Avalanche Tricolor: é sempre bom voltar para casa

 

Brasil-Pel 0 x 0 Grêmio

Gaúcho — estádio Bento Freitas/Pelotas-RS

 

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Pepê em destaque na foto de LUCASUEBEL/GRÊMIOFBPA 

 

Foram apenas alguns dias, mas foram dias intensos esses que fiquei em Porto Alegre. Fui para lá na sexta-feira e voltei no domingo. Se insistir de ficar mais um ou dois dias —- e esta é a vontade que não me falta —- logo estarão espalhando por aí que estou de férias. Por isso, ontem à noite já estava em casa, aqui em São Paulo.

 

É curiosa essa sensação do “estar em casa”.

 

Deixei Porto Alegre em 1991 quando vim embora para a capital paulista. Se minhas contas estiverem certas e meus planos se realizarem, desde metade do ano passado já vivi mais tempo em São Paulo do que no Rio Grande do Sul.

 

Aqui me fixei profissional e pessoalmente. E me realizei. Minha carreira de jornalista se expandiu. A mim foi oferecido espaço no rádio, na TV, na internet e em revista. Muito mais importante, porém, foi que aqui encontrei a mulher amada e com ela tive filhos amados — e com eles convivo até hoje. É na casa de São Paulo que recebo amigos e para a qual convido a família para aproveitar seus dias. É o meu lar.

 

Apesar disso, ainda teimo em dizer, sempre que tenho viagem marcada para Porto Alegre, que vou para casa. Refiro-me a casa onde morei na Saldanha Marinho, em Porto Alegre, na qual hoje vive meu irmão com a família dele — minha cunhada, meu sobrinho e minha afilhada —-, que me recebe sempre com muita generosidade

 

Foi lá que passei a maior parte dos meus dias de infância e adolescência. Onde minha mãe trocou minhas fraldas, vestiu minha primeira calça de brim coringa e nela bateu com chinelo, sempre que fiz por merecer. Corri atrás de galinha no quintal da casa da Saldanha. Brinquei de esconde-esconde na calçada, em frente. Deixei meus pais de cabelo em pé, atravessando de bicicleta a rua de paralelepípedo.

 

Quando acreditava ter idade para tal, deixava minha casa para me divertir nas discotecas da época, no encontro com os amigos na mesa de bar e na paquera na Cidade Baixa — programas que contribuíram, e muito, para o número de cigarros consumido pelo pai, que só dormia depois que eu voltava para casa.

 

Lá da casa da Saldanha, saía ao lado do pai para ver os jogos do Grêmio, no vizinho estádio Olímpico — onde também treinei futebol, joguei basquete e criei raízes. E essa sequência de experiências —- e tantas outras que deixei de registrar aqui —- impregnaram na alma a ideia de que quando chego na Saldanha, estou em casa. Estou mesmo. Uma sensação que em nada desmerece a ideia de que meu lar está em São Paulo, daqui de onde escrevo essa Avalanche.

 

Ops, perdão, somente agora lembrei que este texto ocupa o espaço dos posts que fazem referência ao Grêmio e seu desempenho em campo — e fora dele. Infelizmente, porém, a viagem de volta a São Paulo deu-se no momento em que o Grêmio começava mais um compromisso pelo Campeonato Gaúcho. Mal consegui assistir aos minutos iniciais na tela do celular. A comissária de bordo logo anunciou o fechamento das portas do avião. Assim que aterrissamos ainda consegui ver o apito final da partida em que empatamos jogando fora de casa — resultado que nos mantém isolado e distante na liderança da competição.

 

Semana que vem, segunda-feira, o Grêmio volta aos gramados e, dessa vez, jogando em casa. E estar em casa é sempre muito bom. Não é mesmo!?

Avalanche Tricolor: sei lá onde vai dar isso, mas que tá bom, tá bom!

