Avalanche Tricolor: jovens, aprendizes da vida

 

Grêmio 3×5 Caxias
Gaúcho – Arena Grêmio

 

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Os guris da VivoKeyd em foto da Riot Games

 

Foi um sábado destinado aos mais jovens. Todos envolvidos em competições e com seus desafios próprios. Fui observador (e torcedor) em todos esses momentos, mesmo porque, por mais que creia na longevidade que me será oferecida, já passei dos tempos em que era um jovem competidor. Não me incomoda esse fato, posso lhe garantir, caro e raro leitor desta Avalanche. Pois vivi intensamente aquela fase, seja no futebol seja no basquete – neste por muito mais tempo. Em uma ou outra modalidade, dediquei-me a vestir a camisa do Grêmio, do colégio Rosário, no qual estudei boa parte da vida escolar, e do Rio Grande do Sul, nas poucas oportunidades para as quais fui convocado. Jogos e títulos perdi muito mais do que ganhei. Experiência e valores para a vida, ganhei muito mais do que desperdicei.

 

Logo no início da tarde de sábado, estive no estúdio em que foi disputada a partida de abertura do CBLol2018, competição nacional de League of Legend, a mais proeminente modalidade de e-Sports que temos notícia. Se duvida no que escrevo, arrisque assistir às transmissões ao vivo no canal SporTV, sábados à uma da tarde. Você vai se surpreender. É só deixar esse preconceito besta de lado. A cada ano que passa – e eu os acompanho ao menos há quatro – é melhor, maior e mais confortável a estrutura oferecida aos pro-players, que são os atletas que formam cada uma das oito organizações credenciadas a disputar o título nacional da “primeira divisão”.

 

Prometo que não me estenderei em explicações sobre o assunto, pois temo perder a atenção do leitor que caiu neste texto acreditando que falaríamos só de futebol. Mas devo dizer que minha presença na competição eletrônica justifica-se pelo envolvimento de meus dois filhos na atividade, um como jornalista e admirador e o outro como “head coach” (sim, eles costumam ser chamados assim em vez do nome em português para a função). Esse último é um dos comandantes do time favorito ao título de 2018 e estreou com uma “sonora vitória” – como descreveu o site do SporTV. Deixou-me feliz e me deixará mais anda se seguirem nesta toada, pois ainda lembro dele e seus comandados – muito já em outros times – tristes e com lágrimas nos olhos quando perderam a final do ano passado, no primeiro semestre.

 

É sempre melhor ver jovens sorrindo e satisfeito com suas conquistas. É revigorante. Pois sabemos que para conquistarem o direito ao sorriso, muitos passaram por dificuldades, às vezes tiveram de dar as costas à família que não entendia sua opção de jogar em lugar de se formar doutor, sofreram em treinamentos exaustivos para melhorar a técnica e o físico, se frustraram ao não serem chamados para compor o time principal, caíram em depressão com a crítica contundente ou choraram diante da derrota.

 

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Os guris do Grêmio em foto de Lucas Uebel/Grêmio Oficial

 

Na minha segunda etapa como observador (e torcedor), diante da televisão onde o Grêmio se apresentava com sua equipe de garotos, os sentimentos de alegria e tristeza se misturaram. Via-se o sorriso dos guris quando seguiam em direção ao ataque; quando conseguiam se livrar do adversário com a bola grudada no pé ou uma gingada de corpo; quando deixavam o companheiro mais bem colocado para o gol. O sorriso era gigantesco na comemoração do tento: e sorriram assim por três vezes, todas no primeiro tempo de partida.

 

No entanto, a alegria de jogar bola se desfez a medida que o adversário reagia, empatava, virava e ganhava a partida. Um dos nossos chorou antes de deixar o gramado. Saiu com a camisa escondendo o rosto. Outros devem ter acordado neste domingo sem ainda entender o que aconteceu? Talvez estejam com vergonha de sair de casa. De trocar mensagens com os amigos no WhatsApp. E temem pelo que ouvirão de seus superiores na volta aos treinos. Sem contar o que estão ouvindo nas redes sociais de gente incapaz de perceber que eles são apenas jovens diante de enormes desafios. Jovens em busca de afirmação, obrigados a tomar decisões, carregar nossas pretensões e amadurecer muito antes do que cada um de nós. Simplesmente, jovens. Que vão vencer, sorrir, perder, chorar. Vão viver!

