem carreira de sucesso. O primeiro episódio, nesse domingo, trouxe o tema da pirataria enfrentada por produtos de luxo, a medida que a empresa criada por elas, a Oceano Azul, passou a ser copiada por outras moças que atuam no mercado.

 

Além da preocupação das protagonistas Karin (Rafaela Mandelli), Luna (Juliana Schalch) e Magali (Michelle Batista) com a concorrência desleal, histórias paralelas e pessoais vieram à tela, todas ambientadas na capital paulista. Magali, a mais consumista e pragmática do trio, além de ter sofrido transformação no visual, que a deixou ainda mais sexy, é reconhecida por um dos seus clientes que, atualmente, namora a melhor amiga dela e é assediada por ele de forma explícita. Diante da situação, se vê no dilema de contar para a amiga e ter sua profissão revelada ou calar-se e assistir à amiga juntar-se com um namorado sem escrúpulo. Na busca de ajuda, conversa sobre o tema com Luna, que além de “sócia” na empresa é a narradora da história. Luna identifica os dois cenários possíveis e traça os riscos de cada um deles. Sentada no sofá do escritório da Oceano Azul, em vistoso prédio próximo da Marginal Pinheiros, zona oeste de São Paulo, Magali define assim a situação que está vivendo: “isso é como escolher vereador, não tem opção boa”.

 

É isso, excelentíssimos vereadores, “quem tem fama, deita na cama”

Campanha e relíquias no encontro do Adote um Vereador

 

Janio_Fotor

 

Três relíquias de campanhas eleitorais nos foram apresentadas (e me foram presenteadas) no encontro da rede Adote um Vereador, em São Paulo, sábado, no café do Pateo do Collegio. Eram alfinetes de lapela com o rosto ou a marca de Jânio Quadros: duas usadas na disputa para a presidência da República, em 1960, e a outra na vitória para a prefeitura, em 1985. Presentes de dona Silma Prado, moradora do Centro, que costuma levar suas indignação e risada para as reuniões mensais que realizamos. Com 70 anos de vida, mantém em casa uma série de lembranças históricas que costuma distribuir para a turma mais jovem sob a esperança de que o material seja preservado para o todo e sempre. A primeira vez que ganhei um presente dela foi no ano passado: um exemplar de outubro de 1911 da revista Caretas, que circulou nas primeiras décadas do século 20, com “redacção e officinas” na rua da Assembleia, 70, no Rio de Janeiro.

 

Hoje, os candidatos não distribuem mais alfinetes, mesmo porque as lapelas são raras nas campanhas. Nossa preocupação no Adote é com outras práticas que já começam a tomar a cidade, como a distribuição de cavaletes pelas avenidas. Os candidatos mais endinheirados saem na frente, talvez com a ideia de marcar posição antes que a imagem urbana esteja infestada de propaganda, nomes e números e ninguém mais consiga se destacar. Esse tipo de propaganda é permitido pela lei eleitoral, mas o exagero agride o olhar do eleitor e o ambiente. Da Câmara Municipal, nosso foco de monitoramento, Alecir Macedo, um dos fundadores do Adote, conta serem 19 os vereadores tentando cargos maiores. Dois concorrem a governador do Estado, oito a deputado federal e nove a estadual (a lista completa, você encontra aqui). Alguns se aproveitaram dos benefícios do gabinete para publicar cartilhas de prestação de contas do mandato – é como eles chamam o material impresso com dinheiro público que tem como objetivo alavancar suas campanhas. A tentativa deles não seria válida se estivesse em vigor ideia que prevalece entre algumas entidades que fazem o acompanhamento político, as quais defendem que o mandato seja cumprido até o fim, portanto, não poderiam concorrer a outro cargo sem antes completar os quatro anos para os quais foram eleitos. Mas isto é outra discussão.

 

Adote_Fotor

 

Integrantes do Adote um Vereador receberam ligações telefônicas, nas últimas semanas, com convites para trabalhar pela campanha de alguns dos candidatos, mas nenhum aceitou a proposta. Que fique claro que não há nada de ilegítimo em participar das campanhas, afinal é um direito que qualquer cidadão tem. Em anos anteriores, ao menos um dos participantes do Adote foi candidato a vereador, experiência que agregou no seu conhecimento e permitiu que ele enxergasse como funciona o trabalho – difícil trabalho – nos bastidores e como o poder econômico é definitivo na escolha feita pelo eleitor. A maioria de nós, porém, prefere atuar na política de olho no que os políticos fazem (ou deixam fazer) e, quando possível, compartilhando seu pensamento e conhecimento. Os resultados são motivadores, mas precisamos ir além e contamos com a sua participação.

