Avalanche Tricolor: de volta ao jogo

 

Grêmio 1×0 Atlético MG
Brasileiro — Arena Grêmio Porto Alegre/RS

 

 

Gremio x Atletico-MG

Vizeu agradece pelo gol marcado, em foto de LUCASUEBEL/GRÊMIOFBPA

 

 

Foi forte, foi com raiva e foi fundamental. Foi assim o chute de Felipe Vizeu que levou o Grêmio a marcar o único e necessário gol da partida, na noite de sábado. Esqueci de dizer também que foi com o dedo de Renato — e que a turma do VAR não anule o gol após ler essa minha afirmação.

 

Neste tempo todo em que está no comando do Grêmio poucas vezes se viu nosso técnico substituir jogadores no intervalo —- a não ser por lesão. Prefere fortalecer seus comandados — e graças a essas apostas já recuperou muitas gente que andava sem norte no gramado.

 

Desta vez, não perdoou. Voltou para o segundo tempo com duas substituições. Uma por lesão: Diego Tardelli entrou no lugar de Alisson. Outra por questões técnicas: Vizeu assumiu o posto que era de André. Nosso atacante havia perdido um pênalti pouco antes de se encerrar o primeiro tempo e a impressão que ficou é que o chute fraco e para fora tirou a paciência de Renato. Soube-se depois que Renato estava apenas sendo Renato: poupou André da vaia do torcedor que prejudicaria a ele e ao time.

 

Enfim, Renato sabe o que faz. E fez certo.

 

Dois minutos depois das mudanças, em uma das muitas cobranças de escanteio que tivemos direito ao longo de toda a partida, a bola foi desviada pelo zagueiro estreante Rodriguez e parou nos pés de Vizeu que não desperdiçou sua oportunidade.

 

Dadas as circunstâncias no campeonato, imagino que a maioria de nós torcedores já estaríamos satisfeitos com os três pontos. Vencer a primeira no Brasileiro seria importante para qualquer pretensão na competição e na temporada. Um novo revés aumentaria e muito a pressão e atrapalharia o ambiente para a partida decisiva do meio de semana pela Copa do Brasil.

 

O Grêmio de Renato foi além. Venceu, sim. Voltou a marcar. E teve competência para suportar a pressão adversária, especialmente no segundo tempo. Mais do que isso: venceu fazendo uma baita partida, especialmente no primeiro tempo, quando voltou a ser o Grêmio que conhecemos, com domínio total do jogo, bola de pé em pé, passe bem apurado, jogadores se movimentando e marcando com intensidade, e chutando muito a gol.

 

Apenas não marcamos mais cedo porque o árbitro fez uma trapalhada daquelas ao sinalizar falta de ataque, quando o que havia ocorrido era um toque de mão na bola. Como errou, impediu a sequência da jogada que foi concluída no gol por Geromel. Já que não havia visto o pênalti e a falta de ataque não ocorreu, já teríamos saído na frente no primeiro tempo.

 

Vencemos e jogamos bem. Vizeu deu as caras e Tardelli, também. Rodriguez jogou sério e cumpriu as ordens do chefe. A luz de Renato brilhou mais uma vez. O Imortal voltou!

Avalanche Tricolor: só havia motivos para sorrir neste domingo

 

Atlético MG 4×3 Grêmio
Brasileiro – Independência-BH/MG

 

gremio

Guris se divertem em campo, em reprodução da SportTV

 

Estava ansioso pelo domingo. E o domingo começou com céu claro e sol agradável em São Paulo. Motivos não faltavam para minha ansiedade: era meu primeiro domingo de férias, que se estenderão até quase o fim do ano, ao lado dos filhos, da mulher e, provavelmente, com uma experiência inédita na minha vida – sobre a qual compartilharei com você assim que se realizar (e se realizar). Era ainda o primeiro domingo do advento do Natal, sempre razão de alegria para os católicos. Mas era, também, a primeira vez que encontraria o padre José Bortolini desde a conquista da Libertadores.

