Conte Sua História de São Paulo: meu casamento com o ousado do Sérgio

 

Por Giselle Scalabrin
Ouvinte da CBN

 

 

No Conte Sua História de São Paulo as lembranças de Josefina Canali Scalabrin escritas pela filha Giselle:

 

Era final de 1963, acho que em setembro, trabalhava na Barão de Itapetininga, numa imobiliária. Era secretária, elegante, cabelo a la Audrey Hepburn, sempre séria e de bico, hoje só sobrou o bico e os cabelos brancos para guardar todas as lembranças dessa época maravilhosa dos meus 20 e poucos anos.

 

Já nos conhecíamos de vista apenas, porque minha irmã tinha uma floricultura no Pari, e o marido dela, moravam em frente a casa dele no mesmo bairro, na época um reduto de descendentes italianos e portugueses.

 

Mas não tinha prestado muita atenção no bonitão que tinha o biotipo de sucesso para época, cabelo e charme do Elvis, porem um pouco ogro para a beleza exuberante.

 

Sem perceber começamos nos encontrar no terminal de ônibus embaixo do Viaduto Santa Efigenia, próximo a escada caracol, onde tudo começou. Ficava me olhando todos os dias e um belo dia veio falar comigo: — Boa noite, tudo bem, nós já nos conhecemos do Pari, não?! Sempre vejo você indo na floricultura”.

 

E ai começamos a sair, só de mãos dadas; depois de três meses, o primeiro beijo; mas ele era ousado porque queria que eu pegasse no seu braço para atravessar a rua, quando só noivos podiam ter esse contato mais próximo.

 

Um dia estava eu em casa, o ousado chegou na janela de terno novo e perfumado e me chamou para ir no cinema, fomos ver o filme “Angélica”, com Brigitte Bardot. Linda! Mulheres lindas, femininas, o feminino tinha outro significado que o de hoje. Mas na volta levei aquela bronca de papai, porque não pedi permissão para sair.

 

Da outra vez precisei levar a vela da minha irmã mais velha. Marcamos no cinema Hollywood, em Santana. Era um dia frio de inverno e chuva, ele para se proteger ficou atrás da porta e eu não consegui encontrá-lo. Pensou que eu não tinha ido.

 

Na 2ª. Feira, logo após o desencontro, nos vimos no centro da cidade no terminal de ônibus como era de costume e ele cheio de tristeza e raiva, nem deixou eu me explicar. Eu, muito orgulhosa, passei a evitá-lo o máximo possível. Essa briguinha durou uns dois anos.

 

Um belo dia estava eu com minha amiga Maria, na Praça do Correio, na rua Capitão Salomão. Ela disse que um moço estava vindo em minha direção: “vai falar com você!”. Pedi para descrevê-lo. E não tive dúvidas que era o ousado mal-resolvido de dois anos atrás. O problema é que já havia marcado outro encontro com o Alberto, no mesmo local e horário. Mas o ousado chegou antes e assim que Alberto nos viu, foi embora.

 

Após esse reencontro, começamos a namorar, com muitos passeios e broncas de papai porque exigia que eu pedisse a permissão dele para sair todas as vezes. Muitos presentes, muitos passeios no centro de São Paulo, que era nosso shopping, nossa Paulista, nosso centro comercial, nosso centro cultural. Era onde São Paulo fervia, tudo acontecia: revoluções, protestos, estreias, desfiles de moda, restaurantes maravilhosos e muitas histórias de amor.

 

Depois de dois anos, Sérgio, o ousado, e eu, nos casamos. Tivemos quatro meninas e quatro netos Em abril de 2018 fizemos bodas de ouro comemoradas com a música de Elvis Presley.

 


Josefina Canali Scalabrin é personagem do Conte Sua História de São Paulo. O texto foi escrito pela filha, Giselle. A sonorização é do Cláudio Antonio. Conte você também mais um capitulo da nossa cidade. Escreva para contesuahistoria@cbn,com.br

O que diz Bocelli, meu especialista, sobre pensão alimentícia para animais

 

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Ana e o marido viveram felizes enquanto foi possível. Não faz muito tempo entenderam que não se amavam o suficiente para continuarem juntos nem se odiavam a ponto de terem uma separação litigiosa. Além dos laços afrouxados que os distanciaram havia os gatos a aproximar o casal —- três gatos para ser mais preciso. E um cachorro, também.

