Avalanche Tricolor: Um domingo de trabalho

 

Goiás 2 x 1 Grêmio
Brasileiro – Goiânia

 

Trabalhar é preciso. Mesmo que seja em um domingo. O sol de São Paulo foi tentador, mas obrigações profissionais exigiram um esforço extra. Deixei-o entrar pela porta da sala para sentir o calor da rua. Durante boa parte da tarde iluminou a mesa tomada por papéis, livros, anotações e o meu inseparável Macbook Air. Nele assisti a vários vídeos relacionados a comunicação. Gravações em áudio também estavam lá. Além das minhas apresentações construídas cuidadosamente no Keynote, programa que dá de goleada no tradicional Power Point, o preferido da galera.

Encerrei a reunião de trabalho quando a lua tomava conta do céu, mas a temperatura ainda era alta. Com garra e determinação – jargão típico da turma do futebol -, foi produtiva esta tarde-noite de domingo. Com minha parceira de reunião, discutimos assuntos sérios, às vezes com bom humor; dividimos ideias, mais as delas do que as minhas; exploramos o que havia de conhecimento e criatividade, fatores importantes para quem pretende atender a demanda de uma plateia interessada em se comunicar melhor. E terminamos o dia orgulhosos do trabalho realizado até ali.

Havíamos vencido mais uma etapa.

Poucas vezes a vitória chega àqueles que não se esforçam, aos que não demonstram merecimento, não planejam de maneira séria ou não são apaixonados pelo que fazem. Às vezes, ela não chega sequer a estes, pois está reservada a alguns. Mesmo os abençoados pelo olhar divino custam a encontrá-la.

O futebol desta tarde me chegou apenas pelos ouvidos, com gritos e foguetes de torcedores paulistanos comemorando os gols de São Paulo e Corinthians. O estádio do Morumbi é aqui perto de casa. Preferi me afastar da tensão de Goiânia e me limitei a acessar a internet quando a partida estivesse no intervalo e no seu final. Tinha de me concentrar no trabalho.

Do jogo mesmo, soube por telefone quase oito da noite quando minha tarefa se encerrara. E do outro lado da linha, ouvi um torcedor incomodado com algo que jamais poderemos admitir em quem veste a camisa do Imortal Tricolor: a aceitação da derrota. O discurso de que as coisas são assim mesmo, o cansaço atrapalha, estava muito calor, sem contar a qualidade do adversário, não combina com a nossa história.

Neste domingo, começamos a disputar uma espécie de mata-mata particular, contra adversários que estão na briga direta pela Libertadores. Nada mais pode ser justificativa para não alcançarmos nosso objetivo. Nossos competidores podem ser superiores no placar e no futebol jogado, nunca no desejo da conquista. Isto sempre nos diferenciou.

A derrota não me assusta, não me tira o desejo de vencer, menos ainda a esperança de que estaremos na Libertadores, em 2010. Mas quando esta acontecer que o seja de maneira suada, que o adversário tenha tido que nos arrancar o resultado do coração, que saíamos do campo orgulhosos do que fizemos como ensinou o educador Darcy Ribeiro em vida, autor de um dos muitos textos consultados neste domingo de trabalho:

“Fracassei em tudo que tentei na vida.
Tentei alfabetizar as crianças, não consegui.
Tentei salvar os índios não consegui.
Tentei uma universidade séria, não consegui,
Mas meus fracassos são minhas vitórias.
Detestaria estar no lugar de quem venceu”

Avalanche Tricolor: Jogão de bola

 

Grêmio 1 x 1 Vitória

Brasileiro – Olímpico Monumental


No aeroporto, as primeiras camisas tricolores desfilavam no saguão. No caminho para casa, voltaram a aparecer, cada vez em maior número. Na padaria da esquina, de onde se avista o estádio, casais de namorados de mãos dadas seguiam para o jogo. Faltavam ainda duas ou três horas para o início da partida. Sentado a mesa, enquanto o café era servido, lembrava das muitas caminhadas que fiz entre minha casa de infância e o Olímpico. Boa parte delas acompanhada de meu pai. Naquela época, creio que as namoradas não gostavam de futebol como as de hoje.

