Dia Mundial Sem Carro: Poluição e falta de planejamento

 

Logo cedo, a influência da poluição dos carros na nossa vida; e a noite, a influência da falta de planejamento. Na agenda do Dia Mundial Sem Carro, estas duas atividades marcam esta segunda-feira, na capital paulista.

No seminário “O Impacto da Poluição na Saúde Pública”, uma das questões em debate é o alto teor de enxofre no diesel brasileiro e as consequências do não-cumprimento da resolução 315/2002 do Conama, que previa a comercialização do combustível mais limpo a partir de janeiro deste ano. Ao fim da reunião serão anunciadas três medidas:

1) Ação no Congresso Nacional envolvendo senadores, ministros e a Presidência da República para impedir a aprovação do projeto de lei 656/07, que prevê a liberação dos veículos de passeio a diesel.

2) Cobrança pública, por meio instrumento jurídico, de informações sobre o cumprimento das obrigações assumidas pela ANP, Ibama, Cetesb, Petrobras e fabricantes de veículos no acordo judicial firmado em 29 de outubro de 2008 no âmbito do Ministério Público. Também serão cobradas providências para punir os responsáveis pelo descumprimento da resolução Conama 315/2002.

3) Anúncio do requerimento de informações ao Fundo Municipal de Desenvolvimento de Trânsito – FMDT e ao Fundo Nacional de Segurança e Educação de Trânsito – FUNSET.

O seminário será das 9h às 13h, no teatro da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, Avenida Doutor Arnaldo, 455.

À noite, haverá o debate “A importância de um Plano Municipal de Circulação Viária e Transportes para a cidade de São Paulo”. Apesar de previsto no Plano Diretor Estratégico (leia aqui) e a data limite, 2006, prevista em lei, ter se expirado, até o momento a cidade não se preocupou com o tema.

Terei a oportunidade de mediar este debate que terá a presença de Ladislau Dowbor (PUC-SP ), João Lacerda (ONG Transporte Ativo), Horácio Figueira (vice-presidente da Associação Brasileira de Pedestres e consultor da Abramet – Associação Brasileira de Medicina de Tráfego), e Assuncion Blanco (Associação Viva Pacaembu).

O debate será das 19h30 às 21h30, no teatro do TUCA, na rua Monte Alegre, 1024

Desafio intermodal terá transmissão “ao vivo”

 

Transmissão em tempo real, participação ao vivo na rádio e atualização no portal da CBN com notícias pelo Twitter e imagens, também. O desafio intermodal, primeira atividade em comemoração ao Dia Mundial Sem Carro, estará em destaque na programação da rádio, nesta quinta-feira, em São Paulo. Esta é a quarta edição do evento que tem como meta mostrar à cidade que existem alternativas para os carros.

Estarei ao lado dos participantes deste desafio, a partir das cinco da tarde, na praça General Falcão, no Brooklin, pertinho da Luis Caros Berrini. De lá partiremos em direção a prefeitura de São Paulo, às seis em ponto.

O tempo que cada um levará depende do tipo de transporte que estará usando. Nos anos anteriores, a motocicleta (2006) e a bicicleta (2007 e 2008) foram os meios mais rápidos, completando o percurso em menos de 45 minutos. Desta vez, a presença de um helicóptero deverá quebrar esta hegemonia dos veículos de duas rodas. No entanto, mesmo que chegue antes, o transporte aéreo perde fácil nos ítens custo da viagem e prejuízo ao meio ambiente, que também serão medidos.

Os resultados do desafio intermodal serão atualizados pelos organizadores na página CicloBr.com. Além da participação durante o Jornal da CBN 2a edição, você poderá acompanhar a cobertura pela página da CBN na internet. Ou seguindo meu Twitter www.twitter.com/miltonjung.

