Avalanche Tricolor: véspera de pouco, dia de muito ou vice e versa

 

Grêmio 0x1 Chapecoense
Brasileiro – Arena Grêmio

 

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“Dia de muito, véspera de pouco” era ditado que ouvia muito da boca de minha mãe quando ainda era pequeno. Confesso, já não lembro mais em que momentos da minha infância a tal frase tinha serventia. Ficou na memória. E como todas as coisas na minha memória são passíveis de confusão. Troco nome de amigos assim como mudo frases populares e seu sentido. Essa em especial sempre me soou invertida e, na vida adulta, sempre foi usada para consolar-me naqueles dias em que nada costuma dar certo ou imaginamos que não tenha dado certo. Quem souber da sua origem que me ajude.

 

Há quem a use para alertar-nos da necessidade de equilibrarmos nossos bens e sentimentos, impedindo assim a euforia da vitória ou o desalento da derrota. Euforia e vitória andam de mãos dadas e geram ilusões que tendem a nos levar ao mesmo resultado lá na frente: ruim. Estão aí para provar que a busca tem de ser pelo caminho da mediação entre a excitação e a infelicidade.

 

Já ouvi quem repetisse o dito popular como forma de condenar o desperdício que cometemos nas épocas de fartura. Chamar nossa atenção para a necessidade de guardamos o que ganhamos hoje para o período das vacas magras. Como que querendo dizer que é preciso economizar agora para não faltar amanhã. Mas nesse caso, o ditado não teria de ser outro? Véspera de muito, dia de nada?

 

Sei lá! Só sei que foi a primeira frase que me veio a cabeça quando percebi que o Grêmio repetiria, neste domingo à tarde, o desempenho das últimas partidas quando apesar de ser o dono da bola, faltou-lhe capacidade de furar o bloqueio adversário. Comandou a partida e entregou os pontos. Teve muita bola no pé e pouca criação. Dominou o jogo mas não transformou essa supremacia em gols.

 

Que esta véspera de decisão da Libertadores, com pouca inspiração e nenhum gol, se transforme em um dia – no caso, uma quarta-feira –  de  futebol bem jogado e muita alegria para todos nós gremistas.

Avalanche Tricolor: sol, família e goleada

 

Grêmio 5×0 Sport
Brasileiro – Arena Grêmio

 

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O desabafo de Edilson (reprodução SporTV)

 

Um sabadão daqueles de dar gosto de viver. Depois de semana corrida e viajada, estava em família, tranquilo e em casa. Lá fora sol e temperatura agradáveis. Aqui dentro, o Grêmio na tela da TV com a possibilidade de ficar mais próximo da liderança do Brasileiro.

 

Tudo bem que o adversário era aquele que nos tirou os primeiros três pontos do campeonato quando já estávamos nos dedicando a Libertadores e estreamos o time reserva na competição nacional. E agora com um técnico respeitado pela torcida. Havia, também, o fato de a escalação estar com alguns desfalques: Luan e Barrios servem à seleção; Geromel e Maicon ao departamento médico; e Pedro Rocha às finanças do clube.

 

Bastou, porém, a bola rolar para percebermos que se o Grêmio não tinha os melhores à disposição, nós tínhamos o melhor do Grêmio em campo. A marcação era precisa, com a dupla de zaga se destacando e Bressan ratificando a aposta de Renato. O meio de campo dominava o jogo com toque de bola veloz e criativo e o ataque apresentava com mobilidade suficiente para atordoar o adversário.

 

Registre-se: quando falo em marcação, lembro-me da atuação dos atacantes, também que voltam para fechar o espaço; quando falo em meio de campo, incluo a chegada forte dos laterais; quando falo em ataque, lembro-me do volume enorme de jogadores que chegam a área vindo das mais diferentes posições.

 

Assim é o Grêmio de Renato. Time moderno no qual os jogadores invertem de lado, fazem a transição com tranquilidade e são capazes de se reinventar independentemente da posição que estejam escalados. Um time com personalidade para superar o impacto da desclassificação na Copa do Brasil.

