Avalanche Tricolor: meu orgulho em vestir o azul, preto e branco nesta final do Mundial

 

 

Grêmio 0x1 Real Madrid
Mundial – Zayed Sports City/Abu Dhabi

 

Gremio

 

Faz pouco chegamos do estádio Zayed Sports City. Estamos no quarto do hotel fechando as malas. No domingo, logo cedo, embarcaremos de volta. Dobramos carinhosamente cada uma das camisas do Grêmio que nos acompanharam nesta jornada. Estão suadas, cheirando a corpo, um pouco amassadas, mas seguem sendo vestidas com a merecida dignidade. Durante todos esses dias essas camisas desfilaram pelos Emirados Árabes exaltando nosso orgulho de ser tricolor e conquistando adeptos, como os três torcedores “emirates” que sentaram à nossa frente. Todos estavam com a camiseta do Real – é o time da moda, não é mesmo? – mas um deles virou-se para trás e me contou que gosta muito do Grêmio por causa de um jogador em especial: Tcheco, que foi ídolo no Al-Ittihad, o time da casa. Por onde passamos deixamos admiradores.

 

Foi assim todo este ano: jogando o melhor futebol do Brasil, ganhamos a admiração do público e da crítica. Poucos se atreveram a questionar a qualidade do nosso jogo e do time montado por Renato e comissão técnica. Os resultados em campo estavam a altura dessa expectativa, levando em consideração que fizemos escolhas pontuais em relação as competições disputadas. Tínhamos uma obsessão que era voltar a dominar a América. Enquanto dobrava algumas das camisas para colocar na mala, dava para perceber ainda marcas dessas batalhas sul-americanas. Marcas que estão na camisa e na alma de cada gremista que encontrei nesses dias.

 

O time copero conquistou as Américas e nos encharcou de felicidade. Após vencer a Libertadores, ainda superou o Pachuca, do México, considerado o melhor time das Américas do Norte e Central, na primeira partida nos Emirados. Com essa vitória credenciou-se para a final do Mundial, lugar reservado apenas aos grandes, e deparou-se com um gigante, talvez o maior de todos os tempos.

 

Nada do que tenha acontecido nesta noite de Abu Dhabi é suficiente para me tirar o orgulho de ser gremista. Aliás, muitas das coisas que aconteceram nesta noite fortaleceram ainda mais este meu sentimento. Assisti às nossas camisas vestidas por cerca de 7 mil torcedores, ouvi o canto da nossa torcida ecoando pelas arquibancadas do Zayed Sports City e vi todos que estavam no estádio aplaudindo a entrada do nosso uniforme tradicional no gramado da grande final.

 

Em campo, lutamos, fizemos o que era possível. O que estava ao nosso alcance. Talvez um pouco mais de pressão aqui, um pouco mais de calma ali, quem sabe um lance de sorte a nosso favor, uma falta cobrada mais para baixo ou uma barreira mais fechada à frente da bola. Detalhes que poderiam não fazer diferença diante do adversário que enfrentávamos. Ou poderiam. Nunca se sabe o que a bola nos reserva numa noite de futebol.

 

Das camisas em campo quero fazer minha reverência a Geromel e Kannemann. Eles foram gigantes, cada um a seu estilo. Defenderam nossas cores e cidadela com bravura e talento. Venceram quase todas suas batalhas. E nas mais complicadas contaram com o apoio de Marcelo Grohe, outro que lutou até onde alcançou para nos manter vivos na disputa.

 

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A vitória não veio, mas o Grêmio me deu o direito de sonhar mais uma vez: o de disputar uma final de Mundial. Um sonho que vivi intensamente nestes últimos dias, admirando sua camisa entre as maiores do Planeta. Vestindo-a com o orgulho de sempre nas arquibancadas, nas ruas, nos locais turísticos, sagrados e consagrados destes Emirados. Um sonho que sonhei ao lado de meus dois filhos a quem fiz questão de beijar ao fim da partida, um agradecimento a esses companheiros que souberam entender a importância deste momento para o pai e ainda me surpreenderam ao levar para o jogo uma camisa com o nome do avô que, afinal, foi quem me deu a primeira camiseta azul, preta e branca que vesti na vida, despertando esta paixão em todos nós.

Avalanche Tricolor: com Renato, vamos acabar com o Planeta!

 

 

Direto de Abu Dhabi

 

 

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Chegou o dia … finalmente chegou o dia. Aqui já é sábado, 16 de dezembro. A ansiedade é tanta que o dia de decisão começa antes. Já é madrugada quando publico esta Avalanche. Já é dia de “acabar com o Planeta”, lema que nos embalou durante a Libertadores e nos segue no Mundial.

 

 

E não se fala em outra coisa aqui em Abu Dhabi. Depois de acabar com as Américas – afinal somos os campeões das Américas, vencemos a Libertadores e despachamos o Pachuca, do México, na semifinal do Mundial – chegou a hora de acabar com o Planeta.

 

 

E quando digo que não se fala em outra coisa é porque não tem um canto sagrado desta terra – e eu fui a alguns -, não tem um grão de areia deste deserto que não esteja tomado de azul, preto e branco. Sei lá quantos gremistas estão por aqui, mas a turma é no mínimo vistosa. Nossas camisas estão em todos os espaços e são de todos os modelos. Tem tricolor, tem azul claro, azul escuro, tem preta. Tem retrô, tem histórica, tem sem número nas costas, com nome de craques do passado, tem as mais novas e as bem velhas. Tem de todo tipo e todos com o Grêmio na altura do coração.

 

 

Tem muita camisa 7 – e Luan que me desculpe – mas com o 7 de Renato, o Gaúcho que nos levou ao céu desconsertando os alemães na final do Mundial em 1983. De Renato que infernizou a vida de técnicos, os seus e o dos adversários. Que enlouqueceu laterais, zagueiros e qualquer um que se intrometesse no seu caminho. Que aventurou-se técnico e driblou a descrença de críticos, fez embaixadinha com as palavras e brincou com a cara de que não o levou a sério.

 

 

Que me matou de ódio, a ponto de desviar-me da trajetória profissional que eu havia escolhido – e um dia conto esta história para você, caro e raro leitor desta Avalanche. Que me fez morrer (ou quase) de amor pelo Grêmio. E prometer a mim mesmo – depois daquela final de 1983, que assisti na casa de amigos em Porto Alegre – que um dia estaria ao lado do Grêmio, ao vivo, em uma final do Mundial.

 

 

Foi Renato quem me trouxe até Abu Dhabi. Seja pela promessa que fiz há 34 anos seja pelo que ele fez com o Grêmio em 2016 e 2017. Foi Renato quem me fez acreditar em novos títulos. Quem deu a toda nossa torcida a expectativa de um título. Mais do que isso: nos devolveu a Copa do Brasil, nos devolveu o orgulho de um futebol bem jogado – o mais bem jogado no Brasil, disseram os entendidos. Nos permitiu delirar a cada batalha vencida na Libertadores. Convenceu seus jogadores, todos eles – os craques, os renegados, os abnegados -, que poderiam entrar para o panteão dos Imortais. Que não teve pudor de admitir erros, mudar jogadores no primeiro tempo, substituir renomados por reservas, de incorporar-se em Everton para nos colocar na final de um Mundial, mais uma vez.

 

 

Ainda há quem questione se Renato foi melhor que Cristiano Ronaldo. Claro que foi. Só Renato foi capaz de nos fazer vibrar com um Mundial. De resgatar a Copa do Brasil e a Libertadores. Só Renato é capaz de fazer o Grêmio acabar com o Planeta!