O Minhocão do Morumbi

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

Monotrilho

 

A Bombardier faturou ano passado US$ 9,4 bilhões em aviação e US$ 10,0 bilhões em trens, a divisão maior e mais rentável.

 

Nesta área está à frente das gigantes Siemens e Alstom, tanto que já ganhou em preço a licitação para o primeiro monotrilho brasileiro, faltando ajustar a proposta: o Expresso Tiradentes, na zona sul paulistana, com a oferta de R$ 2,9 bilhões, inferior em quase dois bilhões à outra proposta.

 

Desde 2001 no Brasil, a canadense Bombardier Transportation, começou em Hortolândia reformando trens para a CPTM e recentemente fechou contrato de R$ 238 milhões com o Metrô SP, e está interessadíssima no Projeto Morumbi de 23,8km e R$ 3,1 bilhões, que deverá ligar o aeroporto de Congonhas à estação 17 do São Paulo passando pelo estádio do Morumbi.

 

Camargo Corrêa e Odebrecht se associaram a Hitachi e estarão se habilitando para os três projetos paulistanos de monotrilho existentes e estimados em mais de seis bilhões de reais.

 

A recente proliferação dos monotrilhos é devido ao custo e o tempo de construção serem metade do metrô. E, evidentemente, possibilitar resultados financeiros atraentes Além de outros dividendos…

 

O que falta enfatizar é que há contra-indicações relevantes.


A linha, 17-ouro que ligará Congonhas à rede de trilhos terá trens a 15 metros de altura, irá desapropriar área de 132 mil metros quadrados na qual serão derrubadas 2.300 árvores e onde 36 mil metros quadrados são ocupados por residências de alto e médio padrão. As demais estarão recebendo impactos ambientais ressaltados no relatório apresentado, que dentre outros aspectos enfatiza:

 

O morador que não tiver seu imóvel demolido deve sofrer outro impacto negativo de ALTA RELEVÂNCIA: a mudança da paisagem devido à presença de vigas de até 15 metros de altura …

 

Será um grande causador de incômodo à população vizinha, que pode ter uma redução da qualidade de vida”. A obra será usada por mais de 200 mil passageiros por dia …

 

Haverá ainda impacto sonoro. É sugerida uma proteção com barreira acústica para minimizar a propagação do ruído …

 

Nas vias de baixo tráfego haverá aumento significativo do movimento devendo atrair também camelôs e desvalorizando alguns espaços do entorno…

 

O padrão residencial vertical faz com que o impacto visual do monotrilho seja intensificado, pois alguns domicílios ficarão no mesmo nível que as estruturas permanentes”. Isto é, não escapará nada, nem casas nem apartamentos.

 

Paulo Maluf deve estar morrendo de inveja do Kassab.

 

O Morumbi deve estar morrendo de raiva e, plagiando antigo correligionário do Prefeito, manda recado:

 

Morumbi, AME-O OU DEIXE-O em paz.

 

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e escreve às quartas-feira no Blog do Mílton Jung