Conte Sua História de SP: o primeiro dia de aula, no Rio Pequeno

 

Por Samuel de Leonardo

 

 

“II Grupo Escolar do Bairro do Rio Pequeno”

 

“São Paulo, 11 de fevereiro de 1963”

 

Após nos posicionarmos em fila e ter entoado o Hino Nacional defronte ao prédio localizado na antiga Estrada Quatro ainda sem asfalto, atual Avenida José Joaquim Seabra, no Bairro do Rio Pequeno – Butantã, adentramos a sala de aula. Com o giz branco Dona Lurdinha (Maria de Lurdes Reis da Costa – nunca esqueci o seu nome) desenhara essas letras no quadro negro. Assim, numa tarde de verão, teve início o meu primeiro dia de aula naquela escola. Na verdade até então não sabia ler, mas a dedicada mestra explicou em detalhes às crianças o que traçara no quadro negro.

 

Ainda assustado com a novidade, trajando camisa branca, calça curta azul-marinho e calçando o novo Conga azul chegara a minha vez e, todo nervoso e sem jeito, apresentei-me balbuciando meu nome, confundindo-me com o Tute, apelido dado pelos meus avós paternos e o meu legitimo nome, Samuel.

 

A estrutura do prédio era todo de madeira. Dois galpões em tom azul desbotado pelo tempo, sobrepostos em pequenas colunas de tijolos à vista que comportavam duas salas de aula. O teto não tinha forro e podiam-se notar as robustas vigas cruzadas sustentando o telhado de amianto e as janelas enormes apresentavam algumas vidraças quebradas, talvez por pedradas.

 

Dispostas em fileiras carteiras duplas de madeira já desgastadas pelo tempo acomodavam a todos. À frente uma pequena mesa e uma cadeira destinada à professora, ao fundo dois armários que um dia foram envernizados completavam o mobiliário. Nota-se que o desmazelo das autoridades com a educação já se fazia presente.

 

Naquele dia nossa primeira atividade foi desenhar pequenos círculos até completar a folha. Caderno aberto sobre a carteira, lápis na mão e as “bolinhas” irregulares iam se distribuindo sobre as linhas. Então com toda a paciência do mundo nossa professorinha passou pelas carteiras elogiando a arte de cada um.

 

De repente ouve-se o tilintar da sineta tocada pelas mãos da servente, assim era denominada aquela que ainda não chegara a bedel. Hora do recreio, algazarra em profusão no enorme terreiro empoeirado a céu aberto que circundava o imóvel. Não havia muros para delimitar onde terminava a escola e começava o imenso matagal morro acima. Uns corriam para os banheiros situados nos fundos da escola, outros devoravam a lancheira. Para os que não trouxeram merenda era só descer até a pequena cozinha, única edificação de alvenaria posicionada à entrada daquela construção rústica, e apanhar um kit.

 

Enquanto os meninos corriam de um lado a outro no pega-pega, as meninas brincavam de roda ou pulavam amarelinha.

 

Novamente o tilintar da sineta, hora da segunda parte.As crianças voltaram ofegantes, suados e descabelados, alguns com os uniformes manchados por algum alimento. Eu não poderia ficar para trás, sujara a camisa branca de terra e com certeza seria repreendido pela minha mãe.

 

Agora na outra folha do caderno Dona Lurdinha pedira que desenhássemos um sol, depois uma árvore e uma casinha. Barbada, desenhar era comigo mesmo.

 

Antes que tocasse pela última vez a sineta daquele dia, ela escreveu na lousa “lição de casa”. Os meninos deveriam trazer uma folha de alguma planta qualquer, enquanto que as meninas uma flor de acordo com a preferência de cada uma.

 

Anos mais tarde após os dois galpões serem criminosamente incendiados, naquele lugar o governo construiu um belo complexo educacional com classes modernas, uma quadra e um ginásio poliesportivo coberto. Durante o dia fora batizado de Escola Estadual Daniel Paulo Verano Pontes.À noite funcionava o Ginásio Estadual Ministro Américo Marco Antônio, onde conclui o antigo ginasial.