Plano Diretor….novos rumos para São Paulo?

 

 

Por Regina Monteiro
Arquiteta, urbanista e cidadã

 

Acabamos de vivenciar momentos difíceis e polêmicos na Câmara Municipal de São Paulo. O Executivo Municipal mandou no ano passado projeto de Lei o PL 688/13, para a revisão do Plano Diretor que foi aprovado em 2002. Para quem não acompanhou faço questão de lembrar como foi o processo e o que resultou em forma de Lei em 2002 do tão esperado planejamento para a São Paulo dos nossos sonhos.

Começou com uma correria para que, em nome da participação popular, audiências publicas fossem feitas e nós cidadãos motivados pelo interesse público acreditamos e participamos. A prefeitura se gabava que mais de 10.000 pessoas participaram. Ridículo! Depois, a Prefeitura mandou para a Câmara Municipal um projeto de Lei que viria a mudar conceitos consolidados da cidade. Consagrou-se o solo criado, que eu resumo da seguinte forma – “não tem cálculo para ver se cabe mais gente empilhada, mas pagando pode”. Simples assim.

 

Foram definidos índices de ocupação e aproveitamento dos lotes de forma empírica sem que cálculos da capacidade da infra-estrura de um bairro fossem feitos para receber o novo adensamento proposto. Os recursos da “outorga onerosa” resultantes da compra do potencial construtivo deveriam dar conta de requalificar o estrago feito pelo novo adensamento. Não vi nenhuma requalificação de áreas saturadas nos últimos 12 anos. Inventaram o zoneamento, que os urbanistas chamam de paramétrico. Coisas assim como se o cheiro não sair do lote um restaurante pode ser instalado em um determinado imóvel! Eram sete parâmetros que a prefeitura deveria regulamentar. Nunca foi feito.

 

Ah …um conceito que nunca esqueço. A anistia! Leis para anistiar imóveis so poderiam ser feitas depois de 10 anos. Ou seja, faça o que quiser, mas “segure o seu fiscal” que depois de 2012 vai ter anistia! Mas acho que a vergonha maior não foi a anistia, até porque que ela não aconteceu de forma expressa. Muitos dos que estão lendo este artigo agora devem ter ouvido do seu subprefeito – “Não vou mandar fiscal para multar os imóveis irregulares porque pode ser que o zoneamento mude com o novo Plano Diretor”.

 

Esses são só alguns exemplos do que a Prefeitura deveria ter avaliado no que aconteceu nestes 10 anos, o que deu e o que não deu certo no Plano Diretor então vigente. Nenhuma avaliação foi feita – e se fizeram ninguém ficou sabendo – para não cometermos os mesmos erros e consolidarmos os acertos.

 

Então, mais uma vez, a nossa generosa cidade se torna um grande laboratório e a Prefeitura tira da cartola projetos surpreendentes para a salvação do território urbano e, em nome da MORADIA PERTO DO TRABALHO surge o arco do futuro e o adensamento auto aplicável ao longo dos eixos de transportes! O projeto de lei que chegou na Câmara no final do ano passado era tão ruim e tão desestruturado que o relator do PDE e a Comissão de Politica Urbana tiveram que fazer um substitutivo totalmente diferente, mas com uma condição: não se podia alterar o que ficou conhecido como “núcleo duro” – o arco do futuro e o adensamento ao longo dos eixos de transportes.

 

Nunca foi dito, mas sabíamos que havia uma agenda política. O Plano deveria ser aprovado até abril, para que leis complementares, como o zoneamento, fossem aprovadas antes das eleições. Muitas audiências e reuniões com vereadores foram feitas, cada setor com sua demanda, muitas interessantes para a cidade, outras nem tanto. Mas na minha avaliação foi o processo mais democrático que se deu até agora com relação às discussões do Plano Diretor. Não que os resultados foram necessariamente bons ou objetivos, mas ninguém pode dizer que alguns vereadores mais interessados não ouviram exaustivamente o que cada segmento da sociedade clamava.

