Avalanche Tricolor: sei lá onde vai dar isso, mas que tá bom, tá bom!

 

Caxias 0x3 Grêmio
Gaúcho — Centenário/Caxias do Sul-RS

 

32032855717_ab3ced1f73_z

Pepê comemora segundo gol em mais uma goleada foto de LUCASUEBEL/FBPA

 

 

Até aqui o Campeonato Gaúcho tem sido um ótimo cartão de visita para a temporada. Nas últimas três partidas, o Grêmio marcou 10 gols, e com cinco rodadas é líder isolado, está invicto e colocou o pé na próxima fase da competição —- um rascunho bem diferente daquele que desenhou no início do ano passado, quando se arriscou ao entrar em campo com um time de muitos jovens e pouco preparo. Nem o técnico era Renato.

 

Tenho a impressão que o Grêmio aprende a cada ano que passa. Amadurece a ideia de alternar equipes e elenco, diante da necessidade de jogar em alto nível em uma sequência muito intensa de competições — seja no nosso rincão, seja Brasil a fora, seja lá no estrangeiro.

 

Hoje, consegue colocar em campo times bem mais equilibrados e, principalmente, capazes de repetir a forma de jogar dos titulares.

 

A cada temporada, mantendo a mesma comissão técnica e a mesma visão sobre o que pretende do futebol, revela mais consistência no trabalho. E os jovens jogadores que sobem para o time principal assim como aqueles que ainda não estão capacitados a ter um lugar entre os titulares, absorvem mais facilmente as ideias de Renato.

 

Pepê, que sofreu no time de transição no início da temporada passada e somente voltou a ter chances entre os titulares no segundo semestre, está muito mais confiante. Arrisca o drible, dispara em velocidade e chuta com precisão. Fez um, fez dois e o terceiro não fez porque a bola explodiu no travessão. Isso se chama maturidade.

 

Jean Pyerre, que também estava naquela equipe capenga que começou a jogar o Gaúcho, em 2018, chegou a ser afastado do elenco principal, passou por uma reciclagem, entendeu os conselhos de Renato, e agora traduz sua qualidade técnica e seu talento em produtividade.

 

Quem parece já chegou sabendo o que tinha de fazer foi Felipe Vizeu. Se na estreia foi garçom, ao dar assistência para Maicon marcar, hoje serviu-se da bola cruzada por Thaciano para fazer o seu primeiro gol com a camisa tricolor. Que seja o primeiro de muitos.

 

Na defesa, que tomou apenas um gol nas cinco partidas disputadas pelo Gaúcho, Júlio César foi bem mais testado nesta tarde, no estádio Centenário, do que em todas as demais em que ele e Paulo Victor revezaram a camisa de número 1. E passou bonito pelo teste. A defesa dele em uma cabeceada após a cobrança de escanteio, deu a oportunidade de o Grêmio botar a bola no chão, chegar ao ataque, abrir o placar e colocar ordem na partida — depois de o adversário ter iniciado o segundo tempo pressionando e entusiasmado.

 

Sem contar a segurança de Paulo Miranda que mesmo não sendo o titular, saiu jogando todas as partidas até aqui. Suas atuações tem sido irretocáveis. Ele sabe que a zaga gremista tem dono. Ou donos. Geromel e Kannemann são absolutos no time e no coração do torcedor. Aliás, o gringo voltou a campo com a bola toda, hoje à tarde. Aquele carrinho no lado do campo em que chegou antes do atacante, acertou a bola e ainda cavou a lateral, nos primeiros minutos, me bastava. Mas ele queria mais e simplesmente anulou o ataque adversário. O leão voltou.

 

Poderia trazer outros exemplos para ratificar o que penso sobre este amadurecimento do Grêmio e seu elenco: Juninho Capixaba, Matheus Henrique, Leonardo Gomes, Marinho … quase todos têm demonstrado avanço neste começo de temporada quando imaginávamos que ainda estariam sentido os efeitos das férias e da preparação física mais intensa.