As modalidades participantes:

1.    Pedestre caminhando
2.    Pedestre correndo
3.    Bike Courrier – Ciclista de entregas rápidas –
4.    Ciclista iniciante por vias alternativas
5.    Ciclista experiente por vias alternativas
6.    Ciclista experiente por avenidas
7.    Ciclista bici dobrável integrando com Ônibus
8.    Ciclista de fixa
9.    Motoboy
10.    Motociclista comum
11.    Motorista
12.    Ônibus
13.    Trem + Metrô
14.    Trem + Ônibus
15.    Ônibus + Metrô
16.    Trem + Ponte orca + Metrô
17.    Cadeirante de transporte público + ônibus
18.    Helicóptero
Participe da rede social do Dia Mundial Sem Carro

Veja mais informações e a programação completa do Dia Mundial Sem Carro

Prefeitura de SP no Dia Mundial Sem Carro

 

Abrir espaço para a reflexão sobre o uso do automóvel na cidade é o objetivo da prefeitura de São Paulo nas ações que serão promovidas, a partir de amanhã, na capital paulista. De acordo com o secretário municipal do Verde e Meio Ambiente, Eduardo Jorge, a agenda oficial do Dia Mundial Sem Carro terá mostra de cinema, debates, e passeio de bicicleta. Semana que vem, também, será assinada a criação do comitê de acompanhamento da Lei Municipal de Mudanças Climáticas, aprovada este ano.

Na conversa que tivemos com o secretário, ele chamou atenção para o fato de a atual administração municipal ter sido uma das primeiras no país a aderir ao movimento internacional.

Ouça a entrevista com o secretário municipal do Verde e Meio Ambiente Eduardo Jorge

Veja a programação completa, no material de divulgação enviado pela prefeitura de São Paulo:

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Foto-ouvinte: Lata velha

 

Lata velha ambulante

 

 

 

 

 

 

O carro enferruja, mas não desiste. Na batalha, segue a transportar lixo reciclável com o qual se confunde na foto feita pela ouvinte-internauta Fátima Thobias, na rua Afonso Celso, na Vila Mariana. “As pessoas precisam trabalhar, mas isto é um perigo ambulante”, escreve.

Veja a programação do Dia Mundial Sem Carro

 

Semana agitada para comemorarmos o Dia Mundial Sem Carro, que se realiza em 22 de setembro, chegada da Primavera. Debates, protestos e diversas manifestações estão prometidas para os próximos dias, a começar pela quinta-feira, com o Desafio Intermodal. Uma série de eventos está sendo organizada por um coletivo formado por dezenas de organizações e centenas de cidadãos.

O Movimento Nossa São Paulo diz que “mais do que estimular as pessoas a deixarem seus carros em casa durante um só dia, a idéia da campanha é marcar a luta por um transporte público eficiente, por menos poluição do ar, por respeito ao pedestre, por mais ciclovias, enfim, por uma melhor qualidade de vida para todos”.

Veja aqui a programação completa e participe com a gente.

Prefeitura quer inspeção veicular mais rígida em 2010

 

Ao completar a marca de 1 milhão de carros, a prefeitura estuda a possibilide de tornar ainda mais rígidos os limites de emissão de CO2 para os carros mais novos (fabricados após 2003). Hoje, estes veículos podem emitir até 1% de gás carbônico apesar de os motores terem tecnologia para rodarem poluindo menos. A proposta da prefeitura, enviada ao Conselho Nacional do Meio Ambiente e ao Ministério do Meio Ambiente, é que seja publicada resolução restringe a emissão de CO2 a 0,3%.

E os carros mais velhos ? Aqueles que poluem mais ? Soltam fumaça preta ? E estão fora da inspeção veicular ?

Os veículos fabricados até 2003 serão obrigados a passar pela inspeção a partir do ano que vem, no entanto as restrições em relação a emissão de CO2 são menores pois os motores sairam de fábrica com tecnologia diferente, e não haveria como reduzir a emissão a menos de 6%.

A prefeitura não pretende fazer mudanças no sistema de devolução da taxa paga para a realização do serviço, apenas alerta aos proprietários de veículos que existem certas condições para que o dinheiro seja devolvido: não ter dívida com a prefeitura e ter pago o licenciamento.

A repórter Luciana Marinho entrevistou Márcio Schettino, responsável pela inspeção veicular na prefeitura. Segundo ele, a adesão ao serviço chega a quase 100% nos carros, 75% nos ônibus e apenas 35% nas motos. Em parceria com a Polícia Militar, a Secretaria Municipal do Verde e Meio Ambiente tem realizado blitz para flagrar veículos que perderam o prazo da inspeção veicular.