 

Ficou a cargo dela manter os gatos Cristal, Lua, Frajola e o cão Frederico, na casa onde moravam, em Ribeirão Preto, interior de São Paulo. A cultura brasileira ainda tem dessas coisas. No momento da separação, por mais amigável que seja, os filhos ficam com a mulher, geralmente. O homem — nem todos, é lógico — pega as crianças em dias determinados para passear e se divertir; e terceiriza para a esposa, ou melhor, para a ex-esposa a educação, a disciplina e todas aquelas coisas chatas que precisamos fazer para criamos crianças saudáveis, justas e éticas. Pelo visto, o mesmo ocorre no caso dos filhos de pelo —- como recentemente passaram a chamar gatos e cães de estimação.

 

Sei que separação de casal, guarda compartilhada, divisão de responsabilidade sobre os filhos e até mesmo os pets já ocorreram aos montes e na maioria dos casos não mereceram uma só nota de rodapé no jornal nem uma crônica (?) neste blog. Mas a história do fim do relacionamento da Ana e do marido — que teve seu nome preservado e eu sei lá o motivo disso — ganhou o noticiário por uma curiosidade jurídica. Pela primeira vez, o tribunal determinou o pagamento de pensão alimentícia aos animais de estimação.

 

Segundo reportagem do G1, o acordo estabelecido entre os pais dos animais prevê que a mãe fique com os gatos e o cachorro e o pai pague o valor referente a 10,5% do salário mínimo, o que hoje equivale a R$104,79 por mês. Ele também tem direito a visitas e passeios.

 

A justiça brasileira já havia decretado a guarda compartilhada de animais anteriormente, mas não previa —- até agora —- pensão alimentícia. Ribeirão Preto parece faz história em defesa dos animais.

 

E se não pagar a pensão? Pergunta de gaiato. Acontece isso mesmo que você está pensando: vai para a cadeia. Sabe-se que se tem coisa que se leva a sério no Brasil é esse negócio de pensão. Sem dor nem perdão. Não pagou, prendeu — às vezes até de maneira injusta, como já tratamos neste blog.

 

Em casos como esse —- que me foi apresentado pelo Frederico, não o cachorro do ex-casal, mas o Goulart, âncora do CBN Primeira Notícias — prefiro recorrer a palavra de especialistas. Consultei o Bocelli, meu gato persa. Adianto-lhe que ele é um gato de poucas palavras, mas tive a impressão de que recebeu bem a notícia, pois sabe quanto custa manter um bichano, imagine três — ah, e o cachorro, também.

 

Bocelli ficou em dúvida apenas em relação ao valor. Achou pouco. Sabe que a lei fala apenas em custear comida mas deve ter pensado no preço da ração (especialmente a dele que é de primeira), que se soma ao da areia para a caixinha, às visitas ao veterinário e ao banho mensal —- apesar dele achar que isso tem muito mais a ver com cão do que com gato. De qualquer forma, acredita ser um bom início de conversa.

 

A incomodá-lo apenas a informação passada pela advogada Taís Roxo, responsável pelo caso, de que “tem no Congresso já em trâmite um projeto de lei nesse sentido (em favor da pensão alimentícia para animais)”. Logo lhe veio à mente, os gatos de rua do vizinho que vão começar a coagi-lo a participar de manifestações em favor do projeto de lei, além de os aproveitadores de protesto que envergarão suas faixas contra a reforma da Cãovidência, pelo fim do CCZ ou pela volta da Carrocinha.

 

Para acalmá-lo, sugeri que convidasse seus colegas de raça a se manifestarem através do aplicativo O Poder do Voto, onde podem pressionar deputados e senadores e expressar suas opiniões a favor ou contra os projetos de lei que estão no Congresso. Como Bocelli é gato moderno, adorou a ideia de se transformar em um militante digital.

 

Antes de encerrar nossa conversa, deixei claro que, a persistirem os sintomas, ele jamais precisará se preocupar com essas coisas de separação, guarda compartilhada e pensão alimentícia, ao menos enquanto ficar aqui em casa. Juro que ouvi um miado de satisfação.

Avalanche Tricolor: uma questão de amor!

 

 

Grêmio 1×0 Bahia
Brasileiro – Arena Grêmio

 

 

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Geromel e Kannemann comemorar vitória (reprodução da SporTV)

 

Uma segunda-feira destinada aos namorados, àqueles casais que se aceitam como são e por isso se amam como se amam. Sabem que a perfeição não existe, porque essa somente surge quando a vida acaba. E queremos vida longa para viver ao lado de quem amamos. Um amor que explica sacrifício e compressão.

