Mundo Corporativo: para ter eficiência energética é preciso entender onde estão os gastos, diz Marcelo Xavier, da GreenYellow

Reproduçao do vídeo do Mundo Corporativo

“Nada resiste ao trabalho. As oportunidades vão passar na sua frente diversas vezes, então você tem que estar preparado para elas.”

Marcelo Xavier, GreenYellow

Reduzir o consumo antes de investir em novas fontes de energia. Esse é o princípio básico que deveria guiar empresas em busca de eficiência energética, mas nem sempre é o caminho seguido. “Muitas vezes, as empresas pensam em colocar um telhado fotovoltaico sem olhar para as máquinas. Você acaba superdimensionando sua necessidade de energia, sendo que poderia reduzir o consumo antes”, afirma Marcelo Xavier, diretor-presidente da GreenYellow no Brasil. A gestão eficiente da energia e a transição para fontes renováveis foram tema da entrevista ao Mundo Corporativo.

Eficiência energética: por onde começar

O conceito de eficiência energética, segundo Xavier, se divide em duas frentes principais: redução de consumo e geração de energia renovável. “O primeiro passo é fazer um diagnóstico, entender onde estão os grandes gastos e otimizar os sistemas”, explica. A empresa atua identificando pontos de desperdício em processos como iluminação, refrigeração e climatização, realizando substituições e modernizações para minimizar custos e aumentar a eficiência.

Além disso, a transição para fontes renováveis deve ser feita de forma estratégica. “Reduzimos o consumo, depois dimensionamos a necessidade de geração com fontes renováveis, como energia solar”, destaca. Modelos de geração distribuída, em que usinas solares atendem unidades consumidoras remotamente, cresceram no Brasil nos últimos anos, mas agora enfrentam desafios com a redução de incentivos. A tendência, segundo o executivo, é investir em geração próxima ao consumo e em soluções híbridas, com armazenamento de energia.

O papel da comunicação na transição energética

Além dos desafios técnicos, Xavier ressalta a importância da comunicação no processo de eficiência energética. “A maneira como o comercial transmite a informação para um cliente pode definir se uma venda será feita ou não. Clareza e objetividade são fundamentais”, afirma. Dentro da empresa, ele vê a comunicação como uma peça-chave para alinhar as equipes e garantir que as estratégias sejam implementadas de forma eficaz.

A mudança para um modelo de energia mais descentralizado e digitalizado também exige uma evolução na mentalidade do empresariado e do setor público. “O Brasil tem todo o potencial para ser líder global em transição energética, mas ainda engatinha. Falta educação corporativa sobre o tema e mais incentivos governamentais”, aponta Xavier. Ele cita o exemplo de países europeus, onde os galpões logísticos já são projetados para receber painéis solares, enquanto no Brasil ainda há resistência e barreiras estruturais.

Para os profissionais que ingressam no mercado, Xavier deixa um conselho direto: “A gente estuda algo e imagina que vai trabalhar com isso para sempre. Mas isso não vai acontecer. Oportunidades surgem o tempo todo, e você precisa estar preparado para elas”.

Ouça o Mundo Corporativo

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas da manhã, pelo canal da CBN no YouTube. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, e aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo. Você pode ouvir, também, em podcast.

Colaboram com o Mundo Corporativo: Carlos Grecco, Rafael Furugen, Débora Gonçalves e Letícia Valente.

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: a lição da Osesp e o maestro das marcas

Uma orquestra sem maestro pode se tornar um caos sonoro. No mundo das marcas, o risco é o mesmo quando a comunicação não tem direção. Esse foi o tema do comentário desta semana no quadro Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, apresentado por Jaime Troiano e Cecília Russo no Jornal da CBN.

A Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (OSESP) serviu de metáfora para a construção e gestão de marcas. Segundo Jaime Troiano, assim como os músicos precisam seguir a regência para alcançar a harmonia, as empresas precisam de um maestro para integrar os diversos canais de comunicação. “Cada instrumento tem um papel, uma partitura que precisa obedecer à regência do maestro”, afirmou. Sem essa coordenação, o resultado pode ser o mesmo dos momentos iniciais de uma apresentação, quando os instrumentos ainda estão sendo afinados.