 

Da “lição de casa” e daquela primeira vez eu nunca me esqueci, pena que aquele dia passou como um bólido, assim como rápidos foram as semanas, os meses, os anos.

Empreendedorismo: desenvolva a consciência empreendedora nos estudantes

 

 

Nesta quarta-feira, tive oportunidade de entrevistar no Mundo Corporativo, Wilson Risolia, líder da Falconi Educação, que se dedica a desenvolver projetos de gestão em instituições de ensino, públicas e privadas. A conversa vai ao ar em breve, no Jornal da CBN, mas quem teve oportunidade de assistir ao vivo pela internet, seja no site da CBN ou na transmissão pelo Facebook, deve lembrar que uma das últimas questões foi relacionada ao currículo escolar.

 

Risolia, que foi secretário estadual de Educação no Rio de Janeiro por quatro anos, lembrou-me que um dos grandes desafios dos gestores de educação é incluir as 12 matérias obrigatórias em uma grade com apenas 4 horas de aula por dia, ou seja, 20 horas semanais. Por isso, sempre que alguém sugere impor algum novo tema aos alunos, devemos pensar como incluir o assunto sem sobrecarregar ainda mais a grade escolar.

 

A resposta de Risolia foi ao encontro do que eu havia falado durante o Papo de Professor, do projeto Pronatec Empreendedor, realizado pelo Sebrae. Em uma das perguntas que tive de responder, o tema proposto era a possibilidade de as escolas, com o apoio de instituições financeiras, privadas e públicas, inserirem a cultura empreendedora para que os alunos se transformassem em protagonistas de sua história.

 

Minha resposta completa você assiste no vídeo acima. Se quiser acompanhar outras questões tratadas no Papo de Professor, clique aqui.

No Conte Sua História de SP: minha primeira redação na escola

 

Por Maurício de Oliveira

 

 

Nasci em 1960, no Bairro de Vila Brasilândia, na rua Virajuba, num cortiço chamado Catimbó. Um bairro marcado pela violência e a criminalidade.

 

Sou o quinto filho numa família de seis: cinco meninas e um menino. Meus pais eram pessoas simples e analfabetas. Minha família era muito pobre e apesar das dificuldades, nunca nos faltou amor.

 

O amor foi determinante na minha criação e educação. Estudei o primário na Escola Municipal Raul Fernandes iniciando em 1968. O Brasil vivia em plena Ditadura. Não existia liberdade de expressão e até o pensamento era censurado.

 

A maior lembrança que tenho da minha escola, aconteceu no 2 º ano primário. A professora disse que aprenderíamos uma lição nova: redação. Podíamos escrever qualquer tema, desde que tivesse começo, meio e fim. Olhei para uma colega de classe e escrevi:

 

“Vera Lúcia, você vai crescer, namorar, casar e ter filhos”.

 

Estava completa a minha redação. Li várias vezes em pensamento antes de entregá-la. Será que isso é redação? – pensei comigo. O aluno da carteira de trás, levantou-se pegou a minha redação e disse em voz alta: – professora, ele terminou a redação!

 

A professora leu e ficou chocada com o texto. Eu não tinha a menor consciência do que havia escrito: – levante-se e me acompanhe até a diretoria.

 

As crianças tinham uma fantasia naquela época. Imaginavam que na escola haviua um quartinho onde vivia uma cobra, quando alguém fazia algo proibido era colocado de castigo lá dentro. A cobra picaria o aluno e a pessoa morreria.

 

O diretor da escola era um tirano, um ditador. Comecei a chorar desesperadamente de tanto medo. Na minha cabeça, imaginava o terror ao qual seria submetido e meus pais não teriam conhecimento. Havia assistido ao filme Cleópatra e me lembro quando ela tirava uma serpente de um cesto cheio de morangos e se suicidava. Pensava que a mesma cobra que matou a Cleópatra iria me matar na escola.

