Avalanche Tricolor: ah, tá! pensou que seria fácil?

 

 

Grêmio 1×1 Nova Hamburgo
Gaúcho – Arena Grêmio

 

 

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Ah, tá! Vai dizer que você pensou que seria fácil? 2×0 na primeira,  5×0 na segunda, e vaga na final garantida? Essas coisas acontecem de vez em quando, e já aconteceu com a gente nas quartas-de-final. Não se repetiria assim tão facilmente. Só porque era Páscoa, iríamos nos deliciar com doces, bacalhau e vinho?

 

 

Leve em consideração ainda que o adversário deste domingo tá com a bola toda. Fez um baita campeonato até aqui. Está bem organizado. Está motivado e dedicado, enquanto nós temos de ficar com um olho no peixe e outro no gato. No caso, um no Gaúcho e outro na Libertadores.

 

 

Claro que o empate não se deu por causa disso. Ou melhor, em parte se deu. Afinal, o adversário fez por merecer. E, ainda sob o impacto do segundo tempo, diria que mereceu até mais do que isso. Fechou-se bem e soube aproveitar os poucos espaços que surgiram até marcar o gol de empate. Depois, desperdiçou as boas chances que criou.

 

 

De nossa parte, o empate se deu porque tivemos dificuldade para acelerar a bola e trocá-la em meio a marcação fechada; abrir buracos na defesa adversária com dribles e chutar com mais precisão.

 

 

Fazer o quê, já foi!

 

 

Resta agora sentar a cabeça no lugar, entender os “apagões” das duas últimas partidas, organizar-se defensivamente e acelerar a bola ofensivamente. Renato e Espinosa sabem fazer isso.

 

 

E não vamos perder tempo com mimimi, querendo apontar o dedo para este ou aquele culpado. Entrar na onda dos inimigos de plantão. Não é hora disso. Até porque não dá tempo de ficar lambendo as feridas: tem Libertadores logo ali (na quinta-feira). E assim que encararmos nossa batalha lá fora, temos de voltar e superar o melhor time do campeonato até aqui, na casa dele (domingo que vem).

 

 

Ah, tá! Vai dizer que você acha tudo isso muito complicado? Que é, é … mas desde quando a gente se mixou pra esses desafios?  Pegar osso duro é nosso destino e transformá-lo em filé de primeira, nossa missão.

 

 

A mesa está posta: vitória lá fora na quinta; vitória lá fora no domingo. Esse é o nosso cardápio.

Avalanche Tricolor: ¿hablas español?

 

Veranópolis 0x2 Grêmio
Gaúcho – Antônio David Farina/Veranópolis

 

Gringos

Miller e Barrios marcaram na vitória em Veranópolis, foto de LUCAS UEBEL/GRÊMIOFBPA

 

O Grêmio fez um e fez dois. Poderia ter feito três, quatro ou cinco.

 

Exageros à parte, a bola rolou de pé em pé mesmo com o pouco espaço que a marcação oferecia.

 

Na dificuldade para chegar ao gol, começou a chutar de fora: Miller, Pedro Rocha e Luan arriscaram sem sucesso, mas trouxeram a defesa do adversário um passo à frente. Com isso, abriram-se outros caminhos: por cima e por trás. E foi por cima dos zagueiros deles que chegamos ao gol.

 

Rocha perdeu na primeira. Miller, não. No lançamento que veio do meio do campo, nosso atacante esperou a bola quicar no gramado, enganar o goleiro e com calma concluir no gol que estava livre. Un golazo!

 

Na defesa, estávamos seguros. Risco zero.

 

Do meio pra frente, o time se movimentava com rapidez. Volantes e laterais também se apresentavam para o jogo. E mesmo nossos zagueiros, especialmente Geromel – que baita jogador, heim! – se faziam presentes no ataque quando havia oportunidade.

 

Apesar do domínio completo da partida, perdemos gol atrás de gol. E até o goleiro deles, que pipocou no primeiro, passou a se consagrar com defesas de um lado e de outro.

 

Cansado de ver o time desperdiçar suas chances, Renato foi ao banco e trouxe os dois gringos que estão loucos para mostrar seu futebol, mas ainda não acertaram o pé e o ritmo. Ou não tinham acertado.