 

Sei lá onde vai dar isso, mas que tá bom, tá bom!

 

PS: uma falha técnica na transmissão da partida do Grêmio pelo Canal Premiere nos tirou o prazer de assistir ao primeiro gol de Felipe Vizeu — soube que aconteceu tanto na Sky quando na NET. Problemas como esse acontecem. Sei bem dessa realidade. Enfrento dificuldades também quando apresento o meu Jornal da CBN. Diante do inevitável, uma recomendação a meus colegas de trabalho responsáveis pela transmissão da partida: além de pedirem desculpas no ar, obrigação nossa quando cometemos algum erro, por favor providenciem a reprodução do gol o mais rapidamente possível, seja durante a partida seja no fim do jogo. É uma questão de respeito ao assinante que, aliás, paga pra ver — e paga caro.

Avalanche Tricolor: jovens, aprendizes da vida

 

Grêmio 3×5 Caxias
Gaúcho – Arena Grêmio

 

IMG_0783

Os guris da VivoKeyd em foto da Riot Games

 

Foi um sábado destinado aos mais jovens. Todos envolvidos em competições e com seus desafios próprios. Fui observador (e torcedor) em todos esses momentos, mesmo porque, por mais que creia na longevidade que me será oferecida, já passei dos tempos em que era um jovem competidor. Não me incomoda esse fato, posso lhe garantir, caro e raro leitor desta Avalanche. Pois vivi intensamente aquela fase, seja no futebol seja no basquete – neste por muito mais tempo. Em uma ou outra modalidade, dediquei-me a vestir a camisa do Grêmio, do colégio Rosário, no qual estudei boa parte da vida escolar, e do Rio Grande do Sul, nas poucas oportunidades para as quais fui convocado. Jogos e títulos perdi muito mais do que ganhei. Experiência e valores para a vida, ganhei muito mais do que desperdicei.

 

Logo no início da tarde de sábado, estive no estúdio em que foi disputada a partida de abertura do CBLol2018, competição nacional de League of Legend, a mais proeminente modalidade de e-Sports que temos notícia. Se duvida no que escrevo, arrisque assistir às transmissões ao vivo no canal SporTV, sábados à uma da tarde. Você vai se surpreender. É só deixar esse preconceito besta de lado. A cada ano que passa – e eu os acompanho ao menos há quatro – é melhor, maior e mais confortável a estrutura oferecida aos pro-players, que são os atletas que formam cada uma das oito organizações credenciadas a disputar o título nacional da “primeira divisão”.

 

Prometo que não me estenderei em explicações sobre o assunto, pois temo perder a atenção do leitor que caiu neste texto acreditando que falaríamos só de futebol. Mas devo dizer que minha presença na competição eletrônica justifica-se pelo envolvimento de meus dois filhos na atividade, um como jornalista e admirador e o outro como “head coach” (sim, eles costumam ser chamados assim em vez do nome em português para a função). Esse último é um dos comandantes do time favorito ao título de 2018 e estreou com uma “sonora vitória” – como descreveu o site do SporTV. Deixou-me feliz e me deixará mais anda se seguirem nesta toada, pois ainda lembro dele e seus comandados – muito já em outros times – tristes e com lágrimas nos olhos quando perderam a final do ano passado, no primeiro semestre.

 

É sempre melhor ver jovens sorrindo e satisfeito com suas conquistas. É revigorante. Pois sabemos que para conquistarem o direito ao sorriso, muitos passaram por dificuldades, às vezes tiveram de dar as costas à família que não entendia sua opção de jogar em lugar de se formar doutor, sofreram em treinamentos exaustivos para melhorar a técnica e o físico, se frustraram ao não serem chamados para compor o time principal, caíram em depressão com a crítica contundente ou choraram diante da derrota.