Hoje, porém, meu caminho era outro. Segui na direção contrária a do estádio. Deixei para trás aqueles torcedores que andam apressados a espera de uma vitória. Dei as costas para o que foi meu destino, quase obrigação, durante a infância, a adolescência e parte da minha vida adulta. Não que não tivesse vontade de ir ao estádio, ocupar as cadeiras azuis e geladas que me abrigaram durante muitos anos, cantar e cantar com todos que lá estivessem, sempre acreditando que a arrancada vai se iniciar.

Minha obrigação era outra neste sábado de temperatura amena em Porto Alegre. Obrigação e desejo. Iria dividir a sala de estar com meu pai e meu irmão, sentaríamos diante da televisão de tela enorme para assistir ao Grêmio jogar. Confortáveis, iríamos falar da família, de boas lembranças e da saúde que nos permite viver e recordar. Falaríamos do Grêmio, também, por que não ? E foi o que fizemos durante mais do que os 90 minutos de bola rolando. Mesmo porque nosso prazer de estarmos juntos outra vez jamais será refém do tempo destinado ao futebol. Nem da alegria que, por ventura, este possa nos proporcionar.

Foi um ótimo jogo este que joguei ao lado deles. E não falo do futebol, é óbvio.

Avalanche Tricolor: Questão de fé

 

Botafogo 3 x 3 Grêmio
Brasileiro – Rio de Janeiro

 

Indulgência plenária é instrumento santo concedido pelo Papa aos fiéis católicos em situações especiais. Muitas vezes é confundida com perdão dos pecados cometidos, quando é, na verdade, a retirada da pena temporal por eles devida. Portanto, não apaga o erro, mas a conseqüência deste.

Por que estou me imiscuindo na seara religiosa neste espaço dedicado ao esporte ? Perdão, ao futebol. E do Grêmio.

Deixe-me explicar: neste domingo o último do mês de agosto, é data comemorativa na paróquia de Santa Suzana da qual sou participante, e em especial atenção a esta comunidade o Vaticano concedeu a indulgência plenária a todos seus. A missa foi às seis da tarde, em local onde em breve se iniciará a obra para a construção do complexo religioso que, atualmente, conta com centro de educação para mais de 300 crianças.

Foi lá que estive durante o fim da tarde e início da noite deste domingo, enquanto o Grêmio seguia sua via sacra pelos campos brasileiros. Carregando um cruz que parece pesada de mais aos que nos representam hoje, deu sinais de que estava pronto para acabar com esta impressionante marca de nenhuma vitória fora de casa durante todo o Campeonato.

Assim que cheguei em casa e liguei a televisão, uma bola sobrenatural superou o esforço de nosso goleiro e nos impôs uma pena que sequer posso avaliar ser ou não justa, pois nada mais assisti.

Seja como for, ainda assim estamos na luta pois nossas carências não são suficientes para nos afastar dos líderes e de nosso maior objetivo: a Libertadores. Apenas o desafio está maior. A saga, mais difícil.

Poderia consolar os fiéis tricolores dizendo que teremos de passar por este purgatório para alcançarmos o paraíso, mas não quero fazer nova analogia com a religião, pois se concordo em alguma coisa com meu colega Juca Kfouri é que estes dois temas não devem se confundir em campo. Apesar de ter a impressão de que estamos pagando pelos nossos pecados.

Avalanche Tricolor: Meu gremistinha faz 10 anos

 

Lorenzo e Greg na festa de 2005

Lorenzo e Greg na festa de 2005

Grêmio 4 x 1 Atlético – PR
Brasileiro – Olímpico Monumental

A lágrima que escorria no rosto, abraçado a um dos cachorros que tenho em casa, era a mensagem que precisava para o fim de uma dúvida que atormenta todo pai apaixonado pelo Grêmio. Meu filho torcerá ao meu lado ? Era 26 de novembro de 2005, Lorenzo estava com seis anos e correu para meu lado ao saber que o time pelo qual sofria estava prestes a perder a decisão da Série B do Campeonato Brasileiro. Não perdeu, e você sabe como. Além de ganhar a Batalha dos Aflitos, conquistamos um gremista.

Desde aquele tempo, ele tem sido um torcedor à distância. Não senta ao meu lado para assistir aos jogos. Prefere o computador e as brincadeiras com o Gregório, o mano mais velho – no que faz muito bem. Mas não deixa passar uma partida sem querer saber como estamos. Hoje, no terceiro gol, comemorou, menos a vitória, muito mais a certeza de que teria um pai tranquilo no dia do seu aniversário.

