A presença de vendedor ambulante nas cidades não chega a ser algo inusitado. Estão por todos os lados, principalmente nas regiões centrais onde o movimento de pessoas é mais intenso. Dentro de Câmara Municipal sei de poucos casos, por isso chamou atenção o fato de um vendedor de comidas que trabalha com tranquilidade dentro do legislativo de Guarulhos, na Grande São Paulo.
É no isopor que fica bem posicionado em uma mesa de escritório, que os vereadores matam a fome durante o expediente. Os parlamentares nem precisam se distanciar do plenário, porque o “restaurante informal” está atrás da tribuna, quase na porta do banheiro feminino e da Copa.
O dono da banquinha que funciona dentro da Câmara não tem alvará e a comida que fornece não passa pela vigilância sanitária. Há quem diga que mesmo assim o lanche enche a barriga e agrada o paladar dos vereadores guarulhenses.
Os vereadores estão apreensivos, disse pela manhã o líder do PT na Câmara Municipal Ítalo Cardoso sobre o recebimento do salário mensal de R$ 15.031,00 que deveria ser pago a partir de março, em entrevista ao CBN SP. Há dúvidas do Ministério Público sobre a legalidade do reajuste de 61,8% determinado pelo legislativo e pressão da sociedade.
A insegurança levou os parlamentares a decidirem suspender, temporariamente, o aumento e a depositar em conta especial a diferença de salário entre o que ganham os vereadores e o que seria pago no mês que vem até a conclusão do inquérito civil aberto pelo Ministério Público Estadual. O salário atual é de R$ 9.288,00.
O promotor Luiz Ambra Netto disse ao CBN SP que o reajuste pode ferir mais de uma norma constitucional.
A primeira dúvida é sobre o não cumprimento do princípio da anterioridade, que está previsto na Constituição Federal e Lei Orgânica do município. De acordo com esta tese, os vereadores somente podem determinar reajuste salarial para a legislatura seguinte, jamais para eles próprios.
O MP questiona, também, o fato de os vereadores terem decidido seus salários com base em um percentual previamente estabelecido – 75% do que recebem os deputados estaduais. Segundo o promotor, a Constituição diz que os vereadores é que devem fixar o valor do subsídio (não um percentual). Com a norma aplicada em São Paulo, “na prática, quem determina o aumento é o legislativo estadual”.
E, finalmente, a legislação federal exige que qualquer aumento de gasto do município, determinado pela Câmara, esteja previsto no Orçamento da cidade e na Lei de Diretrizes Orçamentárias. Ou seja, se o gasto vai aumentar, isto tem de estar contemplado no Orçamento que é aprovado no ano anterior.
Com base em todas estas dúvidas e nas informações que estão sendo coletadas, o promotor Luiz Ambra Netto entende que a decisão sobre a legalidade ou não do reajuste no salário dos vereadores sairá em breve, apesar dele não arriscar um prazo.
Durante o período em que o inquérito corre no Ministério Público, você que mora na cidade de São Paulo tem o direito de enviar mensagem ao seu vereador para saber o que ele pensa sobre esta discussão.
Depois dos olhos, os ouvidos abertos. Uma semana após colocar na internet as imagens das comissões permanentes, a Câmara de Vereadores de São Paulo cria a Ouvidoria do Parlamento, um canal que receberá as reclamações, sugestões e informações do cidadão. O órgão terá o papel de analisar e encaminhar as mensagens ao setor responsável do legislativo e cobrar respostas.
O Ouvidor tem de ser um servidor concursado da Câmara e terá mandato de um ano, podendo ser reconduzido ao cargo por decisão do presidente do legislativo. Ele terá o direito de pedir documentos que esclareçam situações expostas pelo cidadão e poderá recomendar mudanças de procedimentos administrativos e promover estudos com a intenção de melhorar a relação da Casa com a sociedade.
Os prazos para atendimento das reivindicações também estão estabelecidos no ato de criação da Ouvidoria. Os servidores e órgãos da Câmara terão até cinco dias úteis para responder aos pedidos feitos pelo Ouvidor e este terá dez dias úteis para informar as providências adotadas. Este tempo pode ser estendido dependendo do grau de dificuldade do pedido.
