Quem tem artilheiro, não morre pagão

 

Direto de Roma/Itália

A tabela de goleadores da Copa do Mundo 2010 é auto-explicativa. Dividem o primeiro posto Villa da Espanha e Sneijder da Holanda; Muller da Alemanha e Furlan no Uruguai. Cada um deles marcou cinco vezes, sendo que os dois primeiros podem ampliar esta vantagem na partida de logo mais.

O alemão, aos 20 anos, é o segundo atleta mais jovem a marcar cinco gols em um Mundial. O primeiro, lógico, é Pelé que alcançou este feito aos 17. O uruguaio já é o segundo goleador do País, com 19 gols, dois atrás de Hector Scarone.

Alemanha com 16, Holanda com 12 e Uruguai com 11 são as seleções que mais gols marcaram nesta Copa. A Espanha é o ‘patinho feio’, pois chegou a final com apenas sete gols em seis jogos – muita mais pela pontaria do que pelo desejo, pois foi quem mais chutou, 103 vezes.

A numeralha muitas vezes atrapalha e esconde verdades. Mas trago estes dados estatísticos para chamar atenção em especial para o fato de que as seleções com artilheiros foram as que chegaram a disputa final. Nenhum esquema tático, nenhuma estratégia defensiva, nenhum medo, pode abrir mãos destas figuras essenciais ao futebol.

O goleador – às vezes perna dura para driblar, outras mal-querido pela personalidade – tem de estar em qualquer grupo de elite que se preze. Abrir mão deles em nome de comprometimentos e comportamentos é desperdiçar a oportunidade de um time avançar.

É preciso ressaltar a importância destes personagens da bola, principalmente em um momento em que a economia de gols é evidente na formação das equipes. Não fossem Alemanha e Uruguai partirem para o tudo ou nada – diga-se de passagem, comum na decisão do terceiro lugar – corríamos o risco de assistir ao Mundial com a pior média de gols de todas as Copas.

Após o jogo de ontem, chegamos aos 2,28 por partida, mesmo que a decisão se encerre 0 a 0 encostaremos nos 2,29 de 2006, se houver três gols, superamos a marca. O que ainda é muito pouco e significativo para o futebol que o mundo está jogando.

De nada servirá uma goleada sem o título – não tenho dúvida. Mas mesmo equipes que marcam pouco, como foi a Espanha na Copa da África, precisam de um fazedor de gols, como Villa. Alguém com capacidade de finalizar aquilo que os companheiros construíram ou mesmo com força suficiente para concluir o que ele próprio teve de construir.

Que nossos queridos técnicos aprendam de uma vez por toda. Quem tem um artilheiro, não morre pagão.