Mundo Corporativo: Carlos Humberto, da Diaspora.Black, discute afroturismo e inclusão

“Quando você vai a um lugar, come uma determinada comida, esse sabor jamais sai da sua memória. Esse lugar jamais sai de dentro de você.” 

Carlos Humberto, Diaspora.Black

O turismo é mais do que uma viagem de lazer. É uma ferramenta pedagógica capaz de transformar percepções, enriquecer repertórios culturais e romper barreiras sociais. Foi a partir dessa ideia que Carlos Humberto, CEO da Diaspora.Black, decidiu criar uma startup de impacto social que conecta a história e a memória da população negra ao desenvolvimento de negócios. O tema foi discutido na entrevista concedida ao programa Mundo Corporativo, apresentado por Mílton Jung.

Uma jornada que começa na infância

Carlos Humberto compartilhou que sua primeira experiência empreendedora ocorreu aos 11 anos, organizando excursões para a praia na Baixada Fluminense. “Eu fui um dos organizadores do movimento dos farofeiros, mesmo sem perceber que isso já era empreender”, afirmou. Décadas depois, a vivência se conectaria a uma nova oportunidade: transformar episódios de racismo enfrentados em viagens e na própria casa em um modelo de negócios voltado ao afroturismo.

A Diaspora.Black promove experiências que vão desde caminhadas em comunidades quilombolas até pacotes turísticos em capitais africanas e brasileiras, como Salvador. “A falta de representação da história e cultura negra no mercado de turismo é um vazio que decidimos preencher”, explicou. A iniciativa também abrange treinamentos corporativos para fomentar diversidade e inclusão. Segundo Carlos, “não basta ter uma ideia ou conhecimento de negócios, é preciso saber exatamente o que se quer trabalhar”.

Educação como ponte para a inclusão

Além do turismo, a Diaspora.Black desenvolve certificações corporativas que utilizam ferramentas tecnológicas, como gamificação, para promover aprendizado. A metodologia é composta por vídeo-aulas curtas, quizzes e certificações que ajudam a medir mudanças no comportamento dos participantes. “É possível mensurar como as pessoas mudam sua visão, atitude e comportamento a partir do aprendizado adquirido”, ressaltou.

Carlos também destacou que preconceitos muitas vezes são fruto da falta de informação. “A sociedade bugou nos anos 2000, mas as novas gerações já trazem um repertório mais diverso e exigem que as empresas atualizem seu software”, disse, ao enfatizar a necessidade de combater preconceitos por meio de conhecimento e educação.

Assista ao Mundo Corporativo

Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas da manhã, pelo canal da CBN no YouTube. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, e aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo. Você pode ouvir, também, em podcast.

Colaboram com o Mundo Corporativo: Carlos Grecco, Rafael Furugen, Débora Gonçalves e Letícia Valente.

Mundo Corporativo: participação feminina cresceu quase 500% em 13 anos no programa

Kátia Regina, da Nestlé, foi uma das mulheres entrevistadas Foto: Priscila Gubiotti

No sábado (01.02), o Mundo Corporativo estará de volta com entrevistas inéditas, marcando a abertura da temporada 2025. Ainda nesta semana, retomo as gravações para este que é o mais longevo programa de rádio sobre carreiras, gestão, liderança, empresas e empreendedorismo. No ar há 23 anos, sendo os últimos 14 sob minha direção, já conduzi mais de 600 entrevistas — por minha conta e risco, e, claro, sob a supervisão do jornalismo da CBN. Nesse período, conversei com CEOs, empreendedores, criadores e consultores, acompanhando as transformações do mundo corporativo.

Nosso objetivo sempre foi refletir as mudanças nas organizações, trazendo os temas mais relevantes para o mercado de trabalho. Entre eles, a crescente participação feminina e a importância da diversidade e equidade nas empresas. 

Mas foi apenas em 2019 que me dei conta de que o Mundo Corporativo ainda não refletia, na prática, as transformações que discutíamos no programa. Até então, a maioria dos entrevistados eram homens brancos, o que espelhava a realidade das empresas: um mercado dominado por lideranças masculinas.

