Avalanche Tricolor: o guri que vestia a camisa 3 está de volta

 

Rosário Central 1×1 Grêmio
Libertadores – Gigante de Arroyito/Rosário ARG

 

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Todos querem a camisa de Geromel, como se vê na foto de LUCAS UEBEL/GRÊMIOFBPA

 

A estreia na Libertadores 2019 me colocou diante de uma das raras fotos que consegui preservar da época em que jogava na escolinha de futebol do Grêmio. Perfilado, com os braços soltos ao longo do corpo, sobre a linha lateral do gramado do saudoso estádio Olímpico, fui flagrado por um dos fotógrafos esportivos que aguardavam o time principal entrar em campo. Não tenho o nome do autor da foto, mas se o fez, tenho certeza, foi para presentear meu pai, que deveria estar orgulhoso de ver o guri naquela posição.

 

Naquele tempo, não tínhamos acesso ao uniforme oficial dos clubes de futebol. Comprava-se as camisetas na lojinha do bairro. A minha era de um tecido mais grosso, com o azul, o preto e o branco desbotados pelas inúmeras lavagens feitas por minha mãe. Com a gola em vê e sem direito a emblema do Grêmio no peito, o único adereço que havia —- e não aparece na foto —- era o número 3 nas costas, que mais do que minha posição preferida, revelava a admiração por um dos maiores zagueiros que já vestiram nossa camisa, Atilio Genaro Anchieta — capitão da seleção do Uruguai e do próprio Grêmio. Uma espécie de Geromel dos anos de 1970.

 

Ver aquela foto me fez voltar para um tempo em que a Libertadores era sonho distante para os gremistas. Nos satisfazíamos com o aguerrido campeonato gaúcho. Nos orgulhávamos das vitórias sobre times do eixo Rio—São Paulo. Ganhar um campeonato brasileiro seria uma façanha. Foi lá, porém, que forjamos o caminho que nos levou ao topo do Mundo e nos coloca, hoje, entre os maiores times do futebol do planeta.

 

Em campo, o Grêmio é respeitado mesmo pelos arquirrivais argentinos, contra quem travamos alguns dos grandes e heróicos clássicos sulamericanos. Afinal, estamos em nossa décima nona participação de Libertadores, competição que já vencemos três vezes — a última em 2017, ou seja, coisa recente, que segue na memória dos adversários. Sem contar o futebol qualificado que temos jogado há três anos, desde o retorno de Renato ao comando técnico do time —- futebol reconhecido aqui e lá fora.

 

Nossa reputação, contudo, não significa vida fácil contra nossos adversários. Ao contrário. Eles transformam a partida em uma guerra. Como se ganhar do Grêmio fosse um troféu à parte na competição. Por isso, não surpreende a maneira até violenta com que fomos recebidos em campo na noite de ontem, na Argentina — boa parte dessa violência ocorreu sem qualquer punição por parte do árbitro.

 

Pelas fotos feitas por Lucas Uebel —- fotógrafo oficial do Grêmio e autor das imagens que costumo reproduzir nesta Avalanche —, o árbitro não apenas deixou de advertir o adversário com a rigidez necessária como também não viu um pênalti sobre Geromel, no qual teve sua camiseta de número 3 agarrada pelo marcador. Foi um pouco antes do entrevero que ocorreu entre o mesmo Geromel e o atacante adversário, já na área gremista, ao fim do primeiro tempo.

 

Independentemente da marcação mais forte do que as regras esportivas recomendam ou da disposição do adversário para nos superar —- e isso são apenas motivos de mais orgulho para esse gremista —-, o Grêmio foi maduro em campo. Não perdeu a cabeça, mesmo tendo sofrido gol logo no segundo minuto de partida. Evitou cair em provocações. Colocou a bola no chão, trocou passes, esperou brechas na marcação adversária e chegou ao empate.