 

Gastón Fernandez e Lucas Barrios quando entram em campo me passam a impressão de que ainda não entendem a língua de seus companheiros. Não me refiro ao português, é lógico. Falo da língua do futebol, aquela que permite um diálogo perfeito entre os colegas, que faz com que o passe chegue no ponto certo para a sequência da jogada e o outro anteveja sua intenção ao largar a bola.

 

Os dois entraram no momento em que o ritmo da partida havia caído e as chances de gols tinham diminuído, além de estarmos assistindo a uma reação desorganizada do adversário. Isso mais uma vez parece ter atrapalhado o entrosamento, e os poucos passes que trocavam não tinham sucesso.

 

Barrios até arriscou um chute, mas a bola foi desviada pelo goleiro e desperdiçada por Luan na sequência. Em seguida, recuado na defesa, nosso atacante errou a passada e se estatelou no chão em um lance bizarro (tropeçou no buraco do gramado). Não desistiu da jogada nem do jogo.

 

No lance seguinte, após uma cobrança de falta rápida, Fernandez levantou a cabeça, viu Barrios entrar na área e com o olhar mandou o recado: la pelota es suya. E foi. Depois de receber o passe enfiado por entre as pernas do marcador e correr por trás dos zagueiros, Barrios com uma só batida seca e forte fez o 2 a 0 que esboçávamos desde o primeiro tempo. Gol de Barrios (com sotaque espanhol)!

 

E assim, com dois gols qualificados de vantagem e decidindo em casa, podemos arriscar: el Gremio está casi en las semifinales del gaucho.

 

¡Hasta la próxima!

Avalanche Tricolor: para lembrar das peladas jogadas na Saldanha

 

 

São Paulo 1×0 Grêmio
Gaúcho – Aldo Dapuzzo/Rio Grande

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Uma luta contra a bola, na foto de LUCASUEBEL/GRÊMIOFBPA


 

 

Tem um posto Ipiranga ali na esquina. Aqui próximo, um galpão com calhetão. E do lado de lá das cabines de rádio e TV, um muro ocupa o espaço que deveria ser de arquibancada. Em meio a tudo isso, o pessoal mantém um campinho de futebol que intercala grama com buraco. Às vezes, a turma chuta a bola meio alta, seja por falta de habilidade seja por intercorrências do campo, e vai parar lá em cima do telhado. Por sorte, o telhado é inclinado e a bola volta para alegria da gurizada.
 

 

Foi assim, diante destas cenas e com todo o respeito a história do time da casa que assisti ao jogo da noite de ontem, o último do Grêmio pela fase de classificação do Campeonato Gaúcho. Tinha cara de várzea apesar da pompa e circunstância no início da partida. E apesar da importância do jogo para o adversário que precisava de um bom resultado para não cair à Segunda Divisão.
 

 

Ao Grêmio, no máximo, definiríamos o confronto da próxima fase, pois a classificação entre os quatro primeiros já estava garantida, por isso levou-se time “alternativo” a campo – ao péssimo campo em Rio Grande, que, aliás, foi um dos motivos da dificuldade na troca de passe, além da falta de entrosamento e alguma limitação técnica.
 

 

Talvez a falta de ambição do time tenha me dado tempo para olhar para a partida com todas as peculiaridades descritas no primeiro parágrafo – sim, tudo aquilo acontecia em um jogo de futebol oficial e com a chancela da Federação Gaúcha – e me levado a lembrar dos tempos do futebol no campinho perto de casa.
 

 

Lá no Menino Deus não tinha posto de gasolina, mas tinha a porta de ferro do açougue do Seu Bernardo que servia de goleira. Tinha a venda do seu Ernesto na outra esquina, onde bebíamos água no intervalo da pelada. Tinha um bordel, tratado com todo o respeito pela gurizada que jogava bola. E tinha muros para tabelar e telhados sem inclinação que mantinha a bola refém como pena pelo chute mal chutado.
 

 

Bons tempos aqueles do futebol jogado lá na Saldanha Marinho, bem do ladinho do saudoso Olímpico. Tempos em que aos grandes do Rio Grande bastava jogar bola para estar na final. Hoje, tem gente que quase nem se classifica à próxima fase.

Avalanche Tricolor: dias de emoção e felicidade no esporte (e no e-Sports)

 

Grêmio 4×0 Juventude
Gaúcho – Arena Grêmio
(e outras conquistas)

 

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Grêmio comemora mais um na goleada de sábado, foto de LUCAS UEBEL/GRÊMIOFBPA

 

Foram dias intensos no esporte estes últimos que vivi. Antes mesmo do fim de semana marcado por vitórias – assim mesmo, no plural -, tive a oportunidade de estar ao lado de um dos grandes nomes da história do Grêmio, na quinta-feira. A convite da ESPN e sob o comando de João Carlos Albulquerque, participei do programa Bola da Vez com Valdir Espinosa.

