Avalanche Tricolor: uma estreia para respirar aliviado

Grêmio 4×1 Brasil RS

Gaúcho – Arena Grêmio

Foto Lucas Uebel Grêmio FBPA

Quase um ano após uma sequência de sufocos, sofrimentos e empates, bem que eu merecia assistir à tranquilidade de uma partida como desta noite, que marcou a estreia do Grêmio no Campeonato Gaúcho de 2021. Sim, o ano de 2020 ainda não se encerrou —- domingo temos a final da Copa do Brasil — e o ano novo do futebol já se apresenta com a mediocridade de sempre das competições estaduais.

Neste ano ao menos não teremos o que reclamar do público que costuma só se apresentar nas partidas finais —- e com toda razão. Com a Covid-19 influenciando comportamentos e escalações, as arquibancadas seguirão vazias no Gaúcho. De resto, é aquele jogo de futebol sem o glamour das competições principais. Não tem bola no pedestal para a entrada dos times no gramado.  Não tem banner com patrocinador fazendo cenário para a entrevista no intervalo. Não tem VAR para aliviar a culpa do árbitro. É futebol raiz, como costumam dizer. 

Independentemente das condições e do adversário, como disse na abertura desta Avalanche, eu e toda a torcida gremista estávamos mesmo precisando de um dia de calma. Com gol logo no início da partida e goleada antes de o intervalo chegar, respiramos aliviados mesmo com um time bastante modificado e a presença de vários jovens recém-saídos da base. Lucas Silva fez de pênalti, Ferreirinha de cabeça, Guilherme Azevedo só completou para as redes e Isaque eliminou qualquer risco de reação.

Para mim, por curiosidade que seja, nem era jovem nem marcou gols o jogador que mais se destacou: Pinares, chileno, prestes a completar 30 anos, que chegou com boa fama por ser titular da seleção do Chile, mas que teve poucas oportunidades na temporada, fez um partidaço, tomando conta do meio de campo, dominando a bola com qualidade e metendo duas assistências para consagrar os atacantes. 

Nem Pinares nem outro de seus companheiros desta noite devem sair jogando no domingo quando decidiremos o título da Copa do Brasil de 2020. O time de Renato já está escalado e teve uma rara semana de preparação, avaliação de erros, correção de problemas e mobilização interna. O desempenho nessa estreia e a goleada conquistada, porém, são importantes para desanuviar o ambiente pesado dos últimos tempos. Assim como é motivador saber que, independentemente do que acontecer domingo —- e torço para que o melhor se realize —- Renato permanecerá no comando da equipe.

Avalanche Tricolor: o Papai Noel é azul e tem nome

Grêmio 1×0 São Paulo

Copa do Brasil — Arena Grêmio

Diego Souza comemora gol em foto de Lucas Uebel/Grêmio FBPA

 

O Papai Noel passou mais cedo aqui em casa. E vestido de azul. Porque essa é a tradição no Rio Grande, que começou lá pelo fim dos anos de 1950 como uma brincadeira de torcedores arqui-rivais. O resultado do último Gre-Nal do ano, que fechava o Campeonato Gaúcho, decidia nos costumes do nosso povo que cor seria o Papai Noel.

Em 1961, um jovem de apenas 22 anos havia sido escalado para ficar no vestiário a espera do apito final e invadir o gramado dos Eucaliptos — antigo estádio colorado —-  em caso de vitória tricolor, que veio em uma incrível virada de 3 a 2 com um homem a menos em campo —- sim, a imortalidade nos acompanha desde o início de nossa história. 

Após superar a barreira de policiais que tentavam impedir qualquer invasão de torcedores, o Papai Noel foi parar nos braços dos jogadores e erguido como um troféu para a história. Vestindo a parafernália do bom velhinho, naquele ano, estava o jovem que mais tarde se transformaria em um dos mais gremistas dos jornalistas gaúchos, Paulo Sant’Ana. Se não foi o primeiro Papai Noel azul certamente foi o mais famoso de todos até a noite de hoje.