A Ouvidoria será acessada pelo eleitor através de diferentes canais: na página da Câmara na internet, por telefone com uma linha 0800, pelo correio e fax, além de atendimento pessoal.
A intenção é acabar com a reclamação comum de cidadãos que enviam mensagens com diferentes solicitações aos vereadores e muitas vezes não obtém qualquer tipo de resposta. Além disso, existe a expectativa de que a sociedade colabore com ideias para que o trabalho do parlamento seja qualificado.
O contato direto com o parlamentar se manterá, mas o eleitor ganhará um reforço e tanto com a Ouvidoria do Parlamento.
Em campanha de pouca graça e muita ameaça – algumas concretizadas -, o vereador Adilson Amadeu (PTB) decidiu apelar para o bom humor e sugeriu ao cartunista Eklisleno a charge em que o prefeito Gilberto Kassab (DEM) caça votos em favor do candidato dele à presidência da Câmara Municipal de São Paulo, José Police Neto (PSDB). Com uma certa dose de sarcasmo, destacou galhos de planta que lembra o ex-colega de partido do Democrata, o governador-fugido do Distrito Federal José Roberto Arruda.
Em nota divulgada por sua assessoria, Amadeu justificou a brincadeira:
O disse-me-disse, as denúncias infundadas são mais desgastantes do que produtivas. Como diria o colega Police Neto, nesse cenário é impossível promover “um debate saudável ou construir qualquer aliança positiva”. Para tentar afastar o baixo astral, decidi colocar um pouco de humor nessa história. De voto, todos precisamos, inclusive o prefeito Kassab que vem empreendendo à sua maneira uma verdadeira caçada nessa reta final. Por via das dúvidas tem até um galho de arruda por perto.
Fora das “quatro linhas”, Amadeu diz que o papel que os governistas estão fazendo de vítimas neste processo eleitoral para a presidência da Câmara Municipal de São Paulo é uma fábula, pois a disputa seria desigual. Enquanto a prefeitura estaria oferecendo cargos, secretarias e demais facilidades aos seus apoiadores, o Centrão não teria o que dar em troca para atrair o apoio dos partidos.
O bom humor que sobra ao vereador Adílson Amadeu para inspirar a charge faltou na “conversa” que ele teve com Marcelo Aguiar (PSC), há alguma semanas, quando em lugar dos pincéis foram usados os punhos.
O presidente da Câmara Municipal de São Paulo, Antonio Carlos Rodrigues (PR), negou ter assistido ao vereador Adilson Amadeu (PTB) agredir com um soco no peito Marcelo Aguiar (PSC). Em entrevista ao CBN SP, ele disse que chegou depois do encontro entre os parlamentares, no saguão do prédio de Aguiar, e definiu o ocorrido apenas como um desentendimento sem importância já superado.
Rodrigues não tem o mesmo comedimento ao comentar a possibilidade de Marcelo Aguiar estar apoiando o candidato à presidência da Câmara José Police Neto (PSDB) em vez do candidato do Centrão Milton Leite (DEM). “Não é direito de ninguém fazer a gente de palhaço”, falou ao lembrar que Aguiar assinou documento, registrado em cartório, de que apoiaria o Centrão, em março deste ano, e agora estar organizando jantar com o grupo que defende a candidatura governista.
Durante toda a entrevista, o vereador oscilou entre bater e assoprar.
Informou que haverá uma segunda reunião com o prefeito Gilberto Kassab (DEM), nessa quarta-feira, para que haja um consenso entre os dois lados que disputam o poder na Casa. Mas foi duro ao responder sobre o apoio que o prefeito anunciou para o candidato José Police Neto: “Nós não nos metemos no Executivo e gostaríamos que ele não se metesse no Legislativo”.