 

O gol que marcou foi resultado dos muitos méritos que essa equipe leva a campo, além da própria maturidade para encarar reveses. Após pressionar muito, ameaçar jogadas por um lado e por outro, contamos com a visão de jogo e a precisão do passe de Marinho. Ele estava marcado pelo lado direito e teve capacidade de enxergar Everton lá do outro lado. A partir daí, ficamos por conta do talento de nosso atacante que driblou dois marcadores dentro da área e completou a jogada colocando a bola no fundo do poço.

 

Não tenho mais aquela camiseta desbotada da foto antiga. As que me acompanham em casa estão emolduradas ou dobradas no armário a espera de um espaço na parede — ainda quero ter uma de Geromel, um Anchieta redivivo e melhorado pelo tempo. Mas o guri com a camisa 3, sem emblema, lá do gramado no estádio Olímpico, voltou a se revelar na noite dessa quarta-feira de cinzas, ao vibrar como louco, com os punhos cerrados e o grito de gol que nos garantiu o primeiro ponto na estreia da Libertadores, jogando fora de casa naquele que é conhecido por Grupo da Morte.

Conte Sua História de São Paulo: a camisa de futebol que me salvou a viagem

 

Por Neide Brum Duarte
Ouvinte da CBN

 

 

Eu moro em Bom Jesus dos Perdões, São Paulo, uma cidade pequena e distante da capital mais ou menos 70km. Eu vou à capital com certa frequência. E há mais de 10 anos, em uma dessas idas, eu levava um amigo para uma audiência no Fórum da Barra Funda, na zona Oeste. Íamos, esse meu amigo, duas filhas dele, eu e meu filho mais novo que morava na capital para estudar. Meu filho Guilherme é corintiano fanático — a segunda pele dele é (agora é um pouquinho menos) a camisa do Corinthians.

 

Bem, fomos com tempo para chegarmos ao fórum antes da audiência. Mas logo na chegada a São Paulo, meu carro que era novo teve uma pane na rodovia Fernão Dias. Fiquei apavorada, liguei o pisca alerta e desci do carro para colocar o triângulo. Meu filho desceu e meu amigo também para pedir que os carros desviassem. Foi horrível. O que fazer??? Telefonei para a seguradora que se prontificou a mandar um guincho e um táxi, ficamos à espera e as coisas nesse caso demoram um século.

 

De repente, eu vejo uns homens vindo em nossa direção. Fiquei com medo pois aquele lugar é bem feio. Os homens se aproximaram, uns fizeram uma espécie de muro na rodovia parando o trânsito e outros tiraram o carro, no braço, e o puseram no acostamento. Acredita????

 

Depois de feito isso, eu comecei a chorar de emocionada e fui humildemente agradecer a um deles que me pareceu o líder: — Muito obrigada, nem sei como lhe agradecer. Ele me respondeu: — Senhora, não me agradeça; nós não viemos por sua causa, nem a vimos, nós viemos por aquela camisa!!!Acredita???

 

A camisa do Corinthians salvou o meu dia em São Paulo.

 

Neide Brum Duarte é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Conte mais um capítulo da nossa cidade: escreva para milton@cbn.com.br

Avalanche Tricolor: Marcelo Grohe merece vestir nossa camisa listrada

 

Figueirense 0x0 Grêmio
Brasileiro – Orlando Scarpelli/Florianópolis (SC)

 

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O time era o reserva. De titular, só Marcelo Grohe. E meu destaque vai para ele.

 

Antes dele, porém, falarei de outros personagens do jogo deste fim de sábado.

 

Era de se esperar pouco, apesar de eu sempre alimentar a esperança de que alguns dos escalados tenham seu momento de recuperação, desempenhando em campo o futebol que imaginávamos ter, mas que deixou a desejar e os levou à condição de reserva.

 

Dos mais jovens, a expectativa é que se destaquem, demonstrem condições de reivindicar um lugar no time e, principalmente, ofereçam alternativas para Renato, nesta ou na próxima temporada.

