Mande seu material para o Blog Action Day 2010

 

Crianças se comprometeram a enviar “fanfics” e desenhos, ouvintes encaminharam artigos e colaboradores prepararam uma seleção de fotos. A unir todo este material está a “ÁGUA” tema que mobilizará milhares de blogueiros em todo o mundo em mais uma edição do Blog Action Day e que, pelo terceiro ano seguido, terá nossa participação aqui no Blog do Mílton Jung.

Repetindo o modelo do ano passado, vamos incluir o CBN São Paulo neste movimento com pautas relacionadas ao assunto. Faremos entrevistas e teremos comentários sobre o tema, além disso, mensagens de ouvintes-internautas também serão reproduzidas no ar.

Aqui no Blog, você é convidado a enviar seu material, também. Pode ser texto, foto, vídeo ou mesmo arquivo de áudio desde que o tema central seja a água. Mande a sua ideia ou sua opinião para milton@cbn.com.br, de preferência encaminhe ainda nesta quinta-feira para que possamos fazer uma edição bem legal.

Hoje, a organização do evento confirmou a participação do Blog da Casa Branca que fará post sobre a importância da água potável e a necessidade de controlarmos o uso deste bem que é finito.

Se você tiver um blog, não deixe de cadastrá-lo no site oficial do Blog Actioin Day 2010.

Participe do Blog Action Day’10 aqui no Blog

 

Blog Action Day 2010: Water from Blog Action Day on Vimeo.

Quase 1 bilhão de pessoas vivem sem acesso a água potável. A cada dia 22 mil crianças morrem de causas que poderiam ser evitadas. Na África, quase metade dessas mortes ocorrem devido a diarreia.

E para alertar a população mundial sobre essa tragédia, mais de dois mil blogs se unem para tratar do tema no dia 15 de outubro, sexta-feira. O Blog Action Day é um evento que se iniciou em 2007 e mobiliza blogueiros em centenas de países que se comprometem a postar sobre um assunto escolhido em votação aberta na internet.

Nos últimos dois anos, o Blog do Mílton Jung passou a fazer parte do evento e compartilhou seu espaço com as ideias dos ouvintes-internautas, especialistas e comentaristas que aceitaram o convite para publicar informações sobre os temas propostos. Foram dezenas de posts com textos, frases, fotos, vídeos e opinião dedicados a pobreza, em 2008, e ao aquecimento global, em 2009. Desde o ano passado, também, o programa CBN São Paulo aderiu dedicando sua pauta ao Blog Action Day.

Além de integrar o Blog Action Day’10, você pode colaborar com a campanha de outras maneiras. Por exemplo, incluindo o widget da campanha que incentiva as pessoas a assinar a petição internacional que pretende pressionar o secretário das Nações Unidas, General Ban Ki-moon, a acelerar os trabalhos para que seja oferecida água potável às populações mais pobres do mundo. Ou, ainda, angariando fundos ou fazendo doações diretas para organizações que trabalham com a meta de fornecer água potável aos mais necessitados como a Charity: Water e Water.org.

Você é convidado a participar desta grande rede internacional de blogueiros. Para ter seu material publicado aqui no Blog do Mílton Jung, envie para o e-mail milton@cbn.com.br. Se você tiver o Blog ainda pode se ligar nesta rede registrando-se aqui.

“Chove” no túnel Nove de Julho

 

A imagem é comum para quem usa o túnel Nove de Julho, mas assusta mesmo assim. A água jorra do teto de pedra como se estivesse chovendo lá dentro. E no dia que o ouvinte-internauta e colaborador Marcos Paulo Dias gravou o vídeo para publicar aqui no Blog não chovia há alguns dias na cidade.

Fomos buscar o esclarecimento com a prefeitura que enviou a seguinte resposta:

“O vazamento de água no túnel Nove de Julho é proveniente do lençol freático e não compromete a estrutura do túnel. É uma ocorrência normal, pois não é possível estancar 100% do lençol freático, e está presente nos túneis da Rodovia dos Imigrantes, por exemplo. Quando essa vazão passa a prejudicar o trânsito – não é o que acontece no túnel Nove de Julho – é colocada uma bandeja sob o teto do túnel para conduzir a água para fora do leito carroçável, para as canaletas das laterais”

Saúde no ambiente da Guarapiranga

 

Por Suely Aparecida Schraner

Guarapiranga e a cidade

Tonico ! Ele chamou. O cachorrinho nem se moveu. Encantado, permaneceu sentado com as patas dianteiras cruzadas, diante daquela fileira de gente. Atrás das gentes, o mendigo e mais outro cão. Este é o Tinoco, são gêmeos. Não vou dar a mão pra vocês porque dentro do meu coração estou junto de todos, discursou .