O líder do PC do B na Câmara Jamil Murad também foi alvo das críticas de Rodrigues: “O Jamil sentou (com a gente), partiu para um leilão e, agora, deve ter tido mais vantagens com o Police Neto … levou mais vantagem do lado de lá”. Murad havia dito que faltava democracia nas discussões dentro da Câmara Municipal.
Depois de tantas acusações de traição que têm marcado esta briga na Câmara de São Paulo, sem querer (ou não) o vereador Antonio Carlos Rodrigues confidenciou mais uma durante a entrevista. Ao comentar sobre o motivo da ida dele com mais dois colegas de Centrão até o apartamento de Aguiar disse que “um tucano ligou avisando”. Não citou o nome.
A guerra pela presidência da Câmara Municipal de São Paulo está sem controle. O boicote às votações há mais de 40 dias é, talvez, das poucas manifestações que tenha legitimidade política. A maioria se equivale a atuação de facções criminosas ou, em menor grau, a um teatro de ópera bufa, tais os absurdos que tem sido cometidos. O confronto se acirrou desde que o prefeito Gilberto Kassab (DEM) anunciou apoio a José Police Neto (PSDB) em detrimento do vereador Milton Leite (DEM), o preferido do Centrão.
O soco desferido pelo vereador Adilson Amadeu (PTB) – que apoia Milton – contra o peito de Marcelo Aguiar (PSC) – que apoia Police -, diante de colegas da casa, no saguão do prédio em que mora, no bairro do Ipiranga, quinta-feira à noite, é apenas a parte mais visível desta batalha, sobre a qual tratamos recentemente no Blog e temos tentado discutir do ponto de vista do interesse do cidadão, no CBN SP.
Ele estava acompanhado de Aurélio Miguel (PR) e sendo assistido à distância pelo presidente da Câmara, Antonio Carlos Rodrigues (PR), que aguardava dentro de um carro preto com placa oficial. Foi Miguel quem pediu ao porteiro do edifício na rua Cipriano Barata para chamar o dono do apartamento, onde 23 vereadores saboreavam uma paella enquanto articulavam em favor do candidato governista.
O porteiro estava assustado com os chutes que ouviu no portão de ferro.
Miguel, Rodrigues e Amadeu não aceitaram subir até o apartamento. Marcelo Aguiar, então, desceu, com o vereador Penna (PV). Logo receberam a escolta de Domingos Dissei (DEM). Assim que o portão abriu, o grito de traidor soou mais alto que o soco no peito. Confusão generalizada. Os deixa-disso entraram em cena. Mesmo assim, Aguiar era carregado pelo braço de um lado ao outro.
O porteiro preferiu não se meter em briga de cachorro grande. Seria difícil mesmo entender o que estava acontecendo naquele momento. As câmeras de segurança e o síndico, coronel da PM que dá expediente na Assembleia Legislativa, também testemunharam.
Mais dois personagens iriam surgir naquela noite por telefone.
O prefeito Gilberto Kassab recomendou que a decisão sobre o que fazer contra o ato de agressão fosse de responsabilidade de Marcelo Aguiar, afinal ele sabia com quem estava tratando. O cantor-vereador sempre esteve ao lado do Centrão e teria se beneficiado disso até decidir mudar de posição, sabe-se lá por qual motivo.
E Milton Leite que, com voz alterada e ameaçadora, pediu explicações a Police Neto pelo fato dele estar seduzindo vereadores da ala contrária. “Você vai ver o que eu vou fazer no Orçamento do Kassab”, deu para ouvir a distância.
Em tempo: Milton é quem comanda a discussão de onde o dinheiro dos nossos impostos será aplicado ano que vem na cidade.
Na sexta-feira, mais uma cena, desta vez presenciada pelos motoristas da Câmara. Adilson Amadeu deixou na vaga de estacionamento de Marcelo Aguiar um cartaz escrito “TRAIDOR”. Estuda-se a necessidade dele passar a andar com escolta, aliás prática que tem sido indicada a todos os parlamentares dentro do próprio Palácio Anchieta. Os vereadores tem preferido sempre que precisam sair dos gabinetes levar algum assessor ou colega ao lado.