Cecília Russo destacou o equilíbrio necessário entre virtuosidade e humildade, tanto na música quanto na gestão de marcas. “A contribuição de cada instrumento está a serviço do protagonismo de uma coisa maior, da obra que está sendo executada como um todo”, explicou. No universo das marcas, isso significa que cada ponto de contato com o público – da fachada de uma loja ao post no Instagram – precisa estar alinhado a uma comunicação integrada e coesa.

A marca do Sua Marca

A lição desta edição foi clara: no branding, não basta se encantar com um único instrumento de comunicação, mas sim com a sinergia do conjunto. Marcas bem-sucedidas funcionam como uma orquestra: cada peça tem seu momento, mas é a harmonia que constrói a identidade forte e duradoura.

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, logo após as 7h50 da manhã, no Jornal da CBN. A apresentação é de Jaime Troiano e Cecília Russo.

Conte Sua História de São Paulo: deleitaram-se lançando asfalto no meu leito

Por Expedito Peixoto

Ouvinte da CBN

Avenida e Rio Aricanduva, na zona leste de São Paulo: Foto Marcos Santos/Jornal da USP

No Conte Sua História de São Paulo, o ouvinte da CBN Expedito Peixoto da Paz faz poesia que tem como título ‘O Grito’ e inspiração o Aricanduva

Aricanduva 

Lento silencioso calmo sinuoso

Entre morros morrinhos igarapés 

Nasci lá na Leste. Éh!, sou majestoso

Natureza rodeia beija meus pés

Meu percurso é longo e grandioso 

Sereno límpido arborizado por ipês. 

Quanta vida!, que vida eu vivia

Animais peixes índios pássaros 

Se e me alimentavam noite e dia

E quando vinham temporais, não raros,

Ahh! como eu brincava ah! como eu sorria;

Papagaios sabiás piabas algas ágaros

Assim vivi infância e juventude 

Tempo correu e junto a maturidade

Enquanto sonhava ser plenitude

Dos humanos me faltou humanidade,

Ao encontrá-los me tornei cruel, rude

Roubaram-me o brio a serenidade.

Logo na 2′ curva me jogaram a ‘Choff, Ragueb’

Na 6′ curva um porre me cortaram na ‘Itaquera’

‘Jd.do Carmo, Sesc’! minh’água já não bebes

Caí no choro, roubaram-me o melhor amigo, ‘Rio das pedras’ 

Implantaram Aps, Igrejas e suas sedes

Quebraram meus mimos alegrias e  regras  

Deleitaram-se lançando asfalto no meu leito

Me cuspiram seus restos, sobras

Me injetaram prédios e seus efeitos

Jogaram-me no lodo à sombrias sombras

Hoje só transita esgoto no meu peito

De dor choro a invasão de suas obras 

Por nascer numa metrópole 

Meu destino é súbito, induzido 

Enquanto pensava ser prole

Nas Trilhas, Avenidas, Marginais; fui traído

Me encharco me encachaço quando chove

Sonhos e esperanças foram-me subtraído

Me assolaram desatolaram sem dó 

Ao avesso e travesso fui revirado

Sem amor, perdi a cor, vivo na dor

Quando chove piro, deságuo ira irado

Engulo animal, gente até automotor 

De agonia golfo vômito catarrado.

Violência!!?, Não nunca quis ser bravo 

Mas o desencanto surrou min’alma

Ao ver minha foz ‘Alberto Badra’

Meu único desejo, amigo, é correr feliz e calmo

Não! não me entrego a lutas que me trava

Meu grito é de alerta,

Quero vida, me socorre me acalma.

Ouça o Conte Sua História de São Paulo

Expedito Peixoto é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva o seu texto e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade você visita agora o meu blog miltonjung.com.br ou vai lá no Spotify e coloca entre os seus favoritos o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Mundo Corporativo: N5X surge para dar segurança ao mercado livre de energia, diz Dri Barbosa

Reprodução do vídeo do Mundo Corporativo com Dri Barbosa

“A coisa mais importante acho que é a clareza da onde você quer chegar. Como que você enxerga a construção do futuro.”

