Avalanche Tricolor: as poucas boas notícias no empate

Grêmio 1×1 Juventude

Gaúcho – Arena do Grêmio, Porto Alegre RS

Gremio x Juventude
Monsalve comemora o gol no retorno ao time Foto: Lucas Uebel/GrêmioFBPA

Foi apenas a sétima partida de Luis Castro como técnico do Grêmio, e essa realidade não pode ser ignorada. Ele ainda merece paciência, virtude cada vez menos presente na Arena. Para iniciar o jogo, o treinador português recorreu a um time alternativo, com poucos jogadores considerados titulares. A escolha fazia sentido: a classificação à próxima fase estava garantida, a manutenção do primeiro lugar na chave parecia tranquila e o jogo vinha espremido entre dois compromissos importantes do Campeonato Brasileiro.

Ainda assim, esperava-se mais do Grêmio, sobretudo por jogar em casa. Faltou pressão na saída de bola do Juventude e sobrou lentidão quando a posse era nossa. O primeiro tempo foi pobre. Quase não se criaram jogadas de ataque. Nada daquilo a que se assistiu animou o torcedor que foi à Arena.

A entrada do trio titular — Arthur, Amuzu e Carlos Vinícius — ao lado de Monsalve, que retornava de um longo período de lesão, abriu outra perspectiva, no segundo tempo. O time ganhou presença ofensiva e passou a ocupar melhor o campo adversário. A expulsão precoce de Arthur, porém, voltou a desorganizar o Grêmio. Mais do que o prejuízo imediato, a ausência do volante pesa na disputa pela vaga na semifinal, no próximo fim de semana. Com ele, o meio de campo ganha equilíbrio. Sem ele, o sistema entra em colapso.

Entre as poucas boas notícias, Miguel Monsalve foi a principal. Há tempos o torcedor aposta no colombiano como o jogador capaz de assumir o papel do camisa 10. Em dois ou três lances — especialmente no golaço que marcou — o jovem de 21 anos reacendeu a esperança de que esse protagonismo, enfim, possa se consolidar.

A outra rara boa notícia foi Noriega como volante. Forte na marcação e seguro no domínio da bola, mostrou credenciais que merecem atenção. Com o retorno de Balbuena — toc, toc, toc — talvez o nipo-peruano de 24 anos possa se firmar como parceiro de Arthur, oferecendo ao meio de campo uma alternativa mais consistente.

Aos trancos e barrancos, o Grêmio segue no Campeonato Gaúcho. No meio da semana, o compromisso pelo Campeonato Brasileiro exigirá entrega máxima. Com pouco tempo de trabalho e quase nenhum espaço para treinar, Luis Castro precisa ajustar o time sob a pressão de uma torcida ainda marcada pelos fracassos do ano passado e pelos tropeços deste início de temporada. O relógio corre mais rápido do que o calendário.

Avalanche Tricolor: é preciso ouvir os sinais

Inter 4×2 Grêmio
Gaúcho – Beira-Rio, Porto Alegre (RS)

Grenal 449
Luis Castro comanda o time no primeiro Gre-Nal. Foto: Lucas Uebel/GrêmioFBPA

Os sinais estão por aí. Espalhados, discretos, insistentes. Falta-nos, quase sempre, atenção para percebê-los e alguma habilidade para traduzir o que tentam nos antecipar. Não é preciso ser vidente. Basta menos ilusão e um pouco mais de perspicácia.

Conto isso porque os sinais falaram comigo. E eu, como costuma acontecer, preferi não escutar.

Quando marquei o retorno da viagem de férias — que se encerra hoje — o Gre-Nal estava previsto para o dia anterior. Plano perfeito: assistir ao clássico com tranquilidade, direto do hotel. Um ajuste no calendário mudou tudo. A bola rolaria exatamente no horário em que eu estaria em voo para São Paulo. Lamentei. Perderia o primeiro clássico da temporada.

