Avalanche Tricolor: triste resignação


Palmeiras 1×0 Grêmio

Brasileiro – Allianz Parque, São Paulo SP

Foto: Lucas Uebel/GrêmioFBPA

Levamos o gol aos três minutos. Três. Era como se o destino quisesse deixar tudo às claras desde o início. Nenhuma surpresa, nenhum suspense — apenas a exposição cruel da nossa fragilidade. O adversário nem precisou se esforçar tanto. Nós nos entregamos cedo demais, como quem esqueceu como se luta.

E, ainda assim, o que se viu depois foi um desastre controlado. A derrota por apenas 1 a 0, diante do que se desenhava, quase soou aceitável. E isso é lamentável. Porque quando passamos a tratar a derrota como alívio, é sinal de que algo se partiu por dentro — e nem ouvimos o estalo. Não fui forjado gremista para me sentir assim.

A noite teve cheiro de resignação. E ela pesa mais do que a própria derrota. Se arrasta, silenciosa, e ocupa os espaços antes preenchidos por fé, por brio, por teimosia. E, convenhamos, torcer pelo Grêmio sempre exigiu um pouco de teimosia. Uma dose de esperança irracional, dessas que desafiam a lógica mesmo nos momentos mais sombrios.

Preocupante é ver jovens como Riquelme, Igor, Alysson e Jardiel nesse campo minado. Eles carregam talento, energia, vontade — mas enfrentam um ambiente que, em vez de impulsioná-los, ameaça engoli-los. Um clube fragilizado pode afundar até o que tem de mais promissor. A história está cheia de promessas que não resistiram ao caos.

Mas talvez — talvez — seja justamente nesses nomes que more nossa esperança. Se não forem amparados agora, correm o risco de sucumbir. Mas se forem fortalecidos, protegidos e colocados no centro de um projeto real de reconstrução, podem representar não só o futuro, mas o presente do Grêmio. Talvez seja hora de parar de esperar que os veteranos resolvam o que já não sabem mais resolver — e apostar na coragem de começar de novo, de baixo, com quem ainda tem fome e futuro.

Aceitar as fraquezas não significa se conformar com elas. Reconhecer que estamos frágeis é o primeiro passo para reconstruir. E se há algo que não podemos perder, é a teimosia de acreditar. Porque teimar também é amar.

Avalanche Tricolor: do Grêmio de Roger ao show de Rod Stewart

 

Palmeiras 3×2 Grêmio
Brasileiro – Pacaembú/SP

 

RodxRoger

 

As atenções estavam divididas, e não menos intensas, entre dois estádios paulistanos, na noite de sábado. Em um, o Grêmio levaria a campo as forças que lhe restaram até aqui, depois de longa maratona para sustentar-se entre os três primeiros colocados do Campeonato Brasileiro – privilégio de poucos, registre-se. Em outro, Rod Stewart elevaria-se no palco com a energia de quem resistiu a chegada dos 70 anos, mesmo após carreira em que hits e drogas foram produzidos e consumidos quase na mesma proporção.

 

Mesmo que a distância entre o Pacaembu e o Allianz Parque, ambos na zona Oeste de São Paulo, seja curta, seria logisticamente impossível assistir aos dois shows na mesma noite sem abrir mão de parte de um deles. Decidí-me por acompanhar o Grêmio, ouvindo a transmissão da CBN ou vendo alguns lances no APP do Premier, conforme permitisse o sinal da minha operadora de celular.

 

A Rod Stewart, dediquei o restante da noite, em uma cadeira da arquibancada superior da Arena que me dava o privilégio de ouvir mais do que ver. Um telão posicionado em um dos lados do palco oferecia imagens detalhadas do ídolo dos anos 70/80, que me fez perceber que o tempo deixou marcas, mas totalmente superadas pelo talento.

 

Lá no Pacaembu, as marcas do tempo eram claras na formação da equipe sem seis de seus principais jogadores, sendo três deles, Grohe, Geromel e Giuliano, insubstituíveis. Nessa lista de ausência, é sempre bom lembrar, havia ainda Maicon, o titular na frente da área, e Edinho, seu reserva direto. Galhardo também estava fora. Lesões e cartões pesaram neste jogo contra adversário que vem forte na competição e precisava da vitória para se manter vivo nela.

 

Mesmo diante de tantos desfalques, o Grêmio de Roger manteve-se fiel a sua forma de atuar, sem negar-se a jogar futebol de qualidade, mantendo o domínio da bola, apesar da dificuldade para fazê-la chegar ao gol, e marcando no campo ofensivo – foi assim que saiu o gol de empate. Contou ainda com o talento de Luan que fez os dois gols gremistas. Para ter sucesso, porém, o time de Roger necessitava de precisão na defesa, o setor que se mostrou mais fragilizado pelas ausências.

 

No Allianz Parque, Rod Stewart surpreendia com tanta disposição para repetir as músicas que marcaram diferentes etapas da nossa vida – da minha, com certeza. A voz rouca, que se temia ser perdida após cirurgia, estava de volta para embalar “Tonight’s the Night” e “It’s a Heartache”, e emocionar com “Have You Ever Seen the Rain?”, de Creedence Clearwater Revival, “Forever Young”, “Sailing” e “Da Ya Think I’m Sexy”. Havia, também, referências ao futebol com imagens do Celtics (ironicamente verde e branco) e bolas autografadas que o músico chutou para o público. Aliás, para um “senhor”de 70 anos, a força do chute também chamou atenção, apesar de as moças terem se entusiasmado mais com o rebolado.

 

Rod Stewart, no palco, mostra porque é eterno e nos emociona. Roger, no Grêmio, se lhe derem tempo, consolidará um estilo de futebol capaz de provocar muitas emoções ainda.