Vida na cidade: devagar com o andor porque o santo é de barro

 

Texto publicado originalmente no Blog Adote São Paulo, da revista Época São Paulo

 

Plataforma no metro Barra Funda

 

Há uma semana, véspera de feriado de Nossa Senhora Aparecida, quando milhares de pessoas voltavam para casa um homem sacou arma em um túnel da Estação da Luz do metrô, no centro de São Paulo, e causou confusão generalizada. Em pleno horário de pico, passageiros correram nos corredores superlotados, caíram nas escadas, abandonaram bolsas, sapatos e celulares. Na confusão, grades que servem para organizar o fluxo de passageiros caíram no chão e provocavam estampidos que lembravam tiros. O som ecoava na estação e passava a ideia de que ocorria um tiroteio no local o que aumentou o pânico. Passageiros caíram nos trilhos, o que obrigou o metrô a parar as operações por mais de meia hora. Programas de televisão assim que receberam os primeiros relatos de dentro da estação passaram a noticiar o suposto tiroteio, o que gerou outra onda de boatos, pois usuários que estavam na estação e não sabiam o que acontece recebiam ligação telefônica de parentes que assistiam às emissoras. E o terror aumentava.

 

Apenas depois da intervenção policial e dos ânimos se acalmarem pode-se ter ideia do que havia acontecido dentro da estação mais movimentada do sistema de transporte de trilhos de São Paulo. Um homem esbarrou em uma mulher, em meio a pressa de um sem-número de passageiros que buscavam seu destino ao fim de mais de um dia de trabalho. A cena deve se repetir a todo momento, pois é praticamente impossível caminhar nos túneis da Estação ou quando se aguarda a chegada dos trens nas plataformas. Conforme relato de um policial, publicado no jornal O Estado de São Paulo, “um homem tentou defender a mulher e deu um soco no rapaz que começou a briga. Uma quarta pessoa sacou uma arma. Aí, todo mundo tentou correr no túnel lotado”.

 

Nenhum tiro chegou a ser disparado, mas a desavença foi suficiente para que os boatos e o desespero se disseminassem. O acontecimento me chocou, mesmo que mortes não tenham ocorrido, pois expôs o risco que estamos expostos por vivermos em bandos na cidade. Cenas do cotidiano, como um esbarrão em outra pessoa, uma freada mais brusca no ônibus ou a buzinada de alerta do carro podem provocar o que a cultura popular chama de efeito borboleta, no qual o bater de asas de uma frágil borboleta poderia influenciar o curso natural das coisas e provocar um tufão do outro lado do mundo. Um movimento brusco na estação de metrô causou pânico e por pouco não se transformou em tragédia devido a nossa intolerância, impaciência e pressa que nos impede de agir com consciência.

 

Numa hora como essa lembro de minha mãe tentando falar mais alto do que eu e meus irmãos envolvidos em uma algazarra qualquer: “devagar com o andor porque o santo é de barro”.

E agora estão inventando o pedágio urbano …

 

Por Julio Tannus

 

Eh, eh, eh… São Paulo… São Paulo da garoa, São Paulo terra boa!

 

Parece que esse tempo já não existe mais…

 

Nossa cidade está chegando ao fim?

 

Ruas congestionadas, transporte público precário, motoristas imprudentes, arrastões a condomínios, assaltos à luz do dia, ensino público deficiente, professores mal pagos, um sem fim de impostos municipais, impostos cada vez mais elevados, ruas mal iluminadas, ruas esburacadas, calçadas intransitáveis, cracolândia espalhada pela cidade… E assim por diante!

 

E agora estão inventando o pedágio urbano. Já não chega a imensa carga tributária municipal, estadual e federal, temos agora que arcar com mais esse tributo!

 

Em minha opinião, enquanto não detivermos a exploração imobiliária indiscriminada, a falta de investimento sério no transporte público, a recuperação de ferrovias pelo país afora, a participação das comunidades na definição de prioridades para a cidade, a transparência na aplicação dos valores arrecadados através dos tributos, e uma revisão competente e com participação cidadã do plano piloto da cidade, viveremos em estado de calamidade.

 

Como presidente de uma associação de moradores de bairro, e a convite da prefeitura de São Paulo, participei, no passado relativamente recente, de reuniões sobre o Plano Diretor da cidade. Só faltou sair tiros! Descobriu-se que alguns dos presentes tinham sido “comprados” para representar interesses escusos à população.

 

Outro fato: todos os condomínios de São Paulo estão obrigados a recolher um tributo municipal, que é uma taxa de fiscalização, para cada elevador existente na edificação. Bem, moro em um edifício construído nos anos 60, desde então nunca apareceu um representante da prefeitura para, atendendo ao objetivo do dito imposto, fazer a fiscalização de qualquer dos elevadores existentes. Então pergunto: para onde vai o dinheiro arrecado?

 

Diante desse quadro, penso que nossa passividade transforma-se em permissividade, apesar de alguns dados de pesquisa junto à população apontar as áreas de serviço como as mais críticas de nosso país. Vejamos os dados abaixo:

O INSC é uma medida de satisfação do consumidor brasileiro.
 Ele é nacional e seu objetivo é avaliar a qualidade dos bens de consumo e serviços com base na opinião do consumidor. Essa opinião é publicada espontaneamente na internet e refere-se a bens de consumo e serviços dos vários setores representativos da economia brasileira. Conforme pode ser observado na tabela acima, os piores resultados referem-se aos serviços: Transporte Metropolitano, Energia Elétrica, Telecomunicações.

 

Julio Tannus é consultor em Estudos e Pesquisa Aplicada e co-autor do livro “Teoria e Prática da Pesquisa Aplicada” (Editora Elsevier). Escreve às terças-feiras, no Blog do Mílton Jung.

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