Quantos ainda vão morrer por causa do futebol?

 

Por Milton Ferretti Jung

 

É inconcebível que alguém tire a vida do seu próximo mesmo que por uma razão muito séria:em defesa da própria vida ou a de outrem etc. O motivo tem de ser dos mais fortes e seria ocioso enumerá-los. Imaginem a futilidade de uma briga provocada por um jogo de futebol. E,me desculpem os que se acharem ofendidos em razão da futilidade da disputa,mas o que levou as pessoas as vias de fato não foi uma partida entre times de grandes torcidas,esses que possuem equipes famosas,embora isso não sirva de motivos para que alguém ou alguns ponham a vida dos adversários em perigo.

 

Imaginem,a bronca foi entre os torcedores do Novo Hamburgo e do Aimoré,dois times vizinhos,do chamado Vale dos Sinos. Fosse de torcedores da dupla Gre-Nal e, ainda vá lá,mas nem assim a briga se justificaria. Afinal – mais uma vez peço desculpas a esses dois vizinhos nanicos — mas,quanto menores são,menos razões podem encontrar para que se engalfinharem.

 

Como é normal acontecer quando uma briga eclode,PMs são chamados para o que der e vier,de preferência,para apaziguar os brigões. Entre os que se envolveram na disputa estava o jovem Maicon Douglas de Lima,de 16 anos. Como tardasse para voltar à casa paterna, o pai saiu a sua procura. O pior acontecera:o seu filho fora vítima dos disparos de arma de fogo. Um dos brigadianos confirmou “ter feito fogo com medo de ser morto”. O caso,até agora,está sob suspeita. O policial disse que disparou em legitima defesa… Na verdade,o pai de Maicou,Vitor,que retirou o corpo do filho do hospital,afirmou que o menino tinha duas perfurações nas costas. Disse que saiu de bicicleta atrás do filho que não aparecera em casa e o encontrou morto.

 

Histórias como essa se repetem. O PM pode perder o seu cargo. O Pai perdeu o filho,estudante e trabalhador em construção civil. Quantas já foram as mortes provocadas por desavenças estúpidas tendo o fubebol como mote?

 

Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

Avalanche Tricolor: Jonas pode

 

Grêmio 2 x 1 São José
Gaúcho – Olímpico Monumental

Jonas está condenado às críticas nestes próximos dias. Moralistas sem causa e senhores de caráter ilibado pedirão punição, afastamento, quem sabe uma medida exemplar contra o atacante que explodiu de razão ao marcar o primeiro gol do Grêmio.

Ouvirá conselhos e puxões de orelha de comentaristas, torcedores e dirigentes. Afinal, as ofensas públicas dirigidas à social do estádio Olímpico não condizem com os bons modos exigidos de um atleta profissional.

Que partam todos para o destino que Jonas os encaminhou !

Ouviram porque falaram. E vaiaram de maneira errada, injusta. Foram incapazes de compreender as razões que impedem Jonas e seus colegas de imprimirem o futebol que sempre esperamos. Estão sendo preparados para uma decisão em poucas semanas, sem direito a pré-temporada e após terem imposto um ritmo alucinante no fim do ano anterior.

Tem todo o direito de explodir com aqueles que não enxergam que entre o desejo de tocar a bola ou chutar a gol existem músculos endurecidos pelos treinos de início de ano. Os impacientes que se retirem. Deixem Jonas fazer seus gols estranhos, bonitos e decisivos.

Jonas tem crédito no clube e no futebol, que não lhe dá o devido respeito. Goleador do Brasileiro foi preterido por muitos na escolha dos melhores do País. Com fama de patinho feio, vê os críticos torcerem o nariz. Sofre o mesmo dentro do seu time.

Um dos maiores atacantes que passaram pelo Grêmio e peça fundamental para a arrancada de 2010, merece toda a nossa atenção. Tem de ser valorizado pelo que faz e pelo que é.

A reação dele é paixão que tem pelo que busca. E isto tem de ser admirado, não criticado. Jonas é capaz de chorar dentro de campo se não alcança seu objetivo. Não aceita a indiferença diante dos fatos.

É bom moço, sincero nas palavras e resignado.

Em vez de glorificado, assistiu durante as férias ao enorme esforço da diretoria para enfiar goela abaixo de parte da torcida um falso ídolo. Enquanto ele nem contrato tem renovado.

Jonas é o nosso ídolo.

E após a “comemoração” da noite dessa sexta-feira, em Porto Alegre, meu ídolo ainda maior.

Gol neles, Jonas !