Nesta ante-véspera de Natal, o Papai Noel azul que invadiu a sala de casa pela tela da televisão foi outro. Atende pelo nome de Diego Souza, mas pode chamá-lo de Goleador. O atacante que passou a partida sendo escorraçado pelos adversários teve uma e apenas uma chance de chutar a gol; e de costas para o gol. Tudo começou na sem-vergonhice de Ferreirinha, o guri driblador que Renato acabara de colocar em campo. Com cara de piá que ainda acredita em Papai Noel, Ferreirinha se lançou para cima do marcador e o deixou para trás com velocidade e talento no drible. Cruzou forte e fez a bola chegar a outro dos nossos guris, Pepê, que de cabeça jogou para dentro da pequena área, onde os zagueiros se atrapalharam para deleite de Diego Souza.

O gol de Diego não é definitivo para nos colocar em mais uma final de Copa do Brasil … 

A propósito: a performance do Grêmio nesta Copa é inacreditável. Fomos o primeiro campeão. Chegamos a semifinal em quase metade das edições disputadas. E vencemos cinco Copas do Brasil. Tem de respeitar.

Como dizia, caro e raro leitor desta Avalanche, o gol de Diego não é definitivo. Tem muito jogo pela frente na partida de volta no Morumbi. E um adversário bem treinado e embalado. Posso lhe garantir, porém, que independentemente do que vier acontecer, este ano o Papai Noel é azul, não só porque ganhamos o Campeonato Gaúcho lá no início da temporada, mas, principalmente, porque o “bom velhinho” tá batendo um bolão veste a camisa 29.

Avalanche Tricolor: Diego Souza, o goleador

Grêmio 2×0 Cuiabá

Copa do Brasil —- Arena Grêmio

Diego Souza a caminho do gol em foto de LUCAS UEBEL/GRÊMIOFBPA

 

O Grêmio engatou oito vitórias seguidas, dez jogos invictos, subiu na tabela do Campeonato Brasileiro e hoje se credenciou a disputar a semifinal da Copa do Brasil, mais uma vez. O melhor momento da equipe nesta temporada — na qual já foi Campeão Gaúcho e conquistou vaga às oitavas-de-final da Libertadores mesmo com um futebol irregular — passa por uma série de personagens, a começar por Renato (sim, aquele que você, torcedor ingrato, pediu a demissão), que soube como poucos ter tranquilidade para administrar toda e qualquer crise que entrou no vestiário. Jean Pyerre, renascido e talentoso, e Pepê, enlouquecido e enlouquecendo, são outros dois nomes que se destacam.

Quero, porém, hoje, dedicar esta Avalanche a um cara que muitos davam como abatido e ultrapassado: Diego Souza, o goleador. Com 35 anos, houve que não acreditasse quando o nome dele foi anunciado como novo reforço para 2020. Aproveitou bem o Campeonato Gaúcho para provar que tê-lo de volta ao time valeria a pena. Foi o artilheiro da competição com nove gols —- tendo feito o gol do título e, antes, o da vitória no clássico Gre-nal, no primeiro turno. Na Libertadores fez um e facilitou a vida de seus colegas nos demais. No Brasileiro está com cinco gols. 

Desde a retomada dos jogos, com a liberação do futebol sem torcida, Diego parecia isolado dentro da área, onde a bola raramente chegava. Esboçava alguns movimentos, mas o resultado não aparecia. Amargou uma série de partidas sem marcar, apesar de ter servido de garçom especialmente para Pepê. Os ombros caídos e os braços jogados ao longo do corpo sinalizavam o desconforto dele com sua produtividade e também com a maneira do time jogar.

Com a chegada de Churín, o Diego Gringo, houve quem apostasse que Diego, o Souza, perderia a posição de titular. Não demorou muito para ele voltar a marcar e em partidas decisivas —- como nos dois jogos destas quartas-de-final em que fez três dos quatro gols do Grêmio. Dois deles hoje: de cabeça, logo no início, e, em seguida, com os pés e com a tranquilidade do matador diante do goleiro. Diego está agora com 18 gols neste ano. 

