Fé e ideologia não serão capazes de conter os efeitos do aquecimento global

 

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Duas pessoas morreram em ônibus soterrado na Niemeyer. Foto: Bárbara Souza/CBN

 

Acordei logo cedo com a voz de uma autoridade carioca no rádio oferecendo aos ouvintes a garantia de que a prefeitura do Rio estava preparada para enfrentar as dificuldades impostas pela tormenta que havia atingido a cidade na noite anterior. Seiscentos homens estavam nas ruas para atender a população, as equipes da noite foram reforçadas por aqueles que estavam encerrando o expediente, alertas foram emitidos com base no monitoramento dos radares do clima e sirenes tocaram em áreas de risco.

 

Suas palavras não eram coerentes, porém, com a descrição que repórteres faziam ao vivo ou com as fotos e vídeos que já circulavam na internet. O lobby de um hotel era comparado a um navio naufragando, o barro ocupava o salão de uma academia de ginástica, um homem era levado pela correnteza ao som de gritos de moradoras que gravavam a cena, ruas e avenidas estavam tomadas pela água e pessoas buscavam proteção de maneira improvisada —- a maior parte contando mais com a sorte do que com qualquer apoio oficial.

 

A impressão era que um furacão havia passado pela cidade e deixado seu rastro por todos os cantos. Os técnicos fizeram questão de esclarecer que os furacões estão no topo de uma escala que vai do grau 0 ao 12 e registram velocidade de 118 quilômetros por hora ou mais. O que aconteceu no Rio foi uma tempestade, que está no grau 10, e se caracteriza por ventos de 89 a 102 quilômetros por hora.

 

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Chuva colocou Rio de Janeiro em estágio de crise. Foto: Reprodução/TV Globo

 

Ao morador do Vidigal e da Rocinha, duas das áreas mais devastadas pela tormenta, tanto faz o nome oficial daquilo que eles assistiram e sofreram ao longo da noite e madrugada. Para eles e para os demais cariocas —- mesmo aqueles protegidos em prédios mais altos ou em suas casas em bairros mais bem estruturados — foi um caos. Um desespero sem fim.

 

O Rio já encontrou seis pessoas mortas desde o início do temporal — duas delas soterradas, quando tentavam voltar para a casa, na avenida Niemeyer. A terra deslizou na carona de uma árvore centenária que despencou morro abaixo até atingir o ônibus onde estavam os dois passageiros e um motorista —- esse conseguiu escapar com vida. Por sorte. Ou por Deus, como até os descrentes costumam dizer.

 

É com a sorte — e talvez com Deus —- que devemos contar enquanto os administradores das nossas cidades não são capazes de investir na mudança estrutural necessária para os novos tempos. Cruzamos os dedos para que no momento da tormenta já tenhamos chegado a um lugar minimamente seguro. E oxalá nossos parentes e amigos mais próximos também tenham conseguido.

 

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Uma pessoa morreu no Vidigal Foto: Marcelo Carnaval/ Agência O Globo

 

Um mínimo de interesse nos estudos do clima nos faria entender que não sobreviveremos por muito tempo enquanto acreditarmos que nosso destino será traçado pelo acaso. Sorte e azar não são elementos a se ponderar quando cientistas comprovam que a temperatura global aumenta a níveis sem precedentes — 16 dos 17 anos mais quentes registrados aconteceram neste século e nos últimos 40 anos, a temperatura media global esteve acima da média do século 20.

A medida que as temperaturas globais aumentam, eventos climáticos extremos se repetem com mais frequência, com mais custo e com mais destruição. Sabe aquelas chuvas que acontecem uma a cada mil anos? Foram registradas seis vezes, em 2016, nos Estados Unidos —- esse mesmo país que é comandado por um presidente que questiona o aquecimento global. Cidades litorâneas —- como o Rio —- estão muito mais expostas agora aos efeitos das marés altas do que estiveram em todos os tempos. Nos últimos 50 anos, aumentaram de 364% para 925% as inundações, nas três costas dos Estados Unidos.