Dri Barbosa, N5X

O setor de energia no Brasil está em transformação e, com ele, surgem novas oportunidades de negócios, empregos e inovação. O mercado livre de energia, que permite que consumidores escolham de quem comprar eletricidade, vem ganhando espaço, alterando dinâmicas tradicionais e atraindo profissionais de diferentes perfis. Nesse cenário, empresas buscam se adaptar a um setor mais digitalizado e eficiente. Este foi o tema da entrevista com Dri Barbosa, CEO da N5X, no programa Mundo Corporativo.

A revolução do mercado livre de energia

A abertura do mercado livre de energia ampliou as possibilidades para empresas e consumidores. Segundo Dri Barbosa, “ele é um setor que tá em transformação, novas empresas estão chegando, estão chegando também profissionais de outros setores com um perfil mais digital”. Esse movimento tem gerado um aumento na liquidez do setor e acelerado a digitalização das negociações.

A N5X surgiu justamente para atender essa nova dinâmica. A empresa, uma joint venture entre a B3 e o Grupo EX, propõe uma solução para tornar as transações energéticas mais seguras e eficientes. “Hoje, as negociações nesse mercado são 100% bilaterais e os participantes ficam muito limitados ao risco de crédito”, explica Barbosa. A ideia é que a plataforma centralize gestão de riscos, aumentando a confiabilidade das operações.

Inovação e adaptação: pilares para o futuro

Para Dri Barbosa, a agilidade é essencial nesse novo mercado. “As coisas mudam muito rápido, a gente precisa se adaptar de maneira muito rápida, então facilidade de aprendizado e curiosidade são aspectos cruciais para essa primeira formação de time dentro das empresas.”

A liderança nesse cenário exige uma combinação de conhecimento técnico e visão estratégica. A CEO da N5X reforça que é essencial montar equipes complementares e diversificadas para criar soluções inovadoras. “A gente precisa trazer um time que seja muito complementar e único para construir esse futuro.”

O mercado livre de energia no Brasil ainda tem desafios pela frente, incluindo a necessidade de maior regulação e de infraestrutura para absorver a expansão do setor. No entanto, Barbosa acredita que a direção está clara: “Construir mercados junto com o mercado”, destacando a importância da colaboração entre os diferentes agentes do setor.

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Sua Marca no Oscar: o que ‘Ainda estou aqui’ ensina sobre branding

Neste fim de semana de Carnaval, o Brasil pode fazer história no Oscar. O filme Ainda Estou Aqui concorre nas categorias de Melhor Filme, Melhor Filme Internacional e Melhor Atriz, com Fernanda Torres. A relevância cultural da obra é inegável, mas o que sua trajetória pode ensinar sobre marcas? Esse foi o tema do Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, com Jaime Troiano e Cecília Russo, no Jornal da CBN.

Cecília Russo destacou que o sucesso do filme seguiu uma lógica comum ao mundo das marcas: “O filme começou a fazer barulho lá fora, e a partir daí conquistou o público daqui”. Segundo ela, muitos produtos ganham reconhecimento internacional antes de se consolidarem no Brasil – um fenômeno que já aconteceu com marcas como Havaianas.

Além disso, Cecília apontou a força feminina como um pilar da narrativa. “Eunice Paiva e sua intérprete Fernanda Torres são mulheres fortes, mães, ícones de uma grandeza inspiradora”. Essa representatividade reforça o impacto de histórias que trazem personagens femininas marcantes, um fator decisivo no sucesso de diversos produtos culturais.

Outro ponto relevante é a liderança por trás do projeto. Para Cecília, Walter Salles, diretor do filme, exemplifica a importância de um líder sensível na construção de uma marca forte: “O diretor de um filme é esse maestro que afina tudo, aquele que traz a genialidade para o time”.

Jaime Troiano complementou a análise destacando a escolha do nome do filme, um elemento fundamental para qualquer marca. “O nome Ainda Estou Aqui é perfeito. Ele consegue fazer o que bons nomes fazem: sintetizar uma história e passar uma mensagem forte e emocionante”. No mundo corporativo, a criação de nomes é uma das tarefas mais desafiadoras do branding.

