Conte Sua História de São Paulo: o Natal em que nasci

Antonio Dionísio

Ouvinte da CBN

Photo by sergio souza on Pexels.com

Sou paulista e paulistano. Nasci na noite de Natal, no bairro da Consolação. Eram 25 de dezembro de 1963. Sou filho de migrantes pernambucanos. Meu pai, Antonino Dionísio Marques, de Vitória de Santo Antão, terra da Pitu, uma das mais conhecidas cachaças do Brasil. Minha mãe, Maria do Carmo. Natural de Correntes, na época distrito de Garanhuns.

Papai era era alfaiate e foi para São Paulo, em 1957, após trabalhar com Seu Bruno Perrelli, no Recife. Na capital paulistana, acompanhou a agitação política no fim dos anos de 1950 e início de 1960. 

Ele assistiu à partida inaugural do Estádio do Morumbi. Além do fato de ter acompanhado a construção do estádio, decidiu ver o jogo de estreia porque era torcedor ferrenho do rubro-negro Sport Recife. Não que seu time estivesse em campo, mas o anfitrião São Paulo receberia o Sporting de Lisboa, jogo que a equipe da casa venceu por 1 a 0, com gol de Peixinho.  Foi o que bastou para que Seu Antonino se transformasse em torcedor do tricolor paulista. Falava com entusiasmo de tudo que presenciou naquele dia.

Após os eventos de 31 de março de 1964 e se sentindo inseguro, enviou  para o Recife, sua esposa, minha mãe, e eu, no fim de abril. Ele e o irmão, João Dionísio, deixaram São Paulo, no mês de Sant’Ana, como o nordestino chama o mês de junho. 

Religiosamente, meu pai retornava à capital paulista para rever os amigos. Por várias vezes, eu o acompanhei. Ficávamos na casa de um cunhado dele que também era migrante e morava na rua Cuiabá, número 96, bairro da Mooca. Chegávamos a ficar até 20 dias.

Ao me formar no ensino superior, fiz um estágio, para aprimorar os conhecimentos em voleibol, no Esporte Clube Banespa e morei um tempo no bairro de Santo Amaro, na zona Sul. Quando a grana permitia, visitava o centro da cida e almoçava pastel com caldo de cana, no Mercado Público. 

Hoje, viajo menos a São Paulo, devido os afazeres. Vou eventualmente, a cada dois, três anos. Sempre que vou me emociono andando a pé pelo centro. Assim admiro melhor suas ruas, monumentos, parques, museus, exposições e tudo de bom que essa megalópole oferece.

Por restrições financeiras, faz uns seis anos que não saboreio aquele caldo de cana acompanhado de pastel, uma parada obrigatória sempre que assistia a um jogo da Taça São Paulo de Futebol Junior.

Por uma dessas coincidências que o destino nos apronta, meu pai morreu na manhã de um 25 de dezembro, quando eu estava completando 43 anos. Preparava um churrasco para comemorar meu aniversário e havia convidado seus parentes de Vitória de Santo Antão e os da minha mãe, da cidade de Correntes. A presença deles naquela data, ao menos serviu para que todos pudessem prestar uma homenagem ao Seu Antonino que, assim, como eu, adorava a cidade de São Paulo.

Ouça o Conte Sua História de São Paulo

Antonio Dionísio é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Claudio Antonio. Seja você também uma personagem da nossa cidade. Escreva seu texto agora e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos visite o meu blog miltonjung.com.br ou ouça o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Mundo Corporativo: Herman Bessler dá dicas de como usar, sem medo, a Inteligência Artificial

Entrevista on line com Herman Bessler, foto: Priscila Gubiotti

“Se o ser humano passou as últimas décadas aprendendo a falar a linguagem das máquinas, aprendendo a desenvolver código, hoje as máquinas aprenderam a falar nossa linguagem, também”

Herman Bessler, Templo.cc

A Inteligência Artificial Generativa (IAR) está transformando o ambiente de trabalho, com sua capacidade de criar conteúdos, otimizar processos operacionais e até desenvolver estratégias de negócios em questão de minutos, uma tarefa que antes exigiria semanas de dedicação. Essa evolução, discutida com Herman Bessler, CEO e fundador do Templo.cc, no programa “Mundo Corporativo” da CBN, ilustra tanto os benefícios quanto os riscos associados à IA. 