 

As medidas paliativas e as palavras vazias não serão suficientes para conter as tragédias que tendem a se repetir a cada ano. Ambientes urbanos como o da cidade do Rio, que tem uma geografia a desafiar administradores, ou a de São Paulo, com sua extensão territorial inimaginável, não podem se dar ao luxo de esperar mais tempo até iniciarem de forma inteligente e planejada ações que mitiguem os impactos provocados pelo clima.

 

Repensar a forma de ocupação do solo, criar áreas para absorção da águas das chuvas, ampliar a quantidade de árvores para diminuir o efeito das ilhas de calor, deslocar famílias dos pontos de alto risco, reurbanizar favelas, recuperar córregos, riachos e rios, rever os modelos de transporte e reduzir a emissão de carbono são algumas soluções já há muito conhecidas e, por mais complexa que seja a implantação destas medidas, quanto mais tempo demorarmos para atuar piores serão os efeitos sobre a qualidade de vida do cidadão.

 

E para o nosso azar — perdão, uso a expressão apenas por força do hábito —- o que vemos avançar no Brasil, em lugar de politicas públicas que adaptam as cidades para esse novo tempo, é o discurso de políticos negacionistas ambientais. Uma gente cega pela sua fé e ideologia, incapaz de compreender que as evidências científicas são contundentes. Retumbantes. Destruidoras, se levarmos em consideração o que aconteceu no Rio nas últimas horas.

 

A persistirem os sintomas, a análise mais crua e certeira — tanto quanto mal-educada —- que ouvimos foi a de um cidadão carioca, voltando para a casa em meio ao temporal, aparentemente bêbado, que se intrometeu na cobertura ao vivo de uma repórter da Globonews para decretar: —- “Tá todo mundo f….., essa m…. aqui”

Morumbi é atacado por terra, ar e em casa II

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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A pouco de completar um ano do nosso alerta sobre ações e omissões do poder público em relação ao Morumbi, observamos que por terra há indícios de solução. Mas, por ar, os ventos não são favoráveis.

 

Leia o artigo escrito em 30 de março de 2016

 

As faixas exclusivas de ônibus de Haddad devem dar lugar também a automóveis pela administração Doria. Com isso melhoras no trânsito e diminuições de assaltos podem ser previstos.

 

Ainda não há solução para as rotas de aviões modificadas “provisoriamente” há dois anos pela ANAC e DECEA. Da decolagem em direção a Interlagos passaram às residências do Morumbi, Real Parque, Panamby, Portal do Morumbi, Vila Sonia, Caxingui, Rio Pequeno, Butantã, Osasco, etc.

 

A justificativa da manutenção da nova rota pelas controladoras de voo é que há economia de combustível e tempo, dentre outras rarefeitas hipóteses.

 

São, porém, contestadas por um dos líderes da mobilização contrária a esta rota do barulho. O jornalista Wilson Donnini (Grupo 1 de jornais) e empresário ambientalista (Cidade das Abelhas), além de desconsiderar a defesa da nova rota, esclarece:

 

“A REALIDADE, segundo estudos e informações, é que os órgãos ANAC e DECEA são de incumbência do Governo Federal, que tinha o apoio da administração municipal anterior que “eliminou” todas as multas mensais do Aeroporto, pois Congonhas NÃO TEM ALVARÁ DE FUNCIONAMENTO e ainda está tentando novamente trazer os voos internacionais de volta”.

 

Donnini faz questão de ressaltar que não há por parte das entidades dos moradores a intenção de embargar Congonhas. Apenas querem a volta da antiga decolagem.

 

Resta um lembrete a ANAC, DECEA e demais autoridades: a população está consciente da comodidade de Congonhas, mas muito atenta a alongamento de horários e aumento de voos, mormente os internacionais.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras.

 

O direito dos moradores dizerem o que pensam e querem na sua cidade

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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Um projeto de lei que permitia a convocação da opinião dos moradores da cidade de São Paulo no caso de grandes obras de impacto orçamentário, ambiental ou urbanístico, foi vetado pela Prefeitura.

 

De acordo com reportagem, que rendeu manchete de primeira página do Morumbi News, assinada por Diego Gouvêa, os vereadores propuseram o estabelecimento de plebiscito com 2% de assinaturas de moradores da cidade (180 mil), para decidir sobre o mérito das transformações urbanas a serem realizadas.

