Budweiser ativa Spider e detona Morumbi

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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A madrugada de sábado certamente foi inesquecível aos moradores do Morumbi. Ao menos para aqueles que moram nas cercanias do Palácio dos Bandeirantes e da Casa da Fazenda. Vizinhos da Capela do Morumbi e da Casa de Vidro de Lina Bo Bardi.

 

O fato é que a vitória de Anderson Silva não trará saudades para quem vive no entorno daquilo que a Budweiser chamou de BUDWEISER MANSION. Pelo incômodo e pelo desprezo com o bairro e com a cidade, que nem com 461 anos se faz respeitar. Não só por alguns habitantes, mas também pela Prefeitura.

 

A Avenida Morumbi 5429 onde está situada uma residência de alto padrão foi transformada em casa de show para exibição de DJs. Sem nenhuma característica e condição para receber um espetáculo que requer cuidados específicos. É inacreditável, que enquanto uma casa de show construída para tal tem que cumprir rigorosamente todos os pré-requisitos técnicos, legais e ambientais, de repente se crie em região de área preservada dentro de um imóvel feito para moradia, um espetáculo promocional e comercial com venda de ingressos ao público em geral.

 

Às vésperas da votação final da lei de zoneamento, a Avenida Morumbi está prestes a perder seu atual status. Deverá se transformar em corredor comercial de zona de preservação em toda a sua extensão. Mas, nem nesta condição futura, o evento da BUD MANSION seria possível se tivéssemos uma Prefeitura com orientação de sustentabilidade.

 

Caberia mais à Budweiser esta preocupação, embora pelas declarações de Diana Maranhão, gerente de marketing da marca, esta faceta nem passa pelo seu departamento.

 

Resta alertar ao consumidor que pode ser um dia morador. Que é quem, no balanço final, se prejudica. Paga a conta, mas não é levado em conta.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Milton Jung, às quartas-feiras.

MMA é arte marcial?

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

 

Diante da cena como a de Las Vegas no domingo quando um chute de Anderson Silva acertou o fêmur de Chris Weidman e gerou a impressionante imagem da perna quebrada de Silva, se intensificou o questionamento do MMA Mixed Martial Arts como esporte. Originário da antiguidade, primeiro na Grécia, como antigo combate olímpico chamado de Pankration, depois em Roma, evoluiu mais tarde como a luta Greco-Romana. Entretanto sua base veio com a família Gracie com a Luta Livre ou ValeTudo, no ano de 1920. Porém, somente em 1993 os Gracie levaram o Vale Tudo aos Estados Unidos, onde se criou o UFC Ultimate Fighting Champhionship, entidade com a função de conduzir o MMA que seria a fusão do boxe, do karatê e do judô, preconizada por Bruce Lee no início dos anos 70, antevendo a excelência do lutador que usasse as técnicas conjuntamente. Na verdade o Jiu Jitsu de Carlos Gracie e Helio Gracie, e as técnicas marciais japonesas resultaram no MMA, que em 2005 teve o reconhecimento da US Army.

 

Como se pode observar o Brasil, país do futebol, é também o país do MMA e de esportes marciais. Fato comprovado pelos antecedentes e pela audiência. A luta fatídica de Las Vegas, transmitida de madrugada e com atraso, teve 15 pontos de média e 65% de participação nas TVs ligadas. Uma performance de novela, pois as novelas “Jóia Rara” e “Além do Horizonte” marcaram 16 pontos.

 

Ainda assim, estão surgindo pressões em cima do fato do MMA. Basicamente alegando que a justificativa de arte marcial não se sustenta, pois não há o embasamento central, que é o equilíbrio de corpo, mente e alma. Seria, portanto uma técnica de treinamento, objetivando apenas a derrubada do adversário, ao mesmo tempo em que as regras visam o espetáculo.

 

Ontem, José Mentor deputado federal PT SP se manifestou sobre o seu projeto de proibição para transmissão por TV aberta e fechada de lutas do MMA, alegando a falta de filosofia e o objetivo exclusivo de agressão. Alguns jornalistas também apresentaram argumentos negando o espírito esportivo da modalidade e ressaltando o objetivo agressivo da luta.

 

Diante do aspecto cultural nacional e principalmente do objetivo especifico do MMA, que é o resultado financeiro, acho difícil mudar alguma coisa neste momento. Silva embolsou US$ 600 mil e Weidman US$ 400 mil, enquanto as TVs e patrocinadores lucraram com a audiência. Pessoalmente prefiro ver Sharapova contra Ivanovici. Sem filosofia mas com anatomia.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Milton Jung, às quartas-feiras.