 

Sinto-me privilegiado. Há 26 anos, comemoro o Dia dos Namorados ao lado da mesma pessoa, que soube me entender, compartilhar dor e angústia, alegria e prazer por todo esse tempo. Soubemos e sabemos ceder, e isso é fundamental para que se viva em harmonia. Nos olhamos e percebemos o que desejamos. Às vezes me engano, ela poucas vezes.

 

Desde o fim de semana, dá sinais que preferia ficar em casa, nesta segunda-feira à noite: está frio lá fora, amanhã você acorda cedo, restaurantes cheios, só ficaremos nós dois, eu faço o jantar gostoso, você serve o vinho … uma desculpa atrás da outra para justificar nossa permanência.

 

Desculpas, não. Compreensão.

 

Ela sabia que o Grêmio jogaria nesta noite do Dia dos Namorados. Aliás, mais uma vez. Há três ou quatro anos, jogamos também em uma noite de 12 de junho: era um sábado, frio pelo inverno que se avizinhava e em São Paulo. Foi comigo ao Morumbi e respeitou meu sentimento porque sabia da minha alegria (naquele jogo, o resultado não foi nada bom – ainda bem que ela estava ao meu lado). Hoje, fez o mesmo, sem precisar sair de casa. Apenas preparou o ambiente para que, no calor do aquecimento elétrico, eu pudesse estar à frente da televisão no momento em que o Grêmio entrasse em campo.

 

Ficou ali bebericando o vinho comigo, enquanto o time tentava furar o bloqueio defensivo do adversário. Ao ver que o gol não saía e a ansiedade aumentava, levantou-se sem se fazer perceber. Não queria me ter sofrendo pelo resultado que não alcançávamos. Não queria me constranger. Mais uma vez respeitou meu sentimento sabendo que nada daquilo desrespeitaria a paixão que compartilhamos um pelo outro. Quando a gente se ama, compreende.

 

Eu também compreendia o Grêmio e a dificuldade para chegar ao gol. Tínhamos pela frente um adversário disposto a fechar todos os espaços possíveis e encarávamos este time encardido sem nossa formação ideal no ataque. A lesão de Barrios e o deslocamento de Luan para o comando do ataque exigiram adaptação e paciência.

 

Muita paciência.

 

Tivemos de usar todas nossas formas de atacar. No toque de bola não encontrávamos espaço, no drible não avançávamos, então era hora de usar arsenal treinado por Renato. Sim, porque o gol aos 40 minutos do segundo tempo não foi obra do acaso. Já marcamos ao menos mais dois da mesma maneira, apenas com protagonistas diferentes, neste campeonato. Cobrança de escanteio no primeiro pau, o zagueiro desvia de cabeça e a bola encontra alguém fechando em direção ao gol do outro lado. Se antes foram Kannemann e Barrios, hoje foram Geromel e Cortez.

 

A paciência, a compreensão e a  perseverança nos levaram a mais uma vitória  e nos deixaram na vice-liderança isolada do Campeonato Brasileiro. E, por isso, agradeço ao Grêmio.

 

A paciência, a compreensão e a perseverança nos levaram a construir uma família e convivermos lado a lado ao longo de todos este tempo. E, por isso, agradeço a você meu amor!

 

 

De aniversário de casamento

 

Por Maria Lucia Solla

 

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Hoje, 25 de janeiro de 2015, meus pais, Oswaldo Rocco Solla e Clélia Calò Solla, comemoram setenta anos de casamento, onde quer que estejam, já que se foram deste planeta sem comunicar seus destinos.

 

Como todos os que se vão daqui, imagino que nasçam em novo lugar, para nova vida, em dimensão e vibração muito diferentes das nossas. Mas quem é que sabe…

 

A gente não sabe o porquê nem para que veio, e vive na ignorância do que virá. Mas vive. O propósito é esse, e pronto. Dia a dia, dor a dor, riso a riso.

 

Me afasto do assunto.

 

Meus avós paternos, Pedro Rojo Sola, espanhol, e Deolinda D’ Assumpção Marcello, portuguesa, criaram a metade homem, muitíssimo bem assessorados pela Bisa Maria da Luz; e meus avós maternos, Vito Calò e Grazia Giannuzzi Calò, ambos italianos, a metade mulher.