 

Dentro dessa ótica, tudo estava correndo bem até que um dia um grupo de pessoas invade uma grande área de proteção dos mananciais com Decreto de Utilidade Pública para implantação de um Parque, com o objetivo de obter as suas moradias. Ate aí podemos tentar compreender a proposta, uma vez que movimentos semelhantes se organizam em anos eleitorais, pois fica mais fácil evidentemente de negociar as suas demandas.

 

Em março deste ano, esse grupo e vários outros ligados a um movimento que luta por melhores condições de moradia vão em passeata até o gabinete do Prefeito fazer suas reivindicações. Após reunião com representantes da Prefeitura e com as lideranças do Movimento, o Prefeito sobe no caminhão de som pega o microfone e dispara: “Nós revogaremos o Decreto de Utilidade Pública da área tão logo a Câmara aprove o Plano Diretor e demarque a área como Zona Especial de Interesse Social.”

 

Eu não sei se foi de propósito essa solução, mas foi no mínimo equivocada. Por que o prefeito não teve a coragem pública de revogar um decreto que bastava uma canetada? E qual o problema de colorir de vermelhinho nos mapas mais uma área para HIS – Habitação de Interesse Social? É certo que numa área de proteção dos mananciais, com muitas nascentes, área importantíssima de produção de água para recarga das represas, precisaria de algo mais impactante.

 

Virou uma guerra. Informações desencontradas (ou não) levaram o Movimento a acampar em frente a Câmara, a apedrejar e botar fogo nos banheiros químicos que estavam por ali para lhes dar conforto e dignidade. Nós que estávamos na Câmara, justamente nas audiências que tratavam de tantos outros temas importantes para a cidade, ficamos ali, sitiados, olhando pelo janelão de vidro estupefatos pensando como de uma hora para a outra apareceram tantos pneus para serem queimados. A partir de então, as audiências tomaram outro rumo. Com o acompanhamento da imprensa, vereadores que nunca apareceram resolveram perambular por ali e discursar. E ao som dos “gritos de guerra” – “criar, criar, governo popular”, estava certa que o Plano seria aprovado rapidamente.

 

Chegou o dia da votação. Chegamos na Câmara às duas da tarde, estávamos em 12 pessoas e queríamos entrar no plenário para acompanhar a votação porque queríamos ter certeza que as nossas demandas que foram sinalizadas como aceitas seriam atendidas. Queríamos ouvir os argumentos dos vereadores na hora da votação quem votou contra e a favor. Não conseguimos entrar. O movimento que mantinha as pessoas acampadas na porta da Câmara estava muito organizado e em nome de 20 entidades distintas conseguiram lotar o plenário. Graças a uma policial que entendeu que o nosso movimento também tinha o direito de participar e a um vereador que também se esforçou muito, conseguimos entrar em quatro pessoas para ficar em pé no cantinho.

 

O PDE foi aprovado e comemorado com muito confete e serpentina que o pessoal da galeria jogava lá em baixo nos vereadores. De onde estávamos podíamos ouvir os rojões lá fora. Saímos todos juntos apertadinhos na multidão que gritava freneticamente algo assim – “Quem não pode com a formiga não cutuca o formigueiro.” Esperamos eles descerem e fomos até o janelão de vidro e atônitos vimos que as duas pistas de carro estavam lotadas de pessoas e o caminhão de som lá embaixo e alguns vereadores, um a um discursando.

 

Para nós a luta continua! Lembrei-me dos tempos que a gente fazia vigília na Faria Lima contra a Operação Urbana. Quem sabe!

 

O que a cidade ganhou com o Plano aprovado? Isso fica para uma outra vez.

Plano Diretor: a última audiência

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

 

Segunda-feira foi realizada a última audiência pública para discutir o Substitutivo do PL 688/2013 da cidade de São Paulo, antes da votação pela Câmara Municipal.

 

A reunião foi inicialmente tumultuada pelo movimento Anchieta pró-moradia, mas após acomodação de um número limitado de manifestantes a sessão teve prosseguimento. Onde as discussões ficaram concentradas basicamente em dois grupos. O grupo favorável ao comércio, oriundo das regiões de Santo Amaro, Campo Belo e Jardim da Saúde. E, em oposição, o grupo das 55 entidades pró ZERs zonas exclusivamente residenciais coordenado pelo Defenda São Paulo.

