Conte Sua História de São Paulo: o autógrafo do Adoniran Barbosa

 


Jairo Marra
Ouvinte da CBN

 

 

No dia 24 de julho de 1978, fui ao antigo prédio do Estadão, na Rua Major Quedinho, ali na República, onde funcionava a Rádio Eldorado, para retirar o disco de chorinho do Carlos Poyares, gravado pelo Estúdio Eldorado, que funcionava no mesmo endereço. O LP ou o “long play” não estava ainda sendo comercializado nas lojas e era vendido diretamente pelo Estúdio, onde deveria ser retirado.

 

Pois bem, nesse feliz dia, encontrei o Adoniran —- sim, o Adoniran Barbosa —- sentado em uma poltrona na sala de espera que havia no estúdio. Bem vestido, usava gravata borboleta e segurava o seu inseparável chapéu — se não me falha memória.

 

Quando me entregaram o LP dentro de um envelope grande, branco, não tive dúvida e pedi o autógrafo do autor de Samba do Arnesto que guardo até hoje, com os dizeres: “

 

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Jairo Marra foi personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Venha contar mais um capítulo da nossa cidade. Escreva seu texto para contesuahistoria@cbn.com.br.

#ComunicarParaLiderar: sessão de autógrafo vira sessão de fotógrafo

 

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O fenômeno dos smartphones, esses equipamentos capazes de nos oferecer acesso a Deus e todo mundo, tornou a fotografia algo corriqueiro, pois basta apontar a lente do celular e tocar a tela para o registro digital ser armazenado. Poucos segundos depois, a cena já está à disposição para compartilhar com os amigos – e os nem tanto – nas redes sociais. Nesse último mês, em que dediquei parte do meu tempo para lançamento do livro “Comunicar para liderar” (Editora Contexto), escrito em parceria com a colega e fonoaudióloga Leny Kyrillos, ficou evidente que as sessões de autógrafos de antigamente já não são mais as mesmas. Poderiam quase que serem substituídas por sessões de fotógrafos, pois não há um leitor que se satisfaça com a dedicatória à caneta. A assinatura vem sempre seguida do pedido de autorização para um ‘selfie’, mesmo que o ‘selfie’ não seja propriamente ‘selfie’, pois, na maioria das vezes, o celular é entregue a alguém mais próximo que se propõe a tirar a foto. E, ainda bem, sempre aparece alguém disposto a colaborar, até porque depois será a vez dele fazer o mesmo pedido.

 

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No sábado, estivemos em Campinas, onde recebemos uma quantidade enorme de leitores e ouvintes, na Cultura, do Shopping Iguatemi, e realizamos um ‘talk-show’ para, em seguida, atendermos ao público que se dignou a permanecer por algumas horas em uma inalcançável e, pela paciência dos presentes, também, incansável fila, que se iniciou no piso térreo da livraria, subiu dois lances de escada para terminar diante da mesa na qual Leny e eu recebíamos os convidados. O roteiro era muito parecido, graças ao carinho de cada pessoa que nos deu o privilégio da presença: um gesto de gentileza, a troca de palavras sobre o trabalho e a vida, a dedicatória personalizada, o autógrafo e, claro, a fotografia. Tira foto de um lado, ajeita o cabelo do outro, levanta para sair melhor na imagem, senta para dar espaço a todos da família, às vezes é preciso repetir a cena porque a luz não ficou boa ou o ‘fotógrafo’ de plantão se atrapalhou nos botões. No fim e ao cabo sempre tem alguém que comenta, como que criando uma cumplicidade:, “vocês devem estar cansados de tanto autógrafo e foto, não?”.

 

Digo a todos e reforço neste texto: não! Com certeza, nada daquilo que temos de fazer para receber os leitores é capaz de nos cansar. Tudo gera prazer, nos oferece alegria e satisfação. É maravilhoso ouvir a história de cada um, a forma como as pessoas entendem as mensagens que transmitimos e o desejo de compartilhar estas sensações. Como aconteceu nesse sábado, há momentos de muita emoção e outros em que a vontade é de levantar e abraçar a todos que estão por lá. Ouve-se algumas coisas incríveis como o menino que, apesar de muito novo, curte estar sintonizado na rádio, o senhor que quer me conhecer porque admira o trabalho de meu pai, a moça que reconhece a inteligência da minha colega de livro pelos trabalhos científicos publicados, sem contar a enorme turma que nos tem como companheiros de viagem todas as manhãs. Houve amigos, como o Cláudio Vieira, que vieram de São Paulo para nos prestigiar, e outros que não nos conheciam pessoalmente mas que fizeram questão de se apresentar como gremistas que são, caso do Danier, que seguidamente deixa seus recados neste Blog.

 

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Tenho um certo pudor em me apresentar como escritor, apesar deste ser o terceiro livro que escrevo, sem contar as participações em outros trabalhos, pois creio que haja pessoas muito mais bem preparadas para ocupar esta função, mas a relação com o leitor durante essas sessões é estimuladora. Tem-se vontade de estar lá no dia seguinte para encontrar a todos novamente ou correr até a próxima cidade para um novo lançamento, mais um tempo dedicado ao bate-papo, à dedicatória, ao autógrafo e, claro, à fotografia, porque esta é sagrada.

 

Até o próximo lançamento ou até o próximo “selfie”!

Dia dos pais: “obrigado por suas palavras”

 

Desnecessário tecer aqui a importância de um pai na vida de seus filhos, menos ainda o papel que o meu teve, já que, entre tantas coisas, somos parceiros de blog e, muitas vezes, ele ou eu já escrevemos sobre nossa relação. Toda semana, ou quase toda, ele nos dá o privilégio de escrever suas crônicas por aqui. Nesta, preferiu mandar-me e-mail para agradecer a dedicatória que escrevi no exemplar do livro ‘Comunicar para liderar’ que reservei com carinho para lhe entregar em mãos no último fim de semana, em Porto Alegre. Confesso que, fosse um editor qualquer de blog, talvez não abrisse espaço para publicar apenas uma nota de agradecimento pelo que realizamos, mas esta não é uma nota qualquer nem eu sou apenas o editor deste blog: a nota foi escrita pelo meu pai e, convenhamos, como negar tal pedido às vésperas do Dia dos Pais.

 

Então, vamos lá! Atendendo a pedidos de meu pai, eis o post da semana escrito por ele:

 

“Obrigado por suas palavras”

 

Oi,este texto eu gostaria de ver postado no teu blog desta sexta-feira. O meu texto começa como o teu:

"Sua correção me guiou,
 Sua carreira me inspirou;
 E aqui você encontra um pouco daquilo
 Que aprendi na estrada da comunicação
 Que foi aberta por você.”

Neste obrigado que se lê acima, o Mílton escreveu para mim a sua dedicatória no dia em que ele e sua parceira, Leny Kyrillos, lançaram o livro “Comunicar Para Liderar”. Demorei um pouco – ou,quem sabe,muito – para postar este texto e agradecer a você o elogio feito ao seu “Velho”. Não fiz mais do que minha obrigação de pai,orgulhoso pelo sucesso do seu filho,radialista de escola e também escritor.