 

Caxias 0x3 Grêmio
Gaúcho — Centenário/Caxias do Sul-RS

 

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Pepê comemora segundo gol em mais uma goleada foto de LUCASUEBEL/FBPA

 

 

Até aqui o Campeonato Gaúcho tem sido um ótimo cartão de visita para a temporada. Nas últimas três partidas, o Grêmio marcou 10 gols, e com cinco rodadas é líder isolado, está invicto e colocou o pé na próxima fase da competição —- um rascunho bem diferente daquele que desenhou no início do ano passado, quando se arriscou ao entrar em campo com um time de muitos jovens e pouco preparo. Nem o técnico era Renato.

 

Tenho a impressão que o Grêmio aprende a cada ano que passa. Amadurece a ideia de alternar equipes e elenco, diante da necessidade de jogar em alto nível em uma sequência muito intensa de competições — seja no nosso rincão, seja Brasil a fora, seja lá no estrangeiro.

 

Hoje, consegue colocar em campo times bem mais equilibrados e, principalmente, capazes de repetir a forma de jogar dos titulares.

 

A cada temporada, mantendo a mesma comissão técnica e a mesma visão sobre o que pretende do futebol, revela mais consistência no trabalho. E os jovens jogadores que sobem para o time principal assim como aqueles que ainda não estão capacitados a ter um lugar entre os titulares, absorvem mais facilmente as ideias de Renato.

 

Pepê, que sofreu no time de transição no início da temporada passada e somente voltou a ter chances entre os titulares no segundo semestre, está muito mais confiante. Arrisca o drible, dispara em velocidade e chuta com precisão. Fez um, fez dois e o terceiro não fez porque a bola explodiu no travessão. Isso se chama maturidade.

 

Jean Pyerre, que também estava naquela equipe capenga que começou a jogar o Gaúcho, em 2018, chegou a ser afastado do elenco principal, passou por uma reciclagem, entendeu os conselhos de Renato, e agora traduz sua qualidade técnica e seu talento em produtividade.

 

Quem parece já chegou sabendo o que tinha de fazer foi Felipe Vizeu. Se na estreia foi garçom, ao dar assistência para Maicon marcar, hoje serviu-se da bola cruzada por Thaciano para fazer o seu primeiro gol com a camisa tricolor. Que seja o primeiro de muitos.

 

Na defesa, que tomou apenas um gol nas cinco partidas disputadas pelo Gaúcho, Júlio César foi bem mais testado nesta tarde, no estádio Centenário, do que em todas as demais em que ele e Paulo Victor revezaram a camisa de número 1. E passou bonito pelo teste. A defesa dele em uma cabeceada após a cobrança de escanteio, deu a oportunidade de o Grêmio botar a bola no chão, chegar ao ataque, abrir o placar e colocar ordem na partida — depois de o adversário ter iniciado o segundo tempo pressionando e entusiasmado.

 

Sem contar a segurança de Paulo Miranda que mesmo não sendo o titular, saiu jogando todas as partidas até aqui. Suas atuações tem sido irretocáveis. Ele sabe que a zaga gremista tem dono. Ou donos. Geromel e Kannemann são absolutos no time e no coração do torcedor. Aliás, o gringo voltou a campo com a bola toda, hoje à tarde. Aquele carrinho no lado do campo em que chegou antes do atacante, acertou a bola e ainda cavou a lateral, nos primeiros minutos, me bastava. Mas ele queria mais e simplesmente anulou o ataque adversário. O leão voltou.

 

Poderia trazer outros exemplos para ratificar o que penso sobre este amadurecimento do Grêmio e seu elenco: Juninho Capixaba, Matheus Henrique, Leonardo Gomes, Marinho … quase todos têm demonstrado avanço neste começo de temporada quando imaginávamos que ainda estariam sentido os efeitos das férias e da preparação física mais intensa.

 

Sei lá onde vai dar isso, mas que tá bom, tá bom!