Não é para menos. Nesta disputa, teve vereador que foi encostado na parede de um dos corredores com acesso ao elevador; outro foi constrangido dentro de uma sala anexa ao plenário; há quem esteja com a sensação de que foi seguido por um carro sem identificação; os que tem sido avisados de que receberão fotos constrangedoras em casa; e os que morrem de medo dos esqueletos que estão nos armários – denúncias feitas no passado mas que não foram levadas a sério.
O ambiente tende a ficar ainda mais tenso nos próximos dias, pois o placar extra-oficial da eleição estaria 28 a 27 para os governistas. Basta um vir para cá ou outro para lá, e um dos dois grupos leva o comando da casa que move quase R$ 400 milhões e uma centena de contratos interessantes.
Com a onda de violência desencadeada nos últimos dias, devemos levar em consideração a possibilidade de importar a experiência que tem recebido aplausos no Rio de Janeiro. Pois me parece que o cidadão de bem somente terá segurança e tranquilidade para passar pelo Palácio Anchieta se, em ação emergencial, for implantada uma UPP – Unidade Parlamentar Pacificadora.
“Vida de vereador é uma guerra” disse Sônia Barbosa do Voto Consciente ao comentar a disputa pela presidência da Câmara Municipal de São Paulo. Se é assim, podemos dizer que eles se enfrentaram em mais uma batalha nessa quarta-feira quando, novamente, abriram mão de debater temas de interesse da cidade para seguir se digladiando pelo poder da Casa.
Apenas 22 parlamentares compareceram ao plenário para votação, número insuficiente para que os trabalhos fossem em frente. Teoricamente, seriam os vereadores que apoiam a candidatura de José Police Neto (PSDB). Os integrantes do Centrão, mais a bancada do PT, querem Milton Leite (DEM) no comando e se rebelam porque o prefeito Gilberto Kassab (DEM, também) faz campanha pelo tucano.
Nesta semana, fomos saber por que a luta pela presidência da Câmara é tão acirrada. Rafael Cortez, professor de Ciência Política da PUC-SP e analista da Tendências Consultoria, lembrou que dentro do parlamento o regime é presidencialista. É o presidente quem dá a palavra final, por exemplo, sobre projetos de lei que devem ser colocados em votação.
Uma das propostas para o novo chefe do poder é que torne esta discussão mais transparente e os critérios sejam debatidos com participação popular nas reuniões dos líderes. A ideia defendida por Sônia Barbosa, do Voto Consciente, é compartilhada por Gilberto de Palma, do Instituto Ágora: “o novo presidente teria de facilitar os canais de comunicação com os cidadãos”.
A disputa passa, também, pela distribuição dos cargos na mesa diretora. Além da presidência tem mais funções em jogo, algumas com atrativos inquestionáveis, como registra Cláudio Vieira, do Blog Adotei Marco Aurélio Cunha, que integra o Adote um Vereador: “além de ter 18 funcionários no gabinete de vereador, o presidente da Câmara pode contratar mais 14 funcionários e o primeiro secretário, mais nove, por exemplo”.
Por isso, nas estratégias de ação de cada um dos blocos que disputam o poder, vale até mesmo oferecer cargo na mesa para a turma do outro lado. Claudinho do PSDB teria sido assediado pelo Centrão que pediu o apoio dele a Milton Leite (DEM) em troca de uma posição com mais destaque na mesa diretora. Nesta legislatura, ele é apenas o segundo suplente.
Por sua vez, Netinho de Paula (PC do B) foi ‘cantado’ pelo prefeito Kassab para ficar ao lado de Police Neto. Ainda não se sabe ao certo a qual exército ele se apresentará na hora da briga final. Conforme mostra o Blog Cuidando da Cidadania, de Alecir Macedo, do Adote um Vereadores, Netinho de Paula definiu, assim, o momento político: “a Câmara está em ebulição”,
José Américo (PT) confirmou, por telefone, que o partido está fechado com Leite, mesmo que este negue sua candidatura. Além da possibilidade de ocupar uma vice-presidência, o partido teve o apoio de Leite e Carlos Apolinário, ambos do DEM, na eleição presidencial.
