Avalanche Tricolor: Diego Souza, o goleador

Grêmio 2×0 Cuiabá

Copa do Brasil —- Arena Grêmio

Diego Souza a caminho do gol em foto de LUCAS UEBEL/GRÊMIOFBPA

 

O Grêmio engatou oito vitórias seguidas, dez jogos invictos, subiu na tabela do Campeonato Brasileiro e hoje se credenciou a disputar a semifinal da Copa do Brasil, mais uma vez. O melhor momento da equipe nesta temporada — na qual já foi Campeão Gaúcho e conquistou vaga às oitavas-de-final da Libertadores mesmo com um futebol irregular — passa por uma série de personagens, a começar por Renato (sim, aquele que você, torcedor ingrato, pediu a demissão), que soube como poucos ter tranquilidade para administrar toda e qualquer crise que entrou no vestiário. Jean Pyerre, renascido e talentoso, e Pepê, enlouquecido e enlouquecendo, são outros dois nomes que se destacam.

Quero, porém, hoje, dedicar esta Avalanche a um cara que muitos davam como abatido e ultrapassado: Diego Souza, o goleador. Com 35 anos, houve que não acreditasse quando o nome dele foi anunciado como novo reforço para 2020. Aproveitou bem o Campeonato Gaúcho para provar que tê-lo de volta ao time valeria a pena. Foi o artilheiro da competição com nove gols —- tendo feito o gol do título e, antes, o da vitória no clássico Gre-nal, no primeiro turno. Na Libertadores fez um e facilitou a vida de seus colegas nos demais. No Brasileiro está com cinco gols. 

Desde a retomada dos jogos, com a liberação do futebol sem torcida, Diego parecia isolado dentro da área, onde a bola raramente chegava. Esboçava alguns movimentos, mas o resultado não aparecia. Amargou uma série de partidas sem marcar, apesar de ter servido de garçom especialmente para Pepê. Os ombros caídos e os braços jogados ao longo do corpo sinalizavam o desconforto dele com sua produtividade e também com a maneira do time jogar.

Com a chegada de Churín, o Diego Gringo, houve quem apostasse que Diego, o Souza, perderia a posição de titular. Não demorou muito para ele voltar a marcar e em partidas decisivas —- como nos dois jogos destas quartas-de-final em que fez três dos quatro gols do Grêmio. Dois deles hoje: de cabeça, logo no início, e, em seguida, com os pés e com a tranquilidade do matador diante do goleiro. Diego está agora com 18 gols neste ano. 

Acreditar que foi o surgimento de um concorrente para a posição que o fez mudar de postura dentro de campo é precipitado e injusto com o time e com Diego Souza. Ele voltou a marcar não porque Churín está no banco, mas porque o time todo evoluiu após sequência de partidas com vitórias e empates sem convicção. Renato foi capaz de dar segurança a seus jogadores, teve paciência para remodelar uma equipe que sofreu perdas na temporada, seja devido a venda, a lesões ou a Covid19. O time voltou a confiar na troca de passe, com a aproximação dos jogadores, movimentação intensa, dribles e velocidade. E assim a bola voltou aos pés — e à cabeça — de Diego. E quando chega nele encontra experiência, talento e precisão; a possibilidade de parar no fundo do poço é enorme.

Avalanche Tricolor: Jean Pyerre é 10

Grêmio 4×2 Ceará

Brasileiro — Arena Grêmio

O 10 de Jean Pyerre na foto de Lucas Uebel/GrêmioFBPA

 

“Temos camisa 10”, gritaram os torcedores nas redes sociais. Perdão, amigo! Sempre tivemos. Nosso 10 apenas não tinha condições de jogar por motivos mais do que conhecidos por todos — só os impacientes e descrentes faziam questão de não entender, preferindo atacar Renato e suas escolhas. E quando nosso camisa 10 voltou, estava vestindo a 21, mas isso, convenhamos, era apenas um detalhe na jornada de nosso craque. 

Aliás, como você, caro e raro leitor desta Avalanche haverá de lembrar, na edição passada desta coluna esportiva, eu escrevi: “nosso camisa 10 —- mesmo que não carregue o número às costas, ele é o 21 do time —- é um jogador especial”. Quis a coincidência que no dia seguinte a minha Avalanche, Renato e o Grêmio decidiram premiar Jean Pyerre com o número que o futebol mundial costuma oferecer aos craques da bola — apesar de que no nosso time a camisa que consagra é a 7; não é mesmo Renato?