 

Falei dele por aqui em edições anteriores. Aos 65 anos, encara uma daquelas doenças sempre dispostas a nos tirar de ação, mas incapaz de abatê-lo. Já teve problemas de saúde durante a missa. Foi parar no hospital. Não foram suficientes para fazê-lo desistir. Coragem, fé e inteligência são suas principais fortalezas. Autor de inúmeros livros, é um intelectual a serviço da religião e como poucos padres que conheci tem uma incrível capacidade para agregar pessoas e animar a missa. Nessa segunda-feira, completará 40 anos de sacerdócio. É um vitorioso.

 

Bortolini nasceu em Bento Gonçalves, na serra gaúcha, e, principalmente, nasceu gremista – e agora você, caro e raro leitor desta Avalanche, começa a entender o fato dele ser personagem desta nossa conversa. É com ele que troco olhares, sorrisos e algumas poucas palavras antes de a missa começar ou no seu encerramento. São os únicos momentos em que permitimos que o futebol se sobreponha aos assuntos da religião. Costumam ser mensagens curtas, uma ou duas frases. Nunca mais do que isso. O suficiente para que nossas intenções e confiança em relação ao jogo transpareçam.

 

Hoje, cheguei cedo. E ele estava lá, firme e forte. Forte e faceiro. Assim que me viu, se virou para cumprimentar-me com a simpatia de sempre. Assoprou-me algumas palavras talvez para que outros fiéis não se sentissem incomodados: “a América ficou pequena para nós”. Foi o suficiente para tirar um largo sorriso deste escrevinhador e de alguns que estavam mais próximos. Disse sem medo de estar cometendo o pecado da soberba, pois tinha a favor de seu argumento o futebol superior que nos levou ao tri da Libertadores.

 

Abracei-o com o abraço que os campeões merecem e assim que entrei na Igreja mais uma cena a me lembrar da nossa conquista: Romano Pansera, um dos fiéis que sempre encontro aos domingos, estava sentado nos primeiros bancos. Seu primeiro nome aparecia em destaque gravado nas costas da camisa tricolor. Sim, ele também é gremista como eu. E pelo que percebi aproveitou o momento para agradecer pelas graças alcançadas. Fui até lá para compartilhar um abraço, afinal, ali estava outro campeão da América.

 

De minha parte, como já deixei claro em outras Avalanches, procuro não misturar os assuntos. Sempre tenho a impressão que Deus tem mais com que se preocupar do que ficar defendendo bola lá atrás e as desviando para o gol lá na frente. O futebol, dizem, tem deuses próprios que habitam os estádios e costumam intervir nos momentos mais inacreditáveis para nos provar que estão dispostos a ajudar a quem fez por merecer.

 

Assim que voltei para a casa, ainda pela manhã, o Grêmio haveria de me oferecer outro instante de satisfação: graças ao seu título, fui entrevistado no programa apresentado por Carlos Eduardo Eboli, na CBN, ao lado de Álvaro Oliveira Filho. Oportunidade para tecer elogios à gestão do futebol gremista, à perseverança e ao conhecimento de Renato e à construção desta equipe de campeões.

 

A tarde de domingo chegou e lá estava o Grêmio a me dar mais alegrias, mesmo diante de resultado desfavorável. Perdão, placar desfavorável. Porque o resultado do futebol apresentado pelos meninos que entraram em campo foi muito bom. Toque de bola, deslocamento, velocidade, dribles, coragem, paciência e persistência: todas aquelas marcas que fizeram nosso time campeão estavam naquele grupo de guris. Eles jogaram bola com sorriso no rosto. Divertiram-se diante das câmeras de televisão. Não se intimidaram com a experiência e a torcida do adversário. Sinalizaram a mim, ao Brasil e a todos que admiram um jogo bem jogado que o futebol que nos levou ao título da América não foi um acaso.

 

Realmente, a América está pequena para nós, como disse o padre Bortolino.

 

Que assim seja para todo o sempre, amém!

Avalanche Tricolor: um time cheio de alternativas

 

Grêmio 2×0 Atlético-MG
Brasileiro – Arena Grêmio

 

 

unnamed

Fernandinho, o goleador “alternativo”

 

Sei que já reclamei nesta Avalanche do neologismo futebolístico da temporada: chamar time reserva de alternativo. Foi bem no início do campeonato, quando o Grêmio colocou em campo uma escalação totalmente desfigurada, já pensando na maratona de competições que teria neste ano. Logo percebi que a expressão estava na boca de boa parte dos jornalistas esportivos e já havia contaminado o bate-papo do torcedor. Era o politicamente correto entrando em campo.

