Avalanche Tricolor: na Libertadores de novo

Grêmio 1 x 0 Atlético PR

Brasileiro — Arena Grêmio, Porto Alegre

Thaciano comemora em foto de Lucas Uebel/GrêmioFBPA

“Nem sempre ganhando nem sempre perdendo, mas aprendendo a jogar” —- cantava Elis Regina, gremista de nascença, em uma de suas letras mais conhecidas. Nem sei bem porque, mas lembrei-me da música assim que sentei para escrever esta Avalanche de um jogo que fui impedido de assistir na televisão. É inacreditável que com a quantidade de plataformas que temos à disposição, ainda existam partidas de futebol profissional disputadas às cegas, no Brasil.

Hoje, no fim da tarde de domingo, ganhamos uma partida que, contaram os narradores e comentaristas do rádio, não teve muitas emoções. Alguns poucos lances de ataque, arriscadas de Ferreirinha pela lateral em dribles com a bola colada no pé, um chute colocado de Jean Pyerre, e a força de Churín e Thaciano, que juntos protagonizaram o único gol da partida já no segundo tempo. Foi o suficiente para marcarmos mais três pontos na tabela de classificação e nos levar de volta a Libertadores.

Por linhas tortas minha memória me remeteu a voz de Elis, imagino,  porque mesmo como um campanha capenga o Grêmio alcançou mais uma marca na sua história: garantiu presença pela sexta vez consecutiva na competição. É a vigésima-primeira vez que disputará a Libertadores — só mais dois times brasileiros estiveram tantas vezes por lá —, a qual vencemos em três oportunidades, a última em 2017. Nesta temporada, que ainda não se encerrou, botamos o pé na Libertadores com uma sequência monótona de empates, 17 até aqui. Ou seja “nem sempre ganhando nem sempre vencendo, mas aprendendo a jogar”, como cantava Elis.

É por saber jogar e decidir que, mesmo diante de performances distantes do que nos acostumamos a ver nos anos anteriores, estamos na Libertadores de novo e ainda confiamos que Renato será capaz de reorganizar o time para o último desafio que temos neste ano de 2020, que teima em permanecer entre nós: a Copa do Brasil.

Avalanche Tricolor: Grohe, você merece nosso aplauso!

 

Grêmio (4)0x1(3) AtléticoPR
Copa do Brasil – Arena Grêmio

 

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Time agradece a Grohe pela classificação em foto de LUCASUEBEL/GREMIOFBPA, no Flickr

 

Havia um novo técnico ao lado do campo. E pouca coisa diferente lá dentro. Começamos marcando a saída de bola, tocando rápido, deslocando-se com velocidade para abrir a defesa e buscando o gol.

 

Mas esta história já conhecemos bem: a medida que o tempo passa, as chances não aparecem e as poucas que surgirem são incrivelmente desperdiçadas. O baixo astral volta a equipe e repercute nas arquibancadas. A impaciência da torcida se reflete no time. E os erros se sucedem.

 

Basta um, bastam dois ataques do adversário para bater o desespero. Que o gol deles vai sair parece que já está escrito no roteiro. Ficamos apenas a espera de saber quem será o protagonista da história: o vilão.

 

E quis, hoje, o destino que fosse Marcelo Grohe, ao deixar a bola escapar de seus braços ainda no primeiro tempo.

 

Grohe não merece ser vaiado como o foi. Nem mesmo tendo errado. Já fez sua própria história no Grêmio. Já nos salvou de poucas e boas ao longo da carreira. E, diante dos nossos defeitos, tem se transformado no último reduto de um time que começa a falhar lá na frente quando perde gols e se permite ser atacado.

 

O futebol, porém, é incrível.

 

Sejam seus deuses – e há quem acredite nesta divindade mundana rodando os gramados – seja o acaso, o roteiro traçado para conquistarmos a classificação à próxima fase da Copa do Brasil devolveu a Grohe o direito de ser protagonista mais uma vez: o herói.

 

Em poucas oportunidades, torci tanto mais para um goleiro do que para o próprio time como nessa interminável série de penaltis.

 

Grohe merecia a chance de se redimir. E o fez não apenas uma, mas cinco vezes: com as mãos quando pode; com os pés, quando já parecia não poder mais; e mais duas vezes impondo respeito diante daqueles que estavam ali para cumprir o papel de algoz.

 

Porém, assim como o futebol é incrível também pode ser ingrato. E, portanto, para Grohe retomar o curso da história, não bastaria apenas cumprir seu papel. Dependeria de seus colegas que insistiam em lhe impor um peso cada vez maior a cada cobrança desperdiçada.

 

Grohe defendia. Eles erravam. Grohe defendia de novo. Eles voltavam a errar. E a cada erro deles, Grohe passava por mais uma provação. E ele provou ser forte o suficiente para encarar todos os desafios. E ele provou ser muito maior do que a vaia que ouviu, do que a pressão que sofreu, do que o destino que tentavam lhe traçar.

 

Grohe, obrigado! Você sempre merece nosso aplauso!

Avalanche Tricolor: começamos muito bem a Copa do Brasil

 

Atlético PR 0x1 Grêmio
Copa do Brasil – Arena da Baixada/Curitiba

 

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Grêmio comemora gol da vitória em foto do site Grêmio.net

 

Começamos bem. O jogo e a Copa do Brasil.

 

A Copa começamos bem porque marcamos gol fora de casa, o que sempre faz diferença, e vencendo, o que faz uma baita diferença.

 

O jogo começamos bem porque o time se movimentou com uma desenvoltura incrível, no primeiro tempo.

 

Molharam o piso para atrapalhar o domínio de bola, mas sequer essa estratégia foi suficiente para nos fazer parar. Nossos jogadores deslizavam pelo gramado artificial com uma facilidade de impressionar.

 

Supostamente havia três volantes na equipe: Wallace, Jaílson e Ramiro. E provavelmente houve quem torcesse o nariz imaginando que jogaríamos fechado atrás.

 

Assim que pegávamos a bola, e a mantivemos sob domínio quase todo o primeiro tempo, os homens de trás disparavam pelos lados, e os da frente encostavam para tabelar O time dos três volantes ganhava ao menos quatro atacantes. Coisas típicas do Roger, este técnico que nos ensinou a jogar diferente.

 

Ninguém guardava posição do meio para a frente. Ninguém ficava fixo a espera da bola. Todos se deslocavam de uma lado para o outro, deixando a defesa adversária atordoada. E foi dessa maneira que chegamos ao gol.

 

Walace conduziu a bola pela intermediária, Douglas apareceu centralizado para receber e com um passe daqueles que só se dá na pelada do fim de semana colocou Miller na cara do gol. Era só matar. E ele matou. E eram apenas seis minutos de partida.

 

Só percebemos que havia adversário no segundo tempo quando até tivemos boas chances de ampliar o placar, mas perdemos o domínio da bola e nos deixamos pressionar. Foi então que entraram em cena o protagonismo de Marcelo Grohe e Geromel, tendo Kannemann como coadjuvante em sua estreia.

 

Começamos muito bem a Copa do Brasil!