A maneira refinada com que Jean Pyerre toca na bola encanta a todos. Isso ficou evidente desde os primeiros movimentos do Grêmio em campo no início desta noite. Com o nosso camisa 10 buscando jogo no meio de campo e conduzindo o time para o ataque, o deslocamento dos jogadores que estão à sua frente ganha em produtividade. Luis Fernando, Diego Souza e Pepê, especialmente, sabem que podem partir em direção ao gol porque a bola será entregue a eles em condições de marcar. Os laterais e volantes que estão ao lado passam e correm porque sabem que vão receber um presente. Todos saímos ganhando quando o camisa 10 está em campo.

O toque não se restringe ao passe. Jean Pyerre enxerga o gol e lança a bola em direção as redes com a mesma facilidade com que deixa seus companheiros em condições de dar sequência à jogada. Hoje, assistimos a dois ou três chutes que obrigaram o goleiro adversário a se esforçar ao máximo para impedir que a bola entrasse. O chute não parece forte. É como se fosse em câmera lenta. Faz o futebol parecer fácil de ser jogado. 

Em campo, Jean Pyerre é leve, solto e preciso … como na cobrança de falta que abriu o placar, depois de um lance bem ensaiado com Diogo Barbosa (1×0). Como no passe que encontrou Luis Fernando livre pela direita para cruzar e Pepê completar (2×0). Como no momento de perspicácia que o fez pegar a bola que acabara de sair pela lateral e cobrar, sem esperar o jogador de ofício, o que deu velocidade na jogada, e, mais uma vez, permitiu que Luis Fernando desse assistência para o gol —- gol de Diego Souza (3×1). 

E não se satisfez …. 

Jean Pyerre mostrou também seu talento no cruzamento que deu a Diego Churín — o atacante sorriso — o prazer de marcar seu primeiro gol com a camisa gremista segundos após entrar em campo (4×1). 

Jean Pyerre é diferenciado. Tem talento. É craque. É o nosso camisa 10!

Avalanche Tricolor: entre o certo e o incerto, vamos ao que interessa

 

Grêmio 1×1 Fortaleza

Brasileiro — Arena Grêmio

Darlan briga pela bola em foto de LUCASUEBEL/GRÊMIOFBPA

 

O Grêmio tem jogado fora boas oportunidades de marcar três pontos, fora e dentro de casa. Lá fora, em partidas que dominava, mas nas quais não conseguiu marcar gols com a mesma frequência de anos anteriores. Cá dentro (ou na Arena), o desperdício chama ainda mais atenção: de 12 pontos disputados ganhou cinco apenas; dos seis últimos pontos, ficamos com um, conquistado no empate deste domingo.

Feitas as contas, o aproveitamento do Grêmio é melhor fora do que dentro de casa. Estranho, não?!? Talvez não!!! Talvez a ausência de público na Arena, desde a retomada do futebol, esteja sendo um dos motivos para o rendimento anormal de um time que costumava amassar o adversário com o empurrão de sua torcida — você há de convir que aqueles gritos programados na caixa de som não enganam ninguém. 

O time troca passe, mas não com a mesma velocidade de antes. Os jogadores se movimentam em ritmo menos intenso no ataque e na defesa. A marcação sofre com tudo isso. O que só me faz ajoelhar e agradecer por termos Geromel e Kannemann na zaga. Sem eles, poderíamos estar ainda mais vulneráveis. Hoje, da dupla titular, o gringo ficou de fora. Que volte logo e em forma.

Somou-se a falta de Kannemann, a ausência de outras peças importantes como Maicon, que ficou pouco tempo em campo (saiu lesionado), e poderia com seu talento fazer a bola rolar mais rapidamente e com sua liderança fazer o time correr; e como Pepê, nosso velocista. 

Luiz Fernando que teve boa atuação nos poucos minutos em campo contra o Bahia, voltou a ser escalado no segundo tempo contra o Fortaleza e dá sinais de que pode se encaixar na equipe. Tem entrado  com vontade e fome de bola —- hoje com vontade além da conta e, ao ser expulso, prejudicou o time que havia feito jogar melhor.