Domingo ensolarado de total (bio)diversidade. Céu azul num cenário feérico.

Filhos cidadãos desta São Paulo, sensibilizados sobre a situação dos mananciais.

Perfilados diante da Represa de Guarapiranga, às margens da avenida Robert Kennedy, crianças, jovens e velhos. Um ato de amor natureza. Um protesto pela situção de degradação dos mananciais.

Multidão ‘total flex’. Alegria em participar. Tristeza em constatar.

Nascemos com 80% de água no corpo. Com 5 anos temos 70%. Depois dos 60 anos, temos 58%. Sem água, secamos e morremos como as folhas do outono.

Nosso planeta coberto 75% de água. Consta que só 1% de beber.

Nesta imensa caixa d’água , que abastece mais de 4 milhões de habitantes, o céu espelhado na água resplandecendo nas macrófitas (agua-pés). Plantas que se alimentam de poluição e cobrem boa parte desta represa. O custo do tratamento da água que bebemos é altíssimo.

Multidão ‘total flex’. Alegria em participar. Tristeza em constatar.

Nascemos com 80% de água no corpo. Com 5 anos temos 70%. Depois dos 60 anos, temos 58%. Sem água, secamos e morremos como as folhas do outono. Nosso planeta é coberto 75% de água. Consta que só 1% é de beber.

Do lado de lá, a avenida com seus carros velozes e acidentes atrozes.

O asfalto seco e árvores que teimam em resistir ao monóxido de carbono.

Pulmões catalisadores?

Tonico e Tinoco não são militantes. Intuem que sem água ninguém vive.

Não jogar lixo nas ruas, no aceitar que o esgoto deságue na represa.

Por uma metrópole mais arejada. Por um caminhar, pedalar, e respirar melhor.

É Abraço da Guarapiranga

Suely Aparecida Schraner é ouvinte-internauta do CBN SP e do Conselho Gestor da UBS Veleiros/Sociedade Civil

Pauta #cbnsp: Sem-teto são assassinados em São Paulo

 

CBN SPSem vida – Seis pessoas foram assassinadas enquanto dormiam embaixo de um viaduto na rodovia Fernão Dias, no bairro do Jaçanã, zona norte da capital. Uma mulher está ferida. Motoqueiros pararam no local e atiraram contra os moradores de rua. Suspeita-se que tenha sido vingança contra o grupo que teria cometido assalto próximo do local. Acompanhe a reportagem da CBN.

Sem teto –
A presença de moradores de rua em área distante do centro de São Paulo não surpreende o coordenador da Associação Rede Rua, Alderon Costa. Ele disse que se estima haver de 13 mil a 18 mil pessoas vivendo nesta situação na capital pela falta de abrigos e infraestrutura para atendê-los. A preocupação maior é com a chegada das baixas temperaturas, como explica na entrevista ao CBN SP.

Sem luz – Falha em sistema elétrico deixa centro da cidade de São Paulo sem luz desde o início da manhã. Ouça a reportagem.

Sem água –
Serviço de manunteção deixará bairro do Morumbi sem água durante a quinta-feira. Ouça as informações.

Foto-ouvinte: Velejando em represa verde

 

Represa de Guarapiranga

Velejadores tem encontrado dificuldade para treinar na Represa de Guarapiranga, zona sul de São Paulo. A superfície está tomada por esta vegetação que pode ser percebida, também, no trecho do rio Pinheiros, próximo da barragem. De acordo com o ouvinte-internauta Celestino Neto o problema se agrava a cada dia e praticamente inviabiliza o uso dos barcos na região.

Confissões no banheiro

 

Por Rosana Jatobá

Depois de Madonna ter assumido que faz porque “gosta de senti-lo escorrer entre as pernas” ficou mais fácil lançar a ideia em rede nacional.