 

De um ponto de vista participativo e ecologicamente ativo, a Câmara começa a tocar num aspecto essencial, ao propiciar a intromissão de moradores na caixa preta das grandes obras.

 

A Prefeitura reagiu: com o argumento de que a maioria das modificações ocorre numa única subprefeitura, vetou o projeto e replicou com uma proposta de intervenção local para moradores locais. Com a exigência mínima da participação de 4%, desde que a mudança afete apenas a região em que habitam.

 

Haddad complementa sua contraproposta colocando que no segundo mês de mandato o Prefeito apresente o Plano de Metas e o Plano de Obras Públicas para, em até 120 dias, os moradores (2%) especificarem suas posições de exclusão ou inclusão de obras.

 

O Prefeito ao vetar restrições gerais e dar participações regionais de qualquer forma dá uma boa contribuição quando foca o plebiscito local.

 

É evidente que o melhor para a cidade é que os Projetos, da Câmara e da Prefeitura, se somem. Se ambos forem implantados, estarão recebendo contribuições dos moradores e a favor dos moradores. Como sabemos, quem mora tende a preservar o seu meio ambiente.E parte deles estará sempre atento às ameaças.

 

Por exemplo, na segunda feira, Giba Jr. apresentou, na Folha, a luta que moradores da Cidade Jardim estão travando contra um edifício já pronto, de apartamentos que chegam a R$ 16 milhões. Ao lado das irregularidades oriundas da Operação Urbana Água Espraiada, apontadas pela Promotoria, há o desejo de preservação dos moradores locais que pretendem manter a privacidade de suas casas a serem devassadas pelo edifício e o sossego prestes a ser perdido.

 

Eis aí um tema e tanto para os candidatos a Prefeito.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras.

Vêm aí mais 14.500 anúncios para sujar o Programa “Cidade Limpa”

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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foto de Maro Aurelio Nogueira no Flickr de Mílton Jung

 

As bancas de jornal, desde sua regulamentação ocorrida nos anos 1940 pela ditadura Vargas, quando se preservou os direitos dos imigrantes e pioneiros italianos e se garantiu a participação aos brasileiros idosos e menores, vem desfrutando a atenção que a sua importância tem requerido.

 

O italiano Carmine Labanca criador da primeira banca e inspirador da denominação banca ao formato do novo comércio e o prefeito Jânio Quadros que regulamentou a formatação hoje existente, fazem parte desta história, que hoje se encontra num processo de mudança devido às novas tecnologias.

 

É exatamente em cima deste negócio de venda de jornais e revistas que o Prefeito de São Paulo escolheu para propor a desfiguração da lei da “CIDADE LIMPA”.

 

Fernando Haddad tinha vetado, em 2014, o projeto do vereador José Américo Dias PT que propunha autorizar a propaganda nas bancas para compensar a queda nas vendas de jornais e revistas. Haddad alegou então o privilégio a uma categoria profissional.

 

José Américo, nomeado secretário municipal por Haddad, apresentou em maio o Projeto de Lei do Executivo (236/2016) chamado de “Banca SP”, que autoriza as bancas a venderem propaganda e sem licitação.

 

Com 4.500 bancas e três faces liberadas, teremos 14.000 anúncios, número bem superior aos 4.000 autorizados em pontos de ônibus e relógios, que por serem concessões obrigam a licitação.

 

Em breve, o Projeto estará em plenário em última fase de votação, tocado a extrema velocidade, que permite deduzir o interesse em usá-lo para as próximas eleições. Como vantagem competitiva e pecuniária.

 

Regina Monteiro, a “arquiteta” da lei da “CIDADE LIMPA”, consultada a respeito pelo Blog do Mílton Jung, nos disse que se for para mudar a ocupação destes espaços cedidos como permissão de uso que seja para cafés com flores e jamais como “mini-shoppings” como estão se transformando as bancas. E, muito menos sujando a “CIDADE LIMPA” com propaganda.