 

39769565422_670208eec2_z

Os guris do Grêmio em foto de Lucas Uebel/Grêmio Oficial

 

Na minha segunda etapa como observador (e torcedor), diante da televisão onde o Grêmio se apresentava com sua equipe de garotos, os sentimentos de alegria e tristeza se misturaram. Via-se o sorriso dos guris quando seguiam em direção ao ataque; quando conseguiam se livrar do adversário com a bola grudada no pé ou uma gingada de corpo; quando deixavam o companheiro mais bem colocado para o gol. O sorriso era gigantesco na comemoração do tento: e sorriram assim por três vezes, todas no primeiro tempo de partida.

 

No entanto, a alegria de jogar bola se desfez a medida que o adversário reagia, empatava, virava e ganhava a partida. Um dos nossos chorou antes de deixar o gramado. Saiu com a camisa escondendo o rosto. Outros devem ter acordado neste domingo sem ainda entender o que aconteceu? Talvez estejam com vergonha de sair de casa. De trocar mensagens com os amigos no WhatsApp. E temem pelo que ouvirão de seus superiores na volta aos treinos. Sem contar o que estão ouvindo nas redes sociais de gente incapaz de perceber que eles são apenas jovens diante de enormes desafios. Jovens em busca de afirmação, obrigados a tomar decisões, carregar nossas pretensões e amadurecer muito antes do que cada um de nós. Simplesmente, jovens. Que vão vencer, sorrir, perder, chorar. Vão viver!

 

O importante é que sejam capazes de aprender com cada um desses momentos. Se conseguirem, não perderam. Aprenderam. É o que desejo, tanto aos jovens que saíram vencedores, no Lol, quanto aos que sentiram o dissabor da derrota, no futebol.

Avalanche Tricolor: vitória da maturidade

 

Juventude 0 x 1 Grêmio
Campeonato Gaúcho – Caxias do Sul

 

16937539878_052b881a26_z

 

Caxias do Sul sempre foi uma espécie de parque de diversões. E não leia esta frase de forma invertida, não! Falo das lembranças de família e de juventude. Não me refiro ao futebol.  Foi lá que passei boa parte das férias na minha infância. Costumávamos dividir os 30 dias regulamentares de descaso do meu pai entre a praia e a serra. Também gostávamos de visitar a cidade dos Ferretti durante a Festa da Uva e assistíamos ao desfile na janela da casa de uma das tias de Caxias, na avenida principal. Na adolescência, passei a ir para lá com os amigos, pois éramos muito bem recebidos pela turma do basquete e batíamos bola na sede campestre do Recreio da Juventude. Gostávamos mesmo das festas à noite. Depois, foi a vez das namoradas caxiense que me faziam subir à serra gaúcha. Boas lembranças de uma época em que não cobravam maturidade nas minhas decisões!

 

Quando o assunto era futebol, porém, a coisa ficava mais complicada. Jogar contra o Caxias ou o Juventude, assistir aos jogos nas arquibancadas do Centenário e do Alfredo Jaconi e cobrir as partidas no gramado dos dois times da cidade costumavam provocar alguns surpresas desagradáveis. Além de torcidas aguerridas, as equipes da casa sempre foram bastante competitivas e o Grêmio, apesar de algumas vitórias históricas, enfrentou muitas dificuldades. Por tudo isso, o jogo dessa tarde de domingo trazia momentos marcantes à memória, para o bem e para o mal. Era de se esperar dificuldade maior do que a que encontramos. Digo isso não para desmerecer o adversário. Pelo contrário: enalteço aqui a maturidade do time gremista.

 

Fizemos um gol cedo, em lance que teve o mérito de Brain Rodriguez e o talento de Giuliano. Nosso gringo acreditou em bola que estava quase perdida pela lateral. Pouco antes já havia dado um carrinho e encarado os zagueiros na linha de fundo. Mesmo que siga sem marcar com a frequência que um centroavante precisa, mostrou-se muito mais participativo nesta tarde. E graças a isto, recuperou a bola e deu de bandeja para Giuliano, permitindo que este completasse o contra-ataque com bom domínio e chute preciso, no ângulo. Aliás, um dos únicos chutes que demos a gol. Nem precisava mais. A vitória simples, fora de casa, nos colocaria em excelentes condições de chegar à final do Campeonato Gaúcho.

