Dora Estevam
É dos carecas que elas gostam mais … Quantas vezes na vida você já ouviu esta Marchinha de Carnaval ? O fato é que ninguém gosta da ideia de ficar careca. Mas, se é que serve de consolo, existem algumas soluções (clínicas e estéticas) tanto para o homem quanto para a mulher (siiiim, elas ficam carecas, também) que podem ser seguidas sem ter que passar vergonha ouvindo aqueles apelidos desagradáveis: canteiro de cebolinha, cabelo de boneca, pouca telha, plantação de milho, aeroporto de mosquito… e por ai vai.
Diz o médico de calvície, Francisco Le Voci, da Sociedade Brasileira de Dermatologia e especialista em transplante capilar do Hospital Albert Einstein, que as pessoas passam por um momento no qual o que importa é a aparência. Com isso há enorme procura pelos tratamentos que trazem resultados naturais, algo impossível há 15, 20 anos. O ciclo do cabelo melhora muito com a evolução das técnicas e os novos materiais.
Foi a solução encontrada pelo cabeleireiro Narciso Guilherme, do salão Amica-SP. Assim que os fios começaram a cair e foram sobrando aqueles tufos, ele logo procurou um esteticista especializado em calvície. Com implantes conseguiu que em seis meses os fios crescessem. Hoje, estão ótimos e Narciso está satisfeito com o resultado.
Como profissional, a sugestão de Narciso: “Toda vez que vem algum cliente com aqueles poucos cabelinhos no pescoço, compridinhos e desajeitados, eu logo dou a dica para cortá-los. Não precisa ser radical e raspar a cabeça, basta mantê-los beeeem curtinhos. Se for optar por uma barba, cavanhaque ou bigode, a dica é a mesma: mantê-los bem aparados, para que haja um equilíbrio entre a careca e os fios curtos.”
Ele ensina que existem vários shampoos no mercado para a boa higiene. Há também algumas maquiagens, mas Narciso desaconselha, não vê necessidade. O ideal é que se vá ao médico para saber qual o tratamento adequado. Há um para cada tipo de cabeça. E alerta: tem de ser natural e saudável.
A exemplo de Narciso, o doutor Francisco Le Voci entende que o ideal é ouvir um especialista assim que perceber a queda de cabelos. Se é uma pessoa jovem, é mais fácil controlar o problema logo no começo. Existem formas de desacelerar a queda. Nos mais velhos, o processo de recuperação é mais lento, às vezes é preciso até cirurgia.
Le Voci alerta que as mulheres também sofrem de queda de cabelo. Não ficam carecas, mas o cabelo fica ralinho no alto da cabeça. Antigamente, em lugar de buscar soluções para o problema, usavam perucas. Hoje, quando a queda afeta a auto-estima, partem para o transplante. Cuidam da cabeça assim como da pele, das rugas e do peso.
Atualmente, as mulheres perdem muito mais cabelo do que no passado. Isto é resultado da mudança de comportamento provocada pela revolução feminina, o uso da pílula, menstruação, estresse no trabalho – tudo isto interfere. Le Voci calcula que 80% das mulheres podem perder cabelos depois da menopausa. Se tiverem antecedentes na família, será quase inevitável.
Todos temos uma perda fisiológica de cabelo que vai de 50 a 100 fios por dia, mas não é o suficiente para se ficar careca, pois nascem novos fios, também. O sinal de alerta é quando está caindo de mais e nascendo de menos. Neste caso, é fundamental procurar um dermatologista.
Um caso famoso de careca é o do ex-tenista André Agassi. Em “Open an autobiography”, livro no qual revela o consumo de droga e critica colegas de quadra, ele conta que usou peruca para jogar e, em partida disputada pelo Torneio de Roland Garros, em 1990, quase a perdeu – a peruca, não o jogo: “Claro que poderia ter jogado sem ela, mas depois de meses de criticas e ironias eu já estava muito afetado. A imagem não é tudo? Que diriam se soubessem da peruca? Ganhasse ou perdesse, não iriam falar do jogo. Só falariam disso. Se fechar os olhos, consigo ouvi-los e sei que não ia aguentar”.
A sugestão de raspar a cabeça e se livrar da peruca foi da Brooke Shields, mulher dele na época.
Ano passado o ator e produtor Mel Gibson, aos 53 anos, caiu na traquinagem do filho e aceitou o desafio: raspou a cabeça. Comentário dele ao New York Post: “Pensei que me sentiria bem. Que seria uma boa mudança. A verdade é que eu parecia um frango despenteado, e a única vantagem é que não me reconheciam nas ruas”,.
Apesar da grande preocupação com a aparência o que precisa mesmo é ser saudável, cuidar da pele, da alimentação, da espiritualidade e do cabelo, é lógico, ensina doutor Francisco Le Voci. Não adianta jogar todas as frustracões na careca. Não vai resolver. Importante é o que tem em você.
Saiba que não existem milagres, mas há alternativas para sentir-se bem. Quanto antes você tiver orientação de um profissional seguro e honesto maior é a chance de resolver o problema. Se é que calvície chega a ser um problema para você.
Dora Estevam é jornalista e aos sábados escreve sobre moda e estilo de vida no Blog do Mílton Jung.