Sim, meu gremistinha completou 10 anos. Quando nasceu, ganhamos o Gaúcho – e nós sabemos como é bom – e a Copa Sul . Desde lá, ainda festejou (sempre à distância) títulos na Copa do Brasil e três estaduais. Muito mais do que estas competições, aprendeu com as vitórias impressionantes, as viradas inimagináveis e a capacidade de recuperação nos instantes mais difíceis. Tão acostumado está com estas façanhas que costuma perguntar antes de o jogo começar: “Pai, hoje a gente precisa ganhar de quanto ?”. Forjou-se, assim, a personalidade de um Imortal Tricolor.

Depositamos nesta história de superação, a expectativa de uma arrancada neste Campeonato Brasileiro. De um time que, mesmo incapaz de repetir fora o espetáculo que oferece à sua torcida em casa, permanece na disputa e a poucos passos de seu primeiro objetivo: disputar a Libertadores. Um título sobre o qual o Lorenzo ouviu falar várias vezes, por duas sentiu o sabor na sua boca, mas ainda não teve o prazer de comemorar com o pai e o mano.

Os presentes que recebeu de aniversário, neste domingo, foram muitos e carinhosos, mas gostaria bastante de que, em família, festejássemos mais um título com a mesma emoção do dia em que foi batizado Gremista de Coração.

Que o Grêmio me proporcione esta oportunidade, em 2009 !

Avalanche Tricolor: A alma do meu time

 

Vitor do Grêmio vai ao ataque

Santos 1 x 0 Grêmio
Brasileiro – Vila Belmiro

Se o Grêmio não joga por que eu tenho de escrever sobre o Grêmio ? Assim, resumo esta Avalanche ao único pensamento que iluminou minha mente nesta noite: “Temos um time, mas não temos uma alma”.

Pós-jogo: ilustro este post com a única imagem de alguém que mostrou sofrer por quem amo, Vitor sobe ao ataque para tentar o gol que o time foi incapaz de fazer.

Avalanche Tricolor: Por um goleiro

Grêmio 4 (9) x 1 Flamengo
Brasileiro – Olímpico Mionumental

Encerrei minha curta carreira de jogador de futebol no gol, na escolinha do Grêmio. Fui para lá indignado com a perda de um campeonato no ano anterior após uma sequência de frangos do nosso goleiro. Decidi que se fosse para perder assim, que o fosse por minha culpa, minha tão grande culpa. No ano seguinte, continuamos sem vencer mas ao menos não me consagrei um frangueiro. Quem jogou comigo deve lembrar muito mais dos carrinhos e chutes na canela que distribuía enquanto ocupava as posições de quarto zagueiro e lateral esquerdo.

Ter terminado por lá também deve ter sido obra do destino, afinal meu pai era goleiro de ofício – no colégio, na pracinha em frente de casa e no time da rádio. Tinha o pretensioso apelido de Aranha Negra, referência a alcunha de um dos maiores goleiros do mundo, o russo Yashin que se vestia de preto da cabeça aos pés.

Pensando bem, os goleiros fazem parte da minha vida. Torço alucinadamente pelo único time no mundo a colocar na letra do hino o nome de um jogador de futebol, Lara, o goleiro que morreu de amor por seu clube. E foi vestindo a mesma camisa que tantos outros se consagram e tem seus nomes lembrados pela torcida: Mazaropi e Danrley, são apenas dois de uma enorme lista.

Falar de goleiro no dia em que seu time goleia um tetracampeão brasileiro pode parecer heresia. Perea seria o personagem ideal para esta crônica que de lupa encontra heróis sempre que o Imortal está em campo, mesmo quando estes não existem. Fez o jogo de número 50 e retornava ao time depois de um ano, recuperado de grave lesão e quase tendo sido vendido. Fez o gol que abriu a goleada.

Réver não poderia ser deixado de lado. Jogando mais a frente do que de costume, usou suas pernas longas para fazer dribles desengonçados e completar uma das jogadas com o gol que pôs o Grêmio no caminho da vitória. Seria merecido o destaque, ainda, para a segurança das duas cobranças de pênalti de Jonas, o goleador que quanto mais gols marca mais parece ter de provar que pode ser o goleador titular.

