O que fazer quando a água acabar?

 

5185872856_a763126dd9_z

 

Há pouco mais de quatro anos, participei do Blog Action Day, uma ação global de blogueiros comprometidos a discutir o tema da água, um dos grandes desafios do Século 21. Em um dos textos publicados aqui no miltonjung.com.br, falei de cenário que lembra muito o que estamos enfrentando na Região Sudeste, especialmente no Estado de São Paulo, sem jamais imaginar que a falta de água pudesse ser tão grave e imediata. Já se calculava que no mundo 1 bilhão de pessoas não tinham acesso à água limpa para o consumo, e um número impressionante de pessoas ficavam doentes ou morriam devido a falta de saneamento básico.

 

Estudo que acabara de ser publicado na revista Nature mostrava que 80% da população mundial viviam em áreas onde o abastecimento não é assegurado. Curiosamente, boa parte da Europa e América do Norte sofre deste mal que apenas se ameniza graças ao impacto da infraestrutura criada para distribuir e conservar água. Um dos pesquisadores, Peter McIntyre, da Universidade de Wisconsin, alertava, porém, que “uma fatia enorme da população não pode pagar por estes investimentos … que beneficiam menos de um bilhão de pessoas”.

 

Outra publicação, a Newsweek, apontava para a corrida pelo controle da água que estava sendo travada no mundo e questionava se companhias privadas deveriam ter o domínio sobre nossa mais preciosa fonte natural. O texto, assinado por Jeneen Interlandi, relatava a operação de duas empresas privadas americanas para transferir 80 milhões de galões de água do Blue Lake (Lago Azul), no Alasca, para Mumbai, na India, de onde seriam distribuídos para cidades no Oriente Médio. Essa privatização na produção e distribuição, defendida por alguns setores da economia como solução para a crise global de água doce, é motivo de temor para muitas populações. Por definição, uma mercadoria é vendida pela melhor oferta, não para o consumidor que tem mais necessidade. E com estimativas de que o consumo de água tem dobrado a cada 20 anos e a procura vai superar a oferta em 30% até 2040, a questão é saber o que pesará mais na decisão dos “donos da água”.

 

De 2010, quando esses dados foram reproduzidos aqui em miltonjung.com.br, até agora a situação apenas se agravou e, pior, ficou ainda mais próxima de nós.

 

Na cidade de São Paulo, quase todos os moradores – mais de 98% – são servidos por rede de abastecimento. Índice um pouco menor – 87,2% – vivem em locais onde há rede de esgoto. Jamais percebemos, porém, o privilégio que tínhamos em receber água limpa na torneira, e sem esta consciência a desperdiçamos com facilidade. Nós e as companhias que são pagas para distribuí-las, pois os índices de perdas na rede beiram os 30%. De forma irresponsável, nossos governos se abstiveram de impor o controle necessário aos gastos. E neste ritmo chegamos a desesperadora situação atual em que o estoque disponível para abastecer 20 milhões de pessoas na Grande São Paulo caiu 74%, em um ano. De acordo com reportagem do jornal O Estado de São Paulo: “Quando a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) emitiu o primeiro alerta sobre a seca no Cantareira, em 27 de janeiro de 2014, os seis mananciais que atendem a região mais rica do país somavam 1 trilhão de litros armazenados. Hoje, restam 267,8 bilhões, 12,4% da capacidade dos reservatórios”.

 

Nossa “caixa d’água” está praticamente vazia e autoridades calculam que, se não houver uma mudança drástica no regime de chuvas, em três meses, corremos o risco de não termos mais água no Sistema Cantareira.

 

O que fazer quando a água acabar?

#BAD2011: Um albergue para matar a fome

 

Seu Francisco vai mudar de endereço. Ele está sempre de mudança. Morava em casa, foi para a rua, consegue, vez em quando, um albergue. Chegou a vez do albergue se mudar de um número para outro na mesma Cardeal Arcoverde, rua de Pinheiros, primeiro bairro em que busquei abrigo quando cheguei em São Paulo. Ao contrário de Francisco, carroceiro, não precisei mudar muito de casa nem vivo na rua ou passo fome. Menos ainda sofri preconceito como ele e todos os que usam as dependências do albergue para serem acolhidos pela dignidade. Moradores do entorno os querem bem distantes dali, pois vão afugentar clientes, sujar o ambiente urbano e desvalorizar o patrimônio. Deveriam valorizar mais suas próprias vidas e privilégios conquistados -imagino, a duras penas – entendendo que nem todos têm os mesmos direitos e oportunidades.