Por fim, Jaime ressaltou que marcas de sucesso precisam provocar emoções. “Marcas que são relevantes precisam emocionar e nos fazer transpirar. É impossível se sentir frio e não ser tocado pelo filme”. Para ele, a dramaticidade da obra contribui para sua força, assim como acontece com marcas que conseguem estabelecer conexões profundas com seu público.

A marca do Sua Marca

A principal lição do comentário de hoje é que nenhuma marca forte sobrevive a um produto fraco. Como destacou Cecília Russo, Ainda Estou Aqui não apenas se destacou pela qualidade da produção, mas também pela capacidade de emocionar e gerar identificação com o público.

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, logo após às 7h50 da manhã, no Jornal da CBN. A apresentação é de Jaime Troiano e Cecília Russo.

Mundo Corporativo: Caroline Marcon explica como formar equipes de alta performance

Reprodução do vídeo do Mundo Corporativo com Caroline Marcon

“O líder que faz esse trabalho de identificar bem as pessoas, compor um time forte e desenvolver esse time continuamente, ele não precisa controlar. É diferente de acompanhar.”

Caroline Marcon, consultora

As empresas que desejam resultados sustentáveis precisam investir na formação de equipes complementares e na construção de um ambiente de confiança. Essa foi a principal mensagem de Caroline Marcon, consultora organizacional e autora do livro O Poder dos Times AAA (Editora Gente), ao participar do Mundo Corporativo.

Na conversa, Caroline destacou que um líder eficaz deve ter a habilidade de selecionar as pessoas certas e garantir que elas trabalhem de forma integrada. “O líder é o grande maestro, ele faz essa sinergia entre o grupo acontecer. Ele precisa primeiro escolher as pessoas certas para compor esse time e, depois, criar um ambiente onde elas possam trabalhar bem juntas.”

A evolução da liderança: do controle à colaboração

Segundo Caroline, as empresas estão cada vez mais conscientes da necessidade de um modelo de liderança que favoreça a autonomia e a colaboração. O modelo tradicional baseado no comando e controle, que já foi amplamente adotado, tem se mostrado ineficaz para enfrentar os desafios contemporâneos. O que era competição virou colaboração.

Ela explica que o sucesso das equipes de alta performance passa pela capacidade do líder de equilibrar autonomia e acompanhamento. “Autonomia é você conseguir delegar decisões e responsabilidades para pessoas que você identifica como preparadas para isso. O primeiro passo para desenvolver autonomia é ter um time bem treinado e acompanhado, sem a necessidade de controle excessivo.”

A consultora ressaltou ainda que o desenvolvimento pessoal dos líderes é essencial para a eficácia da equipe. “Os líderes que desenvolvem uma estrutura emocional mais madura, uma comunicação mais clara e consciente, e conseguem se conectar com as pessoas, resolvem os problemas de negócio com muito mais facilidade.”

O impacto da diversidade na formação dos times

Outro ponto abordado na entrevista foi a importância da diversidade na composição das equipes. Caroline alertou para o risco de contratar apenas pessoas semelhantes ao próprio perfil do líder. “Contratar pessoas à sua imagem e semelhança é um erro comum. Quanto mais ampliamos a visão dentro de um time, mais competente ele se torna, porque diferentes perspectivas trazem soluções mais inovadoras.”

Ela citou o caso do Grupo Três Corações como um exemplo de empresa que utiliza a complementaridade de perfis para fortalecer sua gestão. “Os três irmãos que comandam o grupo têm estilos de liderança muito distintos, e isso é o que torna a empresa resiliente e bem-sucedida. Cada um foca nas áreas onde tem maior expertise, sem tentar ser o melhor em tudo.”

Caroline também falou sobre a influência dos vieses inconscientes nas decisões de liderança e como eles podem limitar a diversidade dentro das organizações. “Se você tem viés e não reconhece isso, não consegue ver oportunidades. O uso de dados nas decisões é essencial para minimizar essas distorções e construir times mais equilibrados.”