 

Na entrevista que vai ao ar provavelmente nessa terça-feira, Espinosa lembrou de cenas que nos levaram ao título da Libertadores e, em seguida, ao do Mundial, em 1983. Com a emoção típica dos gremistas, ele contou curiosidades ocorridas nos bastidores, diálogos que manteve com os jogadores e discussões técnicas que levaram a transformação do time entre uma competição e outra.

 

Das muitas histórias, sempre recheadas de romantismo, disse que no primeiro encontro que teve com o elenco, no início da temporada, brincou ao pedir que os jogadores fizessem com ele uma grande sacanagem. Como tem pavor de voar, queria que eles o obrigasse a viajar de avião até Tóquio no fim do ano. E que baita viagem todos nós gremistas fizemos naquele ano.

 

No programa, nosso atual coordenador técnico contou como conheceu Renato e Mário Sérgio, dois de seus grandes amigos. Amizades que começaram a ferro e fogo, pois Espinosa os conheceu em campo, no esforço para impedir que eles passassem pela marcação dele. Jura que não perdeu uma só bola nem para um nem para outro.

 

Viajei nas lembranças de Espinosa e nas minhas também. Afinal, foi inspirado nele que acabei jogando como lateral no time da escolinha de futebol do Grêmio; foi na maneira irreverente dele se vestir que ganhei dos meus pais uma calça com uma perna de cada cor, obra do alfaiate Reis que vestia boa parte do elenco gremista; e foi graças a ele e ao time que comandava que chorei como criança ao ver o Grêmio campeão da Libertadores e do Mundial.

 

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Falamos pouco sobre o time atual do Grêmio, mesmo porque o objetivo do programa era outro. Mas nas conversas paralelas foi possível perceber que Renato e ele estão muito afinados e otimistas em relação a formação do atual elenco, apesar das inúmeras lesões que comprometem o entrosamento.

 

Imagino que você, caro e raro leitor desta Avalanche, também esteja entusiasmado com o time, especialmente após assistirmos à apresentação da noite desse sábado, na Arena. Tive a impressão que voltamos a jogar futebol com a excelência que nos deslumbrou no ano passado.

 

Até aqui, no Campeonato, havíamos visto um ou outro esboço de boas jogadas; às vezes um dos nossos se destacava individualmente; outras, dominávamos momentos da partida, mas sem manter o mesmo ritmo ao longo de todo o jogo. Exceção talvez tenha sido a estreia da Libertadores.

 

No sábado, Miller Bolaños foi genial em campo, mas se o foi deve-se também a forma como Renato montou a equipe e a performance de seus companheiros. Tivemos movimentação estonteante do meio de campo pra frente, que impediu qualquer tentativa de marcação. A troca de passe rápida e certeira desmontou a retranca que o adversário ensaiou no vestiário. E o time de poucos gols, fez um, fez dois, fez três e fez quatro sem permitir qualquer reação.

 

A alegria proporcionada pelo Grêmio foi para mim o complemento de um sábado de emoção no esporte.

 

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É provável que você ainda não tenha lido em outros textos de minha autoria, afinal são raros e caros meus leitores, mas desde o início do ano tenho dividido meu sofrimento entre o Grêmio e o e-Sports. Sim, o esporte eletrônico, que muitos ainda perdem tempo discutindo se pode ou não assim ser considerado, apesar de estar na programação de todos os canais esportivos de televisão, tem tido uma atenção especial aqui em casa.

 

Meus dois meninos – paulistanos de nascença e gremistas por origem – vivem intensamente o cenário do e-Sports, especialmente do League of Legends, considerado o jogo mais jogado do mundo. Um é estudante de jornalismo e cobre o assunto, além de estar na produção de um documentário sobre o tema; o outro é técnico estrategista da Keyd Stars, que neste fim de semana garantiu presença na final do CBLol, o campeonato brasileiro da categoria, a ser disputada em Recife, dia 8 de abril.