Como usar o ChatGPT

Durante a entrevista, Bessler abordou como a inteligência artificial, popularizada com o ChatGPT, está moldando o futuro das empresas e dos empregos. Ele ressaltou a importância de se adaptar a esta nova realidade, onde a IA não apenas aumenta a produtividade, mas também altera os modelos de negócios das empresas. 

Bessler detalhou o uso eficaz do ChatGPT, destacando-se entre as atuais ferramentas de IA. Ele explicou que a eficácia do ChatGPT depende não apenas do que se pergunta, mas de como se pergunta. “Quanto melhor a minha pergunta, melhor será a resposta da Inteligência Artificial”, comentou Bessler, ressaltando a importância de formular perguntas claras e estruturadas para obter resultados mais precisos e úteis.

Criador da Templo.cc, uma consultoria e escola dedicada à transformação digital, Herman Bessler também enfatizou a relevância de entender os contextos e limitações do ChatGPT. Bessler aconselhou os usuários a se familiarizarem com as capacidades e os limites do ChatGPT, notando que, apesar de sua avançada inteligência artificial, a ferramenta tem suas limitações, especialmente no que se refere à verificação de fatos e à geração de informações baseadas em dados mais recentes que a sua última atualização. Ele recomendou a utilização do ChatGPT como um auxiliar no processo criativo e na solução de problemas, mas sempre com a consciência de que a supervisão e o discernimento humanos são indispensáveis para garantir a precisão e a relevância das informações geradas.

A extinção de empregos e a criação de oportunidades

Um dos principais desafios discutidos por Bessler é o impacto da IA no mercado de trabalho. Enquanto a IA gera novas oportunidades de emprego, também acelera a extinção de funções menos qualificadas, criando um desequilíbrio. 

“Ela acaba com empregos muito mais rápido do que ela cria novas empregos e por outro lado os empregos que são criados são hiperqualificados, enquanto os empregos que são destruídos são sub qualificados”

Além disso, Bessler enfatizou a transformação cultural necessária nas organizações para a integração eficaz da IA. Segundo ele, cultura não é uma coisa etérea, na verdade é um conjunto de hábitos que as organizações operam no dia a dia. Esta mudança de hábitos é crucial para se adaptar e aproveitar os benefícios da IA. 

A conversa igualmente ressaltou o papel crucial da supervisão humana na utilização da IA, considerando o risco de informações errôneas ou imprecisas, o que é conhecido por “alucinações”.

Ouça o Mundo Corporativo

O Mundo Corporativo da CBN oferece um espaço para discussões profundas sobre as transformações no mundo dos negócios. As gravações acontecem às quartas-feiras, às 11 horas, com transmissão ao vivo no canal da CBN no YouTube. O programa vai ao ar aos sábados no Jornal da CBN e aos domingos às dez da noite, em um horário alternativo. Para aqueles que preferem a flexibilidade, o Mundo Corporativo está em formato de podcast. A entrevista com Herman Bessler contou com a colaboração de Renato Barcellos, Priscila Gubiotti, Letícia Valente e Rafael Furugen.

Conte Sua História de São Paulo: a rosa na escadaria da Sé

Márcia Dainez

Ouvinte da CBN

Vista da Praça da Sé a partir dos altos da Catedram, foto: Mílton Jung

Minha história em São Paulo começou em 1986, no bairro do Ipiranga, na visita a casa de umas tias que moravam na rua Bom Pastor. Até então, via São Paulo  pela televisão. Era algo distante de minha realidade, nascida e criada no interior. 

Foi naquele ano que surgiu a oportunidade de ir para a capital paulista. Na época, não tínhamos telefone. Era ainda por carta que avisamos de nossa viagem. Desembarcando na rodoviária do Tietê foi um desespero ver tanta gente apressada em chegar ao destino; e o tempo todo alguém dizendo: tenha cuidado, a cidade grande é perigosa! Pegar o metrô foi outra novela, tudo muito novo e arriscado.