Identificada a desigualdade, busquei entender suas causas. Como programa tem relevância, recebemos muitas sugestões de entrevistas, com profissionais altamente qualificados. No entanto, uma conta simples mostrava que, a cada dez indicações, oito eram de homens e apenas duas de mulheres. Era com base nesse elenco que fazíamos nossas escolhas. Ou seja, a lista era enviesada.

Diante disso, decidimos agir. Se as empresas e agências de comunicação ainda não nos conectavam com as CEOs, empresárias, empreendedoras, conselheiras e consultoras, nós iríamos buscá-las.

Hoje, quando temos um tema que nos interessa e a escolha for entre um homem e uma mulher, optamos pela mulher. Jamais abriremos mão da excelência. Jamais. Porém, por muitos anos, os homens foram os privilegiados nessa escolha.

A partir daquela decisão, o Mundo Corporativo começou a mudar. E os números mostram a transformação.  

Em 2019, entre os entrevistados, 35 eram homens e apenas 8 mulheres — um desequilíbrio de 81% contra 19%. 

Em 2020, a mudança começou: 30 homens e 14 mulheres (68% a 32%). 

O avanço mais expressivo ocorreu em 2023, quando as mulheres superaram os homens pela primeira vez: 24 entrevistadas contra 21 entrevistados, uma inversão da tendência anterior, com 53% de participação feminina. 

Em 2024, o equilíbrio se manteve: fechamos 29 entrevistas com mulheres e 26 com homens (52,7% a 47,3%).

Essa evolução reflete um esforço contínuo para ampliar a representatividade e enriquecer o debate corporativo. Desde que assumi a apresentação do programa, em 2011, a presença feminina cresceu 480%. 

Ao mesmo tempo que comemoro o resultado com toda a equipe de produção do Mundo Corporativo, é preciso reforçar: essa mudança não é um favor às mulheres. Tampouco uma concessão. É uma correção de rota. Transformações como essa só acontecem quando reconhecemos nossos vieses e nos propomos a agir. 

E a diversidade não pode se limitar ao gênero. É preciso ampliar ainda mais esse olhar, promovendo maior inclusão racial e étnica para que o espaço seja verdadeiramente plural — onde talento e competência definam quem ocupa cada posição. 

Não por acaso, a entrevista que marca o início da temporada 2025 será com Carlos Humberto, CEO da Diaspora.black, empresa que desenvolve o afroturismo e incentiva a incorporação da diversidade e inclusão no ambiente corporativo. Um tema que se torna cada vez mais urgente para atender às demandas das novas gerações.

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: São Paulo, uma marca de contrastes e pluralidade

São Paulo não é apenas uma cidade; é uma marca que representa diversidade, cultura e resiliência. Essa foi a reflexão central do comentário de Jaime Troiano e Cecília Russo no quadro Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, que foi ao ar no Jornal da CBN. Aproveitando os 471 anos da capital paulista, os comentaristas analisaram como cidades podem ser percebidas como marcas, destacando a singularidade de São Paulo.

Cecília Russo lembrou que a construção de uma marca vai além de cores e símbolos. “São Paulo tem uma identidade que comunica coisas para as pessoas”, afirmou, destacando a pluralidade como uma das principais características da cidade. Para ela, São Paulo é um mosaico de contrastes: “Casas baixas e prédios altos, riqueza e pobreza, avenidas largas e vielas que nos levam de volta no tempo.”

Jaime Troiano ressaltou o papel da cultura como um traço marcante da identidade paulistana. “Quem nunca se encantou com a Virada Cultural ou se surpreendeu com a variedade de eventos, shows e exposições que acontecem aqui?”, questionou. Ele também destacou o lema presente no brasão da cidade, Non ducor, duco (não sou conduzido, conduzo), como símbolo da liderança e iniciativa características de São Paulo. “Aqui, as coisas fervilham, acontecem.”

A marca do Sua Marca

O comentário destacou que uma cidade, assim como uma marca, é construída coletivamente. “A gestão dessa identidade cabe à prefeitura, mas também a todos nós, cidadãos e cidadãs de São Paulo”, concluiu Cecília. O legado cultural, a diversidade e a capacidade de acolher pessoas de diferentes origens são as marcas que fazem São Paulo ser o que é: um lugar único que pulsa com vida e significado.