 

Perguntei ao diretor:
– Por que estou aqui na diretoria?
– O que eu fiz de errado?

 

Ele respondeu:
– Você escreveu uma redação de fundo sexual.

 

Para mim, toda linguagem que não fosse compreensível era língua de médico. O diretor me disse que ele não poderia responder a minha pergunta porque eu não tinha idade e capacidade para entender o que era fundo sexual. E me advertiu:

 

– Você ficará em observação por um ano e se escrever outra redação como essa, será expulso dessa escola e não estudará em nenhuma outra escola do bairro, da cidade e do país.

 

Conclui que a professora e o diretor se formaram na faculdade da inquisição. Se eu escrevesse: Vera Lúcia, você irá crescer, envelhecer, ficar doente e morrer, não estaria errado. O erro foi escrever que ela teria filhos.

 

Ainda bem que esse fato não bloqueou a minha capacidade de escrever redação, a ponto de eu estar hoje aqui escrevendo esta história de São Paulo.

 

Maurício de Oliveira é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Conte você também a sua história de São Paulo. Escreva para milton@cbn.com.br

A complexa tarefa de um professor que precisa dar nota aos alunos

 

Cadeira cativa no Canindé #DalheGremio

 

Jornalista não é bom de número (ao menos a maioria de nós). Preferimos as letras e, por isso, na escola, nos dedicamos às humanas. Isso não significa que no cotidiano da profissão estaremos livres de manipular dígitos e tratar das desumanidades que as notícias contam. Digo isso, desde início, para deixar claro que qualquer análise errada que faça sobre o fato que irei relatar agora talvez esteja relacionada a esta minha incompreensão da matemática.

 

Um estudante, desde o primeiro ano na escola, foi merecedor de medalhas de honra ao mérito, título oferecido àqueles que conseguem, no mínimo, nota 8 em todas as matérias, ao fim da temporada. Este ano, porém, ao concluir o ensino médio – que eu teimo em chamar de 2o. Grau – após 12 anos na mesma instituição de ensino, não se capacitou para a honraria, pois, em uma das matérias ficou com média 7,87. Apesar de todas as demais terem ficado acima do 8 exigido nas regras internas da escola, a falta de 0,13 ponto em uma delas o impediu de voltar a receber o prêmio.

 

Quando estive na escola, nas décadas de 1970 e 1980, as notas não eram números, eram letras. Se ainda lembro bem, os conceitos variavam entre Ótimo, Bom, Regular e NS – sigla do temido Não Satisfatório, que insistia em aparecer no meu boletim escolar. Num ano em especial, o NS dominou a grade, o que me levou a repetir. Foi na 7a. série do Primeiro Grau, hoje Ensino Fundamental. Foi duro contar em casa a notícia, apesar de todos já estarem esperando-a pois acompanhavam de perto meu (mau) desempenho. Conto hoje essa história com muito mais tranquilidade pois tantos anos depois sei que aquela reprovação não deixou sequelas.

 

Os conceitos em forma de letras parecem mais subjetivos, mesmo que sejam baseados em notas tiradas nas provas e no desempenho em sala de aula. Existem muitas variantes para incluir um aluno na categoria dos ótimos, assim como taxá-lo de regular, por exemplo. Parece-me mais justo para os estudantes e mais simples para os professores que podem trabalhar com uma margem de erro aceitável, afinal estamos falando de seres humanos que tem sua diversidade e são tomados de emoção.

 

Já os números são objetivos e cruéis: imagine a dificuldade para o mestre diferenciar um aluno 6,5 de um 6,75, ou saber quando um merece 8 e o outro 8,1. O que representaria 0,1 décimo (ou 0,13) de sabedoria a mais para um jovem? Conhecer o nome de todas as capitais brasileiras em ordem alfabética, sem pestanejar – se pestanejar vira 8, piscou duas vezes 7,9; ou fazer as equações mais rapidamente do que os outros; ou usar ponto e vírgula em seus textos, enquanto os colegas se limitam ao ponto e a vírgula. Sei lá como os professores se saem diante desse desafio. Ainda bem que decidi ser jornalista e não ter de resolver situações complexas como essas. De vez em quando até somos obrigados a dar notas para o desempenho de jogadores de futebol ou de gestões públicas, mas nossa falta de precisão não costuma causar muitos estragos.