 

Do que se esperava de uns e de outros, ficou o esforço e a luta pela bola. Foram competentes na marcação e impediram qualquer perigo que o adversário pudesse impor.

 

Tivessem caprichado um pouco mais até sairíamos de campo com os três pontos, subiríamos na tabela de classificação e estaríamos colados no G6. Mas não dá pra reclamar. Eram os reservas em campo. E, independente do que esperávamos deles, tinham como principal missão dar fôlego aos titulares para a batalha que realmente vale, na quarta-feira, pela Copa do Brasil.

 

Além de fôlego, nas duas vezes que foram convocados ganharam dois pontos e nos deixaram ainda na disputa pela vaga a Libertadores, graças a combinação de resultados com os outros jogos da rodada. E convenhamos:  tem uma turma aí que tem metido o time titular, joga em casa, precisa desesperadamente de uma vitória e tem sofrido para conquistar o mesmo ponto que os nossos reservas garantem a cada partida.

 

Como disse lá em cima, o que me agradou mesmo foi ver Marcelo Grohe. Por uma ótima defesa no primeiro tempo, mas, principalmente, por vê-lo vestindo a camisa tricolor. 

 

Tenho sempre um olhar especial aos goleiros, pois os considero solitários em sua função ingrata de impedir que um time inteiro alcance seu maior objetivo: o gol. É sempre difícil de entender por que alguém ao tomar a decisão de jogar futebol queira fazê-lo como goleiro, apesar de eu já ter me arriscado na posição e meu pai ter se dedicado a ela nos times da escola e de amigos. Deve haver um viés masoquista ou algo equivalente que a psicologia saiba explicar.

 

Ao ser goleiro você sequer tem o direito de vestir a camisa titular da equipe que representa. Refiro-me aquela que os torcedores usam para ir ao estádio ou desfilar pelas ruas. Os do Grêmio, por exemplo, jogam anos no clube sem jamais ter usado nosso manto listrado. Imagine a frustração.

 

Fui surpreendido, hoje, com o número 1 e o nome de Marcelo Grohe estampados nas costas da camisa azul, preto e branco. Grata surpresa. Em um jogo de tão poucos atrativos, ao menos ali havia um motivo para minha satisfação.

 

Achei justa a decisão, de quem quer que tenha sido, de oferecer esta oportunidade ao goleiro gremista. Que se repita sempre que o Grêmio entrar em campo com o segundo ou terceiro uniformes. Grohe merece!

Oferta de secador em “manto sagrado” dá confusão

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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A Casa & Vídeo, tradicional empresa de varejo de eletrodomésticos, utilizou a torcida do Botafogo, emblemático clube do futebol carioca, para promover a sua marca. Lançou uma campanha de escolha de um produto para ofertar em homenagem ao Dia da Mulher. E usou como veículo a camisa do Botafogo. Foi no clássico com o Fluminense, disputado domingo no Maracanã.

 

Não bastasse o inédito e bizarro processo de comunicação, o secador de cabelo, produto escolhido pela torcida botafoguense, teve dois preços. Os jogadores entraram em campo com a oferta de R$ 49,00 e trocaram de camisa no segundo tempo da partida, com o secador anunciado em nova camisa por R$ 39,00.

 

Se Heleno, Nilton Santos, Didi ou Garrincha, jogadores que honraram a camisa botafoguense, presenciassem a derrota no domingo, certamente se espantariam não com o resultado, talvez nem tanto com a promoção, mas com a anuência e a participação de torcedores, que normalmente consideram a camisa do clube como um manto sagrado.

 

Se, no atual contexto nacional ações que buscam vantagens financeiras, legais ou ilegais, tornaram-se rotinas, nada mais há que deveria surpreender. Entretanto, o torcedor de futebol normalmente é um fanático por definição. Colocando muitas vezes o amor pelo clube acima das paixões mais convencionais, como as da família.