 

No restante da partida, o Grêmio soube como poucas vezes acabar com o jogo sem correr riscos, exceção a um ou outro lance adversário. Segurou a bola, trocou passes à exaustão, não se precipitou, cavou faltas, dominou o jogo nos 90 e poucos minutos de disputa. Ao contrário de outras oportunidades, em que passamos sufoco e não conseguíamos manter a bola entre os nossos, fiquei impressionado com a personalidade de nossos jogadores. E, além do golaço de Giuliano, foi o que mais me agradou nesta tarde em que Caxias do Sul voltou a me dar alegrias.

As aulas de direção do guri friorento

Por Milton Ferretti Jung

 

Quinta-feira da semana passada escrevi, neste blog, que a saudade é um sentimento permanente na cabeça das pessoas idosas. Referia-me, especialmente, àquela que sinto das Kombis da Companhia Jornalística Caldas Júnior. Se é que alguém leu o meu texto, ficou sabendo que viajei por várias cidades brasileiras, revezando-me com alguns companheiros da Rádio Guaíba (os possuidores de carteira de motorista) na pilotagem de um desses veículos. Se, antes de escrever sobre Kombi, eu tivesse consultado a Wikipédia, tomaria conhecimento do seu nome completo, no idioma alemão. Sugiro respirar fundo antes de tentar pronunciá-lo: Kombinationsfahrzeug.

 

Volto a tratar, nesta quinta-feira, se me permitem, do tema saudade. Ocorre que o inverno gaúcho tem sido duro de suportar. As pessoas fazem de tudo para enfrentá-lo ou, em certos casos, para sobreviver a ele. Anda-se quase de maneira permanente com os pés e as mãos gelados. Houvessem meus pais me mantido em Caxias do Sul durante a minha infância, talvez tivesse me acostumado ao frio intenso. Como me trouxeram para Porto Alegre com uma semana de vida, sou, como a maioria dos nascidos na capital gaúcha, um baita friorento.

 

Fiquei pouco mais de um ano internado em um colégio da cidade serrana de Farroupilha. Resolvi ir ao encontro do desejo de meus pais ao concordar com eles na troca do Colégio Roque Gonzales, em Porto Alegre, pelo Ginásio São Tiago. Sabem por quê? Porque, nesse, as férias de julho duravam trinta dias e não quinze, como no internato. Se eu disser que sinto saudade do tempo em que passei internado e em que era liberado apenas para visitar a casa paterna no feriado prolongado da Páscoa, os supostos leitores têm todo o direito de duvidar. Justifico, porém: minha saudade refere-se somente ao curto período no qual me permitiam permanecer em casa. Então, me reencontrava com os amigos, jogávamos futebol nos terrenos baldios da Rua 16 de Julho, que eram muitos na época, ou futebol-de-mesa no quintal da minha casa.

 

Para falar a verdade, tenho saudade até mesmo das minhas dramáticas voltas ao internato depois das feriazinhas de Páscoa. É que o meu pai me deixava dirigir o Citroën dele. Não se espantem. Eu tinha direito de pegar somente o guidão do carro. Pena, entretanto, que lá em Farroupilha, o inverno, meu tema desta quinta-feira, era bem mais duro do que o de Porto Alegre. Acordávamos cedinho, descíamos o declive existente entre o São Tiago e a Igreja Matriz, em geral escorregando na geada, e assistíamos à missa rezada pelo Monsenhor Brambilla.

 

Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

O passeio de presos em Caxias do Sul

 

Por Milton Ferretti Jung

 

Na quinta-feira, dia 8 de agosto, escrevi sobre dois assuntos. Abri o texto com uma frase da Presidente Dilma a propósito da sanção do Estatuto da Juventude. Finalizei-o lembrando episódio ocorrido com a octogenária caxiense Odete Hoffman que, supostamente, matou um ladrão que invadira o seu quarto. Chamou a atenção da mídia, não só o espanto causado pela reação da idosa senhora ante a presença do invasor, mas a dúvida da polícia quanto a autoria dos três tiros que vitimaram o larápio. Teria sido mesmo a que confessou o crime ou outra pessoa – um familiar de dona Odete, quem sabe – para quem seria mais difícil explicar a razão dos disparos. Foram realizadas perícias um tanto contraditórias. A história, o que também chama a atenção, arrasta-se por mais de um ano.

