O que pensa um piloto de avião

 

Tantas horas no ar, olhar sobre as nuvens e conversa com os instrumentos, rendem boas brincadeiras entre pilotos e tripulação. Na relação de frases enviada pelo colaborador Armando Italo, extraídas da internet, um pouco sobre o que eles pensam enquanto você se agarra na poltrona lá atrás:

1 – Esqueça tudo que você sabe sobre empuxo e arrasto, sustentação e gravidade; o que faz um avião voar é dinheiro.

2 – Três coisas que nunca são demais: pista, mulher e combustível.

3 – A única situação em que você pode achar que tem combustível demais é quando há um principio de incêndio.

4 – É bem melhor estar aqui em baixo desejando estar lá em cima, que estar lá em cima desejando estar aqui em baixo.

5 – A hélice é simplesmente um ventilador em frente ao avião para manter o piloto frio. Quer uma prova?? Quando ela para, o piloto imediatamente começa a derreter-se de suor.

6 – Se tiver que enfrentar um pouso de emergência noturno, ligue os faróis para ver a área de pouso. Se você não gostar do que está vendo, desligue os faróis.

7 – Velocidade é vida, a altitude é segurança de vida. Ninguém até hoje colidiu com o céu.

8 – Lembre-se sempre que você pilota com a cabeça e não com as mãos. Nunca permita que o avião leve você a algum lugar onde sua cabeça não tenha chegado cinco minutos antes.

9 – Voar é a segunda maior emoção conhecida pelo homem. Pousar é a primeira.

10 – Todo mundo sabe qual a definição de um bom pouso: é quando você pode sair dele caminhando. Mas pouca gente sabe a definição de um ótimo pouso: é quando, além disso, você pode usar o avião outra vez.

11 – A probabilidade de sobrevivência é proporcional ao ângulo de chegada.

12 – Voar não é perigoso. Perigoso é cair.

13- Decisões acertadas vêm com a experiência, e a experiência vem com decisões erradas.

14 – Pior que um comandante que nunca foi co-piloto, é um co-piloto que já foi comandante.

15 – Os passageiros preferem comandantes antigos a aeromoças novas.

16 – Um piloto é uma alma confusa. Fala sobre mulheres quando está voando e sobre vôo quando está com mulheres.

17 – Tente manter o número de pousos igual ao número de decolagens.

18 – Decolar é opcional. POUSAR É OBRIGATÓRIO.

19 – Nunca houve um avião que tenha decolado e não tenha voltado para a Terra.

Os elegantes Constelattions de Howard Hughes

 

Por Armando italo
Ouvinte-internauta

Constelattions, da Panair (do álbum digital de Dazivel, no Flickr)

Constelattions, da Panair (do álbum digital de Dazivel, no Flickr)

Veja aqui o voo de um Constelattions

A nostalgia dos anos dourados da década de 50, inicio da década de 60, a elegância, o romantismo, tudo isso fazia parte da aviação. Voar nos Constelattions nesta época, para a tripulação era o auge da carreira. Para os passageiros, um privilégio para poucos afortunados. As mulheres perfumadas com Chanel numero 5, embarcavam nos Constelattions vestindo “chics” e caríssimos vestidos rodados godê ou os elegantes tailleurs com cores discretas, sempre acompanhando um camafeu, um colar de pérolas e um casquete na cabeça, Os homens, com seus finos bigodes no estilo Clark Gable, artisticamente aparados, extremamente bem barbeados com lâminas de barbear Gilette e perfumados com a famosa Água Velva, embarcavam vestindo sóbrios e elegantes ternos escuros com risca de giz, com um lenço cuidadosamente dobrado e colocado dentro do bolso ao lado esquerdo da lapela do paletó, estilo jaquetão, e o inseparável chapéu.

(Esse típico passageiro dos clássicos Constelattions, dos anos dourados, nos faz lembrar um “grande” famoso radialista e professor. Quem seria este homem?)

