Avalanche Tricolor: agora é Libertadores!

 

Grêmio 0x2 São José
Gaúcho – Arena Grêmio

 

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Luan é um dos destaques do elenco OTO: LUCAS UEBEL/GREMIO FBPA, no Flickr

 

Malas prontas. Bilhete na mão. Passaporte no bolso.

 

Nesse sábado, o Grêmio embarca para o México, primeira parada desta longa jornada até o topo da América. Caminhada das mais difíceis que já enfrentamos em todos estes últimos anos.

 

De um lado, adversários nas alturas e competitivos. Desde o ano passado, leio que fazemos parte do Grupo da Morte, o que deve ser motivo de preocupação e muita atenção, sem dúvida. Sem jamais esquecer, porém, de que consagrados como Imortal somente nós.

 

De outro, temos um grupo de jogadores jovens, alguns despontando como craques e outros com talento em formação. Muitos em busca da consagração. E todos sob a batuta de uma das maiores revelações do comando técnico do futebol brasileiro: Roger.

 

Como se não bastasse a manutenção do grupo que surpreendeu os adversários e críticos brasileiros no ano passado, ainda ganhamos adesões importantes, nesta temporada: Henrique Almeida, que estreou hoje, e Miller (ex-Bolaños), que começará em breve – o mais breve possível. Ambos chegam não apenas para reforçar o ataque. Vestirão a camisa tricolor para fortalecer a artilharia.

 

Se sentimos falta de alguma coisa nesta ascensão que se iniciou com a chegada de Roger, é daquele jogador que gostamos de chamar de matador, daquele tipo que está predestinado ao chute fatal, mesmo que a bola desvie no zagueiro, esbarre no travessão ou esteja diante de um goleiro considerado intransponível.

 

A partida do início da noite desta sexta-feira nos mostrou isso com clareza. Tivemos velocidade no passe e pressão sobre o adversário em parte do jogo. Boas oportunidades apareceram, especialmente no primeiro tempo. Chegamos muitas vezes na cara do gol. Faltou-nos, no entanto, o cara capaz de superar-se, mesmo quando os fatos em campo não conspiram a nosso favor.

 

Na Libertadores, não nos faltará.

 

Os matadores chegaram. O time está mais maduro do que na temporada passada. E Roger saberá como poucos tirar proveito da derrota desta noite para chamar a atenção da equipe de que se pretendemos conquistar a América temos de ser resilientes diante da adversidade e perseverantes na superação de nossos próprios limites.

 

Que venha a Libertadores!

Avalanche Tricolor: Haja paciência !

 

América (MG) 2 x 2 Grêmio
Brasileiro – Sete Lagoas (MG)

Tem certas coisas que vou te contar, viu! Haja paciência. Você fica ali na torcida. Cheio de esperança de que algo vai acontecer. Acreditando, porque nós sempre acreditamos. E acreditando contra os próprios fatos, pois você percebe o esforço para que dê errado. Nem é um esforço proposital. O defensor dá o chutão, o volante corre atrás, o meio de campo tenta trocar passe e o ataque forja alguns lances de perigo – desta vez, até fez dois gols. O goleiro esbraveja com os marcadores, o capitão com o time. O técnico mexe daqui, olha para o banco, remexe, olha de novo, sabe que tem pouco a mudar e muda mesmo assim. Ele está ali para isso. Mas está na cara de que o gol deles vai sair a qualquer momento.

De repente, a frustração. Mau resultado. Dois pontos a menos. Contra um time que tinha um a menos. E assim mesmo você insiste. Não desiste. No fim de todos os jogos, abre a tabela de classificação. Vê o resultado dos adversários e  vê os próximos adversários. Disputa um campeonato de faz-de-conta. E faz muitas contas. Se aquele perder ali, outro empatar aqui, ninguém for muito a frente e a gente ganhar depois. Por que não? Se não deu certo agora, quem sabe fim de semana que vem. Lá vamos nós outra vez pra frente da televisão, torcer, sofrer, acreditar. Nós sempre acreditamos. Mas haja paciência!

Couvert: não precisa de lei para o bom senso

 

Desde que noticiei pela primeira vez – e não foi diferente ao anunciar que entrava em vigor, semana passada – tive restrições com a Lei do Couvert, que vale para todo o Estado de São Paulo, e proíbe que o garçom ponha sobre a mesa aquelas comidinhas que costumamos beliscar antes da refeição, sem pedir licença. No sábado, fui a uma das lojas do América, restaurante que meus meninos curtem e minha mulher tem horror. Eles gostam dos sanduíches, apesar de há algum tempo preferirem as saladas. Ela odeie o que chama sabor de plástico dos pratos disponíveis no cardápio. Como o trabalho a tirou do nosso convívio no fim de semana aproveitamos para ir até lá. Não tenho nada contra a comida da casa, tendo a não me estrepar pedindo sempre salada ou salmão. A única coisa que me incomodava era ser abordado corriqueiramente com cestas de petiscos sem que eu tivesse pedido. Depois que descobrimos que aceitar o couvert para os três era mais caro e menos saboroso do que pedir um prato de batatas fritas de entrada, todas as vezes que as cestas ameaçavam aterrissar na mesa emitíamos uma ordem para arremeter, o ‘piloto’ não gostava muito, mas não tinha opção. Mesmo que o gesto se repetisse todas as visitas ao América, confesso que não me sentia à vontade, tinha um certo constrangimento para abortar o pouso. Neste sábado, o rapaz que nos atendeu, chegou rápido, com as cestas sobre a bandeja, mas antes de descarregá-las pediu autorização, automaticamente negada. Lembrei que a Lei do Couvert estava em vigor e o restaurante apenas cumpria uma exigência. Antes de comemorar a regra que deve ter custado alguns trocados públicos, pois teve de ser apresentado na Assembleia, exigiu audiências, debates em plenário, duas votações, burocracias legais até ser sancionada e publicada no Diário Oficial, pensei cá com minhas batatinhas fritas se este e os demais restaurantes paulistas não teriam resolvido isso se, simplesmente, aplicassem a velha e boa lei do bom senso.

