Aquecimento global, verdade ou mito?

 


Por Carlos Magno Gibrail

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Verdade é que da preocupação de Peter Gwynne da “Nesweek” em 1975 (“The Cooling World”) para a proposição de Copenhagen 2009, passamos da ameaça da Era do Gelo para a catástrofe do derretimento global.

Passamos também da preocupação com os estercos eqüinos, quando a cidade de New York era tomada pelos dejetos, para o dióxido de carbono dos automóveis.

Agora, voltamos à atenção para a carne bovina, não só pelo esterco, mas pelos gases. O desmatamento é tanto mais grave quanto abre espaço para o gado, cuja poluição é mais danosa do que o dióxido de carbono dos carros. Em 50% para o efeito estufa. A ponto de cientistas estarem buscando nos cangurus a bactéria específica para transplantá-la nos bovinos. Os cangurus não poluem, mas certamente não dariam conta de substituir os ruminantes, ainda que os aficionados do churrasco estivessem dispostos a aceitar a troca. E, desconfiamos que não estarão.

A verdade é que não há mito, a maioria dos cientistas acredita que as mudanças no planeta acarretam transformações no clima. Entretanto “Uma verdade inconveniente” do Nobel, Al Gore, não é uma unanimidade completa.

A americana Intellectual Ventures, sediada em Seattle, uma empresa de invenções, detentora de mais de 20.000 patentes, incluindo através de produção própria ou por compra, 500 novas por ano, pode nos dar algumas pistas. Nathan Myhrvold, 50, de Seattle, que aos 23 anos já tinha mestrado em Geofísica, Física Espacial e Economia Matemática, além de PhD em Física Matemática, e foi para Cambridge fazer pesquisa em Cosmologia Química com Stephen Hawking, a criou em 2.000, junto com o com o seu colega de trabalho Edward Jung. O biofísico, “com sobrenome emblemático”, foi o principal arquiteto de software da Microsoft. Bill Gates considerava Myhrvold, seu diretor de tecnologia, uma sumidade: “Não conheço ninguém mais inteligente que Nathan”.

A Intellectual Ventures participou de projetos de satélites à lua, ataques de mísseis, Star Wars, da malária no abatimento de mosquitos a laser, do mapeamento do cérebro e a reprodução em tamanho natural do aneurisma a ser retirado e enviado ao neurocirurgião para facilitar a operação, e atualmente reúne também especialistas em climatologia.

Colaboram também da Intellectual Ventures, Lowell Wood, 60, astrofísico, e professor de Nathan que o considera “Um dos homens mais inteligentes do universo”; Ken Caldeira, 53, climatologista do Intergovernmental Panel on Climate Change, que em 2007 dividiu o Nobel com Al Gore pelo alerta do aquecimento global.

O economista Steven Levitt e o jornalista Stephen Dubner, contam em seu Super Freakonomics que visitaram Nathan no papel de “Harry Potter” e sua turma de cientistas na Intellectual Ventures. Foram brindados com uma seção de “brainstorm” regada a soda, com uma dúzia de gênios, que durou mais de 10 horas. E em que todos concordaram no aquecimento da terra com a suspeição que a ação do homem contribui para isto. Ao mesmo tempo opinam que Al Gore “tecnicamente não está mentindo”, mas que há alguns pontos como a submersão da Flórida que não tem base física.

O astrofísico Lowell Wood registra a limitação dos modelos climáticos existentes, ao que Nathan explica que as grades computadorizadas são pequenas e restringem a área a ser pesquisada. Isto devido aos poucos recursos dos sistemas operacionais. E todas as alterações que deveriam ser monitoradas, como os vulcões do planeta, não o são.

Myhrvold, desde criança, fascinado por fenômenos geofísicos lembrou que na década de 80 no Estado de Washington o Mount St. Helens entrou em erupção e fez com que nunca esquecesse a camada de cinza acumulada na sua janela e a relação entre vulcões e clima.

Em 1991, nas Filipinas, a lava e a fumaça ejetadas pelo Monte Pinatubo matou 250 pessoas. Seu efeito global, no entanto, foi muito positivo. A erupção vulcânica lançou na atmosfera mais de 20 milhões de toneladas de dióxido de enxofre, um gás leve e opaco. O SO2 do Pinatubo subiu até a estratosfera e, em questão de meses, espalhou-se em uma camada, recobrindo todo o planeta. Essa camada funcionou como um filtro que diminuiu a incidência da radiação solar sobre a superfície da Terra. Como resultado disso, a temperatura média do planeta caiu 0,5 graus.

Nathan Myhrvold propõe a montagem de um gigantesco chuveiro capaz de aspergir um volume de SO2 na estratosfera equivalente ao produzido pelas erupções vulcânicas. A simplicidade, uma das premissas básicas dos cientistas da Intellectual Ventures, remete ao princípio já conhecido de eliminar o problema com o elemento que o acarretou. O veneno com o próprio veneno. A bactéria invasora com a própria bactéria. A ciência é a quantidade a ser usada para o combate.

Como início, o plano “Salve o Ártico” que pode ser executado em dois anos , ao custo de 30 milhões de dólares. Se o resfriamento dos pólos for insuficiente viria o “Salve o Planeta”, ampliado e lançando três a cinco vezes mais dióxido de enxofre. Que mesmo assim não chegaria a 1% das atuais emissões mundiais de enxofre. Em três anos há possibilidade de começá-lo, com custo inicial de 150 milhões de dólares e custo anual operacional de 100 milhões de dólares.

Comparando estes 250 milhões de dólares às estimativas do relatório sobre os efeitos climáticos do economista britânico Nicholas Stern com seus 1,2 trilhão anual previstos, fica evidenciada a ironia positiva dos autores de Super Freakonomics a respeito da irreverente turma de Seattle: “Precisa-se de boa dose de arrogância conjunta para que um pequeno grupo de cientistas e engenheiros se considere capaz de lidar simultaneamente com os mais difíceis problemas do mundo”.

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e às quartas-feiras escreve no Blog do Mílton Jung