 

Hoje, enquanto assistia ao Grêmio desfilar talento na Arena, pensei melhor sobre o termo, talvez influenciado pelo fato de as duas equipes terem feito a mesma escolha: poupar alguns de seus jogadores principais visando a partida da Libertadores no meio da semana. Verdade que fomos menos econômicos do que eles. E a campanha na competição sul-americana explica a opção dos técnicos: nosso caminho é bem mais simples, apesar de nada ainda estar decidido. Podíamos arriscar um pouco mais.

 

E tínhamos alternativa.

 

Está aí aliás o que me fez mudar a opinião sobre o uso da expressão “time alternativo”. Só o tem, quem soube montar elenco. O resto tem time B. Ops, não quero que pareça provocação barata: o resto tem time reserva.

 

Se não, vejamos: Paulo Victor fez sua estreia em substituição a Marcelo Grohe com boas defesas desde os primeiros minutos de partida. Sempre que possível manteve a bola firme entre seus braços. Nas mais complicadas, mandou-a para longe, mesmo quando teve de se virar com os pés. E se virou bem. Não bastasse tudo isso, ainda defendeu pênalti com inteligência ao permanecer no centro da goleira no momento da cobrança. Mostrou-se excelente alternativa para o gol.

 

Na defesa, destaco os dois laterais.
Pela direita tem Léo Moura que joga com elegância e firmeza. Foi responsável pelo cruzamento de um dos gols que nos levaram a vitória ainda no início da partida. Substitui Edilson com a tranqüilidade que a longa jornada nos gramados lhe ofereceu. Não bastasse ser alternativa para o meio de campo como demonstrado no meio da semana.

 

Pela esquerda tem Marcelo Oliveira, titular até pouco tempo, campeão da Copa do Brasil em 2016, líder em campo e voluntarioso com a bola nos pés. Experiente para entrar e sair da equipe alternando-se na posição com Cortez, que é o atual titular pelo momento que vive.

 

No meio de campo, quem se atreve a chamar Maicon, nosso capitão, de reserva? Ele e Michel se alternam como volantes e mantém a mesma qualidade na marcação e saída de bola. Podem revezar com Arthur e Ramiro. Vê-los jogando juntos também é alternativa à disposição de Renato.

 

Já que citei Ramiro, vamos lembrar das multi-tarefas cumpridas pelo nosso meio-campo, que pode atuar em três funções diferentes, é dos que mais desarmam no time e marcou nove gols na temporada. Hoje, pode até descansar.

 

Lá na frente as alternativas são ainda mais curiosas. Tudo bem, Luan é insubstituível. É craque acima de qualquer suspeita. Mas na ausência dele, podemos montar times ofensivos da mesma maneira. Sem contar que alternamos os goleadores, também: Fernandinho, esse que dizem ser reserva no ataque, é o goleador do Brasileiro, com seis gols; Everton e Luan têm cinco cada um; Barrios, Ramiro e Michel têm quatro. Situação que explica termos a maior média de gols entre todos os times do Brasil nesta temporada: 1,9 por partida.

 

Diante dessas constatações passo a aceitar os que dizem que o Grêmio foi a campo com o time alternativo, desde que não usem a expressão como sinônimo de time reserva. Quando falarem do Grêmio, digam que é um time com muitas alternativas e uma delas é ser campeão de toda e qualquer competição que estiver disputando.Inclusive o Brasileiro (com todo respeito as outras alternativas).

Avalanche Tricolor: talento e juventude põem mais uma Libertadores na conta

 

Grêmio 2×1 Atlético MG
Brasileiro – Arena Grêmio

 

23108677970_642a871232_z

 

Futebol não é matemática, mas a soma de alguns fatores tende a um resultado positivo. Quer um exemplo?

Troca de bola precisa + triangulação de jogadores + drible + chute certeiro =  gol.

E assim foi o primeiro gol do Grêmio.