Havia saída? Até havia. Bastaria trocar a passagem. O problema é que as companhias aéreas cobram caro por mudanças repentinas. Pensei melhor. Gre-Nal fora de hora não valia tanto assim. Ainda que, como ensina a sabedoria popular, Gre-Nal é Gre-Nal.

Ali estava o primeiro aviso. Ignorei.

Logo após a decolagem, a comissária anunciou que o avião tinha internet. Um sopro de esperança. O processo parecia simples: baixar o aplicativo da companhia, fazer cadastro, aceitar termos, oferecer dados pessoais e, se possível, lembrar a senha criada em algum passado remoto. Nada funciona de maneira simples — o que já deveria ter sido entendido como mais um sinal.

Entre aplicativos, senhas esquecidas e dados inseridos de forma errada, consegui conexão. Fui direto ao site do GE. Quem sabe assistir ao jogo em vídeo, lá do alto. Ingenuidade. A internet não dava conta disso. Qualquer pessoa razoável teria parado ali. O gremista, não.

“Estão tentando me boicotar, mas não vão me afastar do Grêmio”, pensei, já desconfiando da própria teimosia. Se não dava em vídeo, iria no áudio. O rádio pela internet sempre salva. Lembrei da GZH. Um clique no play e pronto: a voz de Pedro Ernesto Denardin preenchia a cabine. Vitória parcial.

Ah, se eu tivesse ouvido os sinais do destino…

Resta torcer para que o técnico gremista tenha mais sensibilidade do que eu. Que saiba ler as mensagens deixadas por esta derrota no Gre-Nal, traduzi-las com clareza e transformá-las em aprendizado. O futebol, assim como a vida, vive nos avisando. Ignorar custa caro.

Avalanche Tricolor: tão longe e tão perto de ti

Guarany 0x2 Grêmio

Gaúcho – Estrela D’Alva, Bagé RS

Gremio x Guarany
Carlos Vinícius comeora quarto gol no Gaúcho Foto: Lucas Uebel/GrêmioFBPA

Comecei a Avalanche passada falando da minha distância em relação ao Grêmio. Distância física, claro, porque de alma e coração estamos sempre próximos. Estava, como ainda estou, em João Pessoa, na Paraíba, enquanto o Grêmio disputava uma partida em Porto Alegre. A distância volta à nossa crônica, porque na noite de quarta-feira o Grêmio foi para mais distante ainda ao jogar em Bagé, cidade gaúcha tradicional de muitas histórias e personagens.

Na fronteira com o Uruguai, o futebol gremista também esteve tecnicamente distante do que havíamos assistido na rodada anterior, na Arena. É preciso considerar que o time não era aquele que entendemos ser o titular. Ressalvas ainda para  palco da partida: estádio acanhado, vestiários precários, gramado ruim e, como se viu, infraestrutura frágil. O jogo começou com 40 minutos de atraso por problemas no fornecimento de energia na subestação do Estrela D’Alva, segundo informou a companhia elétrica. 

Apesar de a falta de criatividade e coletividade, três nomes se destacaram no primeiro tempo: os jovens Luis Eduardo, na zaga, e Roger e Enamorado, no ataque. No segundo tempo, o time voltou a ter dificuldades para chegar ao gol. O cenário mudou pouco mesmo com a expulsão justa de um dos adversários, aos cinco minutos — pô, Serginho, esperava que ao menos você gritasse na hora que era caso de expulsão (desculpa aí, caro e raro leitor, foi só recado para um dos amigos que mais admiro na crônica esportiva).

Cansado de esperar um desempenho melhor, Luis Castro fez as mudanças necessárias para o time chegar ao gol. Gabriel Meck entrou bem na direita e foi dele o cruzamento para que Carlos Vinícius marcasse o gol que abriu o placar. Vini da Pose precisou de poucos minutos para mostrar a André Henrique como se posicionar corretamente entre os zagueiros e cabecear de maneira certeira no gol. Em lance parecido, no primeiro tempo, André havia desperdiçado uma das poucas oportunidades que tivemos.