 

O importante é que sejam capazes de aprender com cada um desses momentos. Se conseguirem, não perderam. Aprenderam. É o que desejo, tanto aos jovens que saíram vencedores, no Lol, quanto aos que sentiram o dissabor da derrota, no futebol.

Avalanche Tricolor: o padrão de jogo que nos faz melhor e a lição que aprendi com o Grêmio

 

 

Grêmio 2×0 Vasco
Brasileiro – Arena Grêmio

 

 

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Renato comemora 1º gol (reprodução Premiere)

 

 

Um olho no peixe e outro no gato. Pra ser preciso: um na TV e outro no Ipad. Na tela pequena, o Grêmio, paixão ensinada pelo meu pai. Na tela grande, a Keyd Stars, torcida aprendida com meus filhos. A agenda esportiva deste domingo colocou no mesmo horário futebol e LoL, esporte tradicional e eletrônico, time do coração e coração de pai; e tive de me desdobrar em emoção e sofrimento.

 

Menos mal que o Grêmio deu poucos motivos pra sofrer, apesar do equilíbrio da partida na primeira meia hora e alguns riscos de gols de tirar nossa respiração. O pênalti bem marcado e raramente visto – convertido por Barrios – amansou o adversário e o domínio passou a ser nosso. Mantivemos o padrão de jogo que tem entusiasmado cronistas aqui no centro do país.

 

Aliás, permita-me um parênteses: é tanta badalação que, confesso, até desgosto. Prefiro quando meus colegas de trabalho ficam de oba-oba com os adversários e nós vamos comendo pelas beiras, sem chamar atenção.

 

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Luan comemora o 2º gol (reprodução Premiere)

 

Tivemos boas chances de ampliar e reduzir o risco do empate. Mas desperdiçamos a maior parte delas. Por outro lado, se o ataque não fazia, o meio de campo mantinha o domínio da bola e a defesa estava firme sem dar chances para o adversário. Éramos melhores.

 

A superioridade pode ser simbolizada pelo gol que fechou o placar e a partida, aos 48 do segundo tempo. Luan usou de seu talento para driblar dentro da área, passou a Léo Moura que entrou em velocidade pela direita, que entregou a Maicon, que com um tapa na bola tocou para Gastón Fernández, que marcado deu de calcanhar para Luan completar em gol.

 

Talento, velocidade, precisão no passe, deslocamento e o gol como maior objetivo o tempo todo – sim, porque se perdemos tanto é porque criamos muito. A somatória desses fatores tem feito o Grêmio superior e justifica nosso ótimo desempenho no Brasileiro, na Copa do Brasil e na Libertadores.

 

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Time da Keyd Stars (reprodução Riot Games)

 

Mas como disse lá no início dessa Avalanche, passei o domingo à tarde entre as emoções provocadas pelo Grêmio e o sofrimento diante dos abates e ataques contra a Keyd Stars, na estreia do 2º Split do CBLol – o Circuito Brasileiro de League of Legends. Desta vez, não tivemos sucesso, mas assim também foi no primeiro semestre e acabamos na final da competição.

 

E se tem coisa que aprendi com o Grêmio, guris, é que jamais devemos desistir.

Millenium já gosta tanto de e-Sport quanto de esportes tradicionais, diz relatório de tendência na internet

 

 

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O futebol ainda tem muito mais a minha atenção do que qualquer esporte eletrônico, apesar da convivência  íntima que tenho mantido com as modalidades virtuais, nesses últimos tempos. Por outro lado, já frequentei bem mais vezes arenas de e-Sport do que de futebol, ao longo do último ano: estive no Recife, no Rio, em ginásios e estúdios de competição eletrônica para ver partidas de League of Legends.