 

Coloque-se agora diante da situação enfrentada pelo professor que teve o dever de julgar o desempenho de um aluno que por 11 anos foi honra ao mérito na escola e, no último, havia alcançado notas que superavam a média 8 em todas as matérias, menos na dele. Deixar-se levar pela frieza de um número – no caso 0,13 – que tiraria de um jovem a satisfação do prêmio ou reavaliar o desempenho geral do aluno, pesar seu histórico e lhe oferecer a oportunidade da conquista final? Prezar pela precisão das exatas ou cultivar a subjetividade das humanas?

 

O professor, calculista, apesar de ser da área de humanas, preferiu o caminho reto dos números. Para ele não havia dúvida, seu aluno era um 7,87, jamais um 8. O estudante, pelo que soube, sequer reclamou pois já havia aprendido a lição: para a sua história, que está apenas começando, tudo isso era muito insignificante – quase um 0,13.

Entre os muros da escola: “todos fomos alunos um dia”

 


Por Biba Mello

 

FILME DA SEMANA:
“Entre os Muros da Escola”
Um filme de Laurent Cantet .
Gênero: Drama.
País:França

 

 

François Marin é um professor de literatura que dá aula em uma escola da periferia para alunos de 13 a 15 anos de diferentes etnias.Os conflitos entre alunos e professores é constante pois existe um abismo cultural entre eles, os alunos possuem uma agressividade e indisciplina por motivos diversos, a escola não ajuda pois tem uma estrutura que não proporciona o desenvolvimento de suas potencialidades, mas este professor vai surpreender.

 

Por que ver: O filme é de um realismo tão absurdo que me fez parar para pesquisar no Google e ver se não se tratava de um reality, apesar das cenas terem evidência de construção cinematográfica, com posicionamento de câmera, distância focal e angulação. A interpretação apresenta uma verdade absoluta com ausência, ou total presença de interpretação, sendo estes atores excelentes e muito bem dirigidos e em nenhum momento perdem o timing e a verdade da cena.

 

Além de tudo isto, ele não é um filme só “cult” ou só de “entretenimento”. É um filme completo, que nos diverte, enquanto nos leva à discussões importantes. O assunto é universal; todos fomos alunos um dia. Algumas discussões serão abertas e dificilmente fechadas…Lições de tolerância e amor aprendidas…
Atenção amantes de “Transformers”: este NÃO é um filme chato!!!

 

Como ver: Acho que a melhor resposta seria, QUANDO ver… Logo que receber o boletim com notas vermelhas de seu filho… Assim, como este professor, você poderia se aceitar como um herói com falhas ao se perguntar: “meu Deus onde eu errei?”.

 

Quando não ver: bom, não existe este “quando não ver”…Veja com seu filho, logo que receber o fatídico boletim, abra a discussão, jogue a bola para ele e tente entender o porquê o amado idolatrado salve salve filho, não estuda, ou não entende a porcaria da matemática, português, geografia…etc…etc…etc…

 

Até semana que vem querido leitor!
Boa Sorte!

 


Biba Mello é diretora de cinema, blogger e apaixonada por assuntos femininos. Aqui no Blog do Mílton Jung, nos ajuda a programar a vida a partir do cinema

Mensalidades das escolas particulares estão assustadoras

 

Por Mílton Ferretti Jung

 

Esta manchete do jornal gaúcho Zero Hora é assustadora:

 

“Mensalidade escolar aumenta até 12%, o dobro da inflação”.