 

Oswaldo – e dois irmãos – nasceu e cresceu pobre, numa família ‘esquentada’. Estudou pouco na formalidade das escolas, mas atingiu o doutorado na vida. Trabalhou quase sessenta anos na mesma empresa, desde os quatorze anos. Começou cedo, e atesto que isso não fez mal a ele. Ao contrário, ajudou a forjar sua auto-estima e o seu caráter. Recebeu muitos prêmios, construiu sua casa, comprou seus carros e, principalmente, assegurou-se de que seus filhos não cresceriam sem o melhor estudo e o melhor código de honra que ele pudesse oferecer. Agora, o que fez de melhor foi proteger a Clélia. Contra tudo e contra todos, fazia tudo por ela. Ela era a Rainha do Lar – dirigida pelo Rei, é óbvio! Bibelô… mas tudo tem seu preço.

 

Clélia – e dez irmãos – vivia bem nesta nova e promissora terra brasileira, até completar nove anos. Nove! Foi então que o vovô Vito resolveu nascer, ele também, para uma nova vida, deixando a família que protegia, alimentava e acarinhava – todos dizem que ele era carinho puro -, nas mãos de D’eus.

 

Imagina a situação da vovó Grazia? Vivia as vinte e quatro horas do dia cuidando da casa e da família e de repente se viu sozinha e responsável pelo sustento da casa. Doze bocas para alimentar, doze de tudo! Nem quero nem pensar.

 

Pois ela pensou, e bem rapidamente: foi trabalhar numa fábrica de charutos e deu conta do recado, muito bem.
Por que eu conto tudo isso? Porque que me orgulho da minha família. Me orgulho de ser um pedacinho dela. Fruto dela. Dos seus erros e dos seus acertos, das suas brigas e da sua paz. O seu não-estar estando para sempre.

 

Obrigada, mamãe, obrigada papai, pela minha vida.

 

Maria Lucia Solla é professora de idiomas, terapeuta, e realiza oficinas de Desenvolvimento do Pensamento Criativo e de Arte e Criação. É colaboradora do Blog do Mílton Jung

Carta aberta

 

Por Maria Lucia Solla

 

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Olá, ‘caro e raro’ leitor,

 

não deu para resistir!
E por favor me desculpa (tira de mim a culpa) pela repetição deste texto, postado aqui no blog do Mílton, em 2007. Mas hoje é o dia do aniversário dela!
Aqui vai:

 

Ley, minha prima querida, nem acredito que já tenha passado um ano inteiro desde o teu último aniversário. Você estava viajando, e não nos falamos naquele dia. Não é que agora o tempo voa de verdade? Voar deixou de ser prerrogativa de passarinho, avião e pensamento, e deixou a categoria de licença poética. As distâncias também assumiram velocidade e textura completamente diferentes, só que mesmo sendo capazes de domar e de quase neutralizar tempo e distância com uma tecnologia nova a cada dia, inimaginável há não muito tempo, ainda não encontramos substituto à altura da pele, do beijo, e do abraço. Não têm similar virtual.

 

O dia do aniversário é um dia muito importante, e eu fico pensando nas nossas histórias e no significado e influência que você sempre teve na minha. A gente precisa ter consciência do quanto se imprime e se entrelaça nas histórias de quem faz parte da nossa, porque é desse jeito que se vai tecendo a vida, não é?

 

Na minha, a tua tessitura tem sido linda. Você me levou ao cinema pela primeira vez, no dia do meu aniversário, para ver um desenho de Walt Disney. Da história e do nome do filme eu não me lembro, mas me lembro da alegria, da aventura, de tanta cor e som, e da sensação de liberdade. Lembro de me sentir importante e segura pela tua mão, caminhando pelo centro da cidade. Teu gesto amoroso encontrou terreno fértil; continuo amando o cinema e sentindo a mesma magia da primeira vez. Que presente eu um dia poderia reciprocar, que fizesse você se sentir tão especial como você me fez sentir?

 

Ah, você também me ensinou a dar os primeiros passos na cozinha. Arroz branco e soltinho, com milho, no apartamento da Praça Roosevelt, e as vitaminas de frutas no liquidificador que você lavava batendo água com detergente, e o Lúcio, acostumado com as gostosuras que você fazia, passou pela cozinha e se serviu de um copão. Só não me lembro se você chegou a tempo de impedir o primeiro gole.

 

Você foi a ponte firme entre meu mundo de menina e o mundo dos meus pais, incompreensível e hermético demais para mim, e me levou aonde meus pés não teriam ido sozinhos.

 

Você também foi madrinha no meu casamento, e estava linda. Você, não eu. Olhe as fotos, eu era menina de tudo, despreparada, confusa, mas você já era uma mulher linda, independente, inovadora, culta, exemplo para quem estivesse por perto; e eu estava. Aprendi com você a olhar para frente sem perder a perspectiva do que ficou para trás, e se hoje, mesmo buscando novos caminhos, ainda cultivo os não tão novos, devo muito a você.

