50 debates para o Brasil: casamento homoafetivo opõe igualdade de direitos e concepções sobre a família

Há 15 anos, casais do mesmo sexo podem formar uma família reconhecida juridicamente no Brasil, mas esse direito ainda não está expresso em uma lei aprovada pelo Congresso Nacional. O tema foi discutido na série 50 Debates para o Brasil, do Jornal da CBN, com Maria Berenice Dias, vice-presidente nacional do Instituto Brasileiro de Direito de Família (IBDFAM), e Dienny Riker, doutora em Direito pela Universidade Federal do Pará (UFPA).

O ponto central do debate foi se o Congresso deve incluir expressamente na legislação o casamento entre pessoas do mesmo sexo ou o tema deve permanecer submetido às regras atuais e à interpretação consolidada pela Justiça?

Desde 2011, o Supremo Tribunal Federal reconhece a união estável entre pessoas do mesmo sexo como entidade familiar. Em 2013, o Conselho Nacional de Justiça determinou que os cartórios não podem se recusar a celebrar casamentos civis homoafetivos ou converter uniões estáveis em casamento.

Contrária à mudança na legislação, Dienny Riker argumentou que a divergência não está no valor afetivo das relações homoafetivas, mas no próprio conceito de casamento. Para ela, historicamente o Estado regulamenta o casamento por sua relação com a formação da família, a geração de filhos e a responsabilidade dos pais.

“O Estado não tem interesse em regular a nossa afetividade”, afirmou. Segundo Riker, redefinir o casamento apenas a partir do vínculo afetivo enfraquece a relação histórica entre casamento, sexualidade e parentalidade.

Ela também argumentou que a preservação do casamento como união entre homem e mulher está relacionada à liberdade religiosa e de consciência. Na sua avaliação, pessoas que adotam essa concepção por razões religiosas ou filosóficas devem ter o direito de manifestá-la sem serem tratadas como homofóbicas.

Maria Berenice Dias contestou a ideia de que a finalidade principal do casamento seja a procriação. Para ela, essa interpretação não corresponde à realidade das famílias brasileiras.

“O casamento não tem a finalidade de procriação”, afirmou. Ela lembrou que casais heterossexuais podem se casar mesmo quando não desejam ou não podem ter filhos. Também destacou que casais homoafetivos podem exercer a parentalidade por adoção ou reprodução assistida.

Na sua interpretação, o Estado deve reconhecer relações que criam direitos, deveres e consequências patrimoniais, independentemente da orientação sexual dos integrantes do casal. “Essa é a finalidade do Estado”, disse.

Outro ponto de divergência foi o papel do Legislativo. Riker sustentou que a ausência de uma lei aprovada pelo Congresso indica que não houve consenso social suficiente para alterar o conceito tradicional de casamento. Ela questionou o fato de uma mudança dessa dimensão ter ocorrido pela via judicial e não por votação dos representantes eleitos.

Maria Berenice rejeitou a interpretação. Segundo ela, a resistência parlamentar pode refletir o receio dos congressistas de contrariar parcelas conservadoras do eleitorado, e não necessariamente a posição da maioria da população. Para a jurista, deixar essas relações sem reconhecimento expresso na legislação contribui para manter famílias juridicamente vulneráveis.

O debate coloca frente a frente diferentes concepções sobre família, igualdade perante a lei, liberdade religiosa e o papel do Congresso e do Judiciário na definição de direitos civis.

“50 Debates para o Brasil” tem a produção de Carlos Grecco e Leticia Valente. As entrevistas vão ao ar, de segunda a sexta, logo após às 8h30 da manhã, no Jornal da CBN.

Relacionamentos em transformação

Por Beatriz Breves

Sou do tempo em que era o homem quem pedia a moça em namoro. Se o namoro “firmasse”, viria o noivado — com aliança na mão direita —, seguido do casamento de véu e grinalda, quando a aliança passaria para a mão esquerda.

Simples assim. Ou, pelo menos, assim parecia.

A separação já existia, mas era chamada de desquite. O casal deixava de viver junto, porém o vínculo matrimonial não era dissolvido. O divórcio somente se tornou possível no Brasil em 1977, quando eu já tinha 20 anos.

Sou também do tempo em que o homem era considerado o chefe da família e detinha poder legal sobre a mulher. O Código Civil de 1916 incluía a mulher casada entre as pessoas relativamente incapazes. Para trabalhar, viajar e praticar diversos atos da vida civil, ela dependia da autorização do marido.

