Imóveis de luxo com assinaturas de grife passam longe da crise no Brasil

 

Por Ricardo Ojeda Marins

 

130632951562721247_1605x720-perspectiva-ilustrada-do-acesso

 

Apesar da crise que o Brasil atravessa, o mercado de bens e produtos de luxo parece mesmo estar, até o momento, imune a esse cenário negativo. No segmento de imóveis de altíssimo padrão podemos notar não apenas a criação de novos empreendimentos, mas, principalmente, opções inovadoras e associadas a designers famosos e prestigiosos.

 

A Cyrela, uma das gigantes do setor, é prova disso. Apesar de seu último balanço geral ter tido uma queda de R$ 6,6 bilhões para R$ 5,8 bilhões, de 2013 para 2014, a parte referente aos imóveis de alto padrão mantiveram-se estáveis, o que levou a incorporadora a investir mais em empreendimentos de luxo.

 

Quando pensamos em imóveis de luxo, certamente nos vêm em mente atributos como espaço, requinte, sofisticação e localização privilegiada Porém, o consumidor AAA tem se apresentado com exigências mais apuradas e em busca do exclusivo, inusitado, ligado ao prestígio de um criador, por exemplo. Afinal, quantos de nós não adoraria morar em um apartamento projetado por designers da Ferrari?

 

Os imóveis com assinaturas renomadas são uma tendência no segmento, como a recém parceria da Cyrela com a Pininfarina, estúdio italiano de design que participa de projetos de marcas como Ferrari e Maserati, que já criou projetos residenciais de luxo em destinos como Miami e Cingapura. O empreendimento, chamado Cyrela by Pininfarina, fica na Vila Olímpia, em São Paulo, tem 92 apartamentos de 46 a 50 metros quadrados, preço por volta de R$ 1,2 milhão, com o metro quadrado em torno de R$ 26,5 mil e R$ 31 mil e previsão de entrega até o segundo semestre de 2017.

 

130632950543565932_1605x720-perspectiva-ilustrada-da-piscina

 

As linhas laterais do Cyrela by Pininfarina tiveram inspiração no dinamismo das aeronaves espaciais e foram pensadas para dar a sensação de movimento ao prédio, cuja discreta entrada para pedestres foi inspirada nas saídas de ar da Ferrari. Sua piscina de 47 metros de raia é acompanhada de mobiliário com formatos curvilíneos e suaves, que podem ser vistos tanto do salão de festas quanto da academia, localizada no mezanino.

 

Próximo a este empreendimento, há ainda outro empreendimento da mesma incorporadora, mas desta vez em parceria com o escritório de design Yoo, criado por ninguém menos que Philippe Starck e John Hitchcox. Starck é ícone do design do mercado do luxo mundial, referência e criador de projetos como o Faena Hotel em Buenos Aires, SLS South Beach Hotel em Miami Beach e Hotel Fasano no Rio de Janeiro.

 

Mas, tomando como exemplo o empreendimento da Pininfarina em São Paulo, o que faz um imóvel de cerca de 50 metros quadrados ter um preço tão elevado?

 

Devemos lembrar que os aspectos intangíveis são essenciais. A região da Vila Olímpia, onde o empreendimento se localiza, cresce cada vez mais em números de escritórios e edifícios comerciais. Hoje, ter tempo é um dos luxos mais desejados por moradores de grandes cidades, e morar próximo ao trabalho é fator decisivo na compra de um imóvel para o consumidor contemporâneo. A questão do design com assinatura também é algo extremamente valorizado, uma vez que, este é um atributo muito considerado no segmento de luxo, especialmente quando associado a funcionalidade. Além disso, o nome de um criador atrelado a marca é sinônimo não apenas de alta qualidade, mas de história e prestigio.

 


Ricardo Ojeda Marins é Professional & Self Coach, Administrador de Empresas pela FMU-SP e possui MBA em Marketing pela PUC-SP. Possui MBA em Gestão do Luxo na FAAP, é autor do Blog Infinite Luxury e escreve às sextas-feiras no Blog do Mílton Jung.

