No Conte Sua História de São Paulo, a ouvinte da CBN Miriam Marcolino dos Santos fala de uma decisão tomada pela mãe que transformou a sua vida:
Minha história na cidade de São Paulo se desenrola em muitas camadas, mas escolhi compartilhar uma experiência que marcou profundamente minha vida, graças a uma decisão tomada por minha mãe. Na época, eu tinha 11 anos e estudava na Escola Estadual Raquel Assis Barreiros, no bairro da Vila Nova Cachoeirinha, na zona norte.
Certo dia, apareceram na minha sala algumas pessoas anunciando um curso gratuito de inglês. Os pais precisariam apenas arcar com o transporte para que seus filhos tivessem a oportunidade de se formar nos níveis básico e intermediário. Fiquei entusiasmada! Um dos meus três grandes sonhos estava diretamente ligado àquela oportunidade.
Minha mãe, ao perceber minha empolgação, não hesitou: com seu incentivo e esforço, lá fui eu!
O curso era oferecido pela escola de idiomas “Fox Idiomas”, localizada na Rua Alfredo Pujol, no bairro de Santana. Foi lá que, além de aprender inglês, descobri um dos prazeres gastronômicos que me acompanham até hoje: o churros, vendido por um ambulante próximo à igreja e ao metrô — na época, a única linha subterrânea da cidade.
Lembro-me nitidamente da paisagem, dos aromas e do movimento incessante de pessoas naquele lugar. Cada detalhe permanece vívido em minha memória.
A experiência não foi apenas uma aventura em outro bairro, longe de casa; foi também um marco na minha vida. Aqueles dias me ensinaram muito mais do que uma nova língua. Deram-me coragem, ampliaram meus horizontes e me prepararam para outros desafios que viriam.
Ouça o Conte Sua História de São Paulo
Miriam Marcolino dos Santos é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva agora o seu texto e envie para contesuahistoria@cbn.com.br Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite o meu blog miltonjung.com.br ou o podcast do Conte Sua História de São Paulo, que você encontra lá no Spotify.
(os textos originais, enviados pelos ouvintes, são adaptados para leitura no rádio sem que se perca a essência da história)
Reprodução do vídeo da entrevista do Mundo Corporativo
“Um profissional curioso é um profissional que se mantém mais relevante no mundo de hoje, onde as coisas mudam muito rápido.”
Lucia Rodrigues, Microsoft
A inteligência artificial (IA) não é apenas uma ferramenta avançada, mas um divisor de águas no mercado de trabalho. Enquanto algumas funções desaparecem, novas surgem em ritmo acelerado. A questão não é mais se a IA afetará a carreira dos profissionais, mas como eles podem usá-la a seu favor. Esse foi o tema discutido no programa Mundo Corporativo, que recebeu Lucia Rodrigues, diretora de capacitação e inteligência artificial da Microsoft Brasil.
O temor de que a IA substitua profissionais é compreensível, mas a história mostra que grandes inovações tecnológicas costumam reconfigurar o mercado de trabalho, e não apenas eliminar vagas. Segundo Lucia Rodrigues, o relatório O Futuro do Trabalho, do Fórum Econômico Mundial, estima que 92 milhões de empregos serão eliminados até 2030. “Mas ele também traz um dado de que 170 milhões de novos empregos serão criados por conta da IA”, destacou. O saldo, portanto, é positivo, mas o caminho não será igual para todos.
A diferença entre um profissional que se adapta às novas exigências e aquele que fica obsoleto está na capacidade de aprendizado e adaptação. “O que vai diferenciar o profissional que vai ficar obsoleto do profissional que vai aproveitar a oportunidade que a IA vai trazer é aquele que se abre para aprender como ela pode agregar valor à sua profissão e, inclusive, mudar de carreira”, afirmou.
Habilidades mais valorizadas no mercado digital
Muitos imaginam que dominar ferramentas de IA seja a competência mais valorizada pelos empregadores, mas o que se destaca são habilidades exclusivamente humanas. “O pensamento crítico, analítico e as habilidades socioemocionais são as mais procuradas”, apontou Lucia. Isso significa que saber lidar com emoções, colaborar com colegas e manter um olhar crítico sobre as informações geradas pela IA são diferenças competitivas.