 

Regina aproveitou a oportunidade e transmitiu um apelo aos qualificados leitores e ouvintes de Mílton Jung: participem do movimento contra esta nova lei, comparecendo às chamadas na Câmara Municipal ou fazendo presença em comentários na mídia social, inclusive pelo Facebook onde tem se manifestado.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras.

Moradores de Bento Rodrigues querem garantir o direito à vizinhança

 

Fotos produzidas pelo Senado

Bento Rodrigues destruida pela negligência Foto: RogérioAlves/TV Senado

 

Bento Rodrigues já havia completado 317 anos quando a negligência de uma empresa que explora a região causou o maior desastre ambiental do mundo envolvendo barragens de rejeitos. Apesar dos mais de três séculos de vida, o subdistrito de Mariana com cerca de 600 moradores somente foi apresentado para a maioria dos brasileiros após a Samarco despejar toneladas e mais toneladas de lama sobre casas e pessoas.

 

A Tragédia de Mariana foi em cinco de novembro de 2015 e mesmo com o passar do tempo a empresa não só é incapaz de impedir que a lama siga escorrendo como também não tem demonstrado competência para solucionar o drama das famílias.

 

Hoje cedo, na programação da CBN, ouvi mais uma reportagem com os moradores do antigo Bento. Gente de voz humilde que teve sua história atolada no descaso da Samarco e agora tenta a reconstrução da sua vida.

 

Um dos habitantes pedia que a empresa respeitasse a arquitetura do povoado e reconstituísse o ambiente em que viviam, mantendo a mesma divisão territorial.

 

O que os moradores pedem é que a casa do Zé seja construída ao lado da casa do Pedro e esta construída ao lado da casa do João, como era no Velho Bento. Que a venda da Maria esteja no quarteirão seguinte e a Igreja um pouco mais à frente. Os vizinhos querem continuar vizinhos, não perder seus laços. Querem o direito de poder sentar na calçada e receber os parentes que moravam em frente, como sempre foi.

 

Desde o início desta tragédia, a Samarco, assim como a Vale e a BHP, que são as donas da empresa enlameada, têm revelado incompetência para gerenciar a crise. Erraram no trabalho de preservação, erraram na contenção, erraram na comunicação, erraram no atendimento dos cidadãos e parece que vão continuar errando.

 

Ao acompanhar a reportagem que foi ao ar na CBN, fiquei imaginando a oportunidade que a empresa e seus controladores estão desperdiçando. Já que causaram este drama humano e ambiental, deveriam ser corajosos e criativos na oferta de solução.

 

Respeitando o espaço de cada família e mantendo o mesmo desenho urbano, poderiam investir nas mais avançadas tecnologias ambientais, transformando o Novo Bento em um exemplo para o mundo.

 

Começariam pela escolha do material de construção, privilegiando os de baixo impacto ao meio ambiente.

 

No meu cenário ideal, as casas teriam telhados cobertos por placas fotovoltaicas e produziriam a própria energia. Todos os dejetos e resíduos orgânicos seriam coletados por tubulação e transferidos para uma usina que transformaria este material em biogás para uso residencial. Resíduos sólidos seriam reciclados. E a água, reaproveitada.

 

Diante do custo mais elevado desta reconstrução, a Samarco poderia mobilizar empresas que desenvolvem esses sistemas e equipamentos, que fariam de Bento Rodrigues vitrine dessa tecnologia verde.

 

Um delírio da minha parte, sem dúvida, pois a empresa não estaria cumprindo sequer o mínimo que se comprometeu como contratar mão de obra local para execução dos serviços de manutenção e reconstrução de áreas atingidas, como reclamou dia desses o prefeito de Mariana, Duarte Eustáquio Gonçalves Junior.

 

Que ao menos devolva o direito à vizinhança para o Seu Zé, o Seu Pedro e o Seu João de Bento.

Operação urbana pode ressuscitar a bacia do Tamanduateí

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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Rio Tamanduateí reassume espaço da Av do Estado, foto de Pétria Chaves/Flickr

 

O prefeito de São Paulo Fernando Haddad apresentou à Câmara Municipal a Operação Urbana Consorciada Bairros do Tamanduateí.

