Conte Sua História de São Paulo: o desfile de carro dos Matarazzo

 


Por Darcy Gersosimo
Ouvinte-internauta

 

 

Ouça este texto sonorizado pelo Cláudio Antonio, no Jornal da CBN

 

Era o ano de 1942. Eu tinha sete anos. Morávamos na Rua Visconde de Parnaíba, 2851, bairro do Brás. A casa lá está. Construída em 1911. A única que não foi reformada no quarteirão. Morei ali com meus saudosos pais durante alguns anos. Bons tempos… Parecia uma pacata cidade do interior.

 

Meus avós paternos eram italianos e os maternos espanhóis. De origem modesta, simples, vivíamos muito felizes. Naquela época, pela manhã, eu via passar um senhor com algumas cabras com um sininho tilintando dependurado no pescoço. Ele tirava leite delas na hora e vendia para quem quisesse comprar. Diziam que era um ótimo fortificante para as crianças.

 

Eu via os caminhões da Companhia Antarctica Paulista deixar barras de gelo nas portas das residências. Eu achava que naquelas casas morava “gente rica”, porque eles tinham uma geladeira. Ingenuidade! Ficava admirado ao ver passar as carroças das Indústrias Reunidas Francisco Matarazzo puxadas por robustos cavalos holandeses, com grandes patas, entregando as massas alimentícias da marca Petybom. O recolhimento de lixo também era feito por carroças puxadas por cavalos. Os “lixeiros” iam despejando as latas cheias deixadas ao lado de nossas portas e depois as devolviam.

 

Certo dia vi passar muitos automóveis de luxo, subiam a Rua Visconde de Parnaíba. Fiquei admirado pois não era comum ver tantos carros em cortejo, a não ser quando acompanhavam um enterro. Muitos anos depois fiquei sabendo que foi o dia do casamento dos pais do Senador Eduardo Suplicy. Os automóveis conduziam os convidados que iam para a grande festa na antiga Chácara Piqueri, no Tatuapé.

 

Eu poderia escrever muito mais sobre esse tempo maravilhoso, pois tenho muitas outras histórias para contar, mas sei que não devo me alongar.

 

Darcy Gersosimo é personagem do Conte Sua História de São Paulo. Você pode nos ajudar a contar mais capítulos da nossa cidade. Escreva para milton@cbn.com.br e vamos juntos comemorar os 459 anos da nossa cidade.

Bode do Heródoto faz escola em Los Angeles

 

Ouvinte-internauta da CBN já foi apresentado ao bode Mané, criado nas terras de Heródoto Barbeiro na Grande Taiaçupeba – maldosamente confundida com Mogi das Cruzes. O caprino seguidamente é chamado pela repórter Cátia Toffoletto a resolver problemas na conservação de praças e parques de São Paulo. Há quem jure tê-lo visto em pleno trabalho voluntário neste verão em que as subprefeituras não dão conta do gramado.

Sei que Mané ficou famoso e costuma ser requisitado pelos passantes paulistanos, tenho dúvidas porém se foi ele quem inspirou a Agência de Desenvolvimento de Los Angeles, nos EUA, a contratar 100 cabras para “cortar” a grama em uma área de cerca de 10mil m2. Foram pagos US$ 3 mil para um trabalho de 10 dias que teria custado mais do que o dobro se fosse empregada mão de obra humana, diz a agência.

George Gonzales que exerce a inédita função de Guarda-Cabra conta que os animais da raça Boer se transformaram em atração turística com motoristas parando seus carros para fotografar o rebanho que contrasta com os arranha-céus de L.A.

A reportagem publicada pelo LA Times, sugerida ao Blog pelo Sérgio Mendes – que entre outros trabalhos participa da rede Adote um Vereador – relata que por estar tão próximo de Hollywood, muitos espectadores acreditaram que as cabras eram parte de algum filme em produção ou uma instalação de arte.

Com todo este cartaz das cabras de Los Angeles, periga o bode Mané do Heródoto ficar com ciúmes. Ele é muito sensível.