 

 

Minha presença nesses ambientes de competição do e-Sport está relacionada ao envolvimento profissional de um dos meus filhos, e a paixão exercitada pelo outro. Ambos, desde pequenos, se esforçaram para me apresentar esse mundo e, apesar de não me arriscar a jogar, hoje me considero minimamente informado e transformado pelo que acontece no cenário nacional e internacional.

 

 

Minha proximidade com o e-Sport, motivada por questões familiares, portanto, não pode ser vista como uma referência. Ou seja, não significa que pessoas da minha geração, acima de 50 anos, estejam admirando mais essas modalidades do que os esportes tradicionais. Sou um ponto fora da curva. Mas se me permite sugerir: preste atenção no que está acontecendo neste mundo. É surpreendente.

 

 

 

 

Um dos mais importantes relatórios de tendências da internet (que você tem acesso nos slides acima), produzido pela analista Mary Meeker, em parceria com a Kleiner Perkins, divulgado há dois dias, dedica parte de seu estudo ao fenômeno dos esportes eletrônicos e dos games. Ela argumenta que os games são muito mais importantes do que se imagina, tantas foram as tendências que surgiram neles para depois tomar conta da internet. Um exemplo são os emojis que podem ser vistos como consequência de emblemas, originalmente introduzidos pela Activision, no início da década de 1980.

 

 

Os números levantados no trabalho e o engajamento alcançado são de causar espanto. Segundo o relatório, existem 2,6 bilhões de jogadores online no mundo, em comparação aos 100 milhões em 1995. A receita global de jogos é estimada em cerca de US$ 100 bilhões, em 2016. A idade média dos jogadores, nos Estados Unidos, também surpreende: 35 anos – consumidor na veia.

 

 

A audiência do e-Sport está subindo rapidamente. De 2013 para 2014, o aumento foi de 22%; de 2014 para 2015, de 28%; e no último levantamento, de 2015 para 2016, o número de pessoas que assistem ao e-Sport explodiu: 40% mais, chegando a 161 milhões de pessoas. Ou você acha que SporTV, Fox e ESPN abrem espaço para uma variado leque de esportes eletrônicos, aqui no Brasil, porque acham que este negócio é uma brincadeirinha de criança.

 

 

VIEWERS

 

 

A maior parte do público que assiste aos jogos é da geração Millennium, tem entre 21 e 35 anos. Eles representam 53% da audiência. E chama atenção o fato de os esportes eletrônicos e os tradicionais já dividirem sua preferência – algo inédito. Os pesquisadores pediram para eles responderem se “preferem significativamente” seu e-Sports ou o esporte tradicional. Dentro da mesma perspectiva, poderiam responder que “preferem um pouco” ou não tinham preferência.

  

 

Millennials

 

 

Resultado: 27% têm significativa preferência por e-Sports e 27% pelos esportes tradicionais.

 

 

Quando a pergunta foi feita aos que nasceram antes desta geração, 45% disseram ainda ter significativa preferência por esportes tradicionais e 13% por e-Sports.

 

 

Como eu não sou Millenium, sim, ainda prefiro os jogos de futebol do Grêmio aos de Lol. Mas se quiser saber, já deixei de ver uma partida do meu time do coração por completo para torcer por um time no CBLol. E justifico: era o time no qual um dos meus filhos é técnico.

Avalanche Tricolor: dias de emoção e felicidade no esporte (e no e-Sports)

 

Grêmio 4×0 Juventude
Gaúcho – Arena Grêmio
(e outras conquistas)

 

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Grêmio comemora mais um na goleada de sábado, foto de LUCAS UEBEL/GRÊMIOFBPA

 

Foram dias intensos no esporte estes últimos que vivi. Antes mesmo do fim de semana marcado por vitórias – assim mesmo, no plural -, tive a oportunidade de estar ao lado de um dos grandes nomes da história do Grêmio, na quinta-feira. A convite da ESPN e sob o comando de João Carlos Albulquerque, participei do programa Bola da Vez com Valdir Espinosa.