 

Caxias do Sul ficou conhecida nacionalmente por sediar a Festa da Uva, acontecimento que atrai à cidade, desde que me conheço por gente, visitantes de todo o país. Recordo-me que, com os meus pais (minha mãe, como eu, nasceu em Caxias), íamos assistir ao desfile inaugural da famosa Festa, realizado na Avenida Júlio de Castilhos, em posição privilegiada. Meu avô Vitaliano Ferretti e minha avó Joana residiam nessa avenida. Tenho uma saudade danada da casa onde o casal criou os seus onze filhos. Era um sobrado com inúmeros quartos, porão e sótão, além de um pátio e da garagem em que o meu avô, em cima de cavaletes, havia colocado o seu Ford Modelo A, já sem serventia, mas no qual me divertia fazendo de conta que o pilotava.

 

Passaram-se muitos anos e a Caxias do Sul, que eu amei, não existe mais. É, hoje, uma cidade grande, que aparece na mídia com certa frequência e nem sempre com notícias agradáveis. A última ruim, que li no jornal Zero Hora dessa segunda-feira, dava conta de que condenados por tráfico e homicídios circulam fora de penitenciária caxiense, sem escolta e autorização judicial. Deveriam, porque são presos do regime fechado, permanecer na Penitenciária Industrial de Caxias do Sul. O jornal Pioneiro, por 10 dias, acompanhou a movimentação de apenados, condenados a penas que variam de nove a 27 anos de prisão. O administrador da PICS reconhece que detentos deixam a cadeia para comprar, no comércio, itens para manutenção. A divulgação do fato provocou o afastamento do diretor da Penitenciária. Fico imaginando o risco que a população caxiense corria com a presença de bandidos se aproveitando da liberalidade do diretor da casa prisional.

 


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

A meia-entrada dos jovens e a perícia meia-boca

 

Por Milton Ferretti Jung

A SANÇÃO SELA UM PACTO COM A JUVENTUDE BRASILEIRA

Foi o que afirmou a presidente Dilma ao sancionar o Estatuto da Juventude na última segunda-feira. É o primeiro resultado positivo das manifestações dos jovens brasileiros em praticamente todo o Brasil. Tanto isso é verdade que um projeto esquecido há nove anos, repentinamente, acabou sancionado. Pergunto-me por que foi necessário que os moços e moças saíssem às ruas para que fosse atendida uma de suas reivindicações.

 

Embora as novas normas, entre elas a que prevê que 40% dos ingressos deverão ser reservados para meia-entrada, o que beneficiará 51 milhões de pessoas com idades entre 15 e 29 anos, só entrarão em vigor em 2014, trata-se de uma vitória incontestável da mocidade brasileira, conquistada contra o pouco caso demonstrado pelos políticos no que diz respeito a aprovação de projetos de grande interesse popular.

 

Os efeitos do Estatuto da Juventude sobre os preços dos ingressos de quem terá de pagar entrada inteira já começa, porém, a ameaçar essa parcela de público com aumentos por força dos descontos. Será que os “idosos” terão de pagar o pato? Não é de se duvidar. Aliás, quem paga todas as bolsas disso e daquilo existentes em nosso país são mesmo as pessoas com mais de 30 anos. Creio que seria demasiado, no entanto, que fosse aprovada a meia-tarifa no transporte interestadual. Afinal, o projeto previa subsídio governamental, sem repasse às empresas.