 

Jamais imaginei que algum outro time pudesse me fazer sofrer na busca pelo resultado além do próprio Grêmio. Nos últimos fins de semana, porém, tenho me visto com o coração apertado, com os punhos cerrados e os olhos marejados a cada abate alcançado, torre destruída e nexo conquistado.

 

Vi os guris da Keyd enfrentando as dificuldades de um time em formação, como o nosso Grêmio; e a cobrança dos torcedores que, passionais, atacam e defendem aqueles que são seus ídolos. Percebi o esforço de cada um da equipe para não se abater com os primeiros resultados ruins e a dificuldade para a classificação às finais. E curti muito ao perceber como o revés forjou este time e o fortaleceu para o momento certo: na melhor de cinco da semifinal, venceu por três partidas a um o campeão do ano passado, a INTZ.

 

Se eles se sagrarão campeões nesta primeira parte da temporada, isso é uma outra história. Mas que este marmanjo aqui tem sofrido diante das disputas no mapa do LoL como já sofreu pelo Grêmio, em 1983, e sofre agora em busca de uma nova Libertadores, não tenha dúvida.

Avalanche Tricolor: é preciso de tempo para que todos falem a mesma língua

 

Grêmio 1×1 Veranópolis
Gaúcho – Arena Grêmio

 

 

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Luan e Ramiro se entendem muito bem, foto de LUCAS UEBEL/GRÊMIOFBPA

 

Foi no intervalo do jogo que Lucas Barrios ensaiou seu portunhol para falar com a repórter da televisão e reclamar do último lance do primeiro tempo em que o árbitro anulou a jogada que seria concluída por ele a gol. E ao tentar explicar que Ramiro estava em posição legal, em lugar do português ou do espanhol, usou a expressão em inglês: “não foi offside?”, perguntou.

 

Ouvi offside e a memória voltou no tempo. Para um tempo em que a língua original do futebol ainda dominava nossos campos. Se impedimento era offside, escanteio era corner, o zagueiro era o quarterback e o goleiro era o goal keeper. Não que eu seja desse tempo, mas quando joguei bola na escolinha do Grêmio, lá pelos anos de 1970, a influência inglesa ainda se refletia nos bate-papos do futebol, especialmente quando ouvíamos o pessoal das antigas.

 

Era uma época em que o Campeonato Gaúcho era disputado por apenas dois times, sendo todos os demais coadjuvantes. Não que as partidas no interior não fossem difíceis. Eram batalhas disputadas na lama e no alambrado. Sangue, suor e frio faziam parte do cardápio regional. No entanto, jogava-se uma competição inteira apenas para cumprir tabela, pois sabia-se que ao fim e ao cabo o Gre-nal é que decidiria o título.

 

Hoje, de tão curto, o Gaúcho é quase todo disputado no verão. Os termômetros nem começaram a sentir os reflexos do outono e o campeonato já está chegando ao seu final. Com o interesse voltado para outras disputas, tem de se aproveitar o regional para acertar o time, testar novas formações, lançar novidades e reafirmar algumas convicções. Passar a fase de pontos corridos em posições intermediárias é mais comum do que gostaríamos. Encontrar adversários com o time bem ajeitado, mesmo quando se joga em casa, faz parte do jogo.

 

Na tarde deste domingo, não foi diferente. O toque e o domínio de bola do adversário surpreenderam, enquanto nós tínhamos a impressão de estarmos tentando nos acostumar com uma nova forma de jogar. Em lugar da troca de passe até a proximidade do gol, testava-se bolas mais lançadas para a área, sem, porém, o entrosamento necessário para que origem e destino funcionassem com precisão. Meio campo e ataque não falavam a mesma língua.

 

Foi somente após tomarmos o gol e voltarmos para o segundo tempo que a engrenagem dava sinais de que funcionaria. A mudança de Renato, ao abrir mão de um dos novos volantes e apostar no talento de Lincoln mais à frente, deu resultado. O Grêmio dominou o restante da partida, mesmo encontrando dificuldades para jogar com seu centroavante mais avançado.

 

O gol acabou saindo mesmo de um lançamento para dentro da área, mas, não por acaso, em jogada da qual fizeram parte dois velhos companheiros, que se entendem há muito tempo. O entrosamento de Ramiro e Luan que desde o ano passado tem tido ótimos resultados voltou a dar certo. Em campo, o diálogo deles funciona muito bem.