O jogo ficou mais fácil com a necessidade de o adversário sair para o ataque e a presença no meio de campo de outro guri da base, Jefferson. O time ganhou em intensidade e criatividade, chegando ao segundo gol em lance que também teve participação de Carlos Vinícius e foi concluído por Edenílson. Uma nota positiva ainda para o goleiro Weverton que fez uma estreia segura nas poucas vezes que foi acionado. 

Domingo tem Gre-Nal. É o dia em que retorno das férias. Estarei um pouquinho mais próximo do Grêmio. E, espero, que o Grêmio esteja muito próximo de mais uma vitória no clássico.

Avalanche Tricolor: vida mansa!

Grêmio 5×0 São Luiz
Gaúcho – Arena do Grêmio, Porto Alegre (RS)

Gremio x Sao Luiz
Carlos Viniciu marcou 3 vezes. Foto: Lucas Uebel/GrêmioFBPA

Vim longe para assistir ao Grêmio neste início de noite de sábado. Estou em João Pessoa, na Paraíba, onde passo meus dias de férias. Cheguei pouco depois do meio-dia e me hospedei de frente para o mar, na praia de Cabo Branco. Vida mansa! — deve estar pensando o caro, e cada vez mais raro, leitor desta Avalanche. Não há como discordar. É aqui que o sol nasce primeiro, as praias são mais limpas e as falésias desenham parte da costa. Um cenário convidativo para começar o ano com outro ritmo.

Justiça seja feita, porém. Para chegar até aqui, fizemos por merecer. Um ano de trabalho intenso, enfrentando o corre da redação e os desafios de quem insiste em fazer jornalismo com equilíbrio. Uma jornada árdua em muitos momentos, recompensada, de vez em quando, com pequenos privilégios. Foi nesse cenário generoso que acompanhei a goleada do Grêmio lá em Porto Alegre.

A partida começou fácil e terminou antes mesmo da hora. O Grêmio resolveu o placar no primeiro tempo e, no segundo, apenas completou a goleada. A vida do gremista foi mansa, sem dúvida. Mas o time também fez por merecer. Alguém poderá desdenhar o gol de abertura, surgido da infelicidade de um defensor adversário. Convém lembrar que o erro foi provocado pelo dinamismo imposto pelo Grêmio, bem diferente do que se viu no meio de semana.

A equipe que iniciou a partida se aproxima daquela que Luis Castro deve consolidar como titular, especialmente do meio de campo para frente. A começar por Arthur. Com ele, o Grêmio muda de patamar. A bola é tratada com respeito, circula mais rápido e chega melhor ao ataque.

A estreia de Tetê pela direita trouxe boas notícias. O atacante aposta em jogadas individuais, combina força e talento, participou diretamente de dois gols e quase deixou o seu. Cristaldo foi outro destaque. Iniciou a jogada que resultou no gol contra, deu assistência no segundo e marcou um golaço já na etapa final. Carlos Vinicius, autor de três gols, sinaliza que pode ocupar o espaço deixado por Luis Suárez, algo que o Grêmio procura desde então. Tiago e Roger seguem cavando espaço entre os titulares. Amuzu aparece cada vez mais solto e atrevido pela esquerda, agora com a concorrência de Enamorado, o colombiano que estreou no segundo tempo

Entre o sol que nasce primeiro em João Pessoa e a goleada construída com autoridade na Arena, ficou a sensação de que descanso e merecimento também fazem parte do futebol. O Grêmio venceu com tranquilidade, apresentou sinais de evolução coletiva e ofereceu ao torcedor uma noite sem sobressaltos — dessas que ajudam a organizar ideias, alimentar expectativas e lembrar que, quando o time joga bem, até a vida do gremista pode ser mansa.