“A IA pode até te ajudar a aprender e a desenvolver essas habilidades, mas ela nunca vai fazer isso por você”, alertou.
Como se preparar para o futuro do trabalho?
Diante da velocidade das transformações, a educação continuada torna-se um requisito fundamental para qualquer profissional. A Microsoft, segundo Lucia Rodrigues, tem investido fortemente na capacitação. “Criamos um programa chamado Conecta IA, uma plataforma de aprendizagem com 42 parceiros, entre eles o Ministério do Trabalho, Sebrae e UNICEF.”
Para quem deseja dar os primeiros passos no aprendizado sobre IA, ela sugere cursos introdutórios que explicam desde os conceitos básicos até o uso prático das ferramentas. “Fizemos um curso chamado Fluência, que conta a história da IA, como ela funciona e como aplicá-la no dia a dia”, por exemplo.
Como as empresas estão lidando com a revolução da IA?
As empresas estão em diferentes estágios de adoção da IA, mas a tendência é clara: quem não investir na tecnologia pode perder competitividade. “Vimos que 60% dos líderes não contratariam alguém que não tenha conhecimento de IA, e 89% acreditam que sua implementação é essencial para a competitividade da empresa”, apontou Lucia.
Por outro lado, muitos profissionais estão levando suas próprias ferramentas de IA para o trabalho, o que indica que as organizações ainda precisam investir em infraestrutura e capacitação. “Instrumentalizar as pessoas é fundamental. Não basta dizer que a IA é importante, é preciso criar um ambiente que permita seu uso eficiente e seguro”, ressaltou.
O futuro pertence aos curiosos
Ao final da entrevista, Lucia Rodrigues deixou um recado para aqueles que ainda não sabem como se encaixar nesse novo contexto: “Olhe para a IA como um aliado. Ela pode te ajudar em muitas coisas na sua vida profissional e pessoal. E divirta-se! Teste variadas ferramentas, veja onde elas são mais úteis para você.”
A curiosidade, segundo ela, é uma das chaves para se manter relevante. “Hoje é a IA, amanhã pode ser outra coisa. O que realmente nos torna profissionais preparados para o futuro é a vontade de aprender e se adaptar.”
Ouça o Mundo Corporativo
O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas da manhã, pelo canal da CBN no YouTube. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, e aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo. Você pode ouvir, também, em podcast.
Colaboram com o Mundo Corporativo: Carlos Grecco, Rafael Furugen, Débora Gonçalves e Letícia Valente.
O mercado de casamentos no Brasil movimenta cifras expressivas e desmente a ideia de que as cerimônias estão em declínio. Em 2025, segundo o portal Casar.com, o número de uniões formais deve atingir quase 500 mil, neste ano, superando os 471 mil de 2024. Além do volume de casamentos, o valor investido pelos casais impressiona: o gasto médio com a celebração chega a R$ 66 mil. Esse é o tema do comentário de Jaime Troiano e Cecília Russo no quadro Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, no Jornal da CBN.
Cecília Russo destaca como o setor abriga marcas consolidadas que se tornaram referência. “Tem marca de bem-casado que está presente em 9 a cada 10 casamentos em São Paulo, como a da Dona Conceição, que começou em 1961.” Além disso, ruas inteiras se tornaram sinônimo desse universo, como a Rua São Caetano, na capital paulista, conhecida como a Rua das Noivas.
Jaime Troiano, por sua vez, lista três elementos essenciais para quem deseja se consolidar nesse setor — princípios que valem para qualquer negócio. “A primeira dica é buscar o seu foco dentro desse mercado. Quanto mais competitivo for, mais importante é definir claramente sua identidade.” Ele também reforça que não há atalho para o sucesso: “Marca não é um tapume. Não adianta entregar um produto de baixa qualidade, porque isso não vai ficar escondido.” A terceira recomendação é manter um diálogo constante com os clientes. “No mercado de pulverização de marcas, manter um diálogo permanente com os noivos é algo fundamental.”
A marca do Sua Marca
O comentário desta semana reforça que o sucesso de uma marca depende de três pilares: foco, entrega de valor e comunicação. No competitivo mercado de casamentos, como em qualquer outro, marcas que sabem o que representam, oferecem qualidade e mantêm um vínculo próximo com o público têm mais chances de se consolidar.
Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso
O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, logo após às 7h50 da manhã, no Jornal da CBN. A apresentação é de Jaime Troiano e Cecília Russo. A sonorização é da Débora Gonçalves.
No Conte Sua História de São Paulo, o ouvinte da CBN Marcos Antonio Afoloti, entre outras lembranças, destaca as lojas inovadoras da cidade:
Nasci em 5 de setembro de 1952, no bairro Vila Munhoz, Vila Maria. Em 1959, comecei o curso primário nas Escolas Agrupadas de Vista Alegre, pertinho de casa. Ia a pé pelas ruas sem asfalto, mas com muito segura. Após quatro anos, para ingressar no ginasial, precisei fazer o exame de admissão, semelhante ao vestibular. Estudei na Escola Estadual José Maria Reys, referência em ensino público.
Em 1963, acompanhava minha mãe para um tratamento no Hospital Padre Bento, em Guarulhos, viajando no trem da Cantareira, que partia da estação Pauliceia, passando por Jaçanã e Vila Galvão. Entre 1964 e 1965, nas férias de julho, íamos a São Carlos no trem da Companhia Paulista de Estrada de Ferro, saindo da Estação da Luz. As paisagens rurais, com os laranjais de Limeira, são lembranças inesquecíveis.
De 1966 a 1968, nossa diversão era assistir, em casa, com os vizinhos à novela Redenção, da TV Excelsior, em um moderno aparelho Telefunken.
Em 1968, comecei a trabalhar como office boy, com registro em carteira profissional de menor, no edifício Rio Branco, na Barão de Itapetininga. Andava por todos os cantos entregando correspondências. Passava em frente a loja Pitter, a Mesbla e a Clipper, que inventou o Dia dos Namorados.
Já adulto, fui convocado a trabalhar como mesário e cheguei a presidente de mesa nas eleições da década de 70, quando os votos ainda eram em cédulas de papel. No fim do pleito, era minha responsabilidade entregar as urnas no Acre Clube, no Tucuruvi, encerrando mais um marco da cidadania paulistana.
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Marcos Antonio Afoloti é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva seu texto agora e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite meu blog miltonjung.com.br ou o podcast do Conte Sua História de São Paulo.
(os textos originais, enviados pelos ouvintes, são adaptados para leitura no rádio sem que se perca a essência da história)
Registro da gravação no YouTube do Mundo Corporativo com Marcelo Godoy
“Hoje o tempo de decisão tem que ser muito mais rápido. O tempo de decisão, de implementação e de execução. Essa agilidade é o grande diferencial.” – Marcelo Godoy
Marcelo Godoy, Volvo Car Brasil
A transformação da indústria automobilística nunca foi tão acelerada. Com mudanças tecnológicas constantes, exigências ambientais crescentes e um consumidor cada vez mais conectado, as montadoras precisam reinventar seus processos, produtos e estratégias. No Brasil, esse cenário exige não apenas inovação, mas uma nova forma de liderar. Esse foi o tema da conversa com Marcelo Godoy, presidente da Volvo Car Brasil e da Associação Brasileira de Empresas Importadoras e Fabricantes de Veículos Automotores (Abeifa), no programa Mundo Corporativo.
A nova dinâmica da indústria automobilística
A digitalização e a eletrificação dos veículos não apenas alteram os produtos, mas também o perfil dos profissionais que atuam no setor. “Se antes era preciso ter uma formação técnica muito específica, hoje você precisa entender de todos os processos e tomar decisões rapidamente”, afirma Godoy. Ele destaca que os ciclos de desenvolvimento de veículos, que antes levavam até seis anos, hoje precisam ser concluídos em menos da metade desse tempo.
Esse ritmo acelerado também impõe novos desafios para as montadoras. “O carro do futuro será um celular sobre rodas”, diz Godoy, ressaltando a crescente integração entre tecnologia e automóveis. Para ele, essa revolução não se limita apenas ao produto final, mas também às expectativas dos consumidores, que já estão habituados a dispositivos tecnológicos cada vez mais intuitivos e conectados.
A liderança no novo cenário
Para liderar nesse ambiente de constantes transformações, Marcelo Godoy defende uma gestão baseada na diversidade de opiniões e na tomada de decisões ágeis. “Indiferentemente do cargo, todo mundo tem a sua opinião. Algumas coisas vão ser aceitas, outras não. Mas se, de cada dez casos, um input de uma pessoa mais nova fizer a diferença, isso já vale muito”, explica.