 

Espero que todo mundo tenha ao menos uma pessoa especial de quem possa lembrar coisas boas, com carinho e gratidão.

 

Amo você.

 

Maria Lucia Solla é professora de idiomas, terapeuta, e realiza oficinas de Desenvolvimento do Pensamento Criativo e de Arte e Criação. Aos domingos escreve no Blog do Mílton Jung

A página de jornal que não gosto de ler

 

Por Milton Ferretti Jung

 

Se existe uma página de jornal que leio a contragosto é a que trata dos óbitos. É quase como se fosse uma doença tipo ebola. Ultimamente,porém,quer queira quer não queira,sinto-me obrigado a lê-la. Caso faça de conta que esqueci de,no mínimo,passar os olhos pela página maldita,Maria Helena,minha mulher, faz questão de bancar o porta-voz da ou das notícias do falecimento de algum amigo ou de alguém importante,mesmo que o morto seja,por exemplo,um artista de cinema de quem sequer fui fã. A infausta informação dessa terça-feira foi daquelas surpreendentes. Jayme Ricardo Machado Keunecke é mais um ex-colega e amigo que nos deixa e com o qual trabalhamos juntos na Rádio Guaíba,onde,além de outras atividades,assessorava Flávio Alcaraz Gomes no programa Guerrilheiros da Notícia,na Rede Pampa.

 

Se não me falha a memória,chegamos a trabalhar no Jornal do Dia,extinto faz muito,de onde apresentávamos o jornal noturno da Rádio Clube Metrópole que ia ao ar usando notícias do periódico católico,com sede na Avenida Duque de Caxias. Por coincidência,começamos a pegar gosto por microfone em serviços de alto-falantes,eu nas quermesses da Igreja do Sagrado Coração de Jesus,em Porto Alegre, ele em Guaporé. JK,como ficou conhecido nos diversos veículos da mídia nos quais trabalhou, atuou por 18 anos na Rádio Guaíba.Foi funcionário, também, do Diário de Notícias,TV Piratini e do Grupo RBS. Jayme Keunecke estava com 78 anos. Ficou internado desde 3 de setembro na UTI do Hospital Santa Casa,com problema nos brônquios.

 

Esta notícia de óbitos não está na Zero Hora. Nessa se lê,abaixo da manchete “Juntos até o fim”,uma rara história de amor em que dois anciões,o homem de 89 anos, a mulher com 80,morreram com uma hora de diferença,no leito do Hospital São Lucas,da PUC porto-alegrense. Italvino Possa e sua esposa Diva,encerraram uma casamento que durou 65 anos e lhes rendeu 10 filhos e 14 netos, juntinhos, exatamente como pediram a Deus. Coroaram com sucesso a sua vida marital. Uma enfermeira colocou o casal em camas paralelas. Italvino morreu primeiro,Dona Diva, apenas 49 minutos depois. Com certeza,ambos partiram felizes desta vida. Imagino,que a história de amor de Italvino e Diva,dificilmente tem similar.

 

Bem diferente foi ou está sendo o drama de Paulo Roberto Costa,ex-diretor da Petrobras,cuja ganância – que outra explicação pode ser dada para a sua atitude – vai ter de devolver 23 milhões de dólares mal havidos. Não consigo entender a razão que leva um alto funcionário a desviar quantia tão grande,cujo sumiço,como geralmente acontece,não pode passar despercebido. Seja lá como for,a delação premiada vai permitir que Costa,apesar da tornozeleira eletrônica presa em sua perna,morar durante um ano em um condomínio de luxo na Barra da Tijuca.

 

Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung, o filho dele.

Conte Sua História de São Paulo: o Sargento salvou meu casamento

 

Por Bernadete Areias Borges
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Mosteiro de São Bento

 

Ouça este texto sonorizado pelo Cláudio Antonio, no Jornal da CBN

 

Rodrigo e eu marcamos nosso casamento no Mosteiro de São Bento, centro da cidade, para o dia 17 de janeiro de 2004. A escolha do local foi feita depois de termos rodado São Paulo inteira a procura de alguma igreja diferente de todas que já tínhamos ido. Visitamos a Capela da PUC, mas era pequena para os 300 convidados. A Catedral da Sé, mas era grande demais… Enfim, decidimos com um ano e meio de antecedência que o Mosteiro de São Bento seria a igreja ideal. Durante este período, nos aproximamos dos monges e aprendemos a apreciar ainda mais as belezas do Mosteiro. As exigências foram cada vez mais fazendo sentido. Eram proibidas velas para não estragar as madeiras, flores grandes para não diminuir a beleza … Tivemos muita dificuldade de contratar um coral que não tivesse voz feminina, pois mulheres não poderiam passar pela clausura, acesso até o lugar das vozes.