Em 1962, quando eu tinha cinco anos, o Estatuto da Mulher Casada modificou essa condição. A mulher deixou de ser considerada civilmente incapaz em razão do casamento e passou a ter maior autonomia sobre sua vida.

Entretanto, foi somente com a Constituição de 1988, quando eu tinha 31 anos, que a igualdade de direitos e deveres entre homens e mulheres foi plenamente estabelecida.

O novo Código Civil, em vigor desde 2003, consolidou essa igualdade nas responsabilidades conjugais e, em 2006, a Lei Maria da Penha ampliou a proteção da mulher contra a violência doméstica.

Portanto, durante boa parte da minha vida, convivi com modelos sociais bastante rígidos, que determinavam como homens e mulheres deveriam se comportar, o que lhes era permitido desejar e até que lugar deveriam ocupar dentro de uma relação.

Isso não significa que os relacionamentos fossem verdadeiramente simples. Significa apenas que havia um roteiro previamente estabelecido. As relações já recebiam uma forma antes mesmo de as pessoas começarem a vivê-las.

Hoje, aos 69 anos, percebo quanto esse cenário mudou.

Não pretendo discutir se mudou para melhor ou para pior. Houve ganhos fundamentais e também surgiram novos desafios. O que me chama a atenção é que, enquanto antes havia praticamente um único caminho reconhecido, hoje encontramos inúmeras formas, circunstâncias e dinâmicas de relacionamento.

Diante de tantas possibilidades, fiz o que costumamos fazer quando queremos compreender alguma coisa: perguntei à internet quais tipos de relacionamento existem atualmente. Encontrei pelo menos 34 denominações.

  1. Monogâmico – Exclusividade entre duas pessoas.
  2. Longa duração – Vínculo mantido por muitos anos.
  3. Intercultural – União entre culturas diferentes.
  4. À distância – Parceiros vivem em lugares distintos.
  5. Distância temporária – Separação física por período limitado.
  6. LAT – Casal que não divide residência.
  7. Slow dating – Aproximação afetiva gradual.
  8. Poligâmico – União com vários cônjuges.
  9. Poliamoroso – Múltiplos amores consensuais.
  10. Trisal – Relação amorosa entre três pessoas.
  11. Aberto – Casal com liberdade sexual acordada.
  12. Namoro não exclusivo – Namoro sem exclusividade acordada.
  13. Solo-poliamor – Poliamor com autonomia individual.
  14. Anarquia relacional – Vínculos sem hierarquias predefinidas.
  15. Híbrido – Combinação de diferentes formatos relacionais.
  16. Casual – Envolvimento sem compromisso duradouro.
  17. Amizade colorida – Amizade com envolvimento sexual.
  18. Friends with benefits – Amizade com benefícios sexuais.
  19. Situationship – Vínculo afetivo sem definição.
  20. Relação de conveniência – União mantida por vantagens práticas.
  21. Relação de fachada – União sustentada pelas aparências.
  22. Virtual – Relacionamento vivido principalmente online.
  23. Sugar – Companhia associada a benefícios materiais.
  24. Coparentalidade – Parceria voltada à criação dos filhos.
  25. Contrato relacional – Vínculo baseado em acordos explícitos.
  26. BDSM – Práticas consensuais de poder e prazer.
  27. Espiritual – União baseada em conexão espiritual.
  28. Dependência financeira – Vínculo sustentado por necessidade econômica.
  29. Agamia – Vínculos fora do modelo de casal.
  30. Assexual – Relação sem centralidade do sexo.
  31. Queerplatônica – Vínculo profundo além da amizade convencional.
  32. Apoio mútuo – Relação baseada em cuidado recíproco.
  33. Codependente – Dependência emocional com perda de autonomia.
  34. Tóxico – Vínculo que provoca danos recorrentes.

A lista é longa e provavelmente ainda está incompleta. Sob a expressão “tipos de relacionamento”, a internet reúne formatos de vínculo, circunstâncias de vida, acordos afetivos, práticas sexuais e também maneiras saudáveis ou prejudiciais de se relacionar.

Essa mistura revela, por si só, a complexidade do nosso tempo e mostra que o nome dado a uma relação já não é suficiente para compreendermos como ela se constitui.

Se antes havia um roteiro único, agora existem muitos caminhos possíveis.

A liberdade conquistada foi fundamental. Ela permitiu que as pessoas questionassem papéis impostos, reconhecessem diferentes formas de amar e construíssem vínculos mais compatíveis com aquilo que sentem e desejam.