Conte Sua História de SP: o nosso apartamento da Cohab

 

Por Maria Claudia Oliveira Paiva
Ouvinte-internauta da rádio CBN

 

 

Meus pais se conheceram em Minas Gerais. Se conheceram em um conservatório de música (sim, a arte os uniu), decidiram se amar e vieram tentar a vida em São Paulo. Morei primeiro em Higienópolis, por pouco tempo, era muito pequenininha, e em seguida fomos morar no bairro Alto da Mooca, zona leste. Tenho lembranças maravilhosas desse tempo. Apesar das dificuldades, da vida simples, naquela época eu e meu irmão brincávamos muito na rua, andávamos muito de bicicleta na pracinha que tinha próximo de casa. Meu pai era taxista e minha mãe, costureira.

 

Cresci ouvindo clássicos da música erudita por influência do meu pai. Foi por causa dele, também, que conheci o grande compositor e violonista Dilermando Reis, bem como o compositor e mestre do cavaquinho Waldir Azevedo.

 

Em um dia triste do mês de fevereiro, numa dessas fortes chuvas de verão, a parede da cozinha de nossa casa veio abaixo. Me lembro que estávamos todos juntos, minha mãe costurando, meu pai ouvindo música, eu e meu irmão brincando na mesa. Nos hospedamos de forma provisória na casa da dona do imóvel, que morava na frente, mas em pouco tempo nosso apartamento da Cohab foi liberado, e fomos morar em Itaquera, também na zona leste.

 

Lá vivi dos 7 aos 25 anos, no Conjunto Habitacional José Bonifácio. Foi a época mais marcante da minha vida, pois ali passei da infância para a adolescência, e desta para a idade adulta. Em nosso prédio aconteciam muitas festas para as crianças: dia das mães, dia dos pais, festa junina, Natal, ano novo. Um dos moradores tinha uma das paredes de seu apartamento tomada por caixas de som. Seu apelido era Deca. Nós ficávamos ansiosos esperando: “hoje o Deca vai descer o som!”. E a festa rolava até tarde. Os vizinhos não reclamavam, pois era um ambiente muito familiar.

 

Primeira surra (sim, apanhei em pleno ano novo por ter passado a noite inteira passeando pela Cohab com um namoradinho), primeiro namorado, primeiro emprego, faculdade. Minha formação aconteceu ali e até hoje guardo essas boas lembranças, inclusive das várias amizades que fiz.

 

Mas minha paixão mesmo é pelo centro de São Paulo. Quando comecei a trabalhar no Banco Real, primeiramente na Rua Benjamin Constant, do lado da Praça da Sé, e depois na Rua Boa Vista, eu fui apresentada a esse lugar delicioso. Me lembro que os happy hours de sexta-feira eram sagrados. Eu e minhas amigas explorávamos cada canto, cada bar, cada boteco, em busca de uma boa conversa, uma cerveja gelada e uma boa paquera.

 

Hoje, continuo explorando esse lugar, mas com um olhar diferente. Hoje eu observo mais as pessoas, seus estilos, a arquitetura dos edifícios e das casas, a arte e a manifestação cultural nas ruas….. Tanta coisa boa que muita gente deixa de conhecer, pois preferem ficar fechadas dentro de um shopping center.

 

Irei comemorar mais um aniversário de São Paulo, mas desta vez será especial. Conheci pela internet uma moça que mora em Governador Valadares/MG. Tenho parentes lá e me lembro de ter ido conhecê-los quando eu era muito pequenininha. Essa moça, chamada Dayse, me ajudou a encontrar meus parentes que havíamos perdido contato há mais de 3 anos. Ela virá conhecer São Paulo e ficará alguns dias hospedada na minha casa. Irei mostrar a ela um pouco da cultura, da beleza e das mazelas dessa nossa cidade, inclusive irei levá-la para conhecer um lugar que sempre me leva às lágrimas quando vou: a Sala São Paulo.

 


Maria Claudia Oliveira de Paiva é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Conte a sua história aqui na CBN, escreva para milton@cbn.com.br. Melhor ainda, grave em áudio e vídeo lá no Museu da Pessoa. E só agendar pelo e-mail contesuahistoria@museudapessoa.net e já sai de lá com um DVD em mãos.