 

Tudo estava perfeito, atendendo nossos sonhos e respeitando a importância do Mosteiro de São Bento, até que recebi uma ligação do meu avô Roberto. Paulistano de 80 anos, aposentado do Jockey Club de São Paulo, conhecia o Centro de São Paulo como ninguém e foi ele quem me alertou: – “Você está sabendo que haverá uma caminhada pelo Centro Histórico de São Paulo para comemorar os 450 anos da cidade no dia do seu casamento?”.  Pronto, já não sentia mais minhas pernas e meus sonhos tinham desabado!

 

 
Procurei mais informações e descobri que todo o Centro seria fechado para carros e a caminhada passaria pelo Mosteiro de São Bento por volta das cinco horas da tarde. Meu casamento estava marcado para as seis, impreterivelmente, após as 18 badaladas dos sinos da Igreja. Falei com todas as secretarias envolvidas, prefeitura, DSV, até que descobri uma Base da Polícia Militar em frente ao Mosteiro. Liguei, expliquei para um Sargento minha situação e ele, provando de que ainda existe gente boa neste mundo, de a solução. Uma vez que os acessos estariam fechados, pediu que eu comunicasse a todos meus convidados que viessem pela Rua Florêncio de Abreu e subissem a ladeira lateral ao Mosteiro (que é contramão e tem trânsito proibido), pois haveria um acesso permitido apenas aos convidados do casamento.

 

 
Claro que não acreditei que isso funcionaria, mas como não havia nenhuma outra opção, fizemos as comunicações devidas  e começamos a rezar para São Bento. A semana foi longa, mas a espera foi compensada: ao seguir as instruções, passei pela caminhada como alguém famosa, com toda a pompa dentro de um Rolls Royce (que pertenceu a Getúlio Vargas), sendo fotografada por todas pessoas que estavam admirando e prestigiando a mais linda das cidades brasileiras, São Paulo. Ao chegar no Largo São Bento, quem veio me receber? Ele, o Sargento. Mesmo estando de folga fez questão de organizar a chegada dos convidados e me dar todo suporte para o grande dia. Batedores da Polícia Militar escoltaram meu carro, que ficou parado em um isolamento da PM até a entrada na Igreja. Infelizmente – seja pelo nervosismo seja pela emoção – não me lembro do nome do Sargento que tanto me ajudou, mas é a ele que dedico minha homenagem à São Paulo.

 

Bernadete Areias Borges é personagem do Conte Sua História de São Paulo. Escreva para milton@cbn.com.br e comemore conosco os 459 anos de São Paulo.

João Camargo, o glamour da alfaiataria masculina

 

Por Dora Estevam

 

Na tarde de sexta-feira, Lucas, jogador do São Paulo, foi parar no ateliê do alfaiate João Camargo. Vendido para o Paris Saint-Germain por R$108 milhões, onde se apresenta no mês que vem, o meia-atacante dá sinais de quem pretende mostrar aos franceses que a elegância dele não se resume ao belos dribles em campo.

 

 

Craque da alfaiataria, João Camargo é um dos poucos que ainda exercem esta profissão, em extinção por falta de mão-de-obra, mesmo. Leva-se muito tempo para aprender as técnicas do ofício. Mas esta é uma outra conversa que abordaremos nas próximas conversas.

 

Recentemente, estive com Camargo em um evento para noivos, quando conversamos sobre as proporções e referências da moda masculina. Falamos, principalmente, dos ternos que revelam elegância e sofisticação, além de demonstrarem virilidade em quem os veste. Para tanto, é preciso seguir algumas regras. Tudo tem que estar em harmonia com o biotipo e a postura do homem: sapato, gravata, paletó e calça acompanhados do colete, uma belíssima camisa com o colarinho igualmente impecável. Quem resiste aos elogios?

