A tristeza que se expressa nas mortes da Paraisópolis

 

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Foi triste a segunda-feira. Uma extensão da tristeza de domingo quando as informações da morte de jovens em uma festa na comunidade de Paraisópolis, na zona sul de São Paulo começaram a chegar. A segunda foi ainda mais triste porque a morte deflagrou uma série de comentários absurdos, desrespeitosos e desumanos. E essas reações me entristecem porque revelam como está partida a nossa cidade. A nossa sociedade.

 

Há duas versões sendo apresentadas.

 

A polícia diz que foi atacada por uma dupla que estava em uma moto, que fugiu em direção a festa e aproveitou-se do aglomerado de pessoas para transformá-las em escudos humanos. A equipe da Força Tática, que foi reforçar a ação, chegou no local e foi agredida com pedradas e garrafadas. Nenhum policial fez disparos com arma de fogo. Usaram apenas munições químicas para dispersão.

 

Os frequentadores do baile disseram que os policias bloquearam as duas saídas do local. Houve correria. A polícia disparou com armas de fogo e bala de borracha. Arremessou bombas de gás e usou sprays de pimenta contra a multidão. Agrediram com garrafadas, cassetetes, pontapés e tapas pessoas já imobilizadas.

 

É bem possível que as duas tenham vestígios da realidade. Somente a investigação será capaz de descobrir. Mas teríamos de acreditar no rigor desse trabalho.

 

O incontestável, no meu entender, é que a tentativa de dispersão das três mil pessoas que participavam no Baile da 17, seja pelo motivo que for, foi um descalabro. E a Polícia Militar tinha obrigação de saber disso.

 

As polícias militar e civil, assim como as forças de segurança pública constituídas, têm o privilégio da força e da violência, garantido e observado pela Constituição. E por tê-lo precisam agir, acima de tudo, com responsabilidade, prudência e inteligência. Jamais podem extrapolar esse direito sob o risco do descontrole social.

 

Ao mesmo tempo, transformar em criminosos todos os frequentadores do baile funk, que desde o início dos anos 2.000 se realiza naquele espaço ao ar livre, levando multidões aos fins de semana, é uma demência que expressa bem como estamos socialmente doentes. Ideia que se fortalece quando tentam relativizar as mortes como muitos buscaram fazer enquanto questionavam a existência desses eventos e a presença da juventude naquele local — como se proibir qualquer uma daquelas manifestações fosse o suficiente em regiões onde a única ação do Estado, quando existe, é a da polícia.

 

Querer que se apure e se puna os responsáveis é o mínimo, diante dessa situação. Não parece, porém, que haja muita gente interessada em encontrar a resposta certa. Pois todos querem apenas confirmar suas convicções. Garantir sua razão. Apontar o dedo e repetir: “eu avisei!”. E jogar a culpa para o lado de lá.

 

Conte Sua História de SP: Os bailinhos santos de Santana

 

Uma única sala – a Hollywood -, o preço do ingresso e a exigência do uso de terno e gravata afastaram seu Walter Macedo do cinema durante a infância dele em Santana, bairro na zona norte de São Paulo. Por isso, as diversões que marcaram suas lembranças foram o circo e os bailes de Carnaval, que ele define como “muito mais santos do que os de hoje”. Nascido em 1934, na capital, Walter é personagem do Conte Sua História de São Paulo:

 

Ouça aqui o depoimento de Walter Macedo, sonorizado pelo João do Amaral

 

O Conte Sua História de São Paulo é uma parceria com o Museu da Pessoa e vai ao ar aos sábados, logo após às 10 e meia da manhã, no CBN São Paulo. Se você quiser contar mais um capítulo da nossa cidade, marque uma entrevista, em áudio e vídeo, no Museu da Pessoa. Ou envie seu texto para milton@cbn.com.br.

Conte Sua História de SP: Carnaval, não; dança de salão

 

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Foi no salão de festas da Igreja Nossa Senhora da Lapa, na zona oeste de São Paulo, que a paulistana Elisa Vicenza Imperatrice descobriu o quanto a música e a dança podem ser determinantes na nossa vida – “revigorante”, como ela própria descreve no depoimento gravado pelo Museu da Pessoa para o Conte Sua História de São Paulo. Antes de se apaixonar pelas valsas vienenses, Elisa também se divertia nos bailes de Carnaval, mas não passava de uma brincadeira de menina:

Ouça o depoimento de Elisa Vincenza Imperatrice com sonorização do Cláudio Antonio

O Conte Sua História de São Paulo vai ao ar aos sábados, logo após às 10 e meia da manhã, no CBN SP. Você também pode contar mais um capítulo da nossa cidade. Agende um depoimento na sede do Museu da Pessoa pelo telefone 011 2144-7150 ou pelo site www.museudapessoa.net.