Godoy enfatiza que sua estratégia de gestão envolve a formação de equipes multidisciplinares, onde a hierarquia cede espaço para a troca de ideias. “Quando tenho um assunto crítico, monto um time de trabalho que pode incluir diretores, gerentes e até estagiários. Essa mistura de experiências gera soluções mais inovadoras.”
Ele também ressalta que um dos grandes desafios da indústria automobilística é garantir que os times estejam alinhados ao propósito da empresa, especialmente em meio a transformações tão rápidas. “Se você acredita na sua estratégia, pode passar um mês sem resultado, o segundo mês sem resultado, mas uma hora ele virá. Porque as decisões certas levam tempo para se refletirem nos números.”
O impacto da eletrificação
A Volvo tem apostado fortemente na eletrificação de sua frota e na criação de uma infraestrutura de carregamento para popularizar os veículos elétricos. A empresa já investiu R$ 70 milhões na instalação de carregadores rápidos em diversos pontos do país. “Quando decidimos instalar mil carregadores, optamos por disponibilizá-los para todos os carros elétricos, não apenas para os da Volvo. Queremos educar e criar esse mercado”, afirma Godoy.
Essa estratégia também envolveu a adoção de uma nova política de cobrança pelo uso dos carregadores por veículos de outras marcas. “No dia em que anunciamos a cobrança para clientes não-Volvo, nossas redes sociais foram invadidas de mensagens de apoio. Os clientes entenderam que estamos investindo na infraestrutura para beneficiar quem confia na nossa marca.”
Para além da eletrificação, a Volvo tem adotado outras iniciativas de sustentabilidade, como a redução da pegada de carbono e a implementação de materiais recicláveis em seus veículos. “O EX30, nosso mais recente lançamento, tem a menor pegada de carbono da história da Volvo, com diversos itens reciclados e recicláveis.”
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Colaboram com o Mundo Corporativo: Carlos Grecco, Rafael Furugen, Débora Gonçalves, Malu Mões e Letícia Valente.
Diante da plateia do Teatro da FAAP, sob os refletores que iluminavam a cena, eu me vi mais uma vez ao aldo de um grande mestre e amigo: Mário Sérgio Cortella. Um filósofo que não apenas pensa, mas ensina com a força de quem coloca a alma em cada palavra. Estávamos ali para falar sobre Faça o Teu Melhor, seu mais novo livro, publicado pela editora Planeta. Como sempre acontece quando se está ao lado de Cortella, falávamos, na verdade, sobre a vida.
A felicidade daquele momento veio acompanhada de um senso de responsabilidade: estar à altura do conhecimento que Cortella compartilha é um desafio. É preciso estar atento, conectado, disposto a mergulhar nas ideias e, claro, fazer o meu melhor para acompanhar a profundidade dos seus pensamentos. E ali, no palco, cercado pelo olhar atento do público, percebi que essa era exatamente a essência do que discutíamos. Fazer o nosso melhor não significa superar o outro, mas sim superar a nós mesmos, a cada dia, na condição que temos, enquanto não temos condições melhores para fazer ainda melhor.
O livro de Cortella nasce dessa provocação. Inspirado na citação de Ricardo Reis, heterônimo de Fernando Pessoa, ele nos convida a colocar quanto somos no mínimo que fazemos. Não é sobre grandeza medida por status ou reconhecimento externo, mas sobre excelência como um compromisso pessoal. Um antídoto contra a mediocridade, essa doença silenciosa que se esconde no vou fazer o possível quando, na verdade, deveríamos dizer vou fazer o meu melhor.
No palco, entre reflexões e risadas, Cortella lembrou de sua infância em Londrina e da decisão que tomou aos 12 anos de idade: fosse qual fosse sua profissão, ele se recusaria a ser medíocre. E essa recusa não era uma obsessão pela perfeição, mas um compromisso com a entrega. “Não quero ser o melhor professor do mundo, quero ser o melhor professor que eu posso ser”, disse ele, com aquela clareza desconcertante que nos obriga a olhar para dentro.