Com parada na Sé, aproveitamos para conhecer a Igreja Matriz. logo na escadaria, um jovenzinho me ofereceu uma rosa, gesto que achei muito gentil,  afinal ele não me conhecia. Aceitei de imediato tal carinho. Até que o jovem deu o valor — não lembro quanto, mas era alto.  Devolvi a rosa!

Fomos ao metrô novamente e chegamos ao destino. Uma casa com algumas divisões em que cada pedacinho fora aproveitado. O pedreiro de um bairro distante pernoitava num cômodo nos fundos durante a semana e prestava serviços à minha tia já idosa como forma de pagamento. 

Ao lado, uma jovem equipou um outro espaço com potes e vasilhas pois estava sem emprego e montou ali a sua cozinha e o ponto de venda de bolos. Do outro lado, uma cabeleireira fez o seu salão. Tudo alugado. 

As tias falaram de uma peça com Ary Toledo, logo mais à noite. De repente me senti gente e conheci um teatro! No retorno pra casa vi que a cidade de São Paulo não parava mesmo e funcionava a noite toda. No dia seguinte, fomos conhecer o Museu do Ipiranga,  viver a história só lida nos livros da escola. Inesquecível!

As lojas todas com atendimento diferenciado. E, claro, trouxe um tecido lindo, do qual fiz uma camisa. Me orgulhava em vesti-la e dizer aos amigos: trouxe de São Paulo! 

Ouça o Conte Sua História de São Paulo

Márcia Dainez  é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Claudio Antonio. Seja você também uma personagem da nossa cidade. Escreva seu texto agora e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos visite o meu blog miltonjung.com.br ou ouça o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso:  como a cultura ESG impulsiona o valor e a reputação das empresas

Ilustração criada com Dall-E

“ESG e marcas de valor são duas faces de uma mesma moeda. Os dois precisam começar dentro da empresa e não fazerem espuma apenas para ficar bonito da porta da rua pra fora”.

Jaime Troiano


Empresas que adotam a cultura ESG (Environmental, Social, and Governance) não só promovem práticas ambientais, sociais e de governança ética e transparente, mas também fortalecem significativamente suas marcas no mercado. Jaime Troiano e Cecília Russo,  no “Sua Marca Vai Ser Um Sucesso”,  da CBN, destacaram a crescente importância da integração entre ESG e branding para o sucesso empresarial.

Como iniciativa da ONU, em 2004, a adoção de práticas ESG tem se mostrado não apenas uma questão de responsabilidade corporativa, mas também um fator determinante para a percepção de valor de uma marca pelos consumidores. O programa abordou casos de empresas que negligenciaram esses aspectos, sofrendo consequências severas, como a queda nas vendas e na reputação. Por outro lado, empresas nascidas com a cultura ESG já integrada em suas operações estão se destacando, demonstrando que a adesão a esses princípios pode ser um diferencial competitivo significativo

“Elas (as marcas) também precisam ser muito transparente nas promessas no que elas falam.Não dá para imaginar uma marca de uma empresa que leva a sério a cultura ESG falando mentira prometendo coisas que ela não vai cumprir ou mesmo até passando por cima de compromissos sociais e ambientais simplesmente para vender mais”

Cecília Russo

Casos emblemáticos de alto risco

Um exemplo notável discutido no programa foi o caso de uma conhecida marca de roupas que enfrentou sérias repercussões devido ao uso de mão de obra semi-escrava. Esse escândalo não apenas prejudicou sua reputação, mas também resultou em uma queda significativa nas vendas, demonstrando como as práticas de ESG podem afetar diretamente o sucesso comercial de uma empresa.

Outro caso mencionado foi o das Lojas Americanas, que enfrentou problemas de confiança dos consumidores após a pandemia, levando a uma drástica queda no valor das ações, de R$ 120 para R$ 1. Isso evidencia como questões de governança e transparência podem influenciar a percepção do mercado e dos consumidores.