 

Aliás, o adversário deste sábado à tarde, lamento, pagou caro seja pelo que fez no começo do Brasileiro seja pela perda que tivemos na Copa. E isso ficou evidente na forma como Edilson jogou: endiabrado. O primeiro gol que explodiu na rede e sua comemoração sinalizavam a raiva de alguém que não engoliu o desperdício do título e do pênalti, em Belo Horizonte. E ficou clara na fala dele ao fim do primeiro tempo quando lembrou do poder de recuperação do time mesmo sem que o repórter o tenha provocado a tratar do tema.

 

Edilson foi perfeito. Mas não só Edilson. Arthur segue carregando a bola com uma intimidade de dar inveja. Everton, que completou em gol a dupla meia lua de nosso lateral, também fez seu show lá na frente. Ramiro voltou a ser o batalhador de sempre, roubando bola, distribuindo jogo, sendo incisivo no ataque, provocando o pênalti e servindo seus companheiros. Fernandinho, goleador e melhor cobrador de pênalti da equipe, confirma-se como substituto natural de Pedro Rocha.

 

Faltando 16 jogos, tendo 48 pontos em disputa, o Grêmio está com 65% de aproveitamento no campeonato, tem disparado o melhor ataque com 40 gols, tomou conta do segundo lugar da competição e se aproxima do líder. Imagine se estivéssemos levando a sério este Campeonato.

Avalanche Tricolor: o Grêmio não espera acontecer

 

Grêmio 2×0 Coritiba
Brasileiro – Arena Grêmio

 

 

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Rocha faz aos 10min do primeiro (reprodução SporTV)

 

 

Um aos 10 do primeiro tempo. Outro aos 40 do segundo. E entre um gol e outro aquela velha preocupação de que alguma coisa poderia dar errado. Sei lá, de repente um atacante que passou pelo nosso time sem nunca fazer nada, desencanta contra nós. Ou o outro que pouco fez quando esteve do outro lado, resolve fazer exatamente contra a gente. Quem sabe um chute sem noção desvia no nosso zagueiro, bate no travessão, volta, rebate nas costas do goleiro e entra no nosso gol. E lá se vão os três pontos que tanto queremos.

 

Estamos sempre a espera de uma desgraça, como se não confiássemos naquilo que assistimos jogo após jogo: um time respeitado Brasil à fora, enaltecido por comentaristas (claro que tem as exceções até para confirmarem a regra), que joga bonito, sabe passar e tocar a bola de pé em pé, se movimenta com velocidade, busca o gol o tempo todo e ainda é capaz de marcar com intensidade e se sustentar com uma defesa consistente, mesmo que nem todos os titulares estejam em condições de jogar.

 

Situação curiosa essa que vivemos, pois temos um time de futuro mas seguimos analisando-o com a ótica do passado. Desconfiamos do nosso próprio sucesso e, mesmo que tenhamos orgulho do que estamos vendo, ficamos com aquela estranha sensação: até quando tudo isso vai dar certo? Talvez seja resquício de um passado recente, reflexo do último título que queríamos conquistar mas desperdiçamos ainda na semifinal, logo no início desta temporada. Como se não tivéssemos vencido há alguns meses a Copa do Brasil.

 

O esbravejar de Renato ao lado do campo talvez dê razão a esses torcedores. Ele próprio não permite que o time acredite na sua superioridade. Quer ver o Grêmio jogando boa parte da partida como se estivesse precisando do resultado, sem tirar o pé, sem reduzir o ritmo, em alta velocidade e em alta intensidade. Melhor que seja assim, dessa forma não baixamos a guarda nunca, pois a maratona é longa e não dá para relaxar.

 

 

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Fernandinho faz o segundo aos 40 da etapa final (reprodução SporTV)

 

 

Os resultados do Brasileiro – na Libertadores e na Copa do Brasil também tem sido assim –  demonstram, porém, que estamos mais preocupados do que deveríamos. Enquanto esperava o segundo gol, capaz de espantar qualquer risco de desperdiçarmos os três pontos em casa, na noite desta quinta-feira, consultei os arquivos da competição e confirmei o que tenho pensado há algum tempo:

 

Em oito de nove rodadas do Campeonato Brasileiro, o Grêmio marcou gols no primeiro tempo. Em cinco partidas, bastaram 20 minutos para estarmos na frente. Em quatro delas, antes dos 10 minutos já tínhamos a vantagem.  Apenas em uma, quando escalamos o terceiro time, fazer o gol cedo e antes do nosso adversário não foi suficiente para sairmos vitoriosos. 