 

Endossar uma oferta de secador na camisa do clube que ama foi de espantar. Assim como foi de mal gosto a direção do Botafogo aprovar.
E, para congestionar o verossímil, ontem, a Secretária do PROCON, Cidinha Campos, anunciou que irá processar a Casa & Vídeo por propaganda enganosa, além de encaminhar ao CONAR a questão. Está inconformada com rebaixamento de preço em prazo curto demais.

 

Se a moda pegasse, o mundo iria esquecer o 7×1. Zombariam das futuras promoções que viriam. Ou virão?

 


Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras.

A Copa na Moda

 

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

A indústria da roupa esportiva, como que antevendo o bom nível de futebol da COPA 14, desenvolveu vestuário condizente com a qualidade do futebol apresentado. Um exercício de inovação de produto. Roupas funcionais, elegantes, tecnológicas e dentro das tendências atuais da moda.

 

A Nike, que veste a seleção brasileira, pesquisou o corpo de cada jogador para identificar as áreas de maior tensão e esforço. Desenvolveu então matéria prima que reforçasse essas regiões e pudesse fornecer maior elasticidade e consistência. O peito e os ombros foram beneficiados. A Nike é a marca com maior presença na COPA, fornecendo uniformes para as seleções dos Estados Unidos, Inglaterra, França, Holanda, Portugal, Grécia, Croácia, Coréia do Sul e Austrália.

 

A Puma marca esportiva pioneira na preocupação com a moda, e que patrocina as seleções da Itália, Suíça, Uruguai, Chile, Camarões, Costa do Marfim, Gana e Argélia, criou um tecido cuja tecnologia faz micro massagens no corpo do atleta, além de apresentar um look atlético e de moda. A peça mais justa traz o beneficio adicional de dificultar o cada vez mais tradicional recurso do puxão na camisa.
A Adidas, que é responsável pelas roupas da Espanha, Alemanha, México, Colômbia, Rússia e Japão, desenvolveu o mais leve de todos os tecidos até então criados por ela.

 

Para o futebol, e para a indústria do vestuário esportivo, este é definitivamente um legado da COPA 14. Incontestável, ao que tudo indica, pois os jogadores tem se manifestado com satisfação às novidades apresentadas. E pelo que temos visto em relação a outros componentes, como cabelos, tatuagens e demais adereços, a moda é elemento de destaque neste show de bilhões. De pessoas e de dólares.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Milton Jung, às quartas-feiras.

Avalanche Tricolor: Mais dois trófeus

 

Grêmio 4 x 0 Ypiranga
Gaúcho – Olímpico Monumental

 

 

Foi uma semana de muitas emoções para este coração tricolor e, curiosamente, estas foram provocadas mais pelo que ocorreu fora do que dentro de campo. Não que os resultados destes últimos dias tenha desagradado. Bem pelo contrário. Foram duas vitórias importantes, sete gols marcados e nenhum tomado que nos deixaram um passo mais próximos de nossas conquistas. Seja na Copa do Brasil seja no Campeonato Gaúcho, faltam apenas três adversários para serem batidos até o título final. Uma sequência incrível de decisões em mata-mata que promete testar nossos nervosos e capacidade até somarmos mais dois troféus para nossa galeria. E pelo jogo de hoje, quando os jogadores de trás se sobressaíram, aparecendo de forma positiva no ataque, é para acreditar na nossa força, sem esconder as carências que ainda são evidentes. Mas não estou aqui para falar sobre estas, aproveitando apenas a frase para deixar meu desejo de que sejam resolvidas no vestiário e nos treinos da semana.