Exemplos Positivos e Convite à Reflexão

Por outro lado, Troiano e Russo também apontaram empresas que nasceram com a cultura ESG integrada em suas operações, destacando-se no mercado pela sua autenticidade e compromisso com práticas sustentáveis. Estes exemplos reforçam a ideia de que a adesão a princípios ESG é mais do que uma responsabilidade; é uma estratégia de negócios inteligente e um diferencial competitivo no mercado atual.

O programa ainda incentivou os ouvintes a refletirem sobre marcas que eles consideram exemplos de compromisso genuíno com questões ambientais, sociais e de governança. Assim, fica evidente que, enquanto a cultura ESG se torna um padrão cada vez mais esperado, as marcas que verdadeiramente adotam esses princípios se destacam, construindo uma reputação sólida e sustentável que ressoa tanto internamente quanto com o público.

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso

O comentário Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar, aos sábados, às 7h50 da manhã, no Jornal da CBN.

Mundo Corporativo: Victor Piana, do AC Camargo, propõe que saúde dos funcionários seja tratada como estratégia da empresa

Victor Piana em entrevista ao Mundo Corporativo. Foto de Priscila Gubiotti

“A empresa tem um papel muito importante na condução da saúde do seu colaborador e eu acho que terceirizar menos o “problema” para alguém é trazer ele para dentro de casa, e entender a saúde como um elemento estratégico da instituição”.

Victor Piana, AC Camargo Cancer Center

Na esfera corporativa contemporânea, a saúde dos colaboradores emergiu como um fator crítico, impactando não só o bem-estar individual, mas também a eficiência organizacional e a sustentabilidade financeira. Esta realidade foi enfatizada por Victor Piana, diretor-geral do A.C. Camargo Cancer Center, em uma entrevista no programa “Mundo Corporativo” da CBN. Através de suas observações, Dr. Piana fornece uma perspectiva valiosa sobre a importância da gestão proativa da saúde no ambiente de trabalho.

O entrevistado ressalta uma preocupação predominante no cenário atual: muitas empresas ainda tratam a saúde dos colaboradores como um mero benefício, similar a um vale-alimentação ou refeição. Esta abordagem resulta em uma gestão ineficaz da saúde, onde o uso dos serviços médicos é relegado a situações de emergência, elevando os custos sem promover uma saúde efetiva. Ele observa que o ingresso frequente em pronto-socorros inicia “a jornada do desperdício”, destacando a necessidade urgente de uma mudança de mentalidade nas empresas.

“É hora do CEO e de toda a diretoria entende qual é o momento de saúde do time que você cuida e de que forma a gente pode ajudar essas pessoas a trabalhar muito mais no campo da prevenção do que o consumo pontual de pronto-socorro, que a gente sabe: não faz bem ao paciente, não faz bem o sistema”.

O exemplo prático do A.C. Camargo Cancer Center, conforme descrito por Dr. Piana, ilustra como uma abordagem proativa pode trazer benefícios significativos. Desde a implementação de seu programa de saúde “Viva Bem” em 2017, a instituição observou não só uma melhoria notável na saúde e bem-estar dos colaboradores, mas também uma redução substancial nos custos. Dr. Piana revela que “em seis anos, pagamos 3 milhões a menos para o plano de saúde do que em 2017”, mesmo com uma inflação médica acima de 100%. Este dado ressalta a eficácia do investimento em prevenção e gestão da saúde.

Essas informações reforçam a ideia de que cuidar da saúde dos funcionários vai além da responsabilidade corporativa; é uma estratégia inteligente e rentável. Dr. Piana sugere que as empresas devem adotar uma visão mais holística e preventiva da saúde, transformando-a em um componente estratégico crucial para o sucesso organizacional. Ele enfatiza que a saúde dos colaboradores pode estar atrelada a resultados financeiros positivos, vinculando diretamente o bem-estar dos funcionários ao sucesso da empresa.

O caso do A.C. Camargo é um exemplo poderoso de como a gestão eficiente da saúde dos colaboradores beneficia todos – os próprios funcionários, a empresa e a sociedade. Investir na saúde dos funcionários não é apenas uma questão ética, mas uma estratégia essencial para criar um ambiente corporativo saudável e produtivo. Como Dr. Piana aponta, é imperativo que as empresas “entrem no jogo” da gestão da saúde, adotando práticas que promovam o bem-estar e a sustentabilidade.

