Conte Sua História de SP: a seleção jogava e eu corria atrás do balão

 

Vagner Osmar Boneto
Ouvinte-internauta da CBN

 

 

Tudo acontecia na época de férias do Grupo Escolar. Eu nasci em Valinhos, interior, e até hoje estou por aqui. Porém durante as férias, e isso foi na década de 1960, eu passava férias da metade do ano na casa da minha tia Floripes, que morava no prédio “Treme Treme” ao lado do Mercadão, na rua Pagé e, também, na Paula Souza.

 

Minha tia tinha um filho, Álvaro, mas ele não gostava de andar a pé, e isso era o que eu mais fazia nas férias em São Paulo. Com idade entre oito e 12 anos cheguei a passar horas andando pelo Parque Dom Pedro sozinho e sem nenhuma preocupação. O transito para quem morava no interior era fantasticamente “pesado”. Eu andava muito pela cidade sem ao menos ter ideia onde estava, mas fazia isso sempre marcando pontos de referência para poder voltar. Me perdi várias vezes, mas bastava perguntar: onde fica o Mercadão? E já me davam todas as direções.

 

Me lembro em 1962, a seleção jogava naquele dia e eu estava pelo parque Dom Pedro seguido um balão verde e branco formato Santos Dumont que estava caindo. Me parecia logo ali e não havia ninguém por perto. Corri desesperado achando que iria pegar o balão, mas de repente o balão se escondeu por trás de um prédio e desapareceu. Hoje eu sei que a noção de distância dentro de uma cidade grande faz muita diferença.

 

Dentro do Mercadão eu passava um bom tempo, era conhecido por alguns vendedores, pois meu pai transportava figo de Valinhos direto para a Mercadão. O cheiro característico ainda está na minha memória e quando ainda hoje passo por lá, vem à tona toda uma doce lembrança.

 

Na rua Pagé, minha tia morava no décimo andar do edifício, se não me engano no número 106, e, às vezes, eu ficava só no apartamento e, claro, na janela observando todo o charme da cidade. Por vezes fazia avião de papel e jogava lá de cima. Um dia descobri uma coleção de gibis do
meu primo e comecei a fazer um avião atrás do outro e soltar para ver qual iria mais longe. Depois de algum tempo quando olhei lá embaixo a rua com muitos papéis me assustei, fechei as janelas e passei o resto da tarde com muito medo. Achava que alguém viria reclamar para minha
tia e ela não me deixaria passar mais as férias ali. Ainda bem que nada aconteceu de ruim.

 

Quando minha tia morava perto da gravadora RCA Victor, na Paula Souza, cheguei a ver os membros do conjunto The Fivers subindo a rua correndo. Nossa! Como fã da Jovem Guarda me senti super feliz. No interior ver um artista de perto nunca aconteceria. Foi um momento do qual eu fazia parte e muito gratificante. Boas lembranças sem dúvidas.

 


Vagner Osmar Boneto é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Quem sabe você conta a sua história aqui na CBN. Escreva para milton@cbn.com.br. Pode, também, registrar tudo isso no Museu da Pessoa, em áudio e vídeo. Marque pelo e-mail contesuahistoria@museudapessoa.net e depois você ainda ganha um DVD com tudo gravado.

Balões: alegria na terra, perigo no céu

Por Armando Italo

Junho, mês das alegres e descontraídas festas caipiras, do quentão, da pipoca, da batata doce assada na fogueira, do pinhão, da quadrilha embalada pelas músicas sertanejas. Olha a chuvaaaaa!!!!

Cantam “cai-cai balão, cai-cai balão , cai aqui na minha mão…”

Quem está aqui embaixo se divertindo, não imagina o que pode acontecer lá em cima com quem pilota uma aeronave, não importa o tamanho. São vidas que estão transportando.

No começo do mês, encontrei um amigo também piloto que trabalha com aeronaves de pequeno porte transportando malotes para instituições bancárias (maloteiro) e correspondências. Pilota, ainda, táxi-aéreo e aeromédica, na qual transporta pessoas doentes, órgãos, recém-operados e pacientes em situação de emergência que só chegariam a tempo no hospital de avião.

Na chegada do Aeroporto de Marte, vindo do interior do Estado com quatro passageiros a bordo, deparou-se na proa com um enorme balão, no setor onde são realizados os procedimentos para pouso. Justamente nesta fase do voo em que o piloto tem de estar mais atento, pois o risco de cometer erros é considerável caso haja distração no procedimento.

Meu amigo, pilotando uma aeronave turboélice veloz, um King Air C90, teve que fazer uma rápida manobra evasiva para poder se livrar do enorme balão.

Se por acaso a aeronave atingisse o balão sobre a Serra da Cantareira, próximo ao setor do NDB PERUS, a queda do King Air seria inevitável e mais uma catástrofe aérea causada por irresponsáveis, infantis e criminosos: os fabricantes dos balões.

Soltar balões é crime, é lei!
A história acima, amigos, trata-se somente de mais um exemplo do descaso, da irresponsabilidade de quem solta balões.

No ano passado um enorme caiu no aeroporto de Guarulhos, no páteo, a poucos metros de uma aeronave da TAM em abastecimento de combustível (veja o vídeo).

NÃO SOLTEM BALÕES!!!!

Armando Ítalo Nardi comandante e colaborador para assuntos aéreos – e outras viagens – do Blog do Milton Jung

Foto-ouvinte: Mulher voadora

Balão publicitário voa por Santo André

A silhueta de uma mulher em pose erótica sobrevoou o céu de Santo André durante o vendaval dessa segunda-feira e chamou atenção do ouvinte-internauta Ailton Tenorio. Foi propaganda espontânea, casual e perigosa, pois estava estampada em balão publicitário de uma casa de shows noturna, na Rodovia Raposo Tavares. No cálculo de Tenorio a viagem foi de aproximadamente 20 quilômetros.