Entretanto, a liberdade não elimina a necessidade de alguma organização. Talvez a sensação de que hoje “vale tudo” não resulte da diversidade dos relacionamentos, mas da confusão entre liberdade e ausência de responsabilidade. Um vínculo pode assumir muitas formas, mas todas elas produzem efeitos sobre as pessoas envolvidas.

Quando duas pessoas se vinculam, algo começa a se constituir entre elas. Formam-se maneiras de se aproximar e de se afastar, ritmos de convivência, expectativas, limites, silêncios, acordos explícitos e acordos que jamais foram pronunciados.

Pouco a pouco, cada relação adquire um modo próprio de existir, que não pertence inteiramente a uma pessoa nem à outra, mas àquilo que ambas produzem no encontro.

Essa organização não é definida pelo nome dado ao relacionamento. Todo vínculo, tradicional ou não, organiza-se de alguma maneira. A diferença não está entre relações organizadas e desorganizadas, mas nas formas de organização que elas assumem e nos efeitos que produzem sobre as pessoas envolvidas.

Um casamento pode organizar-se de maneira rígida, assimétrica ou dolorosa, enquanto um vínculo que não corresponde aos modelos tradicionais pode organizar-se com clareza, reciprocidade e cuidado.

O desafio contemporâneo talvez seja justamente este: não retornar à rigidez do passado, mas compreender que relações flexíveis não precisam ser relações sem forma.

Sou do tempo em que a forma vinha antes do encontro. Hoje, é o encontro que precisa descobrir a sua forma.

Beatriz Breves é presidente da Sociedade da Ciência do Sentir. Psicóloga, bacharel, licenciada com especialização em Física (FAHUPE). Mestre em Psicologia (AWU/USA). Psicanalista (SBPRJ/IPA). Psicoterapeuta de Grupo (SPAG–E.Rio). Sócia titular do Pen Clube do Brasil. Integra o Quadro Efetivo da Associação de Jornalistas e Escritoras do Brasil (AJEB). Publicou O Eu Fractal e outros livros, pela ed. Mauad.

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: o casamento das marcas com o mercado de celebrações

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O mercado de casamentos no Brasil movimenta cifras expressivas e desmente a ideia de que as cerimônias estão em declínio. Em 2025, segundo o portal Casar.com, o número de uniões formais deve atingir quase 500 mil, neste ano, superando os 471 mil de 2024. Além do volume de casamentos, o valor investido pelos casais impressiona: o gasto médio com a celebração chega a R$ 66 mil. Esse é o tema do comentário de Jaime Troiano e Cecília Russo no quadro Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, no Jornal da CBN.

Cecília Russo destaca como o setor abriga marcas consolidadas que se tornaram referência. “Tem marca de bem-casado que está presente em 9 a cada 10 casamentos em São Paulo, como a da Dona Conceição, que começou em 1961.” Além disso, ruas inteiras se tornaram sinônimo desse universo, como a Rua São Caetano, na capital paulista, conhecida como a Rua das Noivas.

Jaime Troiano, por sua vez, lista três elementos essenciais para quem deseja se consolidar nesse setor — princípios que valem para qualquer negócio. “A primeira dica é buscar o seu foco dentro desse mercado. Quanto mais competitivo for, mais importante é definir claramente sua identidade.” Ele também reforça que não há atalho para o sucesso: “Marca não é um tapume. Não adianta entregar um produto de baixa qualidade, porque isso não vai ficar escondido.” A terceira recomendação é manter um diálogo constante com os clientes. “No mercado de pulverização de marcas, manter um diálogo permanente com os noivos é algo fundamental.”

A marca do Sua Marca

O comentário desta semana reforça que o sucesso de uma marca depende de três pilares: foco, entrega de valor e comunicação. No competitivo mercado de casamentos, como em qualquer outro, marcas que sabem o que representam, oferecem qualidade e mantêm um vínculo próximo com o público têm mais chances de se consolidar.

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, logo após às 7h50 da manhã, no Jornal da CBN. A apresentação é de Jaime Troiano e Cecília Russo. A sonorização é da Débora Gonçalves.

O que The Bear nos ensina sobre escutar e falar

Cheguei tarde à série de TV The Bear (O Urso), uma das mais premiadas dos últimos anos. Antes tarde do que nunca. Aproveitei as férias e engatei um capítulo após o outro. Adorei o que assisti. Cheguei nesta semana ao fim da terceira temporada e alguém me contou que a quarta está prestes a estrear. Haja ansiedade! 