Uma passagem Rio-Nova York custava aproximadamente U$400, em 1955. Os pilotos literalmente pilotavam esses clássicos analógicos e com comandos acionados através de cabos de aço, com cartas de vôo (as ERC) sobre as pernas, seguindo rotas e aerovias com auxílio das agulhas indicadoras de direção do rádio compass o ADF, também orientando-se pela bússola, em vôo transoceânico a orientação era feita pelos astros, com auxílio do sextante, o navegador tendo que realizar cálculos e mais cálculos matemáticos, nada de computadores e sistemas eletrônicos auxiliadores de navegação a bordo como temos nas atuais e moderníssimas aeronaves “new generation”.

Não havia pressa para chegar ao destino, voar era “chic”, cada momento do voo era prazeroso, o passageiro era tratado como príncipe em primeiro lugar. Porém, apesar do glamour dos anos dourados, os Constelattions tinham o seu lado negativo como tudo na vida, os motores Wright R3350 TC18, com 3400 HP equipados com os famosos Turbo Compounds, compostos por 3 turbinas, cada um acionado por um grupo de 6 cilindros, que eram acoplados ao virabrequim, por um conversor de torque hidráulico e os hélices apresentavam alguns problemas técnicos, eram “temperamentais”, causadoras do o único acidente com um Super Constelattion da VARIG.

O primeiro dos Super Constelattion da Varig foi o PP-VDA, que voou de Congonhas para Nova York num voo que durou aproximadamente 24 horas, e com muitas escalas. Apesar de “apresentar algumas dores de cabeça e problemas” com motores e com os hélices, os Constelattions eram bastante dóceis, voar neles era muito agradável. Apesar do seu tamanho era um avião bastante ágil!

Em fevereiro de 1958, A REAL AEROVIAS BRASIL também adquiriu 3 Constelattions os L1049H , matriculados como PP-YSA, PP-YSB e PP-YSC,em 1960 chegaram mais novos Constelattions, os, PP-YSD. A REAL aproveitou-se da designação L1049H. Denominados pelas REAL como Super H, possuíam os tip tanks nas pontas das asas. Era o que diferenciavam dos Constelattions da VARIG.

Dentro das aeronaves clássicas e de outrora, o cheiro predominante era de perfume francês As refeições e o serviço de bordo em algumas companhias aéreas eram feitos por garçons.
Talheres de prata, pratos de porcelana, taças de cristal, toalhas de linho. As comissárias de bordo, aeromoças vestiam elegantes e discretos tailleurs.

O espaço entre poltronas! Tinham ainda 4 poltronas giratórias num local semelhante a uma sala de estar, um lounge. Era possível dar uma bela esticada nas pernas! O conforto e o serviço de bordo nos Constellation jamais foram igualados. E quem ficava feliz eram os afortunados 54 passageiros do Constelattion.

Fico feliz em poder também ter voado nesta época, nestes clássicos e guardo uma agradável recordação de me ver sentado com oito anos de idade na cabine de comando, olhando para traz, admirando os potentes motores turbochargers roncando e soltando labaredas pelos escapes, junto com o meu padrinho piloto da Real Aerovias Brasil.

A era inesquecível dos elegantes Constellations durou pouco. Esses aviões começaram a operar em um momento de transição: As aeronaves com motores a combustão chegaram ao cume do desenvolvimento no final da década de 50, início de 60, cedendo então seus lugares para os super velozes jatos que “de repente” invadiram os céus com os seus motores barulhentos.

Começam a voar no Brasil o Caravelle e o primeiro quadrireator Boeing 707 da VARIG matricula PP-VJA
Dados técnicos do Constelattion.
Fabricante Lockheed
Criador do Constelattion – Howard Hughes
Primeiro voo em 9 de janeiro de 1943
Desativado em 1967
Velocidade maxima 377 mph, 327 knots, 607 km/h.
Velocidade em cruzeiro 340 mph ,295 knots, 547 km/h
Alcançava até 5,400 milhas ou 8,700 km
Teto de serviço a 24,000 pés ou 7,620 metros

Até o nosso próximo voo

N.E.: Mais informações no AeroForum

Marte, sai o avião entra o trem


Por Armando Italo

Imagem do Campo de Marte feita por Samuel kassapian Junior

Imagem do Campo de Marte feita por Samuel kassapian Junior

Aviadores e apaixonados, passageiros e empresas, foram todos surpreendidos com a notícia de que em cinco anos o Campo de Marte, marco e berço da aviação brasileira, inaugurada na década de 20, pai de Congonhas, será desativado – ao menos parcialmente. O aeródromo dará lugar a estação do trem-bala, Trem de Alta Velocidade, levando passageiros para a cidade de Campinas, no interior do Estado de São Paulo, e ao Rio de Janeiro. A pista de pouso será usada para operações do TAV. Há ainda a possibilidade de ampliar o centro de convenções do Anhembi e implantar um parque público.