Acreditar que foi o surgimento de um concorrente para a posição que o fez mudar de postura dentro de campo é precipitado e injusto com o time e com Diego Souza. Ele voltou a marcar não porque Churín está no banco, mas porque o time todo evoluiu após sequência de partidas com vitórias e empates sem convicção. Renato foi capaz de dar segurança a seus jogadores, teve paciência para remodelar uma equipe que sofreu perdas na temporada, seja devido a venda, a lesões ou a Covid19. O time voltou a confiar na troca de passe, com a aproximação dos jogadores, movimentação intensa, dribles e velocidade. E assim a bola voltou aos pés — e à cabeça — de Diego. E quando chega nele encontra experiência, talento e precisão; a possibilidade de parar no fundo do poço é enorme.

Avalanche Tricolor: Jean Pyerre é 10

Grêmio 4×2 Ceará

Brasileiro — Arena Grêmio

O 10 de Jean Pyerre na foto de Lucas Uebel/GrêmioFBPA

 

“Temos camisa 10”, gritaram os torcedores nas redes sociais. Perdão, amigo! Sempre tivemos. Nosso 10 apenas não tinha condições de jogar por motivos mais do que conhecidos por todos — só os impacientes e descrentes faziam questão de não entender, preferindo atacar Renato e suas escolhas. E quando nosso camisa 10 voltou, estava vestindo a 21, mas isso, convenhamos, era apenas um detalhe na jornada de nosso craque. 

Aliás, como você, caro e raro leitor desta Avalanche haverá de lembrar, na edição passada desta coluna esportiva, eu escrevi: “nosso camisa 10 —- mesmo que não carregue o número às costas, ele é o 21 do time —- é um jogador especial”. Quis a coincidência que no dia seguinte a minha Avalanche, Renato e o Grêmio decidiram premiar Jean Pyerre com o número que o futebol mundial costuma oferecer aos craques da bola — apesar de que no nosso time a camisa que consagra é a 7; não é mesmo Renato?

A maneira refinada com que Jean Pyerre toca na bola encanta a todos. Isso ficou evidente desde os primeiros movimentos do Grêmio em campo no início desta noite. Com o nosso camisa 10 buscando jogo no meio de campo e conduzindo o time para o ataque, o deslocamento dos jogadores que estão à sua frente ganha em produtividade. Luis Fernando, Diego Souza e Pepê, especialmente, sabem que podem partir em direção ao gol porque a bola será entregue a eles em condições de marcar. Os laterais e volantes que estão ao lado passam e correm porque sabem que vão receber um presente. Todos saímos ganhando quando o camisa 10 está em campo.

O toque não se restringe ao passe. Jean Pyerre enxerga o gol e lança a bola em direção as redes com a mesma facilidade com que deixa seus companheiros em condições de dar sequência à jogada. Hoje, assistimos a dois ou três chutes que obrigaram o goleiro adversário a se esforçar ao máximo para impedir que a bola entrasse. O chute não parece forte. É como se fosse em câmera lenta. Faz o futebol parecer fácil de ser jogado. 

Em campo, Jean Pyerre é leve, solto e preciso … como na cobrança de falta que abriu o placar, depois de um lance bem ensaiado com Diogo Barbosa (1×0). Como no passe que encontrou Luis Fernando livre pela direita para cruzar e Pepê completar (2×0). Como no momento de perspicácia que o fez pegar a bola que acabara de sair pela lateral e cobrar, sem esperar o jogador de ofício, o que deu velocidade na jogada, e, mais uma vez, permitiu que Luis Fernando desse assistência para o gol —- gol de Diego Souza (3×1). 

E não se satisfez …. 

Jean Pyerre mostrou também seu talento no cruzamento que deu a Diego Churín — o atacante sorriso — o prazer de marcar seu primeiro gol com a camisa gremista segundos após entrar em campo (4×1). 