Não me atrevo a uma sinopse, menos ainda a uma crítica sobre a qualidade do trabalho do roteirista, produtor e diretor Christopher Storer e do elenco que reuniu. Os muitos prêmio que a série recebeu falam por si. Trago para esse espaço a experiência que tive ao assistir The Bear e dividir com você duas lições que considero fundamentais para uma comunicação qualificada. Ambas aparecem no capítulo em que o restaurante The Bear vai inaugurar, na segunda temporada.

A equipe se reúne para ouvir as orientações antes da abertura das portas. É uma espécie de preleção para motivar e alinhar todos com o padrão de excelência no atendimento que buscam alcançar. Richie, interpretado pelo ator Ebon Moss-Bachrach, responsável pelo salão, faz um pergunta instigante: o que Vasudeva disse a Sidarta, às margens do rio Ganges? Uma referência ao romance de  Herman Hesse, de 1922, que nos convida a refletir sobre escolhas, desapegos e caminhos que nos levam à sabedoria. 

Diante dos olhares de dúvida da equipe, Richie responde com a frase de Vasudeva: “Listen better” ou “escute melhor”. No livro, Sidarta percebe que a verdadeira sabedoria não se ensina com palavras, mas se vive e se sente. A escuta, nesse contexto, é uma metáfora para a abertura interior necessária ao autoconhecimento. No seriado, a intenção é mais prática:os funcionários devem devem escutar os clientes não apenas pelas palavras, mas pelas atitudes e reações. 

A prática da escuta é transformadora nas relações interpessoais. Arrisco dizer: é diferencial competitivo. Quando você aceita escutar o outro, se diferencia, aprende mais, entende melhor e constrói diálogos mais ricos e qualificados. Meu colega e coautor do livro Escute, expresse e fale! , Thomas Brieu, ensina  escutar é, por si só, uma forma poderosa de expressão. 

Na sequência da cena, em The Bear, Natalie “Sugar” Berzatto, protagonizada por Abby Eliott, reforça outra mensagem essencial: “Last reminder: ABC – always be communicating”.  O tradutor adaptou como “aplicar boa comunicação” apesar de, ao pé da letra, a expressão significar “esteja sempre se comunicando”. No original ou no esforço do tradutor, o recado é direto: comunicar-se é essencial para manter a equipe alinhada e informada sobre objetivos, mudanças e avanços. 

Escutar melhor e comunicar-se sempre são como os ingredientes básicos de um restaurante de sucesso: sem eles, o cardápio pode ser impecável, mas o serviço ficará abaixo do esperado. Escutar é como decifrar o pedido nas entrelinhas, e comunicar-se é servir a mensagem no ponto certo. No fim, são esses dois itens que transformam experiências, seja à mesa ou na vida. Inclua-os no seu cardápio diário. 

E se ainda não assistiu a The Bear, corre lá na Disney+ antes que a quarta temporada estreie.

Leia a nova edição de “Escute, expresse e fale”

A edição revisada e ampliada de Escute, expresse e fale! Domine a comunicação e seja um líder poderoso(Rocco), que escrevi com António Sacavém, Leny Kyrillos, Thomas Brieu, foi lançada nesta semana e tem dois capítulos inéditos: um que trata do impacto da IA na comunicação e outro que apresenta o método do storytelling ao vivo.

Conheça a certificação sobre comunicação estratégica

Aproveite que o ano está começando e se inscreva na Certificação Internacional de Comunicação Estratégica em Ambiente Profissional que lancei em parceria com a WCES, uma startup de consultoria e educação, com sede em Utah, nos EUA.

O curso que oferecemos é on-line e gravado, com todas as aulas e masterclasses já disponíveis. Além das aulas que preparei ao lado de Thiago Quintino, fundador da WCES, temos masterclasses com professores-convidados: Luiza Helena Trajano, Mário Sérgio Cortella, Leny Kyrillos, Martha Gabriel, Arthur Igreja, Michel Alcoforado, e Thomas Brieu.

Junte-se a nós !