 

Ou seja,  o Grêmio não espera acontecer.

Avalanche Tricolor: o padrão de jogo que nos faz melhor e a lição que aprendi com o Grêmio

 

 

Grêmio 2×0 Vasco
Brasileiro – Arena Grêmio

 

 

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Renato comemora 1º gol (reprodução Premiere)

 

 

Um olho no peixe e outro no gato. Pra ser preciso: um na TV e outro no Ipad. Na tela pequena, o Grêmio, paixão ensinada pelo meu pai. Na tela grande, a Keyd Stars, torcida aprendida com meus filhos. A agenda esportiva deste domingo colocou no mesmo horário futebol e LoL, esporte tradicional e eletrônico, time do coração e coração de pai; e tive de me desdobrar em emoção e sofrimento.

 

Menos mal que o Grêmio deu poucos motivos pra sofrer, apesar do equilíbrio da partida na primeira meia hora e alguns riscos de gols de tirar nossa respiração. O pênalti bem marcado e raramente visto – convertido por Barrios – amansou o adversário e o domínio passou a ser nosso. Mantivemos o padrão de jogo que tem entusiasmado cronistas aqui no centro do país.

 

Aliás, permita-me um parênteses: é tanta badalação que, confesso, até desgosto. Prefiro quando meus colegas de trabalho ficam de oba-oba com os adversários e nós vamos comendo pelas beiras, sem chamar atenção.

 

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Luan comemora o 2º gol (reprodução Premiere)

 

Tivemos boas chances de ampliar e reduzir o risco do empate. Mas desperdiçamos a maior parte delas. Por outro lado, se o ataque não fazia, o meio de campo mantinha o domínio da bola e a defesa estava firme sem dar chances para o adversário. Éramos melhores.

 

A superioridade pode ser simbolizada pelo gol que fechou o placar e a partida, aos 48 do segundo tempo. Luan usou de seu talento para driblar dentro da área, passou a Léo Moura que entrou em velocidade pela direita, que entregou a Maicon, que com um tapa na bola tocou para Gastón Fernández, que marcado deu de calcanhar para Luan completar em gol.

 

Talento, velocidade, precisão no passe, deslocamento e o gol como maior objetivo o tempo todo – sim, porque se perdemos tanto é porque criamos muito. A somatória desses fatores tem feito o Grêmio superior e justifica nosso ótimo desempenho no Brasileiro, na Copa do Brasil e na Libertadores.

 

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Time da Keyd Stars (reprodução Riot Games)

 

Mas como disse lá no início dessa Avalanche, passei o domingo à tarde entre as emoções provocadas pelo Grêmio e o sofrimento diante dos abates e ataques contra a Keyd Stars, na estreia do 2º Split do CBLol – o Circuito Brasileiro de League of Legends. Desta vez, não tivemos sucesso, mas assim também foi no primeiro semestre e acabamos na final da competição.

 

E se tem coisa que aprendi com o Grêmio, guris, é que jamais devemos desistir.

Avalanche Tricolor: é matar ou morrer!

 

Grêmio 4×0 Zamora
Libertadores – Arena Grêmio

 

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Foi fácil como se imaginava. Estamos classificados como se esperava. Cumprimos nosso papel nesta primeira parte da Libertadores. Tivemos o grupo sob controle da primeira a última rodada. Chegamos abrir mão de um resultado quando poupamos equipe em jogo jogado fora de casa. E terminamos a fase de grupos com a terceira melhor campanha até aqui.

 

Tivemos oportunidade de construir e reconstruir o time ao longo desta primeira fase. Boa parte das mudanças foi forçada por lesões. Algumas pela necessidade de adaptar a equipe à competição. No entra e sai de jogadores, Renato ganhou um elenco e confiança: conhece bem a formação ideal e sabe com quem poderá contar quando olhar para o banco.

 

Barrios é o matador que precisávamos. Luan é de um talento singular. Arthur é joia rara. Pedro Rocha merece nosso aplauso pelo tanto que luta em campo. Essa lista poderia ir além do setor de ataque assim como se estender a alguns que não estiveram em campo na noite desta quinta-feira. E parece-me suficiente para mostrar a qualidade que foi sendo forjada até aqui.

