Afogado em corrupção, Pólo Aquático tenta se salvar com liga independente

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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foto de Ayrton Vignola/Flickr

 

Em 2015,  a seleção brasileira de POLO AQUÁTICO ganhou a medalha de bronze da FINA Water Polo World League, e US$ 50 mil de premiação aos atletas. A CBDA Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos, entidade responsável pela atividade, não entregou o dinheiro e não deu explicações aos ganhadores. Menos mal que agora terá que se entender com o Ministério Público Federal, que está cobrando esclarecimentos pelo contexto. E, também por irregularidades nos estatutos e na Assembleia Geral Ordinária realizada para aprovação dos balanços e do calendário para 2016.

 

A semelhança destes fatos com o que vem ocorrendo em outras entidades esportivas, como no caso da medalha embolsada por José Maria Marin da CBF, agora encarcerado em Nova York, não é aleatória. É sistêmica.

 

O presidente da CBDA, Coaracy Nunes, está há 27 anos na presidência da entidade.

 

Não só no âmbito esportivo, mas de forma universal, cargos de poder ocupados indefinidamente geram ditaduras e corrupção, para não falar em coisas piores.

 

Em 2015, a seleção de juniores, após meses de treinamento intensivo, foi informada dias antes pela CBDA, que não participaria mais do torneio, sem maiores explicações. Os clubes se prontificaram então a arcar com os custos. O valor de mais de R$ 300 mil apontados, comprovadamente excedia em muito ao real (e honesto).

 

Os clubes se reuniram e exigiram mudanças a Coaracy e seus diretores Ricardo de Moura e Ricardo Cabral. Não houve mudanças, apenas uma gracinha pelas redes sociais de Cabral: “Fizeram uma grande lista de pedidos e ganharam apenas um pirulito”.

 

Esses fatos impulsionaram simultaneamente uma reunião na segunda-feira, em 10 dos 12 clubes que competem no PÓLO AQUÁTICO do Brasil: FLAMENGO, FLUMINENSE, HEBRAICA, JUNDIAÍ, PAINEIRAS, PAULISTANO, PINHEIROS, SANTOS, SESI, TIJUCA. O BOTAFOGO e ABDA estão com a CBDA.

 

Nestas reuniões, foi proposta a adesão à LIGA PAB – POLO AQUÁTICO BRASILEIRO.

 

Um desafio e tanto, pois a força imensa do conjunto unido pode se desmoronar se algum clube se encantar com sereias de canto conhecidamente traiçoeiros. E corruptas.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Milton Jung, às quartas-feiras.