Ao abordar a equidade de gênero, a consultora reforçou que a presença feminina na liderança pode contribuir para um ambiente organizacional mais colaborativo. No entanto, ela alertou que a inclusão deve ser acompanhada por um desenvolvimento estruturado. “Não basta apenas colocar mais mulheres na gestão. É preciso garantir que elas tenham espaço para crescer e as competências necessárias para aquele negócio.”

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O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas da manhã, pelo canal da CBN no YouTube. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, e aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo. Você pode ouvir, também, em podcast. Colaboram com o Mundo Corporativo: Carlos Grecco, Rafael Furugen, Débora Gonçalves e Letícia Valente.

Conte Sua História de São Paulo: criei até um cordão carnavalesco

Por Fatel Barbosa

Ouvinte da CBN

Reporodução do Instagram @cordaodasamoxtradas

No Conte Sua História de São Paulo, o texto da ouvinte da CBN Fatel Barbosa:

Minha história com São Paulo começou ainda em Montes Claros, no norte de Minas Gerais, terra do saboroso pequi. Seu Ioiô, meu pai, vinha de trem trazendo engradados de galinhas vivas para vender no Mercadão. Eu, com seis anos, chorava, suplicando para que me trouxesse com ele para conhecer São Paulo.

Seu Ioiô me consolava dizendo: “O que você quer fazer em São Paulo, minha filha? São Paulo é o cê-u do mundo.” Desculpem o palavrão, mas era exatamente assim que ele falava.

O tempo passou, e, em 1972, fui trazida para ajudar a cuidar dos meus sobrinhos, filhos da minha irmã, que veio com o marido, torneiro mecânico, morar na Zona Leste. Minha felicidade durou pouco. A família resolveu retornar a Montes Claros logo em seguida. A revolta foi tanta que botei fogo nas poucas peças de roupa que tinha. De nada adiantou, já que eu era menor de idade. Tive que voltar com eles.

De volta a Montes Claros, comecei a cantar no grêmio estudantil do Colégio São José, onde estudava, além de me apresentar em bandas de baile, grupos regionais e festivais da região. Em 1980, ganhei todos os prêmios no festival de música de Sete Lagoas.

Tornei-me cantora profissional, mas seguia focada no meu maior sonho: vir para São Paulo. Em 1989, prestes a completar 30 anos, finalmente cheguei à capital paulista, no dia 9 de março, pela manhã.

A rodoviária ainda era no centro da cidade. Chovia muito. Fui acolhida pelo meu conterrâneo e padrinho artístico, Téo Azevedo, na Rua Conselheiro Nébias.

De lá para cá, já se passaram 35 anos. Hoje, aos 66, sigo vivendo na minha adorada Sampa.

Foram muitas lutas, mas sempre recompensadas pelo prazer de cantar e pelo apoio de tantos amigos e amigas que fiz ao longo desses anos. Canto forró tradicional, gravei alguns vinis e CDs, e participo ativamente dos movimentos culturais da cidade. Sou gestora do Ponto de Cultura Casa di Fatel, em Parelheiros, extremo sul da capital — um polo de ecoturismo onde moro e trabalho com diversos coletivos do território, trazendo cursos, eventos e colaborando com o desenvolvimento da cultura local. E, claro, sempre ligada na CBN.

Criei até um cordão carnavalesco para resgatar o carnaval tradicional. Chama-se Cordão das AmoXtradas, e, em 2025, realizaremos nosso sexto ano de cortejo pelo bairro.

Minha história com São Paulo é uma história de puro amor. Através do meu trabalho, busco a realização dos meus sonhos e dos sonhos de outras pessoas que, como eu, acreditam que a arte salva.

Ouça o Conte Sua História de São Paulo

Fatel Barbosa é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é de Cláudio Antonio. Escreva o seu texto e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite agora meu blog miltonjung.com.br ou vá até o Spotify e adicione entre os seus favoritos o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Mundo Corporativo: Carolina Ignarra, da Talento Incluir, diz que contratar pessoas com deficiência não é caridade

No bastidor da entrevista online com Carolina Ignarra, foto: Priscila Gubiotti/CBN

“E eu garanto que fazer inclusão bem feita expande o cumprimento de uma lei. Com certeza traz benefícios para o negócio e para a sociedade toda.”