 

No Brasil, a cultura dos sem-gravata pegou por conta da imagem descontraída que o homem transmite em uma entrevista, na agêcia de trabalho, ou em casos informais mesmo. Os candidatos, nas ultimas eleições, aderiram ao estilo para falar mais de perto com os eleitores. Mas, na hora “h”, na hora do casamento, de um outro compromisso formal, a elegância pede – e pede com exageros – o traje completo. Que o digam os muitos banqueiros que vestem as criações da alfaiataria do Camargo. E o próprio Lucas que, fira dos gramados, terá de encarar muitos eventos formais na elegante Paris.

 

O interessante do atendimento do Camargo é que, além da excelência em cortes e modelagens, o alfaiate presta consultoria aos noivos. Por exemplo, ensina ou renova a postura que valorizará a roupa e o corpo no momento da foto. Deve-se ter cuidado até para abraçar os convidados. Uma dica é desabotoar o paletó.

 

 

Acompanhe trechos da minha conversa com João Camargo:

 

O homem e o alfaiate

 

Alfaiate é uma figura que ficou esquecida no mundo dos homens por um bom tempo, e quando isto aconteceu eles perderam a referência de moda. Hoje, o homem está se cuidando mais, vai ao cabeleireiro, faz regime, quer eliminar a barriga saliente, entre outras medidas que revelam a vaidade masculina. Para ajudá-lo, a consultoria pretende que o noivo leve os ensinamentos para além do casamento. Ao confeccionar o terno, assim como ocorre com a roupa das mulheres, Camargo leva em consideração a silhueta, e propõe ajustes de calça e cintura alta

 

Etiqueta e postura

 

Uma boa postura vale tanto para aprender a desabotoar o paletó na hora de dar um abraço, quanto para posar para as fotos.

 

Cores dos ternos

 

Camargo ressaltou a importância das cores dos ternos dos noivos, a primeira escolha é sempre o preto, depois o cinza e, por último, marinho. Há quem prefira os mais claros, até mesmo o branco. Para Camargo, esta escolha deixa a noiva em segundo plano. Ninguém vai lembrar do vestido dele. É melhor pensar bem antes de tomar esta decisão.

 

Gravatas e colarinhos

 

Foram muitas as dúvidas, principalmente sobre as gravatas: qual modelo está na moda? Qual devo usar: a fininha ou a mais larga? Para o alfaiate tudo vai depender do biótipo da pessoa. Como você acha que ficaria um homem alto e forte com uma gravata fininha? Não dá.  Tem de haver equilíbrio ao vestir.

 

Desfile

 

Nas passarelas dos desfiles do Camargo, além dos belíssimos e elegantes ternos, tem sempre modelos, celebridades do momento, que arrancam suspiros da platéia. Neste que gravei um trecho, esteve o  modelo e ex-BBB Jonas Sulzbach . Vamos conferir alguns momentos por aqui.

 

 

Alguém tem alguma dúvida de que o jogador Lucas chegará elegantemente vestido com um terno com silhuetas e tecidos impecáveis, no Paris Saint-Germain?

 

 

Dora Estevam é jornalista e escreve sobre moda e estilo de vida no Blog do Mílton Jung, aos sábados.

Casar sai caro, mas dá prazer

 

Por Dora Estevam
 

 

O que antes se limitava a apenas alguns detalhes, muitas vezes resolvidos pelas mães e tias dos noivos, agora ficou mais complicado. Caro e complicado. É que realizar o grande sonho de entrar na igreja vestida de noiva, fazer uma festa maravilhosa e um roteiro dos deuses para a lua de mel já não são tarefas para as famílias e, sim, para grandes profissionais do ramo que a cada ano, a cada mês, a cada instante renovam as ideias deixando o leque ainda maior de opções.

 

 
Para ajudar nestas escolhas as noivas precisam de assessoras para tudo: lua de mel, vestidos, decoração de casamento, daminhas, bolos convites, e por ai vai. Só na internet o que tem de blogs e sites que rolam páginas e páginas de conteúdo exclusivo às noivas não dá para contar, mas dá para fazer alguma seleção, de acordo com o estilo do casal e partir para as decisões.

 

 
Uma boa opção para consulta é o blog Constance Zahn, a autora tem um bom gosto incrível e tudo, tudo mesmo que sai em termos de novidade neste ramo, ela posta lá. Esta semana, postou umas fotos de bolos dourados que eu nunca tinha visto na minha vida de tão lindos. A Constance também participou do novo evento de moda de noivas que é o Casa Moda Noivas, totalmente diferenciado, idealizado pelos empresários Duda Ferreira e Alexandre Cerqueira, o evento foi praticamente uma exposição de estilistas no qual as noivas puderam escolher seus preferidos e fazer o pedido do vestido. A blogueira Constance  entrevistou uma noiva em busca do vestido ideal. Veja como ficou no vídeo abaixo:

 

 

 

 
 
Só em pensar no estilo, no tecido, no tom ideal, no estilista que vai criar, tem gente que senta e chora. Além de a noiva gostar do vestido, tem que agradar a mãe, a família (dos dois). Não é fácil. Mas, como disse anteriormente, tem gente especializada nisso que pode ajudar a noiva a sair do escuro e partir para o próximo passo tranquila.