“Se você cuidar da saúde do colaborador ou daquele indivíduo, ele percebe que você está cuidando dele e ele cuida da empresa, também”.

Esta perspectiva abrangente sobre a gestão da saúde corporativa não só melhora a qualidade de vida dos funcionários, mas serve como um catalisador para um ambiente de trabalho mais saudável, produtivo e financeiramente sustentável. Portanto, as empresas que buscam não só a prosperidade, mas também a responsabilidade social, devem considerar seriamente a implementação de estratégias focadas na saúde e no bem-estar dos seus colaboradores.

Assista ao Mundo Corporativo

A gravação do Mundo Corporativo pode ser assistida, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas, no canal da CBN no YouTube e no novo site da CBN. O programa vai ao ar e aos sábados, no Jornal da CBN, domingos, às dez da noite, em horário alternativo. Também está disponível em podcast. Colaboram com o Mundo Corporativo: Renato Barcellos, Letícia Valente, Priscila Gubiotti e Rafael Furugen.

Conte Sua História de São Paulo: minhas mémórias gastronômicas e auditivas da cidade

Joabedan Mariano

Ouvinte da CBN

O estádio do Palmeiras na foto de Sergio Souza

Aos cinco anos, nos longínquos anos de 1980, fiz uma viagem de três dias de Alagoas a São Paulo. Minha mãe, um primo e eu. Como era criança, não paguei passagem, e também não tive direito ao assento: dormia embaixo do banco no qual sentavam minha mãe e meu primo.

A São Paulo que vi, senti e provei era fria. Nas bandas do nordeste, não somos acostumados a temperaturas baixas. A cidade era cinza, por onde passava havia pouquíssimo verde e muito concreto; era inóspita, também. Meus familiares viviam na Favela de Heliópolis. Lá havia uma sinfonia de uma nota só: bang, bang, bang … E quase toda noite, era o que se ouvia.

Talvez por ser muito novo, eu até achava curioso e, não raro, preferia acreditar que aqueles sons eram estalos de São João. Ah, esses os conhecia muito bem.

Tive boas experiências, também! 

Gastronômicas, em especial: conheci sabores que nunca havia provado. Almeirão, sagu, groselha e uma mortadela deliciosa da qual nunca mais provei. 

Houve experiências visuais: fui ao Museu do Ipiranga, ficando em minha mente tudo o que vi: as armas do Brasil-Império e a Coroa Real; os caixões de Dom Pedro e de sua respectiva esposa; a tela de Pedro Américo, “Independência, ou Morte!”. 

E, claro, mantenho na memória as experiências auditivas. Minha tia, a que morava em Sampa, era assim que ela chamava o lugar, ouvia uma estação de rádio que transmitia um programa humorístico chamado “A Turma da Maré Mansa”. Eu adorava e me divertia!

Curiosamente, nunca mais voltei para São Paulo. Fui algumas vezes a Guarulhos, apenas para os voos em conexão. Sinto a necessidade de retornar à cidade para completar uma missão que eu mesmo me dei: conhecer o Brás, o Bexiga e a Barra Funda, lugares descritos com maestria pelo meu autor favorito, Alcântara Machado. Ah, e também realizar dois sonhos: conhecer as instalações da rádio CBN São Paulo (e, com muita sorte, conhecer Petria Chaves, da qual sou fã de carteirinha  – mas com Menção Honrosa a Milton Jung) e o Allianz Parque, palco dos shows do meu time do coração, o Palmeiras.