Carolina Ignarra, Talento Incluir

Apenas 1% das pessoas com deficiência no Brasil ocupa cargos de liderança. Pior (ou seria tão ruim quanto?), 63% delas nunca recebeu uma promoção, mesmo estando há anos na mesma empresa. Esses dados, revelados pela pesquisa Radar da Inclusão, mostram que, apesar dos avanços, barreiras estruturais ainda impedem uma verdadeira equidade no mercado de trabalho. A forma como as organizações enxergam esses profissionais é um dos principais entraves. Esse foi o tema abordado no programa Mundo Corporativo, em entrevista com Carolina Ignarra, CEO do Grupo Talento Incluir.

Carolina era educadora física quando sofreu um acidente que a tornou cadeirante. Ao contrário da maioria das pessoas com deficiência, rapidamente retornou ao mercado de trabalho sem que o fato de ser paraplégica tenha sido impedimento ou privilégio: “eu fui reintegrada no trabalho com a minha singularidade, com a minha diferença fazendo parte, mas sem que a deficiência fosse o motivo da minha incapacidade ou o motivo da minha capacidade”.

Logo ela percebeu que a deficiência é só uma característica que não define nem diz quem é a pessoa. Da mesma forma, aprendeu que essa experiência não era compartilhada por outras pessoas com deficiência, o que fez Carolina decidir-se por atuar na inclusão dentro das empresas.

A realidade ainda é de uma contratação baseada em cotas, não em convicção. “As empresas acham que já estão fazendo um favor ao contratar uma pessoa com deficiência e não enxergam esse profissional com toda a sua integralidade e potencial”. Esse pensamento limita o desenvolvimento desses profissionais, que enfrentam um histórico de exclusão e falta de oportunidades.

O papel da liderança na inclusão

Para Carolina, a mudança só ocorre quando as empresas fazem da inclusão uma escolha consciente. “Fazer por obrigação é o mínimo. Fazer por conveniência é importante, mas só avançamos quando fazemos por convicção”. Isso significa entender que contratar e desenvolver pessoas com deficiência não é caridade, mas uma estratégia que beneficia a empresa e a sociedade.

A pesquisa Radar da Inclusão também aponta que “nove a cada dez profissionais com deficiência afirmam ter passado por capacitismo no trabalho”. Carolina explica que o capacitismo está enraizado na sociedade e impacta tanto as empresas quanto os próprios profissionais com deficiência, que podem internalizar essa visão limitadora. “Nós somos autocapacitistas. Quando crescemos ouvindo que não podemos ou não conseguimos, é natural que internalizemos essa crença”.

A experiência da Eurofarma

Um exemplo de iniciativa voltada para a inclusão é o projeto de mentoria da Eurofarma. A empresa estruturou um programa para desenvolver talentos com deficiência, promovendo treinamentos e acompanhamento personalizado. “O projeto envolveu 40 pessoas com deficiência, que foram mentoradas por líderes da organização. Essa troca fortalece a confiança dos profissionais e impulsiona suas carreiras”, explica Carolina. Além disso, o programa resultou em promoções e avanços profissionais, demonstrando que inclusão bem-feita vai além do cumprimento de cotas. “As empresas que investem em inclusão com planejamento e propósito colhem benefícios concretos, tanto no ambiente corporativo quanto na sociedade”.

Assista ao Mundo Corporativo

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Conte Sua História de São Paulo: sete dias intensos na cidade que deixou marcas

Por José Emilio Guedes Lages

Ouvinte da CBN

Photo by sergio souza on Pexels.com

No Conte Sua História de São Paulo, o ouvinte da CBN José Emílio Guedes Lages fala de uma viagem especial feita à capital paulista:

Minha primeira visita a São Paulo rendeu uma história interpretada brilhantemente aqui no Conte Sua História de São Paulo. Naquela ocasião, foi uma passagem rápida, sem tempo para conhecer a cidade. Mas ficou o desejo de voltar.

Anos depois, surgiu a chance de planejar uma viagem especial. Cheguei numa segunda-feira para assistir à gravação do programa Som Brasil, de Rolando Boldrin, onde um amigo meu se apresentaria. Foi um sucesso! Ele se tornaria um artista de renome nacional. Após a gravação, exploramos a noite paulistana, com sua garoa e energia vibrante.