 

Permitam-me, sem estranhar, que trate ainda de um episódio vivido por uma senhora de 88 anos, residente em Caxias do Sul, cidade onde nasci. Dona Odete Hoffman confessou ter matado um bandido, que havia invadido o apartamento no qual morava sozinha, alvejando-o com três três tiros disparados por um revólver Smith & Wesson, calibre 32. Ela foi acordada pelo invasor e reagiu em legítima defesa. O caso aconteceu no dia 9 de junho de 2012. Mais de uma perícia foi efetuada e até agora a polícia não decidiu se foi mesmo Dona Odete a autora do homicídio. Tivesse ela sido vítima do ladrão e não o contrário, esse já estaria em liberdade condicional. Que baita incompetência pericial!

 


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

Triste dia em que as telefônicas inventaram o call center

 

Por Milton Jung

 

No “Tô de saco cheio”,que li neste blog na última segunda-feira,o Mílton se queixava da TIM. E com inteira razão. Essa empresa andava cobrando-lhe dívida inexistente,eis que ele jamais foi assinante dessa telefônica. Lembrei-me do tempo em que,aqui no Rio Grande do Sul,éramos atendidos por uma concessionária apenas:a Companhia Telefônica Nacional,que somente não atuava em Pelotas e Capão do Leão,servidas pela CTMR. A CTN,mais tarde,foi encampada durante o governo de Leonel Brizola e passou a se chamar CRT – Companhia Rio-Grandense de Telecomunicações,que foi a primeira companhia telefônica brasileira a ser privatizada.

 

Fiz o intróito para justificar o que vou contar a seguir e que faz parte das lembranças que ainda guardo na cabeça desde a minha mais tenra infância. Nunca esqueci,por exemplo,o número do telefone da casa paterna: telefone da casa paterna:35-11. Esse ganhou depois um acréscimo. Virou 2-35-11. Em Caxias,onde nasci,os aparelhos telefônicos ainda não haviam adquirido um mínimo de modernidade. Eram bem diferentes dos atuais. Em em armazém, que ficava pouco adiante da casa do meu avô, cujo funcionamento sequer me atrevo a explicar. Demorava-se muito para completar uma ligação,ainda mais quando se tratava de fazer contato com Porto Alegre. Seja lá como fossem as traquitanas telefônicas da época,ao recordar-me delas, sinto muita saudade. A gente era feliz e não sabia.

 

Por que sinto saudade delas? Ah,naquele tempo não se sabia que,em um triste dia,as empresas telefônicas inventariam os famigerados “call centers”. Após a criação dessas pragas,acordam a gente de manhã cedo,interrompem a nossa sesta,deixam-nos furibundos e nem sempre temos o “prazer” de ouvir, do outro lado,uma pessoa querendo nos vender um serviço da sua empresa,mas umas ligação robótica,com voz masculina ou feminina.

 

Aqui em casa,temos sido assediados pela Oi, que assinamos,várias vezes a cada dia. Não faz muito,ligavam dizendo que falar da “central de provedores” e que iriam trocar o nosso modem. Os caras que nos contatavam tiveram o peito de fazer um telefonema após outro,obrigando-nos a deixar o telefone fora do gancho. Quem possui celular também sofre com “torpedos” enviados por suas concessionárias com ofertas variadas de produtos e de serviços. Nossa privacidade vem sendo, sempre mais, invadida por telefonemas indesejáveis de toda espécie.

 

Não deixem de ler,todas as segundas-feiras,o “Tô de saco cheio”,criado pelo Mílton Jung. Ele aceita colaborações.

 


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

Avalanche Tricolor: se é o que temos para vencer, venceremos

 

Grêmio 2 x 0 Náutico
Brasileiro – Alfredo Jaconi (Caxias-RS)

 

Gremio x Nautico

 

Aprendemos com o tempo que o Campeonato Brasileiro se conquista a cada rodada, na soma de pontos de cada jogo, e, portanto, toda partida é uma decisão. Sendo assim, vencemos a primeira de 38 finais que temos para sermos campeões. Distante de casa, pela punição que sofremos no fim da temporada passada, mas próximo da torcida que praticamente lotou o Alfredo Jaconi, em Caxias do Sul, fizemos uma boa partida, na qual nosso meio de campo se destacou com os gols de Zé Roberto e Elano. Houve destaques nas laterais, com Pará e Alex Telles se revezando nas subidas. E a defesa jogando com seriedade.