 

PS: uma falha técnica na transmissão da partida do Grêmio pelo Canal Premiere nos tirou o prazer de assistir ao primeiro gol de Felipe Vizeu — soube que aconteceu tanto na Sky quando na NET. Problemas como esse acontecem. Sei bem dessa realidade. Enfrento dificuldades também quando apresento o meu Jornal da CBN. Diante do inevitável, uma recomendação a meus colegas de trabalho responsáveis pela transmissão da partida: além de pedirem desculpas no ar, obrigação nossa quando cometemos algum erro, por favor providenciem a reprodução do gol o mais rapidamente possível, seja durante a partida seja no fim do jogo. É uma questão de respeito ao assinante que, aliás, paga pra ver — e paga caro.

Avalanche Tricolor: para comemorar o Dia do Mágico

 

Grêmio 4×0 São Luiz
Gaúcho — Arena Grêmio/Porto Alegre-RS

 

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Maicon comemora mais um gol do Grêmio,em foto de LUCASUEBEL/GREMIOFBPA

 

Hoje foi o Dia do Mágico. Confesso que somente fui apresentado à data pouco antes de iniciar meu programa matinal na rádio CBN. Soube que o dia foi destinado aos ilusionistas porque esta seria uma das muitas habilidades de São João Bosco, que morreu em 31 de janeiro de 1888.

 

Dom Bosco, como o conhecemos por aqui devido as muitas escolas salesianas que encontramos no país —- lá na minha Porto Alegre tem uma muito famosa — foi aclamado pelo Papa João Paulo II como o “Pai e Mestre da Juventude”. Na adolescência, ele fazia mágicas para ajudar a família. Além de representar os mágicos, é padroeiro de Brasília — mas este é outro assunto.

 

Lembrei dele e dos mágicos, agora à noite, enquanto assistia ao Grêmio, em Porto Alegre, na quarta partida disputada pelo Campeonato Gaúcho. Os gols foram de Everton — no rebote de uma ótima cobrança de falta de Jael —, de Marinho —- que baita gol, rapaz —, de Luan na cobrança de pênalti e do estreante Montoya — começou bem o gringo. Sem desmerecer nenhum deles — e seria injusto se agisse assim —- foi Maicon quem me inspirou a falar dos mágicos e de Dom Bosco.

 

A impressão que tenho sempre que assisto aos jogos do Grêmio é que o nosso capitão é o maestro desse time. A bola sempre passa por ele, antes de se iniciar uma boa jogada de ataque. A cabeça erguida e o olhar para a frente, já desenhando o que pode acontecer de melhor logo ali adiante, revelam a segurança com que ele comanda a equipe.

 

A facilidade com que ele troca a bola de um pé para outro, desviando-se do seu marcador e abrindo espaço para um companheiro que se aproxima ou outro que corre lá distante, é mágica pura.

 

Na partida do fim de semana, nosso volante já tinha sido protagonista de um lance genial, dentro da própria área do Grêmio. Era o último homem e estava acossado pelo atacante. Com a mesma tranquilidade com que dribla e toca a bola lá no meio de campo, livrou-se da marcação e saiu jogando — iludindo o adversário.

 

Hoje, não foi diferente. Como um mestre, sinaliza para seus companheiros o caminho certo, aponta para onde devem se deslocar, em que lugar vão receber a bola. Conversa com um e cochicha no ouvido do outro. Se necessário, fala com o árbitro para entender as sinalizações controversas. Às vezes, está na linha lateral trocando palavras com Renato. Assim como é técnico com a bola nos pés, é a extensão do técnico dentro de campo.

 

Maicon, aos 33 anos, é exemplo para os novos jogadores — os mais jovens e os recém-chegados. É referência para a equipe. É respeitado por todos. Além de esbanjar talento, vibra, briga, sofre. É a representação da nova raça tricolor, em que não basta lutar. Tem de saber jogar. E jogando muito bem em uma posição por onde passaram vários dos nossos ídolos, mudou o patamar de exigência do torcedor.