Joabedan Mariano é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Seja você também um personagem da nossa cidade. Escreva seu texto e envie agora para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos, visite o meu blog miltonjung.com.br e ouça o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: como evitar que marcas “gringas” causem a mesma decepção do Starbucks, no Brasil

Foto de Well Naves

“Saber entrar no mercado brasileiro, especialmente para essas marcas que vêm de fora, é uma mistura de entender nossa identidade e não querer forçar algo que não combina com nossa cultura”

Cecília Russo

No cenário atual de globalização, a entrada de marcas estrangeiras no Brasil se tornou um tópico de grande relevância. Entender a identidade cultural local sem forçar conceitos que não se alinham com a marca é a estratégia que pode definir o sucesso ou o fracasso de um serviço ou produto oferecido por uma empresa “gringa”. Jaime Troiano e Cecília Russo compartilharam suas percepções sobre este fenômeno no “Sua Marca Vai Ser Um Sucesso”, do Jornal da CBN.

Um exemplo emblemático é o do Starbucks. Conhecido mundialmente, a marca americana enfrentou desafios no Brasil, apontando para uma desconexão cultural. O “cafezinho” brasileiro, mais do que uma bebida, é um símbolo de sociabilidade e afetividade, algo que o Starbucks, com suas propostas como o “Pumpkin Spice Latte”, não conseguiu replicar integralmente 

Na Itália, por exemplo, o Starbucks teve uma entrada totalmente diferente. Ao se instalar em Milão, aliou-se à Princi, uma tradicional rede de padarias italianas, com paninis e  focaccias de morrer de boas, que também servia café. Enfim, não era apenas o Tio Sam chegando na Itália e pontificando sua autoridade em café, mas ele, humildemente, ancorando numa marca local e amada para conquistar o exigente paladar dos italianos.  

Cecília Russo chama atenção para o fato de que as dificuldades enfrentadas pelo Starbucks passam por outros temas estratégicos para o funcionamento de um negócio no Brasil, mas não há como deixar de lado a discussão que interessa ao branding:

“Eu acho que eles não tiveram talvez essa mesma sabedoria de compreender a nossa cultura e trazer uma proposta que fizesse sentido. Além disso, o cafezinho na nossa padaria custa X e um café no Starbucks custa um valor muito mais alto. Então para entrar no Brasil tem que entender muito nossa origem, nosso jeito de tomar café. Eu até brinco: será que eles escreveram Brasil “s” e não com “z”?”

Cecília Russo

Casos de marcas “gringas” de sucesso

Na contramão da frustração causada pelo Starbucks, marcas como o McDonald’s e o Eataly apresentam casos de sucesso. O McDonald’s, mantendo sua essência americana, soube incorporar elementos locais, como o “pão de queijo” em seu menu, aproximando-se do consumidor brasileiro. O Eataly, por outro lado, combinou a culinária italiana com pratos brasileiros, demonstrando uma integração respeitosa e eficaz da marca no mercado local. A curiosidade é que essa marca tem, aqui no Brasil, o mesmo dono do Starbucks.

Estes casos ilustram a importância de uma abordagem cuidadosa e adaptada ao entrar no mercado brasileiro. Não se trata apenas de transplantar uma marca e seus produtos; é crucial entender e respeitar as peculiaridades culturais e econômicas do país. 

“Eu acho que não dá para entrar de salto alto no mercado brasileiro, ele não é um mercado para amadores, não pode entrar com soberba”

Jaime Troiano

Essas reflexões são cruciais para qualquer marca internacional que busca estabelecer-se no Brasil. A lição é clara: entender e valorizar a cultura local não é apenas uma questão de respeito, mas uma estratégia de negócios inteligente e necessária.

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso

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Mundo Corporativo: impulsionando o desenvolvimento profissional através de viagens de incentivo

Bastidor da gravação do Mundo Corporativo. Foto de Priscila Gubiotti

“… tem um outro lado que é usar as viagens para preparar os executivos para os desafios que eles têm pela frente. Você vai preparar, por exemplo, um grupo de diretores. Evai ajudar esse grupo a adquirir certas competências que são necessárias para o sucesso deles”

Flávia Leão, líder da Russell Reynolds no Brasil

No ambiente corporativo contemporâneo, as viagens de incentivo assumem um papel crucial, não apenas como uma forma de recompensa, mas também como um meio de enriquecer as relações profissionais e fomentar o desenvolvimento dos colaboradores. Essas viagens, caracterizadas por Rodrigo Klas, diretor comercial da Klas Viagens de Incentivo, como “viagens de relacionamento”, são escolhidas estrategicamente pelas empresas para estreitar laços com clientes e premiar colaboradores. A seleção de destinos é meticulosa, visando ressonar com temas atuais da organização.