Que me perdoem os amantes do futebol arte. Nem dribles, nem cruzamentos certeiros, nem cabeçadas fulminantes ou cobranças de pênalti seguras são maiores do que as defesas de Vítor. Ele é a esperança de que o gol certo pode ser evitado, é a certeza de que todos os erros do time podem ser perdoados. Nesta tarde, cada vez que ele se agigantava diante do adversário, se antecipava a jogada final ou estendia seus braços em direção aos pés do atacante – ainda considerado por alguns Imperador -, comemorei como se um gol a nosso favor fosse marcado. Foram cinco os “gols” de Vítor que teve seu heroísmo reconhecido pela torcida.

Para que sejamos justo com nosso goleiro, vamos combinar o seguinte: a partir de agora, cada defesa impossível do Vítor será comemorada com a avalanche que homenageia os goleadores gremistas.

Avalanche Tricolor: Dia dos pais

 

Barueri 1 x 0 Grêmio
Brasileiro – Barueri/SP

O domingo do Dia dos Pais foi de extremos: começou em Porto Alegre e se encerrou em São Paulo. Na primeira parte, frio, vento e chuva, marcas dessa última semana na capital gaúcha. Na segunda, temperatura pouco acima do esperado para este fim de inverno paulista. Lá era filho homenageando o pai, enquanto aqui fui pai homenageado pelos filhos

Foi lá, por sinal, que vi anúncio de jornal, assinado pelo Grêmio, no qual apareciam pai e filho abraçados envolvidos em uma bandeira e assistindo ao jogo do tricolor. Na mensagem, destaque para o objetivo de todo o pai que é ver seu filho vencedor. No que concordo plenamente. Apenas não limitaria este sentimento a escolha clubística, mesmo porque o conceito de vitória muda de família para família.

Sempre entendi que aos pais cabe oferecer oportunidade para que seus filhos se transformem em cidadãos. Que sejam pautados pela ética e o respeito. Saibam que a conquista não é meta a ser alcançada a qualquer custo, mas com todo o esforço. Não sou obcecado em ver meus filhos com o “canudo” na mão. De nada adiantará tê-los doutor se o forem da maracutaia.

Este domingo, aliás, me reservou momento raro desde que mudei para São Paulo, em 1991. Por quatro horas seguidas, praticamente sem interrupção, eu e meu pai conversamos sobre “Deus e todo mundo”. Naquele quarto, estava evidente que o orgulho era mútuo. Compartilhamos idéias sobre família, saúde, jornalismo e futebol, é claro. Afinal, foi com ele que aprendi a importância do esporte na vida. E dele conquistei a paixão pelo Grêmio.

A propósito de futebol, pai, fique tranquilo pois nada do que tenha ocorrido neste domingo, em Barueri, será suficiente para que eu me arrependa de ter seguido seus conselhos. Orgulho-me das escolhas que fizemos juntos, mesmo que algumas vezes nosso time não o faça por merecer.

Avalanche Tricolor: Minha camisa do Tcheco

 

Minha camisa do Grêmio

Palmeiras 1 x 1 Grêmio
Brasileiro – São Paulo

 

Tenho de acordar às quatro e meia da manhã para mais uma edição do Jornal da CBN. Para os madrugadores, assistir ao futebol é certeza de cansaço no dia seguinte. Por isso, mal terminou a partida desta noite no Parque Antarctica, tirei minha “camisa do Tcheco”e deixe ao meu lado na cama. Merece descansar após todo o esforço de hoje contra o líder do Campeonato Brasileiro.

Ver o Imortal jogando com a personalidade com que se apresentou em São Paulo, me dá certeza de que temos muito a fazer neste campeonato. Se alguns pensam que nosso caminho é a Libertadores, não se surpreenda se, mais uma vez, nos enxergarem disputando o título até a última rodada. Mesmo com todas barreiras que temos pela frente ou que um de nossos jogadores tenha de deixar o gramado desacordado como aconteceu com Réver.

Tcheco, aclamado por muitos e reclamado por alguns, pode não ter sido o melhor em campo. Mas fiz questão de vestir a camisa dele – presente de aniversário que ganhei nesta semana -pois poucos jogadores conseguem incorporar este espírito que faz do Grêmio um time especial. Consegue refinar o passe da mesma maneira que grita com a jugular saltando no pescoço para revelar sua paixão pelo que faz e por quem faz.

Será recompensado por isso. Seremos.