Escrevo neste domingo sobre o caso de Pinheiros, destaque nos jornais e motivo de reportagem lá na rádio, aproveitando-me de campanha mundial que reúne mais de 1.500 blogueiros de 80 países, o Blog Action Day 2011. Desde 2008 participo desta manifestação digital – o BAD começou em 2007 – quando pessoas de todo o mundo se comprometem a escrever no dia 16 de outubro ao menos um post sobre tema previamente escolhido. O resultado tem sido excepcional a ponto de provocar reações de chefes de Governo e de Estado, além de celebridades, que falam do assunto e expõem suas ideias. No BAD já se tratou da pobreza, da mudança do clima e da água. Nesta edição, como hoje é o Dia Mundial da Alimentação, o combate a fome é o objetivo maior. Costumo convidar os ouvintes-internautas e os raros e caros leitores deste blog a publicarem textos, frases, fotos e vídeos sobre o assunto. E contamino a pauta do programa na rádio da mesma forma. Como este ano caiu em um domingo, quando estou fora do ar, assumi por minha conta e risco a responsabilidade de participar do BAD.

Calcula-se que cerca de 11,2 milhões de brasileiros não tenham o que comer, de acordo com a Pnad – Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio. Número bem maior é daqueles que não se alimentam direito, 54,4 milhões, às vezes falta dinheiro ou sofrem alguma restrição. Mesmo assim, programas de distribuição de renda e políticas específicas reduziram pela metade a parcela da população que passa fome, na última década. Derrubaram, também, o índice de crianças de até 4 anos com peso abaixo do esperado – indicador usado para mensurar desnutrição infantil – de 4,2% para 1,8% – segundo dados do PNUD – Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento.

Sempre que se fala de fome, lembramos de famílias que vivem no Norte e Nordeste. Não por acaso. As pesquisas mostram que lá estão 18,5% das pessoas mais afetadas pelo problema – muitas crianças e a maioria na zona rural. Porém, você não precisa ir longe para enxergar o tamanho desta tragédia. Aqui em São Paulo, não fossem iniciativas públicas e privadas, iríamos nos deparar com famílias inteiras de esfomeados. São pessoas que vivem na indigência com menos de R$ 79 por mês – dinheiro insuficiente para se ingerir o mínimo de calorias necessários para ficar em pé e tentar um trabalho.

Há alguns anos, conheci o belo projeto da União dos Moradores de Paraisópolis, segunda maior favela da capital, que mantém cozinha e um seleto grupo de cozinheiras, todos os dias, preparando pratos a base de doações generosas que recebem do comércio mais próximo e de moradores. Filas enormes se formam próximo do meio dia em busca das “quentinhas” que serão divididas com mais quatro ou cinco pessoas em cada casa. Soube de barracos que chegam a ter mais de uma família. Não fosse esta ajuda, o sofrimento seria ainda maior e a dificuldade para encontrarem um novo caminho bem pior.

Albergues como o que está no centro da polêmica em Pinheiros, frequentado pelo Seu Francisco, não apenas são lugares para passar a noite como única opção para se alimentar de boa parte dos moradores de rua e carroceiros. São extremamente importantes como programas de inserção (salvação) dessas pessoas. Porém, diferentemente da casa usada para alimentar os mais miseráveis que vivem em Paraisópolis, não estão escondidos dentro de uma favela. Estão na porta das nossas casas. Pela relevância, deveriam ser bem-vindos e não provocarem asco, como ficou claro na declaração de alguns moradores de Pinheiros. Teriam de ser apoiados, não renegados. Sei que é muito difícil conviver com estas diferenças; negá-las, contudo, não é a solução. Não mata a fome de ninguém. Mata pessoas e nosso sentido de solidariedade.

Leia mais aqui sobre a campanha contra a fome do Blog Action Day 2011

Do sal a arte, sugestões de ouvintes-internautas


Sites para visitar, fotos para mostrar e muitas sugestões moveram ouvintes-internautas no decorrer do dia. Faço aqui uma seleção deste material que pode ser visitado por você e nos oferece mais fontes de informação sobre o tema.

Começo com a dica do Sérgio Mendes: “Economia viável é a que se faz dentro de casa. A água da máquina de lavar roupas pode ser usada para lavar a casa. Nos prédios, ela pode ser acumulada em reservatório para lavar as áreas comuns do condomínio e até para descarga de sanitários. Dentro da minha casa, nada se perde. Aprendi com um senhor chamado Nicola, aqui mesmo no blog, há pouco mais de um ano”.

Com a água é possível fazer belas esculturas como a vista neste post, arte bem explorada pelo inglês William Pye que pode ser acessada no site assinado por ele (clique aqui) e sugerido pela Elissa Daher.

O Carlos Roberto Silveira nos manda para outro lugar: o site da Fundação Mapfre da Espanha onde diz ter “material muito bom sobre água”.