 

Na entrevista que vai ao ar provavelmente nessa terça-feira, Espinosa lembrou de cenas que nos levaram ao título da Libertadores e, em seguida, ao do Mundial, em 1983. Com a emoção típica dos gremistas, ele contou curiosidades ocorridas nos bastidores, diálogos que manteve com os jogadores e discussões técnicas que levaram a transformação do time entre uma competição e outra.

 

Das muitas histórias, sempre recheadas de romantismo, disse que no primeiro encontro que teve com o elenco, no início da temporada, brincou ao pedir que os jogadores fizessem com ele uma grande sacanagem. Como tem pavor de voar, queria que eles o obrigasse a viajar de avião até Tóquio no fim do ano. E que baita viagem todos nós gremistas fizemos naquele ano.

 

No programa, nosso atual coordenador técnico contou como conheceu Renato e Mário Sérgio, dois de seus grandes amigos. Amizades que começaram a ferro e fogo, pois Espinosa os conheceu em campo, no esforço para impedir que eles passassem pela marcação dele. Jura que não perdeu uma só bola nem para um nem para outro.

 

Viajei nas lembranças de Espinosa e nas minhas também. Afinal, foi inspirado nele que acabei jogando como lateral no time da escolinha de futebol do Grêmio; foi na maneira irreverente dele se vestir que ganhei dos meus pais uma calça com uma perna de cada cor, obra do alfaiate Reis que vestia boa parte do elenco gremista; e foi graças a ele e ao time que comandava que chorei como criança ao ver o Grêmio campeão da Libertadores e do Mundial.

 

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Falamos pouco sobre o time atual do Grêmio, mesmo porque o objetivo do programa era outro. Mas nas conversas paralelas foi possível perceber que Renato e ele estão muito afinados e otimistas em relação a formação do atual elenco, apesar das inúmeras lesões que comprometem o entrosamento.

 

Imagino que você, caro e raro leitor desta Avalanche, também esteja entusiasmado com o time, especialmente após assistirmos à apresentação da noite desse sábado, na Arena. Tive a impressão que voltamos a jogar futebol com a excelência que nos deslumbrou no ano passado.

 

Até aqui, no Campeonato, havíamos visto um ou outro esboço de boas jogadas; às vezes um dos nossos se destacava individualmente; outras, dominávamos momentos da partida, mas sem manter o mesmo ritmo ao longo de todo o jogo. Exceção talvez tenha sido a estreia da Libertadores.

 

No sábado, Miller Bolaños foi genial em campo, mas se o foi deve-se também a forma como Renato montou a equipe e a performance de seus companheiros. Tivemos movimentação estonteante do meio de campo pra frente, que impediu qualquer tentativa de marcação. A troca de passe rápida e certeira desmontou a retranca que o adversário ensaiou no vestiário. E o time de poucos gols, fez um, fez dois, fez três e fez quatro sem permitir qualquer reação.

 

A alegria proporcionada pelo Grêmio foi para mim o complemento de um sábado de emoção no esporte.

 

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É provável que você ainda não tenha lido em outros textos de minha autoria, afinal são raros e caros meus leitores, mas desde o início do ano tenho dividido meu sofrimento entre o Grêmio e o e-Sports. Sim, o esporte eletrônico, que muitos ainda perdem tempo discutindo se pode ou não assim ser considerado, apesar de estar na programação de todos os canais esportivos de televisão, tem tido uma atenção especial aqui em casa.

 

Meus dois meninos – paulistanos de nascença e gremistas por origem – vivem intensamente o cenário do e-Sports, especialmente do League of Legends, considerado o jogo mais jogado do mundo. Um é estudante de jornalismo e cobre o assunto, além de estar na produção de um documentário sobre o tema; o outro é técnico estrategista da Keyd Stars, que neste fim de semana garantiu presença na final do CBLol, o campeonato brasileiro da categoria, a ser disputada em Recife, dia 8 de abril.