Avalanche Tricolor: a teimosia de ficar acordado

Grêmio 0x1 São José
Campeonato Gaúcho – Arena do Grêmio, Porto Algre RS

Gremio x Sao Jose
Gabriel Mec tenta um ataque Foto: Lucas Uebel/GrêmioFBPA

O dia havia começado sob o impacto de uma manchete curiosa: por que sabemos cada vez mais sobre como dormir bem e, ainda assim, dormimos cada vez pior? A reportagem reunia especialistas, dados e recomendações. Para mim, a resposta era menos sofisticada: porque não exercitamos o conhecimento que já dominamos. Sabemos muito e fazemos pouco — uma equação que não fecha.

Dou-me como exemplo. Sei que durmo bem menos do que deveria. Costumo culpar o horário de trabalho, que me obriga a acordar às 4h15 da madrugada. A conta seria simples. Dormir mais cedo garantiria descanso, melhoraria a qualidade do sono e o corpo agradeceria. Bastaria antecipar o jantar, reduzir a bebida alcoólica, especialmente à noite, e eliminar estímulos que nos mantêm em estado de alerta. Sei disso tudo. Não faço.

Foi exatamente o que aconteceu ontem. Apesar de precisar estar cedo no estúdio da rádio, onde apresento meu programa matinal de jornalismo, insisti em acompanhar o Grêmio no fim da noite. Jogo apenas da segunda rodada do Campeonato Gaúcho, sem qualquer ingrediente que o tornasse memorável. Arena sem torcida. Time em estágio de aprendizado. Nada convidativo.

Os sinais estavam todos no primeiro tempo. Equipe lenta, marcação distante, pouca criatividade e poder ofensivo inexistente. Um desânimo proporcional às arquibancadas vazias. Para completar, o adversário chegava com mais perigo e foi premiado no lance final, quando acertou um chute indefensável no ângulo. Em condições normais, o intervalo seria um convite irrecusável para a cama.

Claro que não fui. Permaneci diante da TV, à espera de alguma mudança. Ela não veio, nem na escalação nem na postura. Apenas com as substituições do segundo tempo surgiu uma réstia de esperança de que a vigília tivesse valido a pena. Ledo engano. A bola passou a circular um pouco mais rápido, houve mais movimentação, mas nada realmente novo aconteceu.

Para não dizer que só foi desperdício ontem à noite, fiquei entusiasmado ao ver Roger em campo com um futebol atrevido que já havia se destacado na partida de estreia. Gabriel Mec, por sua vez, ainda terá de aproveitar melhor as oportunidades que surgirão neste início de ano.

Sei que não é momento de cobrança. O time vive um período que deveria ser de pré-temporada, antecipado pela necessidade de acomodar os jogos no calendário de 2026. O Grêmio passa por reformulações dentro e fora de campo. O técnico Luís Castro chegou há pouco e mal teve tempo para treinar a equipe. A expectativa recai sobre contratações e o retorno de jogadores lesionados, na esperança de um elenco mais competitivo ao longo da temporada.

Tudo isso eu sabia antes da bola rolar. Ainda assim, ignorei os sinais e fiquei acordado. Agora estou aqui, explicando — e tentando justificar — a minha cara de sono.

Avalanche Tricolor: distante, mas nunca impossível

Grêmio 0x2 Inter
Campeonato Gaúcho – Arena do Grêmio, Porto Alegre (RS)

Foto: Lucas Uebel/GrêmioFBPA

Escrevo esta Avalanche a mais de 3.700 quilômetros de Porto Alegre. Aqui, o porto é das Pedras, no litoral de Alagoas. Vim para cá para aproveitar alguns dias de folga do trabalho na rádio. O mar é manso e morno. A maré baixa ao longo do dia, revelando piscinas naturais de águas claras. O sol a pino se põe no Rio Manguaba, berçário de um estranho e bonachão peixe-boi.

Nem fauna nem flora, nem mar nem rio foram suficientes para me desconectar do que aconteceria na capital gaúcha, no fim da tarde deste sábado. Impossível não ser tocado pelo que ainda representa a disputa de uma final de Campeonato Gaúcho. É verdade que, no início da temporada, maldizemos a competição, que nos obriga a enfrentar adversários bem mais frágeis, muitas vezes em campos incipientes. Mas, quando chega a decisão, todos queremos o título.