 

Aliás, que baita gol … falasse espanhol, Luan teria crônicas inteiras dedicadas a bola matada no peito, ao movimento de corpo que tirou o zagueiro da jogada e ao toque para a direita que desconsertou o goleiro. Tudo isso realizado em um espaço curto do campo e marcação acirrada. Mas Luan fala português e parece que alguns não entendem a linguagem que usa com a bola nos pés: a linguagem universal dos craques.

 

Fizemos por merecer o segundo gol. Controlamos a partida. Jogamos pela direita, jogamos pela esquerda, tabelamos no meio e atacamos intensamente. O empate foi injusto mas nos manteve na parte de cima da tabela, o que nos proporcionará vantagens no mata-mata que se aproxima e nos dará tempo para que todos falem a mesma língua.

Avalanche Tricolor: sem exagero!

 

Cruzeiro 0x2 Grêmio
Gaúcho – Vieirão – Gravataí

 

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Miller e Ramiro marcaram os gols, foto de LUCASUEBEL/GrêmioFBPA

 

 

 

É exagerado este futebol, não?

 

O acanhado estádio da cidade de Gravataí, com direito a estacionamento logo atrás do gol e arquibancadas expostas ao sol intenso do verão gaúcho, tem, oficialmente, oito mil lugares. Dizem os registros que foi inaugurado em 2008 e batizado Antonio Vieira Ramos, um dos fundadores do Cerâmica, que alugou o local para o Cruzeiro, ex-Porto Alegre, levar suas partidas enquanto  espera a entrega do seu estádio próprio.

 

O fato de o estádio ser enxuto e ter dependências simples não impede de o pessoal da cidade chamá-lo de Vieirão. Soa quase como uma brincadeira entre amigos. Aliás, como fazíamos nos tempos de guri quando convidávamos os colegas para uma pelada no “Areião” ou no “Aterrão”, que nada mais era do que um pedaço de terra pura, com uma sequência de buracos a serem driblados a cada ataque e goleiras sinalizadas com pedaços de pau que, em todos os jogos, tínhamos de cravar novamente, porque um espírito de porco fazia questão de arrancá-los nos dias sem jogos.

 

O uso do aumentativo se disseminou com narradores esportivos que exageram na dose para compensar a baixa qualidade do espetáculo que transmitem pelo rádio e TV. Por exemplo, em toda minha vida vivida no Rio Grande do Sul e isso significa até 1990, só lembro de a competição estadual que disputávamos ser chamada por seu nome próprio: Campeonato Gaúcho. Hoje, quando sua importância é restrita, tem menos clubes e tempo de duração menor, é Gauchão.

 

Nada mais contraditório, porém, do que o apelido dado aos goleiros de futebol. Independentemente do tamanho do frango que engolem ou das falhas que cometem, todos invariavelmente são chamados de “goleirão”. Às vezes com ironia, mas na maior parte das vezes por mania.

 

Não vou entrar aqui em outro dos exageros comuns que cometemos ao falarmos de futebol que é o de transformar em craque qualquer um capaz de dar um drible a mais no adversário. Pode ser um passe de letra, uma pedalada sem sequência ou uma assistência que permita que o colega bote a bola para dentro, tudo isso já é suficiente para cutucarmos o amigo sentado ao lado na arquibancada: “bom de bola esse guri, bate um bolão que só vendo, heim!”.

 

Dito isso e colocando de lado os exageros, vamos a partida deste Sábado de Carnaval.

 

A vitória de 2 a 0, mesmo que não tenha tido desempenho capaz de agradar Renato, e é bom que seja assim mesmo, me marcou pelo desempenho de alguns de nossos jogadores:

 

Marcelo Grohe e suas defesas no primeiro tempo, especialmente a do pênalti, que convertido causaria um estrago tremendo, mais uma vez mostrou que é uma baita goleiro.

 

Miller com sua movimentação no meio de campo, distribuição de jogo e um golaço de fora da área quando o time não estava jogando lá essas coisas, deixou mais uma vez claro que é um baita jogador.

 

Ramiro com mais um gol na estatística, batendo de primeira a bola cruzada por Lincoln, tem se revelado um baita cara.

 

Tudo bem, não foi um jogão, mas podemos dizer que Grohe foi um goleirão, Ramiro bateu um bolão e Miller merece o título de o craque do jogo disputado no Vierão. Sem exagero!

Avalanche Tricolor: não é pra tudo isso

 

Grêmio 1×1 São José
Gaúcho – Arena Grêmio

 

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Kannemann está de volta, em foto de LUCAS UEBEL/GREMIOFBPA

 

Teve empate e frustração de torcedor, nesta noite de domingo, em Porto Alegre.