Falamos de escuta ativa e comunicação com profissionais que ajudam pacientes a melhorar a audição

Imagem do palestra no Webmeeting

A comunicação começa com uma escuta ativa e qualificada, exigindo uma mudança de comportamento em relação à forma como nos acostumamos a interagir. Temos a tendência de falar mais do que ouvir, de acreditar que somos os donos da razão e de sobrepor nossa história à do outro — seja em momentos de alegria ou tristeza. Já reparou que, sempre que um amigo compartilha uma doença pela qual passou, imediatamente buscamos um caso ainda pior para relatar? A intenção pode parecer boa, como uma tentativa de consolar o outro; porém, na prática, isso acaba por invalidar a dor de quem realmente está sofrendo e revela que não estamos escutando plenamente, pois falhamos em captar o que é importante para quem fala.

Esses e outros temas relacionados à escuta ativa foram abordados no WEIZHA — Webmeeting Internacional sobre Zumbido e Hipersensibilidades Auditivas. Ao lado de Leny Kyrillos e com vídeos gravados por Thomas Brieu e António Sacavém, apresentei alguns dos conceitos que me inspiraram a escrever Escute, Expresse e Fale! Domine a comunicação e seja um líder poderoso (Editora Rocco). O evento, realizado online e em sua sexta edição, foi organizado pela Dra. Katya Freire, fonoaudióloga, e pela Dra. Tanit Ganz Sanchez, otorrinolaringologista. O encontro reuniu profissionais de saúde, todos interessados em aprofundar seus conhecimentos sobre comunicação.

Foi um enorme prazer colaborar com uma discussão que ajuda profissionais de saúde dedicados a melhorar a audição dos pacientes a escutar melhor.

Certificação Internacional de Comunicação

Leny e Thomas são meus professores convidados na Certificação Internacional de Comunicação Estratégica em Ambiente Profissional, realizada em parceria com a WCES, uma startup especializada em experiência do cliente. Conheça o curso e faça sua inscrição pelo link a seguir: https://www.wces.education/comunicacao

Conte Sua História de São Paulo: meu casamento no Mosteiro de São Bento

Por Paulo Monteiro da Paixão

Ouvinte da CBN

Foto do site Mosteiro de São Bento

Sou paulistano e nasci no bairro do Tatuapé em 1963. Hoje estou aposentado e tenho esposa, dois filhos, uma neta e um genro. Eu e minha esposa moramos no bairro de Vila Guilhermina, na zona leste. Minha filha, genro e neta vivem na Vila Ré. O filho mora no Morumbi.

Meu depoimento, creio ser raro. Eu e minha esposa nos casamos na igreja em 30 de junho de 1984. Na época, eu, um jovem estudante, frequentava regularmente as missas diárias das sete da manhã no Mosteiro São Bento, no Largo São Bento, antes de ir para a escola — o curso preparatório para cadetes do ar, na avenida Prestes Maia.

Quando decidimos nos casar, ambos com 20 anos, resolvemos que a cerimônia seria no mosteiro. Foi um desafio agendar.

O mosteiro, naquele tempo, celebrava apenas um casamento por mês. Contudo, superamos as dificuldades com o auxílio de um monge muito atencioso que cuidava dessa questão. Fizemos o curso na igreja e notifiquei o DSV — era obrigatório na época para saber quais ruas estariam liberadas no centro, no sábado à tarde, para a celebração.

A cerimônia começou às seis horas em ponto, pois os monges tinham seus rituais religiosos marcados para as sete da noite. Não poderia haver atraso. Exatamente no horário, minha noiva adentrou a igreja sob o som dos sinos, e o órgão de tubos acompanhou toda a celebração. Quem a celebrou foi o diretor da empresa em que eu trabalhava. Ele era um padre. Às seis e meia, após o beijo na noiva, a cerimônia se encerrou.

Durante todos esses anos, nunca conheci alguém que tenha se casado naquela igreja. Fomos privilegiados por celebrar o momento mais importante de nossas vidas em um marco de São Paulo.

Na cidade, trabalhei como office boy. Conheci toda São Paulo andando de ônibus e a pé. Porém, o Largo São Bento, o Mosteiro, a Igreja e a cerimônia perpetuam em minha memória até hoje.

Paulo Monteiro da Paixão é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Seja você também personagem da nossa cidade. Escreva seu texto agora e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros episódios, visite o blog de miltonjung.com.br ou o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Conte Sua História de São Paulo: uma manifestação de amor que começou em 2013

Por Carlos Eduardo Pinto Vergueiro Filho

Ouvinte da CBN

Jovens concentrados com bandeiras, faixas e gritos de guerra em frente ao Teatro Municipal, o mesmo marco histórico da Semana de 22 e a mesma juventude que dois anos depois pararia o Brasil. Mas não é de passe livre, Black Blocks e 20 centavos esta história. É sobre amor. 