As informações sobre essa prática foram discutidas em uma entrevista concedida ao programa “Mundo Corporativo” da rádio CBN, onde Flávia Leão, líder da Russell Reynolds no Brasil, e Rodrigo Klas ofereceram um panorama detalhado sobre a dinâmica e os efeitos das viagens de incentivo no mundo empresarial.

Um exemplo mencionado na entrevista foi uma viagem organizada ao Butão, focada no conceito de felicidade. Esta experiência proporcionou aos participantes uma compreensão profunda de como a felicidade pode ser avaliada e cultivada, indo além dos parâmetros convencionais. A interação com líderes locais e a exploração de práticas sustentáveis e culturais diferenciadas ofereceram uma perspectiva única, destacando a importância do bem-estar e da satisfação no contexto corporativo.

Além de expandir o conhecimento e a visão de mundo dos participantes, as viagens de incentivo são fundamentais para a retenção de talentos e clientes. Como apontado por Rodrigo, essas experiências, quando bem planejadas e executadas, podem aumentar significativamente a lealdade e o comprometimento dos colaboradores e clientes para com a empresa.

“Hoje, a gente tá buscando muito mais abrir empresas e entender o que os líderes dessas empresas estão fazendo na prática porque você vivencia esse dia a dia e essa experiência acaba sendo muito mais rica”

Rodrigo Klas

O mercado de viagens de incentivo, segundo informações de Rodrigo, está em crescimento no Brasil, com São Paulo no epicentro desse desenvolvimento. Flávia Leão enfatizou a importância dessas viagens na preparação dos executivos para desafios futuros, salientando a necessidade de experiências práticas e a exposição a diferentes mercados e culturas.

Em síntese, as viagens de incentivo no setor corporativo são mais do que simples recompensas ou luxos; elas são uma ferramenta estratégica que promove o crescimento profissional, fortalece relações corporativas e influencia positivamente a cultura e a estratégia empresarial.

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Conte Sua História de São Paulo: o passeio na inauguração do Ibirapuera e o monumento que não resistiu ao tempo

Por José Carlos Vertematti

Ouvinte da CBN

Imagem de arquivo da “Aspiral”, de Oscar Niemeyer

Eram 21 de Agosto de 1954. Eu tinha apenas cinco anos de idade mas me lembro muito bem deste dia maravilhoso! Meus pais, José e Vicentina, levaram minha irmã Rosinha e eu a uma grande festa: a inauguração do Parque do Ibirapuera, em comemoração ao IV Centenário da cidade de São Paulo.

Uma área verde imensa, gramada, arborizada, com lagos, aves, chafarizes e vários prédios culturais que, para um garotinho como eu, parecia ser o mundo todo!

Passeamos muito a pé e o que mais me intrigou foi o sistema de som do parque: podia-se ouvir claramente as mensagens e as músicas, em qualquer lugar e com o mesmo volume. Eu, ainda pequenino, não entendia como isso era possível, mas hoje imagino a complexidade de se instalar um sistema de alto-falantes em árvores e prédios, ao longo de todo o parque, e garantir um som perfeito e equilibrado, naquela época!

Durante o passeio vimos um monumento lindo que tinha uns 17 metros de altura e que é difícil de descrever: algo como uma espiral com as extremidades unidas entre si por uma reta, fundeado no chão com uma inclinação de cerca de 60 graus.

Soubemos que era uma obra de arte criada pelo magnífico arquiteto Oscar Niemeyer. a “Aspiral” ou “Voluta Ascendente” era um desenho que representava o crescimento e o progresso paulista. Estava instalada próxima à entrada principal do parque. Era para ser a imagem da cidade de São Paulo, assim como o Cristo Redentor é do Rio de Janeiro.