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso

O quadro vai ao ar aos sábados, logo após às 7h50 da manhã, no Jornal da CBN. A apresentação é de Jaime Troiano e Cecília Russo. A sonorização é do Paschoal Júnior.

Conte Sua História de São Paulo: fala mais que o Homem da Cobra

Por Samuel de Leonardo

Ouvinte da CBN

No Conte Sua História de São Paulo, o ouvinte da CBN Samuel de Leonardo destaca uma dessas figuras que fazem parte da cidade empreendedora … mesmo que esse empreendedorismo seja um tanto discutível:

“Fala mais que o homem da cobra.” Certamente você já ouviu essa expressão e, quem sabe, ficou curioso para entender sua origem. No início dos anos 1970, eu trabalhava como office boy e, entre uma tarefa e outra, aproveitava para explorar as atividades exóticas que a metrópole oferecia: de faquires a mulheres andando sobre cacos de vidro. Foi na Praça da Sé que deparei com o personagem dessa história. Vestindo um terno surrado e carregando uma maleta, ele garantia que ali dentro havia uma serpente gigantesca, capaz de engolir uma pessoa. Ao mesmo tempo, tagarelava as virtudes de um milagroso elixir embalado em pequenos frascos envoltos em papel celofane de tom amarelado: “Cura espinhela caída, tosse comprida e bucho virado!”

O discurso carismático encantava, e logo um sujeito alto, de cabelos claros encaracolados, e eufórico comprava cinco frascos. Outros curiosos seguiam seu exemplo, e o estoque desaparecia rapidamente. Depois de horas assistindo ao espetáculo, percebi que a cobra nunca aparecia.

Dois dias depois, voltei à praça, decidido a descobrir se ele realmente revelaria o animal. Cheguei a tempo de ver a jiboia saindo da maleta: três metros de comprimento, com dorso amarelo e manchas avermelhadas. Enquanto todos admiravam o réptil, o mesmo sujeito alto repetia o ritual: comprava mais frascos do elixir e se retirava. Outras pessoas seguiram o entusiasmo do primeiro comprador. E assim o homem da cobra, com sua mistura de marketing e mistério, tornou-se uma lenda paulistana.

Ouça o Conte Sua História de São Paulo

Samuel de Leonardo é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Claudio Antonio. Escreva seu texto agora e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite o meu blog, miltonjung.com.br, e o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

((os textos originais, enviados pelos ouvintes, são adaptados para leitura no rádio sem que se perca a essência da história))

Conte Sua História de São Paulo: do futebol de rua às telas do Cine Astral

Por Marcos Antônio Vasquez

Ouvinte da CBN

Photo by Dmitry Demidov on Pexels.com

No Conte Sua História de São Paulo, o ouvinte da CBN Marco Antônio Vasquez destaca a cidade da cultura, do esporte e das transformações:

Minha história começa em março de 1948, quando nasci. Meus pais haviam se mudado para uma casa na Rua Tobias Barreto, que reformada, ainda está lá. Após um ano na República da Mooca, vivi nos Campos Elíseos, em frente ao Liceu Coração de Jesus, onde cursei o Ginásio e o Científico.

Em 1950, nos mudamos para a Casa Verde, numa vilinha na Rua Zanzibar, que depois virou garagem de ônibus. Na época, minha mãe era atendida pelo Dr. César Castiglioni Júnior, figura proeminente no bairro. Foi fundador da sociedade de moradores e hoje dá nome a uma das ruas da região. 

Em 1952, fomos para a Caiubi, nas Perdizes. As ruas de terra e terrenos baldios eram cenários de jogos épicos, como Campevas “de cima” contra Campevas “de baixo”. Teve um 6 a 5 para a turma de cima com gol da vitória marcado por Camilo, carregado em triunfo pelos colegas, que ainda me emociona.

Nas Perdizes, conheci meu grande amigo Vicente no campo de várzea do Monteiro, onde hoje passa a Avenida Sumaré. Lembro também das tardes no Pacaembu e Morumbi, incluindo a inauguração do estádio ao lado de meu pai e avô.

Fã de cinema, assisti a sessões no Cine Astral, interrompidas pelas algazarras da turma da Padaria Paramount. Também recordo as idas à loja Sears, na Água Branca, com sua lanchonete única. Assim como do aroma inesquecível dos biscoitos da Petybon na Vila Romana, onde vivo desde 2001.