Bernardo Figueiredo, diretor-geral da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), explica que as aeronaves de asas fixas, os aviões, serão retiradas, sendo mantidas apenas as de asas rotativas, os helicópteros.

O projeto é do Governo Federal e a negociação teve envolvimento da prefeitura de São Paulo e do Governo do Estado.

Tudo em favor da população !

Questionamos:

O que fazer com as 280 operações por dia que se realizam no Campo de Marte, este aeródromo extremamente bem localizado ?

As autoridades ainda não notaram o caos que esta medida pode gerar, o risco de colapso devido a falta de estrutura diante de uma demanda enorme dos serviços de táxi aéreo dentre tantos outros prestados por lá.

Há a possiblidade de o movimento dos aviões, do aeroclube, entre outros, irem para o pequeno e saturado aeroporto de Jundiaí, com estrutura bem menor do que a do aeroporto de Marte. Determinadas aeronaves que pousam e decolam de Marte não terão condições de realizar as suas operações em Jundiaí SDJD.

O Aeroporto de Campinas Viracopos SBKP é um aeroporto com características de cargueiro e com pátio ainda inadequado para aviação geral e executiva.

O Aeroporto de Guarulhos Cumbica SBGR também está saturado e ainda recebe aeronaves executivas que não podem mais pousar em Congonhas SBSP.

Em Congonhas, existem inúmeras restrições impostas a aeronaves de pequeno porte, da aviação geral e executiva. Os slots simplesmente sumiram. Sem esquecer ainda que toda esta polêmica aeroportuária ganhou dimensão com o acidente com o A320 TAM 3054.

Os Aeroportos de Bragança Paulista, Sorocaba, Atibaia, Santos, Itanhanhém, são inviáveis para atender o tráfego de Marte.

Pistas curtas, infra-estutura a desejar, sem esquecer de mencionar, caso decidam por Sorocaba, os problemas com o trânsito pesado nas Rodovias Castelo Branco que passa ao lado da cidade.

Depois de Congonhas, o culpado agora parece ser o Campo de Marte.

Com a desativação e descaracterização deste histórico aeródromo paulistano, a cidade também perderá uma grande parte do acervo e patrimônio históricos, dentre muitas que já se foram. Cederá lugar e história para contribuir “para o desenvolvimento e modernização” da cidade de São Paulo.

Até o nosso próximo vôo! Se tivermos ainda um aeroporto para decolar e pousar, obviamente.

Armando Ítalo Nardi é comandante e colabora com o Blog do Mílton Jung

Balões: alegria na terra, perigo no céu

Por Armando Italo

Junho, mês das alegres e descontraídas festas caipiras, do quentão, da pipoca, da batata doce assada na fogueira, do pinhão, da quadrilha embalada pelas músicas sertanejas. Olha a chuvaaaaa!!!!

Cantam “cai-cai balão, cai-cai balão , cai aqui na minha mão…”

Quem está aqui embaixo se divertindo, não imagina o que pode acontecer lá em cima com quem pilota uma aeronave, não importa o tamanho. São vidas que estão transportando.

No começo do mês, encontrei um amigo também piloto que trabalha com aeronaves de pequeno porte transportando malotes para instituições bancárias (maloteiro) e correspondências. Pilota, ainda, táxi-aéreo e aeromédica, na qual transporta pessoas doentes, órgãos, recém-operados e pacientes em situação de emergência que só chegariam a tempo no hospital de avião.

