Conte Sua História de São Paulo 472 anos: comecei minha carreira como arquivista

Suzana de Lourdes Silva

Ouvinte da CBN

Década de 1970. Ano de 1974 para ser mais precisa.

Meu primeiro emprego: arquivista. Foi na fábrica de violões Tranquillo Giannini — luthier italiano que imigrou para o Brasil no início do século XX. Ficava na rua Carlos Weber, na Vila Leopoldina, muito diferente de hoje com seus restaurantes badalados, cafés e prédios de alto padrão. De arquivista a supervisora de contas a pagar, passei por todas as etapas de evolução.

Lembro  de uma colega, Joana. Um arraso na datilografia. Ficávamos todos babando com a rapidez dela, movendo os dedos nos teclados e a haste de metal que trocava de linha. Na época não havia a expressão “agora a NASA vem”, mas certamente alguém teria dito, pois achávamos que a máquina levantaria voo a qualquer momento.

Os borderôs acompanhavam as faturas direto para o banco, uma papelada do caramba, levada por algum motoboy. Ops, office-boy — na época a expressão motoboy sequer existia. Também tínhamos a máquina de telex – uma esfinge que nos convidava a entender como aquela fita perfurada se transformava em mensagem em algum lugar do planeta.

Ah! E os salários pagos aos funcionários? Isso era um evento à parte. No dia do pagamento, alguns se trancavam na sala da diretoria, contavam as cédulas e moedas e, de posse dos envelopes, depositavam, lacravam e nos entregavam ao fim do dia. E, não, ninguém ficava pelado como se espalhava na época dizendo ser o único jeito de não haver desvio na contagem.

Outra que nos chamava atenção era a telefonista. Uma espécie de  DJ, comandando uma caixa com inúmeros pinos de variadas cores, conectando a ligação externa com o ramal desejado. Mais um enigma, pois não atinávamos como tudo funcionava.

Aposentei-me aos 46 anos porque na época as mulheres precisavam contribuir por apenas 30 anos. Mas nunca parei. Hoje, aos 65, sou gestora financeira de uma agência de comunicação. E posso dizer que passei e estou passando por todas as melhorias ocorridas desde à época da datilografia e da maquina do telex.

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Suzana de Lourdes Silva é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Participe desta série especial em homenagem aos 272 anos da nossa cidade. Envie o seu texto para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos visite meu blog miltonjung.com.br e o podcast do Conte Sua História de São Paulo.