Avalanche Tricolor: Tô em casa

Tcheco faz a festa em casa

Tcheco faz a festa em casa

Grêmio 4 x 1 Cruzeiro

Brasileiro – Olímpico Monumental


Um mês longe de casa. Deste tempo todo, 20 e tantos dias fora do Brasil e quase uma semana, em Porto Alegre, terra natal. Neste ritmo, o último fim de semana de férias foi pra colocar as coisas em ordem. Ajeitar as roupas, organizar a mesa do escritório, repor o estoque de comida e abrir o correio. Como a gente recebe publicidade na caixa postal (ninguém inventou ainda um anti-spam para correio não-digital ?).

Por melhor que sejam as dependências que contratamos para descansar e por mais queridos que sejam os que nos recebem na viagem, estar em casa é sempre confortável para todos. A cama é a que estamos acostumados e sabemos o que cada armário guarda, além de se ter tranquilidade para deitar no sofá embaixo das cobertas para assistir na televisão ao seu time preferido. Dá até para xingar o atacante que não cansa de desperdiçar boas jogadas, reclamar do juiz mesmo quando a bronca não é justa e gritar alto para comemorar um, dois, três, quatro gols como neste domingo.

Imagino que seja esta mesma sensação que leva o Grêmio e seus jogadores a serem tão superiores quando estão em casa, no gramado do Olímpico Monumental. Se sentem confortáveis para trocar passes, não ficam constrangidos em ensaiar um drible sobre o adversário e arriscam chutes da maneira como a bola vem. Ouvem a música que mais preferem, cantada pelos músicos que admiram e por quem são admirados: “Até a pé nós iremos ….” na voz da torcida do Imortal.

Curioso é que se sentindo bem apenas em casa, ainda assim conseguimos estar tão perto do G-4. Com apenas um ponto conquistado fora, somos o sexto colocado e estamos prontos para disputar a liderança em duas ou três rodadas, no máximo. Vai ser preciso um pouco mais de atrevimento, é verdade, mesmo na casa dos outros.

Por falar nisso, tem coisa mais caseira do que este cheirinho de Libertadores que já começamos a sentir ?

Avalanche Tricolor: Merecemos mais

 

São Paulo 2 x 1 Grêmio
Brasileiro – São Paulo

 

Hospitais costumam ser frios e brancos. Nunca encontraremos neles, por mais que seus administradores se esforcem, o aconchego de nossas casas, não bastasse o fato de jamais estarmos lá por um bom motivo. A meta é nobre, sem dúvida: sairmos pela porta da frente com mais saúde do que entramos. Mas só vamos para lá por razões no mínimo desconfortáveis.

Nesta noite de quinta, um gremistão de quatro costados de quem tenho orgulho de ser filho esteve sentado em uma grande poltrona bege diante de um computador se esforçando para assistir ao seu time de coração. A TV pendurada na parede a frente da cama móvel, infelizmente deu preferência a outras partidas do Campeonato Brasileiro. Nunca entendi bem o critério das emissoras para escolher qual jogo iriam transmitir, principalmente os canais a cabo. E ‘pagar-para-ver’ não é opção oferecida nos estabelecimentos hospitalares, ainda. Tem mais com que se preocupar.

A conexão não é boa, a imagem também não. O radinho de pilha sintonizado na Rádio Guaíba, da qual é funcionário há mais de 50 anos, é a salvação para este momento de angústia (esportiva). Tentei amenizar a situação, dizendo que mais interessante do que a partida são os bons resultados nos exames médicos, mas ele não se convenceu: “sei disso, mas para mim é importante, também”.

Conseguiu ver parte da partida e ouvir toda ela, mas tenho certeza de que se a pressão foi medida logo após o jogo apresentou forte variação. Ver o Grêmio perder mais uma vez fora de casa, mesmo contra um time como o São Paulo, causa alterações no humor e no coração. Principalmente, quando o árbitro é tão incompetente quanto alguns jogadores que vestem a camisa do clube que você ama.

Assisti de maneira bem mais confortável ao jogo desta noite. Aliás, assisti bem pouco ao jogo, pois estava muito mais atento a melhoria nos índices medidos pelos aparelhos médicos do que nas estatísticas anunciadas pelos comentaristas. E de todas as certezas que tive após os 90 e poucos minutos disputados, é que o meu pai merecia bem mais do que o Grêmio, o árbitro e a vida nos ofereceu nesta noite de quinta-feira.

O que me tranquiliza é saber que nós seremos – como sempre fomos – capazes de vencer mais esta etapa.