Avalanche Tricolor: …

Grêmio 1 x 1 América (MG)
Brasileiro – Olímpico Monumental

Há momentos de falar, há momentos de calar. Este é um deles.

É legítimo vibrar com os carrinhos – é o esporte bretão em sua essência, diz o blogueiro do Tributo ao Carrinho. É significativo quando negamos um gol de calcanhar pois curtimos muito mais que tenha sido resultado de um coice como o de Miralles. O chutão é bem-vindo, mas apenas para despachar o atacante inimigo, nunca para justificar uma tentativa de gol. O mau futebol é compreensivel. Ou aceitável. Desde que acompanhado do sangue azul que queremos ver correndo na veia de cada um de nossos jogadores. Em alguns até é possível fazer este diagnóstico, é visível o desespero na jogada perdida, no esforço frustrado. Mas não parece ser suficiente para nos convencer.

Mas nós bem que merecemos um pouco mais. E, por isso, prefiro calar na certeza de que a Avalanche Tricolor ainda virá.

A década eleitoral

 

Por Antonio Augusto Mayer dos Santos

Brasil –

O Brasil realizou seis eleições nos últimos 10 anos. O custo operacional do voto, pago pelo contribuinte através de deus impostos, oscilou de R$ 4,91 (2000) a R$ 3,58 (2010). Em meados de 1997, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e a Associação de Juízes para a Democracia obtiveram mais de um milhão de assinaturas para que um projeto fosse apresentado ao Congresso Nacional.

A ideia era “fechar o cerco” contra os candidatos que negociavam votos ou até enganavam eleitores para vencer as eleições que disputavam. A legislação eleitoral não punia a disseminada “compra de votos” e, com dificuldade, reprimia o abuso de poder. Surgiu, então, o art. 41-A da Lei das Eleições, punindo com a perda do registro (ou do diploma) e multa de até R$ 53,2 mil, os candidatos que comprarem votos, e cassação e também a aplicação de multa, até R$ 106,4 mil, para aqueles que usassem a “máquina pública” nas campanhas.

Segundo o Tribunal Superior Eleitoral – erros judiciários e excessos de julgamento à parte –, 667 prefeitos, vices e vereadores foram cassados pela Justiça Eleitoral, até maio de 2009, com base na lei de iniciativa popular 9.840/99. Eles perderam seus mandatos em função da aplicação desses dois novos dispositivos da Lei Eleitoral. Apenas em 2008, segundo relatório do movimento, foram 238 prefeitos cassados. Entre 2007 e 2008, centenas de Vereadores foram cassados pela Justiça Eleitoral por haverem trocado de partido.

A regra da infidelidade partidária também cassou o Governador do Distrito Federal. Entre 2008 e 2009, três Governadores de Estado foram cassados e afastados pelo TSE de seus cargos. Com o advento da discutível Lei da “Ficha Limpa”, em 2010, dezenas de candidatos a vários cargos eletivos tiveram seus registros indeferidos. Outros concorreram, venceram mas “não levaram”. É dizer: foram votados mas não serão diplomados nem empossados.

Nesta década que finda, Lula exerceu dois mandatos presidenciais (2002-2010), Fernando Collor foi eleito Senador por Alagoas (2006) e Itamar Franco por Minas Gerais (2010). Houve uma redução das cadeiras nas Câmaras Municipais (2004). O país votou no referendo das armas e Dilma Roussef foi eleita a primeira Presidente do Brasil. Tiririca é o novel fenômeno eleitoral, após Enéas.

América –

Numa eleição discutível e até hoje revestida de suspeita, George W. Bush se reelegeu Presidente dos Estados Unidos em 2001. Perdeu nas urnas mas venceu no Colégio Eleitoral. Em janeiro de 2006, a médica Michelle Bachelet se elegeu presidente do Chile, a primeira do seu país. Entre 2000 e 2010, a Argentina teve sete Presidentes da República. Apenas Fernando de la Rúa, Eduardo Duhalde, Néstor e Cristina Kirchner foram eleitos pelo voto direito. Hugo Chavez preside a Venezuela a mais de uma década. Sua primeira eleição fora em 1999. No pleito do dia 4 de novembro de 2008, Barack Obama foi eleito o 44º Presidente dos Estados Unidos, o primeiro negro, vencendo seu adversário, John McCain, por uma diferença de 52% a 47% no total de votos.

Mundo –

Angela Merkel, uma ex-alemã oriental, é a Chanceler da Alemanha desde a eleição de 2005. Em 2009, após se reeleger, foi considerada pela revista Forbes como a mulher mais poderosa do mundo. Na Itália, sob acusações de corrupção e ligações com a Màfia, Silvio Berlusconi exerce o cargo de Primeiro Ministro pela segunda vez nesta década. Antes de se tornar presidente da França, eleito em 2007, Nicolas Sarkozy foi líder partidário e chefiou meia dezena de Ministérios. As eleições e a cidadania na China não avançaram nesta década. Qualquer cidadão pode perder o direito de votar caso seja acusado – basta ser investigado – de “ameaçar a segurança nacional”.

Antônio Augusto Mayer dos Santos é advogado especialista em direito eleitoral, professor e autor do livro “Reforma Política – inércia e controvérsias” (Editora Age); e escreve no Blog do Mílton Jung.