 

Maicon é mágico e nosso mestre! 

Avalanche Tricolor: é só o começo

 

Grêmio 3×0 Juventude
Gaúcho — Arena Grêmio/Porto Alegre-RS

 

 

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Luan de volta e brilhando, assim como o Grêmio, em foto de LUCASUEBEL/GREMIOFBPA

 

 

Time titular em campo, gramado novo e estádio de primeira. Na segunda -feira calorenta de Porto Alegre —- 34 graus no termômetro, 38 graus de sensação térmica — nada poderia dar errado. Depois de duas partidas com equipe alternativa, nós torcedores gremistas matamos a saudade do Grêmio.

 

A formação principal, escalada por Renato, desde os primeiros momentos de jogo, esboçou o futebol que se transformou em marca registada — daquele Grêmio que nos deu quatro títulos nos últimos anos. Marcação intensa lá na frente, segurança lá atrás e muito toque de bola e movimentação dos jogadores por todo o campo. Um esboço, lógico, porque é preciso ritmo, musculatura mais solta e isso apenas o tempo vai trazer de volta.

 

O primeiro gol surgiu de uma bola roubada quando o adversário tentava sair jogando, aos 27 minutos do primeiro tempo. Ouvi comentaristas chamando atenção para o erro dos defensores. Nenhum dos que ouvi atentou-se para o fato de que o erro foi forçado. Luan pressionou e provocou o erro. Marinho aproveitou-se do erro, houve troca de passe e  Jael matou a jogada na rede.

 

No segundo tempo não foi diferente. Até o tempo do gol foi o mesmo: 27 minutos. O adversário tentou sair jogando. Maicon forçou na marcação. A bola sobrou para Everton e Jael, mais uma vez, completou para o fundo do poço — expressão cunhada pelo mestre e pai Milton Ferretti Jung, que me ensinou a gostar deste time.

 

O terceiro, quando a partida estava praticamente no fim, aos 44 minutos, saiu de outra das características que têm encantado os torcedores. Jean Pyerre — que substituiu Luan — deu um passe sutil e aéreo, cheio de talento, que encobriu os marcadores e fez a bola parar nos pés do atacante Felipe Vizeu — que estreou com nossa camisa ao entrar no lugar de Jael, aos 29 minutos. Vizeu encontrou Maicon livre na pequena área, que apenas empurrou a bola para dentro do gol. 

 

Com a vitória, o Grêmio é líder do Campeonato. Tem maior número de gols marcados: 8. E o melhor saldo: 7. Mais importante do que isso. Mostrou que já começa a ensaiar o talento e a destreza que nos colocaram no topo do futebol sul-americano e nos fez um dos times mais admirados do Brasil. Mas, calma, é só o começo de temporada. O ano promete.

Avalanche Tricolor: de volta!

 

Novo Hamburgo 0x4 Grêmio
Gaúcho – Estádio do Vale/Novo Hamburgo-RS

 

 

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Pepê comemora seu gol em foto de LUCAS UEBEL/GREMIOFBPA

 

 

O Grêmio sempre teve espaço privilegiado neste blog, por motivos que o caro e raro leitor sabe bem — e se por acaso você acessou este post por engano, certamente entenderá até o fim deste texto. Em 2008, um ano depois de ter começado a escrever por aqui, criei a coluna Avalanche Tricolor, publicada sempre ao fim de cada partida disputada pelo meu time. No post de fundação, escrito em 19 de janeiro daquele ano — sim, ontem fizemos aniversário de 11 anos — já deixava evidente minhas (más) intenções: “a coluna ‘Avalanche Tricolor’ ganha espaço neste blog com o objetivo de ser o post esportivo menos imparcial possível”.