 

Everton, Marcelo Oliveira, Everton de novo, o drible, o espaço conquistado sobre o marcador e o chute distante do goleiro. Foram eles que protagonizaram a jogada pelo lado esquerdo, capaz de desestruturar o adversário. Poderiam ter sido quaisquer outros dos gremistas em campo, pois Roger teve a capacidade de montar uma equipe que se impõe pelo talento, mesmo que em alguns momentos demonstre imaturidade.

 

Fomos imaturos muitas vezes nesta competição, o que nos fez desperdiçar lances de gols após belas tramas construídas pela equipe; ou ao perder pontos com gols levados nos minutos finais em contra-ataque; ou, como hoje, quando a ansiedade pelo resultado nos impediu de segurar a bola da maneira devida, o que parece ter levado Roger à loucura.

 

Como reclamar, porém, dos efeitos da juventude deste time se foram os jovens, a começar pelo próprio técnico de 40 anos, com idade bem abaixo da média nacional, os responsáveis por alguns dos momentos mais importantes no Campeonato Brasileiro. Hoje, além de Everton, de 19 anos, Luan, do alto dos seus 23 anos, nos ofereceu a alegria da vitória.

 

A propósito: a matemática, esta que não tem quase nada a ver com o futebol, também nos foi favorável no segundo gol. A cobrança de falta foi desenhada na planilha dos jogadores que se reuniram em torno de  Luan. O goleiro deles bem que percebeu que alguma surpresa sairia daquela falta e tentou impedir com todos seus artifícios. Mas nosso atacante calculou com precisão como bater na bola, a força necessária, o ponto certo por onde deveria passar e a distância que esta precisaria percorrer para chegar ao seu destino. O esforço para encontrar o resultado certo incluiu até uma variável: a possibilidade de deslocamento do goleiro. Puxando o traço: mais um gol do Grêmio.

 

Sei lá quanto foi calculada aquela defesa de Bruno Grassi, aos 44 do segundo tempo, mas o lance não poderia deixar de ser citado nesta Avalanche,  até porque, também por causa dele, somamos mais três pontos na tabela de classificação, o que nos permite, entre outras coisas, a chegar ao fim da temporada com desempenho invejável contra os primeiros colocados.

 

Você já fez as contas? Ganhamos quatro pontos de seis disputados com o Corinthians e seis pontos dos seis disputados com o Atlético Mineiro. Isso diz muito do time de Roger.

 

A combinação de resultados na última rodada ainda pode nos dar de presente o segundo lugar e cerca de R$ 6 milhões na conta bancária.  Mas o  que interessa mesmo é que hoje, independentemente da matemática, podemos comemorar com muita alegria a passagem para a Libertadores que, afinal de contas, é o nosso objetivo maior.

 

A foto deste post é do álbum Grêmio Oficial no Flickr

Avalanche Tricolor: o Grêmio é candidato ao título do Campeonato Brasileiro

 

 

Atlético MG 0 x 2 Grêmio
Brasileiro – Mineirão (BH)

 

 

Douglas

 

 

 

Escrevo o início deste texto muito antes de o jogo se encerrar, portanto não tenho como saber o resultado final. E o faço não devido ao horário em que a partida vai terminar, que beira o proibitivo para quem, como eu, acorda às 4 da matina. Mas fique tranquilo, caro e raro leitor desta Avalanche, não vou desperdiçar, hoje, meu tempo com a velha ladainha da incompatibilidade entre a minha agenda de torcedor e a de trabalhador. Estou aqui, cedo, ainda no intervalo, porque não me contive de satisfação com o que assisti nesse primeiro tempo de jogo, em especial ao gol que abriu o placar. A jogada se iniciou com a bola roubada pela nossa defesa na linha de fundo, lance seguido de uma sequência de passes. A moça da TV falou em dez toques, confesso que contei pelo menos 17 na repetição. Isto é o que menos importa. O impressionante na jogada foram os passes, as escolhas certeiras e rápidas que os jogadores fizeram no momento de tocar a bola e procurar seu companheiro mais bem colocado. Não houve desespero, apesar da competente marcação adversária. Não houve chutão para contar com a sorte e chegar logo no ataque. Houve precisão, confiança, velocidade e excelente articulação com os jogadores se movimentando como se fizessem parte de uma coreografia muito bem ensaiada. E, claro, houve a conclusão forte de Douglas no gol.

