#PinkPonyPromise: luxo sustentável e saudável

 

Por Ricardo Ojeda Marins

 

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O estilista Ralph Lauren há alguns anos participa ativamente em campanhas de prevenção ao câncer de mama com a criação de peças exclusivas de sua coleção Pink Pony. Parte das vendas é destinada à Pink Pony Foundation, entidade criada por ele, que cuida de mulheres que sofrem dessa doença.

 

Neste Outubro Rosa, mês em que diferentes instituições promovem ações contra o câncer de mama, Lauren foi além. Aproveita suas redes sociais para estimular seguidores e clientes a engajarem-se nessa causa. As pessoas são convidadas a escrever em cartazes como pretendem apoiar o combate ao câncer, mensagens que podem ser o compromisso de parar de fumar ou um alerta para que as mulheres façam o exame de mama. Para cada foto postada no Instagram (@raulphlauren), Twitter (@ralphlauren) ou no próprio site RalphLauren.com/pinkyponypromise, com a hashtag #PinkPonyPromise, a grife americana doará 10 dólares para pesquisa e tratamento do câncer, em promoção que pode alcançar até USD 1 milhão.

 

PINK

 

Ícone da moda e do luxo no mundo, Ralph Lauren sabe melhor do que ninguém unir bom gosto e sofisticação e dar o seu toque pessoal à gestão da marca. Nesse caso, mais do que isso, mostrar que é possível e vale a pena lutar por causas nobres com um gesto simples e sem custo algum aos clientes.

 

Ao abraçar a causa, Ralph Lauren se mostra não apenas uma grife de luxo com amplo mix de produtos e serviços, mas se diferencia com seu empenho em contribuir e mobilizar às pessoas em torno de um comportamento consciente de prevenção e filantropia.

 

Ricardo Ojeda Marins é Professional & Self Coach, Administrador de Empresas pela FMU-SP e possui MBA em Marketing pela PUC-SP. Possui MBA em Gestão do Luxo na FAAP, é autor do Blog Infinite Luxury e escreve às sextas-feiras no Blog do Mílton Jung.

De câncer social

 

Por Maria Lucia Solla

 

 

No meu tempo de criança a gente não dizia a palavra câncer. Tinha uma amiga dos meus pais, muito frágil, que visivelmente sofria e definhava mesmo aos olhos de uma criança, mas eu ouvia dizer que ela tinha ‘aquilo’ ou ‘aquela doença’. Fui ouvir o nome da doença pronunciada com todas as letras, muito tempo depois. E fui ligar os pontos, ainda mais tarde. Para se referir a ela, levavam uma das mãos à boca e baixavam o tom da voz. Ainda era comum franzir a testa, inclinar a cabeça para um lado, erguer o ombro correspondente e olhar com cumplicidade mórbida, dando uma fungada profunda, longa e ritmada em sinal de lamento.

 

O que se passava no íntimo dessas pessoas, e o significado de tantos gestos simbólicos, se traduz numa palavra: preconceito. E é o mesmo preconceito que nos acompanha em tudo, desde sempre e ainda hoje. Inconformismo frente às curvas da vida, preconceito, medo, birra infantil fora de época, sofrimento frente ao novo, desconfiança do desconhecido, medo, preconceito. E mesmo querendo evoluir, andamos na direção oposta fortalecendo o medo, que é solo fértil para o caos estéril.

 

Branco tem preconceito de negro, negro tem preconceito de branco, e os cínicos têm preconceito da palavra negro e da palavra branco. Nos Estados Unidos, durante o julgamento de um branco que matou um negro – George Zimmerman X Trayvon Martin – só o que se ouvia, para se referir a ‘negro’, era ‘the N-word’, ou seja: a palavra que começa com ‘n’. Uma apresentadora de tevê acabou profissionalmente destroçada por ter usado a palavra ‘negro’, no ar. Ela explicou que cresceu usando e ouvindo as palavras negro, branco e índio – quando as palavras e nós éramos mais livres – durante toda sua vida, e que às vezes deslizava. Eu também deslizo.

 

pobre tem preconceito de rico
inculto de culto
medo

 

vice
versa
medo

 

quem acorda cedo
de quem abre os olhos
tarde
medo

 

o agressivo
de quem
é suave
o que não sua
do que sua

 

e onde fica o
cada um na sua
?

 

Pense nisso, ou não, e até a semana que vem.

 

Maria Lucia Solla é professora de idiomas, terapeuta, e realiza oficinas de Desenvolvimento do Pensamento Criativo e de Arte e Criação. Aos domingos escreve no Blog do Mílton Jung

Site e cartilha ajudam a combater câncer de mama

 

Enquanto se recuperava do câncer de mama, Valéria Baraccat encontrou na atividade física uma das formas de enfrentar as barreiras que costumam surgir desde que se descobre a doença. Auto-estima mantida, combater o câncer nos últimos cinco anos tornou-se uma tarefa menos complicada do que para a maioria das mulheres.

É para compartilhar histórias e conhecimento adquiridos durante este período, que foi criado o Instituto Arte de Viver Bem que lança, hoje, a primeira de quatro cartilhas que serão distribuídas pela Secretaria Estadual de Saúde. Nesta primeira, o tema vai desde prevenção até fisioterapia, para as mulheres que contraem a doença.

Ouça a entrevista de Valeria Baraccat, ao CBN SP

As informações também estão disponíveis no site do Instituto Arte de Viver Bem

O sofrimento dos outros

 

 

Por Abigail Costa

Ouvi numa entrevista com uma médica:

– O sofrimento mais forte do doente não é o diagnóstico.

No começo, o recebimento da doença é compartilhado por todos. Famílias, amigos. Cada um querendo ajudar de um jeito. Vale a presença física, os telefonemas, os livros de auto-ajuda, a caixa de chocolates.

Mas numa doença crônica como o câncer, o tratamento é demorado, doloroso. Uma rotina entre idas e vindas ao hospital. Outras tantas em direção à clínica. Sem contar os tratamentos complementares. Sessões de yoga, acupuntura,  reik. Uma busca voraz pelo equilíbrio.

E, assim, todos os dias vão se passando. Os meses começando e terminando. Completa-se um ano. E os amigos e a família já não tão unidos como antes.

O sofrimento até então entre as pessoas próximas vai ganhando um isolamento natural.

A médica completa:

– Primeiro, a mulher perde o seio; depois os amigos e por fim o marido.

Confesso que isso me assustou. A pergunta é inevitável:

– Como deixar sozinha uma pessoa num momento tão sofrido ?

A resposta lógica me fez parar de culpá-los. O afastamento não é por maldade. Alguns enxergam no sofrimento dos outros o próprio sofrimento. E fogem.

Como dizer para sim mesmo: esse sofrimento eu não quero para mim.

Uma posição que dispensa julgamentos.

Abigail Costa é jornalista, escreve toda terça-feira aqui no blog e transcreve o que aprende nas conversas diárias com suas fontes de informação e conhecimento.