 

 

O nome da coluna era referência a maneira que nossa torcida costumava comemorar os gols nas arquibancadas de cimento do Olímpico Monumental —- o que se tornou impossível na Arena, infelizmente. Se no novo estádio, não existe mais Avalanche, a coluna seguiu firme, forte, entusiasmada e parcial aqui no blog, ao menos até a metade do ano passado. Em julho, uma série de compromissos com o lançamento do livro “É proibido calar! Precisamos falar de ética e cidadania com nossos filhos” me impediu de frequentar com assiduidade o blog e menos ainda dedicar algum tempo para escrever textos que estivessem à altura da minha paixão pelo Grêmio.

 

 

Sem clamor popular e nenhuma reclamação dos caros e raros leitores deste blog, interrompi a Avalanche — mas não deixei de acompanhar meu Grêmio, é lógico. Torci, sofri, esbravejei e comemorei cada resultado alcançado até o último jogo de 2018 e, na maioria das vezes, senti falta desta coluna, pois é aqui que jorro minhas emoções, revelo meus sentimentos, algumas vezes torno públicos momentos que vivi em família, já que o Grêmio foi muito importante na minha formação em Porto Alegre, e tento explicar as coisas do futebol, de vez em quando.

 

 

Durante as férias, que se encerram hoje, pensei duas, três vezes se reassumiria o compromisso de escrever a Avalanche. Até a bola começar a rolar neste domingo, em Novo Hamburgo, quando o Grêmio fez sua estreia no Campeonato Gaúcho, tinha dúvidas se seria capaz de acompanhar todos os nossos jogos e depois ainda escrever algo que valesse a pena ler.

 

 

O primeiro tempo já sinalizava que haveria bons motivos para uma Avalanche, mesmo que o time que entrara em campo fosse alternativo, como anunciavam os locutores da TV. No decorrer da partida, encontrei não apenas um, mas quatro bons motivos — o primeiro gol de Juninho Capixaba, que gera boa expectativa na lateral esquerda, os gols marcados pelos jovens Pepê e Matheus Henrique, que são o futuro se revelando em campo, tanto quanto o gol de Marinho, que torço para que deixe de ser apenas um jogador folclórico.

 

 

Não resisti. Voltei. A Avalanche voltou. E termino esta Avalanche da retomada com o título da última coluna escrita, em 30 de julho do ano passado: “Renato sabe o que faz”.

Avalanche Tricolor: um baita jogo, pena que …!

 

Grêmio 0x2 Palmeiras
Brasileiro – Arena Grêmio

 

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Luan em mais uma tentativa de drible, na foto de LUCASUEBEL/GRÊMIOGBPA

 

Há muito não se assistia a jogo tão bem jogado como na noite desta quarta-feira.

 

Duas equipes com qualidade no toque de bola, inteligentes na movimentação, agressivas no ataque e com defesas muito precisas. Uma realidade somente possível pelo talento dos jogadores em campo e pela forma como os dois técnicos comandam seus times.

 

O primeiro tempo, em especial, foi um show à parte. De um lado e de outro víamos o resultado de um futebol bem planejado. As equipes chegavam com velocidade à frente, pressionavam a marcação e chutavam muito a gol. Teve bola na trave, bola no travessão, bola espalmada pelo goleiro, bola despachada para escanteio, bola para um lado e para o outro.

 

No segundo tempo, perdemos parte de nossa qualidade no meio de campo, pois nossos dois volantes — que jogam muito acima da média dos demais meio campistas do futebol brasileiro — tiveram de deixar o gramado desgastados fisicamente pela sequência de partida: Maicon no intervalo e Arthur quando já estávamos em desvantagem — e claro que isso pesa, ainda mais que já entramos sem outro pilar deste setor, Ramiro.

 

A diferença se viu no comando do ataque. O deles mais decisivo do que o nosso, apesar de termos dominado o jogo — mostra a estatística que estivemos com a bola muito mais do que eles.

 

A partida que presenciamos na Arena do Grêmio nessa quarta-feira privilegiou o futebol,apesar do excesso de faltas do adversário — mas isso também tem a ver com a qualidade do jogo jogado. Foi o recurso para impedir os avanços do Grêmio.