 

Quero mesmo é dedicar esta Avalanche à alegria que senti ao receber um presente e tanto. Dois troféus – como fiz questão de apresentar a todos os amigos. Alguns estavam perto de mim e logo perceberam meu sorriso quando fui agraciado com a caixa contendo duas camisetas comemorativas do Grêmio que marcam os 58 anos de trajetória no Olímpico Monumental, este estádio do qual estaremos nos despedindo no fim do ano e no qual vivi alguns dos momentos mais intensos da minha vida de torcedor, jogador, filho e cidadão. Um dia ainda terei tempo para descrever o quanto amadureci respirando o ar tomado pelo cheiro de cimento das arquibancadas do Olímpico, de terra dos seus campos suplementares e de umidade no seu ginásio de basquete. Hoje quero dividir com você a satisfação de vestir a atual camisa tricolor, desenhada pela Topper a partir do modelo usado por Tesourinha, Airton Pavilhão e equipe na inauguração do Olímpico, oportunidade em que vencemos o Nacional do Uruguai com dois gols do atacante Vitor. Aliás, a outra camisa que ganhei é a réplica daquela que ainda tinha no peito o escudo gremista com a palavra Foot-Ball em destaque, que não deixava dúvida da nossa missão: jogar futebol de verdade (a propósito, foi o que fizemos na tarde deste domingo, não é mesmo?)

 

As duas camisetas já têm lugar reservado no Memorial do Imortal, espaço que mantenho em minha casa com ítens que se transformam em pedaços da história gremista.

Avalanche Tricolor: Até a lojinha fechou

 

Ceará 3 x 0 Grêmio
Brasileiro – Presidente Vargas (CE)

Foi um choque, confesso. Ao subir a escada rolante, pouco antes de chegar ao topo no primeiro andar, olhei ansioso para a única vitrina que me chamara a atenção nos últimos tempos. Era meu ponto de apoio, motivo de orgulho e certeza de que nossa história havia conquistado seu espaço merecido, houvesse o que houvesse nos gramados. Era lá, no meio dos meus passeios prediletos, que avistava a camisa do Imortal Tricolor em destaque, vestida por um manequim inanimado, sem cabeça, mas com o escudo do meu time no coração. Pouco tempo atrás havia escrito sobre isso neste mesmo blog (leia aqui, se tiver paciência)

Olhei e não a encontrei. Aquela camisa predominantemente azul-celeste com duas faixas em preto e branco na vertical e horizontal havia desaparecido. O cartaz ao fundo com Renato em destaque, Vitor, Rochemback e Gabriel como coadjuvantes, também. Pior, muito pior. A loja, a única loja em São Paulo a oferecer como seu produto principal o manto tricolor estava fechada. Para sempre. Substituída por um tapume com anúncio de um novo ponto comercial dedicado a sandálias.

Um prenúncio ? Sinal do que me aguardava ? Texto subliminar do destino traçado ao Grêmio na temporada de 2011 ? Detesto pensar que mensagens aleatórios sejam enviadas para anunciar o nosso futuro. Desagrada-me a ideia de que Deus ou qualquer força superior estejam metidos nesta coisa que é o futebol e interfira no passe, no deslocamento, no cruzamento, no chute ao gol e no placar da partida. Prefiro olhar para os fatos concretos, as ações e decisões tomadas aqui e agora que definem os resultados que buscamos. E estes não tem colaborado com meu ânimo e, menos ainda, com o resultado das partidas.

Antes mesmo de o jogo se iniciar nesta noite, notei que aquela camisa que era destaque na loja do shoping estava em campo. Quando a bola começou a rolar, me dei conta que a alma daquela turba que a vestia era tão viva quanto a do manequim da vitrina. Sequer pareciam jogadores de um time marcado pela imortalidade. Estavam distante do que representaram meus heróis. Afastados da imagem que sempre construí nesta Avalanche e em meus sonhos infantis. Pareciam um bando de ninguém.

O Grêmio esqueceu o que é ser o Grêmio. E eu não tenho mais a lojinha para ludibriar minha dor.

Avalanche Tricolor: A camisa estava lá

 

Botafogo 2 x 1 Grêmio
Brasileiro – Engenhão (RJ)

O domingo gelado deixou a bicicleta pendurada na garagem, passear no parque não parecia tão agradável como nos dias anteriores, e na cozinha se destacava a louça acumulada do feriado estendido. Com esta equação diante dos olhos, a saída era tomar o caminho do shopping mais próximo de casa. Foi o que fiz. E centenas de outras pessoas, também. As poucas vagas no estacionamento já sinalizavam isto.

