Avalanche Tricolor: em meio a tantas voltas, uma vitória no Olímpico

Ayacucho 1×2 Grêmio

Libertadores — Olímpico Atahualpa, Quito/Equador

Ferreirinha em foto de Lucas Uebel/Grêmio FBPA

Quantas voltas temos de dar para chegar ao que sonhamos. Assim é na vida, na profissão e no amor. Assim também é no futebol. As voltas do Grêmio nesta temporada 2021, começaram mais cedo do que nas anteriores. Até colocarmos o pé no que entendemos por Libertadores propriamente dito, tínhamos que passar por duas etapas de prévias. A primeira despachamos na noite de hoje —- a bem da verdade, despachamos na partida da semana passada quando goleamos de forma consciente o adversário peruano, em casa. 

Para confirmarmos a classificação, tivemos de dar uma volta na pária que o Brasil se transformou no mundo —- na América do Sul, inclusive. Como brasileiro não somos aceitos no Perú, dada a alta carga de contaminação que levamos em nossa reputação bolsonariana. Tivemos de viajar até Quito no Equador, a 2.850 metros de altitude, onde ainda somos aceitos. E em todas essa voltas não é que fomos cair em um estádio com o nome de nosso saudoso Olímpico?

Como prêmio pela classificação quase-antecipada, o Grêmio deu férias a seu elenco principal e sequer enviou Renato para ficar no banco de reservas — a estratégia foi usada para dar outra volta, desta vez no calendário de um futebol insano que não para nem mesmo diante da desgraça alheia. Só aqui no Brasil, somos quase 280 mil que perdemos a vida para a Covid-19, desgraçadamente. 

Em campo, guris escalados, demos a volta no adversário e no placar. Um minuto após tomar o primeiro gol, reagimos. Ferreirinha, após um passe genial do zagueiro Rodriguez, fez a bola dar voltas colada ao seu pé, cortou um, cortou dois e chutou fora do alcance do goleiro. No segundo tempo, já aos 41 minutos, a bola rolou com velocidade pela direita. Léo Chú e Pedro Lucas trocaram passes. O cruzamento chegou rasteiro na pequena área para Ricardinho bater de primeira e decretar a vitória de número 108 do Grêmio, em Libertadores —- é um dos dois times brasileiros com maior número de vitórias na competição. E só eu e você — caro e raro leitor desta Avalanche —- sabemos quantas voltas no continente tivemos que dar para alcançar essa marca, não é mesmo?

Nossa superioridade fez esta primeira volta da Libertadores 2021 ser bastante tranquila. Mas sabemos que foi apenas o princípio de uma jornada que esperamos nos faça colocar as mãos de volta a Taça Libertadores,.

Avalanche Tricolor: quero ver o WhatsApp do Teco bombando neste ano

Grêmio 6×1 Ayacucho

Libertadores – Arena Grêmio, POA/RS

Diego Souza em foto de Lucas Uebel/Grêmio FBPA

“Vai dormir” foi a resposta de meu amigo Luiz Gustavo Medina, o Teco, à terceira imagem de Diego Souza que enviei para ele pelo WhatsApp, nesta noite de quarta-feira. Claro que não fui. A começar pelo fato de que sequer nos piores momentos da nossa equipe dormi antes do apito final. É questão de honra acompanhar meu time até o fim

Jamais fui torcedor modinha — aquele que só aparece na hora do bem bom. Sofro, choro e me despedaço, seja qual for o resultado. Sou torcedor de todas as horas. Imagine se não o serei diante de uma goleada como a que marcou nossa estreia na Libertadores 2021. Fiquei acordado até o minuto final —- no caso, até os cinco minutos extras finais, assim determinados pelo árbitro da partida.

Você, caro e raro leitor desta Avalanche, deve estar se perguntando: o que o Teco tem a ver com isso? Eu explico. Desde que soube que o filho dele, o Gu, o mais jovem e o que mais números de gols marcou na família, era fã de Diego Souza, adotei o hábito de enviar pelo WhatsApp uma imagem de nosso atacante sempre que ele marcasse um gol com a camisa do Grêmio. Na temporada 2020, que se encerrou domingo passado, em pleno março de 2021, foram 28 ou 29, se não me falha a memória (confirma aí PVC).

Hoje, mandei a primeira imagem na cobrança de pênalti. A segunda, em uma bola que Diego Souza finalizou após atropelar os marcadores. E a terceira, já no segundo tempo, resultado da força e talento para concluir nas redes.  Foi após esse último gol que Teco me mandou para cama. Claro que não fui. Jamais desperdiçaria essa oportunidade de assistir ao Grêmio golear seu adversário. Nesta noite, repetimos o mesmo placar da maior goleada que havíamos alcançado, em Libertadores — contra o Universidad Los Andes, da Venezuela, em 1984.

Confesso que fiquei cabreiro com a forma como ele comemorou cada um dos gols. Acostumado a vê-lo dançando dentro das redes, me pareceu comedido. Quase como se estivesse ali fazendo apenas a sua obrigação. Como se o resultado nada representasse aos gremistas, afinal estamos acostumados mesmo a começar na fase de grupos da Libertadores e não nesta tal pré-Libertadores. Fiquei mais tranquilo quando o vi, no fim do jogo, pedindo a bola da partida para levar para a casa. Foi sinal claro da importância que Diego Souza deu ao seu desempenho — e a de seu time — afinal marcar três gols em jogos de Libertadores é pouco. Fazer 6 a 1, é ainda mais raro.

Além de Diego, marcaram David Braz — da velha guarda —, Ferreirinha e Gui Azevedo — dos novos talentos. Tivemos, também, excelente presença em campo de Pinares, o chileno que começa a ganhar espaço na equipe principal com passes precisos e uma entrega de causar orgulho na gente gremista.

Independentemente da qualidade do adversário, é animador começar com uma goleada a temporada 2021. E, a persistirem o sintoma, o WhatsApp do Teco vai bombar neste ano.