No dia seguinte, fui ao Parque do Ibirapuera, onde passei o resto da semana caminhando, fazendo amizades e vivendo momentos memoráveis. À noite, fui ao Sesc Pompeia assistir a Tom Zé. Saímos inebriados por tamanho talento e competência. Depois, seguimos para a Bela Vista, onde provamos pizzas deliciosas e ouvimos histórias sobre Adoniran Barbosa, contadas por garçons que se tornaram amigos do compositor.

São Paulo, para mim, virou uma festa; assim como Paris foi para Hemingway.

Também visitei o MASP, na Avenida Paulista, durante uma exposição da pintora Djanira — uma coisa e outro mundo.

Antes de encerrar a viagem, realizei outro sonho de infância, de quando ouvia pelo radinho de pilha os lances apaixonantes e o barulho das torcidas: conhecer o estádio do Pacaembu. A imponente fachada me impressionou, mas, ao entrar, senti falta da icônica concha acústica, substituída pelo “tobogã”, que sempre aparecia nas páginas da Revista do Esporte, nossa bíblia futebolística.

Por fim, voltei para casa, ao contrário da vez anterior em vez de busão voltamos de asa dura. Lá de cima, admirei a grandiosidade da Pauliceia Desvairada, relembrando os sete dias intensos que vivi na cidade, onde até um sentimento nasceu e deixou marcas duradouras.

Ouça o Conte Sua História de São Paulo

José Emílio Guedes Lages é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva seu texto e envie agora para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite o meu blog miltonjung.com.br ou ouça o podcast do Conte Sua História de São Paulo, que também está lá no Spotify. 

(os textos originais, enviados pelos ouvintes, são adaptados para leitura no rádio sem que se perca a essência da história)

Conte Sua História de São Paulo: o curso de inglês e o churros do ambulante, em Santana

Por Miriam Marcolino dos Santos

Ouvinte da CBN

Foto de RDNE Stock project

No Conte Sua História de São Paulo, a ouvinte da CBN Miriam Marcolino dos Santos fala de uma decisão tomada pela mãe que transformou a sua vida:

Minha história na cidade de São Paulo se desenrola em muitas camadas, mas escolhi compartilhar uma experiência que marcou profundamente minha vida, graças a uma decisão tomada por minha mãe. Na época, eu tinha 11 anos e estudava na Escola Estadual Raquel Assis Barreiros, no bairro da Vila Nova Cachoeirinha, na zona norte.

Certo dia, apareceram na minha sala algumas pessoas anunciando um curso gratuito de inglês. Os pais precisariam apenas arcar com o transporte para que seus filhos tivessem a oportunidade de se formar nos níveis básico e intermediário. Fiquei entusiasmada! Um dos meus três grandes sonhos estava diretamente ligado àquela oportunidade.

Minha mãe, ao perceber minha empolgação, não hesitou: com seu incentivo e esforço, lá fui eu!

O curso era oferecido pela escola de idiomas “Fox Idiomas”, localizada na Rua Alfredo Pujol, no bairro de Santana. Foi lá que, além de aprender inglês, descobri um dos prazeres gastronômicos que me acompanham até hoje: o churros, vendido por um ambulante próximo à igreja e ao metrô — na época, a única linha subterrânea da cidade.

Lembro-me nitidamente da paisagem, dos aromas e do movimento incessante de pessoas naquele lugar. Cada detalhe permanece vívido em minha memória.

A experiência não foi apenas uma aventura em outro bairro, longe de casa; foi também um marco na minha vida. Aqueles dias me ensinaram muito mais do que uma nova língua. Deram-me coragem, ampliaram meus horizontes e me prepararam para outros desafios que viriam.

Ouça o Conte Sua História de São Paulo

Miriam Marcolino dos Santos é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva agora o seu texto e envie para contesuahistoria@cbn.com.br Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite o meu blog miltonjung.com.br ou o podcast do Conte Sua História de São Paulo, que você encontra lá no Spotify.

(os textos originais, enviados pelos ouvintes, são adaptados para leitura no rádio sem que se perca a essência da história)