Conte Sua História de São Paulo: do “ding-dong” à banda de São Miguel Paulista

Atsushi Asano

Ouvinte da CBN

Foto de Hugo Martínez

Estudei no Colégio Estadual D.Pedro I, em São Miguel Paulista, zona leste de São Paulo. Não é saudade, são flashes de memórias acesas pelos estímulos do Conte Sua História. 

Eram os anos de 1967 a 1973. Em pleno Governo Militar. O bairro era distante dos movimentos civis e de estudantes em defesa da Democracia. Estudava conforme as regras da época imposta aos estudantes do ginásio. No colégio, de famoso, havia estudado Antonio Marcos, o da Jovem Guarda.

Naqueles anos, do outro lado da Estrada Velha São Paulo-Rio,  em frente a escola, em um terreno vazio, levantava-se o prédio do mercado municipal e uma alta caixa d’água. Lá em cima da torre instalou-se um grande e único relógio com quatro faces.  Seus ponteiros marcavam a hora certa ao som do “ding-dong” que pautava o dia de moradores e estudantes.

Mais um flash se acende. 

Vejo agora a estrada velha, de pista simples, mão-dupla, calçadas por paralelepípedos. Vejo pela janela, na carreira de carteiras da sala de aula. Pela cortina aberta, observava: hora passavam carros, ônibus e caminhões. Hora passavam charretes e carroças. Muitas vezes presenciava as patas dos cavalos escorregarem com suas ferraduras nas pedras do piso liso e desgastado.

As lembranças seguem por aqui.

Todos os anos, lembro-me que eu desfilava pela escola, uniformizado, em marcha, seguindo a banda do colégio, com um sentimento que me faz viajar nas memórias de São Miguel Paulista.

Ouça o Conte Sua História de São Paulo

Atsushi Asano é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Envie seu texto agora para contesuahistoria@cbn.com.br Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite o meu blog miltonjung.com.br e o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Conte Sua História de SP: a gaita de fole paulistana

 

Por Cybele Meyer
Ouvinte-internauta da CBN

 

Nasci em São Paulo por opção própria.
Achou estranho?
Então vou lhe contar como tudo aconteceu:

 

Meus avós maternos vinham frequentemente a São Paulo na década de 50. Meu avô tinha fazenda de café em Martinópolis e vinha negociar em São Paulo. Habitualmente, ficava no Hotel Fasano com minha avó que não perdia uma única oportunidade de desfrutar das iguarias servidas no restaurante do hotel. Como sua vinda ficava cada vez mais habitual resolveu comprar um apartamento em São Paulo, na Rua Augusta, para que pudessem, inclusive, receber visitas com mais liberdade.

 

Ouça este texto que foi ao ar no Conte Sua História de Sp da CBN e sonorizado pelo Cláudio Antonio

 

Minha mãe, que já era casada nesta época e morava em Mandaguari, no norte do Paraná, sempre, ao saber que minha avó estava em São Paulo, vinha visitá-la e aproveitava para passear sob a garoa das tardes paulistanas. Sua loja preferida era a Sears, na Paulista, que tinha como lema “satisfação garantida ou seu dinheiro de volta”, uma das primeiras iniciativas de marketing. Adorava andar de bonde e aproveitava que o bonde 5 passava pela Bela Vista, bem em frente ao prédio de três andares da minha avó.

 

Em fevereiro de 1955, minha mãe grávida de mim de oito mês, veio passar o Carnaval em São Paulo. Apesar do meu nascimento estar previsto para março, não desperdicei a oportunidade e às 2h05 do dia 16 de fevereiro, terça-feira de Carnaval, na casa da minha avó, na esquina da Rua Augusta com a Dona Antônia de Queiroz, eu nasci não dando tempo nem da minha mãe ir para o hospital.

 

Por isso digo que sou paulistana por opção.

 

Quando tinha 4 anos meus pais se mudaram para Santos e todos os fins de semana íamos para São Paulo passear. Nosso lugar preferido era o Ginásio do Ibirapuera, pois sempre tinha grandes atrações. Íamos na UD – Utilidades Domésticas, Salão do Automóvel, Salão da Criança. Assisti a inúmeras apresentações do Holiday on Ice, Circo de Moscou, Disney on Parade e outros.
Quando não havia nenhum show novo íamos ao Comodoro Cinerama, na Rua São João, pois o filme era projetado em uma tela com uma enorme curvatura  e trazia em destaque ao lado do título a referência – “formato 70 mm”. Devido ao meu tamanho pequeno tinha a impressão de estar participando das cenas. Era o máximo! 

 

Eu estudava no Colégio “Imaculado Coração de Maria” em Santos e tocava na banda da escola. Em 1970 o colégio comprou oito gaitas de fole também conhecidas por gaitas escocesas e eu fui uma das que optaram por este instrumento. Para nos ensinar a tocar veio a Santos o sargento Fernando Werneck Teixeira, do corpo de Fuzileiros Navais do Rio de Janeiro. No ano seguinte, em 24 de outubro, o Colégio participou do Concurso Nacional de Bandas e Fanfarras, em São Paulo. Desci o Vale do Anhangabaú tocando Asa Branca e, na sequência, o Hino da Escócia. Concorremos com 104 bandas e fomos campeãs. Assistindo estava o governador Laudo Natel que anunciou o Colégio Coração de Maria campeão nacional de 1971, e nos entregou o troféu Comendador Siqueira. Ao retornarmos a Santos desfilamos pelas avenidas da praia em um caminhão do Corpo de Bombeiros.  O colégio ainda ganhou o diploma de “Amigos da Marinha de Guerra do Brasil.”. Pura honra e emoção!

 

Hoje, sou educadora e moro em Indaiatuba, há 90 km de São Paulo. Não há uma só semana que não esteja na cidade participando de eventos, feiras, simpósios, reuniões, Congressos ou mesmo encontrando amigos queridos que moram na capital, nos reunindo nos  inúmeros barzinhos, restaurantes ou casas de chás. Também não perco os espetáculos teatrais, exposições, Mostras e shows que São Paulo oferece.

 

Assim como São Paulo não para nunca, eu, como exemplar paulistana, compartilho do mesmo bordão, pois estou em constante movimento.

 


Conte a sua história de São Paulo em áudio e vídeo, no Museu da Pessoa. Agende uma entrevista pelo e-mail contesuahistoria@museudapessoa.net. Ou mande um texto para milton@cbn.com.br.