Parafraseando Arnaldo Jabor, que disse que o Brasil nunca mais seria campeão da Copa de 1950, esses momentos não voltarão, mas permanecem vivos em minha memória.

Ouça o Conte Sua História de São Paulo

Marco Antonio Vasquez é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva seu texto agora e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite meu blog miltonjung.com.br ou o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

((os textos originais, enviados pelos ouvintes, são adaptados para leitura no rádio sem que se perca a essência da história))

Conte Sua História de São Paulo: minha transformação no solo fértil da cidade

Por Claudio Lobo

Ouvinte da CBN

No Conte Sua História de São Paulo, o ouvinte da CBN Claudio Lobo destaca a cidade que inspira a transformação:

O ano era 1980. Eu, engenheiro eletrônico recém-formado, chegava a São Paulo para trabalhar na Telesp, a companhia telefônica da época. Por dois anos, vivi entre o Rio de Janeiro, minha cidade natal, e São Paulo, hospedado no centro, perto do Mappin da Avenida São João. A loja, ficava aberta até a meia-noite. E era lá que eu circulava depois do jantar. Os vendedores, na camaradagem, até reservavam ofertas para mim! Para um carioca, o centro paulistano era uma experiência pitoresca.

Naqueles anos, as transformações tecnológicas eram rápidas, avassaladoras. Eu tinha de estudar constantemente. para me manter atualizado. A cada inovação, um recomeço. Era o início da revolução digital impulsionada por Bill Gates e Steve Jobs. 

Em 1984, já morando definitivamente em São Paulo, entendi que as transformações do país eram enormes e a capital paulista era a caixa de ressonância: a transição política, as esperanças e as decepções, além das constantes mudanças de moeda, que nos obrigavam a nos adaptar rapidamente.

Lembro-me de ter lido uma frase atribuída a Darwin: “Não é o mais forte que sobrevive, mas o que melhor se adapta.” De lá para cá, o mundo deu um cavalo de pau. Vivi essa teoria na prática, desbravando novos conhecimentos e enfrentando desafios. Mais fortes chegamos e sobrevivemos à Covid-19. 

Hoje, dedico-me integralmente à fotografia. Com o salto tecnológico da área, só consegui me reinventar graças à disciplina e à persistência adquiridas desde meus dias como engenheiro. São Paulo, com sua energia e oportunidades, foi o solo fértil onde cresci e me transformei.

Ouça o Conte Sua História de São Paulo

Claudio Lobo é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva seu texto agora e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite o meu blog miltonjung.com.br ou o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

((os textos originais, enviados pelos ouvintes, são adaptados para leitura no rádio sem que se perca a essência da história))

Conte Sua História de São Paulo: a dedicação de Betão, o bicicleteiro da Vila Cruzeiro

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No Conte Sua História de São Paulo o ouvinte da CBN Mario Curcio destaca um personagem do empreendedorismo que marca a nossa cidade:

Uma das figurinhas carimbadas aqui da Vila Cruzeiro, na zona sul da capital, era o bicicleteiro Betão. Ganho o apelido, certamente, por sua altura: mais de 1 metro e 85. 

Betão era conhecido não apenas pela habilidade, mas também pela dedicação. Sua bicicletaria ficava na Avenida João Carlos da Silva Borges, quase esquina com a Rua Bragança Paulista.

Com ele, não havia tempo ruim. Sábados, domingos ou feriados, lá estava, trocando pneus, ajustando câmbios, soldando quadros. Entre um conserto e outro, gostava de contar histórias. No passado, havia sido negociante de carros usados e representante da MZ, uma marca de motos da antiga Alemanha Oriental, nos anos 1980.

Betão já estava com mais de 70 anos e nos últimos 15 dedicou-se exclusivamente às bicicletas. Guardava relíquias em sua loja: quadros de Caloi 10, Caloi Ceci e até uma rara Peugeot 10, dos anos 1970. O coroa era duro de negociar. Não vendia nada por migalhas: “É sempre muito difícil mexer no estoque. Tem muita coisa empilhada. Tem de ser um bom dinheiro pra valer a pena” — é o que dizia.

Betão não trabalhava sozinho. Dava oportunidade a jovens aprendizes e até a moradores de rua da Vila Cruzeiro. 