 

É claro que o título se refere a colégios particulares,mas nem todos os pais, cujos filhos estudam nos educandários citados na reportagem de Zero Hora,devem ter-se dado conta de que estão pagando preço tão acima da inflação. Muitos deles,sem dúvida,fazem das tripas coração para quitar,em dia, a importância contida nos boletos bancários mensais. Convém prestar atenção para o que se lê em ZH logo abaixo da manchete:

 

“Levantamento de Zero Hora em 10 colégios particulares aponta elevação média de 8,73%,enquanto em 10 universidades gaúchas reajuste ficou em 6,69%,diante da inflação de 5,91% em 2013”.

 

Uma das explicações – eu prefiro dizer desculpas – para “justificar” a alta,por mim classificada no início do texto como assustadora,foi dada por Osvino Toillier,vice-presidente do Sinepe – Sindicato das Escolas Privadas – segundo o qual essas são surpreendidas por gastos imprevistos,”assim como as pessoas”.

 

Na minha adolescência, estudei em dois colégios que estão entre os 10 privados do Rio Grande do Sul com maior número de alunos: o Anchieta,que na época tinha sua sede na Rua Duque de Caxias,e o Colégio Marista Nossa Senhora do Rosário. O meu pai podia se queixar do meu aproveitamento escolar,mas jamais ouvi dele uma palavra sequer sobre o quanto lhe custava me manter nessas duas instituições de ensino. Talvez,ele pagasse mensalidades bem menos altas do que as atuais. Para não dizer que jamais fui matriculado em colégio público,lembro-me que fiquei uma semana no Souza Lobo,mas voltei logo para o Sagrada Família,sãs freiras franciscanas. Estive internado por um ano e meio no São Tiago,escola marista,em Farroupilha-RS. Apelidaram-me nessa de fugitivo,tantas vezes tentei escapar do educandário. Só fiz essa digressão,porque os meus netos,todos em colégios particulares,não se espelharam no avô e,provavalmente,não leem os meus textos neste blog,ancorado pelo pai do Gregório e do Lorenzo.

 

Os meus três filhos também estudaram somente em escolas particulares. Aliás, os três – a Jacque,o Mílton e o Christian -concluíram sua escolaridade no Rosário,no qual,agora, está o Fernando,filho do Christian. Pego o fio da meada,quase perdido,para lembrar que enfrentei época de vacas magérrimas na Rádio Guaíba e nunca atrasei o pagamento das mensalidades escolares. Gostaria de ter cabeça tão boa que me permitisse recordar quanto custava,por mês,manter três filhos no Colégio Marista Nossa Senhora do Rosário. Seja lá como for,só posso imaginar que não tivesse de pagar mensalidades muito acima da inflação. Tenho muita pena dos pais menos abonados que se matam trabalhando para conseguir segurar os seus filhos em colégios particulares.

 

Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

Curitiba terá alunos no Adote um Vereador

 

A participação de jovens na política pode ser o início de um processo de transformação e conscientização, por isso saber da iniciativa de uma escola em Curitiba, no Paraná, em lançar o projeto “Adote um Vereador”, envolvendo os alunos, me deixa bastante satisfeito. Para entender como vai funcionar, publico
o texto que encontramos no site Bonde:

 

A professora Sônia Regina Cordeiro Silva apresentou à Câmara Municipal de Curitiba, na sessão da última segunda-feira (1º), a campanha “Adote um vereador”. Implantada com alunos do 3º ano do Ensino Médio do Colégio Estadual João Paulo II, a iniciativa integra o projeto “Manifestações políticas nas ruas e praças da cidade: um ato público de cidadania”, elaborado pelo Programa de Desenvolvimento Educacional (PDE) do governo estadual.

 

“A cidadania não nasce com a gente. Precisamos aprender a ser cidadãos, e a escola é espaço para isso”, destaca a docente, que participou da sessão a convite da vereadora Professora Josete (PT). “O projeto pretende motivar a reflexão crítica do papel do aluno como cidadão. Também envolve a participação política”, complementou. O trabalho desenvolvido por Sônia tem a orientação do professor Dennison Oliveira, da Universidade Federal do Paraná (UFPR), e integra a disciplina de História do Colégio Estadual João Paulo II.