Torcida e time (quase) sempre jogaram juntos nestes anos todos de títulos. Houve até partidas em que a torcida fez mais do que o próprio time. Hoje, essa força motriz está em falta … e tem de ser substituída por outros fatores, porque assim será para todo o ano de 2020. Mais um desafio para Renato que sempre apostou no carisma que tem com o torcedor —- além de seu conhecimento estratégico e comando de grupo —-  para colocar o time no caminho das vitórias.

A perda de pontos importantes, a série de empates e os percalços em casa talvez sejam pela falta do torcedor, talvez sejam pela ausência de alguns jogadores, talvez sejam apenas por que estamos nos reconstruindo em um temporada atípica como essa que vivenciamos. Não temos como saber ao certo.

Dito isso, vamos ao que interessa. 

Nessa sequência de incertezas, a única certeza que tenho é que um bom resultado na retomada da Liberadores, no meio da semana, fará toda a diferença. Que venha a vitória!

Avalanche Tricolor: Renato é Trilegal

 

Grêmio 1(3)x(2)2 Caxias

Gaúcho — Arena Grêmio

 

Pôster Grêmio Tricampeão Gaúcho publicado pelo site GaúchaZH

 

Desde 2016, o Grêmio reserva ao menos uma data no calendário anual para comemorar um título. Naquele ano, vencemos a Copa do Brasil —- após 15 edições —-, que nos abriu a porta para o título de Libertadores, em 2017. Em 2018, 2019 e, agora, 2020, fomos campeões Gaúcho. No meio do caminho, colocamos na sala de troféus: Recopa Sul-Americana, Recopa Gaúcha e outras cositas más

 

Houve jogadores marcantes nestes cinco anos; gente que ressurgiu no cenário nacional como Geromel, dos maiores zagueiros que já vestiram a camisa gremista; que fez seu futebol se expressar pela liderança e talento, como Maicon — o capitão que ergueu todas essas taças dos últimos anos; ou que se consagrou e foi embora, como Luan, o Rei da América. E, recentemente, Everton.

 

Por mais importante que cada um seja (ou tenha sido) — e toda minha gratidão a eles —- foi o conjunto da obra, assinada por Renato Portaluppi, quem nos permitiu transformar títulos em rotina. Hoje mesmo se transformou no primeiro técnico, desde o feito de Oswaldo Rolla, em 1958, a conquistar o tricampeonato gaúcho. 

 

Costumam dizer que Renato tem estrela. Concordo que ele deixa tudo mais estrelado por onde passa. Discordo, porém, quando neste conceito vem embutida a ideia de sorte. Renato não é um cara de sorte. É inteligente da sua maneira. Sabe como poucos transformar pessoas. E o faz ao ser capaz de criar um espírito de grupo que está sempre disposto a agregar novos talentos e a abraçar jogadores que chegam com o desejo de provar suas qualidades.

 

A sequência de títulos chegou com Renato —- e isso não é uma coincidência. É resultado do amadurecimento que teve na vida. De como estudou —- apesar dele dizer que não precisa disso — a dinâmica do futebol contemporâneo e soube levar para campo. Da competência em entender a cabeça de jogadores e de ganhar a admiração dos torcedores. 

 

Depois de ter conquistado o Tri da Liberadores. Agora é Tri do Gaúcho. Renato, indiscutivelmente, é Trilegal!

Avalanche Tricolor: a bola tem de parar

 

Grêmio 3×2 São Luiz
Gaúcho —- Arena Grêmio

 

 

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Jogadores usam máscara em protesto, na foto de LUCASUEBEL/GRÊMIOFBPA

 

 

A máscara no rosto dos jogadores gremistas e o cumprimento protocolar com os cotovelos, logo após o hino, foram imagens fortes de uma partida de futebol que não deveria ter ocorrido. As arquibancadas vazias —- cena que havia se repetido em outros jogos do fim-de-semana —- reforçavam a falta de noção das autoridades que fecharam os portões para não abrirem mão do espetáculo.