 

Jamais imaginei que algum outro time pudesse me fazer sofrer na busca pelo resultado além do próprio Grêmio. Nos últimos fins de semana, porém, tenho me visto com o coração apertado, com os punhos cerrados e os olhos marejados a cada abate alcançado, torre destruída e nexo conquistado.

 

Vi os guris da Keyd enfrentando as dificuldades de um time em formação, como o nosso Grêmio; e a cobrança dos torcedores que, passionais, atacam e defendem aqueles que são seus ídolos. Percebi o esforço de cada um da equipe para não se abater com os primeiros resultados ruins e a dificuldade para a classificação às finais. E curti muito ao perceber como o revés forjou este time e o fortaleceu para o momento certo: na melhor de cinco da semifinal, venceu por três partidas a um o campeão do ano passado, a INTZ.

 

Se eles se sagrarão campeões nesta primeira parte da temporada, isso é uma outra história. Mas que este marmanjo aqui tem sofrido diante das disputas no mapa do LoL como já sofreu pelo Grêmio, em 1983, e sofre agora em busca de uma nova Libertadores, não tenha dúvida.

Avalanche Tricolor: no esporte eletrônico, os motivos para sorrir nesta segunda-feira

 

Caxias 2×1 Grêmio
Gaúcho – Caixas do Sul

 

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Muita gente acordou de ressaca nesta segunda-feira. Lá na redação, teve colega que mal dormiu na noite passada pois esticou o domingo até a madrugada para assistir ao Super Bowl e a incrível virada do Patriots sob o comando de Tom Brady. Depois de amargar uma surra no primeiro e em boa parte do segundo tempo, com um placar que chegou a 28 a 3 para o Falcons, o time do “Giselo” – referência a esposa, gaúcha por sinal – empatou no tempo normal e venceu por 34 a 28 em inédita prorrogação na final da NFL, a liga de futebol americano. Lembrou o nosso Imortal.

 

Lá no Rio Grande do Sul, imagino, que além da noite mal dormida boa parte dos torcedores do futebol acordou de cabeça inchada, afinal a dupla Grenal se estropiou contra os times do interior. Verdade que alguns perderam o sono já no sábado, pois a derrota os deixou beirando a Segunda Divisão (do Campeonato Gaúcho, registre-se). Nada que vá durar muito tempo, como diziam no ano passado. Lembra?

 

De minha parte, não temos muito a reclamar. Apesar do tropeço na Serra, a vitória da estreia nos mantém entre os quatro primeiros, nesta segunda rodada Claro que esperávamos um pouco mais do time que começou batendo um bolão no Gaúcho, repetindo o desempenho que nos deu o título da Copa do Brasil, no ano passado. Ao mesmo tempo, se puxarmos da memória, vamos perceber que também no ano passado os jogos fora de casa eram de tirar o sono.

 

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Não sei quanto a Renato, mas eu gostei de ver que Miller entrou no finalzinho da partida e marcou um gol, pois ratifica o que tenho lido na imprensa e nos textos em redes sociais publicados por jornalistas que acompanham os treinos de início de temporada: o atacante venezuelano está em franca recuperação e tem tido performances mais próximas daquelas que o levaram a ser contratado, em 2016.

 

Assisti ao jogo do Grêmio de revesgueio, pois quando cheguei em casa tínhamos acabado de levar o primeiro gol, em cobrança de pênalti. Não que eu tivesse fazendo pouco caso da partida pelo Gaúcho – já registrei na primeira Avalanche deste ano a saudade que estava do estadual e em especial do título deste campeonato.

 

Acontece que há três semanas, e isso vai se repetir ao longo da temporada, minhas atenções estão voltadas também para outro tipo de esporte que a maioria de vocês – os caros e raros leitores desta Avalanche – deve torcer o nariz: o esporte eletrônico. Recentemente falei sobre o tema aqui no blog, pois meu filho mais novo assumiu o comando técnico de uma das principais equipes de League of Legends – Lol, no cenário nacional, e tem partidas disputadas sábados ou domingos.