 

Como se não bastasse a atuação de Andrea Matarazzo e do relator Nabil Bonduki, sinalizando a posição favorável a manutenção das ZERs, que preocupava os postulantes da sua extinção, um fato novo gerou alguma irritação nesta oposição. Ficou levemente perceptível a repercussão da fala da arquiteta Lucila Lacreta, diretora do Defenda São Paulo, na entrevista concedida a Fabiola Cidral no programa CBN São Paulo. Não só por parte das entidades adversárias, mas também pela equipe de Fernando Melo, Secretário do Desenvolvimento Urbano de Haddad.

 

Na expectativa da publicação do substitutivo ao substitutivo ao PL 688/2013, documento sobre o qual será realizada a votação do Plano Diretor pela Câmara Municipal na próxima semana, e cuja publicação deverá ocorrer hoje, há um razoável grau de ansiedade. Tanto para o grupo comercial quanto para o residencial.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Milton Jung, às quartas-feiras.

Absurdo: vereador quer comércio em área exclusivamente residencial

 


Por Carlos Magno Gibrail

 

 

As ZERs Zonas exclusivamente residenciais, representadas por 55 entidades de moradores, tem se manifestado pela manutenção destas áreas estritamente como moradia. Por isso mesmo, foi com rejeição que verificaram emenda do vereador Ricardo Nunes do PMDB propondo comércio e serviços nestas regiões. Em função disso, um dos diretores do Defenda São Paulo, o administrador e músico Sergio Reze, nos procurou para contestar a ação do vereador, principalmente em relação à justificativa apresentada na emenda, quando o “nobre” legislador coloca:

 

“A apresentação dessa emenda pretende que o PDE Plano de Desenvolvimento Estratégico da cidade esteja em total acordo com a realidade de nossa metrópole mista, compacta e necessitada de pequenos comércios e serviços que melhorem a qualidade de vida dos moradores”.

 

Sergio Reze e todos os demais moradores das 55 entidades gostariam de saber de onde o “ilustre” vereador tirou esta afirmativa. Nos últimos dois meses, as 55 entidades de moradores apresentaram claramente manifestos, diretamente às autoridades municipais e publicamente defendendo a preservação destas áreas, bem como justificando as vantagens para a cidade como um todo. Ao mesmo tempo, Sergio Reze também informa ao “ilustre” vereador, que já existem nas áreas lindeiras às ZERs comércio e serviços. Outro ponto que os moradores gostariam sempre de lembrar, e neste caso especificamente ao legislador peemedebista, é que seria melhor se preocupar com os 96% do município, pois os bairros verdes ocupam apenas 3,94% da cidade.

 

Na verdade, preocupação mesmo deverá estar na pauta de hoje para os moradores preservacionistas, pois haverá audiência na Câmara Municipal para analisar mais de 400 emendas ao PDE.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Milton Jung, às quartas-feiras.

Um pouco do que penso sobre ser jornalista

 

Recentemente concedi entrevista para o site NUBE que faz seleção e recrutamento de estagiários na qual falei sobre exercer o jornalismo. Reproduzo aqui o resultado da conversa com a repórter Cláudia Giannoni. O texto que segue é da apresentação da entrevista feita pelo próprio site:

 

 

Jornalista há 30 anos e uma das vozes mais conhecidas pelo brasileiro. Logo cedo, acorda os paulistanos com as mais diversas notícias e informações e faz de sua rotina uma pauta diária. No “Especial Carreira” desta semana você conhecerá um pouco mais sobre Milton Jung, âncora da Rádio CBN.

 

Formado em jornalismo pela PUC, ele conta ter pensado durante uma época de sua vida em fazer educação física. “Porém, toda minha família é da imprensa, tio, pai, esposa. Então, não tive como fugir muito do ramo”, comenta.

 

Em sua carreira, já passou pelos mais renomados veículos de comunicação e adquiriu uma experiência imbatível na arte de noticiar. Portanto, se você quer conhecer um pouco mais sobre o mundo onde os acontecimentos mandam e desmandam nos assuntos midiáticos, assista agora mesmo mais uma reportagem da TV Nube!