 

Foi uma baita jogo, pena que … você sabe o quê !

 

 

Avalanche Tricolor: uma vitória com o talento de Everton, o “imparável”

 

Ceará 0x1 Grêmio
Brasileiro – Arena Castelão/Fortaleza CE


 

 

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Everton em mais uma escapada, na foto de LUCASUEBEL/GRÊMIOFBPA

 

 

Começo esta Avalanche com um pedido de desculpas — e endereçado a Thonny Anderson, o menino que em um minuto e meio fez aquilo que vínhamos tendo dificuldade para fazer durante esta e as duas últimas partidas pelo Campeonato Brasileiro.

 

Aos 35 minutos do segundo tempo, de cabeça, Thonny fez o único e necessário gol nesta vitória sobre mais um adversário que enfrentamos que estava na zona de rebaixamento — os dois times anteriores, para os quais desperdiçamos quatro pontos dos seis disputados, também estiveram ou estão por lá.

 

Peço desculpas a Thonny Anderson porque o lógico seria escrever esta Avalanche sobre ele, que aos 20 anos, emprestado ao Grêmio, tem sido colocado à prova desde o Campeonato Gaúcho. Cotado para sair jogando na partida deste domingo, havia quem o desafiasse a mostrar seu talento, pois estaria devendo o futebol que prometeu nas suas primeiras aparições.

 

Lamento, Thonny, mas meu coração pede para escrever sobre outro jogador — aquele que protagonizou a jogada que permitiu que você fizesse o gol. 

 

Foi Everton quem, no fim do ano passado, me proporcionou a lembrança mais emocionante do futebol nos últimos tempos. Eu estava ali, ao lado dele, em Al Ain, quando nosso atacante entrou na área, cortou para a direita e marcou o gol, já na prorrogação, que nos colocou na final do Mundial de Clubes.

 

Aquele gol parece ter feito nosso atacante desencantar. Parece ter provado a ele próprio o quanto era capaz de fazer com a camisa do Grêmio.

 

Até ali, Everton ameaçava dribles, arriscava alguns chutes e até decidia partidas, mas sempre deixava a ideia de que mais desperdiçava oportunidades do que as aproveitava. Era o jogador que entrava no segundo tempo quando o time não encontrava solução.

 

Hoje, com apenas 22 anos, Everton está muito mais maduro e preciso, sem perder o desejo de ser moleque, que lhe faz acreditar em todas as jogadas, mesmo com a marcação dobrada. Quando recebe a bola, não se satisfaz com o passe para o lado ou o lance burocrático. Quer mais. Olha para frente. Arrisca o drible e consegue passar pelos marcadores.

 

É duramente marcado, empurrado, acossado, mas resiste a todos os algozes. Ele não desiste. Não para nunca. Hoje, sofreu dois pênaltis. No primeiro, o pé foi puxado pela mão do zagueiro, mas o árbitro titubeou e voltou atrás. No segundo, foi derrubado em cima da linha, e o árbitro marcou fora.

 

Quando muitos já temiam mais dois pontos perdidos, a bola foi espantada da nossa área, em uma cobrança de escanteio, e encontrou Everton na nossa intermediária. Ele tocou a bola para a frente, cruzou o meio de campo, atropelou sem dó o marcador e seguiu conduzindo-a em velocidade impressionante.  Ao entrar na área, havia outro zagueiro para pressioná-lo. Everton não se incomodou. Tocou a bola pelo alto e na cabeça de Thonny. Deu de presente ao outro menino do nosso ataque o gol da vitória.

 

Everton comemorou o gol de Thonny apontado o dedo para o céu, enquanto todos nós, inclusive o autor do gol, apontávamos o dedo para ele — o “imparável” Everton.