 

 

Comecei a escrever esta Avalanche sem saber o fim da história, mas o fiz com a convicção de que, independentemente do resultado, temos um grande time se formando. Um time pelo qual temos o prazer de torcer. E o início do segundo tempo não me desmentiu. O Grêmio foi maduro, apesar da juventude de seus jogadores. Voltou a colocar a bola no chão, trocar passe e, assim, descobriu o caminho para o segundo e decisivo gol. Novamente com a velocidade e precisão que o futebol moderno exige.

 

 

Apesar da vitória, nada estava resolvido enquanto o apito final não soasse – e como demorou para soar. Diante de um adversário que merece respeito e, empurrado pela sua torcida, é incapaz de desistir, tínhamos de ser fortes o suficiente para resistir. E o fizemos com outro talento que tem se sobressaído nos últimos jogos, a nossa defesa. De Grohe já se esperava muito mesmo. É um grande goleiro. A dupla de área foi soberana por cima e por baixo. E o restante do time voltou, marcou, lutou e se fez grande.

 

 

Assim como escrevi, convicto, o primeiro parágrafo deste texto, a despeito do resultado final, o faço agora para concluir meu pensamento, nesta Avalanche: o Grêmio é, sim, candidato ao título brasileiro.

Avalanche Tricolor: piano piano si va lontano

 

Atlético MG 0 x 0 Grêmio
Campeonato Brasileiro – Arena Independência

 

alecsandroflaxgremiobudamendesgetty_l

 

Antes de começar a rodada, costumo passar os olhos na tabela de classificação, identificar os adversários mais próximos, projetar os resultados e calcular em que posição ficaremos ao fim dos jogos. Claro que na minha rodada imaginária, independentemente de onde e de quem estivermos enfrentando, o Grêmio soma os três pontos da vitória, sempre. Os demais perdem ou empatam. Às vezes até seria bom que todos empatassem. Afinal, se posso sonhar, e o time atual tem nos oferecido esta oportunidade, porque não sonhar com o resultado ideal. Curiosamente, apesar de o exercício que realizo, rodada após rodada, sempre acabo desistindo de acertar as combinações de resultados, não perco meu tempo secando os adversários e foco o olhar no Grêmio. Fico na torcida para que se dê um passo definitivo para dentro do G4 e nos aproximemos dos líderes, pois como bem sabe você, caro e raro leitor desta Avalanche, ainda acredito nas nossas chances.

 

Minhas projeções otimistas também revelam em parte minha ansiedade de alcançar logo o que buscamos há tanto tempo. Quero ver o Grêmio o mais breve possível entre os primeiros, quero vê-lo campeão. Tenho consciência, porém, que me cabe guardar esta impaciência e aguardar os resultados. Nossa conquista está em construção e não virá de uma hora para outra; uma caminhada na qual temos de conquistar o maior número de “três pontos” possíveis – inclusive fora de casa -, enfrentaremos alguns empates e, infelizmente, vamos amargar uma ou outra derrota. É inevitável em competição tão longa quanto o Brasileiro. Na partida que fechou a rodada deste domingo, a vitória seria o ideal, um diferencial, pois a conquistaríamos na casa de um adversário que praticamente não perde por lá. Mas nosso time e nosso técnico sabiam que a paciência seria a principal estratégia. Levar para Porto Alegre um ponto pelo empate não nos colocaria no G4, mas próximo de alcançá-lo. A maior vitória não sairia do Independência, mas do conjunto de uma obra que começou a ser construída há algumas rodadas com a reorganização do time, o reposicionamento de alguns jogadores, o equilíbrio na marcação dos zagueiros, a segurança imposta pelos três volantes e a movimentação dos homens mais à frente.

 

Ainda temos muito a crescer e alguns jogadores precisam melhorar a produtividade, mesmo assim enfileiramos quatro vitórias e um empate nas últimas cinco rodadas, e no meio da semana voltaremos para Casa para mais uma partida recheada de nuances pelo passado recente. Felipão, da família Scolari, que tem Verona em sua origem, sabe como ninguém pronunciar, com sotaque e tudo mais, um velho provérbio italiano: piano, piano, si va lontano.

 

A foto deste post é do site Gremio.net