 

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Adote um Vereador participa do TEDx, neste sábado

 

 

Escolhido como ação inspiradora e transformadora da cidade, a rede Adote um Vereador foi convidada para participar do TEDxValedoAnhangabau, que se realizará, neste sábado (12/04), no plenário da Câmara Municipal de São Paulo. Serão oito palestras, com no máximo 18 minutos cada uma, que apresentarão diferentes temas como a experiência pedagógica que mudou a forma de os estudantes assistirem às aulas, o desenvolvimento de tecnologias que estimulam a cidadania, além de projetos que atuam nas áreas de saúde, meio ambiente, comunicação, planejamento urbano e no atendimento a presos. De acordo com Gabriela Ferraz, uma das organizadoras do encontro, “são ideias que valem a pena ser espalhadas”.

 

Eu estarei representando o Adote um Vereador com a intenção de mostrar o que nos inspirou a iniciar esta ação, em 2008, e como as pessoas de forma voluntária aderiram a ideia e conseguiram avanços importantes na relação com as câmaras municipais, especialmente em São Paulo. Nosso objetivo é motivar outros cidadãos a acompanharem o trabalho legislativo seja participando do Adote um Vereador seja na criação de novos caminhos. O importante é que cada vez mais encontremos formas de interferir nas decisões tomadas pelos vereadores atendendo aquelas três palavrinhas mágicas que nos moveram desde o início e sempre provocaram incômodo nos parlamentares: monitorar, controlar e fiscalizar. Aliás, inclui mais uma palavra na lista: espalhar – sim, porque depois de levantarmos informações e desenvolvermos pensamento crítico sobre o vereador, o interessante é transferir esse conhecimento à sociedade. É preciso contar para os outros o que fazem ou deixam de fazer na Câmara Municipal e ajudar as pessoas a entenderem melhor o processo legislativo.

 

Além do Adote um Vereador, participarão do TEDxValedoAnhangabu João Whitaker Ferreira, Ana Elisa Siqueira, Pedro Markun, Tatiana Ivanovici, Rogério Santos, Chinaider Pinheiro e Flávio Falcone. Para assistir às palestras se inscreva agora no site do TEDx. Além de nome completo, e-mail e ocupação, tem duas perguntas que precisam ser respondidas obrigatoriamente: “já trabalhou com projetos voluntários?” e “qual a transformação que você quer ver no mundo?”. A inscrição é de graça mas apenas 100 pessoas poderão participar do evento, portanto se você for integrande do Adote um Vereador não deixe de incluir esta informação no formulário. As palestras serão das 10 da manhã às duas da tarde.

 

Com a nossa participação no TEDxValedoAnhangabu, decidimos transferir para a Câmara Municipal de São Paulo o encontro presencial do Adote Um Vereador que costumamos realizar no segundo sábado do mês, no Pateo do Collegio. Portanto, inscreva-se e até sábado.

 

FAÇA SUA INSCRIÇÃO PARA O TEDxVALEDOANHANGABAU AQUI

Cidadão tem aplicativo para avaliar Câmara; faltam os vereadores

 

A Câmara Municipal de São Paulo poderá ser avaliada através do aplicativo MyFunCity, uma plataforma de convergência social e digital, que incentiva a participação popular na gestão pública. Além de opinar sobre a qualidade do serviço prestado pelo legislativo, os moradores poderão dizer o que pensam da prefeitura e da qualidade de vida na capital paulista. O MyFunCity permite compreender como os paulistanos se sentem em aspectos como saúde, educação, segurança, transporte público, lazer, condições das ruas e custo de vida. A avaliação é feita de forma simples. Por exemplo, se quiser opinar sobre as condições de barulho da rua em que você está, o aplicativo identifica o local e você clica no ícone específico, aparecerão cinco figuras com carinhas que vão de um sorriso aberto até o choro. Se tiver interesse é possível registrar o local ou o motivo da reclamação com foto e incluir comentários. A soma das avaliações vai gerar o nível de bem estar por regiões. As primeiras análises mostram que as maiores preocupações neste momento dos paulistanos são o barulho e o custo de vida.,

 