 

 
Como o evento já acabou e neste momento tem noiva precisando de um impulso, separei um material da consultora de imagem Maria Helena Daniel, autora do livro “Guia Prático de Tecidos”. Especialista em tecidos, ela fez um vídeo no qual entrevista um estilista de noivas e faz uma apresentação sobre tecidos para vestidos de noivas: tipos de rendas e tules finos. Tenho certeza que depois de ter uma aula com ela vai ficar mais fácil e menos complicado fazer sua escolha.
 

 

 

 
 
Propostas para vestidos diferenciados não acabam, ao contrário, ao mesmo tempo em que a nossa noiva costuma usar o clássico vestido branco, também encontramos em outras culturas noivas que se casam de vermelho, como as asiáticas. A estilista Vera Wang, estilista para casamentos, fez uma homenagem a China e desenvolveu uma coleção intitulada Mei Mena (Lindos Sonhos em Chinês) com 15 modelos em nuances de vermelho. As noivas famosas que já passaram pelas agulhas da estilista são Sharon Stone, Kate Hudson e Victoria Beckham. Outro estilista internacional bem lembrado no mundo das noivas é Oscar de la Renta. Aperte o play e veja comigo este lindo e encantador desfile.

 

 

 

 
 
 
 
O casamento perfeito começa com a escolha de bons profissionais, e para isso é preciso pesquisar muito, conversar com outras pessoas, ver fotos, fechar negócio se tiver certeza mesmo do que você está comprando é real. Anote na agenda tarefas que são imprescindíveis para a cerimônia:
 

 

– Alugar carros, materiais e móveis;
– Contratar uma assessoria para o cerimonial;
– Bebidas e serviços de bar;
– O dia da noiva;
– Os doces e bolos;
– A decoração da igreja e da festa;
– Os convites;
– Os fotógrafos;
– As lembrancinhas.

 

 
E, por favor, não esqueça da escolha mais importante do casamento: o noivo que vai viver ao seu lado feliz para sempre.

 


Dora Estevam é jornalista e escreve sobre moda e estilo de vida, aos sábados, no Blog do Mílton Jung
 
 
 
 

Uma viagem ao casamento real

 

Um sonho para muitos, futilidade para outros. Inegável, porém, é o quanto atrativo à mídia e ao mundo será o casamento real. Responsável por este espaço, Dora Estevam decidiu ajudar aqueles que querem ter um dia de rainha (ou de princesa) e reuniu neste post uma série de vídeos e informações sobre a festa e o feito que tomarão o noticiário no fim deste mês, em Londres. Aproveite e curta esta prévia:

Por Dora Estevam

 
O caminho já está traçado:


 
O vídeo em 3d mostra toda a cidade, a capital britânica,  na qual acontecerá o casamento mais comentado do século. E mais aproveitado pelo marketing.São milhares de produtos com a carinha dos noivos.


 
William & Kate se casam no dia 29 de abril, data que, certamente, entrará para a história, como outros casamentos reais, relembre alguns:

 
 
Uma verdadeira história de amor.
Um verdadeiro luxo.
O jardim, a decoração, as roupas, o bolo.
A catedral, tudo o que há de diferente.
Mas com um toque moderno dos noivos.
O vestido mantido em segredo, mas já dá para imaginar…


 
 
E é claro que uma princesa tão bonita só pode ser copiada por muitas mulheres. Tudo o que ela usa vira objeto de desejo. O noivado realmente está fazendo a economia do país turbinar.

 
 
Nesta entrevista o príncipe fala do amor pela sua noiva e sobre o anel de noivado que ele deu a Kate, anel que foi da mãe dele.


 
O casamento será transmitido via streaming, será o primeiro a dar origem ao aplicativo para celular, e a trilha do casamento estará no itunes horas após o sim. Uma data tão importante para a economia, para as tvs e para os plebeus que se divertirão e se emocionarão com cerimônia tão agitada, mesmo que momentaneamente.
 
Dora Estevam é jornalista e escreve sobre moda e estilo de vida no Blog do Mílton Jung, aos sábados