Jean Pyerre é diferenciado. Tem talento. É craque. É o nosso camisa 10!

Avalanche Tricolor: entre o certo e o incerto, vamos ao que interessa

 

Grêmio 1×1 Fortaleza

Brasileiro — Arena Grêmio

Darlan briga pela bola em foto de LUCASUEBEL/GRÊMIOFBPA

 

O Grêmio tem jogado fora boas oportunidades de marcar três pontos, fora e dentro de casa. Lá fora, em partidas que dominava, mas nas quais não conseguiu marcar gols com a mesma frequência de anos anteriores. Cá dentro (ou na Arena), o desperdício chama ainda mais atenção: de 12 pontos disputados ganhou cinco apenas; dos seis últimos pontos, ficamos com um, conquistado no empate deste domingo.

Feitas as contas, o aproveitamento do Grêmio é melhor fora do que dentro de casa. Estranho, não?!? Talvez não!!! Talvez a ausência de público na Arena, desde a retomada do futebol, esteja sendo um dos motivos para o rendimento anormal de um time que costumava amassar o adversário com o empurrão de sua torcida — você há de convir que aqueles gritos programados na caixa de som não enganam ninguém. 

O time troca passe, mas não com a mesma velocidade de antes. Os jogadores se movimentam em ritmo menos intenso no ataque e na defesa. A marcação sofre com tudo isso. O que só me faz ajoelhar e agradecer por termos Geromel e Kannemann na zaga. Sem eles, poderíamos estar ainda mais vulneráveis. Hoje, da dupla titular, o gringo ficou de fora. Que volte logo e em forma.

Somou-se a falta de Kannemann, a ausência de outras peças importantes como Maicon, que ficou pouco tempo em campo (saiu lesionado), e poderia com seu talento fazer a bola rolar mais rapidamente e com sua liderança fazer o time correr; e como Pepê, nosso velocista. 

Luiz Fernando que teve boa atuação nos poucos minutos em campo contra o Bahia, voltou a ser escalado no segundo tempo contra o Fortaleza e dá sinais de que pode se encaixar na equipe. Tem entrado  com vontade e fome de bola —- hoje com vontade além da conta e, ao ser expulso, prejudicou o time que havia feito jogar melhor.

Torcida e time (quase) sempre jogaram juntos nestes anos todos de títulos. Houve até partidas em que a torcida fez mais do que o próprio time. Hoje, essa força motriz está em falta … e tem de ser substituída por outros fatores, porque assim será para todo o ano de 2020. Mais um desafio para Renato que sempre apostou no carisma que tem com o torcedor —- além de seu conhecimento estratégico e comando de grupo —-  para colocar o time no caminho das vitórias.

A perda de pontos importantes, a série de empates e os percalços em casa talvez sejam pela falta do torcedor, talvez sejam pela ausência de alguns jogadores, talvez sejam apenas por que estamos nos reconstruindo em um temporada atípica como essa que vivenciamos. Não temos como saber ao certo.

Dito isso, vamos ao que interessa. 

Nessa sequência de incertezas, a única certeza que tenho é que um bom resultado na retomada da Liberadores, no meio da semana, fará toda a diferença. Que venha a vitória!

Avalanche Tricolor: Renato é Trilegal

 

Grêmio 1(3)x(2)2 Caxias

Gaúcho — Arena Grêmio

 

Pôster Grêmio Tricampeão Gaúcho publicado pelo site GaúchaZH

 

Desde 2016, o Grêmio reserva ao menos uma data no calendário anual para comemorar um título. Naquele ano, vencemos a Copa do Brasil —- após 15 edições —-, que nos abriu a porta para o título de Libertadores, em 2017. Em 2018, 2019 e, agora, 2020, fomos campeões Gaúcho. No meio do caminho, colocamos na sala de troféus: Recopa Sul-Americana, Recopa Gaúcha e outras cositas más

 

Houve jogadores marcantes nestes cinco anos; gente que ressurgiu no cenário nacional como Geromel, dos maiores zagueiros que já vestiram a camisa gremista; que fez seu futebol se expressar pela liderança e talento, como Maicon — o capitão que ergueu todas essas taças dos últimos anos; ou que se consagrou e foi embora, como Luan, o Rei da América. E, recentemente, Everton.