 

É um projeto pretencioso, que abrangerá a região formada pelo Cambuci, Ipiranga, Mooca, Vila Carioca e Vila Prudente.

 

Dentre os objetivos deste Plano está o adensamento urbano na extensa área que o delimita, aproveitando os espaços existentes, e a utilização das construções históricas, transformando-as em edificações públicas.O critério de ocupação buscará harmonizar os locais de habitação, trabalho e lazer.

 

Há severas críticas de especialistas ao Projeto, que apontam benefícios exclusivos à indústria da construção civil, e da Prefeitura, que pretende arrecadar R$ 6 bilhões, ou de populistas que temem a elitização da área.

 

A verdade é que o melhor resultado poderá vir da recuperação da bacia do rio Tamanduateí. Será a retomada da origem da cidade, quando era cortada por rios e riachos.

 

Mais precisamente, em 25 de janeiro de 1554, os jesuítas Manoel da Nóbrega e José de Anchieta, auxiliado por João Ramalho, e com a aprovação de seu sogro, o cacique Tibiriçá, ergueram um barracão de taipa na colina localizada entre os rios Tietê, Anhangabaú, e Tamanduateí. Nasceu então a cidade de São Paulo, com total vocação e devoção aos rios. Condições que, como todos sabem seus dirigentes não conseguiram manter.

 

E hoje é difícil imaginar que a base da alimentação dos paulistanos vinha dos peixes destes rios. Ao mesmo tempo é fácil entender as causas das atuais e persistentes enchentes. Afinal, mataram todos os rios e até enterram alguns deles. Como o rio Tamanduateí, morto e enterrado, ou o histórico Riacho do Ipiranga, totalmente desaparecido. Ambos poderão ressuscitar em breve, se os vereadores, os empresários da construção civil e os populistas apoiarem esta Operação Urbana do Tamanduateí, surpreendente, inovadora e favorável ao meio ambiente paulistano.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras.

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Ruído: a solução está na educação (e no mapeamento sonoro da cidade)

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

 

Em 27 de abril, será comemorado o Dia Internacional de Conscientização sobre o Ruído, propondo a educação como solução à poluição. Nessa data, após os 60 segundos de silêncio comemorativo, os candidatos às eleições municipais poderiam fazer barulho simbólico empunhando a bandeira contra a poluição sonora, considerada mundialmente como um problema de saúde pública.

 

O combate à poluição sonora  poderá ajudar numa plataforma ambientalista, aqui em São Paulo.

 

É bem verdade, que o PV – Partido Verde e o candidato Andrea Matarazzo estão mais próximos do tema. O PV pelo conceito partidário. Já Andrea Matarazzo é o autor do PL 075/ 2013 que cria o Mapeamento Sonoro da cidade de São Paulo.

 

O Mapeamento depois da primeira aprovação em plenário segue para a segunda votação. Se passar na Câmara de Vereadores, vai à sanção do prefeito Fernando Haddad. Será importante porque poderá remediar em parte as prerrogativas dadas aos comerciantes e demais agentes de ruídos dentro da nova Lei do Zoneamento.
É bom lembrar que o novo Zoneamento diminuiu as multas aos causadores de ruídos e aumentou os decibéis permitidos. Nesse PL do Mapeamento tal permissividade será corrigida. As fontes emissoras de ruídos em cada bairro serão identificadas e serão estabelecidas Zonas de Tranquilidade.

 

Matarazzo, em entrevista à Pró Acústica News, da Associação Brasileira para a Qualidade Acústica, ressaltou que:

 

“São áreas que devem ser protegidas e, por meio de um mapeamento, será possível identificar esses tipos de zonas que atualmente possuem um nível muito alto de ruído e, portanto, necessitam da intervenção do poder público para se readequarem”.

 

O Mapeamento resolverá também a atual questão da fiscalização, pois o PSIU não atende domicílios. Com a regulamentação será determinada a entidade que irá cobrir a questão da poluição sonora para cada necessidade.

 

Enquanto esperamos pelo Mapeamento, a graça está no PSIU, que, segundo matéria na Veja SP, atendeu 2.710 casos em 2015 e até março está com 4.457. Quantidade irrisória, mas grande crescimento. Já a gracinha veio de seu diretor, que justificou a redução do valor das multas: “não queremos uma indústria de multas”. Ah, tá!