Foi na passeata que subiu a Consolação, virou na avenida Paulista e terminou no Paraíso que dois jovens se encontraram. Foi em um bar de esquina com a 13 de Maio que se apaixonaram. 

Foi na Vila Madalena que namoraram. Foi no Jaguaré que se casaram. Foi na Cupecê que tiveram um filho. 

E é saindo da estação Vila Sônia do metrô que conto essa história que funde amor entre duas pessoas com as ruas, bares e o subterrâneo da cidade das tensões, São Paulo do nosso coração!

Parabéns terra da garoa, das multidões, das manifestações e da multiculturalidade. Que a sua história seja lembrada também pelos amores que fez nascer, tal como o nosso que completa 12 anos.

Carlos Eduardo Pinto Vergueiro Filho e Kraly de Castella Camolez Machado são personagens do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Seja você também personagem da nossa cidade. Envie seu texto para contesuahistoria@cbn.com.br. Para conhecer outros capítulos da nossa cidade visite o meu blog miltonjung.com.br ou o podcast do Conte Sua História de São Paulo

Conte Sua História de São Paulo: meu casamento com o ousado do Sérgio

 

Por Giselle Scalabrin
Ouvinte da CBN

 

 

No Conte Sua História de São Paulo as lembranças de Josefina Canali Scalabrin escritas pela filha Giselle:

 

Era final de 1963, acho que em setembro, trabalhava na Barão de Itapetininga, numa imobiliária. Era secretária, elegante, cabelo a la Audrey Hepburn, sempre séria e de bico, hoje só sobrou o bico e os cabelos brancos para guardar todas as lembranças dessa época maravilhosa dos meus 20 e poucos anos.

 

Já nos conhecíamos de vista apenas, porque minha irmã tinha uma floricultura no Pari, e o marido dela, moravam em frente a casa dele no mesmo bairro, na época um reduto de descendentes italianos e portugueses.

 

Mas não tinha prestado muita atenção no bonitão que tinha o biotipo de sucesso para época, cabelo e charme do Elvis, porem um pouco ogro para a beleza exuberante.

 

Sem perceber começamos nos encontrar no terminal de ônibus embaixo do Viaduto Santa Efigenia, próximo a escada caracol, onde tudo começou. Ficava me olhando todos os dias e um belo dia veio falar comigo: — Boa noite, tudo bem, nós já nos conhecemos do Pari, não?! Sempre vejo você indo na floricultura”.

 

E ai começamos a sair, só de mãos dadas; depois de três meses, o primeiro beijo; mas ele era ousado porque queria que eu pegasse no seu braço para atravessar a rua, quando só noivos podiam ter esse contato mais próximo.

 

Um dia estava eu em casa, o ousado chegou na janela de terno novo e perfumado e me chamou para ir no cinema, fomos ver o filme “Angélica”, com Brigitte Bardot. Linda! Mulheres lindas, femininas, o feminino tinha outro significado que o de hoje. Mas na volta levei aquela bronca de papai, porque não pedi permissão para sair.

 

Da outra vez precisei levar a vela da minha irmã mais velha. Marcamos no cinema Hollywood, em Santana. Era um dia frio de inverno e chuva, ele para se proteger ficou atrás da porta e eu não consegui encontrá-lo. Pensou que eu não tinha ido.

 

Na 2ª. Feira, logo após o desencontro, nos vimos no centro da cidade no terminal de ônibus como era de costume e ele cheio de tristeza e raiva, nem deixou eu me explicar. Eu, muito orgulhosa, passei a evitá-lo o máximo possível. Essa briguinha durou uns dois anos.

 

Um belo dia estava eu com minha amiga Maria, na Praça do Correio, na rua Capitão Salomão. Ela disse que um moço estava vindo em minha direção: “vai falar com você!”. Pedi para descrevê-lo. E não tive dúvidas que era o ousado mal-resolvido de dois anos atrás. O problema é que já havia marcado outro encontro com o Alberto, no mesmo local e horário. Mas o ousado chegou antes e assim que Alberto nos viu, foi embora.

 

Após esse reencontro, começamos a namorar, com muitos passeios e broncas de papai porque exigia que eu pedisse a permissão dele para sair todas as vezes. Muitos presentes, muitos passeios no centro de São Paulo, que era nosso shopping, nossa Paulista, nosso centro comercial, nosso centro cultural. Era onde São Paulo fervia, tudo acontecia: revoluções, protestos, estreias, desfiles de moda, restaurantes maravilhosos e muitas histórias de amor.

