Conte Sua História de São Paulo: em dois meses de vida, a quarentena

Juliana Marchettis

Ouvinte da CBN

Par de pés de bebê sobre a colcha vermelha
Foto de Designecologist no Pexels

Minha história começa em 21 de janeiro de 2020. Na maternidade da Vila Mariana, bairro charmoso, situado na zona sul de São Paulo. Arborizado, com muitas opções de lazer para a toda família. Não entendi bem o que acontecia. Depois de nove meses envolvo em líquidos e fluidos, em temperatura agradável, o espaço já não era suficiente. Era hora de partir. E fui convidado a deixar aquele local agradabilíssimo para iniciar nova fase na vida.

Algum esforço depois, lá estava nos braços da mamãe, acalentado no seio dela e rodeado de pessoas uniformizadas —- soube que eram médicos e enfermeiros. Os primeiros dias foram repletos de novas experiências, visitas, exames … até iniciar nova partida: para a casa, na zona leste da cidade.

Vergueiro, Juntas Provisórias, avenida do Estado. Trânsito intenso até São Matheus. Na voz da mamãe, a narração por onde passávamos: “aqui é o parque”, “ali é o shopping”, “tem espaço cultural, ali na frente”. Não demorou muitos dias para iniciar outra viagem: agora de São Mateus para Água Branca. Era lá que mamãe me levava na barriga para as consultas com o pediatra, por isso ouvir o som do Parque da Água Branca parecia familiar.

Duraram pouco essas viagens: em dois meses, tudo mudou drasticamente. Ninguém mais visitava ninguém, ninguém mais era visitado por mim. Meu espaço limitou-se aos quatro cômodos da casa onde viviam papai e mamãe. 

Era a quarentena em vigor.

Foi então que descobri outro mundo: tios, tias, primas e avós que antes me abraçavam e apertavam dentro de casa, surgiram na tela eletrônica. E a tecnologia se tornou minha aliada. Foi através dela, que meus avós assistiram ao meu desenvolvimento, dia após dia. 

Demoraram alguns meses até as portas se abrirem novamente. Eram passeios curtos, no carrinho, em volta do quarteirão. Suficientes para entender que havia muito a ser explorado. Apresentaram-me à natureza, mesmo que nas raras árvores floridas do Jardim Santa Adélia. Assustei-me e me diverti com cães, de diversos tamanhos e cores. Assisti à passagem de ônibus, carros, motos e caminhões. 

Dia desses, papai e mamãe me permitiram uma aventura distante: passear no Parque Vila Lobos e no Jardim Botânico, enquanto faziam planos para quando a pandemia passar. Eles sabem que vai passar.

Meu nome é Luigi Hiroki e eu tenho 1 ano de idade.

Luigi é personagem do Conte Sua História de São Paulo. O texto foi escrito pela mamãe Juliana. A sonorização é de Cláudio Antonio. Envie o seu texto para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite meu blog miltonjung.com.br e assine o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Conte Sua História de SP: o Amarelinho da CET que ajudou meu filho nascer

 

Por Marcelo Parra Vallone
Ouvinte-internauta da CBN

 

O Amarelinho que nos ajudou no dia do nascimento de meu Filho.

 

Após três anos de casados, eu e minha esposa resolvemos ter um filho. E após nove meses de gestação, no dia 16 de fevereiro de 2001, minha esposa acordou com dores. Ligamos para o médico e ele disse que a hora havia chegado. Fomos às pressas para o hospital. Apressados mas cuidadosos. Morávamos em Mauá. Precavido, eu já havia feito todo o percurso até o hospital, o Santa Joana, na avenida Paulista, algumas vezes. A malinha do bebê já estava pronta a um mês. Acontece que meu filho resolveu dar sinais que ia nascer às sete da manhã de uma sexta-feira: hora do maior trânsito em São Paulo. Na avenida Vergueiro o tráfego parou de vez. Minha esposa sentindo aquela dor que só mulher sabe como é. Os carros não andavam. Eu buzinava com esperança de alguém abrir caminho. Não adiantava. Quando parecia não haver mais horizonte à minha frente, dei uma olhada no retrovisor e avistei um carro amarelinho, aqueles da CET. Não tive dúvidas, esperei a viatura ficar ao meu lado, desci o vidro e pedi ajuda ao senhor que estava na direção. Foi quando ele gritou: “vem atrás de mim, vou te ajudar”. Ligou a sirene, sai atrás dele e o caminho se abriu até o hospital. Coisa de dez minutos já estávamos na porta do Santa Joana. Agradeci ao moço da CET, abri a porta, peguei a malinha, dei entrada com minha esposa na maternidade e … Ufa, que sufoco! … meu filho nasceu lindo como o pai e a mãe e com muita saúde. Obrigado, Amarelinho da CET.

 

 

Marcelo Parra Vallone é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Conte você também mais um capítulo da nossa cidade: agende entrevista em áudio e video no Museu da Pessoa pelo e-mail contesuahistoria@museudapessoa.net. Ou envie seu texto para milton@cbn.com.br. Ouça outras histórias de São Paulo no meu Blog, o Blog do Mílton Jung.