Uma estratégia usada pelo Centrão foi adiar a data final para a entrega das emendas parlamentares ao Orçamento da cidade. Os vereadores ganharam duas semanas e poderão dizer até o dia 29 onde gostariam de ‘investir’ o dinheiro público. É Milton Leite o relator do Orçamento.
A Câmara Municipal de São Paulo está em alvoroço. Nos gabinetes e corredores – às vezes até mesmo em um bate-papo no banheiro -, os vereadores não falam em outra coisa. Dia 15 de dezembro será eleito o novo presidente da Casa que substituirá Antônio Carlos Rodrigues (PR), no poder há quatro anos.
Dois candidatos estariam disputando o voto dos 55 vereadores. Um terceiro corre por fora. José Police Neto (PSDB), Milton Leite (DEM) e Aurélio Miguel (PR) são os nomes mais lembrados pelos colegas, cada um com sua peculiaridade.
Miguel é o “sonho de consumo” do atual presidente. São do mesmo partido e dividem fronteira em suas zonas eleitorais, nas regiões sul e oeste da capital. Rodrigues estaria preparando-o para assumir o posto há cerca de dois anos. O vereador, porém, oficialmente, não é candidato nem estaria pedindo voto. Seria apresentado às vésperas da eleição como a alternativa na Câmara para conciliar os ânimos acirrados.
Leite é apontado como o candidato do Centrão. Não bastasse ter saído ainda mais forte da última eleição – elegeu os dois filhos, um para Assembleia e o outro para a Câmara dos Deputados -, é o homem do Orçamento. Ele é quem comanda a discussão dentro da Casa sobre como o dinheiro da prefeitura será usado no ano seguinte. Vereador para ter uma emenda aceita negocia com ele. Portanto, tem muita influência.
O parlamentar do DEM contudo insiste em dizer, publicamente, que não é candidato. Ligou para a redação da CBN, nessa terça-feira, incomodado com a notícia de que estaria na disputa. Semana passada, já havia conversado com repórteres de outro veículo, mas o recado era diferente: dizia ter o apoio da cúpula do partido.
Antes de convencer este jornalista de que não é candidato – “minha palavra não basta?”, disse por telefone -, precisa explicar isso aos colegas. Carlos Apolinário do mesmo partido dele anunciou no dia 10 deste mês, registrado em ata, que vota em Milton Leite para presidência da Câmara. Nada consta de que Leite tenha agradecido a gentileza e afirmado estar fora da disputa.
É necessário contar, também, para o vereador José Américo (PT) que tem tentado convencer seus pares de que o partido tem de ficar ao lado de Milton Leite do DEM.
Esta eleição, por sinal, é para confundir a cabeça do cidadão. Se o PT apoia o candidato do DEM, o prefeito do DEM apoia o do PSDB. Não que isso possa ser considerado um absurdo. O tucano José Police Neto é o líder do Governo Kassab na Câmara desde sempre e o prefeito está pronto para abandonar o DEM.
Netinho – o do PSDB – tem a seu favor a relação que construiu com os demais vereadores, mesmo os da oposição. Ajudou vários deles a refazer projetos de lei tornado-os possíveis de aprovação.
Esta situação, porém, não lhe oferece vantagem folgada na eleição para a presidência. A disputa é voto a voto e a decisão deve sair na véspera do pleito, talvez apenas na manhã do dia 15 quando as candidaturas são apresentadas oficialmente.
Apesar de o regimento interno prever votação secreta, desde que José Eduardo Martins Cardozo (PT) ganhou a eleição para presidente da Câmara, há oito anos, o voto é aberto. Isto tem deixado alguns parlamentares com medo. Há quem tenha declarado, informalmente, que apoiar o candidato do lado oposto pode significar o ostracismo – na política isto se traduz por não aprovação de projetos de lei nem liberação de verba para seu reduto eleitoral.