 

Do jogo jogado, foram atípicos o gol marcado pelo adversário aos 28 segundos de partida e a vantagem ampliada aos 18 minutos iniciais —- especialmente se compararmos a performance das duas equipes até aqui na competição. O Grêmio jogava em casa e  fora de sintonia —- quase como se não quisesse estar participando daquele momento. Aliás,  não estava mesmo pelo que se via no protesto da entrada de campo e pelas palavras de Renato antes de a bola rolar.

 

A mudança feita pelo técnico aos 20 minutos do primeiro tempo, com a entrada de Jean Pyerre, em lugar do lateral Orejuela, mostrou que o problema não era apenas de falta de foco, era também de falta de qualidade no toque de bola. O time passou a comandar a partida, apesar de não conseguir fazer os gols que o levariam à virada.

 

Após desperdiçar uma, duas, três, várias chances de gol, fez o primeiro ao fim do primeiro tempo, e voltou para o segundo disposto a colocar as coisas no lugar. Thiago Neves empatou ao marcar pela primeira vez com a camisa gremista e Diego Souza, que o substituiu na sequência, fez o da vitória após cobrança de falta —- na qual chutou primeiro com o pé direito e acertou em cheio o rebote da barreira com o pé esquerdo.

 

O placar estava definido, os três pontos garantidos e a liderança da chave, no Campeonato Gaúcho, mantida. Nada disso foi suficiente para superar a insatisfação de quem se viu obrigado a entrar em campo porque o show não podia parar.

 

Para ter ideia, apenas de jornalistas e radialistas inscritos para cobrir a partida havia mais de 110 profissionais. A eles se somam comissões técnicas, árbitros e funcionários, que precisam trabalhar para dar suporte ao jogo. Uma legião de cerca de 350 pessoas que foram à Arena, neste domingo.

 

Espera-se que não seja preciso levar em frente a ameaça feita por Renato, em nome dos jogadores, de convocar uma greve caso os dirigentes não anunciem até amanhã a paralisação de todas as competições, no Brasil.

Avalanche Tricolor: de goleada, sem compadrio e, como de costume, na Libertadores

 

 

 

Grêmio 3×0 São Paulo
Brasileiro — Arena Grêmio

 

 

Gremio x Sao Paulo

Festa na Arena, em foto de LUCASUEBEL/GRÊMIOFBPA

 

 

Havia quem pensasse que pudesse ser um jogo de compadres. E bem que o primeiro tempo dava sinais de que mais uma vez neste campeonato os dois tricolores sairiam de campo com o zero a zero no placar — desta vez, somando-se a satisfação de estarem bem próximos de seus objetivos na competição. Sem contar que o empate dificultaria a vida do co-irmão gremista que ainda está em busca de vaga a Libertadores.

 

 

Mas quem assim pensava, se enganou. E se enganou feio porque sequer levou em consideração o histórico do nosso tricolor nesses últimos anos. Não lembrou que Renato é o nosso técnico e em campo tinha um time sempre disposto a certificar o futebol bem jogado que nos deu títulos atrás de títulos, desde 2016. Um futebol que esteve nas fases finais das principais competições que disputou neste ano e que não precisou de muito tempo, no Brasileiro,  para se colocar entre os quatro primeiros com direito a vaga direta na Libertadores.

 

 

A vitória seria a confirmação de que a temporada 2020 nos reservaria mais uma vez as emoções continentais, como de costume — foi assim em 2016, 2017, 2018 e 2019. Nos proporcionaria a 12a participação na Libertadores só neste século e a 20a em todos os tempos. E só por essa história, não dava para imaginar outra coisa senão o Grêmio entrar em campo nesta noite de domingo para conquistar os três pontos.

 

 

Foi por isso que Renato escalou um ataque com quatro jogadores que se movimentam muito e em alta velocidade — apostou em Alisson, Everton, Luciano e Pepê. Uma turma que no primeiro tempo tentou entrar na área adversária mas não encontrou o espaço que precisava para a troca de bola, já que havia um congestionamento de marcadores.

 

 

No segundo tempo, porém, sob nova orientação, permitiu-se ser atacado e a medida que o adversário se aproximava de sua área roubava a bola e disparava no contra-ataque. Quase marcou logo aos dois minutos em uma arrancada de Everton e Pepê.