 

Depois de dois anos, Sérgio, o ousado, e eu, nos casamos. Tivemos quatro meninas e quatro netos Em abril de 2018 fizemos bodas de ouro comemoradas com a música de Elvis Presley.

 


Josefina Canali Scalabrin é personagem do Conte Sua História de São Paulo. O texto foi escrito pela filha, Giselle. A sonorização é do Cláudio Antonio. Conte você também mais um capitulo da nossa cidade. Escreva para contesuahistoria@cbn,com.br

O que diz Bocelli, meu especialista, sobre pensão alimentícia para animais

 

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Ana e o marido viveram felizes enquanto foi possível. Não faz muito tempo entenderam que não se amavam o suficiente para continuarem juntos nem se odiavam a ponto de terem uma separação litigiosa. Além dos laços afrouxados que os distanciaram havia os gatos a aproximar o casal —- três gatos para ser mais preciso. E um cachorro, também.

 

Ficou a cargo dela manter os gatos Cristal, Lua, Frajola e o cão Frederico, na casa onde moravam, em Ribeirão Preto, interior de São Paulo. A cultura brasileira ainda tem dessas coisas. No momento da separação, por mais amigável que seja, os filhos ficam com a mulher, geralmente. O homem — nem todos, é lógico — pega as crianças em dias determinados para passear e se divertir; e terceiriza para a esposa, ou melhor, para a ex-esposa a educação, a disciplina e todas aquelas coisas chatas que precisamos fazer para criamos crianças saudáveis, justas e éticas. Pelo visto, o mesmo ocorre no caso dos filhos de pelo —- como recentemente passaram a chamar gatos e cães de estimação.

 

Sei que separação de casal, guarda compartilhada, divisão de responsabilidade sobre os filhos e até mesmo os pets já ocorreram aos montes e na maioria dos casos não mereceram uma só nota de rodapé no jornal nem uma crônica (?) neste blog. Mas a história do fim do relacionamento da Ana e do marido — que teve seu nome preservado e eu sei lá o motivo disso — ganhou o noticiário por uma curiosidade jurídica. Pela primeira vez, o tribunal determinou o pagamento de pensão alimentícia aos animais de estimação.

 

Segundo reportagem do G1, o acordo estabelecido entre os pais dos animais prevê que a mãe fique com os gatos e o cachorro e o pai pague o valor referente a 10,5% do salário mínimo, o que hoje equivale a R$104,79 por mês. Ele também tem direito a visitas e passeios.

 

A justiça brasileira já havia decretado a guarda compartilhada de animais anteriormente, mas não previa —- até agora —- pensão alimentícia. Ribeirão Preto parece faz história em defesa dos animais.

 

E se não pagar a pensão? Pergunta de gaiato. Acontece isso mesmo que você está pensando: vai para a cadeia. Sabe-se que se tem coisa que se leva a sério no Brasil é esse negócio de pensão. Sem dor nem perdão. Não pagou, prendeu — às vezes até de maneira injusta, como já tratamos neste blog.

 

Em casos como esse —- que me foi apresentado pelo Frederico, não o cachorro do ex-casal, mas o Goulart, âncora do CBN Primeira Notícias — prefiro recorrer a palavra de especialistas. Consultei o Bocelli, meu gato persa. Adianto-lhe que ele é um gato de poucas palavras, mas tive a impressão de que recebeu bem a notícia, pois sabe quanto custa manter um bichano, imagine três — ah, e o cachorro, também.

 

Bocelli ficou em dúvida apenas em relação ao valor. Achou pouco. Sabe que a lei fala apenas em custear comida mas deve ter pensado no preço da ração (especialmente a dele que é de primeira), que se soma ao da areia para a caixinha, às visitas ao veterinário e ao banho mensal —- apesar dele achar que isso tem muito mais a ver com cão do que com gato. De qualquer forma, acredita ser um bom início de conversa.

 

A incomodá-lo apenas a informação passada pela advogada Taís Roxo, responsável pelo caso, de que “tem no Congresso já em trâmite um projeto de lei nesse sentido (em favor da pensão alimentícia para animais)”. Logo lhe veio à mente, os gatos de rua do vizinho que vão começar a coagi-lo a participar de manifestações em favor do projeto de lei, além de os aproveitadores de protesto que envergarão suas faixas contra a reforma da Cãovidência, pelo fim do CCZ ou pela volta da Carrocinha.