Avalanche Tricolor: tá difícil, chama o Luan

 

Grêmio 1×0 Defensor
Libertadores – Arena Grêmio

 

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Luan comemora único gol da partida em foto de LUCASUEBEL/GRÊMIOFBPA

 

Dias estranhos vivemos nesta semana.

 

A paralisação do setor de transportes de carga mexeu no cotidiano dos brasileiros. Os caminhões deixaram de entregar as mercadorias, interromperam o tráfego nas estradas e prejudicaram o trânsito nas cidades.

 

O alimento deixou de chegar aos armazéns e o pouco que chegou teve preços majorados. O combustível ficou escasso e as filas de motoristas nos postos são enormes — imagem que só perde em escândalo para o preço cobrado na bomba.

 

Sem abastecerem, os ônibus diminuem o número de viagens e os passageiros ficam mais tempo no ponto. O serviço de lixo é suspenso, a rota da polícia é reduzida e as ambulâncias correm o risco de não sair dos hospitais. Os aviões voam com restrições e os correios desistem de prestar o serviço.

 

O governo não tem de onde tirar dinheiro porque gasta muito e gasta mal. Quando poderia melhorar o gasto, chafurdou na lama da corrupção. A Petrobras também foi destroçada por corruptos e gente de má-fé, e na reconstrução impôs regras de preço que pressionam o bolso de quem já está com dificuldade — o dólar sobe, o preço do barril sobe e a conta chega na bomba de combustível.

 

O cidadão está cansado de pagar a conta dos desmandos e mesmo sentido no seu dia as dificuldades impostas pela crise no abastecimento sinaliza apoio a reclamação dos caminhoneiros. Esses reclamam com razão porque ficam sem manobra para negociar preço, os custos aumentam e o frete não compensa. Por trás deles, escondidos na boleia, estão empresários, donos de enorme frotas de caminhão, que, sem direito à greve, empurram os motoristas para a frente das manifestações.

 

No cenário político, aproveitadores reagem, populistas gritam e extremistas ocupam espaço com discursos baseados em ideias mentirosas e fraudulentas. Há os que sequer sabem fazer conta, os que têm medo de por a cabeça para fora e os sem-noção, que agem como se nada estivesse ocorrendo a sua volta. Poucos buscam o equilíbrio da fala e o meio-termo nas ações.

 

E o que tudo isso tem a ver com o tema central dessa coluna, autodenominada Avalanche Tricolor?

 

Foi esse caos que me tomou o tempo nessas últimas 48 horas, me impediu de escrever a Avalanche logo após o jogo como costumo fazer desde 2008, e de agradecer a Luan por seu talento e precisão nos chutes.

 

Quando todos os caminhos estavam fechados e a bola teimava em desviar nos buracos do gramado mal-cuidado — Renato tem razão em reclamar —, nosso camisa 7 chamou a responsabilidade para si, usou de sua autoridade com a bola no pé e encontrou uma solução para resolver de vez nossos problemas em campo. Assim, o Grêmio encerra a primeira fase líder invicto de seu grupo e com a segunda melhor campanha da Libertadores.

 

Luan para presidente!

Avalanche Tricolor: Renato é a cara do Grêmio

 

 

Brasil PEL (0) 0 x 3 (4) Grêmio
Gaúcho – Estádio Bento Freitas/Pelotas-RS

 

 

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Renato é a cara do Grêmio. O Grêmio é a cara de Renato.

 

Mistura inspiração e transpiração. Luta pela vitória com a garra que se espera dele. Trata a bola com a generosidade que ela merece. É debochado quando necessário. Paciente para decidir. E definito quando precisa.

 

Renato fez isso enquanto esteve em campo. E nos deu os maiores títulos que poderíamos almejar na nossa história. Lutava bravamente contra seus marcadores. Tinha coragem para enfrentar a violência dos que tentavam lhe parar. Da mesma forma, partia para cima deles e os driblava sem perdão.