Fazer o nosso melhor, explicou Cortella, não significa apenas aperfeiçoar uma técnica ou adquirir mais conhecimento. Envolve um compromisso ético e estético: fazer bem o que precisa ser feito e, ao mesmo tempo, fazer de forma bela, digna, significativa. Como um cozinheiro que não apenas prepara um prato, mas coloca ali seu esmero. Como um jornalista que não se contenta com uma pauta mediana, mas busca um ângulo mais profundo. Como um médico que não apenas prescreve, mas se importa. Como um professor que não apenas transmite, mas transforma.
Esmero foi a palavra que ganhou lugar privilegiado no palco e, ao fim da noite, no autógrafo grafado nos exemplares dos livros levados carinhosamente pelos leitores presentes. Cortella a descobriu em Os Maias, de Eça de Queirós, na cena em que Baptista recebe Carlos e “preparava com esmero um grogue quente”. Para ele, esmero vai além do cuidado: é o refinamento que dá polimento ao que fazemos, elevando cada ação ao seu melhor acabamento possível.
Conversamos também sobre a síndrome do possível, essa armadilha do conformismo em que nos contentamos com o mínimo necessário para seguir adiante. Quantas vezes ouvimos (ou dizemos) eu fiz o possível quando poderíamos ter nos esforçado mais? E o quanto essa mentalidade, tão enraizada, nos afasta da excelência? No palco, rimos da lembrança de um boletim escolar cheio de notas medianas e da justificativa clássica: pai, deu para passar. Passar não é suficiente. Viver no rascunho não basta.
Entre tantas reflexões, ficou um ensinamento precioso: a excelência não é um ponto de chegada, mas um horizonte. Não é um troféu para ser ostentado, mas um compromisso diário. Não exige perfeição, mas exige que estejamos em movimento. Fazer o nosso melhor, na condição que temos, enquanto não temos condições melhores para fazer ainda melhor.
E quando o talk show chegou ao fim, depois de um mergulho profundo nessas ideias, deixei o palco com a certeza de que aquele encontro não terminava ali. As palavras de Cortella ecoariam nos pensamentos do público, assim como ressoavam em mim. Enquanto nos despedíamos, troquei com ele um sorriso e disse, com a simplicidade que o momento pedia:
— Valeu, Cortella.
E valeu mesmo. Porque foi um daqueles encontros que fazem valer a pena.
Ouça a entrevista completa com Mário Sérgio Cortella
As marcas próprias das redes varejistas estão se consolidando como estratégias de negócio cada vez mais relevantes no Brasil. Criadas e comercializadas por supermercados, farmácias e lojas de diversos segmentos, essas marcas oferecem alternativas de custo-benefício e fidelizam consumidores. Esse é o tema do comentário de Jaime Troiano e Cecília Russo no quadro Sua Marca Vai Ser Um Sucesso.
“O que se busca com essas iniciativas é trazer um custo-benefício ao consumidor, oferecendo uma proposta de valor diferenciada das opções tradicionais”, explica Cecília Russo. Em alguns casos, a marca própria leva o nome da rede varejista; em outros, é criada uma identidade independente, com logotipo e visual descolados da empresa-mãe. No exterior, essa prática é ainda mais desenvolvida: “Redes na Europa chegam a faturar mais de 60% do total das vendas com produtos de suas próprias marcas”, destaca Cecília.
O mercado brasileiro, ainda em estágio de maturidade inferior ao de Estados Unidos e Europa, tem expandido a adoção dessas estratégias por três principais motivos: “Elas são uma arma de negociação contra marcas mais fortes, ampliam a lucratividade e fortalecem a fidelização dos clientes”, diz Cecília. “Se a marca própria é boa, o consumidor volta para comprá-la e acaba adquirindo outros produtos na mesma loja.”
Jaime Troiano complementa com exemplos concretos. “O Grupo Koch, maior rede de supermercados de Santa Catarina e décima maior do Brasil, tem a marca BonTraz, que abrange diversas categorias de produtos, de pão de queijo a papel toalha”, afirma. Ele também cita experiências passadas: “Trabalhamos com Taeq, do Pão de Açúcar, e criamos as marcas Go New e All 4 One para a Netshoes”. Nos Estados Unidos, o exemplo mais expressivo é o atacadista Costco, cuja marca própria faturou 56 bilhões de dólares em 2023, superando marcas globais como Nike e Coca-Cola.