 

Os estudantes vão acompanhar, por meio da campanha “Adote um vereador”, o mandato de cada um dos 38 parlamentares da Casa. A atuação será avaliada com base em proposições protocoladas, assiduidade, entrevistas nos gabinetes, informações divulgadas no site da Câmara de Curitiba e notícias veiculadas pela imprensa, dentre outros critérios. Os dados coletados serão publicados em página criada na rede social Facebook, intitulada “Terceirão da cidadania”, e os alunos têm visita agendada ao Legislativo no próximo dia 10.

 

Clique aqui para acessar a página “Terceirão da cidadania”

Erros de adição

 

Por Milton Ferretti Jung

Arrependo-me até hoje do trabalho que dei ao meu pai no tempo de estudante. Incomodei-o – e à minha mãe, por extensão – desde os primeiros momentos da minha carreira estudantil. Do jardim da infância tenho uma vaga lembrança, mas marcante, pelo jeito. E olhem, leitores, que setenta anos, mais ou menos, me separam dessa etapa.

Derrubei numa das mesinhas da escola o café que levara como merenda. E não quis mais saber de voltar, talvez envergonhado pelo que devo ter imaginado ter sido um grande desastre. Não freqüentei mais jardins da infância. Fiz os meus anos iniciais do primário num colégio dirigido por freiras franciscanas. Tive rápida passagem por um público, mas retornei ao das irmãs porque este me pareceu muito bagunçado. Acho que faltavam professores. Daí para a frente, estive em vários educandários: Roque Gonzales, Anchieta, fui internado no São Tiago,em Farroupílha (do qual fugi mais de uma vez) e, finalmente, no Colégio Nossa Senhora do Rosário, onde meus três filhos também acabaram estudando.

Seja lá como tenha sido, em todos os colégios que cursei minha matéria preferida sempre foi o português. Adorava fazer redações. Tinha prazer em lê-las, depois, diante da turma. Os professores, em geral, modéstia à parte, pareciam gostar das minhas leituras. Creio que já começava a me preparar, sem saber, para a carreira que acabei abraçando – a de locutor. Agradavam-me também tanto as lições quanto as provas de história, que permitiam dissertações orais e escritas. E escrever nunca foi meu problema. Em português, história e línguas – inglês,francês e espanhol (menos latim, que apenas os alunos do curso clássico eram obrigados a estudar), eu me dava bem. Nem sequer conseguia acompanhar com atenção as aulas dadas pelos professores dessas matérias. Quase todos os anos ficava em “segunda época” numa delas, especialmente nas provas de matemática. Acho que hoje já não existem exames orais. Nesses, os alunos, eram chamados ao púlpito e tiravam um papelzinho no qual havia um número, que correspondia ao que teriam de responder. Certa vez, um professor ,ao perceber que eu não sabia a questão que sorteara (?), chegou a me pedir que falasse sobre algo de matemática que eu soubesse. O diabo é que eu, não sabia absolutamente nada de matemática.

Pois não é que descubro agora, com espanto – não muito grande,é verdade – que o Ministério de Educação e Cultura, além de haver quebrado a cara com uma publicação polêmica sobre português, que nem convém lembrar, meteu os pés pelas mãos também na área da matemática. Como esta é uma ciência exata e não permite tergiversações de caráter ideológico, não sei que desculpa será usada para a nova gafe. É impossível explicar somas e subtrações, por exemplo, em que 9 menos 2 é igual a 5 e 8 mais 4 é igual a 11.

O festival de besteiras patrocinado pelo MEC provavelmente não derrubará um ministro, como aconteceu com Antônio Palocci. Para que alguém caia, como o da Casa Civil,é necessário mais do que simples erros de adição.

Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

Menos criança, melhor professor e jornalismo de qualidade

Imagem reproduzida do NYT

Provocado pelo secretário municipal de Educação, Alexandre Schneider, fui ler no site do New York Times reportagem sobre o aumento do número de alunos nas salas de aula, em Nova Iorque. O debate que se espalha nos Estados Unidos se reforça com a constatação de que nas classes nova-iorquinas tem de 10 a 60 por cento mais estudantes do que nas cidades vizinhas e isto estaria provocando a saída de algumas famílias que temem a queda na qualidade de ensino.

O prefeito Michael Bloomberg disse que se a escolha é por classes menores ou por melhores professores, ele prefere com os melhores professores. E, assim, o investimento na educação tem sido neste sentido.

Apesar da indignação das famílias, diz o NYT: “As reduções no número de estudantes na sala frequentemente tem pouco efeito na performance dos alunos”.

O debate se desenvolve há décadas e existem alguns consensos como o fato de que o tamanho da classe tem maior influência entre os mais jovens e o efeito é mais profundo quando existem menos de 20 estudantes na sala de aula.

A indicação da reportagem foi motivada pela conversa que tivemos sobre a qualidade da cobertura jornalística em especial na área de educação. Alexandre Schneider entende que, mesmo críticas e necessariamente críticas, as reportagens poderiam se basear em estudos científicos para termos um debate mais qualificado. No que concordo plenamente.

Tenho como exemplo, a discussão do sistema de progressão continuada, apontado como motivo do mau desempenho dos alunos na rede pública de ensino. Todo trabalho realizado até aqui foi incapaz de demonstrar que a forma padrão – “como era no meu tempo”, costumam  dizer alguns pais – com ciclos de apenas um ano seja melhor que a progressão continuada. Comparado, o desempenho de cada um dos sistemas é bastante semelhante. No entanto, se acompanharmos as notícias sobre o tema a tendência é de mostrar a incompetência do formato atual com ciclos de três ou quatro anos.

A revista Carta Capital promoveu esta discussão em uma de suas edições recentes.

De volta ao tema do NYT e de olho no que acontece por aqui.

No ensino infantil e fundamental, na cidade de São Paulo, o número médio de crianças nas salas de aula varia de 30 a 33, de acordo com o estágio de ensino, segundo dados de 1º. de março. Alexandre Schneider justifica que a quantidade de estudantes por classe tem diminuído nos últimos anos, mesmo com o fim do “turno da fome”, turmas que tinham de estudar das 11 da manhã às três da tarde.

Há determinação da Secretaria para limitar a 32 alunos as salas da primeira série e a 35 as demais, porém quem for ao extremo da capital encontrará classes com até 39 crianças. Situação que se complica a medida que ocorre nos locais mais pobres – Capela do Socorro, M’Boi Mirim, Itaim Paulista, e Perus -, onde a estrutura familiar também tende a ser precária.

Que professores mais bem qualificados poderiam superar esta demanda na rede pública de ensino, não tenho dúvida. Aqui ou em Nova Iorque. Aliás, jornalistas mais bem preparados para o debate, também.

Canto da Cátia: Prefeitura não tem prazo para zerar vagas na educação

A decisão da Justiça pedindo a abertura de 619 vagas em creches municipais no bairro da Penha, na zona leste da capital, não será suficiente para a prefeitura atender a reivindicação de mães e pais que moram nesta região da capital paulista. O prefeito Gilberto Kassab (DEM) disse que o esforço da administração municipal tem sido enorme com a criação de cerca de 60 mil vagas em creches e 12 mil vagas em escolas de educação infantil.

A Cátia Toffoletto entrevistou o prefeito durante cerimônia de entrega de uniforme escolar em São Miguel Paulista, também na zona leste, insistiu para que ele falasse sobre prazos para “zerar”  esta carência que tem causado transtorno a famílias que moram na capital, mas Kassab fez o que pode para não se comprometer.

Na campanha eleitoral, ele assumiu o compromisso de que não haveria crianças sem creche até o fim do mandato dele, em 2012.

Ouça a entrevista de Gilberto Kassab (DEM) para a Cátia Toffoletto