Infelizmente, por motivos estruturais, este monumento não resistiu às forças da natureza e, em pouco tempo, veio abaixo e foi destruído! Hoje, só o vemos impresso na embalagem dos Dadinhos, aqueles chocolates com sabor de amendoim, que existem desde 1954. Aparece também na fachada de algumas casas que resistiram ao tempo. 

Outra atração marcante foi a intensa chuva de prata, feita através de triângulos de papel metalizado que refletiam a luz criando um clima mágico. Após uma longa caminhada, maravilhados com a imensidão e beleza do novo parque, descansamos e fizemos um merecido piquenique no Ibirapuera.

Conheça aqui a história da Aspiral, a estátua que desabou no parque

Ouça o Conte Sua História de São Paulo

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Conte Sua História de São Paulo: o rei e a rainha na porta do hotel

Andrea Wolffenbüttel

Ouvinte da CBN

Entrada do antigo Ca’D’Oro em foto de divulgação

Sou carioca por nascimento, paulistana por vocação. Era 1978. Um ano muito especial porque eu havia deixado a escola de bairro, no Brooklin, onde morava, e cursava o 1º ano do Ensino Médio, no Mackenzie, bem no centro de São Paulo. Para chegar até lá, eu deveria embar em um ônibus executivo, que passava em frente à minha casa, e descer em um ponto na Consolação. 

Meus pais queriam que eu usasse esse serviço diferenciado de transporte público. Afinal, eram minhas primeiras incursões, sozinha, fora dos arredores de casa. Acontece que o ônibus executivo era caro e eu logo percebi que poderia tomar um transporte convencional e economizar o resto do dinheiro para gastar no lanche. Melhor ainda, para um cinema. 

Por isso, eu pegava um ônibus da linha Santo Amaro–Praça das Bandeiras, descia na Nove de julho, subia uma escadaria de 100 degraus, que desembocava na curva onde a Frei Caneca virava Caio Prado. Seguia em frente, cruzava a Augusta, a Consolação e atingia a Maria Antônia, onde fica o Mackenzie. 

Porém, em uma manhã, ao atravessar a rua Augusta, vi uma estranha movimentação em frente ao Hotel Ca’d’Oro. À época, um estabelecimento de luxo. Fiquei curiosa, fui perguntar e me informaram que o rei de Espanha, Dom Juan Carlos I, estava hospedado ali. E logo sairia para seu primeiro compromisso.

Não lembro sequer de ter me questionado se deveria permanecer ou seguir para a escola. Simplesmente, fiquei ali, parada, olhando fixamente para a saída do hotel. Não sei quanto tempo passou, mas em um determinado momento: o rei. Ele saiu elegantíssimo como sempre, acompanhado da rainha Sofia. Parecia um filme, ou um sonho. 

Só voltei à realidade quando a comitiva real desapareceu na rua Augusta e, junto com a sensação de enlevo veio a recordação de que eu tinha prova de química na primeira aula! 

Ai meu Deus! Eu havia estudado tanto e a esta altura a prova já deveria estar perto do fim! Corri, corri muito! Subi as escadarias do prédio do Mackenzie aos saltos e cheguei ofegante à sala de aula quando a professora já estava recolhendo a prova. 

Ela me olhou com aquela expressão de “isso são horas?” e continuou sua tarefa indiferentemente. Me aproximei com cara de arrependimento e confessei: “professora, me atrasei porque fiquei na frente do Ca’d’Oro esperando para ver o rei e a rainha de Espanha”. A professora refletiu um instante, que me pareceu infinito. Sorriu e me disse: “essa é a desculpa mais maluca que já ouvi, mas para ver o rei da Espanha, eu também esperaria. Senta aí e faz a prova já… você só tem 15 minutos”. Não precisava de mais tempo… Fiz a prova e tirei 10! 

Ao longo dos anos, o hotel Ca d’Oro entrou em decadência, parou de funcionar, foi vendido e, agora, reinaugurado, tenta resgatar o glamour de antigamente. Eu tive a oportunidade de frequentá-lo, encontrar amigos, almoçar e jantar diversas vezes em seu restaurante. Mas sempre que passo pela frente, revejo a cena do casal real na calçada e uma menina do outro lado da rua, se sentindo em um conto de fadas.

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