 

Para acalmá-lo, sugeri que convidasse seus colegas de raça a se manifestarem através do aplicativo O Poder do Voto, onde podem pressionar deputados e senadores e expressar suas opiniões a favor ou contra os projetos de lei que estão no Congresso. Como Bocelli é gato moderno, adorou a ideia de se transformar em um militante digital.

 

Antes de encerrar nossa conversa, deixei claro que, a persistirem os sintomas, ele jamais precisará se preocupar com essas coisas de separação, guarda compartilhada e pensão alimentícia, ao menos enquanto ficar aqui em casa. Juro que ouvi um miado de satisfação.

Avalanche Tricolor: uma questão de amor!

 

 

Grêmio 1×0 Bahia
Brasileiro – Arena Grêmio

 

 

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Geromel e Kannemann comemorar vitória (reprodução da SporTV)

 

Uma segunda-feira destinada aos namorados, àqueles casais que se aceitam como são e por isso se amam como se amam. Sabem que a perfeição não existe, porque essa somente surge quando a vida acaba. E queremos vida longa para viver ao lado de quem amamos. Um amor que explica sacrifício e compressão.

 

Sinto-me privilegiado. Há 26 anos, comemoro o Dia dos Namorados ao lado da mesma pessoa, que soube me entender, compartilhar dor e angústia, alegria e prazer por todo esse tempo. Soubemos e sabemos ceder, e isso é fundamental para que se viva em harmonia. Nos olhamos e percebemos o que desejamos. Às vezes me engano, ela poucas vezes.

 

Desde o fim de semana, dá sinais que preferia ficar em casa, nesta segunda-feira à noite: está frio lá fora, amanhã você acorda cedo, restaurantes cheios, só ficaremos nós dois, eu faço o jantar gostoso, você serve o vinho … uma desculpa atrás da outra para justificar nossa permanência.

 

Desculpas, não. Compreensão.

 

Ela sabia que o Grêmio jogaria nesta noite do Dia dos Namorados. Aliás, mais uma vez. Há três ou quatro anos, jogamos também em uma noite de 12 de junho: era um sábado, frio pelo inverno que se avizinhava e em São Paulo. Foi comigo ao Morumbi e respeitou meu sentimento porque sabia da minha alegria (naquele jogo, o resultado não foi nada bom – ainda bem que ela estava ao meu lado). Hoje, fez o mesmo, sem precisar sair de casa. Apenas preparou o ambiente para que, no calor do aquecimento elétrico, eu pudesse estar à frente da televisão no momento em que o Grêmio entrasse em campo.

 

Ficou ali bebericando o vinho comigo, enquanto o time tentava furar o bloqueio defensivo do adversário. Ao ver que o gol não saía e a ansiedade aumentava, levantou-se sem se fazer perceber. Não queria me ter sofrendo pelo resultado que não alcançávamos. Não queria me constranger. Mais uma vez respeitou meu sentimento sabendo que nada daquilo desrespeitaria a paixão que compartilhamos um pelo outro. Quando a gente se ama, compreende.

 

Eu também compreendia o Grêmio e a dificuldade para chegar ao gol. Tínhamos pela frente um adversário disposto a fechar todos os espaços possíveis e encarávamos este time encardido sem nossa formação ideal no ataque. A lesão de Barrios e o deslocamento de Luan para o comando do ataque exigiram adaptação e paciência.

 

Muita paciência.

 

Tivemos de usar todas nossas formas de atacar. No toque de bola não encontrávamos espaço, no drible não avançávamos, então era hora de usar arsenal treinado por Renato. Sim, porque o gol aos 40 minutos do segundo tempo não foi obra do acaso. Já marcamos ao menos mais dois da mesma maneira, apenas com protagonistas diferentes, neste campeonato. Cobrança de escanteio no primeiro pau, o zagueiro desvia de cabeça e a bola encontra alguém fechando em direção ao gol do outro lado. Se antes foram Kannemann e Barrios, hoje foram Geromel e Cortez.

 

A paciência, a compreensão e a  perseverança nos levaram a mais uma vitória  e nos deixaram na vice-liderança isolada do Campeonato Brasileiro. E, por isso, agradeço ao Grêmio.

 

A paciência, a compreensão e a perseverança nos levaram a construir uma família e convivermos lado a lado ao longo de todos este tempo. E, por isso, agradeço a você meu amor!