Em março de 2023, ao passar na loja, fui surpreendido: Betão havia partido, vítima de um enfarte fulminante. Ficaram as boas lembranças de alguém que, com suas mãos incansáveis, ajudou tantas famílias a pedalarem pelas ciclovias da zona sul, construindo memórias que nunca serão esquecidas.

Ouça o Conte Sua História de São Paulo

Mario Curcio e o bicicleteiro Betão são personagens do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva sua história agora e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite o meu blog miltonjung.com.br ou o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: como as marcas atravessam o tempo com relevância

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Manter-se relevante ao longo de décadas é um desafio que poucas marcas conseguem superar. Esse foi o tema do comentário de Jaime Troiano e Cecília Russo no quadro Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, no Jornal da CBN. Com base em uma metodologia desenvolvida e aplicada há mais de 30 anos, os especialistas analisaram como algumas marcas conseguem atravessar o tempo e se manter no topo.

O estudo Marcas Mais, em parceria com o jornal O Estado de São Paulo avalia o grau de envolvimento emocional e funcional que as marcas estabelecem com seus consumidores. A metodologia, descrita como pioneira e única no Brasil, busca identificar as práticas consistentes que fazem com que essas marcas não apenas sobrevivam, mas se mantenham relevantes e ocupem as primeiras posições nos rankings anuais. “Imaginem vocês o que significa manter uma relação de envolvimento, afeto e preferência por tanto tempo!”, destacou Jaime Troiano. Ele comparou o processo, que acompanhou mais de 500 marcas ao longo de três décadas, a uma arqueologia do branding, explicando que poucas marcas conseguem manter esse nível de conexão ao longo dos anos.

Os quatro pilares do sucesso

Cecília Russo explicou os critérios principais que sustentam as marcas mais fortes do estudo. Esses pilares são fundamentais para entender por que algumas empresas se destacam em mercados tão competitivos:

  1. Consistência: “Elas não abandonam seu passado para traçar o futuro. Preservam o essencial na busca do novo.”
  2. Humildade: “Elas ouvem sempre a voz das ruas, o que o mercado e as pessoas estão dizendo, seja bom ou ruim.”
  3. Qualidade: “Não há marca forte que resista a produto ruim.” Cecília ainda citou uma frase do publicitário Washington Olivetto: “O pior que pode acontecer a um produto ruim é ter uma propaganda boa. É dinheiro jogado fora.”
  4. Comunicação contínua: “Mesmo sem grandes investimentos, elas alimentam o diálogo com os consumidores e nunca deixam de se fazer ouvir.”

Jaime também destacou que as marcas analisadas não apenas atravessaram períodos de crise, como a pandemia, mas saíram fortalecidas por conta da capacidade de manterem uma comunicação ativa e próxima dos consumidores.

A marca do Sua Marca

Os quatro pilares apresentados — consistência, humildade, qualidade e comunicação contínua —demonstram que marcas sólidas não dependem apenas de campanhas pontuais, mas de práticas contínuas e estruturadas. Esse é o diferencial que as mantém no topo, ano após ano.

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, logo após às 7h50 da manhã, no Jornal da CBN. A apresentação é de Jaime Troiano e Cecília Russo.

Conte Sua História de São Paulo: saudade do parque, dos pássaros e do pastel da minha cidade

Por Silvio Henrique Martins

Ouvinte da CBN

No Conte Sua História de São Paulo, o ouvinte da CBN Silvio Henrique Martins destaca o gigantismo da nossa cidade:

Minha história de São Paulo, em 2025, é feita de boas saudades. Moro desde 2021 em Łódź, uma cidade no centro da Polônia, 10.500 quilômetros distante da querida São Paulo e 222 anos mais velha. Apesar de arborizada, Łódź não tem a marquise ou a fonte do Ibirapuera, nem as ladeiras da Brigadeiro e da Porto Geral.

Aqui, os terminais rodoviários são tranquilos, bem diferentes do movimento vibrante do Jabaquara, Barra Funda ou Tietê. O estádio local é bonito, mas não se compara ao Morumbi, onde vivi momentos inesquecíveis ao lado do meu pai, tricolor como eu. As feiras livres também são diferentes: frutas e flores dependem da estação, mas não há pastel, caldo de cana ou os famosos anúncios hilários das barracas paulistanas.