 

A goleada de hoje foi divertida mas marcou o fim de uma etapa. Daqui pra frente, não haverá mais espaço para erros. Vacilos serão fatais. Tropeços não serão aceitáveis. É matar ou morrer!

 

O legal é saber que estamos prontos para encarar mais este desafio.

Avalanche Tricolor: em noite de tensão, o Campeão de Copas sai muito bem na foto

 

Grêmio 3×1 Fluminense
Copa do Brasil – Arena Grêmio

 

Em uma noite na qual a República estremeceu com as denúncias da Família Batista, assistir ao Grêmio foi um desafio. Com olhos na tela da TV, que transmitia o futebol, e ouvidos colados na cobertura da CBN, que me atualizava da crise política, escrever ao fim de uma vitória como essa é quase impossível.

 

Diante da emoção que o futebol nos proporcionou com uma vitória na Copa e da tensão que as denúncias da JBS geraram, preferi contar nossa façanha através de imagens.

 

Aqui, o autor do primeiro gol, do Grêmio: o Craque!

 

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Em seguida, o autor do gol da virada: o Goleador!

 

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Agora, ele de novo: o Matador!

 

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E pra fechar, o Campeão de Copas!

 

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As imagens deste post forma produzidas pelo Twitter do @Grêmio

 

Avalanche Tricolor: os detalhes que levaram o Grêmio a vencer na estreia

 

 

Grêmio 2×0 Botafogo
Brasileiro – Arena Grêmio

 

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Detalhes dos gols de Ramiro, reprodução da SPORTV

 

Diz o ditado que é no detalhe que mora o Diabo. Como não tenho medo dele, foi pra lá que resolvi olhar na partida de estreia do Grêmio, no Campeonato Brasileiro. E que baita partida, hein, amigo! 

 

O primeiro detalhe que percebi é daqueles que poucos falarão na crônica do jogo, mas para mim faz uma tremenda diferença. Aliás, é uma das coisas que mais me incomodam nos times de futebol: insiste-se em tocar a bola para trás quando o objetivo do jogo é se aproximar do gol.

 

Pense comigo: se no campo temos de conquistar espaço, avançar sobre o território inimigo para alcançarmos a meta adversária, a primeira opção de um jogador que está com a bola tem de ser encontrar um colega que esteja mais à frente. Parece óbvio, mas não é. Geralmente, como esse companheiro está mais bem marcado, por medo, desiste-se de arriscar um passe que nos colocaria avante. Volta-se a bola e se começa tudo de novo.

 

Desde os primeiros minutos, a começar por Arthur, e passando por Michel, Ramiro e Luan, o time do Grêmio mostrou que queria jogar para frente. A qualidade do passe de alguns de nossos jogadores ajudou muito nesta decisão. O deslocamento do companheiro de time para receber à frente, também. E não tenho dúvida em dizer que isso foi resultado dos dias bem aproveitados de treino.

 

Foi este detalhe que permitiu que se chegasse tantas vezes e com muitos jogadores na cara do gol, mas outros tantos seguiram me ajudando a contar a história do jogo.

 

Foi por um triz, por exemplo, que Luan não abriu o placar logo no início da partida, ao receber belo passe e ficar cara a cara com o goleiro. Se ele tivesse prestado atenção em outro detalhe, o gol teria sido marcado por Lucas Barrios que estava livre do seu lado direito.

 

Mais um detalhe desses que fico prestando atenção durante a partida: em um dos muitos ataques que desperdiçamos no primeiro tempo, Ramiro, ao chutar a gol e ver a bola ser desviada de cabeça, comentou com seus companheiros que “hoje parece que nada dá certo”. Um lamento que se revelou na leitura labial que fiz (ou seria apenas licença poética deste torcedor?). Ainda bem que Ramiro estava enganado. E ele próprio provou isso para a gente no fim do primeiro tempo (e no segundo, também).