A marca do Sua Marca
A expansão das marcas próprias é uma oportunidade para varejistas, mas também um desafio. “Qualidade deve ser sempre uma condição essencial. Afinal, é a própria marca do varejo que está em jogo”, alerta Cecília. Criar uma marca própria exige uma mentalidade diferente da simples comercialização de produtos de terceiros. “Aquilo que pode ser vantajoso também pode se tornar uma armadilha”, conclui.
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No Conte Sua História de São Paulo, o ouvinte da CBN Sérgio Sayeg lembra as transformações urbanas da nossa cidade:
Minha mudança para o sobrado da Rua Tumiaru aconteceu em um dia inesquecível: 1º de abril de 1964, quando o regime militar foi instaurado no país. Eu tinha 11 anos e, enquanto os hinos marciais tocavam nas rádios, minha preocupação era organizar meus brinquedos na nova casa. A rua Tumiaru, com apenas quatro quadras, ficava entre a sede do Exército, o Ginásio do Ibirapuera e uma Avenida 23 de Maio ainda de terra.
As transformações na região após a inauguração do corredor Norte-Sul foram impressionantes.
Nos anos 1960, o bairro Paraíso tinha uma paisagem bem diferente. A Rua Curitiba, hoje endereço de apartamentos luxuosos, era mal iluminada e de paralelepípedos. Abrigava campos de futebol varzeano e era refúgio para garotas de programa à noite. O ponto final de uma linha de ônibus da CMTC dividia espaço com terrenos abandonados, onde podiam ser encontradas rochas de todos os tipos que formavam minha coleção de pedras.
A Rua Tutoia era a única que comportava algum movimento com seu comércio prosaico. Nela tinha uma capela, hoje a Igreja do Santíssimo Sacramento, rodeada por plantações de flores que se estendiam até o leito da futura Avenida 23 de Maio. Nem tudo eram flores naquele endereço. A rua também abrigava o DOI-CODI, que trouxe má-fama para a via, especialmente após a morte de Vladimir Herzog. Já na Tomás Carvalhal, o futebol de várzea reunia moradores em manhãs de domingo, num clima de alegria e camaradagem.
Hoje, ao passar por essas ruas que marcaram minha infância, dá um aperto no coração ver como o progresso transformou o Paraíso, confirmando os versos de Caetano: “ergue e destrói coisas belas.”
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Sérgio Sayeg é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva seu texto agora e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite meu blog miltonjung.com.br ou o podcast do Conte Sua História de São Paulo.
“Quando você vai a um lugar, come uma determinada comida, esse sabor jamais sai da sua memória. Esse lugar jamais sai de dentro de você.”
Carlos Humberto, Diaspora.Black
O turismo é mais do que uma viagem de lazer. É uma ferramenta pedagógica capaz de transformar percepções, enriquecer repertórios culturais e romper barreiras sociais. Foi a partir dessa ideia que Carlos Humberto, CEO da Diaspora.Black, decidiu criar uma startup de impacto social que conecta a história e a memória da população negra ao desenvolvimento de negócios. O tema foi discutido na entrevista concedida ao programa Mundo Corporativo, apresentado por Mílton Jung.
Uma jornada que começa na infância
Carlos Humberto compartilhou que sua primeira experiência empreendedora ocorreu aos 11 anos, organizando excursões para a praia na Baixada Fluminense. “Eu fui um dos organizadores do movimento dos farofeiros, mesmo sem perceber que isso já era empreender”, afirmou. Décadas depois, a vivência se conectaria a uma nova oportunidade: transformar episódios de racismo enfrentados em viagens e na própria casa em um modelo de negócios voltado ao afroturismo.
A Diaspora.Black promove experiências que vão desde caminhadas em comunidades quilombolas até pacotes turísticos em capitais africanas e brasileiras, como Salvador. “A falta de representação da história e cultura negra no mercado de turismo é um vazio que decidimos preencher”, explicou. A iniciativa também abrange treinamentos corporativos para fomentar diversidade e inclusão. Segundo Carlos, “não basta ter uma ideia ou conhecimento de negócios, é preciso saber exatamente o que se quer trabalhar”.