O trânsito local é leve; um engarrafamento de cinco minutos é considerado um transtorno. Sinto falta das marginais, onde 10 minutos para percorrer 7 quilômetros já era rotina. No inverno, o sol some e, com ele, os pássaros cantores. A saudade do canto do sabiá e do bem-te-vi é enorme, e hoje entendo a Canção do Exílio.

São Paulo me deu oportunidades, família e amigos, e sempre será minha cidade do coração. Mas Łódź me presenteou com uma netinha polaquinha, que embaralha minha geografia e me enche de esperança de que, no futuro, ela também tenha sua própria história para contar sobre São Paulo.

Ouça o Conte Sua História de São Paulo

Silvio Henrique Martins é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva seu texto e envie agora para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite o meu blog miltonjung.com.br ou o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

((os textos originais, enviados pelos ouvintes, são adaptados para leitura no rádio sem que se perca a essência da história))

Conte Sua História de São Paulo: meu pai construiu um “bangalô” para a família

Por Sandra Regina de Almeida Torres
Ouvinte da CBN

No Conte Sua História de São Paulo, a ouvinte da CBN Sandra Regina Torres fala desta gente que chega, que cresce e constrói a cidade com criatividade e perseverança:

Em 1960, minha mãe e minhas duas irmãs — uma de 8 anos e a outra ainda bebê — embarcaram na cabine de um caminhão Chevrolet. O motorista, sensibilizado, decidiu não deixá-las na carroceria junto aos outros passageiros, que incluíam meu pai e as inúmeras malas e sacos de pano. O destino era a capital de São Paulo. Minha mãe, exausta, cuidava das crianças e trocava as fraldas de pano da bebê.

Meu pai, que me contou essa história, não se queixava das dificuldades do trajeto. Preferia lembrar com orgulho das mudanças que percebia: o tom de verde da vegetação ficava mais viçoso à medida que se aproximavam da capital. Ele, marceneiro quase analfabeto funcional, reconhecia as árvores e madeiras pelos nomes.

O segundo momento que ele contava com orgulho foi ao chegarem ao centro da cidade: minha irmã bebê, até então apática, ficou encantada com os luminosos dos prédios, os semáforos e os faróis dos carros. A família nordestina, formada por um pai branco e uma mãe negra, ficou por um bom tempo admirando aquele cenário deslumbrante.

Trinta anos depois, meu pai construiu sozinho nossa casa própria de 20 m², a que chamava de “bangalô”, entre Vila Sônia e Taboão da Serra, acessado por uma pinguela sobre o rio Pirajussara, sem asfalto e com água de um poço cavado por ele. 

São Paulo, para meu pai, era como uma grande feira livre: “Aqui tem tudo o que você imaginar; é só procurar”.  Ele se encantava com a criatividade e as inovações. Um dia, voltou do centro animado porque os motores dos ônibus haviam sido movidos da frente para a traseira dos veículos, oferecendo mais conforto aos passageiros. Mesmo com um salário mínimo, encontrava soluções engenhosas para economizar — como consertar lâmpadas de filamento ou improvisar papel higiênico com folhas de jornal.

Ele também tinha um olhar artístico. Emoldurava recortes de jornais que recebíamos dos vizinhos: imagens do parque Ibirapuera decoravam a sala, enquanto a catedral da Sé era fixada no quarto.

Nunca se arrependeu de ter migrado. Orgulhava-se da decisão e repetia que faria tudo de novo.  Sensível aos mais carentes, parafraseava com frequência a boa música de Eduardo Gudin e Roberto Riberti que ele nem conhecia:Se eu fosse deus, a vida bem que melhorava, se eu fosse deus, daria aos que não têm nada”

Por fim, encerro esse texto lembrando que São Paulo, uma cidade que acolheu minha família, também acolhe exemplos como o Padre Júlio Lancelotti. Parabéns, São Paulo. Feliz aniversário!

Ouça o Conte Sua História de São Paulo

Sandra Regina de Almeida Torres é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva você também o seu texto e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite o meu blog miltonjung.com.br ou o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

((os textos originais, enviados pelos ouvintes, são adaptados para leitura no rádio sem que se perca a essência da história))