 

Teve coisa boa, também.

 

Particularmente, gostei muito de ver a troca de passe pelo lado direito com Miller Bolaños, Léo Moura, Ramiro, Everton e quem mais aparecesse. Foi assim que quase abrimos o placar. Se o gol não saiu por ali, ao menos o ensaio das jogadas me pareceu interessante. E pode render um bom caldo a medida que o entrosamento aumentar.

 

Gostei mais ainda de ver que Kannemann está em plena forma: praticamente não perdeu uma só jogada na defesa. E escrevo “praticamente” porque às vezes sou traído pela memória. Ganhou na bola e no grito, quando preciso. Com Geromel ao lado, formam a defesa ideal.

 

Sigo apostando que o talento de Miller será nosso ponto de desequilíbrio nesta temporada. Hoje, todas as boas jogadas passavam pelos pés dele e mesmo tendo de recuar um pouco mais do que de costume, esteve presente nos lances de gol. E no lance do gol, também. Pena ter usado o braço para ajeitar a bola, pois a cena se sobrepôs a bela jogada com a participação de Lincoln.

 

Aliás, dos que entraram no segundo tempo, ando doido pra ver o guri Ty Sandows jogar por um pouco mais de tempo. Mesmo em condições adversas, ele demonstra um talento e tanto. Hoje, na primeira jogada possível, dominou e chutou com muita precisão, obrigando o goleiro a uma bela defesa.

 

Como disse, porém, além de coisas boas, a partida deste domingo teve frustração, também. E não estou aqui me referindo a Maicon que tirou o pé em uma jogada lá no nosso ataque e de lá a bola passou pelo nosso meio de campo, chegou a nossa lateral, cruzou a nossa área, bateu e rebateu e foi parar dentro do nosso gol.

 

Frustrou-me ver que alguns torcedores têm memória curta e pouca paciência. Vaiar o capitão como fizeram é esquecer sua importância para o time e os serviços prestados até aqui. Sei que muitas vezes reclamamos por reclamar, precisamos encontrar bode expiatório para as coisas que não saíram como imaginávamos e já havia uma irritação do torcedor provocada pelas seguidas trapalhadas do árbitro. De repente, perde-se a bola no ataque e tomamos o gol de empate … é bronca na certa.

 

Mas não era pra tudo isso, como, aliás, bem disse Maicon ao fim da partida.

 

Você, caro e raro leitor desta Avalanche, há de convir que foi muita briga pra pouca coisa. Transformar aquele momento em crise, é desperdiçar energia em algo pequeno diante dos desafios que temos pela frente nesta temporada e para os quais teremos de contar com todo o grupo mobilizado, unido e apoiado pela torcida.

Avalanche Tricolor: humildade, resiliência e um gol de craque

 

Grêmio 1×0 Passo Fundo
Gaúcho – Arena Grêmio

 

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Ramiro comemora gol, em foto de Lucas Uebel/GrêmioFBPA

 

 

Ramiro chegou dentro de um pacote de compras que o Grêmio fez em viagem a Serra Gaúcha, nas férias de verão de 2012. Fazia parte de parceria entre o clube e o Juventude de Caxias do Sul. Com ele, vieram Paulinho, Alex Telles, Bressan e Follmann.

 

Dos colegas de viagem, Bressan segue ao lado dele, após ir e voltar. Está no banco e só sai de lá por acaso. Paulinho durou pouco e foi rodar pelo interior do Brasil. Alex Telles após bela temporada na lateral esquerda foi vendido para o exterior. E Follmam sobreviveu à tragédia da Chapecoense.

 

Resiliente, Ramiro foi titular, foi reserva, foi operado e foi descartado – não necessariamente nesta ordem. Jogou mais atrás como volante, quando preciso cobriu a lateral direita, passou a atuar um pouco mais à frente e agora se apresenta até para fazer gols.

 

Foi no ano passado, com a volta de Renato, que Ramiro ganhou nova chance entre os titulares. O Grêmio buscava ainda um substituto para Giuliano que havia saído no meio da temporada.

 

De repente, nas quartas de final da Copa do Brasil, contra o Palmeiras, uma bola foi lançada para a entrada da área, do lado direito, e ele de primeira, pelo alto e de forma certeira enfiou a bola no fundo do poço, marcando o gol que abriu caminho à classificação. Um lance definitivo para Ramiro.