 

Por mais importante que cada um seja (ou tenha sido) — e toda minha gratidão a eles —- foi o conjunto da obra, assinada por Renato Portaluppi, quem nos permitiu transformar títulos em rotina. Hoje mesmo se transformou no primeiro técnico, desde o feito de Oswaldo Rolla, em 1958, a conquistar o tricampeonato gaúcho. 

 

Costumam dizer que Renato tem estrela. Concordo que ele deixa tudo mais estrelado por onde passa. Discordo, porém, quando neste conceito vem embutida a ideia de sorte. Renato não é um cara de sorte. É inteligente da sua maneira. Sabe como poucos transformar pessoas. E o faz ao ser capaz de criar um espírito de grupo que está sempre disposto a agregar novos talentos e a abraçar jogadores que chegam com o desejo de provar suas qualidades.

 

A sequência de títulos chegou com Renato —- e isso não é uma coincidência. É resultado do amadurecimento que teve na vida. De como estudou —- apesar dele dizer que não precisa disso — a dinâmica do futebol contemporâneo e soube levar para campo. Da competência em entender a cabeça de jogadores e de ganhar a admiração dos torcedores. 

 

Depois de ter conquistado o Tri da Liberadores. Agora é Tri do Gaúcho. Renato, indiscutivelmente, é Trilegal!

Avalanche Tricolor: a bola tem de parar

 

Grêmio 3×2 São Luiz
Gaúcho —- Arena Grêmio

 

 

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Jogadores usam máscara em protesto, na foto de LUCASUEBEL/GRÊMIOFBPA

 

 

A máscara no rosto dos jogadores gremistas e o cumprimento protocolar com os cotovelos, logo após o hino, foram imagens fortes de uma partida de futebol que não deveria ter ocorrido. As arquibancadas vazias —- cena que havia se repetido em outros jogos do fim-de-semana —- reforçavam a falta de noção das autoridades que fecharam os portões para não abrirem mão do espetáculo.

 

Do jogo jogado, foram atípicos o gol marcado pelo adversário aos 28 segundos de partida e a vantagem ampliada aos 18 minutos iniciais —- especialmente se compararmos a performance das duas equipes até aqui na competição. O Grêmio jogava em casa e  fora de sintonia —- quase como se não quisesse estar participando daquele momento. Aliás,  não estava mesmo pelo que se via no protesto da entrada de campo e pelas palavras de Renato antes de a bola rolar.

 

A mudança feita pelo técnico aos 20 minutos do primeiro tempo, com a entrada de Jean Pyerre, em lugar do lateral Orejuela, mostrou que o problema não era apenas de falta de foco, era também de falta de qualidade no toque de bola. O time passou a comandar a partida, apesar de não conseguir fazer os gols que o levariam à virada.

 

Após desperdiçar uma, duas, três, várias chances de gol, fez o primeiro ao fim do primeiro tempo, e voltou para o segundo disposto a colocar as coisas no lugar. Thiago Neves empatou ao marcar pela primeira vez com a camisa gremista e Diego Souza, que o substituiu na sequência, fez o da vitória após cobrança de falta —- na qual chutou primeiro com o pé direito e acertou em cheio o rebote da barreira com o pé esquerdo.

 

O placar estava definido, os três pontos garantidos e a liderança da chave, no Campeonato Gaúcho, mantida. Nada disso foi suficiente para superar a insatisfação de quem se viu obrigado a entrar em campo porque o show não podia parar.

 

Para ter ideia, apenas de jornalistas e radialistas inscritos para cobrir a partida havia mais de 110 profissionais. A eles se somam comissões técnicas, árbitros e funcionários, que precisam trabalhar para dar suporte ao jogo. Uma legião de cerca de 350 pessoas que foram à Arena, neste domingo.