Ouça a entrevista com Márcio Schettino ao CBN SP

Leia outros posts sobre a inspeção veicular e a devolução da taxa:

Fui aprovado na inspeção veicular

Controlar alerta para a turma da última hora


Devolução só com licenciamento pago

Conte Sua História de São Paulo: Namorar no trânsito

 

Por Júlio Salles
Ouvinte-internauta

Ouça este texto que teve sonorização de Cláudio Antonio

Era linda aquela moça no carro ao lado. O trânsito da 23 me deixou parado e me permitiu prestar atenção naquele rosto. Havia cabelos loiros escorrendo até o pescoço. E um sorriso que interrompia o meu olhar.

Pelo balançar da cabeça, ela acompanhava a música em uma rádio qualquer. Ou seria um CD. O balanço era suave como o olhar dela que não se alterava mesmo com o buzinaço dos motoboys que cruzavam em alta velocidade entre os carros.

Pobres rapazes. Andam tão rápido, tem tanto a fazer. Que jamais saberão o prazer de estar preso no congestionamento ao lado daquela moça.

Apesar de próxima, e da minha insistência em olhar por entre os vidros do carro, ela não parecia perceber minha presença. Nada parecia perturbar a atenção que tinha em seus próprios pensamentos. O que estaria pensando ? No encontro que teria assim que chegasse ao seu destino. No namorado que acabara de ligar falando-lhe coisas de amor. No trabalho da escola. No trabalho do trabalho. Nas coisas da vida. que podem ser muitas coisas.

A fila em que ela estava as vezes andava mais do que a minha, e eu a mirava pelo espelho lateral do carro dela. Quando chegava minha vez, passava a frente e continuava a acompanhar seu rosto agora intermediado pelo meu espelho. Aquele jogo de espelhos a tornava ainda mais atraente.

Qual será o nome dela ? Janete, Valéria, Norma, Regina … Todos os nomes cabiam na minha imaginação. Todos combinavam com ela e aquelas bochechas levemente avermelhadas, cor que acentuava a maciez da pele.

Dava o azar de o trânsito melhorar mais adiante e eu quase a perdia de vista. Mas logo o engarrafamento conspirava a meu favor. E nós nos encontrávamos. Ou eu a encontrava, pois ela permanecia impassível dentro de seu carro, conduzindo sua própria vida, distante de todos a sua volta, apesar de parecer tão pertinho de mim.

Já havia uns 20 minutos em que meu namoro se iniciara ali na 23. Até que de repente, a luz da seta se ascende e começa a piscar, um carro sai pela direta, o outro pela esquerda e um tunel nos separa. Ela não olha pelo espelho retrovisor como eu gostaria. Eu sou obrigado a olhar para frente.

De onde vem e para onde vão estas moças bonitas do trânsito de São Paulo ?

Você também participa do Conte Sua História de São Paulo enviando seu texto ou arquivo de áudio para contesuahistoria@cbn.com.br.

Selvaço

 Por Vinícius Leyser da Rosa

bicicleta estaciona

Um dia prometeram mudar a forma de se ver o mundo. Uma gaiola protege contra o vento e a chuva, uma série de alavancas garante o controle, um motor ligado às rodas impulsionam o conjunto. Com um pouco de trabalho, qualquer que fosse, todos poderiam juntar dinheiro o suficiente para ter condições de comprar aquela carroça sem cavalos, de 100 cavalos. Poderia se ir mais longe, mais rápido, com mais conforto, com menos esforço. Era uma idéia tentadora, digna do desejo de trabalhadores que precisavam carregar quilos e quilos de materiais por longas distâncias todos os dias, cansando exaustivamente a si próprios e a seus animais. Digna também, porém, da futilidade do sedentarismo antinatural que tomou conta da civilização. Não se cansa mais, não se sua mais, não existe mais esforço senão aquele cujo único objetivo é justamente não mais se esforçar.

Era uma manhã como outra qualquer, acordei cedo. Peguei meu veículo e logo parei para abastecer numa padaria que serve um ótimo combustível. De tanque cheio, tomei meu rumo. Nessa hora, as ruas parecem currais de rinocerontes, búfalos, hipopótamos, elefantes e até dinossauros. São todos grandes, brutos, pesados, fedidos e esfomeados. Comportam-se como seres irracionais que são, apesar de adestrados por seres teoricamente racionais. Ineficiência temperada a aço e óleo que um dia acabarão. Nas mais variadas formas e tamanhos, essas bestas preenchem cada centímetro dos vastos labirintos que uma vez foram criados para os animais humanos, estes que agora mais parecem presentes troianos. Nessa realidade animalesca, sinto-me um leopardo: leve, esguio, rápido, prático. Eficiência abastecida a arroz e feijão, renovados a cada estação. E um pouco mais racional.