Na chegada do Aeroporto de Marte, vindo do interior do Estado com quatro passageiros a bordo, deparou-se na proa com um enorme balão, no setor onde são realizados os procedimentos para pouso. Justamente nesta fase do voo em que o piloto tem de estar mais atento, pois o risco de cometer erros é considerável caso haja distração no procedimento.

Meu amigo, pilotando uma aeronave turboélice veloz, um King Air C90, teve que fazer uma rápida manobra evasiva para poder se livrar do enorme balão.

Se por acaso a aeronave atingisse o balão sobre a Serra da Cantareira, próximo ao setor do NDB PERUS, a queda do King Air seria inevitável e mais uma catástrofe aérea causada por irresponsáveis, infantis e criminosos: os fabricantes dos balões.

Soltar balões é crime, é lei!
A história acima, amigos, trata-se somente de mais um exemplo do descaso, da irresponsabilidade de quem solta balões.

No ano passado um enorme caiu no aeroporto de Guarulhos, no páteo, a poucos metros de uma aeronave da TAM em abastecimento de combustível (veja o vídeo).

NÃO SOLTEM BALÕES!!!!

Armando Ítalo Nardi comandante e colaborador para assuntos aéreos – e outras viagens – do Blog do Milton Jung

Já imaginou pagar para ir ao banheiro no avião ?

Encerra-se mais uma semana em que as notícias sobre a queda do Airbus 330 da Air France dominam o noticiário no Brasil. Os jornais franceses já diminuem o espaço destinado ao acidente, segundo informou a correspondente da BBC Brasil em Paris. Enquanto isso, passageiros começam a discutir novidade a ser implantada pela Gol Linhas Aéreas, no País: pagar para comer. Assim como ocorre com empresas estrangeiras que fazem voos econômicos, na Europa e Estados Unidos, os passageiros Gol terão a opção de cardápios mais elaborados se aceitarem pagar o valor proposto durante a viagem.

Armando Italo, nosso comandante para assuntos aéreos, disposto a relaxar neste meio de feriado, decidiu colaborar com a discussão e nos enviou o vídeo a seguir no qual a cobrança pelos serviços prestados a bordo é alvo de muita ironia.

Raio derruba avião ?

Informação de Armando Italo que escreve sobre aviação, aos sábados, no Blog do Milton Jung:

Inicialmente podemos tecer somente algumas suposições aos ouvintes, como mostra a ilustração abaixo, porém nada definitivo ou afirmativo sobre as possibilidades e as causas que levaram a mais este triste e lamentável acidente com o Airbus A330 da Air France. Uma conjunção de fatores pode ter contribuído para o acidente, incluindo o mau tempo e a possibilidade de um raio.

Os raios ou descargas elétricas “podem danificar a fuselagem de um avião, como perfurações”, atingir sistemas de comunicações e eletrônicos. Em 8 de dezembro de 1962, um raio atingiu um Boeing 707 da Pan Am sobre Elkton, estado de Maryland. A descarga provocou uma faísca que incendiou o vapor do combustível em um dos tanques, causando uma explosão que derrubou a aeronave. Pelo que sei este tipo de avião é monitorado 24 horas pelo fabricante via satélite. Quem sabe se o fabricante possa nos informar com mais precisão os motivos que poderia ter causado mais este acidente?

Veja este video mostrando um raio atingindo um 747 durante a decolagem.

Nada aconteceu, pois a carcaça metálica da aeronave não permitiu que o campo elétrico penetrasse no interior. Esse fenômeno é conhecido como Gailoa de Faraday. O que aconteceu com o airbus A330 pode ter sido infelizmente uma fatalidade.

2009 – Uma odisseia no espaço aéreo

Este filme foi realizado em 1968 pelo cineasta Stanley Kubrick. Com 139 minutos de filme e apenas 40 de diálogo, analisa a evolução do Homem, desde os primeiros hominídeos capazes de usar instrumentos até a era espacial e para além disso. Um dos personagens principais do filme é o computador inteligente HAL 9000, uma das máquinas mais famosas da história do cinema.