 

 

Não demorou muito para chegar lá. Aos 10 minutos, após mais um lance de velocidade, intensa movimentação e troca de passes precisos, o ataque gremista desnorteou a defesa e chegou ao pênalti que permitiu que Luciano assinalasse o 400º gol da história da Arena. Em seis minutos, com um gol contra na cobrança de falta de Alisson e outro ataque fulminante que deixou Luciano pronto para voltar a marcar, o Grêmio fechou a goleada.

 

 

Com a vitória e sem compadrio, o Grêmio selou sua presença na Libertadores pela porta da frente e tem a tranquilidade de fechar a temporada com mais um jogo em casa, na quinta-feira, quando se despede de seu torcedor, e outro fora, na última rodada do Campeonato Brasileiro.

Avalanche Tricolor: sem jamais perder o prazer de jogar bola

 

 

Grêmio 3×0 Botafogo
Brasileiro — Arena Grêmio

 

 

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Fotos: Itamar Aguiar/Agencia Freelancer – Flickr: GrêmioFBPA

 

Havia uma espécie de ressaca da Libertadores no ar. Os gremistas não eram mais de 10 mil na Arena —- muito pouco para uma partida disputada no meio da tarde de domingo. Em campo, percebia-se o constrangimento de alguns jogadores em encararem a volta ao gramado. Disse constrangimento, jamais diria medo.

 

Considerando que somos um time e uma torcida que nos acostumamos a vencer nesses últimos anos — de Gaúcho a Libertadores, de Copa do Brasil a Recopa Sulamericana —-, este domingo não poderia ser diferente, depois do que aconteceu no meio da semana. Estávamos encabulados. Receosos.

 

Pensando bem, o reencontro precisava mesmo ser assim — como um relacionamento amoroso que às vezes enfrenta revés e as partes sabem que se amam e precisam pedir desculpas uma para a outra.

 

Se havia alguma dúvida sobre os sentimentos que ecoavam no vazio das cadeiras da Arena, as palavras do capitão Maicon ao fim do primeiro tempo explicavam muito bem o momento pelo qual o Grêmio passa. Ele foi o autor do gol que abriu o placar e a defesa adversária, logo cedo; além de ter tomado conta do meio de campo com passes bem colocados, assistências qualificadas e uma gana que se revelava sempre que algo não dava certo.

 

“Quando ganha não está tudo certo e quando perde não é terra arrasada. Jogo a jogo nós vamos retomar o nosso lugar. Precisamos acreditar na força da nossa equipe. Estamos sempre brigando por títulos. E esse ano não foi diferente. Temos um objetivo e vamos buscar” — disse Maicon.

 

As palavras do capitão também sinalizaram que o grupo está consciente que só existe uma maneira de superar a tristeza da desclassificação da forma como ocorreu: voltar a joga bola, muita bola.

 

Foi o que se fez no segundo tempo, quando aceleramos o passe, criamos com intensidade e forçamos o adversário a errar até sairem o segundo e o terceiro gols que garantiram nossa vitória. Um de Thaciano e outro de Everton.

 

Talvez demore um pouco. Talvez sequer duas rodadas — até porque no próximo domingo nós teremos o clássico regional. Seja lá qual for o tempo necessário, tenho certeza de que a simbiose criada entre time e torcida voltará. Porque jamais devemos perder o prazer de jogar bola assim como o de assistir ao bom e vitorioso futebol do Grêmio.

Avalanche Tricolor: que seja passageira

 

Grêmio 0x1 Bahia
Brasileiro — Arena Grêmio, Porto Alegre/RS

 

Gremio x Bahia

Luan em jogada de ataque, em foto de LUCASUEBEL/GRÊMIOFBPA

 

 

Revés nunca é bom. Deixa a gente incomodado. Às vezes tira o humor. Em outras, deixa ensinamentos. Há derrotas que exigem mudanças. Há as que sinalizam caminhos. O importante é ter a dimensão certa de cada resultado que se alcança —- ou se deixa de alcançar. E tudo isso só vale a pena enfrentar se tivermos inteligência de entender a mensagem que está por trás do resultado.

 

Quero crer que a deste início de noite de quarta-feira foi para colocar o pé no chão, uma semana antes da decisão que realmente nos interessa.