 

PS: A Bracustica desenvolveu estudo de mapeamento de ruído urbano mostrando o impacto acústico nas proximidades do Minhocão que permite avaliar os níveis de ruído que suportam as fachadas dos prédios do seu entorno. O resultado deste estudo você assiste no vídeo disponível neste post.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Milton Jung, às quartas-feiras.

Morumbi é atacado por terra, ar e em casa

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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Em 1948, o engenheiro Oscar Americano iniciou loteamento com grandes espaços compostos de ruas sinuosas, destinados à ocupação urbana de alta qualidade. O local descendia da Fazenda Morumby, propriedade do inglês John Rudge, onde introduziu a primeira plantação de chá da Índia em território brasileiro.

 

Não demorou muito para que os cuidados de Oscar Americano, tais como a arborização oriunda da Mata Atlântica, a restauração da Casa Grande da Fazenda e Capela pelo arquiteto Gregori Warchavchik, fossem correspondidos. Várias residências de alto padrão começaram a ser instaladas, como a Casa de Vidro de Lina Bo Bardi. Um marco arquitetônico de São Paulo.

 

O distrito do Morumby, com 32 mil habitantes em 11 km2,  IDH invejável de 0,938 e renda mensal de R$ 5mil, é hoje composto por um conjunto representativo de logradouros e edificações. Por exemplo: Praça Vinícius de Morais, Parque Alfredo Volpi, Hipódromo Cidade Jardim, Estádio do Morumbi, Clube Paineiras do Morumby, Hospital Albert Einstein, Hospital São Luiz, Colégio Santo Américo, Colégio Porto Seguro, Colégio Miguel de Cervantes, Palácio dos Bandeirantes, etc.

 

Da trajetória de 78 anos, ressalta-se a força da iniciativa privada na região, ao mesmo tempo em que o poder público faltou ao permitir a ocupação desordenada por oportunismo político e demagogia, sendo formadas comunidades sem as mínimas condições habitacionais.

 

E justamente agora assistimos à Prefeitura, logo após impingir uma Lei de Zoneamento que afronta a qualidade de vida original do bairro, implantar faixa de ônibus inconsequente.

 

Enquanto se espremem em uma faixa única de veículos, os moradores veem a Avenida Giovanni Gronchi com espaço reservado a ônibus, porém sem aumento da frota, o que restringe a migração do carro para o sistema de transporte público. É mais do que surreal. É ameaçador. Os carros parados criam oportunidade a assaltos. Os veículos que desviam por ruas secundárias buscando alternativas ao congestionamento passam a circular em áreas antes não acessadas. Essas regiões adquirem visibilidade e suas casas entram no rol dos assaltantes – como já  se percebe nas notícias do cotidiano do bairro. Sem contar o impacto ambiental gerado no seu interior.

 

De outro lado, mudanças de rotas de aviões estão poluindo a região com voos fora do horário, pousos e decolagens em baixa altitude; e aumento de rotas e voos.  A SOS Cantareira, a Associação dos Moradores do Jardim Guedala e o CONSEG Morumbi, com o apoio do Morumbi News, estão se reunindo com o DECEA Departamento de Controle do Espaço Aéreo para estudar o assunto.

 

O Morumbi vai precisar mais do que nunca da qualidade de seus moradores, para enfrentar estes ataques. Articulações já começaram. Que seja em boa hora.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Milton Jung, às quartas-feiras.

Os ruídos da Lei de Zoneamento em São Paulo

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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A lei de zoneamento, aprovada pela Câmara Municipal de São Paulo, que vai agora para a sanção do prefeito Fernando Haddad,  contempla claramente os desejos de comerciantes e construtores. O texto legaliza o que está consumado e amplia a penetração de ocupação não residencial dentro dos 4% das áreas preservadas do município de São Paulo. E, para demonstrar que o espírito é esse mesmo, foram apresentadas emendas para liberar áreas específicas para duas empresas: a Fonte Cristalina, no Jardim Petrópolis, a pedido do vereador Jair Tatto (PT), e uma construtora, proprietária de terreno na Rua Fidalga, por solicitação do vereador Dalton Silvano (DEM).