 

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Ontem, experimentei torcer no local dos jogos, um gigantesco estúdio na zona Oeste de São Paulo, de onde são feitas as transmissões que podem ser assistidas na SportTV e nos canais de internet. Fiquei impressionado com a estrutura montada para que as imagens cheguem com qualidade aos telespectadores e internautas. Incrível também é a “infra” à disposição das equipes formadas por cinco atletas, treinador, estrategista, psicólogo e outros quetais típicos das organizações esportivas. A tecnologia é bastante sofisticada para que o esporte possa ser praticado de forma qualificada e atenda as expectativas da audiência. E a impressão que tive é que os organizadores, no caso a Riot Games Brasil, conseguem oferecer essa experiência aos fãs do Lol.

 

Tecnologia à parte, quando a bola começa a rolar na tela, ou melhor, quando os campeões começam a percorrer o mapa a ser conquistado, a pressão sobre os atletas, a necessidade de estratégias bem construídas e a apreensão do torcedor se equivalem a de outros esportes.

 

Imagine, então, a emoção do pai-torcedor. Sofri como nunca, mesmo ainda titubeando em algumas regras do Lol. Incomodei-me com os comentaristas nas críticas ao meu time, mesmo que feitas com justiça. Torci os dedos para que o ataque adversário falhasse. E comemorei os abates, torres e dragões conquistados. Ao fim e ao cabo, festejei a primeira vitória da Keyd Stars, por 2 a 0, sobre a Operation Kino, no CBlol2017 – o circuito nacional. Especialmente a última da série, que lembrou muito o estilo Imortal do Tricolor, com uma recuperação incrível quando muitos já teriam entregado os pontos.

 

Assim, mesmo de ressaca pelo Super Bowl e de cabeça inchada pelo Gaúcho, encontrei ótimos motivos para sorrir, nesta segunda-feira.

Fazendo a lição de casa no League of Legend

 

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Éramos três mil sentados nas cadeiras que ocupavam todo o Espaço das Américas, local destinado a grandes espetáculos em São Paulo. No palco, a parafernália eletrônica se destacava com dois conjuntos de cinco telas digitais gigantescas, na vertical, estampando a imagem de personagens coloridos. Estavam entre três telões que permitiam que todos assistissem à batalha travada por aqueles personagens, em um cenário de florestas e rotas nas quais encontram-se tropas, dragões, torres, inibidores e nexus – a estrutura a ser conquistada. Telas menores estavam mais abaixo e nelas víamos o rosto de 10 jovens, divididos nas equipes azul e vermelha. Atrás de todos os equipamentos, são eles a alma que move o League of Legend, sobre o qual já conversei com você neste blog, mas que vale sempre lembrar é o jogo on-line mais jogado no mundo, disputado por cerca de 67 milhões de jogadores por mês. Alguns jogadores são ídolos da garotada que vibra a cada ataque aos adversários e derrubada de torres, lances transmitidos ao público presente e aos milhares que assistem pelo computador em suas casas por equipes de narradores e comentaristas – profissionais que levantam a galera do eSport com os mesmos cacoentes (para o bem e para o mal) da turma do esporte que acompanhamos no rádio e na televisão.

 

Deixe-me voltar aos jogadores, pois são eles, mais do que as máquinas, que me chamam atenção. A começar pelo fato de jogarem algo que para mim parece coisa de outro mundo. Apesar do privilégio de contar com dois “comentaristas particulares”, que passaram as partidas me explicando cada lance, ainda tenho muita dificuldade de entender as estratégias usadas pelas equipes. Sei que começam com a escolha de centenas de personagens (ou campeões, como chamam oficialmente) disponíveis, pois cada um tem desenhos e poderes diferentes e, no momento de selecioná-los, é importante identificar o que mais se encaixa com o tipo de jogo necessário para vencer a equipe contrária. Antes dessa escolha tem-se o direito de eliminar alguns campeões, impedindo que o adversário os utilize. Por isso, estudam muito os outros times, pois este conhecimento pode determinar a sobrevivência ou não no cenário. Poderiam ensinar a tática para alguns técnicos do nosso futebol.