 

Era evidente o ressentimento de muitos com a desclassificação na Libertadores, e as vaias para Vanderlei Luxemburgo que soaram das arquibancadas revelaram este sentimento. Há muita desconfiança com o que este elenco qualificado é capaz de fazer quando desafiado em campo. Mesmo os jogadores não escondiam a ferida aberta pela derrota há pouco mais de uma semana. Ou seria a lição aprendida? A comemoração de Zé Roberto, logo após o gol, que correu para abraçar Cris no banco, pareceu-me uma forma de tentar reconstruir este grupo que, segundo palavras do próprio craque da camisa 10, precisa encarar o Brasileiro como um novo tempo para o Grêmio. Tempo de mostrar que projetos pessoais jamais poderão se sobrepor ao interesse coletivo. Que talentos individuais somente se consagrarão se impulsionados pelo espírito guerreiro que sempre marcou nossa histórias.

 

Ao fim do jogo, Souza resumiu o desejo de todos: se é o Brasileiro (e a Copa do Brasil) que temos para vencer, vamos vencer. Que assim seja, da primeira à última rodada.

Pequenas cidades e grandes problemas

 

Por Milton Ferretti Jung

 

Imagino que inúmeras pessoas residentes em cidades grandes, uma vez na vida,pelo menos,cogitaram trocá-las por uma de menor porte ao atingir a idade madura e desde que tenham amealhado pé-de-meia capaz de sustentá-las. Por que fariam tal escolha? Viver em metrópoles,é inegável,tem lá as suas vantagens. Quem pesar os prós e os contras,no entanto,talvez entenda que, nessas, os congestionamentos, a poluição e,em especial,a insegurança, que é cada vez maior,conspiram e contra a sua permanência.

 

Nasci em Caxias do Sul,na casa dos meus avós maternos. Meus pais me trouxeram para Porto Alegre quando completei uma semana. Durante toda a minha infância e mesmo ao me tornar adulto,visitei com frequência minha cidade natal,seja para visitar os inúmeros parentes que lá moravam,seja por razões profissionais. Narrei,para a Rádio Guaíba, muitos jogos da dupla Gre-Nal contra os dois times de Caxias:o Juventude e a Sociedade Esportiva e Recreativa Caxias. Fui,com isso,acompanhando o crescimento do município.

 

Meus avós moravam na Avenida Júlio de Castilhos,em um sobrado de quatro pisos,se esses fossem contados do porão ao sótão. A Júlio se estendia,em linha reta,do bairro de São Pelegrino até a saída da cidade e, então,ainda não possuía calçamento. Quando chovia, virava um lamaçal,dando muito trabalho para ser vencida pelos enormes caminhões carregados de toras de madeira. Com o passar dos anos,Caxias do Sul foi ficando cada vez mais povoada. Os italianos,que a colonizaram,se viram obrigados a conviver com oriundos de municípios menores ou até de outros estados. Aos poucos,Caxias passou a ser notícia nas páginas policiais. Crimes de toda espécie eram e são cometidos. Recordo-me que,durante bom tempo,era fácil estacionar o carro no centro,na praça, em frente à Catedral. Hoje,a cidadezinha na qual nasci,transformou-se em metrópole,com todos os defeitos que foram crescendo com ela.

 

Lembrei-me de Caxias do Sul porque a vida lá somente ficou complicada com o seu rápido crescimento. Muitas das cidades do interior gaúcho não vão chegar nem perto do tamanho dela. Não serão,todavia,pacatos pequenos municípios,em condições de receberem quem pensa fugir,por exemplo,do caos porto-alegrense,piorado com a Copa das Confederações e a Copa do Mundo. Esses sofrem por não contarem com hospitais,com policiamento capaz de impedir a invasão frequente de quadrilhas de assaltantes de bancos,como a que espalhou o terror em Pedras Altas,nesta semana. Quase todos os dias,aqui no Rio Grande do Sul,ocorrências iguais a de Pedra Altas são registradas pela mídia gaúcha. Será que alguma família idosa e ou de aposentados,diante das circunstâncias,ainda sonha em viver no nosso interior?

