Desvendando fantasmas

 

 

Por Christian Müller Jung

  

 

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Quando tinha cinco de anos de vida, minha cama ficava voltada para porta do quarto. De lá podia ver a mureta que separava a escada que dava acesso ao corredor. Muitas das vezes em que de sobressalto acordava com um barulho ou tão somente para virar de lado, olhava rapidamente para aquela direção e via um vulto que descia.

  

 

Em algumas datas o formato era evidente: no Natal o Papai Noel e na Páscoa, logicamente, algo parecido com o coelho que viria depositar a tão esperada cesta com os ovos. Evidentemente que no despertar noturno, até a pupila fazer a movimentação necessária para suprir a falta de luz, aqueles fantasmas tinham o formato da minha imaginação. Assustadora na maioria das vezes, como são esses medos de dormir com a luz apagada. Poderia ser o tal “velho do saco” ou sei lá o que mais que passa por essas nossas cabeças infantis e muito criativa na época. Nem bicho papão e ninguém embaixo da cama: simplesmente um assustador vulto na escada.

  

 

Hoje, com 50 anos e ainda morando na mesma casa, agora ocupando o quarto do casal e, ao mesmo tempo, me vendo ali onde meus pais dormiam, os tais fantasmas já não me assombram quando abro os olhos durante a madrugada. Eles me aparecem quando fecho os olhos. Justo agora quando eu é quem os assustaria porque sei, conheço cada gemido do material que sustenta das paredes ao teto da casa.

  

 

É engraçado como o nosso cérebro funciona dando luz à imaginação, indiferentemente da idade. Somos tão absorvidos pelo susto que mesmo quando já temos consciência de que os vultos que eu via na infância não me levariam para um lugar desconhecido, ainda assim me surgem fantasmas.

  

 

A diferença é que agora eles se parecem muito mais reais e pertinentes com as minhas perspectivas diante da idade que tenho. São em forma de sucesso profissional que não vem na proporção como imaginei, de salário muito distante do que preciso, de relação mais racional sobre o tempo que me resta e do tanto que ainda tenho para absorver.

  

 

Pode ser do filho que se distancia porque vai seguindo o seu próprio caminho, pode ser pela minha filha que cresce e convive com uma paralisia e nunca se distanciará. Pode ser somente pelo tempo. A angustiante tarefa de ser adulto, como também é a de ser adolescente e de ser criança.

  

 

Fantasmas que hoje tem o formato desse paradigma que é a existência. Da forma como a gente imaginou que um dia seria o nosso “futuro”. Desse mesmo vulto inexistente que eu enxergava da cama do quarto e ainda teme em tentar me frear ou me direcionar ao desconhecido.

  

 

A verdade é que todos os dias quando abrimos os olhos temos tão somente duas opções a tomar: ou deixamos que eles nos levem para o buraco infinito da falta de explicação; ou criamos nós mesmos o formato que queremos que eles se transformem.

  

 

Não! Eu conheço bem a minha casa.
Aviso aos fantasmas.
Eu ainda tenho muito para lhes assustar!

  

 

Christian Müller Jung é cerimonialista, palestrante e meu irmão (não necessariamente nesta ordem)

Coisas de criança grande

 

Por Dora Estevam
 
Crianças adoram, mas os adultos não ficam atrás quando o tema são acessórios com imagens de bichinhos selvagens e fofinhos.

O estilista Marc Jacobs, Louis Vuitton, acaba de lançar a coleção Primavera’11. Tem calças com girafa nas pernas, suficiente para fazer alguém sorrir. Até aí, tudo bem. Eis que surgem sapatos com calcanhares moldados em animais minúsculos com pernas e cascos. Uns diriam que o modelo é exagerado, outros que foi um show exuberante. Eu não sei como ficaria em uma moça de escritório. Mas esse Marc Jacobs está sempre tentando fazer as mulheres felizes, de uma forma ou de outra.

Um dos fotógrafos favoritos das editoras de moda é Tommy Ton, que anda por aí clicando imagens interessantes e com estilo. As fotos dele traduzem bem o que as pessoas estão usando nas várias capitais mundiais.  O moço já mostrou novidades como os estilos curiosos de Kirkwood, das meias tie-dye, dos turbantes de Catherine Baba, dos predomínios das maquiagens, enfim. Mas o que surpreendeu as produtoras da redação da Style foi, certamente, a bolsa Gremlin.

Fascinante saber que alguém pode sair às ruas com uma bolsa nesta apresentação. Vale uma reflexão.
 
Outra figura interessante e arrojada é a diretora e consultora de moda criativa da Revista Vogue Nippon, Anna Dello Russo. É muito comum encontrarmos fotos que destacam o estilo dela em todos os editoriais de internet, em sites, blogs e comentários. Anna está sempre com roupas e acessórios extravagantes, e não poderia deixar de usar frutinhas em suas tiaras. Ela aflorou o lado menininha exagerada com os adereços na cabeça.
 
Sem problema, Anna ! Todas nós gostamos de usar de vez em quando umas peças infantis.
  
Agora, tem gente abusada que põe uma coisa na cabeça e sai assim mesmo. É o caso desta moça, que teve vontade de passear feito Mulher-aranha e cheia de personalidade foi embora. Sem dúvida, é um caso para se pensar.

 
É aquilo que eu falo (e escrevo), tem vontade faz, pensou em uma produção vai e veste. Pode até ser uma simples camiseta, mas se for o seu momento nem pense em desistir da proposta.

 

E para encerrar o nosso momento adulto-infantil, vejam que par de botas incrível esta exposta na vitrine da Miu Miu, clicada por Jack and Jill.

 
Sem dúvida você não passaria sem ser notada em uma festa com estas maravilhosas obras de arte.
 
Vamos ver quais serão as próximas manias dos adultos por aqui. O verão está chegando e com os calor as extravagancias todas são permitidas.

Dora Estevam é jornalista e escreve sobre moda e estilo, aos sábados, no Blog do Mílton Jung