Desde a “Aurora do Homem” (a pré-história), um misterioso monólito negro parece emitir sinais de outra civilização interferindo no nosso planeta. Quatro milhões de anos depois, no século 21, uma equipe de astronautas liderada pelo experiente David Bowman (Keir Dullea) e Frank Poole (Gary Lockwood) é enviada a Júpiter para investigar o enigmático monólito na nave Discovery, totalmente controlada pelo computador HAL 9000. Entretanto, no meio da viagem HAL entra em pane e tenta assumir o controle da nave, eliminando um a um os tripulantes.

A aviação, aeronaves, naves espaciais, sistemas de gerenciamento de voo, avançados e sofisticadíssimos computadores de bordo que “chegam até falar com a tripulação”, o GPSW, sistemas de auxílio a navegação o GPS, Global Position System, ao longo dos tempos, vem se desenvolvendo de forma assustadora desde o 14 Bis.

As previsões feitas por Júlio Verne e Leonardo da Vinci parecem que estão sendo cumpridas e realizadas! Ou não?

Continuar lendo

Ingestão de aves, o perigo nos aeroportos

Armando Italo

Quem ainda não leu ou ouviu notícias sobre pássaros engolidos pelas turbinas de jatos? Já passei por situações semelhantes, confesso, apesar de “não haver grande risco” e iminência  de queda da aeronave,  não é nada agradável!

Pasmem!

Em 2007 foram registrados no país 567 incidentes deste tipo, mais do que em 2006, que totalizou 486 de acordo com informações do Cenipa, Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos, ligado ao Ministério da Defesa.

O Snea, Sindicato Nacional das Empresas Aeroviárias e outras autoridades confirmam e nos fazem um alerta que os aeroportos Internacional Tom Jobim e Galeão no Rio de Janeiro, de Congonhas e Internacional de Guarulhos em São Paulo, e Juscelino Kubstchek de Brasília DF são os campeões neste tipo de ocorrências.

Uma ave que se choca com uma aeronave a 300 kph resulta num impacto de sete toneladas. Suficiente para causar um enorme estrago.

Um jato comercial voa próximo aos 1.000 kph, imagine então o que pode acontecer quando  uma ave com mais ou menos dez quilos colide com a aeronave!

Quais as causas de aves voando próximo de aeroportos?
O perigo aumenta com a instalação de lixões e o constante e sem fim crescimento de favelas próximas de aeroportos.

As aves não só são engolidas pelas turbinas, como também podem se chocar com outras partes vitais de uma aeronave, a exemplo do que aconteceu recentemente com um pequeno avião operando como táxi aéreo, modelo Sêneca, levando a bordo como passageiros, um casal de médicos.

O Sêneca tinha acabado de decolar do Campo de Marte SP com destino ao interior do Estado, quando próximo ao setor do aeroporto de Jundiaí, colidiu com uma ave, destroçando literalmente o pára-brisa e, como conseqüência, o jovem piloto acabou perdendo a visão de uma dos olhos.

Ferido seriamente,  o piloto teve habilidade para ativar o piloto automático e a aeronave se manteve estabilizada até ele ser atendido pelo casal de médicos, o que resultou em um heróico e seguro pouso com todos são e a salvos.

Outro caso recente que surpreendeu o mundo inteiro: após colidir com pássaros, um Airbus A320 da US Airways com 155 pessoas a bordo pilotado pelo herói comandante Chesley Sullenberger, 57 anos, que tinha acabado de decolar do Aeroporto de La Guardia, NY, efetua vôo em planeio, sem motores e faz pouso forçado no Rio Hudson em NY.

Sullenberger conseguiu controlar com extrema perfeição a aeronave de 70 toneladas com os dois motores em pane, parados, off e pousou com segurança nas águas escuras e, nesta época do ano, gélidas. Por sorte não houve uma única morte, somente alguns machucados leves e casos de hipotermia.
A causa mais provável para este acidente foi o impacto com uma revoada de gansos, infelizmente atingindo e danificando com seriedade as duas turbinas do A320. O aeroporto é circundado pela Baía Flushing, onde diversas espécies de pássaros voam a alturas variadas, raramente ultrapassando 100 metros.

