Confusão com as malas da Copa (de 1974)

 

Por Milton Ferretti Jung

 


Vou contar, nesta quinta-feira, mais uma história de rádio. Gostaria de escrever sobre o que foi discutido pelos especialistas em mobilidade urbana, que estiveram em Porto Alegre na semana passada, representando vários países, para relatar o que foi feito nas suas cidades de origem visando a resolver os angustiantes problemas de trânsito. A nossa mídia, porém, tratou do tema apenas antes da realização do Congresso de Trânsito Idéias que Salvam Vidas.

 

Desde 1958, a Rádio Guaíba, com um ano de vida, transmitiu a sua primeira Copa do Mundo: a da Suécia. E deu sorte! Fomos campeões. Daí para a frente, a emissora rio-grandense esteve presente em todos os Mundiais. Como narrador, cobri a minha primeira Copa em 1974, na Alemanha. Lembro-me, como se fosse hoje, da viagem para a terra de parte dos meus ancestrais,os Jung. O comentarista Ruy Carlos Ostermann e eu embarcamos em Porto Alegre, rumando para São Paulo, de onde saímos em direção a Paris. Ali, trocaríamos de avião. Perdemos, porém, a conexão para Frankfurt porque o nosso voo chegou com atraso à capital francesa. Saímos a buscar um avião que nos levasse ao destino final. Pergunta daqui, pergunta dali, encontramos o que queríamos. Em pouco tempo, estávamos desembarcando na cidade alemã em que ficaríamos hospedados durante boa parte da Copa. Os primeiros jogos da seleção brasileira seriam disputados.

 

O nosso desembarque em Frankfurt ficou marcado pelo susto que o Ruy e eu levamos. Fomos para a esteira esperar a nossa bagagem. Malas e mais malas cruzaram à nossa frente, mas as nossas não apareciam. E tivemos de pegar um táxi portando somente a bagagem de mão. Depois de chegarmos ao hotel no qual os companheiros que nos precederam já estavam seguimos com eles para um jantar promovida pela FIFA. Minhas melhores roupas estavam na mala desaparecida. Passei o jantar inteiro constrangido por me sentir mal vestido, obrigado a continuar vestindo o terno que usara na viagem. Creio que com o Ruy ocorreu o mesmo. Dormimos preocupados. No outro dia, pela manhã, dirigimo-nos os dois para o aeroporto. Lá chegando, fomos ao depósito de bagagens não reclamadas. E lá estavam as nossas malas. Elas tinham seguido em outro avião, que não aquele em que fizéramos o trajeto Paris-Frankfurt, graças às etiquetas nas quais constava o nosso destino final. O nosso retorno ao Hotel Europe no BMW que a Rádio alugara para os nossos deslocamentos na Alemanha foi feito por dois radialistas sorridentes, bem diferentes dos que, um dia antes, haviam desembarcado imaginando que nunca mas veriam as suas malas.

 

Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

Torci pelo time do Pedro

 

Direto de Roma/Itália

Comecei a partida torcendo pela Alemanha. Sei lá se você é daqueles que consegue sentar diante da TV e assistir a um jogo de futebol sem tender por um ou outro lado. Eu, decididamente, não. Escolhi os alemães por questões familiares, e após a vitória contra a Argentina em que vi jogadores germânicos driblando pra cá e pra lá, desconfiei que ali havia resquícios do futebol-arte que um dia esteve no Brasil.

Poucos minutos haviam se passado até que minha fidelidade fosse colocada à prova. A Espanha, que diziam ter um jogo festivo, marcava a saída de bola, seus atacantes – gente de talento – não deixavam os alemães trocarem passe. E como erraram passes os alemães.

Uma assistência para Villa que fez o goleiro Neuer sair a seus pés mexeu comigo. Um cruzamento forte da direita que encontrou Puyol me chamou atenção. Chutes do ataque espanhol de fora da área mostravam quem tinha mais chances de marcar primeiro.

Foi, porém, no início do segundo tempo que virei casaca, definitivamente. E o responsável foi um cara que não tem nome composto, charmoso nem famoso como Xabi Alonso, David Villa ou Andrés Iniesta. Ele se chama apenas Pedro, veste o número 18, não chega a 1,70 de altura e, apesar de estar às vésperas de fazer 23 anos, já tem muita história pra contar.

É o único jogador do Barcelona a marcar um gol em seis competições diferentes em uma mesma temporada. Da Copa del Rey ao Mundial de Clubes, deixou sua marca em 2009. Foi aposta espanhola para esta semifinal substituindo Fernando Torres. E deu muito certo.

Habilidoso nos dois pés, Pedro fez uma jogada especial pelo lado direito. Driblou um, dois, três, se não me engano, havia também um quarto alemão no caminho. E todos ficaram para trás com cara de desesperados. Ciente de seu papel de coadjuvante, entregou um presente para o companheiro Alonso que desperdiçou o ataque chutando para fora. A televisão, teimosamente, repetia o chute errado e se esquecia de registrar o lance mais interessante do jogo.