O Guilherme Salviati que já apareceu no blog nesta sexta-feira manda mais uma dica para quem entende que o processo de retirada do sal da água do mar pode ser a solução para esta crise. Convida você a ler trabalho publicado na Universidade da Água e da Associação Internacional de Desalinização.

A área dos comentários está aberta para você publicar mais sugestões aos leitores do Blog.

Crise da água será mais grave do que a do petróleo

 

A crise global da água – que já está em curso – será mais grave e difícil de ser enfrentada do que a do petróleo, na opinião do comentarista de meio ambiente da CBN Osvaldo Stella. Ele lembrou que há possibilidade de se buscar fontes de energia alternativas, mas a água é insubstituível.

Aqui no Brasil, segundo ele, uma das preocupações é com a devastação das florestas que atinge também o abastecimento de água pois torna a sua extração mais difícil. Ele explicou que sem a mata é necessário buscar o recurso em solos cada mais profundos, exigindo maiores infra-estrutura e investimento

Ouça a entrevista de Osvaldo Stella, no CBN SP

Água será destaque em exposição na Oca

 


Após transitar por diversos centros culturais nos Estados Unidos, Canadá e Austrália, a exposição Water: H2O = Life chega a São Paulo.  Organizada pelo Museu de História Natural de Nova York em parceria com o Instituto Sangari, a mostra, que será inaugurada no dia 24 de novembro, foi adaptada à realidade brasileira e rebatizada com o título Água na Oca.

Com muita interatividade, cor e movimento, a exposição trata da simbologia, da inspiração, dos problemas e da nossa relação profunda com esse patrimônio finito e fundamental que é a água. Para isso, arte, biologia, história, física, química e tecnologia de ponta misturam-se proporcionando ao visitante um aprendizado dinâmico, no qual, além de enfatizar a indispensabilidade da água para a existência da vida, destaca-se sua importância histórico-cultural.

Na junção desses aspectos, o espectador vivencia o papel que a água teve, tem e terá em nossas vidas. Logo no subsolo apresentam-se as principais propriedades da água – os estados sólido, líquido e gasoso – de forma surpreendente e sensorial. O térreo compõe-se de estações interativas e projeções nas janelas da Oca, a fim de enfatizar a importância da água para todas as formas de vida. No primeiro andar, artistas e peças de acervo revelam a água e as artes, seus mitos, seus símbolos espirituais e sua representação em diferentes culturas e épocas. Para encerrar a visita, o segundo andar traz um passeio pelo fundo do mar com todas as suas cores e formas de vida.

A mostra oferece ainda um Programa Educativo e uma Programação Especial. O primeiro destina-se a alunos e professores interessados pelo assunto da exposição, com visitas monitoradas, encontros de educadores e material de apoio exclusivo. A segunda, volta-se a um público diversificado e explora o tema em níveis e formatos variados (oficinas, palestras, exibição

(Material enviado por Elissa Daher)

Represa verde (?)

 

Macrofitas na Guarapiranga

Foto e recado do ouvinte-internauta Mauro Scarpinatti/Redes Mananciais: Apesar de todo o barulho feito na mídia e das promessas de autoridades responsáveis, a represa de Guarapiranga segue tomada por plantas aquáticas, as macrófitas, que do nosso ponto de vista são um indicador biológico da qualidade da água que é ruim.

E os Pokemons estão de volta para defender a água

 

Provocado pelo fanfic publicado nesta campanha do Blog Action Day’10, o garoto Celso Yokoyama, 13 anos, enviou outra história com os heróis Pokemons na qual a balatalha pela água segue em frente. Em um dos pontos do roteiro, Celso lembra: É sério 3% da água de todo o planeta é o que nós usamos e isso vai diminuir quando chegar a zero é que todo mundo vai se ligar mesmo, a sede será nossa praga, pois só haverá água ruim, ou MUUUUITO CARA. Sabemos disso, mas não queremos pensar nisso.

CAPITULO 5-
Special Blog Action Day²
Will e irmãos

Claver-Então você venceu três Contest e ainda também ganhou as oito insígnias de Johto? Que pena ter sido derrotada na Liga, lamento.
Jullie-Não precisa, eu na verdade gosto mais de contest, mas batalhas são sempre interessantes por isso sou sua amiga, gosto do seu entusiasmo na batalha, mesmo que seja idiota e ignorante as vezes tipo quando colocou sua Bayleaf na frente do Flareon daquela garota, logo que tinha conseguido um Vaporeon.
Claver-Ainda lembra disso? Foi decepcionante minha primeira batalha perdida mas são boas lembranças

Logo chegam finalmente no navio que vai para Hoen que tem o nome de Lightning Ship, ali muitos treinadores de água estavam treinando.
Continuar lendo