 

Espera-se que não seja preciso levar em frente a ameaça feita por Renato, em nome dos jogadores, de convocar uma greve caso os dirigentes não anunciem até amanhã a paralisação de todas as competições, no Brasil.

Avalanche Tricolor: de goleada, sem compadrio e, como de costume, na Libertadores

 

 

 

Grêmio 3×0 São Paulo
Brasileiro — Arena Grêmio

 

 

Gremio x Sao Paulo

Festa na Arena, em foto de LUCASUEBEL/GRÊMIOFBPA

 

 

Havia quem pensasse que pudesse ser um jogo de compadres. E bem que o primeiro tempo dava sinais de que mais uma vez neste campeonato os dois tricolores sairiam de campo com o zero a zero no placar — desta vez, somando-se a satisfação de estarem bem próximos de seus objetivos na competição. Sem contar que o empate dificultaria a vida do co-irmão gremista que ainda está em busca de vaga a Libertadores.

 

 

Mas quem assim pensava, se enganou. E se enganou feio porque sequer levou em consideração o histórico do nosso tricolor nesses últimos anos. Não lembrou que Renato é o nosso técnico e em campo tinha um time sempre disposto a certificar o futebol bem jogado que nos deu títulos atrás de títulos, desde 2016. Um futebol que esteve nas fases finais das principais competições que disputou neste ano e que não precisou de muito tempo, no Brasileiro,  para se colocar entre os quatro primeiros com direito a vaga direta na Libertadores.

 

 

A vitória seria a confirmação de que a temporada 2020 nos reservaria mais uma vez as emoções continentais, como de costume — foi assim em 2016, 2017, 2018 e 2019. Nos proporcionaria a 12a participação na Libertadores só neste século e a 20a em todos os tempos. E só por essa história, não dava para imaginar outra coisa senão o Grêmio entrar em campo nesta noite de domingo para conquistar os três pontos.

 

 

Foi por isso que Renato escalou um ataque com quatro jogadores que se movimentam muito e em alta velocidade — apostou em Alisson, Everton, Luciano e Pepê. Uma turma que no primeiro tempo tentou entrar na área adversária mas não encontrou o espaço que precisava para a troca de bola, já que havia um congestionamento de marcadores.

 

 

No segundo tempo, porém, sob nova orientação, permitiu-se ser atacado e a medida que o adversário se aproximava de sua área roubava a bola e disparava no contra-ataque. Quase marcou logo aos dois minutos em uma arrancada de Everton e Pepê.

 

 

Não demorou muito para chegar lá. Aos 10 minutos, após mais um lance de velocidade, intensa movimentação e troca de passes precisos, o ataque gremista desnorteou a defesa e chegou ao pênalti que permitiu que Luciano assinalasse o 400º gol da história da Arena. Em seis minutos, com um gol contra na cobrança de falta de Alisson e outro ataque fulminante que deixou Luciano pronto para voltar a marcar, o Grêmio fechou a goleada.

 

 

Com a vitória e sem compadrio, o Grêmio selou sua presença na Libertadores pela porta da frente e tem a tranquilidade de fechar a temporada com mais um jogo em casa, na quinta-feira, quando se despede de seu torcedor, e outro fora, na última rodada do Campeonato Brasileiro.

Avalanche Tricolor: sem jamais perder o prazer de jogar bola

 

 

Grêmio 3×0 Botafogo
Brasileiro — Arena Grêmio

 

 

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Fotos: Itamar Aguiar/Agencia Freelancer – Flickr: GrêmioFBPA

 

Havia uma espécie de ressaca da Libertadores no ar. Os gremistas não eram mais de 10 mil na Arena —- muito pouco para uma partida disputada no meio da tarde de domingo. Em campo, percebia-se o constrangimento de alguns jogadores em encararem a volta ao gramado. Disse constrangimento, jamais diria medo.