Logo que cheguei, antes mesmo de decidir o restaurante – ou entrar naquele que tivesse menos tempo de espera -, cumpri ritual que se iniciou há cerca de seis meses. Subo a escada rolante até o primeiro andar e antes de chegar no topo já olho para a vitrina da loja que está do outro lado. É um espaço pequeno, dedicado a material esportivo, no qual se vende apenas produtos da Topper. Imagino que não chame tanto atenção dos demais consumidores quanto as âncoras que são chamariz, ou as de roupas masculinas e femininas que estão elegantes com as roupas de inverno, ou as de joias que dominam as mulheres e as de tecnologia que enlouquecem os homens. Eu, porém, não consigo passear no shopping sem antes ir até lá.

E o que sempre procuro – e hoje não foi diferente -, encontro. O manequim sem cabeça vestia a camisa predominantemente azul-celeste com duas faixas em preto e branco na vertical e horizontal que se cruzam na altura do coração, onde o distintivo aparece em destaque. Meias, calções e cartazes com a imagem de Renato ao centro decoravam o restante do espaço dedicado ao Grêmio desde que o time passou a ter seu material esportivo patrocinado pela Topper.

Confesso a você que sinto uma ponta de orgulho ao ver aquela vitrina e parece que me tornei dependente dela, dada a necessidade de sempre conferir seu visual quando vou ao shopping. Por motivos mais do que óbvios, as lojas de material esportivo em São Paulo estão sempre ocupadas com camisetas do Corinthians, São Paulo, Palmeiras e Santos. Aquela não, é toda dedicada ao meu Grêmio.

Os resultados do primeiro semestre e o desempenho nos últimos jogos não têm sido motivo de comemoração, o que aumenta minha apreensão. Temo um dia passar diante da vitrina e não encontrar mais a camisa gremista, vê-la apenas pendurada nas araras no fundo da loja, quem sabe com o carimbo de liquidação. Seria um duro golpe para este apaixonado.

Depois do passeio dominical voltei para casa disposto a assistir à mais uma partida do Grêmio. Era fora de casa e com time ainda desmontado, reforços a espera de uma chance, a revelação sentada no banco em processo de recuperação física, o melhor goleiro do Brasil servindo o Brasil, o capitão no estaleiro, entre outras tantas perdas e prejuízos que deixaram o técnico atordoado e a estratégia de campo, idem. Mas sempre fica a ponta de esperança de que algo possa acontecer de surpreendente – não foi desta vez, mais uma vez.

No apito final, lembrei-me da vitrina do shopping. A camisa do Grêmio ainda estava lá, mas até quando?

O tempo virou, vista esta camisa

 

Por Dora Estevam

A virada de temperatura traz sempre aquela preocupação de escolher uma roupa adequada para sair de casa. Pode tanto esfriar como fazer calor num mesmo dia, sem contar a chuva sempre disposta a cair em locais isolados.

De qualquer forma não é porque o tempo virou que vamos correr por ai gastando com roupas novas. Tudo bem, se você quiser – a escolha é sua.

Como estamos em uma estação mais fresca, manhãs e noites mais geladinhas, o que precisamos é de algo prático para ficar bem o dia todo.

Pensando nisso me lembrei das camisetas. São boas companheiras para qualquer virada de estação. E hoje há uma grande variedade delas com estampas super engraçadas que ficam bem com calças, saias, bermudas, botas, casacos … é so usar a imaginação.

Vejas algumas combinações:

 

Acho que já da para fazer algumas produções – todo mundo tem uma camiseta no armário – basta ver de que forma você vai usá-la.

Dora Estevam é jornalista e escreve sobre moda e estilo de vida no Blog do Mílton Jung, aos sábados.