 


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

Caminhando nos trilhos do trem

 

Por Milton Ferretti Jung

 

No dia em que a Presidente Dilma Rousseff anunciou, no Palácio do Planalto, o Programa de Concessões de Rodovias e Ferrovias senti-me mais perto de ver um antigo sonho se tornar realidade. Não pensem os meus raros leitores que o meu sonho englobe os dois meios de transporte privilegiados com os 133 bilhões de investimentos que Dona Dilma destinará para o plano que,segundo uma das frases do seu discurso, servirá para “desatar nós” da economia brasileira. Sou fã de carteirinha de uma das beneficiadas: as ferrovias.

 

Tenho saudade da Copa do Mundo de 1974, na Alemanha, especialmente, porque numa das tantas viagens que os meus colegas e eu fizemos durante a competição, usamos trem. Que maravilha! Estava afastado desse meio de transporte – limpo, silencioso e extremamente confortável – desde que, como tive oportunidade de contar neste blog em uma dessas quintas-feiras, viajei do Rio a Belo Horizonte numa cabina do Vera Cruz, trem noturno que ligava o Rio a Belo-Horizonte. Narrei para a Rádio Guaíba, em Belo-Horizonte, Atlético Mineiro x Grêmio. Foi uma noite para lá de bem dormida. Trens com cabina são ótimos para a gente dormir, ao contrário do que acontece na classe turística dos aviões.

 

Minha relação com os trens começou cedo. Nasci em Caxias do Sul, na residência dos meus avós por parte de mãe, no tempo em que os partos podiam ser feitos em casa, desde que não se tratasse do cesáreos. Com uma semana de vida, os meus pais levaram-me para casa na qual moravam, em Porto Alegre. Foi a minha primeira viagem de trem. Durante minha infância viajamos, inúmeras vezes, em geral na época das férias colegiais, da capital gaúcha para Caxias e vice-versa. Lá pelas tantas da minha infância, meus pais resolveram me internar em um colégio situado em Farroupilha, o São Tiago.

 

Viajamos de trem, o mesmo que fazia o percurso entre Porto Alegre e Caxias. Foi a pior viagem da minha vida. Aquele que viria a ser o meu concunhado, o Bruno, já estava internado no mesmo colégio desde o início do ano. Eu cheguei em agosto. Éramos vizinho e companheiros nas artes, razão pela qual nossos pais adotaram a drástica solução. Desembarcamos em Farroupilha – os meus pais, o Bruno e eu – numa tarde de domingo, véspera do reinício das aulas. Nem bem coloquei os meus pertences no armário ao lado da que seria a minha cama por longos e tenebrosos seis meses, disse ao irmão que me recebera estar com dor de cabeça. Não era verdade. Queria apenas uma desculpa para ficar sozinho e ter uma chance de iniciar minha primeira fuga do internato. Fugi correndo em busca da ferrovia. Pensava que poderia, pelos trilhos do trem, ir a pé até minha cidade natal. Quando alcancei a ferrovia, o irmão Brício e o Bruno me viram e este acabou me alcançando em meio a um milharal. Essa fuga não foi a única. Na segunda, Bruno escapou comigo. Como na primeira, minha meta era chegar aos trilhos e ir até Caxias do Sul. Nove quilômetros antes dessa cidade, porém, a noite caiu e, no escuro assustador, decidimos voltar para o colégio, rezando o terço. Bem que em meio a este texto, eu disse que minha relação com trens e os seus trilhos começou cedo e, talvez por isso ,vou torcer para que o projetado transporte ferroviário, para valer, dê certo.

 


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)