 

Desde aquele gol, em setembro do ano passado, Ramiro superou as críticas, ganhou a admiração dos torcedores e passou a ter lugar certo no time.

 

Na vitória dessa tarde, na Arena, foi dele o gol que desmontou com a retranca do adversário. Ramiro já havia aparecido uma ou duas vezes com chance de marcar, surpreendendo os zagueiros (e alguns comentaristas). No fim do primeiro tempo, voltou a correr na diagonal em direção ao gol e, pelo alto, recebeu passe de Everton para completar de calcanhar.

 

Fosse qualquer outro jogador por aí, ouviríamos o grito de “golaço”, coisa de craque e outros salamaleques que costumam reservar para alguns. Mas foi Ramiro, guri ainda de 23 anos, que chegou do interior do Rio Grande do Sul, nasceu em Gramado, tem cara de humilde e jeito de batalhador. E parece que ele não se importa com isso.

 

Que continue assim, sendo apenas o nosso Ramiro, o Lutador!

Avalanche Tricolor: saudade do meu Campeonato Gaúcho

 

Grêmio 2 x 0 Ypiranga-Erechim
Gaúcho – Arena Grêmio

 

Gremio x Ypiranga

Luan em uma disputa típica do Gaúcho,na foto de Lucas Uebel/GremioFBPA

 

Diga o que quiser. Pense o que pensar. Pode desmerecer. Não tem problema. Eu vou entender, mas nada será capaz de me tirar do peito esta saudade que sinto do Campeonato Gaúcho. Uma baita de uma saudade, como diria lá no meu Rio Grande.

 

Conheci o Gauchão quando este aumentativo era dispensável. Bastava-nos chamá-lo de Campeonato Gaúcho. Era ainda a competição mais importante que disputávamos nos anos de 1970. Assistia a todos os jogos no Olímpico, que ficava do lado de casa. Ou então viajava para o interior seguindo os passos gremistas. Muitas vezes passos enlameados em estádios acanhados e arquibancadas de madeira.

 

Tive o privilégio de acompanhar o Grêmio por todo o interior do Rio Grande levado de carona pela equipe de esportes da rádio Guaíba, onde meu pai trabalhou por cerca de 50 anos. Na maior parte das vezes ficava em pé, atrás dos postos ocupados pelo narrador e comentarista da emissora, nas cabines de rádio. Algumas eram tão pequenas que mal cabiam os profissionais, os equipamentos e este torcedor fanático.

 

Da mesma forma que a lama, o frio era uma das marcas da competição. Houve até um histórico jogo na neve, em Bento Gonçalves, lá pelos anos de 1980. E se alguém me perguntar qual o momento mais marcante como torcedor gremista, não vou titubear: o título Gaúcho de 1977. Foi o primeiro que pude comemorar ao lado e abraçado com o meu pai nas cadeiras do Olímpico.

 

Desde lá, nossas ambições foram além das fronteiras do Rio Grande. Brasileiro, Copa do Brasil, Libertadores e Mundial entraram no nosso cardápio. E ganhamos todos eles, queiram ou não os mercenários da Fifa.

 

O Gaúcho ficou menor, mas segue muito perto do coração de cada um dos torcedores. Por isso, foi muito legal ligar a televisão nesta quinta-feira à noite para assistir à estreia gremista na temporada 2017.

 

O jogo foi na Arena que tem mais cara de Copa do Brasil e Libertadores do que Gaúcho. Mas tinha muita chuva para nos lembrar do passado e um adversário tradicional, lá do norte do Estado na divisa com Santa Catarina. Teve jogadas duras, chutões para o alto, excesso de força e reclamações – o suficiente para matar a saudade.

 

Teve também o talento que fez do Grêmio penta campeão da Copa do Brasil no ano passado. Geromel, Luan, Douglas, Marcelo Grohe … marcação alta, volume de jogo, troca de passe precisa e muita movimentação.

 

O primeiro gol foi contra e resultado de uma blitz que resultou de sete cobranças de escanteio em pouco mais de meia hora de partida. O segundo saiu dos pés do redivivo Fernandinho após outra pressão imposta no segundo tempo.

 

Que venham novas vitórias, a classificação às próximas fases e o título do Campeonato Gaúcho. Até porque desse também estou com uma baita de uma saudade.