Em relação a Câmara, até o momento em que publicamos este post, havia apenas uma avaliação com nível de satisfação de 30%, em uma escala que vai de 10% a 100%. A medida que os paulistanos começarem a expressar-se através do aplicativo, os vereadores terão ideia melhor sobre o desempenho da casa legislativa, assim como dos demais ítens, pois o acompanhamento pode ser feito em tempo real. Por enquanto, não é possível fazer avaliação individual dos vereadores, o que seria muito interessante, pois teríamos a oportunidade de entender um pouco o que o cidadão pensa de cada um dos seus representantes (se é que eles se sentem representados). Além de o aplicativo ser adaptado para que tenhamos esta possibilidade, a rede Adote um Vereador também sugere aos paulistanos que acompanhem mais de perto o trabalho no legislativo. Nossa ideia é que você monitore, fiscalize e controle os vereadores, escolhendo um dos parlamentares e levantando informações sobre ele a partir do que está publicado nos meios de comunicação, na internet, no site da Câmara, nas páginas e perfis dos vereadores nas redes sociais, através de contatos com os gabinetes e, se possível, com o próprio legislador. Importante, também, compartilhar este conhecimento com as demais pessoas em blogs, sites, twitter, facebook, jornalzinho da rua, mural do trabalho ou da escola. Assim, você estará ajudando os moradores a participar da vida pública da sua cidade. E a Câmara a trabalhar mais próxima do cidadão.

 


Baixe o MyFunCity e mãos à obra. Ou melhor, dedo no aplicativo: avalie, provoque, mude.

 

Políticos e ladrões de olho no Google Glass, nos Estados Unidos

 

 

No início desta semana, Ethevaldo Siqueira, comentarista de tecnologia do Jornal da CBN, mostrou que as tecnologias vestíveis já são alvo de cobiça dos ladrões ao contar o caso de uma jovem americana que ao ser assaltada, na saída de um bar em São Francisco, alertou os bandidos de que o óculos dela, um Google Glass, estava gravando as cenas. Temendo serem descobertos, arrancaram o equipamento e a bolsa dela, provocando reação imediata da vítima que conseguiu salvar seu gadget. A bolsa ficou com os larápios. Por coincidência, no mesmo dia, leio em material divulgado no site da NPR, rede de rádios públicas dos Estados Unidos, reportagem do editor de política em Washington, Don Gonyea, impressionado com o interesse dos coordenadores de campanhas políticas e partidos em conhecer esta tecnologia.

 

Ouça as duas reportagens nos links publicados ao fim deste texto

 

Gonyea descreve que em conferência de políticos conservadores encontrou ativistas fazendo experiências para identificar como os voluntários podem explorar o Google Glass em benefício das campanhas eleitorais. O republicano Peter Idelfonso disse ao jornalista que dois membros de sua equipe relataram que os óculos têm mais capacidade para gravar vídeos e de forma menos intrusiva do que os celulares, vantagens significativas especialmente em eventos e comícios públicos dos adversários políticos.

 

A tecnologia vestível também chama atenção dos estrategistas digitais do presidente Barack Obama que enxergam no Google Glass a possibilidade de enviar informações com mais agilidade aos seus voluntários, por exemplo, quando estes estiverem prestes a abordar um eleitor. Poderiam até mesmo ter suas visitas assistidas instantaneamente pelos escritórios políticos, permitindo análises de comportamento. Betsy Hoover, do 270Strategies, lembra que o Twitter e o Facebook foram importantes na campanha de Obama porque as pessoas podiam acessar as informações e compartilhar através de seus smartphones. O Google Glass coloca esta relação em um outro nível, pois as pessoas serão acessadas enquanto estiverem caminhando na rua, lendo placas de rua ou esperando ônibus.

 

Daniel Kreiss, professor da Universidade da Carolina do Norte, que estuda o impacto das tecnologias nas campanhas políticas, entende que a popularização da tecnologia vestível tem potencial para engajar pessoas que estejam desmotivadas ou afastadas da política. Assim como o Twitter surgido antes das eleições de 2008 somente foi absorvido pelas campanhas presidenciais em 2012, ele acredita que a tecnologia vestível não impactará as eleições deste ano, mas pode se transformar em protagonista na disputa seguinte.

 

Aqui no Brasil, não se conhece nenhum experimento dos óculos do Google para fins eleitorais. Confesso que já ficaria bem feliz se alguns políticos passassem a usar os óculos certos para enxergar as reais necessidades dos eleitores.