Sempre queremos o título!

A possibilidade do octacampeonato — mais remota do que quando a partida começou — e a necessidade do adversário de conquistar uma competição que não vence há oito anos (sim, o co-irmão é octa-derrotado no estadual) fazem desta final um momento especial para o futebol gaúcho.

Mesmo longe, era possível sentir a tensão que cercava o clássico — lá em Porto Alegre e aqui, em Porto de Pedras. Um nervosismo que não me impedia de enxergar que estavam frente a frente duas equipes em estágios distantes de preparação. Uma pronta desde o ano passado; a minha, ainda em processo de construção. Minha esperança estava depositada na pressão que a torcida poderia exercer na Arena e no esforço redobrado dos jogadores tricolores para superar a falta de entrosamento de um time que ainda tenta falar a mesma língua.

Esperança frustrada ainda no primeiro tempo, quando a distância entre as duas equipes ficou evidente. De um lado, a bola tinha origem e destino certos; do outro, a falta de sincronia impedia avanços coordenados. O Grêmio esteve longe daquele que, em algumas partidas deste início de temporada, nos fez acreditar que tínhamos um time. Não perdi a crença nessa ideia. Temos um elenco melhor do que nos últimos dois anos, e há lógica na formação da equipe. Mas as oscilações são preocupantes — já tinham aparecido na estreia da Copa do Brasil e na segunda partida da semifinal do Gauchão. E se repetiram no Gre-Nal.

Alcançar o título gaúcho neste ano não será tarefa fácil, embora não seja impossível. Antes, porém, será preciso viajar mais de 1.600 quilômetros até São João del-Rei, no interior de Minas Gerais — bem longe de Porto Alegre —, vencer nosso adversário na segunda rodada da Copa do Brasil e retomar o ânimo para a final no próximo sábado.

Avalanche Tricolor: um time que jamais se renderá!

Juventude (2) 2×1 (3) Grêmio
Gaúcho – Alfredo Jaconi, Caxias do Sul, RS

Volpi comemora classificação à final. Foto: Lucas Uebel/GremioFBPA

A ausência de um futebol mais envolvente obrigou o Grêmio a ser mais guerreiro do que nunca nesta temporada. Sem espaço para o talento brilhar, a classificação veio na base da insistência e da resiliência. O time recém-formado, ainda sem pleno entrosamento, superou suas falhas com valentia e manteve viva a esperança do Octacampeonato Gaúcho.

Saímos de Caxias do Sul cientes de que será preciso mais equilíbrio para sustentar um futebol de alto nível nos 180 minutos decisivos. Alguns jogadores, especialmente na defesa, precisam se posicionar com mais segurança. No ataque, será essencial diversificar as jogadas, explorando melhor os dois lados do campo e movimentando-se com mais sintonia entre os marcadores para criar oportunidades de gol.

Não há ilusão. Há orgulho, porém, pela postura do time diante da adversidade. Com um jogador a menos na maior parte do jogo e sofrendo dois gols que nos desclassificariam, conseguir voltar à disputa com um gol de bicicleta nos acréscimos é feito para poucos.

O zagueiro Gustavo Martins, mesmo sob a desconfiança de parte da torcida, já havia arriscado um cabeceio, sem muito perigo. Usar o recurso do malabarismo para alcançar uma bola que escapava e colocá-la na rede, naquelas circunstâncias, foi coisa de quem nunca se entregará enquanto vestir a camisa gremista.

Impossível não lembrar que, no instante do gol salvador, quem estava na área adversária, porque também não aceita a rendição, era o nosso novo goleiro, Tiago Volpi. Foi ele, aliás, quem mais uma vez revelou coragem e talento quando mais precisamos. No tempo normal, já havia feito ótimas intervenções. Na decisão por pênaltis, voltou a brilhar com duas defesas e ainda marcou seu gol com uma cobrança precisa.

Estamos em mais uma final do Campeonato Gaúcho — pelo oitavo ano seguido. Mesmo com um futebol inconstante, de altos e baixos, levamos para esta decisão uma certeza: o Grêmio jamais desistirá!

Avalanche Tricolor: Grêmio se reinventa e sonha com o Octa

Grêmio 2×1 Juventude
Gaúcho – Arena Grêmio, Porto Alegre RS

Cristian Oliveira foi um dos destaques do time. Foto: Lucas Uebel/GrêmioFBPA

Temos um time para a temporada. Essa é a melhor notícia do fim da noite de sábado. Espero que Gustavo Quinteros tenha a oportunidade de construí-lo e dar consistência à equipe, a tempo de conquistar o octacampeonato. O tamanho dessa missão pode ser medido pela quantidade de jogadores recém-chegados que disputaram essa partida de semifinal: sete deles estiveram em campo, dos quais cinco como titulares. Alguns mal devem ter desfeito as malas. Alguns se comunicam apenas pela linguagem da bola.

Mesmo sem o devido entrosamento, a equipe já demonstra uma ideia clara de jogo, movimentação coordenada, jogadas ensaiadas e um futebol empolgante para o torcedor. Ainda há falhas na execução de algumas jogadas e ajustes a serem feitos na saída de bola da defesa. Quinteros tem alternativas no elenco, o que propicia mudanças conforme a necessidade da partida e substituições à medida que a intensidade do futebol proposto cause cansaço.

Com os reforços e o novo treinador, jogadores que antes já se destacavam ganharam ainda mais protagonismo: João Pedro, Villasanti, Monsalve e Braithwaite são exemplos disso. Na partida deste sábado, foram fundamentais para a vitória.

Dos reforços, Cristian Oliveira se destaca pelos gols decisivos que marcou nas duas partidas em que esteve em campo. Amuzu, mesmo com pouco tempo, consegue mostrar seu potencial — e o gol da vitória teve participação importante dele. Terá de mostrar se tem físico e dimensão para manter sintonia com a forma como o time marca e retoma a bola assim que o adversário planeja o ataque.

Cuéllar e Camilo, volantes com cara de volantes, tendem a dar a consistência que o setor defensivo busca há duas temporadas. Thiago Volpi tem feito defesas difíceis em momentos cruciais, sem contar o feito do meio da semana, na Copa do Brasil.

O placar da primeira semifinal poderia ter sido mais elástico, especialmente porque defenderemos a classificação na casa do adversário. Fizemos por merecer mais. Tivemos a oportunidade de abrir dois gols de vantagem, o que abateria o adversário logo cedo, mas, infelizmente, a incompetência de quem deveria sinalizar o pênalti, que aconteceu ainda no primeiro tempo, nos prejudicou. Sofremos o empate. No segundo tempo, dominamos a maior parte do jogo, passamos à frente do placar e por muito pouco não ampliamos.

Teremos uma tarefa difícil em Caxias do Sul. O caminho para o octacampeonato ainda vai nos impor muitos desafios. Quinteros, ao menos, terá uma semana livre para ajustar a equipe. E o fará com a certeza de que temos um time para a temporada. E essa é a certeza que anima os gremistas para o que vem pela frente.

Avalanche Tricolor: vamos ao que importa

Ypiranga 0x1 Grêmio
Gaúcho – Colosso da Lagoa, Erechim/RS

Monsalve comemora o gol da vitória. Foto: LucasUebel/GremioFBPA

Com um time modificado e injustiçado, o Grêmio encerrou a fase de classificação do Campeonato Gaúcho com vitória e garantiu a terceira melhor campanha da competição. A maioria dos titulares ficou em Porto Alegre, enquanto o técnico Gustavo Quinteros já planejava a estreia na Copa do Brasil e, principalmente, ajustava a equipe para o restante da temporada. Os reservas que estiveram em Erechim precisaram superar, além da falta natural de entrosamento, um erro crasso da arbitragem – cometido em conluio com o VAR – que resultou na injusta expulsão de João Lucas ainda no primeiro tempo.

Apesar dos erros e tropeços no gramado ruim do Colosso da Lagoa, o time fazia um primeiro tempo de pressão, desarmes precisos e ataques constantes. Mesmo com um jogador a menos, desde os 25 minutos do primeiro tempo, surpreendeu o adversário ao manter a marcação firme e aproveitar melhor os contra-ataques. A maturidade da defesa, mesmo composta por jovens jogadores, foi uma das boas surpresas da noite. O volante Camilo chamou atenção pelo equilíbrio entre marcação forte e presença ofensiva.

O destaque – e sem nenhuma surpresa – foi Monsalve. Responsável por distribuir o jogo, ele protagonizou o belo e único gol da partida. Recebeu a bola de Aravena em um contra-ataque e, quando a jogada parecia perdida, driblou os marcadores e o goleiro antes de finalizar para as redes.

A vitória não alterou o caminho do Grêmio na fase de mata-mata. O time terá de decidir a vaga na final fora de casa, contra o Juventude, e só poderá conquistar o octacampeonato na Arena se o Caxias avançar na outra chave. Confesso que essa questão pouco me interessa.

O que realmente importa é que o Grêmio chega à fase decisiva mais estruturado e reforçado do que no início do ano. As contratações feitas na reta final da janela de transferências são um alento para o torcedor. Especialmente os reforços para a zaga e a lateral-esquerda trazem a esperança de que o problema defensivo, tão evidente nas últimas duas temporadas, enfim será resolvido. Do meio para frente, o time também se fortalece, com volantes de marcação e atacantes velozes.

A diretoria atendeu aos pedidos de Quinteros, que terá pouco tempo para entrosar a equipe com os novos jogadores, mas, ao menos, enfrentará os jogos decisivos com mais opções no elenco. A expectativa pelo octacampeonato está mais bem alicerçada e deixa de ser apenas um sonho de verão. E que verão é esse que o Rio Grande do Sul enfrenta, caros – e cada vez mais raros – leitores desta Avalanche?

Avalanche Tricolor: BaitaWaite!

Grêmio 5×0 Pelotas
Gaúcho – Arena Grêmio, Porto Alegre RS

Foto: Lucas Uebel

Martin Braithwaite chegou ao Grêmio no ano passado com uma tarefa ingrata: substituir Luis Suárez — afirmação que dispensa explicação. O dinamarquês logo chamou atenção do torcedor, assim como dos colegas e jornalistas que acompanham o dia a dia do clube. Seu comprometimento com o time era evidente dentro e fora de campo — e olha que o atacante pegou o Grêmio em uma temporada bem complicada.

Partida após partida, Braithwaite, aos 33 anos, tem se revelado melhor e maior. Está longe de ser aquele centroavante que fica cravado entre os zagueiros à espera de uma bola para decidir o jogo. Desloca-se o tempo todo, comanda o ataque e orienta o meio de campo. Leva os zagueiros de um lado para o outro, abrindo espaço para os companheiros na área. Assim como cede a bola nas assistências, também surge para recebê-la em condições de chutar ao gol. Também bate bem pênalti como vimos no fim de semana, no Gre-Nal.

Antes do primeiro gol gremista, nesta terça-feira à noite, Braithwaite já havia propiciado dois ou três lances interessantes com passes velozes e talento no toque de bola. Os dois gols que ele marcou, sacramentando a vitória gremista ainda no primeiro tempo, demonstraram outra qualidade do atacante: o tempo certo para saltar e se impor sobre os zagueiros na bola aérea. Fez os dois gols de cabeça depois de receber cruzamento qualificado de Edenílson.

O início de temporada de Braithwaite nos permite ter esperança de que o ano seja promissor, à medida que Gustavo Quinteros ajuste a movimentação da equipe, especialmente no meio de campo, e equilibre o ataque, que tem funcionado melhor pelo lado direito.

Independentemente do que venha por aí, arrisco dizer que esse dinamarquês, com visual de viking e movimentação de craque, é um BaitaWaite — com o perdão do trocadilho.