 

Um lançamento de Michel do outro lado do campo encontrou Léo Moura disparado no ataque. Nosso lateral teve de usar de toda sua velocidade para alcançar a bola que, por um detalhe, não saiu pela linha de fundo. Cruzou e proporcionou um bombardeio no gol adversário: foram três chutes à queima roupa até Ramiro, o Incrível, fulminar no fundo do poço.

 

A volta do segundo tempo tem sido sempre preocupante pra gente, é quando costumamos dormir no ponto e permitimos a reação do adversário. Bem que eles tentaram chegar ao nosso gol, mas não tiveram sucesso. Por muito pouco, aliás, pois, logo após a volta, o atacante deles se livrou de todos os marcadores dentro da área e estava pronto para empatar. Só tinha um detalhe, aliás, um baita detalhe: Kannemann não desiste nunca e mesmo tendo sido driblado na primeira vez, se jogou a tempo de desviar a bola para longe.

 

Em seguida, retomamos a bola, voltamos a dominar o jogo, fazer passes ofensivos, nos deslocarmos por um lado e outro. Nossos alas apareciam à frente e eram bem recebidos pelos atacantes. Nossos atacantes trocavam bola entre eles em busca de espaço. E o risco de cedermos o resultado diminuía a medida que o tempo avançava.

 

Foi Ramiro, o Incrível, que mais uma vez apareceu para resolver a partida, após boa movimetação do time pelo lado direito. Ele recebeu a bola pelo alto e na entrada da área. Dominou-a e chutou com força, como sempre chuta. Para cair dentro do gol, a bola bateu antes em Luan, subiu e foi parar no fundo das redes. Bateu na mão, reclamaram os adversários. E só se descobriu que eles tinham razão depois que a televisão mostrou o lance detalhadamente.

 

Perdão se exagero nos detalhes, mas quero encerrar esta Avalanche apenas lembrando mais um: o Campeonato só começou agora e já estamos no G4, de novo.

Avalanche Tricolor: Barrios começa a construir sua história no Grêmio

 

Grêmio 4×1 Guaraní-PAR
Libertadores – Arena Grêmio

 

 

Intensidade. Eis uma palavra que está na moda no futebol. Raramente deixa de ser dita pelos jornalistas esportivos nas transmissões no rádio e na televisão. Costuma ilustrar o futebol jogado com marcação forte sobre o adversário, troca de passe rápida, velocidade no ataque e chutes a gol.

 

Poucas coisas foram tão intensas quanto o jogo jogado no primeiro tempo desta noite, na Arena. Em 10 minutos, já havíamos sofrido sufoco, retomado a bola, marcado um gol e perdido um dos nossos principais destaques por lesão. O que se seguiu não foi diferente: em pouco mais de 45 minutos, foram quatro gols, um pênalti perdido e uma expulsão. 

 

No segundo tempo, o ritmo diminuiu e a técnica despencou, mas não faltou intensidade: ao menos não faltou para Barrios, nosso camisa 18. Se o time já não tocava tão bem a bola e o adversário tinha dificuldade para jogar, nosso atacante desencantou de vez.

 

O argentino, naturalizado paraguaio, travestido de gremista tinha feito o primeiro lá no início da partida, após receber a bola na pequena área e desviá-la para o gol. Não demorou muito para marcar o segundo: Barrios estava novamente presente dentro da área e concluiu uma jogada da qual já havia participado em sua origem. 

 

Quando pouco coisa parecia acontecer em campo, no segundo tempo, Barrios surgiu novamente. Recebeu mais um presente nas costas dos zagueiros, olhou para a goleira e não perdoou: estufou as redes pela terceira vez na mesma partida.

 

O atacante que vem se chegando aos poucos no time titular, esperando com paciência suas oportunidades, já é o autor de seis gols na temporada em 12 partidas que disputou e começa a ser protagonista da história até aqui vitoriosa do Grêmio na Libertadores, no papel que mais queremos que ele represente: o de Matador.

 

Bem-vindo, Barrios!

 

 

Avalanche Tricolor: ah, tá! pensou que seria fácil?

 

 

Grêmio 1×1 Nova Hamburgo
Gaúcho – Arena Grêmio

 

 

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Ah, tá! Vai dizer que você pensou que seria fácil? 2×0 na primeira,  5×0 na segunda, e vaga na final garantida? Essas coisas acontecem de vez em quando, e já aconteceu com a gente nas quartas-de-final. Não se repetiria assim tão facilmente. Só porque era Páscoa, iríamos nos deliciar com doces, bacalhau e vinho?