Daquele momento em diante, os italianos que assistiam à partida comigo não tinham dúvida de que minha torcida era espanhola. E, aos poucos, eles também se entregaram. A seleção comandada por Vicente Del Bosque – que tem cara daquele avô simpático e satisfeito com o que a vida lhe ofereceu -, contaminada pelo estilo Barcelona de ser, tomava conta do jogo, apesar da insistência da Alemanha em estragar a festa.

O futebol bacana dos alemães, responsável por três goleadas e os melhores desempenhos na Copa da África, não apareceu diante da intensidade dos espanhóis. Mas a seleção treinada por Joachim Loew é jovem – a mais jovem que a Alemanha já reuniu – e, portanto, é de se esperar que seu estilo de jogo ainda possa oferecer bons espetáculos até a Copa do Brasil, em 2014.

A Espanha começou a Copa decepcionando muitos dos que esperavam um show a cada partida, e quando tinha boa performance parecia se satisfazer mais em tratar bem a bola do que colocá-la dentro do gol – fez sete em seis jogos.

Nesta semifinal, mostrou que mesmo quem pretende jogar bonito precisa marcar bem – e até aqui levou apenas dois gols em seis jogos. Houve excessos em alguns momentos e isso é comum quando sobra talento, mas ver que o gol surgiu de jogada pragmática – cobrança de escanteio e cabeceio de um defensor – revela, também, que a Espanha sabe que o caminho da vitória nem sempre está no toque de calcanhar, no drible legal ou em uma jogada fantástica.

Vê-la na final é motivo de satisfação. Mostra que mesmo com os esquemas táticos rígidos e fechados que imperam na maioria das seleções, o futebol moderno ainda tem espaço para o drible, para um toque sutil e para o talento.

A Espanha está na final. O futebol agradece.

E pra mim será muito simples escolher alguém pra torcer no domingo: o time do Pedro.

Foto-ouvinte: Por um trânsito ético

Bicicleta e ônibus

Reproduzo mensagem e foto enviados pelo ouvinte-internauta Paulo Assis.

“Milton,

Li diversos comentários a respeito de morta da ciclista na Paulista esta semana. Cada um com determinado ponto de vista e ao final de todos fica uma sensação de que o que, de uma maneira geral, o que falta é EDUCAÇÃO. Educação para a população pois esta é a base que nos dá conhecimento para possamos saber de respeito, direitos e deveres.

Encaminho aqui uma imagem que me chamou demais a atenção e gostaria de compartilhar contigo.

Há dois anos fomos, eu e minha esposa, em viagem de férias para o interior de Europa. Um dos lugares que fomos conhecer foi Salzburg ( Austria ) e lá flagrei a foto que te envio em anexo, onde na faixa de onibus e ciclovia ( a inidicação do chão mostra que são uma única ) há uma freira com seu habito à frente de um onibus. Não houve qualquer insulto ou mesmo buzina para que ela saísse do caminho.

Abraços,

Paulo Assis”

Alguém se dará conta que o volume de trânsito na cidade alemã, cenário da fotografia, é muito menor do que na capital paulista e usará este fato para justificar a violência nas avenidas e ruas de São Paulo. Mera desculpa. O problema aqui, como bem ressalta o ouvinte-internauta, é de educação, respeito.

Por um trânsito ético !

Carro sem selo da inspeção veicular não roda, na Alemanha

A inspeção ambiental veicular ainda é uma novidade em São Paulo e provoca ampla discussão seja pela necessidade do serviço prestado seja pela qualidade. A capital paulista é pioneira na implantação deste sistema de análise para combater a poluição do ar, no Brasil. Países da Europa, principalmente, já estão bem mais avançados.

Acompanhando a CBN pela internet, o ouvinte-internauta Marcelo Capelari vive na Alemanha desde 2004 e, motivado pelo debate realizado sobre o tema no CBN São Paulo, enviou algumas informações sobre como funciona a inspeção veicular por lá.

Reproduzo aqui trecho do e-mail que ele nos enviou:

“Na Alemanha, os veículos zero quilômetro estão isentos de inspeção nos três primeiros anos.  A partir do terceiro é preciso realizar o serviço a cada dois anos.  São feitas      duas verificações: das condições gerais do veículo (HU) e da emissão de gases (AU).

Uma vez que as emissões de poluentes são mais rígidas hoje do que dez anos atrás, a emissão de gases leva em consideração quais eram os padrões à época da fabricação do carro, que estão registrados em um Certificado de Conformidade que acompanha o veículo.

Caso seu carro seja aprovado, receberá um selo que será colocado junto a placa de identificação e onde estará indicada a data da próxima inspeção.

Caso não seja aprovado, deverá ser reparado.

Não é necessário dizer que sem o selo, nada de carro nas ruas.  Talvez por isso quase nunca se vê carros quebrados nas ruas da Alemanha, e olha que também existem carros velhos por aqui.

Outro aspecto que gostaria de mencionar é com relação ao licenciamento: nada de despachantes, o documento fica pronto em cinco minutos e a taxa é debitada diretamente de sua conta corrente. Ah, sem seguro nada de documento; por isso é preciso apresentar um comprovante emitido pela seguradora que o veículo em questão já está segurado. Talvez isso fosse uma boa idéia para o Brasil.”