 

A sequência de resultados estava sendo boa. As goleadas reafirmaram jogadores. A chegada no grupo da Libertadores demonstrou nossa capacidade —- e deixou uma válvula de escape para o restante da temporada. Mas antes que a confiança se transformasse em prepotência, o placar negativo se acendeu como sinal de alerta —- injusto, é verdade, mas um alerta.

 

Renato haverá de tirar proveito do que aconteceu na Arena, nesta vigésima sexta rodada do Campeonato Brasileiro. Sabe que vai precisar que cada um dos jogadores ofereça 110% de seu potencial, na quarta-feira que vem. E terá uma semana inteira para conversar com a defesa, ajustar seu posicionamento, fechar mais os espaços, calibrar os cruzamentos e dribles, e acelerar o passe e a movimentação dos jogadores do meio de campo para a frente.

 

A despeito do resultado, a única coisa que me preocupa é a cena de Luan deixando o gramado mancando e com cara de dor. Que seja passageira! E os próximos dias sejam suficientes para que ele se recupere. Como já escrevi, Luan é um avião pedindo passagem para decolar na hora certa. 

Avalanche Tricolor: nada está decidido

 

Grêmio 1×1 Flamengo
Libertadores — Arena Grêmio, Porto Alegre/RS

 

Gremio x Flamengo

Pepê comemora gol que nos mantém na luta, em foto de LUCASUEBEL/GRÊMIOFBPA

 

O caro e raro leitor desta Avalanche talvez não perceba, mas o título que se destaca no alto deste post é o mesmo da Avalanche escrita em 21 de agosto, quando iniciávamos a disputa por um vaga à semi
final da Libertadores.

 

Você haverá de lembrar que, assim como hoje, fizemos o primeiro jogo em casa, diante de nossa torcida e contra o time considerado sensação do Brasil naquele momento. Um time com grandes nomes e um técnico de primeira, que conhecia como poucos a história do Grêmio.

 

E não sei como anda sua memória, mas registro que naquela oportunidade deixamos o gramado com o placar adverso. Não bastasse ter tomado um gol em casa —- o tal gol qualificado que prevalece na Libertadores —-, ainda tivemos a infelicidade, mesmo sendo superior no segundo tempo, de não marcar nenhum.

 

Apesar de todas as desvantagens, o que aconteceu na partida de volta você ainda lembra: o Grêmio foi a São Paulo, encarou um estádio lotado e fervilhante, venceu e se qualificou para a semi-final da Libertadores, driblando as expectativas de comentaristas, adversários e até de alguns dos nossos torcedores.

 

Se reproduzo hoje o mesmo título daquela Avalanche, garanto-lhe que não é por falta de criatividade. Essa até nos faltou no primeiro tempo da partida desta noite quando fomos dominados pelo adversário e nos safamos de algo pior graças a tecnologia que está aí para isso mesmo: impedir irregularidades em campo.

 

Recorro ao “NADA ESTÁ DECIDIDO” porque esta é a mais pura verdade nesta semifinal, especialmente após o Grêmio ter voltado a ser o Grêmio no segundo tempo da partida —- obra de total responsabilidade de Renato que no vestiário soube colocar o time no seu devido patamar, ajeitou as peças, redistribuiu funções e impôs marcação mais forte com a participação de todos os jogadores, inclusive os do ataque que tinham passado a maior parte do primeiro tempo isolados na frente.

 

Não bastasse a conversa de vestiário, ele ainda soube recorrer às melhores peças que tinha no banco para se recuperar da desvantagem no placar. Foi Maicon, que entrou no lugar de Michel, quem teve visão para virar a jogada iniciada pela esquerda com Luan. E foi Pepê, que havia substituído Alisson, quem empurrou a bola para dentro de gol após o cruzamento de Everton. Renato voltou a ser genial.

 

Seja por Renato, seja pela capacidade de recuperação deste time, finalizo esta Avalanche com as mesmas palavras que encerrei aquela de agosto quando estávamos apenas iniciando a caminha para a semifinal da Libertadores:

 

“Nada está decidido. E se alguém acreditar que está, cuidado. Melhor não subestimar nossa imortalidade”.