Com tudo isso, um vereador de primeiro mandato, assustado com a veemência das negociações, decreta: “A Câmara está rachada”.
Agora o outro lado
Recado enviado por e-mail pelo presidente da Câmara, Antonio Carlos Rodrigues, do PR (publicado às 12h24):
O Vereador Aurélio Miguel é um grande amigo e um companheiro de partido e não meu “sonho de consumo” para presidir a Mesa Diretora da Câmara, como afirma o jornalista. Meu candidato é o vereador que o Centrão indicar, conforme compromisso já assumido. Jamais trai a palavra empenhada
A interatividade e transparência defendidas em discurso, não aparecem com clareza no novo site da Câmara Municipal de São Paulo, no ar desde quinta-feira. A constatação é de usuários que testaram o serviço desenvolvido em três meses com a presença da Prodam e da Contexto (agência de publicidade), a um custo estimado de R$ 400 mil – segundo informações do vereador e vice-presidente da casa Dalton Silvano (PSDB).
Observações enviadas por e-mail e pelo Twitter, ou deixadas aqui no Blog, chamam atenção para o fato de que o site passou por uma recauchutagem mas avançou pouco em relação as suas funcionalidades. Um exemplo é o formulário de contato, comum em outros sites, que apenas ganhou nome mais pomposo: Mandato Participativo.
Foi Màssao Uéhara, do Adote um Vereador, que trabalha com web, quem fez vários alertas pertinentes, a começar pelo alto custo se levarmos em consideração que o sistema no qual se baseou a construção do site é um CMS – Content Management System – gratuito, que em português pode ser lido como sistema de gestão de conteúdo, bastante explorado pois reduz o custo da criação, contribuição e manutenção.
É comum grandes empresas usufruírem destas facilidades, criando sobre esta base pré-programada como ocorre, por exemplo, com este blog que você lê, desenvolvido pela Globo.com sobre a plataforma do WordPress. No caso da Câmara, o serviço é o Joomla, o que explica o fato de o site ter sido entregue em três meses. “A diferença é que (as empresas) não são órgãos públicos e não gastariam uma nota preta só para fazer uma maquiagem com algumas migalhas de avanços em relação a transparência e acessibilidade”.
Aliás, o ouvinte-internauta identificado por Franferr escreveu para pedir que a transparência começasse pela publicação, detalha, dos valores gastos no projeto.
Màssao criticou ainda falha na segurança do site que estaria vulnerável a ataque de hackers.
A maior frustração dele, porém, foi em relação a prestação de contas dos vereadores, pois se reproduziu o que havia no site anterior que não facilitava a pesquisa e comparação de dados. Na época em que se falou do investimento que seria feito no novo site sugerimos, inclusive, que a prestação de contas tivesse como exemplo o trabalho desenvolvido por Maurício Maia que reuniu as informações de forma simplificada como você pode ver aqui.
Sérgio Mendes, também do Adote, lembra que uma das ideias era que se tivesse maior interatividade com o eleitor e o debate fosse aberto a todos os cidadãos: “Onde ficarão as mensagens enviadas aos vereadores? Elas serão visíveis aos demais leitores do site? Poderão receber comentários?”. Nada consta até agora.
Cláudio Vieira, que acompanha o mandato do vereador Marco Aurelio Cunha (DEM), afirmou que o site “não consegue dar transparência total ao seu dono, o cidadão”.
O comércio será obrigado a cobrar dos consumidores pelo uso da sacola de plástico se projeto de lei que está na Câmara Municipal de São Paulo for aprovada na semana que vem. O texto original do vereador Carlos Alberto Bezerra (PSDB) recebeu a colaboração de vários colegas de parlamento e pretende incentivar o uso de bolsas retornáveis para reduzir o impacto ambiental provocado pelo descarte do plástico.
Ouça a entrevista com o vereador Carlos Bezerra, ao CBN SP
Para conscientizar o cidadão, a proposta quer que os comerciantes discriminem na nota fiscal o custo destas sacolinhas que, calcula-se, é de R$ 0,20 a unidade. A adesão à lei seria de um a quatro anos, com as grandes redes de supermercados sendo as primeiras a se adaptarem e pequenos comércios e feiras livres os últimos.