Educação como ponte para a inclusão
Além do turismo, a Diaspora.Black desenvolve certificações corporativas que utilizam ferramentas tecnológicas, como gamificação, para promover aprendizado. A metodologia é composta por vídeo-aulas curtas, quizzes e certificações que ajudam a medir mudanças no comportamento dos participantes. “É possível mensurar como as pessoas mudam sua visão, atitude e comportamento a partir do aprendizado adquirido”, ressaltou.
Carlos também destacou que preconceitos muitas vezes são fruto da falta de informação. “A sociedade bugou nos anos 2000, mas as novas gerações já trazem um repertório mais diverso e exigem que as empresas atualizem seu software”, disse, ao enfatizar a necessidade de combater preconceitos por meio de conhecimento e educação.
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Kátia Regina, da Nestlé, foi uma das mulheres entrevistadas Foto: Priscila Gubiotti
No sábado (01.02), o Mundo Corporativo estará de volta com entrevistas inéditas, marcando a abertura da temporada 2025. Ainda nesta semana, retomo as gravações para este que é o mais longevo programa de rádio sobre carreiras, gestão, liderança, empresas e empreendedorismo. No ar há 23 anos, sendo os últimos 14 sob minha direção, já conduzi mais de 600 entrevistas — por minha conta e risco, e, claro, sob a supervisão do jornalismo da CBN. Nesse período, conversei com CEOs, empreendedores, criadores e consultores, acompanhando as transformações do mundo corporativo.
Nosso objetivo sempre foi refletir as mudanças nas organizações, trazendo os temas mais relevantes para o mercado de trabalho. Entre eles, a crescente participação feminina e a importância da diversidade e equidade nas empresas.
Mas foi apenas em 2019 que me dei conta de que o Mundo Corporativo ainda não refletia, na prática, as transformações que discutíamos no programa. Até então, a maioria dos entrevistados eram homens brancos, o que espelhava a realidade das empresas: um mercado dominado por lideranças masculinas.
Identificada a desigualdade, busquei entender suas causas. Como programa tem relevância, recebemos muitas sugestões de entrevistas, com profissionais altamente qualificados. No entanto, uma conta simples mostrava que, a cada dez indicações, oito eram de homens e apenas duas de mulheres. Era com base nesse elenco que fazíamos nossas escolhas. Ou seja, a lista era enviesada.
Diante disso, decidimos agir. Se as empresas e agências de comunicação ainda não nos conectavam com as CEOs, empresárias, empreendedoras, conselheiras e consultoras, nós iríamos buscá-las.
Hoje, quando temos um tema que nos interessa e a escolha for entre um homem e uma mulher, optamos pela mulher. Jamais abriremos mão da excelência. Jamais. Porém, por muitos anos, os homens foram os privilegiados nessa escolha.
A partir daquela decisão, o Mundo Corporativo começou a mudar. E os números mostram a transformação.
Em 2019, entre os entrevistados, 35 eram homens e apenas 8 mulheres — um desequilíbrio de 81% contra 19%.
Em 2020, a mudança começou: 30 homens e 14 mulheres (68% a 32%).
O avanço mais expressivo ocorreu em 2023, quando as mulheres superaram os homens pela primeira vez: 24 entrevistadas contra 21 entrevistados, uma inversão da tendência anterior, com 53% de participação feminina.
Em 2024, o equilíbrio se manteve: fechamos 29 entrevistas com mulheres e 26 com homens (52,7% a 47,3%).
Essa evolução reflete um esforço contínuo para ampliar a representatividade e enriquecer o debate corporativo. Desde que assumi a apresentação do programa, em 2011, a presença feminina cresceu 480%.
Ao mesmo tempo que comemoro o resultado com toda a equipe de produção do Mundo Corporativo, é preciso reforçar: essa mudança não é um favor às mulheres. Tampouco uma concessão. É uma correção de rota. Transformações como essa só acontecem quando reconhecemos nossos vieses e nos propomos a agir.
E a diversidade não pode se limitar ao gênero. É preciso ampliar ainda mais esse olhar, promovendo maior inclusão racial e étnica para que o espaço seja verdadeiramente plural — onde talento e competência definam quem ocupa cada posição.
Não por acaso, a entrevista que marca o início da temporada 2025 será com Carlos Humberto, CEO da Diaspora.black, empresa que desenvolve o afroturismo e incentiva a incorporação da diversidade e inclusão no ambiente corporativo. Um tema que se torna cada vez mais urgente para atender às demandas das novas gerações.