A delicada tarefa coube à competente repórter Monalisa Perrone, que, sem perder a elegância, anunciou a campanha da ONG S.O.S Mata Atlântica:

“Faça xixi no banho”.

Monalisa explicava que, ao ignorar o vaso, o telespectador poderia economizar muitos litros de água:

“Pra descargas com caixa acoplada são pelo menos 12. E nos  vasos com válvulas, muito mais:  60 litros por vez. ”

A ONG calcula que, evitando apenas uma descarga por dia, o consumidor poderia economizar até 4.380 litros de água por ano. Somente em São Paulo seriam poupados mais de 1.500 litros de água por segundo.

O apelo ambiental e econômico não foi suficiente para evitar discussões calorosas na redação. Um editor disparou:

– “Uma matéria como esta só ensina o povo a ser ainda mais mal-educado. Isso é um desserviço! Se a moda pega, a luta pra ensinar as pessoas a não fazer xixi nas piscinas, por exemplo, vai por água a baixo!”

De volta à emissora, Monalisa foi recebida com um banho de água fria:

– “Imagina se eu vou deixar meu banheiro com resto de urina pelos cantos! Ou você pensa que eu vou levar uma vassoura e um desinfetante pro box?”

– “Mas o xixi é limpinho” – repete Monalisa. “Eu disse na reportagem que 95% são água e o restante, uréia e sal” 

Não houve consenso.

Em casa, experimentei a façanha. Nos primeiros dias, com estranheza. Afinal, um contato tão direto assim com o xixi, por mais limpo que pareça, é sempre um contato com um dejeto; e, dependendo do dia em que se ingere pouca água  ou se toma um remédio, o tal resíduo pode exalar um cheiro forte e exibir uma coloração mais intensa, comprometendo sua imagem de pessoa asseada diante do próximo usuário do chuveiro.

Pensamento inócuo.

Depois de uma semana já havia me acostumado com a tal sensação propagada pela pop star.

Em visita a uma amiga que mora em Paris, me surpreendi quando ela disse que este é um hábito por lá. E de quebra, muita gente otimiza a capacidade de armazenamento do  vaso sanitário. O fatídico xixi que antecede o sono, fica lá a madrugada toda à espera do primeiro jato do dia. Assim, vão os dois xixis pelo cano de manhã.  Outra descarga poupada!

Minha empregada diz que aderiu à campanha, coisa que confesso não ter apurado. 

O fato é que essas pequenas iniciativas têm mesmo o poder de contagiar. Talvez por aliviar a culpa pela sobrecarga que impomos ao planeta, talvez pela probabilidade apavorante de passar sede.

Um estudo do Credit Suisse Research Institute, datado de novembro de 2009, revela que em 2020,  37% da população global, ou seja, 2,8 bilhões de pessoas, vão lidar com a falta d´água. Situação que pode piorar se as previsões do IPCC, com relação às mudanças climáticas, se confirmarem.
Mas o que temos a ver com isso, se o Brasil detém 13% da água doce do planeta? 

Primeiro, porque há uma percepção errada de que temos água em abundância. Nossos recursos hídricos estão mal distribuídos pelo país. Há excesso no Norte e escassez em grandes centros urbanos e nas áreas de climatologia desfavorável, como no semi-árido nordestino. A poluição dos recursos hídricos pelo lançamento de esgotos domésticos e efluentes industriais também a ajuda a acentuar os problemas de escassez.

Segundo, porque as pressões decorrentes deste déficit hídrico mundial poderão representar uma enorme ameça para países que têm grandes estoques de água, como o Brasil, diz a pesquisa.

Para mim, o hábito de evitar o desperdício vem de berço. Mas agora levo ainda mais a sério o desafio da higiene, usando o mínimo de água possível.  A máxima “menos é mais” lava a alma.

O problema é o risco de radicalizar. Convivo com uma voz, vinda do além, que me manda todos os dias  fazer uma varredura pela casa, em busca de chuveiros e pias pingando. É um tal de torcer com tanta força os registros, vedando a passagem da água, que a simples tarefa de abrir a torneira precisa do esforço concentrado de pelo menos duas pessoas.