 

O ponto mais elucidativo desta nova Lei , quanto às intenções da qualidade de vida, surge na questão dos ruídos urbanos. O silêncio, tão valorizado nas sociedades desenvolvidas, é esquecido entre nós, pois o único controle existente, o PSIU, não atende a moradores e não é atuante. Por isso esperávamos que houvesse uma legislação a contento para o controle do barulho urbano, principalmente aquele decorrente de atividades comerciais como baladas, shows, lançamento de produtos e festas em locais improvisados, notadamente em áreas exclusivamente residenciais.

 

Essa expectativa estava sintonizada com o momento internacional, pois a humanidade trava a batalha mundial para baixar os índices de poluição. Eis que o Zoneamento proposto aumenta a tolerância aos ruídos. Específicos 45 decibéis para 50. Uma pequena derrota diante da redução da multa que terá seu teto de 40 mil reduzidos para oito mil reais.

 

Antes que os barulhos, real e metáforico, se propaguem, outro barulho será iniciado por algumas entidades de bairro e pelos vereadores Gilberto Natalini (PV), Ricardo Young (PPS) e Andrea Matarazzo (PSDB), através de ações judiciais.

 

As 232 emendas surgidas na quarta-feira que antecedeu a votação, o que impediu qualquer análise, e a equiparação de benefícios apenas aos bairros do Pacaembu, Lapa e Jardins, serão certamente argumentos lícitos.

 

Não podemos posar de surdos, quando os ruídos começam a incomodar.

 

E como as eleições estão aí, vale lembrar o nome dos vereadores que votaram contra a lei de zoneamento e a favor da cidade:

 

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ANDREA MATARAZZO PSDB
AURELIO NOMURA PSDB
MARIO COVAS NETO PSDB
NATALINI PV
PATRICIA BEZERRA PSDB
RICARDO YOUNG PPS
TONINHO VESPOLI PSOL

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung.

SP Zoneamento: lei será votada na quinta-feira

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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À véspera da votação da Lei de Zoneamento, surgiram 188 emendas. Onde se identifica algumas proposições que desvirtuam o mérito, enquanto outras se aprofundam na permissibilidade à preservação ambiental da cidade de São Paulo.

 

Vamos a elas.

 

1. Autorização específica do aumento do ruído urbano de 45 decibéis para 50 decibéis.

 

2. Diminuição do valor da multa do PSIU aos infratores. O valor máximo de R$ 38 800,00 passará parar R$ 8 000,00.

 

3. Manutenção de usos impactantes nas ZCor (zona corredor).

 

4. Aumento do gabarito construtivo que já tinha aumento de oito para 14 andares, extrapolado para 16 andares.

 

5. Retirada de 3,2 milhões de metros quadrados de áreas marcadas como zonas de proteção ambiental.

 

6. Liberação à construção civil de 1,4 milhão de metros quadrados de áreas de proteção aos mananciais.

 

7. Permissão para edificação de imóveis de cinco andares nas ZCor residenciais.

 

Todas estas medidas oferecidas à cidade se juntam aquelas específicas para as ZERs (zona estritamente residencial), liberando atividades comerciais em suas áreas até então preservadas.

 

Não bastasse isso, uma manobra política permitiu que a votação fosse feita com um quórum mínimo de 33 vereadores. Quando o normal para uma Câmara de 55 membros, é o quórum mínimo de 37 vereadores.

 

Suspeita-se que 33 é a quantidade de votos que Haddad tem para aprovar o Projeto.

 

Ontem, na Câmara Municipal de São Paulo os vereadores decidiram que a votação deste Projeto de revisão da Lei de Uso e Ocupação do Solo, será realizada amanhã, quinta-feira, 25.

 

Se este Zoneamento for aprovado, “SÃO PAULO NÃO PODE PARAR” de tanto orgulho em um passado recente, terá que adotar o “SÃO PAULO NÃO PODE RETROCEDER”.

 

NON DUCOR DUCO, a luta continua.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung.