Avalanche Tricolor: sem exagero!

 

Cruzeiro 0x2 Grêmio
Gaúcho – Vieirão – Gravataí

 

32731765070_8e9d453a20_z

Miller e Ramiro marcaram os gols, foto de LUCASUEBEL/GrêmioFBPA

 

 

 

É exagerado este futebol, não?

 

O acanhado estádio da cidade de Gravataí, com direito a estacionamento logo atrás do gol e arquibancadas expostas ao sol intenso do verão gaúcho, tem, oficialmente, oito mil lugares. Dizem os registros que foi inaugurado em 2008 e batizado Antonio Vieira Ramos, um dos fundadores do Cerâmica, que alugou o local para o Cruzeiro, ex-Porto Alegre, levar suas partidas enquanto  espera a entrega do seu estádio próprio.

 

O fato de o estádio ser enxuto e ter dependências simples não impede de o pessoal da cidade chamá-lo de Vieirão. Soa quase como uma brincadeira entre amigos. Aliás, como fazíamos nos tempos de guri quando convidávamos os colegas para uma pelada no “Areião” ou no “Aterrão”, que nada mais era do que um pedaço de terra pura, com uma sequência de buracos a serem driblados a cada ataque e goleiras sinalizadas com pedaços de pau que, em todos os jogos, tínhamos de cravar novamente, porque um espírito de porco fazia questão de arrancá-los nos dias sem jogos.

 

O uso do aumentativo se disseminou com narradores esportivos que exageram na dose para compensar a baixa qualidade do espetáculo que transmitem pelo rádio e TV. Por exemplo, em toda minha vida vivida no Rio Grande do Sul e isso significa até 1990, só lembro de a competição estadual que disputávamos ser chamada por seu nome próprio: Campeonato Gaúcho. Hoje, quando sua importância é restrita, tem menos clubes e tempo de duração menor, é Gauchão.

 

Nada mais contraditório, porém, do que o apelido dado aos goleiros de futebol. Independentemente do tamanho do frango que engolem ou das falhas que cometem, todos invariavelmente são chamados de “goleirão”. Às vezes com ironia, mas na maior parte das vezes por mania.

 

Não vou entrar aqui em outro dos exageros comuns que cometemos ao falarmos de futebol que é o de transformar em craque qualquer um capaz de dar um drible a mais no adversário. Pode ser um passe de letra, uma pedalada sem sequência ou uma assistência que permita que o colega bote a bola para dentro, tudo isso já é suficiente para cutucarmos o amigo sentado ao lado na arquibancada: “bom de bola esse guri, bate um bolão que só vendo, heim!”.

 

Dito isso e colocando de lado os exageros, vamos a partida deste Sábado de Carnaval.

 

A vitória de 2 a 0, mesmo que não tenha tido desempenho capaz de agradar Renato, e é bom que seja assim mesmo, me marcou pelo desempenho de alguns de nossos jogadores:

 

Marcelo Grohe e suas defesas no primeiro tempo, especialmente a do pênalti, que convertido causaria um estrago tremendo, mais uma vez mostrou que é uma baita goleiro.

 

Miller com sua movimentação no meio de campo, distribuição de jogo e um golaço de fora da área quando o time não estava jogando lá essas coisas, deixou mais uma vez claro que é um baita jogador.

 

Ramiro com mais um gol na estatística, batendo de primeira a bola cruzada por Lincoln, tem se revelado um baita cara.

 

Tudo bem, não foi um jogão, mas podemos dizer que Grohe foi um goleirão, Ramiro bateu um bolão e Miller merece o título de o craque do jogo disputado no Vierão. Sem exagero!

Avalanche Tricolor: não é pra tudo isso

 

Grêmio 1×1 São José
Gaúcho – Arena Grêmio

 

32846892762_20ce99a7b9_z

Kannemann está de volta, em foto de LUCAS UEBEL/GREMIOFBPA

 

Teve empate e frustração de torcedor, nesta noite de domingo, em Porto Alegre.

 

Teve coisa boa, também.

 

Particularmente, gostei muito de ver a troca de passe pelo lado direito com Miller Bolaños, Léo Moura, Ramiro, Everton e quem mais aparecesse. Foi assim que quase abrimos o placar. Se o gol não saiu por ali, ao menos o ensaio das jogadas me pareceu interessante. E pode render um bom caldo a medida que o entrosamento aumentar.

 

Gostei mais ainda de ver que Kannemann está em plena forma: praticamente não perdeu uma só jogada na defesa. E escrevo “praticamente” porque às vezes sou traído pela memória. Ganhou na bola e no grito, quando preciso. Com Geromel ao lado, formam a defesa ideal.

 

Sigo apostando que o talento de Miller será nosso ponto de desequilíbrio nesta temporada. Hoje, todas as boas jogadas passavam pelos pés dele e mesmo tendo de recuar um pouco mais do que de costume, esteve presente nos lances de gol. E no lance do gol, também. Pena ter usado o braço para ajeitar a bola, pois a cena se sobrepôs a bela jogada com a participação de Lincoln.

 

Aliás, dos que entraram no segundo tempo, ando doido pra ver o guri Ty Sandows jogar por um pouco mais de tempo. Mesmo em condições adversas, ele demonstra um talento e tanto. Hoje, na primeira jogada possível, dominou e chutou com muita precisão, obrigando o goleiro a uma bela defesa.

 

Como disse, porém, além de coisas boas, a partida deste domingo teve frustração, também. E não estou aqui me referindo a Maicon que tirou o pé em uma jogada lá no nosso ataque e de lá a bola passou pelo nosso meio de campo, chegou a nossa lateral, cruzou a nossa área, bateu e rebateu e foi parar dentro do nosso gol.

 

Frustrou-me ver que alguns torcedores têm memória curta e pouca paciência. Vaiar o capitão como fizeram é esquecer sua importância para o time e os serviços prestados até aqui. Sei que muitas vezes reclamamos por reclamar, precisamos encontrar bode expiatório para as coisas que não saíram como imaginávamos e já havia uma irritação do torcedor provocada pelas seguidas trapalhadas do árbitro. De repente, perde-se a bola no ataque e tomamos o gol de empate … é bronca na certa.

 

Mas não era pra tudo isso, como, aliás, bem disse Maicon ao fim da partida.

 

Você, caro e raro leitor desta Avalanche, há de convir que foi muita briga pra pouca coisa. Transformar aquele momento em crise, é desperdiçar energia em algo pequeno diante dos desafios que temos pela frente nesta temporada e para os quais teremos de contar com todo o grupo mobilizado, unido e apoiado pela torcida.

Avalanche Tricolor: humildade, resiliência e um gol de craque

 

Grêmio 1×0 Passo Fundo
Gaúcho – Arena Grêmio

 

32483792200_8698e61e0f_z

Ramiro comemora gol, em foto de Lucas Uebel/GrêmioFBPA

 

 

Ramiro chegou dentro de um pacote de compras que o Grêmio fez em viagem a Serra Gaúcha, nas férias de verão de 2012. Fazia parte de parceria entre o clube e o Juventude de Caxias do Sul. Com ele, vieram Paulinho, Alex Telles, Bressan e Follmann.

 

Dos colegas de viagem, Bressan segue ao lado dele, após ir e voltar. Está no banco e só sai de lá por acaso. Paulinho durou pouco e foi rodar pelo interior do Brasil. Alex Telles após bela temporada na lateral esquerda foi vendido para o exterior. E Follmam sobreviveu à tragédia da Chapecoense.

 

Resiliente, Ramiro foi titular, foi reserva, foi operado e foi descartado – não necessariamente nesta ordem. Jogou mais atrás como volante, quando preciso cobriu a lateral direita, passou a atuar um pouco mais à frente e agora se apresenta até para fazer gols.

 

Foi no ano passado, com a volta de Renato, que Ramiro ganhou nova chance entre os titulares. O Grêmio buscava ainda um substituto para Giuliano que havia saído no meio da temporada.

 

De repente, nas quartas de final da Copa do Brasil, contra o Palmeiras, uma bola foi lançada para a entrada da área, do lado direito, e ele de primeira, pelo alto e de forma certeira enfiou a bola no fundo do poço, marcando o gol que abriu caminho à classificação. Um lance definitivo para Ramiro.

 

Desde aquele gol, em setembro do ano passado, Ramiro superou as críticas, ganhou a admiração dos torcedores e passou a ter lugar certo no time.

 

Na vitória dessa tarde, na Arena, foi dele o gol que desmontou com a retranca do adversário. Ramiro já havia aparecido uma ou duas vezes com chance de marcar, surpreendendo os zagueiros (e alguns comentaristas). No fim do primeiro tempo, voltou a correr na diagonal em direção ao gol e, pelo alto, recebeu passe de Everton para completar de calcanhar.

 

Fosse qualquer outro jogador por aí, ouviríamos o grito de “golaço”, coisa de craque e outros salamaleques que costumam reservar para alguns. Mas foi Ramiro, guri ainda de 23 anos, que chegou do interior do Rio Grande do Sul, nasceu em Gramado, tem cara de humilde e jeito de batalhador. E parece que ele não se importa com isso.

 

Que continue assim, sendo apenas o nosso Ramiro, o Lutador!

Avalanche Tricolor: saudade do meu Campeonato Gaúcho

 

Grêmio 2 x 0 Ypiranga-Erechim
Gaúcho – Arena Grêmio

 

Gremio x Ypiranga

Luan em uma disputa típica do Gaúcho,na foto de Lucas Uebel/GremioFBPA

 

Diga o que quiser. Pense o que pensar. Pode desmerecer. Não tem problema. Eu vou entender, mas nada será capaz de me tirar do peito esta saudade que sinto do Campeonato Gaúcho. Uma baita de uma saudade, como diria lá no meu Rio Grande.

 

Conheci o Gauchão quando este aumentativo era dispensável. Bastava-nos chamá-lo de Campeonato Gaúcho. Era ainda a competição mais importante que disputávamos nos anos de 1970. Assistia a todos os jogos no Olímpico, que ficava do lado de casa. Ou então viajava para o interior seguindo os passos gremistas. Muitas vezes passos enlameados em estádios acanhados e arquibancadas de madeira.

 

Tive o privilégio de acompanhar o Grêmio por todo o interior do Rio Grande levado de carona pela equipe de esportes da rádio Guaíba, onde meu pai trabalhou por cerca de 50 anos. Na maior parte das vezes ficava em pé, atrás dos postos ocupados pelo narrador e comentarista da emissora, nas cabines de rádio. Algumas eram tão pequenas que mal cabiam os profissionais, os equipamentos e este torcedor fanático.

 

Da mesma forma que a lama, o frio era uma das marcas da competição. Houve até um histórico jogo na neve, em Bento Gonçalves, lá pelos anos de 1980. E se alguém me perguntar qual o momento mais marcante como torcedor gremista, não vou titubear: o título Gaúcho de 1977. Foi o primeiro que pude comemorar ao lado e abraçado com o meu pai nas cadeiras do Olímpico.

 

Desde lá, nossas ambições foram além das fronteiras do Rio Grande. Brasileiro, Copa do Brasil, Libertadores e Mundial entraram no nosso cardápio. E ganhamos todos eles, queiram ou não os mercenários da Fifa.

 

O Gaúcho ficou menor, mas segue muito perto do coração de cada um dos torcedores. Por isso, foi muito legal ligar a televisão nesta quinta-feira à noite para assistir à estreia gremista na temporada 2017.

 

O jogo foi na Arena que tem mais cara de Copa do Brasil e Libertadores do que Gaúcho. Mas tinha muita chuva para nos lembrar do passado e um adversário tradicional, lá do norte do Estado na divisa com Santa Catarina. Teve jogadas duras, chutões para o alto, excesso de força e reclamações – o suficiente para matar a saudade.

 

Teve também o talento que fez do Grêmio penta campeão da Copa do Brasil no ano passado. Geromel, Luan, Douglas, Marcelo Grohe … marcação alta, volume de jogo, troca de passe precisa e muita movimentação.

 

O primeiro gol foi contra e resultado de uma blitz que resultou de sete cobranças de escanteio em pouco mais de meia hora de partida. O segundo saiu dos pés do redivivo Fernandinho após outra pressão imposta no segundo tempo.

 

Que venham novas vitórias, a classificação às próximas fases e o título do Campeonato Gaúcho. Até porque desse também estou com uma baita de uma saudade.

Avalanche Tricolor: já dizia o Tio Ernesto

 

Juventude 2×0 Grêmio
Gaúcho – Alfredo Jaconi/Caxias do Sul

 

26502240421_99d4d0e433_z

Domingo tem a volta, gente! – foto de Lucas Lebel/Grêmio FBPA

 

Paga-se um preço por construir equipe competitiva e disposta a vencer tudo que está no seu caminho. Chega-se a uma decisão aqui e outra acolá. Tem jogo difícil na terça, na quinta e, como já se sabe, nos próximos dias, também. Por mais que o time seja preparado, treinado, descansado … chega uma hora que não se consegue driblar o calendário nem o adversário.

 

Não bastasse tudo isso ainda tinha uma caxumba no meio do caminho que, nesta quinta-feira, tirou nosso melhor zagueiro de campo. E (com todo respeito aos demais envolvidos) como fez falta Geromel.

 

Hoje pagamos mais caro do que precisávamos. Mesmo com parte do time titular assistindo ao jogo no banco, tínhamos potencial para muito mais. A impressão que fiquei, porém, é que a própria escolha por uma equipe mista tenha feito com que alguns jogadores tenham entendido errado o recado e, em lugar da intensidade que sempre nos marcou, se buscou cadenciar a partida.

 

E como dizia Tio Ernesto: “não da pra bobear contra os gringos”.

 

Não pense, também, que nesta Avalanche vai alguma desculpa para o resultado negativo desta noite de quinta-feira. Até porque este jogo só termina no domingo, lá na Arena, quando teremos excelente teste para conhecermos melhor a capacidade de recuperação deste time.

 

E como, também, dizia Tio Ernesto: “não tá morto quem peleia”.

Avalanche Tricolor: gols cedo e inteligência para jogar

 

Grêmio 4×1 Brasil-Pelotas
Gaúcho – Arena Grêmio

 

28_ducker_20160406_9778_l

Festa em mais um gol  na foto de Richard Ducker/Framephoto/Divulgação

 

Em dois minutos de jogo, Geromel já havia marcado o primeiro gol. Fizemos outros depois com Bobô, Giuliano e Pedro Rocha; tomamos um, também. Mas quero focar nossa conversa, agora, nesse gol inicial. Pois, para mim, sinaliza um padrão de comportamento.

 

Com forte intensidade e marcação na saída de bola, o Grêmio tem feito gols logo cedo. Sem forçar a memória, em todas as últimas partidas deste campeonato começamos a construir o resultado antes dos primeiros 15 minutos.

 

Contra o Juventude, marcamos aos 3; contra o Passo Fundo, aos 6; e contra o Lajeadense, aos 13 minutos. Se você pesquisar um pouco talvez encontre outras partidas em que os gols saíram no início do jogo.

 

Verdade que nem sempre isso significou vida fácil, haja vista o que assistimos no fim de semana passado. Mas, certamente, o Grêmio de Roger tem demonstrado um jeito interessante de ser em campo.

 

E neste futebol qualificado, outro aspecto me chama atenção: a inteligência na forma de jogar. A maneira com que se cadenciou o jogo, logo após o susto no início do segundo tempo, mantendo o domínio da bola e trocando passes na tentativa de se livrar da marcação adversária, foi um dos sinais dessa inteligência.

 

Na partida desta quarta-feira, outros lances ratificam esta minha percepção: no segundo gol, o drible de Giuliano e a calma para permitir a chegada de Bobô; no terceiro, o passe incrível de Lincoln no que, antigamente, chamamos de ponto futuro, muito bem aproveitado por Marcelo Hermes; no quarto, a visão de Luan fez com que Pedro Rocha surgisse livre diante do goleiro, e o próprio Pedro Rocha foi inteligente o suficiente para apenas “dar um tapa” na bola.

 

Com intensidade, gols marcados cedo e inteligência, o Grêmio segue em frente no Campeonato Gaúcho, onde já está na semifinal, e arruma as malas para mais uma decisão na Libertadores.

Avalanche Tricolor: o gol de Luan vale bem mais do que um empate

 

Grêmio 2×2 Juventude
Gaúcho – Arena Grêmio

 

25945289060_5e74f00553_z

Luan comemora golaço de falta, em foto de LUCAS UEBEL/GRÊMIOFBPA

 

Vamos convir que o jogo pelo jogo pouca coisa nos valia. A classificação estava garantida e a liderança, também. Méritos que construímos ao longo do campeonato, disputado, não vamos esquecer, em paralelo com a mais importante das competições: a Libertadores, onde se encontra apenas a elite do futebol sul-americano.

 

Independentemente da qualificação da partida, do quanto acrescentaria no nosso currículo e de estarmos apenas com parte do time titular em campo, vamos combinar que não gostamos nunca de perder (nem em treino), especialmente dentro de casa. Por isso, a virada que tomamos no segundo tempo deixava um sabor amargo, neste fim de domingo, principalmente porque havíamos dado sinais de vitalidade no primeiro tempo e não aproveitamos as chances de gols construídas.

 

Mesmo com o resultado negativo, havia pontos positivos: Wallace Oliveira e Giuliano de volta aos gramados, por exemplo, nos ofereciam alternativas para a construção do time, mesmo que o desempenho deles não estivesse a altura do que são capazes de dar à equipe. No caso dos dois, porém, o mais importante é estarem disponíveis no grupo novamente, aumentando as opções para Roger.

 

Wallace, aliás, apareceu bem pela direita na jogada que resultou no primeiro gol, após receber um passe incrível e de longa distância de Maicon. Já pela esquerda, testar Iago para a ausência de Marcelo Oliveira no próximo jogo da Libertadores também foi mais um mérito desta partida dominical. O jovem lateral precisa de mais quilometragem, devido aos desafios que teremos pela frente, mesmo assim mostra ser audacioso, ofensivo e driblador.

 

Como disse, porém, não gostamos nunca de perder (nem em treino).

 

Foi, então, que Luan apareceu para cobrar a falta na entrada da área, no momento em que a partida estava prestes a se encerrar. Pegou a bola, secou-a na camisa, esfregou-a com as mãos e a ajeitou cuidadosamente na marca de espuma deixada pelo árbitro sobre o gramado. Havia muita gente entre ele e o gol, mas todos estavam ali apenas para assistir à cobrança de falta magistral de nosso jovem talento. O guri deu apenas alguns passos até lançar a perna direita em direção a bola e tocá-la com tanta delicadeza que ela parecia não ter outra coisa a fazer do que agradecer, seguindo seu destino até as redes.

 

Gol de Luan; golaço de falta; cobrança de craque!

 

Ao contrário do que muitos devem estar pensando, aquele não era apenas um gol para empatar a partida. Era muito mais do que isso. Era a demonstração que o Grêmio, quando o talento, intensidade e velocidade não conseguem se impor com a bola rolando, pode contar com a qualidade individual de alguns de seus jogadores. Que o Grêmio, mesmo quando as coisas parecem estar conspirando contra, pode apostar na genialidade de alguns de seus craques. Que o Grêmio não desiste nunca, porque aprendemos na vida a lutar sempre!

Avalanche Tricolor: tio Ernesto visitou o vestiário do Grêmio

 

Passo Fundo 1×5 Grêmio
Gaúcho/ Vermelhão da Serra-Passo Fundo

 

26077602981_d3a61dc2a6_z

Festa gremista na foto de Lucas Uebel/Grêmio FBPA 

 

Em toda família tem gente rabugenta. Às vezes é um tio distante; em outras, um cunhado mal resolvido. A coisa complica mesmo quando o mau humorado dorme na mesma casa (o que não é o meu caso, registre-se) . Venha de onde vier, tem situações que chegam a ser cômicas de tanto que a figura reclama. Se perdeu o emprego, reclama (com razão). Se foi contratado, fala mal do chefe. Se tem feriado, vai cair a produtividade. Se tiver plantão, está muito cansado. Nada satisfaz o cara. 

 

Lembrei, ontem,de um velho tio, o Ernesto, que me fazia rir nos almoços de domingo. Foi durante a partida em Passo Fundo. Mal havia começado o jogo, fizemos um. Em seguida, dois, três, quatro, cinco… Até o gol adversário ajudamos a fazer. Wallace fez dois, enquanto Bobô, Lincoln e Pedro Rocha voltaram a fazer os seus, aproveitando muito bem as chances oferecidas.

 

Da defesa ao ataque, o time funcionou muito bem. Não apenas na movimentação, aproximação e marcação, mas também no talento individual com chutes bem colocados, sutilezas no passe e dribles desconcertantes.

 

Foi um show que estava muito acima da qualidade do palco oferecido, com todo respeito ao tradicional Vermelhão da Serra, em Passo Fundo.

 

Você deve estar querendo saber onde meu tio rabugento entra diante do espetáculo que assistimos, ontem à noite. Afinal, por que lembrei dele em momento tão exuberante do futebol gremista? Porque é nesta hora que a rabugice do tio Ernesto tinha seu valor.

 

Quando todos comemoravam bons resultados, o casamento da prima ou o nascimento da filho, tio Ernesto cerrava os olhos e tascava um “sei não … sei não!”, para em seguida  discorrer sobre as responsabilidades que aqueles atos nos remetiam: a dificuldade que é criar uma criança, o custo em se construir uma família ou seja lá qual fosse o senão por ele elencado.

 

O tio podia ser chato, mas de alguma maneira a chatice dele nos trazia de volta a realidade, controlava o oba-oba e nos levava a pensar sobre nossos atos e planejar como encarar as dificuldades que por ventura pudessem surgir na caminhada.

 

Entendeu agora?

 

Tio Ernesto, ao ver o Grêmio goleando e brilhando em Passo Fundo, diria depois do “sei não … sei não!”: é gol de mais para um jogo só, vai faltar para os próximos, já estão se achando e nem ganharam nada…

 

Pelas declarações dos jogadores e do técnico Roger, logo após a partida, o Tio Ernesto “baixou” no vestiário gremista e fez com que todos, apesar da justificada euforia, deixassem claro que estão com os pés bem postados no chão.

 

Melhor assim!

 

Avalanche Tricolor: Pedro Rocha estava lá mais uma vez; e o Grêmio, também.

 

Grêmio 3×0 Lajeadense
Gaúcho – Arena Grêmio

 

25802476650_23af4e0563_z

Pedro Rocha a caminho do gol, em foto de Lucas Uebel/Grêmio FBPA

 

Convidado pela ESPN, tive o prazer de entrevistar o presidente do Grêmio, Romildo Bolzan, no programa Bola da Vez, gravado na quinta-feira passada e ainda sem data para ir ao ar. Meus colegas de bancada queriam saber se com o dinheiro que entrará no cofre gremista, a partir da assinatura do contrato do clube com a TV Globo, seria possível fazer grandes contratações para as próximas temporadas. Eu disse que, por mim, não precisava contratar muita gente, não. Já ficaria feliz em ver quatro dos nossos jovens craques mantidos no elenco: Luan, Lincoln, Walace e Everton.

 

“Cinco”, corrigiu-me Bolzan, “tem o Pedro Rocha, também”. Cheguei a ponderar que Rocha costuma ser alvo de críticas do torcedor por seus altos e baixos, seus gols perdidos e tropeções durante a partida. “Mas ele está sempre lá”, retrucou o presidente, demonstrando sua confiança e admiração por esse garoto de apenas 21 anos, que surgiu no time ano passado, chegou a ser titular e depois foi perdendo espaço na equipe principal.

 

Bolzan tem razão ao fazer a ressalva. Seria uma injustiça não colocar Pedro Rocha na lista dos valores a serem preservados. Com a retomada da temporada e as disputas de três competições simultâneas, Roger obrigou-se a aproveitar maior número de jogadores e Pedro Rocha voltou a aparecer com mais frequência no ataque gremista. Ainda perde alguns gols que consideramos fáceis, dá uma tropicada aqui e outra ali, mas, como diz o presidente do Grêmio: “está sempre lá”.

 

Neste domingo de Páscoa, Pedro Rocha esteve lá, novamente. Tentou uma, tentou duas, passou a terceira, tropeçou na quarta, mas em uma “tabela” com o zagueiro adversário apareceu com velocidade diante do goleiro e foi precioso no toque que deu para desviar a bola para dentro do gol. Com esse quarto gol, é um dos goleadores gremistas no Campeonato Gaúcho, ao lado de Luan e Bobô.

 

Ao fim e ao cabo, o que se espera de um atacante é que marque gols. Ao menos que os busque de maneira insaciável. Pedro Rocha é assim, incansável. Só não aumentou (ou teria perdido?) a goleada desta tarde porque seu colega de ataque, Lincoln, acreditou que seria capaz de fazer o dele, também, e, em lugar de passar para quem estava mais bem posicionado, no caso Pedro Rocha, preferiu chutar a gol, quase no fim da partida.

 

Bobô abriu o placar e Batista, outro menino que chega ao grupo, com apenas 20 anos, completou a vitória tranquila do Grêmio, que nos mantém líder a duas rodadas do fim da fase de classificação. Ou seja, não é só Pedro Rocha que “está lá”. O Grêmio, também.

 

Aliás, de volta a entrevista na ESPN, Bolzan disse que acredita que ganharemos ao menos uma das quatro competições importantes que disputaremos esse ano. Sendo assim, é bom que sejamos líder agora, pois esta meta ficará mais próxima de ser alcançada se decidirmos na Arena as partidas da etapa seguinte do Campeonato Gaúcho.

 

E se queremos manter nossos jovens craques no time, nas próximas temporadas, é importante que os títulos comecem a chegar logo. É isso o que mais desejamos.