Confesso que também não resisto a provocar o maridão, que tem um encontro sagrado e demorado com o banho.

Outro dia fui até questionada pela minha sogra:

– “Você não acha que este é um dos poucos prazeres que meu filho pode ter, depois de um dia extenuante de trabalho?”

– “Tudo bem. Tem razão” – disse à nora, resignada.
Não vou impedi-lo de curtir a forte relação com a água quente jorrando do chuveiro. Ao contrário, vou ajudá-lo a descobrir outros prazeres de um banho relaxante… sem deixar rastros no banheiro, claro!

Que vivam as Madonas!!! 

Rosana Jatobá é jornalista da TV Globo, advogada e mestranda em gestão e tecnologias ambientais da USP. Toda sexta, conversa com os leitores do Blog do Mílton Jung sobre sustentabilidade e outras necessidades.

Protesto e ironia contra a Sabesp

 

Protesto em Osasco por falta de água

Havia ao menos umas dez famílias no corredor do supermercado onde estariam depositadas as garrafas de água mineral. Vi duas mães subindo no primeiro degrau da gôndola para alcançar as garrafas de plástico que estavam mais atrás. Eram pequenas, insuficientes para o banho, mas ao menos matariam a sede da criançada.

Em outro supermercado, a fila de carros do lado de fora se equivalia a de consumidores deixando a loja carregando garrafinhas e garrafões de água dentro de sacos plásticos. Não dava para entrar.

Para comprar água, tive de sair da região afetada pela “seca” imposta pela Sabesp, a cerca de 750 mil pessoas, desde sexta-feira. Sim, ao contrário do que a empresa informa, algumas casas da zona oeste de São Paulo não recebem água desde o fim da semana passada – ou sejam, antes mesmo do estouro da adutora na avenida Roque Petroni Jr, bairro do Brooklin, no domingo de madrugada.

Joildo Santos (@joildo) confirma pelo Twitter o que vários trabalhadores domésticos dos bairros do Morumbi e Butantã haviam contado, nessa segunda pela manhã: @CiaSabesp Eu lhes informo que no sábado faltou agua em Paraisópolis, agora qual foi a razão vocês devem saber. A Sabesp (@CiaSabesp) disse não ter recebido nenhuma queixa anterior e deixa os moradores com uma pulga atrás da orelha ao tuitar: “quando sistema for normalizado, será possível verificar se há outros problemas no local onde rompeu adutora (zona sul)”

“Faz algumas semanas que a própria Sabesp vem escavando onde, agora, dizem ter  rompido a adutora. Acho que estamos diante de mais um episódio de incompetência latente”, reclama por e-mail Maurício Casagrande.

“Depois do apagão, caminhamos para um afogão. Morreremos de sede cercados de água das enchentes”, ironiza Toni Curiati que reclama dos jornalistas que não estariam cobrando do Governo a seriedade necessária para o caso.

Nesta terça-feira, vamos cobrar da companhia, com certeza.

Distante da adutora que estourou, moradores do entorno da rua Sociedade Esportiva Palmeiras, em Osasco, região metropolitana de São Paulo, colocaram fogo em pneus no fim de semana para protestar contra o abastecimento irregular de água. “É impressionante o fato de as represas estarem abarrotadas e o fornecimento de água jamais se normalizar” reclama Josmar Dias. Ele explica que a área não é abastecida pela adutora que apresentou problemas e a falta d’água ocorre diariamente: “ Em regra o serviço só é retomado umas poucas horas no período noturno, entretanto, faz alguns meses que nem mesmo isso, levando as torneiras a ficarem completamente secas”.

Enquanto mais um caminhão pipa chega no condomínio próximo de casa, ouço no rádio que a Sabesp, por nota, ainda não sabe quando o serviço estará normalizado. Avisa que haverá abastecimento parcial em alguns bairros e pede que a população economize água.

O Governo do Estado que se alvoroçou todo para pedir explicações a Eletropaulo, empresa privada que pisa na bola no fornecimento de energia elétrica nestes dias de temporal, poderia usar do mesmo ímpeto para cobrar da Sabesp, de quem é o maior acionista e responsável pelas decisões administrativas.

Sabesp – a vida tratada com respeito – é o que está escrito no site da empresa.