 

 

Leve em consideração ainda que o adversário deste domingo tá com a bola toda. Fez um baita campeonato até aqui. Está bem organizado. Está motivado e dedicado, enquanto nós temos de ficar com um olho no peixe e outro no gato. No caso, um no Gaúcho e outro na Libertadores.

 

 

Claro que o empate não se deu por causa disso. Ou melhor, em parte se deu. Afinal, o adversário fez por merecer. E, ainda sob o impacto do segundo tempo, diria que mereceu até mais do que isso. Fechou-se bem e soube aproveitar os poucos espaços que surgiram até marcar o gol de empate. Depois, desperdiçou as boas chances que criou.

 

 

De nossa parte, o empate se deu porque tivemos dificuldade para acelerar a bola e trocá-la em meio a marcação fechada; abrir buracos na defesa adversária com dribles e chutar com mais precisão.

 

 

Fazer o quê, já foi!

 

 

Resta agora sentar a cabeça no lugar, entender os “apagões” das duas últimas partidas, organizar-se defensivamente e acelerar a bola ofensivamente. Renato e Espinosa sabem fazer isso.

 

 

E não vamos perder tempo com mimimi, querendo apontar o dedo para este ou aquele culpado. Entrar na onda dos inimigos de plantão. Não é hora disso. Até porque não dá tempo de ficar lambendo as feridas: tem Libertadores logo ali (na quinta-feira). E assim que encararmos nossa batalha lá fora, temos de voltar e superar o melhor time do campeonato até aqui, na casa dele (domingo que vem).

 

 

Ah, tá! Vai dizer que você acha tudo isso muito complicado? Que é, é … mas desde quando a gente se mixou pra esses desafios?  Pegar osso duro é nosso destino e transformá-lo em filé de primeira, nossa missão.

 

 

A mesa está posta: vitória lá fora na quinta; vitória lá fora no domingo. Esse é o nosso cardápio.

Avalanche Tricolor: avassalador e assustador

 

 

Grêmio 3×2 Iquique
Libertadores – Arena Grêmio

 

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Comemoração do terceiro gol, em foto de LUCASUEBEL/GREMIOFBPA

 

Avassalador … assim foi o Grêmio no primeiro tempo nesta partida pela Libertadores.

 

Mesmo com o adversário ensaiando pressão no começo do jogo, revelando-se bom tocador de bola e animado pela liderança invicta no campeonato nacional, o Grêmio não deu bola para os chilenos.

 

Teve personalidade para retomar a bola a partir de uma marcação forte e impondo muita velocidade na partida – sem correria, apenas trocando passes com rapidez; tocando e saindo para receber; tocando e lançando para seus atacantes que corriam à frente; tocando e fazendo gols.

 

Pedro Rocha teve suas chances e não aproveitou. Luan, sim. A primeira foi para calibrar o pé. A segunda, para abrir o placar. E a terceira, para mostrar quem mandava no jogo. E o Grêmio não dava sinais de estar satisfeito: seguiu veloz, com passes precisos e chegando ao ataque. Chamou o pênalti e Miller deixou sua marca. Quase fez mais um e mais outro.

 

E aí veio o segundo tempo … assustador.

 

A primeira atrasada de bola com a cabeça, que quase pegou Marcelo fora do gol, dava sinais de que alguma coisa havia mudado. Fomos desatentos, o adversário ganhou espaço no campo e passamos a ceder a bola de graça. Tomamos um e tomamos dois até acordar para a partida e nos lembrarmos que o jogo era de Libertadores.

 

Dali pra frente, o talento que nos diferenciou no primeiro tempo teve de ser substituído pela garra e força. Abrimos mão do toque de bola pela bola despachada. Do jogo de excelência passamos a fazer o não jogo. Foi preciso catimba e tarimba para resistir até o fim à frente no placar.

 

Ao fim e ao cabo, encerramos a rodada líderes e invictos, com muitos motivos para acreditar que o time tem competência para chegar ao topo nesta Libertadores. Só não precisávamos passar tanto susto, não é mesmo!?