Avalanche Tricolor: David Braz é o tipo do cara que gosta de jogar bola sábado à noite

 

Grêmio 1×1 Palmeiras
Brasileiro — Arena Grêmio

Gremio x Palmeiras

David Braz comemora em foto de Lucas Uebel/GREMIOFBPA

 

 

Lá no Nonoai, bem em frente ao prédio onde o pai morou nos seus últimos dias, tem um mini-campo de futebol com grama rala, goleiras posicionadas e muito bem cercado — foi a forma que os donos do campinho encontraram para impedir que chutes desajeitados façam a bola se perder no riacho que passa atrás de um dos gols, no pátio da paróquia  que fica do lado contrário ou na rua Santa Flora, que corre por uma das laterais, onde os carros costumam andar em velocidade acima da necessária.

 

Nas últimas visitas que fiz ao local, ao estacionar o meu carro em frente ao campinho, chamava-me atenção o fato de todo dia ter gente para jogar. Alguns times mais organizados. Com uniforme e tudo mais. Com direito a resenha na porta do vestiário e ritual ecumênico antes da partida — aquela corrente pra frente que às vezes assistimos nos gramados oficiais. Parece que cada jogo ali jogado era uma decisão.

 

O que mais me intrigava era a turma dos sábados à noite. Isso é hora de jogar bola? Essa gente não tem família para visitar, amigos para badalar ou namorada para … namorar? Sei que essa cena, em Porto Alegre, não deveria me causar estranheza, especialmente depois de já ter assistido muitos times se engalfinhando  nas madrugadas do Rio de Janeiro, lá no Aterro do Flamengo. Afinal, futebol  é para ser jogado quando e onde quisermos. Basta a bola, um adversário que seja e nosso desejo está atendido. Diversão em campo. 

 

Meu incômodo talvez esteja ligado ao meu passado. Quando comecei a frequentar estádios de futebol, jogo de verdade se assistia aos domingos à tarde. Quarta-feira à noite também era aceitável — especialmente depois que meu time passou a visitar as competições sul-americanas, e as copas nacionais ganharam espaço no calendário do futebol brasileiro. 

 

Hoje em dia (e à noite), tem futebol a toda hora. Sábado de tarde, sábado no fim da tarde, sábado no fim da noite. Domingo de manhã, de tarde e de noite. Às segundas, também. Terça, quarta, quinta, não pode faltar. Seja para atender as múltiplas competições que alguns dos nossos times disputam seja para vender todos os jogos à televisão, a bola rola a todo momento aqui no Brasil.

 

Neste sábado à noite — NOVE HORAS DA NOITE — foi a vez do Grêmio e sua torcida comparecem no bairro do Humaitá para mais uma partida pelo Campeonato Brasileiro. Aquele que eu já havia decidido em minha intimidade que só voltaria a tratar aqui nesta Avalanche quando o Grêmio resolvesse disputar de verdade, com time titular, resenha motivacional no vestiário, ritual ecumênico antes da partida  e o desejo da conquista maior a qualquer custo.

 

Quem joga bola sábado à noite? Foi a pergunta que me fiz antes de me ajeitar no sofá e ligar a televisão para ver o Grêmio — sim, caro e raro leitor desta Avalanche, eu tenho família, filhos para cuidar e namorada para namorar, mas neste sábado os compromissos profissionais e pessoais começaram muito cedo e tinham se estendido por todo o dia, então resolvemos descansar em casa em lugar de sair com os amigos. E descansei no sofá assistindo ao Grêmio.

 

Quase me arrependi do programa reservado para esse sábado à noite . Fui salvo pelo bom vinho que saboreei enquanto a bola rolava na Arena e por aquele chute do David Braz, aos 44 minutos do segundo tempo. Assim que bateu na bola, lembrei-me do chutão que costumava partir dos pés daquela turma do campinho do Nonoai que só não alcançava a torre da Igreja ou a profundeza do riacho por causa da cerca. A diferença é que o chute do nosso zagueiro em lugar de ser desajeitado tinha um destino bem melhor: o ângulo do goleiro adversário.

 

Foi, então, que me dei conta: se tem alguém que gosta de jogar sábado à noite, este alguém é o David Braz, especialmente quando o pai dele, Seu David, faz aniversário.

 

Valeu, seu David. O senhor salvou o meu sábado!