 

Times escalados, vai começar a partida: é aí que me perco no embaralhado de movimentos e ataques que devem ser feitos de forma coordenada, o que exige muita disciplina, comunicação e raciocínio estratégico. São habilidades nas quais essa garotada de pouco mais de 18 anos é craque e que os fazem se destacar no cenário nacional e chamar atenção dos patrocinadores que bancam treinamentos, viagens, estágios no exterior, equipamentos e até a contratação de estrangeiros para reforçar as equipes. Se não estão disputando os jogos, são assediados pelos admiradores. Quase ninguém mais pede só autógrafo, como fazíamos no passado. Agora, querem selfies, o que deve deixar as marcas que estampam os uniformes dos eAtletas ainda mais felizes, pois garantem milhares de exposições nas redes sociais.

 

Alguns desses jogadores já construíram personalidade própria e quando aparecem no telão, em entrevistas pré-gravadas ou na apresentação das equipes, são ovacionados pela galera. Um é mais agressivo, o outro, provocador. Tem o engraçado e tem o queridinho das meninas, também. Sim, elas estão lá, muito mais na torcida do que no jogo. Não chegam a ser uma maria-mouse, mas jogam suas asinhas para cima dos garotos. E quando me refiro a asas não é linguagem figurada. Caminhando na plateia, você encontrará muitas meninas fantasiadas com roupas de personagens de games, mangás e animes. Elas fazem colsplay, me contam os companheiros de jogatina.

 

No fim de semana, disputou-se mais uma etapa regional do Campeonato Brasileiro de Lol – CBLOL para os íntimos – , competição que distribui R$ 110 mil em prêmio, sendo metade destinada ao campeão. Foram oito equipes se enfrentando em partidas de melhor-de-três, em quartas de final e semifinal, que se encerraram no começo da noite de domingo. Depois de batalhas acirradas, com direito a virada de placar, mortos e feridos (figurativamente, lógico), KaBuM e CNB se classificaram para a guerra final que será no próximo sábado (26/07), no Ginásio do Maracanazinho, no Rio de Janeiro. Os oito mil ingressos para a final foram vendidos em poucas horas, foi a informação que todos os organizadores do CBLOL e dirigentes ligados a Riot Games Brasil, responsável pelo jogo por aqui, fizeram questão de me contar. O vencedor será o representante brasileiro no cenário internacional e vai para o International Wildcard, onde enfrentará o campeão latino em busca da vaga no Campeonato Mundial de 2014.

 

Curiosamente, dentre as finalistas não estão a equipe que levou seus jogadores para se desenvolverem na Europa e as duas que importaram sul-coreanos para reforçar o time. O que para muitos pode ter sido uma surpresa desagradável pois desestimularia investidas mais audaciosas dos patrocinadores, para mim é um incentivo a milhares de jovens que estão nas ligas amadoras do Lol aqui no Brasil, pois o resultado tornou mais real a possibilidade de eles se destacarem internacionalmente mesmo treinando apenas por aqui. O poder econômico tem influência, mas não é determinante no sucesso. Ops, desculpe-me pelo palpite. É que esse esporte tem crescido tanto que, assim como no futebol, já tem um monte de gente, como eu, achando que é treinador de Lol.

 

Por falar em futebol, uma informação para os gestores das arenas que construímos em algumas cidades-sede da Copa do Mundo: a partida final do Mundial de Lol está marcada para 19 de outubro, no Estádio Sangam, um dos principais palcos da Copa da Coréia e do Japão, em 2002. Quem sabe não está aí a solução para alguns dos elefantes brancos que levantados, no Brasil: transformá-los em campos de batalha do League of Legends.