Fica então a pergunta às autoridades aeronáuticas, prefeituras e políticos em geral:

O que fazer para evitar colisões de aeronaves com pássaros que são atraídos pelos lixões e a favelização nos arredores dos aeroportos brasileiros que põem em risco a segurança dos voos durante as aproximações, pousos e decolagens ?
Até o próximo vôo

Armando Ítalo Nardi é comandante e ouvinte-internauta do CBN SP.

E o piloto apareceu…

 Por Carlos Magno Gibrail

Encontramos cada vez mais nos estacionamentos, espaços reservados para os idosos. Shoppings, clubes, restaurantes. Deduz-se, portanto, que são nestes lugares que se deseja que eles estejam.

Enquanto isso, em New York, na semana passada, um pré-idoso estava competentemente salvando a vida de 155 passageiros, ao mesmo tempo em que a mídia e a população colocavam-o como herói.

De lá até cá, não encontrei nenhum comentário que ressaltasse o curioso sistema em que vivemos, pois com a idade de Chesley Sullenberg, herói incontestável, dificilmente se ocupa cargo executivo em grandes e médias empresas. Nem mesmo no serviço público, a não ser como presidente da república.

Ou como artista, afinal de contas as gravadoras não decidem sobre a popularidade dos contratados. É a sorte de Elton John, Mike Jaeger, Roberto Carlos, Caetano Veloso, Gilberto Gil, João Gilberto, Chico Buarque, etc.

Se as atuais CNTP (condições normais de temperatura e pressão) tivessem valido no passado, certamente estaríamos com atraso secular.

Pensadores, cientistas e pesquisadores que trouxeram grandes descobertas e novos pensamentos, em boa parte o fizeram já em idade madura e até mesmo, considerados os padrões atuais, como idosos. Além de terem trabalhado até a morte, coisa que estariam provavelmente impedidos de fazer nos dias de hoje.

A saber, Albert Sabin vacina antipóliomielite, Tycho Brahe Introdução à Nova Astronomia, Karl Marx O Capital, Galileo Galilei Nova Ciência, Max Planck física quântica, Emil Fischer química orgânica, Jean Batiste Lamarck  fundamentos da biologia, Gertrude Elion farmacologia, Nicolau Copérnico o universo heliocêntrico, etc… 

Da Korn/Ferry International, conglomerado multinacional com presença em 41 países, especializado em recursos humanos, ouvimos Rodrigo Araújo, 34 anos, sócio-diretor sobre as razões deste preconceito com os talentos seniores.

“Nas áreas tecnológicas, nos processos industriais, as empresas dão espaço aos executivos maduros, pois são funções que não há possibilidade de abrir mão da experiência acumulada. Todavia, no buraco do furacão, acredita-se que profissionais mais velhos tenham dificuldades de agüentar extensas jornadas, viagens constantes, etc.”

Será que os clientes do “Head Hunter” Rodrigo, rejeitariam no coração Jatene, na plástica Pitangui ou Dráuzio na oncologia? E o piloto sumiu…

Socorremo-nos com o sociólogo Zygmunt Bauman:

“Entre as artes do viver moderno líquido e as habilidades para praticá-las, saber livrar-se das coisas, prima sobre saber adquiri-las”.

“O bem estar dos membros da sociedade moderna líquida dependem da rapidez com que os produtos fiquem relegados a meros desperdícios e da velocidade e eficiência com que sejam eliminados. A indústria de eliminação de resíduos se converte em um setor fundamental (senão o mais importantes) da economia. Inclusive em nossa vida privada, amorosa, o principal problema não consiste em como iniciar uma relação, mas sim em como terminá-la, como desfazer-nos dele ou dela, uma vez que o amor se foi (sempre tão rápido).”

“Mas, por mais velozes que possamos ser nada nos garantirá que, na próxima volta (que se joga agora mesmo), não sejamos passados para trás e passemos então ao grupo dos eliminados”.

Eu, 66 anos, continuo lutando e adotando Chesley como meu herói do ano, o piloto que apareceu e prevaleceu.  

Carlos Magno Gibrail é doutor em moda, as quartas-feiras escreve no blog  e dá risada sempre que é orientado a estacionar o carro na vaga dos idosos.