Leia aqui o texto completo que foi sugerido ao Blog pelo ouvinte-internauta Alexandre Afonso

“Vou com o meu carro”, diz usuária de ônibus fretado

Reproduzo neste post comentário deixado por Talita Urdiales sobre a restrição da prefeitura de São Paulo ao uso de fretados na capital paulista:

“Sou usuária do transporte fretado há 6 anos, moro na Zona Leste e trabalho na Zona Oeste (Rebouças). Concordo que existem exageros em relação a longas paradas em locais inadequados e também um certo abuso no trânsito, porém, acho que os benefícios que os ônibus trazem para a população são maiores que os malefícios.

Por diversas vezes já utilizei o transporte público de SP e mesmo sendo considerado o melhor do Brasil como foi citado em entrevistas com o Secretário Alexandre de Moraes, ainda está muito longe do ideal.

A alternativa apresentada pelo prefeito e pelo secretário municipal para a região leste foi: ir de fretado até o Metrô Belém e de lá ir de metrô até o meu destino. Essa proposta é simplesmente absurda, atualmente gasto de R$225,00 com o fretado, e garanto que o custo em trabalhar todos os dias de carro será menor do que o que gastaria indo até os “bolsões” que a prefeitura pretende criar e de lá ir de metrô até o escritório.

Frases como as que o prefeito e o secretário municipal de transportes divulgaram apenas nos mostram a total falta de conhecimento dos problemas no transporte público de SP. Tenho absoluta certeza que nenhum deles teve o “prazer” de conhecer a linha vermelha do metrô que liga a região Oeste a região Leste de SP. Gostaria de convidá-los a conhecerem a linha vermelha em horário de pico e depois disso divulgarem frases como a seguinte:“Um transporte como o de São Paulo é o melhor transporte público do país sem qualquer comparação, não há nível de comparação e que nós estamos cada ano que passa melhorando muito”, diz Alexandre de Moraes, secretário municipal de Transportes. 30/06/2009 – SPTV 2ª edição – Rede Globo.

Assim como TODAS as pessoas que pesquisei no meu fretado, irei todos os dias com o meu carro e acredito que não serão poucos os usuários de deixarão de usar os fretados e passarão a usar seus veículos.

É uma utopia pensar que o transporte público de SP seria capaz de suportar uma demanda de mais 50 mil pessoas (número divulgado pela própria prefeitura). O transporte JÁ está sobrecarregado e não presta um serviço de qualidade digno da maior e mais importante cidade do Brasil.

Se o intuito do Sr. Prefeito era melhorar o trânsito, sinto informá-lo que esta medida terá efeito contrário, porque 20 ou 30 carros prejudicam muito mais o trânsito do que 1 ônibus que comporta 45 pessoas. E se o intuíto do Sr. Prefeito foi melhorar o ar de SP, com certeza terá efeito contrário, nem todas as pessoas que utilizam o fretado tem carros novos e ainda que tenham, com certeza 20 ou 30 carros poluem muito mais que 1 ônibus.

Sei que minhas palavras ficaram muito vagas, mas tenho uma sugestão: Te convido e também convido o nosso querido prefeito e seu secretário para me acompanharem no meu percurso dos Jardins até a Zona Leste de duas maneiras: ônibus + metrô e de fretado em uma sexta-feira (dia em que o trânsito de SP que já é muito ruim piora ainda mais).

Admiro a iniciativa de melhorar o trânsito da cidade, mas acho que uma decisão tão importante quanto esta não pode ser tomada de uma maneira tão arbitrária como aconteceu. Se a intenção é diminuir os transtornos causados pelos fretados, deveria-se criar regras onde este serviço que é tão utilizado não seja prejudicado, mas aperfeiçoado. Minha sugestão é: tempo máximo de utilização dos ônibus, utilização dos pontos de ônibus existentes para o embarque e desembarque de passageiros, inspeção veicular para o controle de emissão de poluentes, substituição do óleo diesel pelo BioDiesel que polui menos, credenciamento de todas as empresas e percursos existentes, entre outras a serem definidas.