Caminhando, ou Deus não permita, levado para uma sala de emergência (algumas vezes por uma ambulância da companhia que tem alguma “conecção com o hospital) e você pode sentir como se estivesse sendo conduzido por você mesmo. Conduzido com três ou quatro outros muito doentes para dentro de uma área que pode caber confortavelmente somente um. Algumas vezes os pacientes são empilhadas tão próximos um dos outros que é impossível para um clínico examiná-lo adequadamente. E esqueça sobre privacidade.
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Doutores em todo o País tem confidenciado para mim que eles são levados a dar alta aos pacientes tão logo for possível após serem admitidos. Um contra-senso, certo ? Isto porque os hospitais pagos pelas seguradoras dos pacientes baseado no diagnóstico do paciente e não no tempo em que o paciente permance no hospital. Que você fique dois duas ou 10 o hospital será pago o mesmo valor. Isto é como pagar $5,000 pelas férias no Hilton Hotel e os funcionários que fazem o check in decidirem quanto tempo você vai ficar.
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Em um golpe horrível e desonesto para se certificar que o paciente ficará tão pouco quanto for possível os hospitais tem recorrido a dar bônus para os médicos não pela sua qualidade de atndimento, mas com base no número de dias que seus pacientes ficam nos hospitais. Outros clínicos que trabalham para hospitais contaram para mim que eles foram chamados para reuniões com administradores e falaram para parar de consultar um doutor, não por causa da qualidade dele ou dela no antendimento, mas somente porque os pacientes desse doutor ficam no hospital muito tempo.
Os trechos acima, ao contrário do que você imagina, se referem ao atendimento hospitalar nos Estados Unidos e fazem parte de artigo publicado em inglês no Blog Healthcare – A behind the scenes look (Atendimento de saúde – Um olhar por trás dos bastidores), do cardiologista Dr. Evan Levine. Em “How Hospitals Make Money ? Raw Hide”, ele usa o nome de um show de televisão que se passava no velho oeste e tinha como cenário a área rural para ironizar a estratégia de hospitais americanos para ganharem mais dinheiro: tratar os pacientes como gado.
Evan é autor do livro What Your Doctor Won’t (or Can’t) Tell You que não foi lançado no Brasil e trabalha como cardiologista em Nova York. Tive oportunidade de conhecê-lo nas últimas férias quando fui para a cidade de Riedgfield, no estado americano de Connecticut. Além do seu jeito americano de receber (entenda isso como quiser), Evan mora em uma casa deslumbrante e com vista para um bosque sem-fim. É lá que escreve boa parte de seus posts, mas a inspiração encontra no cotidiano da medicina e em uma série de desrespeitos escondidos nos corredores e salas de atendimento dos hospitais.