 

Como técnico, o tempo lhe deu lições. Sua coragem, o fez persistente. Sua audácia, permitiu que novos valores surgissem e jogadores desacreditados se tornassem gigantes. Sua inteligência, reuniu todos esses fatores e nos fez campeões.

 

Houve quem duvidasse da sua capacidade de devolver ao Grêmio a hegemonia estadual diante da decisão no início da temporada de preservar o grupo principal – acertada decisão diante dos desafios de 2018. Falou-se inconsequentemente em rebaixamento e os menos atrevidos, em desclassificação. Renato apostava: decidam as outras sete vagas, uma é do Grêmio.

 

Foi do Grêmio, como apostou Renato, e com a classificação encarrilhou uma goleada atrás da outra. Chegou ao segundo jogo de toda a etapa final com a vaga seguinte praticamente garantida.

 

Nesta final, foi cruel com o Brasil: 7 x 0 no placar agregado. Fora o show.

 

O Gaúcho, conquistado nessa tarde de domingo, faz parte de um ciclo de ouro que se iniciou com o retorno dele ao clube.

 

Devolveu a Copa do Brasil ao Grêmio 15 anos depois. Nos trouxe de volta a Libertadores e a Recopa Sul-Americana após 22 anos. E agora o Gaúcho que há oito não conquistávamos.

 

O Grêmio é a cara de Renato. Renato é a cara do Grêmio.

 

E é no Grêmio que ele decidiu ficar. Obrigado, Renato!

 

Avalanche Tricolor: vai dar samba!

 

Grêmio 0x1 Cruzeiro
Gaúcho – Arena Grêmio

Gremio x Cruzeiro

Everton ganha chance no time titular (Foto LUCAS UEBEL/GrêmioFBPA)

 

Impressão minha ou o único chute no nosso gol foi no pênalti? Parece-me que sim. No primeiro tempo a única tentativa séria do adversário foi-se embora pela linha de fundo. O resto do jogo fomos nós tocando bola, trocando passes e posição, dando cavadinha, procurando o espaço livre, cabeceando no poste, para fora e para o lado, chutando de um lado e o goleiro deles despachando pelo outro.

 

O time titular do Grêmio – ou quase – esteve de volta aos gramados depois de uma curta pré-temporada. Retorno que se precipitou devido aos resultados abaixo das expectativas do time de transição. A vitória virou obrigação para uma equipe ainda com a perna presa pelos trabalhos de musculação e fora do tempo para dar o passe, acertar a passada e se deslocar. Sem direito à adaptação pagou caro diante do futebol apresentado. Merecia resultado melhor.

 

O DNA do futebol gremista que nos encantou e conquistou o tri da Libertadores em 2017, porém, apareceu em muitos momentos da partida, apesar do resultado negativo. Houve boas tentativas de deslocamento, passes colocando o colega mais próximo do gol, dribles capazes de limpar a jogada e pressão o tempo todo.

 

Renato ensaiou um time, testou mudanças de posição e deu chances a novos jogadores. Sabe que precisa de tempo para que os velhos conhecidos voltem a atuar com harmonia e muito mais tempo para que os recém-chegados se encontrem dentro de campo. Precisa também da volta de Artur, que se transformou no maestro desta equipe com a posse de bola segura e a armação de jogo precisa.

 

Quarta-feira, o Grêmio volta a campo em busca da primeira vitória no Campeonato Gaúcho, novamente na Arena. Não tem como garantir que os pênaltis a seu favor sejam marcados – o do jogo de hoje não foi -, mas vai se esforçar para não depender deles.

 

Sabe que os três pontos o aproximará da zona de classificação e colocarão as coisas no seu devido lugar. Serão importantes, também, na preparação para a primeira decisão do ano: a Recopa, que começa a ser disputada na semana seguinte. Sim, o Grêmio mal começa o ano e já tem título a disputar. E pelo que assisti hoje, mesmo com a falta de gols e a derrota, acredito que na final contra os argentinos, vai dar samba!