No Brasil, descarta-se cerca de 12 bilhões de sacolinhas plásticas durante um ano, de acordo com o Ministério do Meio Ambiente, e para entender o tamanho desta encrenca o ouvinte-internauta Raul Lenguasco sugere que se preste atenção no vídeo que abre este post.
A cobrança pelo uso da sacola plástica é comum em outros países. Mara Rocha escreveu para o CBN São Paulo e disse que em Portugal todo supermercado cobra U$ 0,02 por unidade. Enquanto a ouvinte-internauta Patrícia Fortunado informou que em Washington, nos Estados Unidos, quem não usa a sacolinha ganha desconto de U$ 0,5.
Uma reação bastante comum contra a restrição no uso do saco plástico, perceptível através de e-mais e tweets encaminhados, ocorre devido ao hábito de se usar este produto para acomodar o lixo residencial.
Primeiro que deveria ser esforço de cada cidadão reduzir a quantidade de lixo descartado, consumindo produtos com menos embalagem e reciclando o que for possível. É assustador ver que de cada três sacos de lixo deixados na calçada para a prefeitura recolher, dois tem material que poderia ser reaproveitado passando por processo de reciclagem.
Segundo, armazene o lixo em sacos de plásticos maiores em lugar de se encher uma quantidade enorme de saquinhos de supermercado.
Terceiro, substitua o saco plástico pela folha de papel de jornal, usando o sistema de dobradura sugeridos por dois ouvintes-internautas Mariângela Alves e Thiner.
Acompanhe o passo a passo enviado por eles:
1. Tudo no origami começa com um quadrado, então faça uma dobra para marcar, no sentido vertical, a metade da página da direita e dobre a beirada dessa página para dentro até a marca. Você terá dobrado uma aba equivalente a um quarto da página da direita, e assim terá um quadrado.
2. Dobre a ponta inferior direita sobre a ponta superior esquerda, formando um triângulo, e mantenha sua base para baixo.
3. Dobre a ponta inferior direita do triângulo até a lateral esquerda.
4. Vire a dobradura “de barriga para baixo”, escondendo a aba que você acabou de dobrar.
5. Novamente dobre a ponta da direita até a lateral esquerda, e você terá a seguinte figura:
6. Para fazer a boca do saquinho, pegue uma parte da ponta de cima do jornal e enfie para dentro da aba que você dobrou por último, fazendo-a desaparecer lá dentro.
7. Sobrará a ponta de cima que deve ser enfiada dentro da aba do outro lado, então vire a dobradura para o outro lado e repita a operação.
8 Se tudo deu certo, essa é a cara final da dobradura:
9 Abrindo a parte de cima, eis o saquinho!
10 É só encaixar dentro do seu cestinho e parar pra sempre de jogar mais plástico no lixo!
Outras sugestões passadas por ouvintes-internautas:
A avó de Ana Carolina Cardoso “usa de um artifício bem antigo: o bom e velho carrinho de feira”. A Sívia Scuccuglia comenta que no supermercado Pão de Açucar oferece aos clientes que não usam sacos plásticos pontos em seu programa de fidelidade que podem ser trocados por dinheiro: “Em um ano ganhei R$ 300,00”.
O advogado especializado em direito ao consumidor Josué Rios informou que se deve ficar atento para quantidade de plástico que pegamos dentro do supermercado, não apenas no caixa. Para evitar isto, o Sonda permite que frutas e verduras, por exemplo, sejam pesados no próprio caixa, enquanto o Futurama obriga o consumidor a ensacá-los antes “o que duplica ou triplica o consumo do plástico”.
A mudança de hábito é demorada e sempre provocará reações contrárias, mas o ideal é que o cidadão e as empresas, sem necessidade de interferência do poder público, estejam conscientes dos produtos que consomem e pensem como reduzir, reaproveitar e reciclar este material para diminuir o impacto no meio ambiente.