Cidade bonita é cidade eficiente

 

Em entrevista ao Estadão, neste domingo, o prefeito Gilberto Kassab (DEM) anunciou que “a cidade vai ficar mais bonita de novo”. Falou em momento de virada, retomada de obras e investimentos com um discurso bastante otimista para quem sofreu forte desgaste em sua popularidade nos últimos meses e encerrou o período de verão com 18 mortes provocadas pelas enchentes, cinco vezes mais do que no ano anterior.

Kassab não levou em consideração esta tragédia que São Paulo encarou nos temporais, pois na entrevista ao jornalista Diego Zanchetta insistiu que, em 2009, fez a lição de casa e não endividou a capital.

Uma cidade não pode ser medida apenas pelo dinheiro que tem em caixa, mas pela maneira como as pessoas vivem e são respeitadas nela. O que aconteceu no verão paulistano não é coerente com o discurso do “fizemos o que tinha de ser feito”.

O prefeito me fez lembrar, também, do Projeto Belezura, criado na gestão da prefeita Marta Suplicy (2000-2004), que se resumiu a umas pinceladas no muro do Pacaembu e a palmeiras imperiais plantadas em avenidas. Desta vez, Kassab fala em asfalto nas ruas.

Mas São Paulo precisa mais do que isso. O trânsito tem de fluir, o transporte de passageiros tem de rodar em corredores exclusivos, as calçadas tem de ser decentes, a assistência social tem de existir, a infra-estrutura tem de ser ampliada e passar por manutenção, o serviço público tem de respeitar o cidadão e ser rápido no atendimento às suas demandas, as pessoas tem de ter acesso a ampla rede de saúde e educação, a fiscalização tem de estar atenta para impedir abusos a lei, entre outros aspectos que transformam de verdade o ambiente urbano.

A cidade de São Paulo não precisa ser mais bonita, tem de ser mais eficiente.