 

Considerando que somos um time e uma torcida que nos acostumamos a vencer nesses últimos anos — de Gaúcho a Libertadores, de Copa do Brasil a Recopa Sulamericana —-, este domingo não poderia ser diferente, depois do que aconteceu no meio da semana. Estávamos encabulados. Receosos.

 

Pensando bem, o reencontro precisava mesmo ser assim — como um relacionamento amoroso que às vezes enfrenta revés e as partes sabem que se amam e precisam pedir desculpas uma para a outra.

 

Se havia alguma dúvida sobre os sentimentos que ecoavam no vazio das cadeiras da Arena, as palavras do capitão Maicon ao fim do primeiro tempo explicavam muito bem o momento pelo qual o Grêmio passa. Ele foi o autor do gol que abriu o placar e a defesa adversária, logo cedo; além de ter tomado conta do meio de campo com passes bem colocados, assistências qualificadas e uma gana que se revelava sempre que algo não dava certo.

 

“Quando ganha não está tudo certo e quando perde não é terra arrasada. Jogo a jogo nós vamos retomar o nosso lugar. Precisamos acreditar na força da nossa equipe. Estamos sempre brigando por títulos. E esse ano não foi diferente. Temos um objetivo e vamos buscar” — disse Maicon.

 

As palavras do capitão também sinalizaram que o grupo está consciente que só existe uma maneira de superar a tristeza da desclassificação da forma como ocorreu: voltar a joga bola, muita bola.

 

Foi o que se fez no segundo tempo, quando aceleramos o passe, criamos com intensidade e forçamos o adversário a errar até sairem o segundo e o terceiro gols que garantiram nossa vitória. Um de Thaciano e outro de Everton.

 

Talvez demore um pouco. Talvez sequer duas rodadas — até porque no próximo domingo nós teremos o clássico regional. Seja lá qual for o tempo necessário, tenho certeza de que a simbiose criada entre time e torcida voltará. Porque jamais devemos perder o prazer de jogar bola assim como o de assistir ao bom e vitorioso futebol do Grêmio.

Avalanche Tricolor: que seja passageira

 

Grêmio 0x1 Bahia
Brasileiro — Arena Grêmio, Porto Alegre/RS

 

Gremio x Bahia

Luan em jogada de ataque, em foto de LUCASUEBEL/GRÊMIOFBPA

 

 

Revés nunca é bom. Deixa a gente incomodado. Às vezes tira o humor. Em outras, deixa ensinamentos. Há derrotas que exigem mudanças. Há as que sinalizam caminhos. O importante é ter a dimensão certa de cada resultado que se alcança —- ou se deixa de alcançar. E tudo isso só vale a pena enfrentar se tivermos inteligência de entender a mensagem que está por trás do resultado.

 

Quero crer que a deste início de noite de quarta-feira foi para colocar o pé no chão, uma semana antes da decisão que realmente nos interessa.

 

A sequência de resultados estava sendo boa. As goleadas reafirmaram jogadores. A chegada no grupo da Libertadores demonstrou nossa capacidade —- e deixou uma válvula de escape para o restante da temporada. Mas antes que a confiança se transformasse em prepotência, o placar negativo se acendeu como sinal de alerta —- injusto, é verdade, mas um alerta.

 

Renato haverá de tirar proveito do que aconteceu na Arena, nesta vigésima sexta rodada do Campeonato Brasileiro. Sabe que vai precisar que cada um dos jogadores ofereça 110% de seu potencial, na quarta-feira que vem. E terá uma semana inteira para conversar com a defesa, ajustar seu posicionamento, fechar mais os espaços, calibrar os cruzamentos e dribles, e acelerar o passe e a movimentação dos jogadores do meio de campo para a frente.

 

A despeito do resultado, a única coisa que me preocupa é a cena de Luan deixando o gramado mancando e com cara de dor. Que seja passageira! E os próximos dias sejam suficientes para que ele se recupere. Como já escrevi, Luan é um avião pedindo passagem para decolar na hora certa.